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segunda-feira, janeiro 29, 2018

William Hooker with DJ Olive & Glenn Spearman ‎– Mindfulness (1996)

Desde o ano de 2017 sem publicar pela falta de tempo, mas retomamos hoje, já desejando atrasado um feliz 2018! Ainda retomando as homenagens à Glenn Spearman que participou desta sessão liderada pelo baterista William Hooker e o DJ Olive completando o trio. Antes de qualquer especulação, o toca-discos cumpre o papel de instrumento musical como qualquer outro convencional. DJ Olive (Gregor Asch) conhecido como produtor de música (na maior parte música eletrônica) com forte influências do dub e improvisação livre fazendo parte dos grupos We, Lunchbox e Liminal. Também colaborou com os trabalhos de Kim Gordon, Ikue Mori, Zeena Parkins, Uri Caine, Medeski Martin and Wood, Dave Douglas e vários outros, com uma extensa discografia.
William Hooker, de Connecticut se mudou para New York em 1976 tocou com Thurston Moore, David Murray, David S. Ware, William Parker, Melvin Gibbs, Donald Miller, Elliott Sharp, Malachi Thompson, Zeena Parkins, Lee Ranaldo, DJ Spooky, Rob Brown, Roy Campbell, Mark Hennen, Steven Bernstein, Roy Nathanson, Jason Hwang, Dave Soldier, Sabir Mateen, Joseph Celli, Ellen Christi, Liudas Mockūnas, entre outros , sendo um dos mais criativos percussionistas contemporâneos e também injustamente reconhecido. Assim como o falecido também baterista Ronald Shannon Jackson, Hooker escreve e recita suas poesias no formato spoken word. Como sempre, poucas palavras e a música fala por si só. Nos comentários e mais uma vez, FELIZ 2018!

sexta-feira, julho 29, 2016

sexta-feira, maio 13, 2016

Kalaparush Maurice McIntyre Trio - Dream of - - - - (1998)

Enquanto muitos ingênuos ou condicionados sonham com dias melhores, a realidade corre em outra dimensão e logo a árvore se fará conhecer pelos seus frutos. Turbulências à parte, damos continuidade ao momento de relembrar a arte de Kalaparush Maurice McIntyre.
Pheeroan AkLaff que nasceu em Detroit em 27 de Janeiro de 1955 é sem dúvida um baterista especial e tem uma vasta carreira que deu início em 1975 no grupo de Bill Barron. Daí em diante tocou com Leo Smith, Oliver Lake, Henry Threadgill, Anthony Braxton, Anthony Davis, Sonny Sharrock, Reggie Workman, Mal Waldron, etc. O baixista Michael Logan trabalhou com Muhal Richard Abrams, Walter Bishop jr., Clifford Jordan entre outros.
Dream Of - - - - tem uma sonoridade "crua", devido as diretrizes do selo Creative Improvised Music Projects, onde as sessões são gravadas digitalmente em 2 canais sem compressão, mixagem, exatamente para captar de forma mais natural possível o momento que a música é executada. O formato trio também ajuda a evidenciar essa sonoridade que proporciona para cada músico, um campo maior para explorar. Dream Of proporciona um sonho bem palpável, como se os sons se materializassem no ar. Nos comentários.

sábado, abril 09, 2016

Positions - Jerome Cooper, Kalaparusha, Frank Lowe (1977)

Dando sequencia ao momento de relembrar a música de Kalaparusha Maurice McIntyre, nesta gravação de 1977, também podemos relembrar a arte de outro grande músico que nos deixou, o saxofonista Frank Lowe, assim que possível também será relembrado merecidamente no Sonorica. Quem contribui com os elementos percussivos e também de sopro é Jerome Cooper, que fez parte do Revolutionary Ensemble, ao lado de Leroy Jenkins e Sirone, que também infelizmente se foram à quase 10 anos e também merecem uma especial atenção posteriormente por suas preciosas contribuições para o universo da música criativa. Positions não se trata de uma típica sessão do que se rotula de "free jazz" e sim a linguagem ampla da improvisação.
A peça se divide em 10 movimentos que alternam trio, duo e solo. Kalaparusha executa solo no Movement D, onde a peça inicia junto com a colaboração percussiva de Cooper junto com Lowe, como uma espécie de introdução nos primeiros 5 minutos e é uma maravilhosa oportunidade de apreciar Kalaparusha no clarinete e saxofone. Quanto as participações de Lowe e Cooper? Como tem sido aqui no Sonorica, não há necessidade, pois a música fala por si própria e novamente digo, minhas palavras não são precisamente suficientes para descrever a beleza do som. Nos comentários encontrará do que se trata as posições.
Ps.: Apenas uma observação, como foi um tanto difícil encontrar este registro, notará os eventuais ruídos do LP e espero que este material seja disponibilizado em formato digital em uma re-edição.

terça-feira, março 08, 2016

Archie Shepp & Philly Joe Jones (1970)

É muito complexo determinar a importância de certas gravações neste tipo de música, pois a criatividade numa direção mais livre de rótulos é graças à Deus, abundante.
Archie Shepp & Philly Joe Jones foi gravado em Paris em 1969. A França foi praticamente um exílio para o chamado free jazz, gravações históricas ocorreram por lá. Em especial esta gravação onde Shepp e Jones dividem o título do disco, temos um grande grupo composto por Antony Braxton: alto, soprano saxophones, Chicago Beau: vocal, soprano saxophone, gaita, Julio Finn: gaita, Leroy Jenkins: violin e Earl Freeman: baixo.
Primeiro gostaria de destacar a presença de Philly Joe Jones, consagrado baterista desde a era do chamado hardbop, que não permaneceu alheio às inovações do jazz e participou ativamente, inclusive participando da Arkestra de Sun Ra.
Agora vamos trazer à luz do reconhecimento um nome muito importante nesta gravação: Julio Finn (Augustus Arnold). Além de ser gaitista, é um bluesman compositor, escritor, produtor de documentários. Nasceu em Chicago oruindo de uma família de educadores e músicos. Seu currículo musical é vasto, tendo tocado com Linton Kwesi Johnson, Muddy Waters, Eddie C. Campbell, Dennis Bovell, Art Ensemble of Chicago, Jeanne Lee, Dan-I, Alpha Blondy, Matumbi, Guardian Angel, Brigitte Fontaine, Sterling Plump, Donald Kinsey, U-Roy, Barry Ford, Scritti Politti, Errol Dunkley, e seu prório grupo, The Julio Finn Blues Band.
A segunda composição desta gravação é de autoria de Julio Finn, Howling In The Silence, sub-dividida em duas partes.
E finalmente, mais uma vez Chicago Beau (Lincoln T. Beauchamp Jr.), contribui com sua arte e talento no grupo de Shepp com a composição The Lowlands, a primeira do disco.
Infelizmente não consegui dados mais expressivos sobre Chicago Beau e seu conterrâneo Julio Finn, até na wikipedia só haviam textos em dinamarquês.
Sim, definitivamente não seria justo fazer qualquer comentário sobre a música registrada nesta gravação, não haveria palavras realmente precisas para descrever. O único comentário é no quesito técnico, talvez não houvesse boas condições de captação de todos os instrumentos e há uma dificuldade considerável para se poder escutar os instrumentos com menor alcance.
E como de costume, nos comentários. Bem que o disco poderia ter pelo menos o subtítulo de Chicago & Finn.

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Glenn Spearman Double Trio ‎– Mystery Project (1992)

Literalmente é a última publicação do Sonorica em 2014. Aproveitando esta manhã na qual finalmente tenho tempo para escrever aqui, pois como faço parte da classe trabalhadora, volto ao ofício no segundo dia do ano de 2015. Como não queria apenas escrever um texto de fim de ano, aqui também fica mais um registro de um dos prediletos da casa, Glenn Spearman, que faz parte dos grandes saxofonistas injustamente esquecidos, assim como Arthur Doyle que nos deixou recentemente e procurei divulgar tudo que tinha ao meu alcance de sua obra musical. Frank Wright também procurei disponibilizar o que foi possível. Mystery Project é mais um registro do double trio de Spearman, onde Spearman e o baterista William Winant ficam no canal direito de gravação, o saxofonista Larry Ochs e o baterista Donald Robinson no canal esquerdo. Os dois duos de saxofones e bateria compartilham o piano e synth de Chris Brown e o baixo de Ben Lindgren. Mystery Project tem aquela característica do que chamaram de free jazz, mas não como a sua primeira geração, onde havia mais necessidade de libertação das estruturas tradicionais do jazz, onde longas peças exploravam ao máximo os novos territórios do som. Após os anos 70 do séc. XX o free jazz desenvolveu estruturas e peças mais complexas, evoluindo dos temas mais simplificados anteriores que eram a estrutura básica para novas explorações do campo sonoro. Claro que isso é só uma descrição extremamente simplificada do registro fonográfico, pois só a audição basta, evitando qualquer injustiça e imprecisão sobre a obra musical de Spearman. Ah sim, nos comentários do post é que se encontra o mistério.

No mais, agradeço à Deus e a todos que visitaram o Sonorica e compartilharam alguma informação deste pequeno espaço virtual e que sempre seja útil de alguma forma como mais uma fonte de informação sobre arte, especificamente sobre a arte através do som. Também fico muito feliz pelo Sonorica ter alcançado mais de 100 mil acessos durante estes 8 anos de existência, levando em conta o fato de ser um blog de assuntos específicos de pouco interesse do grande público.
Espero que o Sonorica seja um weblog melhor a cada dia no ano de 2015 e que todos tenham um novo ano com muita alegria e claro, muita música, sons, arte que ultrapassam fronteiras, culturas, nacionalidade, rótulos e gêneros.

domingo, setembro 07, 2014

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Conspiracy Nation (2002)

Neste maravilhoso e abençoado domingo ensolarado que chega ao fim, até esquecendo do feriado nacional que ouviram do Ipiranga, o Sonorica encerra mais uma etapa homenageando um dos prediletos da casa, o grande artista Arthur Doyle. Digo mais uma etapa, pois praticamente uma boa parte da discografias de Doyle, foi divulgada aqui, faltando poucos registros da discografia completa publicada por selos e alguns registros independentes.
O disco Conspiracy Nation que foi lançado somente em LP tem gravações de dois momentos captados ao vivo pelo Electro-Acoustic Ensemble. O lado 1 que contém 4 músicas gravadas no Hallwalls Contemporary Art Center - Buffalo, NY em 24/01/2002 e o lado 2 com as 3 restantes no Analog Shock Club - Rochester, NY em 26/01/2002.
A configuração do Electro-Acoustic Ensemble nestas gravações é composta por Arthur Doyle: alto saxofone, voz, flauta, gravador, Leslie Q: baixo, guitarra, Ed Wilcox: bateria, percussão, Tim Poland: clavinova, teclados, Dave Cross: toca-discos, Ibanez DM 1100 sampler, bateria (na faixa 1), Vinnie Paternostro: electronicos, Roland 505. Nos comentários.

domingo, agosto 17, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– Live At The Alterknit (1997)

Sem perca de tempo, pois o tempo é precioso, compartilhando de mais uma obra de arte de um dos prediletos da casa, Arthur Doyle, é claro. Esta gravação de maneira alguma poderia ficar de fora, até mais do que as outras gravações, não desmerecendo os outros registros de Doyle, mas por se tratar de uma gravação captada em 09/08/1997 ao vivo no Alterknit em New York, onde o trio foi composto simplesmente por Wilber Morris no contra-baixo e Rashid Bakr na bateria. Também pelo fato de ser uma edição extremamente limitada a 99 cópias com a litografia de Jeff Koons na capa do disco. Este tesouro musical foi dica de um colaborador para a divulgação da música como forma de arte, o Free Form Free Jazz. A comunhão sonora sempre nos comentários, como de costume.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– A Prayer For Peace (2000)

E seguem os dias passando rapidamente e num piscar de olhos já passamos da metade do ano de 2014! Ainda em tempo o Sonorica prossegue em sua homenagem à Arthur Doyle, que infelizmente praticamente se foi na obscuridade, pelo menos aqui no Brasil. Apesar de nestas semanas acontecerem apresentações musicais em São Paulo, como a Anthony Braxton e seu novo grupo que conta com uma nova geração de improvisadores, como a saxofonista Ingrid Laubrock, a qual tive o prazer de participar de um workshop à pouco tempo atrás, é sempre o mesmo mecanismo. Por algum tempo Braxton se torna uma moeda de troca no "jetset" e depois desaparece como acontece regularmente. É apenas um reflexo de uma geração de consome música por Gbytes de MP3 e Youtube. Não há substância, apenas a superficialidade até como vinil como um mero objeto de fetiche onde a música fica em segundo plano. É, faz parte desta nova realidade e seguimos em frente com o que realmente importa. Todas as vezes que faço alguma pesquisa sobre Arthur Doyle e seus registros fonográficos, encontro um pouco de dificuldade para encontrar dados mais abrangentes, dados técnicos até, de seus discos. Isso também é devido seus títulos serem na maioria de pequenos selos independentes, como é o caso desta gravação de 1999, A Prayer For Peace que saiu pelo selo Zugswang, que aparentemente não possui um website. A gravação deste disco foi através de um gravador DAT de 2 canais. Quanto à James Linton e Scott Rodziczak que participam desta gravação, infelizmente não encontrei nada sobre eles. Também descobri que Arthur Doyle não é lá muito bem visto por algumas mídias especializadas que até o citam como "charlatão", questionam sua técnica musical, enfim... Por essas e outras é que evito cada vez mais conversar sobre música com muitas pessoas, principalmente as que encaram a arte de forma acadêmica, intelectualizada no sentido negativo da palavra, que torna a arte num enfado elitizado que não tem valor algum e apenas serve como combustível da fogueira da vaidade. O que realmente importa é que mais uma vez a arte de Arthur Doyle está registrada em seu estado natural em A Prayer For Peace, que também contém mais uma versão de um de seus clássicos de repertório, a composição Flue Song em duas versões com o trio. Longe dos holofotes, continuemos a celebração da arte musical de Doyle. Nos comentários do post como de costume.

quinta-feira, maio 01, 2014

Gravitat - Gravitat (2014)



Formed by musicians from the Free Improvisation Circuit of Sao Paulo, the quartet Gravitat search
through instant composition exploring the mysteries of the deep bass sounds.
Recorded live in Brooklyn Paulista, Sao Paulo, Brazil, august/2013 by Rob Ranches.
Rubens Akira - bass clarinet / drums
Daniel Carrera - trombone
Rob Ranches - baritone sax / glass marimba
Rodrigo gobbet - electric bass / effects

7MNS Music - ambient - drone - sound - experimentation - electroacoustic

segunda-feira, abril 21, 2014

Eu só queria comer um hamburger...

De um ponto de vista, música e comida tem um mesmo parâmetro, o gosto. Alguém precisa de um crítico pra te convencer a consumir? O que muitos detestam, outros acham uma maravilha. Uma questão de gosto? Sim, mas também há muitos casos de se adaptar o paladar, tanto alimentar como de audição. Como um simples café. Culturalmente foi acostumado a se tomar com açúcar e muitos acham o café sem açúcar uma coisa horrível, como se estivesse tomando dipirona sódica, mas quando o paladar se adapta, o amargor diminui e se acentua o sabor do café. Mas também pode simplesmente ser uma questão de gosto mesmo, mas a maioria não aceita experimentar algo novo, e isso me lembra uma entrevista com Ken Vandermark que fiz anos atrás:

8. Você concorda com John Zorn quando ele declara que free jazz, improv e outras vanguardas musicais em geral não vão alcançar o grande público, mas que seu público se renova a cada geração mantendo mais ou menos o mesmo número de pessoas envolvidas?
Eu penso que os assuntos enfrentados pelos músicos de jazz e improvisação são múltiplos. Primeiro, eu acredito que a mídia mainstream especializada em jazz colocou a forma artística em um gueto musical elitista, ajudando a removê-la da percepção ou interesse da população em geral. Em segundo lugar, a maior parte dessa música é desafiadora para os músicos e, portanto, pro público. A maioria da população não é interessada de verdade em música, eles estão interessados em um papel de parede sonoro – algo bom pra ter por perto desde que não interrompa seu ambiente ou desafie suas expectativas. Estou interessado em encontrar uma maneira de quebrar a noção pré-concebida, desenvolvida pela mídia e por muitos músicos que é impossível que a música improvisada encontre um lugar real na sociedade contemporânea. A questão é encontrar fãs de música. Esse é o público que vai aos meus shows na América do Norte e na Europa, pessoas entre 20 e 40 anos que ouvem todo tipo de música: jazz, rock, reggae, funk, hip hop, música erudita, etc. e são essas pessoas que os músicos de improvisação precisam encontrar e tocar para, não para o fã elitista de jazz que já tem uma definição de como a arte pode ou não ser.

Pois é, depois de uma resposta dessas, realmente é necessário dizer mais alguma coisa? Bom, quando eu fiz esta entrevista, nem havia sequer um pequeno grupo de pessoas tentando criar um digamos, cenário musical ou comunidade para esse tal de free jazz, improvisação livre ou até música experimental em certo sentido.
Algumas coisas até que de certo modo progrediram, mas outras que são essenciais, ainda continuam na era da pedra lascada, e põe lascada nisso, visse? Em plena segunda década do século XXI me deparo com discussões inúteis sobre arte e música, que não chegam a lugar nenhum, a não ser no centro do ventre de quem promove este tipo de debate.
Se eu preciso elaborar uma teoria toda complexa para explicar a minha música, algo deu errado. Na verdade o processo é muito simples: Ela agrada ou não, soa bem aos ouvidos ou não e ainda tem que contar com o gosto pessoal. Tem certos tipos de música que realmente não me acrescentam nada, mas isso é estritamente pessoal. Já vi alguns elaborarem um complexo discurso para justificar o tal do "funk carioca".
Uma coisa enfadonha é uma pessoa da classe média ou alta tentar explicar a cultura popular ou do povão. Aí eu realmente preciso ir para o intervalo comercial, mudar de canal ou melhor, desligar, dar um shutdown.
Ah, o Sashimi... o tal do peixe crú, tem gente que fica com vontade de vomitar só de falar e no meu caso, acho um trilhão de vezes o gosto do salmão crú mais saboroso do que cozido, grelhado, frito ou assado. Minha descendência japonesa? Sinceramente, não influi, pois gosto de uma boa feijoada até um tanto mais do que o sashimi.
Mas enfim, cada vez mais as coisas  ficam ainda mais complicadas, mesmo com o paralelo de pessoas que dizem gostar de um monte de coisas, mas nada em específico (mais uma vez parafraseando o Assis, autor da frase e hoje em dia reside no Japão).
E uma coisa que para mim é constrangedora e enfadonha, ouvir alguém tentando justificar seu gosto com alguma teoria, tentando requintar algo tão simples. Ora, eu gosto e pronto.
Cada vez mais, é mais difícil esta situação, tanto na música, na arte em geral, quanto na culinária (mas muitos gostam de usar o termo gastronomia, mas sinceramente, esse termo pra mim me lembra algo sobre nossas vísceras), tudo tem que ter um tratado, uma tese pra justificar, seja música de vanguarda ou um simples hamburger, que agora tem o tal do hamburger gourmet. É apenas carne moída e um pão, o resto é desnecessário, não que eu rejeite informações, mas isso não vai convencer meu paladar, tanto físico, como existencial.
Houve um rei israelita extremamente sábio que disse  o seguinte:

"E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne." - Eclesiastes 12:12

E no mais, eu só queria comer um hamburger (pode ser um hamburger vegetariano também) ouvindo uma música do Ramones, sem alguem tentando elaborar uma teoria qualquer...

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Arthur Doyle ‎– Plays And Sings From The Songbook Volume One (1995)

É bem provável que logo logo a partida de Arthur Doyle caia no esquecimento, mas como tinha afirmado antes, pelo menos aqui no Sonorica este grande artista sempre que possível, será relembrado e sua arte celebrada. Digamos que é um dos prediletos da casa, assim como Frank Wright e Glenn Spearman. Esta gravação de 1992 é uma daquelas onde Doyle faz tudo sozinho no que seu talento permite no saxofone, flauta, piano, voz e textos. Seu amigo e parceiro de vários projetos musicais, Rudolph Grey, tirou as fotos e fez o design gráfico da capa. Há composições conhecidas do repertório de Doyle, como Flue Song e Goverey. 
Bem, não faz sentido eu me prolongar escrevendo mais sobre Arthur Doyle e muito menos sobre sua arte musical. Ela sempre falou por si só. Como de costume, nos comentários.

*ps.: sempre lembrando que o Sonorica apenas homenageia e divulga a arte de Arthur Doyle, sem fins lucrativos.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Arthur Doyle & Hamid Drake ‎– Your Spirit Is Calling (2004)

Corpo, alma e espírito de Arthur Doyle se despedem deste mundo neste último 25/01/2014. Pra variar, enquanto estava entre nós, pouquíssimas pessoas se importaram ou tomaram qualquer conhecimento deste músico, contemporâneo de outro que se foi, Kalaparusha Maurice McIntyre. O Sonorica já dedicava um espaço para pessoas como Doyle, Glenn Spearman, Arthur Rhames, Frank Wright, pessoas que contribuiram de forma muito especial e significativa para a música criativa universal. Enquanto muitos regorgitavam sobre nomes que já tem o seu mérito e reconhecimento, Doyle ainda contribuía com sua arte sendo ignorado até pelo público especializado que contradiz a própria música que consomem, desbravar novos horizontes. Até quando a "discoteca básica" (detesto este termo) do dito free jazz deste povo se resume à Coltrane, Sanders, Ornette e arriscando Taylor? Enfim...
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
Nos comentários.

terça-feira, outubro 22, 2013

Frank Wright ‎– Run With The Cowboys (1983)

Depois de praticamente um mês, afinal o Sonorica definitivamente não é o meu ganha pão e o meu emprego convencional tem exigido um tempo a mais de mim, voltamos com a campanha de homenagens e divulgação da arte de músicos que infelizmente não são reconhecidos por sua arte que, se não mudaram o mundo em geral, no mínimo fizeram grande diferença para a música.
Run With The Cowboys faz parte da última fase de Frank Wright e sua associação com o artísta plástico de músico A.R. Penck e também conta com a presença de Peter Kowald e o guitarrista Frank Wollny e o baterista Coen Aalberts. Infelizmente não consegui informações sobre Wollny e Aalberts.
Não espere um disco de "free jazz", Run With The Cowboys ultrapassa a limitação de rótulos e flui com liberdade no universo da música, do som. Também não vou me alongar numa tentativa em vão de falar sobre esta gravação, eu pecaria diminuindo as dimenssões que esta música proporciona, pecaria por não possuir um repertório de palavras suficientes para descrever pelo menos superficialmente Run With The Cowboys. Como sempre, a música fala por si só.
Nos comentários.

terça-feira, setembro 10, 2013

Trio Hurricane ‎– Suite Of Winds (1986)

Hoje é dia de falar um pouco sobre Glenn Spearman, um brilhante músico norte-americano que fez parte da música ousada e criativa criada neste planeta. Spearman é pouco lembrado e apesar de ter falecido apenas aos 51 anos, deixou muitos registros de sua arte, tanto em gravações sob seu próprio nome, em colaborações com parceiros como Raphé Malik, Cecil Taylor, Bill DIxon, Sonny Fortune, Marco Eneidi, ROVA e grupos que formou, como o Emergency e Trio Hurricane.
Glenn Spearman nasceu em 14 de Fevereiro de 1947 e iniciou suas atividades em Oakland, California. Mudou-se para Paris em 1972, fundando o grupo Emergency que teve perfomances registradas em  programas de rádio e televisão na França, também participaram no festival de Avingon nos anos 70. Passou um período como músico residente em Rotterdam, fazendo turnés na Europa até regressar aos EUA em 1983 e começou a trabalhar com o Cecil Taylor Unit. INfelizmente sucumbiu ao câncer, falecendo no dia 8 de Outubro de 1998.
Suite Of Winds foi gravado no final de Outubro de 1986 com William Parker no contra-baixo e Paul Murphy na bateria. A suite é dividida em 4 partes sendo 2 composições de Murphy e uma de Parker e Spearman. Suite Of Winds é dedicada à Jimmy Lyons, Frank Wright e Jay Oliver. Nos comentários.

sexta-feira, agosto 16, 2013

Arthur Doyle Trio / The Orkustra ‎- Split (1972)

Arthur Doyle? Sim! Um dos preferidos da casa que faço questão de divulgar. Neste split album o trio de Doyle conta com Charles Stephens no trombone e Rashid Sinan na bateria. Stephens tem uma extensa carreira musical, tendo participado das mais importantes gravações da música afro-americana, como Attica Blues e Cry Of My People, de Archie Shepp, Crystals de Sam Rivers, Atlantis da Sun Ra Arkestra, sendo que participou de outras gravações da Arkestra. Rashid Sinan é outro grande baterista que é pouco comentado até na mídia e público especializado. Sinan tocou com Frank Lowe no clássico Black Beings e também em Loweski e um parceiro de Doyle, participando de gravações importantes como Alabama Feeling e No More Crazy Woman. Participou das famosas sessões no RivBea Studio de Sam Rivers (aliás este split foi gravado no RivBea) e sua participação está registrada na compilação Wildflowers, onde integra o sexteto do trompetista Ahmed Abdullah.
A Orkustra é composta por Henry Rasof: oboe, David LaFlamme no violino, Bobby Beausoleil na guitarra, Jaime Leopold no baixo e Terry Wilson na bateria e percussão. Rasof é de Louisville, foi cozinheiro de heath-food em Los Angeles e San Francisco nos anos 60, dedicou muito anos escrevendo poesia. Na música, usando o oboé de forma unusual, eletrificando o instrumento, e improvisou misturando estilo do jazz, música clássica e étnica. David LaFlamme é um virtuoso violinista que nos anos 60 tocou vom Jerru Garcia e Janis Joplin. Jaime Leopold praticamente começou sua carreira musical na Orkustra, Terry Wilson integrou a banda psicodélica dos anos 60, o The Charlatans. O guitarrista Bobby Beausoleil andou em maus caminhos, integrando a Manson Family... Nos comentários.

terça-feira, julho 30, 2013

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Live In Nashville & Louisville (2011)

Só hoje consegui um tempo para atualizar o Sonorica, pois o tempo tem sido curto devido à outras atividades. Mas continuemos divulgando o trabalho musical de Arthur Doyle e um de seus projetos, o Electro-Acoustic Ensemble.
Nesta gravação de 2004, feita no Springwater Tavern & Artswatch, lançado em 2011, o Electro-Acoustic Ensemble conta com Arthur Doyle no saxofone tenor e voz, Vin Paternostro no synthesizer Roland 505, Leslie Q no contra-baixo e Ed Wilcox na percussão. Segue nos comentários.

sexta-feira, julho 05, 2013

Arthur Doyle / Takashi Mizutani / Sabu Toyozumi ‎– Live In Japan 1997

O guitarrista Takashi Mizutani nasceu em 1948 e formou o grupo Les Rallizes Denudes em 1967 quando estudava na Doshisha University em Kyoto. Antes o grupo começou em 1962 como uma trupe musical teatral. Les Rallizes Denudes se tornou um dos mais influentes grupos de rock de vanguarda no underground japonês.
Arthur Doyle também conta com a colaboração do meu querido amigo Sabu Toyozumi, que esteve por aqui no final de 2011, com quem tive o prazer de conhecer e fazer música. Esse encontro foi graças ao meu amigo Antonio Panda Gianfratti (isso não é mera bajulação, mas gratidão e honra a quem merece). Esta gravação circulou em formato K7 até ser lançado em formato LP em 2003, ou seja, inviável para o mercado brasileiro. Este é um recado para os orgãos sensores da rede digital que por ventura achem que o Sonorica está se beneficiando de alguma forma na divulgação de artístas. Sempre que posso, falo sobre isso, afinal, nunca se sabe. No mais, sempre temos uma boa surpresa nos trabalhos de Arthur Doyle e é muito interessante e intenso este encontro de Doyle com esses músicos japoneses, quando esteve em Tokyo. Nos comentários.

quinta-feira, junho 13, 2013

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Plays The African Love Call (2001)

Voltando ao mundo das futilidades, afinal, que importância tem a música num país miserável como o Brasil? Bem, o meu exercício de cidadania acontece no cotidiano sem luzes e câmera, apenas ação, é apenas o meu dever e nunca um mérito. Não é em um texto de internet que vou fazer alguma diferença e além do mais, este weblog e só para esse tipo de coisa, sobre arte, sobre futilidades, não que eu considere a arte uma futilidade, na verdade ela é parte do ser humano, mas como disse, estamos em um país miserável onde a arte não pode ocupar tanto espaço até que as mínimas condições de dignidade e respeito ao próximo sejam estabelecidas (e isso é pra ontem, diga-se de passagem). O ADEAE Plays The African Love Call foi gravado durante duas apresentações em 1999, sendo em Junho no Bug Jar e no Astrocade, em Setembro. Desta vez Arthur Doyle tem seu Electro Acoustic Ensemble composto por Dave Cross, Tim Poland, Ed Wilcox, John Schoen e R. Nuuja com a mixagem de Jim O'Rourke. No mais, seguimos divulgando a arte de Arthur Doyle, um dos preferidos da casa. Nos comentários.

sexta-feira, maio 24, 2013

Frank Wright, Frank Wollny, A.R. Penck ‎– Concert In Ulm! (1990)

Salve, reverendo! Frank Wright também é um dos preferidos da casa, um dos grandes da música espiritual, mesmo ainda não sendo tão comentado como seus irmãos Coltrane e Ayler. E isso é mais um motivo para divulgar a sua arte, que merece reconhecimento e aqui no Brasil, é praticamente improvável que isso aconteça e tenhamos acesso. Concert In Ulm é um dos últimos registros de Frank Wright onde  desenvolveu uma parceria com o artista plástico e baterista A.R. Penck que produziu e fez a arte deste disco. A gravação é uma peça improvisada sem título, subdividida em cinco partes, contando com o baixista Frank Wollny. Não há muito o que dizer sobre a música de Frank Wright, desta gravação, pois a sua música sempre falou por si mesma, é só conferir nos comentários deste post.
 
 
Studio Ghibli Brasil