Já faz um tempo que esta banda foi redescoberta e houve uma certa ebulição no meio underground por conta do Death. Até então, quando se falava em pré-cursores do chamado punk rock, o tal do proto-punk, os nomes mencionados eram o MC5, The Stooges e até o The Sonics.
Os irmãos Dannis, Bobby e David Hackney tocavam R&B na garagem da casa de seus pais até mudarem para o hard rock em 1973, quando assistiram um show do Alice Cooper e David Hackney teve uma boa influência dos power chords de Pete Townshend do The Who. O Death começou tocando em cabarés e festas de garagem no lado leste de Detroit onde predominava a comunidade afro americana, o que causou um certo desconforto, pois o pessoal estava curtindo o Earth Wind & Fire, The Isley Brothers, etc.
Interessante este ponto, pois aproveito para abordar um assunto que tem se discutido inutilmente aqui no Brasil e especificamente em São Paulo, o racismo. Sim, ultimamente, novamente algumas pessoas que adotam posturas racistas e muitos pensam que racismo se resume ao "homem branco" em relação aos negros. Não, definitivamente qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento básico sabe que não se resume a isso. Talvez eu aborde o assunto com mais profundidade em um texto específico por aqui, mas só aproveitei alguns dados por conta da banda dos irmãos Hackney, que são mais exemplo do quão é estúpido discutir quem é o dono da música, do rock, do blues, etc. O blues não seria o blues se os afro americanos não tivessem contato com a música dos "brancos", assim como o samba não seria o samba se não tivesse contato com a música dos "brancos", o afrobeat, o jazz, e assim segue...
Bem, voltemos à Detroit nos anos 70. O Death não foi lá bem aceito na comunidade afro americana pelo seu som no mínimo estranho, ainda mais para aquela época. Eu não sei até que ponto o Death influenciou a famosa banda hardcore punk Bad Brains, mas quando se escuta principalmente o início do Bad Brains no final dos anos 70, parece óbvio que H.R. e seus amigos, sofreram esta influência, comparando com as músicas You're a Prisioner, Freakin Out, do disco ... For The Whole World To See por exemplo. Bem, o fato é que finalmente o Death tem o reconhecimento, mesmo que tardio, pois David Hackney morreu de câncer no pulmão em 2000. Segundo seu irmão Bobby, David estava convicto de que o Death estava criando algo totalmente revolucionário na música. Sim, de fato David estava certo e lamento que ele não teve o reconhecimento devido enquanto estava vivo. Enfim, já foi providenciado o relançamento dos dois LP's do Death, o For The Whole World To See e Spiritual Mental Physical, que é uma compilação de demo tapes de 1974 à 1976. Também foi realizado um documentário sobre o Death e algumas apresentações do grupo com os irmãos Bobby e Dannis. Por enquanto me limito a compartilhar com alegria esta descoberta recente, graças ao meu grande amigo Edilson, que me revelou esta música revolucionária. Nos comentários.
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sexta-feira, junho 20, 2014
segunda-feira, janeiro 27, 2014
Arthur Doyle & Hamid Drake – Your Spirit Is Calling (2004)
Corpo, alma e espírito de Arthur Doyle se despedem deste mundo neste último 25/01/2014. Pra variar, enquanto estava entre nós, pouquíssimas pessoas se importaram ou tomaram qualquer conhecimento deste músico, contemporâneo de outro que se foi, Kalaparusha Maurice McIntyre. O Sonorica já dedicava um espaço para pessoas como Doyle, Glenn Spearman, Arthur Rhames, Frank Wright, pessoas que contribuiram de forma muito especial e significativa para a música criativa universal. Enquanto muitos regorgitavam sobre nomes que já tem o seu mérito e reconhecimento, Doyle ainda contribuía com sua arte sendo ignorado até pelo público especializado que contradiz a própria música que consomem, desbravar novos horizontes. Até quando a "discoteca básica" (detesto este termo) do dito free jazz deste povo se resume à Coltrane, Sanders, Ornette e arriscando Taylor? Enfim...
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
Nos comentários.
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
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terça-feira, setembro 24, 2013
Plastic Underground ou a conotação de um "banana"
Não é a primeira vez que um artigo compartilhado no facebook que passaria desapercebido por mim ou de pouca relevância, me leva a refletir e fazer uma análise um tanto quanto irônica em alguns aspectos, mas com um fundamento e argumentação plausível, não apenas palavras inconsequentes e de pouco sentido. Talvez este assunto já esteja um tanto quanto exausto, mas como não lembro de nenhum outro artigo com uma ótica similar, resolvi comentar um pouco sobre isso aqui. (Afinal este weblog não é só um link de resenhas de discos esquisitos)
A mídia digital proporciona uma propagação tão rápida e abrangente que diversos assuntos ganham dimensões que não deveriam tomar, para o bem e para o mal, sim o mal uso da informação, o mal uso do tempo alheio e do próprio, é claro...
Procurarei ser bem objetivo sobre isso e usar poucas palavras. Hoje em dia é muito fácil ser underground, anti-midia (mas vejam só, quantos anti-midia que não saem do facebook...), uma autoridade da contra-cultura, um ícone do underground. Nunca vi tantos Forrest Gump's de vários rolês, nego já fez de tudo, tá parecendo aquela música perturbada do Seixas, de dez mil anos atrás. E no meio disso tudo, me sinto como um Hatfield ou um McCoy, um matuto que nunca tinha visto um frigorífico.
Então eu vejo, ouço, presencio todo o tipo de informação de muitas pessoas, que dizem que vieram, fizeram e venceram, portando seus estandartes gloriosos. Rapaz, eu fiz um rolê por aí nesse mundo, muitas coisas divertidas, presenciei momentos que muitos hoje consideram como história, posteridade. Poderia falar de alguns, mas isso realmente não vem ao caso, eu não ajudei a criar o Smile face, por exemplo... E depois, continuo dentro do transporte coletivo esculhambado que é muito mau gerenciado pela prefeitura e governo da cidade e Estado de São Paulo.
Os dias passam, e vejo muitos decretando tratados sobre movimentos artísticos, proclamando suas presenças no mural memorial da contra-cultura, condenando os cachorros mortos da sociedade, os personagens que o Angeli rotulou de "Psico-burguês", sendo que muitos deles não conseguem perceber o seu próprio reflexo.
Mesmo com a limitação da minha percepção, do meu ângulo de visão, muitos que se auto-proclamam alguma coisa, sobre determinadas coisas (vale uma citação de um rapaz apelidado de Assis:"Gosto de determinadas coisas, mas nada em específico"?!), não estavam lá quando estas coisas aconteceram, é como comprar a camiseta do Rock In Rio, "Eu fui", mas assistiu tudo em casa pela tv.
Desmembrando o trocadilho com a banda de um dos mais mau humorados personagens do rock, Mr. Reed:
-Velvet Underground, um sub-mundo ou sub-cultura de veludinho, cheio de fricotes, foi no playground e não se sujou de terra, e o que diria do undergound?
-Plastic Underground, tão químico, tecnológico, polímero sintético, facilmente transformável mediante o emprego de calor e pressão. "Plastic people, oh, baby, now you're such a drag"...
-Banana, antes fosse apenas uma baga epigínica da planta herbácea da família Musaceae...
A mídia digital proporciona uma propagação tão rápida e abrangente que diversos assuntos ganham dimensões que não deveriam tomar, para o bem e para o mal, sim o mal uso da informação, o mal uso do tempo alheio e do próprio, é claro...
Procurarei ser bem objetivo sobre isso e usar poucas palavras. Hoje em dia é muito fácil ser underground, anti-midia (mas vejam só, quantos anti-midia que não saem do facebook...), uma autoridade da contra-cultura, um ícone do underground. Nunca vi tantos Forrest Gump's de vários rolês, nego já fez de tudo, tá parecendo aquela música perturbada do Seixas, de dez mil anos atrás. E no meio disso tudo, me sinto como um Hatfield ou um McCoy, um matuto que nunca tinha visto um frigorífico.
Então eu vejo, ouço, presencio todo o tipo de informação de muitas pessoas, que dizem que vieram, fizeram e venceram, portando seus estandartes gloriosos. Rapaz, eu fiz um rolê por aí nesse mundo, muitas coisas divertidas, presenciei momentos que muitos hoje consideram como história, posteridade. Poderia falar de alguns, mas isso realmente não vem ao caso, eu não ajudei a criar o Smile face, por exemplo... E depois, continuo dentro do transporte coletivo esculhambado que é muito mau gerenciado pela prefeitura e governo da cidade e Estado de São Paulo.
Os dias passam, e vejo muitos decretando tratados sobre movimentos artísticos, proclamando suas presenças no mural memorial da contra-cultura, condenando os cachorros mortos da sociedade, os personagens que o Angeli rotulou de "Psico-burguês", sendo que muitos deles não conseguem perceber o seu próprio reflexo.
Mesmo com a limitação da minha percepção, do meu ângulo de visão, muitos que se auto-proclamam alguma coisa, sobre determinadas coisas (vale uma citação de um rapaz apelidado de Assis:"Gosto de determinadas coisas, mas nada em específico"?!), não estavam lá quando estas coisas aconteceram, é como comprar a camiseta do Rock In Rio, "Eu fui", mas assistiu tudo em casa pela tv.
Desmembrando o trocadilho com a banda de um dos mais mau humorados personagens do rock, Mr. Reed:
-Velvet Underground, um sub-mundo ou sub-cultura de veludinho, cheio de fricotes, foi no playground e não se sujou de terra, e o que diria do undergound?
-Plastic Underground, tão químico, tecnológico, polímero sintético, facilmente transformável mediante o emprego de calor e pressão. "Plastic people, oh, baby, now you're such a drag"...
-Banana, antes fosse apenas uma baga epigínica da planta herbácea da família Musaceae...
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble – National Conspiracy (2004)
O Electro-Acoustic Ensemble é mais um projeto de Arthur Doyle e National Conspiracy é um registro de performances de 2004 no Tonic e Fun Fest no North Six, ambos localizados no Brooklyn, N.Y. São duas peças improvisadas que são executadas ao vivo com o uso de material pré gravado. Faz parte do processo de Doyle o uso de gravador em suas composições, seja nos seus trabalhos solo como em conjuntos.
Não há informações sobre os membros presentes do EAE nesta gravação, pois o grupo varia entre quarteto e sexteto, sendo que alguns integrantes se revezam. Os mais constantes nos registros do EAE são Ed Wilcox na percussão, Leslie Q no baixo e guitarra, Vinnie Paternostro nos sintetizadores e eletrônicos e Tim Poland nos teclados. National Conspiracy foi editado em CD-R em edição limitada de 80 cópias com a capa pintada à mão e silk-sreen.
Esta é uma realidade para muitos músicos que acreditam e fazem a música de forma livre, criativa, com personalidade, de forma independente da indústria fonográfica. A conspiração está nos comentários do post.
Não há informações sobre os membros presentes do EAE nesta gravação, pois o grupo varia entre quarteto e sexteto, sendo que alguns integrantes se revezam. Os mais constantes nos registros do EAE são Ed Wilcox na percussão, Leslie Q no baixo e guitarra, Vinnie Paternostro nos sintetizadores e eletrônicos e Tim Poland nos teclados. National Conspiracy foi editado em CD-R em edição limitada de 80 cópias com a capa pintada à mão e silk-sreen.
Esta é uma realidade para muitos músicos que acreditam e fazem a música de forma livre, criativa, com personalidade, de forma independente da indústria fonográfica. A conspiração está nos comentários do post.
sexta-feira, janeiro 18, 2013
Frank Wright Quartet - Live In New York City Summer 1973
Frank Wright nasceu no dia 9 de Julho de 1935 na cidade de
Grenade, Mississipi, tocou baixo elétrico em sua juventude, tocou em grupos de
R&B em Memphis e Cleveland (cidade natal de Albert Ayler, onde o conheceu).
Ayler o inspirou a mudar para o saxofone tenor e Wright mudou-se para New York
no começo da década de 60 e ingressou no cenário do chamado free jazz e tocou
com Larry Young, Noah Howard, Sunny Murray e brevemente com John Coltrane e
Cecil Taylor. Sua primeira gravação foi em 1965 com seu trio composto por Henry
Grimes no contra-baixo e Tom Price na bateria pelo selo ESP. No fim dos anos 60
mudou-se para a França onde tocou com Noah Howard, Bobby Few, Art Taylor, Alan
Silva, Muhammad Ali e entre os anos 70 e 80 trabalhou na Europa e América do
Norte, gravou em pequenos selos na Europa com Peter Brötzmann e Marvin
"Hannibal" Peterson. Em 1988 participou de um concerto com o Art
Eensemble Of Chicago no Petrillo Bandshell em Chicago,IL. Suas últimas
gravações foram entre 1989-90 com um trio composto por Frank Wollny no
contra-baixo e o artísta plástico alemão A.R. Penck na bateria.
Frank Wright definitivamente foi um músico do underground,
jamais gravou por uma grande gravadora e seu nome é praticamente conhecido
apenas no gueto do free jazz. Mas seu estilo e sua música de certa forma foram
influência para outros músicos, como Glenn Spearman, Sabir Mateen, Charles
Gayle, e Thomas Borgmann por exemplo. Sem dúvida o estilo de Ayler teve
influência, mas Wright desenvolveu seu próprio estilo no saxofone tenor.
Coltrane e Ayler são referência de espiritualidade no jazz, inclusive isto é exposto
diretamente em suas gravações, mas Wright também faz parte desta ala de
músicos, tanto que era conhecido como Reverend Frank Wright e para quem não se
desligou do seu lado espiritual, pode sentir isso em sua música. Digo isso pelo
fato de muitas pessoas que procuram racionalizar este tipo de música, sendo
pelo lado horrível de análise teórica musical, como um manual técnico de
química, matemática e física ou como uma palestra de pós-graduação em história
da arte e estética. Ora, por esses motivos que me abstenho de várias conversas
sobre música, um tempo gasto numa ode à vaidade do acumulo de dados de
conhecimento que apenas levam à centenas de artigos e livros que são
substituídos por sessões de audição (cá entre nós, é bem mais agradável), sem
contar que muitos aspectos jamais poderão ser descritos, literalmente falando.
Afinal, são sentimentos...
Bem, o outro motivo deste post é sobre esta gravação do
quarteto de Frank Wright composto por Bobby Few: piano e voz, Alan Silva:
contra-baixo e voz e Harold E. Smith: bateria e voz. São duas peças de
improvisação com cerca de 40 minutos cada e sem título, captadas durante o New
York Musicians Festival no verão de 1973. Nos comentários do post.
Obs.: Não posso aceitar a arbitrariedade equivocada dos
orgãos que lidam com direitos autorais e fonográficos (na real esse lance todo,
é sobre o vil dinheiro) e sigo tentando divulgar a arte de pessoas que na minha
simples e particular opinião, merecem ser reconhecidas. Espero que as cabeças
de granito finalmente entendam que este weblog não quer lucrar um centavo
sequer às custas da arte alheia. Se outras pessoas usaram os arquivos que eu
disponibilizei, de forma inapropriada, me isento com a consciência limpa de
tais fatos. No mais, vamos celebrar a música de Frank Wright!
PS.: Esta gravação é um bootleg, logo, deixem-me em paz. (orgãos de direitos fonográficos, etc)
PS.: Esta gravação é um bootleg, logo, deixem-me em paz. (orgãos de direitos fonográficos, etc)
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quarta-feira, dezembro 15, 2010
Feed Your Head - Stargazer (1989?)
Esta incomum banda punk de Manchester, UK, formada em 1986 gravou 3 fitas demo, 2 singles e 2 lp's, tocou com inúmeras bandas como Visions of Change, Hex, Scream, Instigators, Oi Polloi, Amebix, Chumbawamba, Civilised Society, Government Issue, Thatcher on Acid, Dan, Mottek, Anti-sect, White Flag, Culture Shock, UK Subs, The Stupids,The Varukers, Electro Hippies, etc. Pouco se sabe sobre o Feed Your Head, como outras bandas que não dispunham da net para divulgar seu trabalho. O FYH era uma banda totalmente independente, tanto que o lp Stargazer foi lançado por eles mesmos sob o selo Crucial Climate, de forma artesanal, com preço desenhado na capa e endereço para correspondência.
A primeira vez que ouví o FYH foi através do Ronaldo (que por um breve período tocamos juntos no Energy Induction com o Marcos) que trabalhava perto da minha casa numa oficina de motos. Isso foi em 1989, creio que o ano de lançamento do Stargazer. O disco tinha vindo pelo correio através dos intercâmbios de Ronaldo. Foi uma das coisas mais bonitas que já ouví no punk e tinha um elemento incomum, violino. Sim o FYH incluiu este instrumento em suas canções e ele é bem executado, não é um mero enfeite, pois dá um acabamento todo especial nas músicas em que se faz presente. Já que sou incapaz de poder ajudar tantas bandas que deixaram singelos registros em sua curta trajetória e não tiveram algum reconhecimento e muitas pessoas não tiveram acesso, eu presto minha pequena e pessoal homenagem ao Feed Your Head, que deixou lindas canções e espero que alguém coloque oficialmente à disposição das pessoas envolvidas com o punk rock e também deixem um registro mais detalhado, pois com certeza o FYH merece um capítulo na história da música independente. Nos comentários.
A primeira vez que ouví o FYH foi através do Ronaldo (que por um breve período tocamos juntos no Energy Induction com o Marcos) que trabalhava perto da minha casa numa oficina de motos. Isso foi em 1989, creio que o ano de lançamento do Stargazer. O disco tinha vindo pelo correio através dos intercâmbios de Ronaldo. Foi uma das coisas mais bonitas que já ouví no punk e tinha um elemento incomum, violino. Sim o FYH incluiu este instrumento em suas canções e ele é bem executado, não é um mero enfeite, pois dá um acabamento todo especial nas músicas em que se faz presente. Já que sou incapaz de poder ajudar tantas bandas que deixaram singelos registros em sua curta trajetória e não tiveram algum reconhecimento e muitas pessoas não tiveram acesso, eu presto minha pequena e pessoal homenagem ao Feed Your Head, que deixou lindas canções e espero que alguém coloque oficialmente à disposição das pessoas envolvidas com o punk rock e também deixem um registro mais detalhado, pois com certeza o FYH merece um capítulo na história da música independente. Nos comentários.
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sexta-feira, julho 02, 2010
Cenário musical independente paulistano e seus depoimentos
Me lembro de um dos motivos de ter criado este blog a cerca de quatro anos. A web digital proporcionou um avanço grandioso para o cenário musical independente, que não dispunha de muitas ferramentas. Tinhamos os zines, que tinham um alcance muito limitado, as vezes alguns programas de rádio fm, alguns artigos em revistas de comportamento jovem e a raridade de alguma coisa veiculada na tv aberta. Hoje em dia, temos tudo isso e muito mais, informação simultânea e ligada ao mundo inteiro e etc. Não creio que seja necessário me aprofundar nestas ferramentas de midia, como o blog, sites, podcasts, myspace, twitter, pois o que não falta são dissertações sobre estes meios de comunicação da era digital.Me lembro do meu erro ao não checar as fontes de informação de forma correta, ou seja, se a fonte era confiável e se havia coerência com a verdade. E isso não foi feito de forma irresponsável, pois era um assunto ao qual eu tinha vivenciado, mas como não me foi concedido a onipresença e onisciencia, não pude apurar a verdade dos fatos de forma cem por cento isenta de opiniões pessoais, alheias. Enfim, foi um aprendizado e hoje as coisas estão claras.
Últimamente tenho visto a documentação de movimentações culturais em formato digital, coisa que não podia ser feita no fim dos anos 80 e 90 até. Quem iria ficar andando com uma câmera de video high 8 ou gravador k7 nas baladas e shows de São Paulo o tempo todo, ou nas rodas de conversa das pessoas que participaram deste cenário? E vejo como a memória humana pode ser falha ou infelizmente, tendenciosa. Cada um conta sua história do jeito que lembra, do jeito que queria que tivesse sido. O irônico dissso é que a contra cultura paulistana que rebateu e repugnou a parafernália burguesa, a ditadura e o poder, acabou fazendo algo semelhante ao relatar sua curta trajetória. Depoimentos e textos são feitos de forma romantizada e idealizada e não raramente, totalmente fora da realidade. É como a maiora da documentação da história da humanidade, os livros tratam a fundação de nações e cidades como uma coisa linda e maravilhosa e quem tem bom senso sabe que nunca foi assim. A história do homem foi escrita com sangue, mas não sangue como adjetivo de esforço e trabalho, mas como violência, instintos malignos, interesses próprios não visando o bem coletivo e outros ransos.
Mas hoje em dia, eu particularmente não vejo, não sinto necessidade e não quero buscar, pesquisar, investigar e divulgar sobre o que realmente aconteceu e acontece neste meio cultural paulistano com intuito de jornalismo investigatório ou documental. Se houver alguma relevância, tudo será esclarecido de alguma forma, cedo ou tarde a verdade aparece. Cada um que conte a sua história como deseja seu coração e sua consciência. E depois, muita coisa não tem importância, vai se dissolver no avançar do tempo, a vida envolve coisas muito mais importantes do que isso, a não ser que as pessoas coloquem a arte como carro chefe de suas breves existências nesta terra. Breves existências? Sim, pois se todo ser humano pudesse viver exatamente cem anos, o que é cem anos perante a eternidade, a qual não temos a verdadeira noção de sua dimensão.
"Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. " Tiago 4.14
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