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quarta-feira, julho 04, 2012

Antes tinha, agora não tem! - Prefeitura de São Paulo e cidadãos paulistanos

 
Creio que assim continuarão as queixas via redes sociais digitais, sendo que vez ou outra algo se concretiza em atitudes positivas e negativas. Tenho evitado me envolver em questões político ideológicas pelo simples fato de minha opinião estritamente pessoal não vislumbrar alguma eficácia neste tipo de debate, conversa, que em muitas vezes são apenas monólogos proferidos ao mesmo tempo em um mesmo ambiente e talvez não se trate exatamente de uma conversa, diálogo, debate como está especificado em qualquer dicionário.
Claro, a liberdade de cada um não deve ser podada e assim eu desfruto também da minha liberdade de opinião.
Vivemos mais um período de eleições dos servidores públicos deste amontoado de pessoas no mesmo território físico denominado cidade. Quando eu era criança me lembro que existia uma grande expectativa (pelo menos de minha parte e de alguns) de uma grande mudança em nossas vidas. Mesmo na adolescência e parte do início da chamada fase adulta (pelo fato de ter requisitado meu título de eleitor aos 16 anos) esta expectativa ainda perdurou. Hoje em dia este sentimento vem sendo soterrado por uma avalanche de muito mais fatos (como se não bastasse os fatos do passado) que desbotam as cores da esperança de uma cidade melhor. Temos algumas calçadas de concreto armado, luminárias de LED, alguns metrôs operados por computador, mas é claro, só na sala de estar do barraco. Para quem usufrui da cidade como um todo, que utiliza os três principais meios de transporte coletivo sabe muito bem que este slogan da prefeitura de São Paulo: "Antes não tinha, agora tem", na verdade está exatamente ao contrário. Explico.
Deveria ser: "Antes tinha, agora não tem!" Antes tinha a desculpa de termos limitações tecnológicas e econômicas, a ditadura militar, o sub-desenvolvimento latente de terceiro mundo, o recente direito de voto da população, entre tantas precariedades da era analógica. Hoje a indústria, comércio e setor financeiro infla seu peito anabolizado e diz aos quatro ventos que o Brasil é a 8ª economia do mundo, que somos detentores de diversas tecnologias de ponta, que temos reservas naturais exclusivas e invejadas por todas as nações (opa, tão vendendo tudo debaixo de nossas fuças), que somos uma nação alegre (quem me vê sorrindo pensa que estou alegre - Cartola).
Será que vamos votar em qualquer um pois não faz diferença? Será que devemos votar em branco ou anular o voto como ato de protesto ou fingida atitude de omissão? Será que nossa cidadania acaba quando apertamos a tecla verde da urna eletrônica e pegamos nosso comprovante de voto? Será que não temos o dever de fiscalizar a administração de nossos servidores ao longo de seu mandato? Será que não temos nada haver com isso porque votamos nulo ou nosso candidato não foi eleito? Será que é só problema do seu vizinho? O seu voto faz a diferença, junto de sua atitude continua como cidadão pós eleições, no dia-a-dia?
Numa noite dessas eu voltava do Belenzinho após um workshop de música e não passava das 22:00h quando meu amigo me deixou na esquina de casa. A menos de 10 metros minha vizinha estava à minha frente indo para o nosso prédio. havia uma movimentação razoável nas ruas bem iluminadas do bairro que é relativamente seguro em proporção do que é esta cidade. Ela olhou rapidamente para trás para ver quem seguia logo depois dela e começou a aumentar o ritmo de suas passadas. Percebi e me compadeci daquela situação triste, do chamado cidadão de classe média paulistano, que perdeu o tato das ruas, que vive enclausurado em seus guetos sociais. Quando chegamos ao nosso prédio, ela já tinha ultrapassado o segundo portão (que mais parece grade de segurança, bem, você sabe...) e deu mais uma olhada para trás e vi nitidamente seu rosto apreensivo. Estávamos a menos de 4 metros de distância com uma boa iluminação do prédio e quando eu também ultrapassei o segundo portão ela deu aquele arranque de reta final de São Silvestre e adentrou na última porta. Eu estava certo de que ela como cortesia comum entre os condôminos, estaria me aguardando com a porta aberta, para eu não ter que reabri-la com minha chave. Então a tranca estralou junto com a porta em minha face. Falei comigo, "puxa vida", num misto de decepção e surpresa e abri a porta. Então logo no corredor, fiz questão de balançar o chaveiro para ela se certificar de que a porta não tinha sido arrombada. Então ela já na metade do primeiro lance de escadas, me olhou constrangida e me pediu desculpas alegando que não tinha me reconhecido e subiu apressadamente, sendo que seu apartamento é ao lado do meu. Bem, eu coloquei a música New York Is Full Of Lonely People, composta pelo Lester Bowie para ilustrar a situação. Seu filho não teve o prazer de brincar na nossa rua que era repleta de crianças...
Isso tudo tem haver com o que esta cidade está se tornando cada vez mais. 

terça-feira, março 29, 2011

Condomínios fechados, a nova onda do mercado imobiliário

Saindo do foco mais direcionado deste blog, este post é sobre os novos empreendimentos imobiliários que nós temos visto se multiplicarem ao redor da cidade de São Paulo e seus anúncios se multiplicam vertiginosamente em todas as midias: os lotes de condomínios fechados. Pois é, antes o condomínio Alphaville, situado na região de Barueri, era algo inatingível para a maioria da população, sendo notória moradia de ricos, alguns artístas. Afastado do centro urbano, oferece segurança, tranquilidade, privacidade, área verde, despreocupação em estacionar o carro, de trancar a porta de casa, etc. Uma utopia para uma cidade esculhambada que é São Paulo. Agora a classe média também pode sonhar com essa possibilidade, pois as imobiliárias investem pesado neste setor, arredando áreas que não tinham interesse no mercado, por estarem distantes do centro da capital e não eram mais atrativas para parques industriais. Isso também é reflexo do que é bombardeado através de filmes, seriados, onde as famílias norte americanas de classe média vivem pacatamente nos chamados subúrbios, onde o pai faz seu estranho churrasco com carne de hamburguer no quintal com piscina, apara a grama verde e não há altas grades separando o jardim frontal da casa com a calçada da rua. As crianças (kids?!) brincam de bicicleta e o notório carrinho de mão vermelho, jogam baseball com tranquilidade. Bem, como nossa cultura é esfacelada e macunaíma, estas imagens vem fermentando no imaginário brazuca por anos à fio.
Para o Oeste! Ou para o norte, sul, leste, enfim, rumo aos condomínios fechados! Compre sua fatia de felicidade em suaves prestações e financiamento bancário, escolhe seu lote, siga o padrão e construa seu castelo! Não, não se importe com o impacto ambiental do desmatamento desenfreado que estes lotes estão causando na natureza, afinal, são apenas casas, não é mesmo? Quem precisa de mato é bicho. E bicho suja, pica e faz sujeira.
Mas quer saber, vão meus queridos, deixem a cidade para nós! Nós que gostamos de viver amontoados entre concreto, carros e multidão. Isso pode ajudar no paisagismo da cidade, que está forrada de grades, seguranças de terno preto, carros blindados com vidro escuro, paranóia, frieza, comportamento individualista, etc.
Quem sabe, possa ocorrer como em New York pós depressão, onde ninguém queria ficar, dando oportunidade para a arte, a chamada contra-cultura e seus artístas, estabelecerem studios, lofts, galpões, nightclubs, como o CBGB'S, e a grande maçã podre exalou arte como ninguém. Mesmo agora, quando a coisa melhorou e houve a tal da política de tolerancia zero e higienização sócio-econômica nos anos 80, New York ainda é o que é, um centro democrático propulsor de arte, apesar de tudo.
Por tudo isso, classe média, ricos, vão meus queridos, deixem a cidade...
 
 
Studio Ghibli Brasil