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segunda-feira, dezembro 17, 2012

Lowell Davidson Trio (1965)

 Lowell Skinner Davidson nasceu no dia 20/11/41 em Boston, Massachusetts. Tocava orgão e dirigia o coral na igreja de seus pais, a Emanuel Episcopal Church e tocou tuba no colégio. Estudou na Boston Latin School e bio-química em Harvard. Ao piano teve influências de Thelonious Monk e Herbie Nichols e quando se mudou para New York, tocou com Ornette Coleman, Gary Peacock, Milford Graves, Paul Motian, Eddie Gomez, Lawrence Cooke e foi baterista do New York Art Quartet antes de Milford Graves.
O seu trio composto por Peacock e Graves foi o único registro fonográfico e infelizmente há pouca informação à seu respeito. Faleceu em 1990 aos 49 anos por conta da tuberculose. Lowell Davidson Trio nos comentários deste post.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Montego Joe - !Arriba! Con Montego Joe (1964)

Mais um post da sessão de presentes natalinos do Sonorica:
Roger Sanders nasceu na Jamaica e chegou nos E.U.A. em 1939 entre nove e dez anos de idade. Geralmente quando se fala sobre percussionistas no segmento do chamado jazz e Afro-Cuban music, lembra-se de Mongo Santamaria, Sabu Matinez, Willie Bobo, Candido, Machito, etc. Mas Montego Joe tem uma carreira de seis decadas que inclui nomes como Nina Simone, Dizzy Gillespie, Max Roach, Art Blakey, Fifth Dimension, etc., foi professor na Medgar Evers College e *Bedford Stuyvesant Restoration Corp (Youth Arts Academy). Com sua técnica apuradíssima, teve crucial importância para o desenvolvimento da percussão vinda da diáspora africana. Em Arriba!, Montego executa uma composição de Horace Silver, Too Much Sake, uma composição em parceria com o trompetista Leonard Goines chamada Maracatu. Sim, é isso mesmo, em 1964 já tinha músico "gringo" apreciando o ritmo nordestino, pra quem ainda pensa que o manguebeat é que revelou o maracatu ao mundo. Também conta com a presença de Eddie Gomez no contra-baixo, que gravou com o chato do Bill Evans (fãs, não se ofendam, é só uma brincadeira, take it easy) e vários músicos de free jazz. Agora se você souber quem está ao piano e na bateria e timbales, ganha um prêmio... mais informação musical! Inclusive um deles trilha por caminhos bem diferentes dos tempos com Montego Joe. Clique na imagem da capa do disco para acessar o arquivo.

*Bedford Stuyvesant é um bairro central do Brooklyn, New York. Foi cenário para o filme de Spike Lee, Do The Right Thing (Faça a Coisa Certa) e o seriado Everybody Hates Chris (Todo Mundo Odeia o Chris), ou seja, é o bairro Bed-Stuy

terça-feira, janeiro 25, 2011

Free Jazz Drummers

Com a renovação do público apreciador do chamado free jazz, da improvisação livre, notei que um nome figura unanime nos núcleos de conversas: Han Bennink. Por sua intensa atividade e criatividade, nada mais natural seu nome estar em evidência, principalmente entre o público mais jovem, que foi cativado não só pela sua musicalidade e técnica apurada, mas também pelo humor e irreverência em suas performances e sua personalidade. Han foi e é um dos núcleos percussivos da improvisação livre na Europa, mas jamais se deve esquecer de nomes fundamentais, como John Stevens e Paul Lovens, por exemplo, pois mr. Bennink não fez tudo sozinho.
Mas este post tem um cunho particular de quem vos escreve, ou seja, vou discorrer sobre os meus percussionistas preferidos neste campo de música mais ousada: Sunny Murray e Milford Graves.
Meus fundamentos de baterista englobam grandes nomes do jazz, como Buddy Rich, Art Blakey, etc, mas os que fizeram a diferença para mim, são Max Roach e Billy Higgins. E dentro do rock, o que mais me inspirou a tocar bateria: Mitch Mitchell, do Experience. Claro que vários nomes figuram, como Elvin Jones, Kenny Clarke, mas Max e Billy são os que estão mais vinculados a mim, como influência musical.
Sunny e Milford foram os que me impactaram por desmantelarem os rudimentos do jazz na bateria em um cenário extremamente amplo, mas com os elementos tradicionais expostos nitidamente, mesmo que num quadro radicalmente abstrato. As marching bands, New Orleans, etc, estão nítidos no som de Murray, enquanto todos os padrões e sessão rítmica cubana estão em Graves e consequentemente, as origens ancestrais africanas em ambos.
Murray ampliou sua pesquisa na vanguarda, no experimentalismo, nas novas técnicas, teorias e conceitos da música contemporânea e Graves ampliou para o lado ritualístico, das origens funcionais da música e o ser humano. Digamos que Sunny e Milford foram para mim, a segunda onda de impacto.
Mas porquê a foto do Han Bennink e mencioná-lo? Sinceramente, ele só foi introduzido para ilustrar o panorama percussivo da música livre e servir de contraponto sobre o assunto. Antes que surja alguma margem de equívoco, já está registrado o reconhecimento de sua importância para a música universal, mas para mim em particular, não é dos meus bateristas preferidos e não teve influência impactante. É uma mera questão de gosto musical, como existem tantos nomes que são tidos como "sagrados" e "intocáveis" para muitos bateristas brasileiros, como Jack DeJohnette, Tony Williams e Art Blakey.
Já escutei barbaridades sobre Murray e Graves por aí, que nem vale um parágrafo relatar. Mas vai se falar das limitações de um Edison Machado se não te mandam para a inquisição...
Mas toda esta polêmica é um tremendo enfado sem fim. O que vale mesmo é sempre lembrar dos desbravadores Sunny Murray e Milford Graves, que merecem mais reconhecimento.
Sunny desenvolveu uma técnica estudando junto com Cecil Taylor, no campo físico das notas musicais, das vibrações percussivas, da composição e o modo como ele conseguiu fragmentar os padrões do jazz na bateria é de uma riqueza e sofisticação única. Para quem pensa que o baterista de free jazz só bate à esmo sua bateria, sem a menor conexão, é porquê não está ouvindo atentamente o que é feito. É tudo extremamente bem integrado. Muitos falam de Rashied Ali, por sua associação com John Coltrane mas Rashied é o que é por conta de Sunny Murray.
Milford Graves veio de um lugar diferente, como eu já escreví aqui antes, da música cubana, das congas, dos timbales, dos tambores africanos, sinos e pratos do Oriente. Ele mesmo não se interessava pela bateria no jazz até acontecer a libertação do jazz. Graves me mostrou a integração mais nítida de algo que foi separado indevidamente, a percussão e a bateria. Deve-se lembrar que a bateria é um conjunto de instrumentos de percussão agrupados num "kit". A bateria tem essa ambiguidade de ser tal conjunto, como um também um único instrumento. Mas nem todo baterista é um percussionista em seu significado mais amplo e vice-versa. E Graves é um grande exemplo de possuir tudo isso dentro de uma unidade, aliado a liberdade extrema na música, bem diferente do caso de um Airto Moreira, por exemplo, que não tem esta característica de fundir estes elementos quando está num kit de bateria. Airto quando toca bateria é uma coisa e quando toca os outros instrumentos de percussão, é outra.
Sunny e Milford são as colunas principais dos fundamentos da libertação da bateria, que foi proclamada por Kenny Clarke e Max Roach anteriormente.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Andrew Cyrille & Milford Graves - Dialogue Of The Drums (1974)

Gravado no Wollman Auditorium, Columbia University em New York, Dialogue Of The Drums é uma profunda jornada no universo percussivo do ser humano, que transcende rótulo, gênero e estilo musical. Andrew Cyrille nasceu no Brooklyn, NYC em 10/11/1953 e seu nome se tornou conhecido com sua associação à Cecil Taylor. Nos anos 70, foram intensas as atividades com o Dialogue Of The Drums, grupo que também contou com a colaboração de Rashied Ali. Definitivamente foi um grupo que contribuiu muito para a pesquisa e desenvolvimento da percussão musical, assim como o M'Boom de Max Roach. Milford Graves também nasceu em NYC, só que no Queens, em 20/08/1941. Ficou conhecido por fazer parte do New York Art Quartet e de um dos grupos de Albert Ayler. A formação de Graves não veio do jazz tradicional, como se pode notar nitidamente em sua abordagem percussiva, trabalhando até com conceitos físicos e medicinais em sua música. Graves e Cyrille também atuam como educadores musicais, lecionando em institutos e faculdades, formando uma nova geração de percussionistas. Mais um registro da música universal que dispensa qualquer tipo de comentário, que sempre não consegue descrever de forma precisa, a experiência que realmente proporciona em sua audição. Clique na imagem para acessar o arquivo e ouça o diálogo dos tambores.

sábado, agosto 21, 2010

Milford Graves Trio - Live France 2008

Neste bootleg temos mais um encontro grandioso do free jazz: O lendário saxofonista Kidd Jordan e Milford Graves e William Parker. Outro encontro inédito ocorreu com Parker, Graves e Anthony Braxton, que nunca tinham gravado juntos até 2008, no disco Beyond Quantum, mesmo ano deste encontro com Jordan. Também houve à muitos anos atrás, mas não sei se há registro gravado de um encontro histórico de Graves e o saxofonista Charles Gayle em um festival. Neste festival na França, os três músicos deixam fluir suas idéias de forma intensa, como costuma ocorrer em sessões de free jazz, com alguns momentos de monólogos de cada artísta entre momentos mais torrenciais e serenos. A bateria de Graves sempre conduz por caminhos diferentes devido a sua técnica percussiva que não vêm das tradições do jazz, mas de uma música mais ancestral, em contraste de Jordan que é fundamentado na tradição de New Orleans. Parker tem ambos os elementos, aliados a uma linguagem contemporânea e universal em seu instrumento. Clique na imagem para acessar o arquivo. Por se tratar de um arquivo bootleg disponível em um site de downloads, esta gravação até o momento não possuia uma capa, então eu criei esta de forma provisória.
 
 
Studio Ghibli Brasil