Em tempos de touch screen ainda deparamos com certos tipos de afirmações demonstrando que a evolução não atinge todos os indivíduos se cada um não se dispor a evoluir. Ninguém evolui por osmose e passividade. Mesmo o Funkadelic dizendo em 1978 que a música é universal, com a canção "Who Says a Funk Band Can't Play Rock?!", provando que cada estilo musical não está restrito a etnias, ainda tivemos o Bad Brains como um dos melhores grupos de hardcore punk, o Living Colour e ainda o filme documentário Afro Punk, mostrando que tal estilo é universal. Ainda se escuta por aí alguém proferindo a frase, "samba de alemão", ou "samba de japonês", para ilustrar o ritmo sendo mau executado, com ausência de swing, groove, etc. Hoje em dia temos mulheres oriundas da terra do sol nascente faturando primeiros lugares em concursos de dancehall na Jamaica e de passista no Rio de Janeiro.
O Indigo Jam Unit se formou no ano de 2005 em Osaka, com Yoshichika Tarue (piano), Katsuhiko Sasai (contra-baixo), Isao Wasano (percussão e bateria) e Takehiro Shimizu (bateria). Yoshichika Tarue nasceu em 1974 e começou a tocar piano clássico aos 20 anos de idade e posteriormente iniciou seu quarteto de jazz com influência latina. Katsuhiko Sasai nasceu em 1976 iniciando no sintetizador até os 14 anos e foi para o baixo elétrico um ano depois. Trabalhou na cena Funk e fusion japonesa e começou a tocar baixo-acústico com o Indigo Jam Unit. Isao Wasano nasceu em 1979 e iniciou-se na percussão ainda na banda do colégio e assumiu a bateria quando entrou no Indigo Jam Unit. Takehiro Shimizu nasceu em 1983 e começou a tocar bateria aos 12 anos se dedicando ao formato das big bands de jazz. Trabalhou com Sadao Watanabe, Terumasa Hino, Hitomi Nakayama, Naoko Sakata, Jukka Eskola entre outros. Recebeu diversos premios de baterista de jazz, divide seu tempo entre New York e o Indigo Jam Unit em Osaka, Japão. O Indigo Jam Unit sempre grava seu material ao vivo no estúdio com uma pequena pós-produção e alguns efeitos se possível. Não há edição ou overdubs em suas gravações. Clique aqui para acessar o arquivo e constatar do que estamos falando.
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quarta-feira, julho 18, 2012
terça-feira, abril 17, 2012
Ethnic Heritage Ensemble - Freedom Jazz Dance (1999)
Pela primeira vez em 20 anos de atividades, o Ethnic Heritage Ensemble conta com a participação de um instrumento de cordas. O guitarrista Fareed Haque nasceu e 1963, filho de pai paquistanes e mãe chilena e colaborou com Paquito D'Rivera, Dave Holland, Sting, Joe Henderson, Lester Bowie, Arturo Sandoval, Robert Walter, Keller Williams, Medeski, Martin and Wood, Defunckt, Ramsey Lewis entre outros. As colaborações de músicos convidados se tornaram parte do grupo com a entrada de Ernest Dawkins em 1997. Mesmo se tratando de uma gravação do final do século XX, Freedom Jazz Dance (que é uma composição de Eddie Harris), não sofre de anacronismo. Como foi dito aqui antes, o Ethnic Heritage Ensemble lida com as origens da música afro americana e o resultado é uma arte viva, que não se decanta como um movimento e estilo musical de uma determinada época. E também como já disse aqui neste blog anteriormente, enquanto muitos se prendem à ícones e simbolos de um passado mesmo que recente, a música afro americana continua pulsando, respirando novos ares e o projeto de Kahil El' Zabar já vem trazendo isso à um bom tempo. Clique na imagem para acessar o arquivo.
quinta-feira, março 29, 2012
Grant Green - Alive! (1970)
A guitarra no estilo musical que denominaram jazz ganhou destaque e uma linguagem notória com Charlie Christian e foi se desenvolvendo, ganhando força e reconhecimento com Wes Montgomery, Herb Ellis, Django Reinhardt, Joe Pass, entre muitos. Também se tornou um instrumento enfadonho e perseguido por muitos como sinônimo de exibicionismo desnecessário e o engraçado é que ninguém questionou o que Charlie Parker e Coltrane fizeram em seus saxofones, aliás, Charlie Christian desenvolveu sua linguagem que se tornou fundamento do instrumento no jazz, baseado na técnica do saxofone. Eu em particular prefiro os guitarristas do rock do que os do jazz, nunca fui lá muito chegado nos guitarristas de jazz conhecidos na sua forma mais, digamos, tradicional. Aquele timbre limpo e aveludado não me atraia de maneira alguma e num comentário mais grosseiro, achava uma tremenda chatice. Aí vieram os guitarristas do chamado fusion e muitos infelizmente uniram o que tinha de mais chato no jazz e no rock, depois nos anos 80, veio a era dos super guitarristas, que adicionaram a destreza das técnicas da música erudita, as dificílimas composições para violino de Niccolo Paganini, com glissandi e arpeggios usados de forma um tanto quanto exagerada causando mais repulsa pelos guitarristas.Bem, mas graças ao chato do Herbie Mann, as coisas mudaram, pois descobriu o talento de Sonny Sharrock que veio para mudar radicalmente a sonoridade do instrumento no jazz. Mesmo ainda predominando os guitar heroes com suas asas de pavão, temos sonoridades muito mais interessantes, como Keiji Haino, Marc Ribot, Jeb Bishop, etc.
Apesar de pessoalmente detestar um certo sub-gênero do jazz que serviu de inspiração à umas das maiores baboseiras ligadas ao estilo, o chamado acid jazz (vai ver que o tal do ácido derreteu o cérebro) o disco Alive! de Grant Green possui uma das melhores versões de Sookie Sookie, composta por Don Covay.
Grant Green nasceu em St. Louis, Missouri em 06/06/1935. Teve sua primeira performance profissional aos 12 anos de idade e suas principais influências musicais foram Charlie Christian, Charlie Parker, Ike Quebec, Lester Young, Jimmy Raney, Jimmy Smith e Miles Davis. Sua primeira gravação foi com o saxofonista Jimmy Forrest, contando com Elvin Jones na bateria. Foi apresentado à Alfred Lion do selo Blue Note por Lou Donaldson, considerado o pai do Soul Jazz (que foi a base do acid jazz) e iniciou uma profílica carreira com inúmeras gravações sob sua direção. Muitos consideram Grant Green como o herdeiro direto de Wes Montgomery e o pai do acid jazz, tendo sua música imortalizada nos samplers décadas depois. Clique na imagem para acesar o arquivo.
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sexta-feira, janeiro 07, 2011
Vernon Reid - Mistaken Identity (1996)
Me lembro dos anos 90, quando surgiu um terrível rótulo musical chamado acid jazz. Foi mais um momento deprimente da música, pois este rótulo veio acompanhado de um estilo que incluia até estilo de vestimenta e dança, tudo englobando uma estética de consumo. Foi muito ruim, pois era um jeito de elitizar a união do hiphop, cultura popular das ruas, ao jazz que se rendeu a pressão de mercado nos anos 60, com o advento da soul music e rhythm'n'blues, que viriam a gerar o funk. Então muitos músicos de jazz embarcaram nesta fusão e claro que nem todos visavam sobreviver financeiramente nisto. Houveram momentos muito criativos com gravações de Idris Muhammad, Grant Green, Roy Ayers, Donald Byrd, etc, no meio de uma estética que a gravadora Blue Note ajudou a imprimir naquela época. Então nos anos 90 surgiram grupos, selos, revistas, grifes de roupas com o rótulo acid jazz tentando retomar parte daquela estética. No meio disso, muitos grupos de qualidade extremamente duvidosa surgiram, como Galliano, Jamiroquai, US3, Brand New Heavies, James Taylor Quartet e uma incontável lista de embustes musicais. Mas felizmente também surgiram projetos de qualidade, como o Buckshot Lefonque, Digable Planets, Jazzmatazz e o Masque de Vernon Reid. Inclusive no auge desta moda, um festival patrocinado por uma maquiavélica marca de cigarros, dedicou uma noite ao gênero, tendo como atração, o Buckshot Lefonque, Brand New Heavies e Jamiroquai. Graças a Deus o Jamiroquai cancelou de última hora sua apresentação e tive a grata surpresa de presenciar o projeto de Vernon Reid, substituindo a programação original. E lá estavam no palco: Vernon Reid, Hank Schroy, Don Byron, Curtis Watts, Leon Gruenbaun, DJ Logic e o mc Beans, despejando música de qualidade e não aquele "som de boutique" do Brand New Heavies. E o Mistaken Identity é um dos melhores momentos registrados desta época, que você pode conferir, clicando na imagem para acessar o arquivo.
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