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segunda-feira, março 14, 2011

Joe McPhee - Nation Time (1970)


Joe McPhee é um dos grandes músicos em atividade no cenário mais ousado da música. Não que seja algo tão extraordinário, mas é um dos poucos instrumentistas que se destaca em mais de um instrumento musical. Geralmente os saxofonistas são "estigmatizados" em suas ferramentas sonoras, sendo rotulados como tenoristas, sopranos, etc, e é mais raro quando o músico domina 2 espécies diferentes de instrumento, como é o caso de Jeb Bishop (Chicago,IL), que atua no trombone e guitarra. No caso de McPhee, mesmo se tratando de 2 intrumentos de sopro, a abordagem técnica é bem diferente, sendo o trompete e o saxofone. Detalhes técnicos a parte, é um brilhante compositor e improvisador que atua no cenário desde a época mais difícil e Nation Time é um marco daquela época, em que este tipo de música tinha um vínculo politizado muito mais evidente do que hoje em dia. Atualmenete os músicos se sentem um pouco mais confortáveis em tratar da música mais pelo lado da beleza artística. Em Shakey Jake está a influência do funk, como ocorreu em gravações de outros músicos, como Archie Shepp e Albert Ayler. Uma característica natural, um reflexo da sociedade afro-americana neste período. As duas outras composições do disco, Nation Time e Scorpio's Dance, tem aquela estética característica do free jazz influenciado pelas pesquisas das origens musicais africanas, aliadas às novas experimetações sonoras e libertárias do estilo. Joe McPhee é um nome essencial para a música, mesmo que não seja tão conhecido como outros. Uma pequena amostra de sua importância é que a sua gravação Tenor(1977) influenciou de forma vital, o músico Ken Vandermark, que é um dos maiores expoentes da música livre da atualidade. Clique na imagem para acessar o arquivo. Sem decepções.

terça-feira, março 08, 2011

Sun Ra and his Arkestra - Music from Tomorrow's World (1960)


Muito se fala da extensa obra de Sun Ra, que se tornou um personagem mítico na história da música afro-americana. Ainda há muitos que classificam erroneamente o som da Arkestra como free jazz. Algumas gravações de Sun Ra possuem aspectos estéticos similares ao estilo, mas o que predomina em sua quase incontável discografia, é o formato de orquestra, de big band, seguindo estruturalmente o modelo de Duke Ellington, Fletcher Henderson, Count Basie, Billy Eckstine, etc. Em vários momentos Sun Ra flertou com outros estilos musicais contemporâneos da cultura popular afro-americna, como o funk e até o rap. Sim, Herman Blount tinha a preocupação em distribuir cultura e conhecimento para os descendentes da diáspora africana nos Estados Unidos da América do Norte, que sofreram uma opressão racial violenta. Então Sun Ra sabia que não poderia se cristalizar em estilos se quisesse sobreviver e alcançar novas audiências. Afinal o que lhe interessava não era somente a música e sim, também passar uma mensagem, como foi em seu filme Space Is The Place, numa estética metafórica da alienação da comunidade afro-descendente perante ao poder político e econômico concentrado nas mãos da etnia euro-caucasiana que colonizou o continente.
O Music from Tomorrow's World registra o período em que a Arkestra fixou base na cidade de Chicago, na década de 60, em duas sessões: Uma gravação ao vivo no Wonder Inn e a sessão de estúdio no Majestic Hall e conta com uma das clássicas formações do grupos, contando com Marshall Allen, John Gilmore, Ronnie Boykins, Phil Cohran, Robert Barry, etc. São executados também, alguns dos clássicos do vasto repertório da Arkestra, como Angels & Demons at Play, China Gate, Tapestry from an Asteroid, A Call for All Demons e Interstellar Low Ways. Estas gravações permaneceram fora de catálogo por décadas, até que ganharam um reedição em formato digital. Clique na imagem para acessar o arquivo.
 
 
Studio Ghibli Brasil