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quinta-feira, junho 23, 2011

The Watts Prophets - The Black Voices: On The Street In Watts / Rappin' Black In A White World (1969, 1971)

É óbvio que não devemos fechar os olhos para a desgraça que existe em nosso Brasil, principalmente nas grandes cidades e absurdos que ainda ocorrem na metrópole que está entre as maiores do mundo como São Paulo. Mas em termos de conflitos sociais, de racismo, os brasileiros, a periferia, nem sabe o que é realmente "o bicho pegar" como é na América do Norte. Um dos grandes conflitos, conhecido como Watts Riots em 1965, Los Angeles, estado da California, onde deixou 34 mortos, 1032 feridos e 3438 presos nos registros oficiais, começou em 11 de Agosto de 1965, quando Marquette Frye foi acusado por um policial de estar drogado ao dirigir e tentar obrigá-lo a submeter-se a um teste e humilhá-lo e ele se recusou. Isso gerou um tumulto no bairro e uma reação em cadeia que se agravou pela declaração pública do chefe de polícia da California, que os envolvidos eram "macacos no zoológico", durando 6 dias que consumiu cerca de 40 milhões de dólares em prejuízos e quase 1000 prédios incendiados e destruidos.
The Watts Prophets se formou de um grupo de poetas e músicos de Watts que combinou elementos do chamado jazz e a poesia falada (spoken word) em 1967, Richard Dedeaux, Anthony "Father Amde" Hamilton e Otis Solomon Smith. Seus contemporâneos são os The Last Poets, que podem ser considerados pré-cursores do que conhecemos hoje como rap. Clique nas fotos das capas dos discos e acesse os arquivos.

segunda-feira, março 14, 2011

Joe McPhee - Nation Time (1970)


Joe McPhee é um dos grandes músicos em atividade no cenário mais ousado da música. Não que seja algo tão extraordinário, mas é um dos poucos instrumentistas que se destaca em mais de um instrumento musical. Geralmente os saxofonistas são "estigmatizados" em suas ferramentas sonoras, sendo rotulados como tenoristas, sopranos, etc, e é mais raro quando o músico domina 2 espécies diferentes de instrumento, como é o caso de Jeb Bishop (Chicago,IL), que atua no trombone e guitarra. No caso de McPhee, mesmo se tratando de 2 intrumentos de sopro, a abordagem técnica é bem diferente, sendo o trompete e o saxofone. Detalhes técnicos a parte, é um brilhante compositor e improvisador que atua no cenário desde a época mais difícil e Nation Time é um marco daquela época, em que este tipo de música tinha um vínculo politizado muito mais evidente do que hoje em dia. Atualmenete os músicos se sentem um pouco mais confortáveis em tratar da música mais pelo lado da beleza artística. Em Shakey Jake está a influência do funk, como ocorreu em gravações de outros músicos, como Archie Shepp e Albert Ayler. Uma característica natural, um reflexo da sociedade afro-americana neste período. As duas outras composições do disco, Nation Time e Scorpio's Dance, tem aquela estética característica do free jazz influenciado pelas pesquisas das origens musicais africanas, aliadas às novas experimetações sonoras e libertárias do estilo. Joe McPhee é um nome essencial para a música, mesmo que não seja tão conhecido como outros. Uma pequena amostra de sua importância é que a sua gravação Tenor(1977) influenciou de forma vital, o músico Ken Vandermark, que é um dos maiores expoentes da música livre da atualidade. Clique na imagem para acessar o arquivo. Sem decepções.
 
 
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