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segunda-feira, julho 25, 2011

The Watts Prophets - When The 90's Came (1997)

E se passaram quase 15 anos mas When The 90's Came não soa datado. Se o Public Enemy ainda é o Number One, isso se deve em grande parte ao The Watts Prophets. Esta gravação contou com a participação do pianista Horace Tapscott. Em tempos de confusão no hiphop, eu particularmente prefiro ouvir os "clássicos". Pode parecer um papo furado saudosista, mas eu não encaro desta forma. Sim, existem novos talentos surgindo longe dos holofotes, mas eu não disponho de tempo para esta tarefa de garimpo, afinal a vida é muito mais do que jornalismo musical, já que esta função não garante o meu sustento. Mas que o rap não produz de forma tão criativa como no final do séc.XX, isso não dá pra negar, concordem ou não os militantes e aficcionados do gênero. Bom, cada um no seu quadrado. Clique na imagem, acesse o arquivo e aproveite, é apenas música. Ou você acredita na ilusão de que a música de Geraldo Vandré realmente revolucionou este país?

quinta-feira, junho 23, 2011

The Watts Prophets - The Black Voices: On The Street In Watts / Rappin' Black In A White World (1969, 1971)

É óbvio que não devemos fechar os olhos para a desgraça que existe em nosso Brasil, principalmente nas grandes cidades e absurdos que ainda ocorrem na metrópole que está entre as maiores do mundo como São Paulo. Mas em termos de conflitos sociais, de racismo, os brasileiros, a periferia, nem sabe o que é realmente "o bicho pegar" como é na América do Norte. Um dos grandes conflitos, conhecido como Watts Riots em 1965, Los Angeles, estado da California, onde deixou 34 mortos, 1032 feridos e 3438 presos nos registros oficiais, começou em 11 de Agosto de 1965, quando Marquette Frye foi acusado por um policial de estar drogado ao dirigir e tentar obrigá-lo a submeter-se a um teste e humilhá-lo e ele se recusou. Isso gerou um tumulto no bairro e uma reação em cadeia que se agravou pela declaração pública do chefe de polícia da California, que os envolvidos eram "macacos no zoológico", durando 6 dias que consumiu cerca de 40 milhões de dólares em prejuízos e quase 1000 prédios incendiados e destruidos.
The Watts Prophets se formou de um grupo de poetas e músicos de Watts que combinou elementos do chamado jazz e a poesia falada (spoken word) em 1967, Richard Dedeaux, Anthony "Father Amde" Hamilton e Otis Solomon Smith. Seus contemporâneos são os The Last Poets, que podem ser considerados pré-cursores do que conhecemos hoje como rap. Clique nas fotos das capas dos discos e acesse os arquivos.

sábado, junho 11, 2011

Nós não precisamos falar de revolução e muito menos de televisioná-la... (Gilbert Scott-Heron, 01/04/1949 - 27/05/2011)

Fiquei sabendo da partida de Gil Scott-Heron na mesma noite, por conta da agilidade da rede mundial digital. Mas ainda precisava de um tempo para falar sobre ele. Não, definitivamente não queria redigir um texto passional e tolo, dizendo frases a esmo, citando sem o menor fundamento uma de suas mais famosas frases: "the revolution will not be televised", afirmando que era o pré-cursor do rap, que isso, que aquilo, como muitos "jornalistas musicais" de ocasião escrevem porque é pauta do trampo enfadonho deles. Não, definitivamente Gil Scott-Heron não merece ser espetáculo mórbido para pessoas que simplesmente o ignoraram durante tanto tempo.
Então que esses jornalistas procurem falar sobre Jalal Mansur Nuriddin (Alafia Pudim), Abiodun Oyewole, Umar Bin Hassan, Richard Dedeaux, Father Amde Hamilton (Anthony Hamilton) e Otis O'Solomon enquanto estão entre os vivos. Ora, só homenagens postumas?
Por esses dias conversei com um amigo e ele ficou muito sentido em especial pela morte de Gil Scott-Heron e comentamos do impacto de sua arte em nossas vidas. Qualquer sebo de São Paulo se encontrava a compilação em lp "The Revolution Will Not Be Televised" pela mísera quantia de R$1,00, ou a versão em cd com mais músicas, por até R$5,00. Não precisava ser um arqueólogo musical para encontrar Gil Scott-Heron. Sua inconfundível voz grave e elegante destilava belas palavras e, palavras duras ao mesmo tempo. O menestrel tinha muito mais impacto do que um par de coturnos e jaquetas de napa coroados com uma "crista" levantada à sabão (agora esse neymarismo que se vê até entre as crianças...). Sim, o poeta do gueto nos deu uma injeção de ânimo em um momento em que o punk caminhava para um lugar horrível, de plástico colorido, de qualidade extremamente duvidosa, como essas reedições de calçados esportivos de grifes famosas (modelos dunk, sneaker, essas bobagens).
Gil Scott ainda teve tempo de voltar a dizer algo, mesmo depois de um tempo de reclusão devido as abordoadas e armadilhas que este mundo moderno lhe desferiu, de racismo, intolerância, capitalismo, drogas, HIV. O pranto pode durar uma noite, mas o sorriso há de vir pela manhã e, Gil Scott-Heron, continuamos te amando do mesmo jeito. Pedaços de um homem...

p.s.: Será que Sylvester Stewart não vai se recuperar?

quinta-feira, setembro 16, 2010

Abiodun Oyewole - 25 Years (1995)

Abiodun Oyewole é o outro remanescente do grupo Last Poets, responsável pelo que se conhece de rap hoje em dia. Muitos teóricos, principalmente os paulistanos que surgiram no início do séc.XXI nem tomavam conhecimento deste grupo de poetas do rítmo que atravessou décadas, com suas rimas acompanhadas de diminuta percussão. Não havia toca-discos e muito menos samplers para pano de fundo como é hoje em dia. Oyewole diz no último disco sobre o nome Last Poets: "No time for the bullshit rap". A poesia ritmada perdeu em muito para os malabarismos de palavras e bases feitas por produtores que tomaram o lugar dos dj's (quando dj era aquele que tinha a habilidade de tranformar um toca-discos em instrumento musical e não esta febre de dj's de ocasião que encontramos aos montes por aí, que mau sabem mixar uma música com a outra), claro que existem os casos que fogem à regra de mercado, como Mike Ladd e outros poucos, mas em muito se perdeu de seu frescor, qualidade poética e o último respiro de criatividade realmente inovador se deu no fim dos anos 80 e início dos 90, com grupos como De La Soul, A Tribe Called Quest, Arrested Development, etc. Dizem que o rap brasileiro vai bem e de vento em popa, mas eu tenho as minhas ressalvas. Mas não vou entrar no mérito desta questão em respeito ao meu vizinho que foi um dos fundadores do que se chama rap em São Paulo, Jr. Blow e seu Stylo Selvagem.
Abiodun Oyewole tem uma métrica agressiva e simples, conhecida como spoken word e que muitos atribuem somente a Gil-Scott Heron, mas o Last Poets foi pioneiro como precursor do formato de grupo de rap. Em 25 Years, Oyewole declama sua poesia crua mas cheia de sabedoria sob a sofisticada produção de Bill Laswell e seus colaboradores, como Henry Threadgill, que foi saxofonista do trio de free jazz Air, ao lado do baterista Steve McCall e o baixista Fred Hopkins e também além de compositor e arranjador, foi um dos membros originais da AACM. Também fazem parte desta colaboração, seu parceiro Umar Bin Hassan, também membro do Last Poets, os percussionistas Don Babatunde e Aiyb Dieng, o trompetista Ted Daniel e o guitarrista Brandon Ross, nomes que soam desconhecidos no meio comercial e superficial do que chamam jazz nas grandes mídias, mas produzem uma arte exuberante.
25 Years se trata de uma arte atemporal, que une o ancestral e o contemporâneo, o urbano e o tribal, a dureza da realidade das ruas e sua desigualdade social e a beleza da arte. Clique na imagem da capa do disco para acessar o arquivo.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Umar Bin Hassan - Be Bop Or Be Dead (1993)

Prosseguindo com a série Black Arc de Bill Laswell, Umar Bin Hassan é o poeta que pertence ao grupo pré-cursor do rap, o Last Poets. Be Bop Or Be Dead tem praticamente o mesmo formato do Last Poets, só que com a produção de Laswell e seus parceiros, como Bernie Worrell e Bootsy Collins(Parliament, P-Funk), Buddy Miles(Jimi Hendrix and Band Of Gypsys), Amina Claudine Myers, Guilherme Franco, músicos conhecidos do free jazz. Hassan recita sua hardcore poetry com a trilha sonora produzida por Laswell e seus companheiros, sendo que há uma releitura de composições do Last Poets que são This Is Madness e Niggers Are Scared Of Revolution. Clique na imagem para acessar o arquivo.
 
 
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