quinta-feira, junho 05, 2008

Peter Brötzmann + Ivo Perelman trio em São Paulo



Nesta última terça e quarta, dias 3 e 4 de Junho, Ivo Perelman se apresentou com o contra-baixista Dominic Duval e a violinista Rosi Hertlein. No dia 3, foi no auditório do Masp às 12:30h, como um concerto de câmara, só com a acústica do local, onde os músicos improvisaram de forma mais lírica. Rosi usou a sua voz como elemento complementar de acordes e contra-pontos, Dominic usou o corpo do contra-baixo e o tablado como percussão, unindo ao som visual do saxofone de Ivo. Realmente tenho notado a influência da pintura na música de Ivo e últimamente tem criado mais paisagens sonoras que podem ter mais ênfase nas cores ou no gestual, como na técnica de pintura chamada de "dripping", desenvolvida por Jackson Pollock. Assim também foi na quarta-feira no Sesc Vila Mariana, só que havia captação por microfones, que proporcionou uma outra atmosfera no campo dos harmônicos extraídos dos instrumentos.
Então é chegada a hora, Peter Brötzmann entra com seu trio, formado por Marino Pliakas no contra-baixo elétrico e pedais de efeito e Michael Wertmüller na bateria. Brötz inícia com o sax alto que em suas mãos, soa com a força e o peso de um tenor, alternando momentos líricos(sim!) e torrentes sonoras violentas. Usou o tarogato, um instrumento de sopro húngaro semelhante ao clarinete e um clarinete de metal, onde muitas vezes suas abordagens se assemelhavam muito à música do Oriente Médio. No sax tenor, é o Brötz que conheço, onde os tons graves soam como uma erupção vulcânica e os harmônicos em velocidade cósmica. Marino criou uma sólida massa sonora com as distorções, lembrando muito o guitarrista Sonny Sharrock e Michael alternou velocidade, força e dinâmica com uma destreza cirúrgica e rítmos tribais. Em muito me lembrou o projeto Last Exit de Brötz com Sharrock, Bill Laswell(baixo) e Ronald Shannon Jackson(bateria), só que mais enxuto. Mas o que realmente mais vou lembrar, é da simpatia, gentileza, humildade e suavidade de Brötz, que tive o grande prazer de conversar um pouquinho num café da esquina, assim como Dominic e Rosi. O Ivo eu já tive o prazer de conhecer antes, mesmo nossos encontros sempre serem breves, é sempre agradável conversar com ele. Mais do que ter assistido grandes apresentações musicais, foi ter conhecido pessoas.
(Publicado no blog Farofa Moderna)

terça-feira, junho 03, 2008

Fanatismo religioso

Jovens depredam templo religioso no Catete e insultam freqüentadores
Natanael
Damasceno - O Globo e TV Globo

RIO - Quatro jovens da igreja Geração Jesus Cristo invadiram e depredaram o templo Cruz de Oxalá, no Catete, no início da noite desta segunda-feira. Aos gritos, três rapazes e uma jovem, todos aparentando ter cerca de 20 anos, insultaram os fiéis e quebraram todas as imagens e utensílios que estavam no local. Contidos pelos dirigentes do centro, os quatro foram levados para a 9ª DP (Catete), prestaram depoimento e foram liberados.
Pastor se diz surpreso com ataque
Horas depois de terem sido presos, os jovens saíram sem dar nenhuma declaração. Eles disseram apenas que faziam parte de uma igreja evangélica chamada Geração Jesus Cristo. De acordo com o site G1, o pastor Tupirani, responsável pela Igreja Geração Jesus Cristo, condenou o ataque:
- Fiquei muito surpreso. Eles não deviam ter feito o que fizeram, não incentivamos esse tipo de atitude - disse, assegurando que os quatro integrantes detidos em flagrante depois de invadir e quebrar imagens no local, são "exemplos dentro da igreja".

Ataque no início da noite
O ataque começou pouco antes das 19h, quando uma fila com pouco mais de 20 pessoas aguardava a abertura do centro, que funciona em um sobrado na Rua Bento Lisboa. O grupo perguntou a uma das freqüentadoras para que era a fila e, diante da resposta, teria começado a demostração de intolerância.
" Eles agrediram verbalmente todos os que estavam na fila e aproveitaram a porta aberta para entrar correndo "
- Quando disse que estávamos ali para a consulta, eles começaram a nos insultar. Aos gritos, diziam que, por ordem de Jesus, devíamos abandonar o demônio, que estaria ali presente. Eles agrediram verbalmente todos os que estavam na fila e aproveitaram a porta aberta para entrar correndo - contou a advogada Sylvia Santana. Os dirigentes do centro têm medo de novos ataques:
- Será que outros não aparecerão? Não só na nossa igreja, mas também em outras. Isso realmente causa preocupação - ressaltou a advogada Cristina Moreira.
O centro mistura conceitos de religiões afro-brasileiras e do Kardecismo. Segundo seus dirigentes, ele está no bairro há pouco mais de dez anos e sempre conviveu pacificamente com vizinhos católicos e evangélicos. Os ataques teriam começado alguns meses, depois que uma nova igreja evangélica se instalou nas proximidades.
De acordo com o telejornal "RJTV", na página que a congregação mantém na internet, vídeos e textos apresentam diversas críticas a outras doutrinas e crenças religiosas, com palavras agressivas. Em um dos textos, intitulado "Alerta para a população", há um relato de que outros incidentes, como o desta segunda-feira, já tinham acontecido.

Segundo o RJTV, os seguidores da igreja teriam trocado socos e tapas com integrantes de outra igreja evangélica, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e também no interior do estado, no município de Mendes.
Os quatro invasores foram autuados e vão responder por ameaça, dano contra o patrimônio e por desrespeito a culto ou prática religiosa. As penas variam de um mês a um ano de cadeia, mais multa.

Bem, o verdadeiro cristão deve ter o fruto do Espírito Santo:

" Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança(domínio próprio)." (Gálatas, capítulo 5, versículo 22)

Obs.: A mídia Globo costuma exaltar erros de pessoas ligadas às igrejas evangélicas.
Jesus disse:
"Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra." (João, capítulo 8, versículo 7)

terça-feira, maio 27, 2008

Peter Brötzmann trio + Ivo Perelman trio

Ivo Perelman Trio: Rosi Hertlein, violino e Dominic Duval, baixo
Terça-feira, 03/06/2008 - 12:30h
"Música no MASP"
Grande Auditório do MASP
Avenida Paulista, #1578, São Paulo - SP

Peter Brötzmann Trio + Ivo Perelman Trio
Quarta-feira, 04/06/2008 - 21:00h
SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, #141 São Paulo - SP

O que dizer? Imperdível, compareça!

terça-feira, maio 20, 2008

Charles Gayle e Deus


Aqui vai o trecho da entrevista de Charles Gayle feita por Hernâni Faustino em Lisboa, 2003, publicada no blog Jazz e Arredores por Eduardo Chagas em 23/11/2005:

HF
- A tua música é muito espiritual. Qual a importância da religião na tua vida?
CG - A fé e o acreditar em Deus (Pai, Filho, e Espirito Santo) é a única verdade para mim....tudo o que faço é em nome de Jesus Cristo. A religião é o que de mais importante existe na minha vida, na minha música, e em todas as outras coisas.
Toda a minha música é dedicada a Deus.
HF - Muitas das tuas composições têm uma forte ligação à Bíblia. A Sagrada Escritura é a tua principal fonte de inspiração?
CG - A Bíblia é uma fonte de inspiração, Deus é uma fonte de inspiração....é através da Bíblia que a palavra e o coração de Deus chega até nós. Continuo a usar nomes e expressões da Bíblia para as minhas composições.
HF - Li numa entrevista tua que não sabias o que é o free jazz. Como é que defines a tua música?
CG - A minha música não tem nome....apenas me considero um músico de jazz, porque passei a maior parte da vida envolvido no jazz....no entanto a música de igreja exerceu em mim uma enorme influência...
http://jazzearredores.blogspot.com/

quinta-feira, maio 15, 2008

Wanderley Taffo Júnior (17/05/1954 - 14/05/2008)

Wander Taffo guitarrista e diretor geral da EM&T (Escola de Música e Tecnologia), tocou com Rita Lee, bandas Memphis,Made In Brazil, Secos e Molhados, Gang 90 e Banda Taffo.
Definitivamente nada do que ele fez profissionalmente me despertou interesse e apreciação. Mas uma coisa que ele fez que me despertou interesse, foi uma coisa que quase não se falou, tanto que só soube desta atividade na nota de obituário no jornal. Wander praticava caridade. Sim, sem alarde, sem tocar as trombetas diante de sí, distribuia agasalhos e alimento à moradores de rua e as pessoas próximas à ele dizem que ele era modesto. Isso foi mais do que suficiente para tocar meu coração e respeitá-lo, como ser humano. Pois é, enquanto muitos por aí criticam a ALCA, os Democratas, o Lula, o governo chinês em relação ao Tibet, o caso Isabella(apesar de tudo ter sido tão cruel ela acabou ganhando sua corôa antes do tempo, pois está com Deus agora), elogiam o ativismo do Fela, etc, ao som do Jazz, HipHop, Dub, Reggae, Ska, Punk Rock, Hardcore, Rock Alternativo, o guitar hero fazia na surdina o que muitos não fazem. Esteja com Deus, Wanderley.

segunda-feira, maio 12, 2008

Luxo, a readaptação da língua portuguesa e a cultura da elite

Nossa língua portuguesa... Em uma publicação do mês de Maio deste ano, a proprietária da NK Store afirma que luxo não é ostentação. Em tempos modernos e sofisticados, vamos recorrer ao "velho" dicionário Aurélio:

Luxo. S. m. 1. Modo de vida caracterizado por grandes despesas supérfluas e pelo gosto da ostentação e prazer; ostentação, fausto, magnificência. [Sin. (bras., MG: cuca.] 2. Caráter do que é custoso e suntuoso. 3. Bem ou prazer custoso e supérfluo; superfluidade, luxaria. 4. Viço, esplendor. 5. Dengues, melindres. 6. Bras. Recusa fingida a fazer ou aceitar coisa; negação afetada; afetação. Cheio de luxo. Bras. Fam. e pop. Diz-se do indivíduo implicante, pretencioso, manhoso, exigente, luxente; cheio de chove-não-molha, cheio de história, cheio de galizia, cheio de nós pelas costas, cheio de nove-horas, cheio de novidades.

quarta-feira, abril 30, 2008

Rocko's Modern Life

Desenho animado criado por Joe Murray foi produzido de 1993 à 1996 para TV Nickelodeon e chegou a ser exibido em tv aberta no Brasil. Certamente uma das melhores séries de animação na mesma categoria de Twisted Tales Of Felix The Cat (1995-1997), produzido por Timothy Berglund, que produziu a animação de Rocko's Modern Life. Seu companheiro Vacão e seu vizinho Ed Cabeção garantem momentos hilários.
http://www.joemurraystudio.com/rocko
http://www.nickelodeon.com.au/rocko
http://www.youtube.com/rocko

sexta-feira, abril 25, 2008

Jimmy Giuffre (26/04/1921 - 24/04/2008)

Hans Koch - Thomas Rohrer - Antonio Panda Gianfratti

Infelizmente não deu tempo de postar sobre a apresentação que ocorreu nesta última quarta-feira, dia 23 de Abril no Cento Universitário Maria Antonia em São Paulo. Recebí o e-mail em cima da hora, mas pelo menos posso comentar sobre a apresentação que devido a pouca divulgação, tinham poucas pessoas presentes. Tivemos peças de improvisação livre e também momentos de free jazz ao longo da seção. Hans Koch é um artísta suiço que toca clarinete baixo e saxofone soprano, mas também trabalha com elementos eletrônicos na música. Thomas Rohrer também é suiço mas reside em São Paulo, toca saxofones, rabeca, elementos eletro-acústicos. Antonio Panda Gianfratti toca bateria, percussão comtemporânea e eletro-acústicos. A primeira parte da seção foi no campo da improvisação livre onde pudemos apreciar muitas texturas sonoras, o uso do silêncio, ruído, timbragem em diversos instrumentos e objetos como chapa de metal, garrafas, etc. Rohrer e Koch também extraem sonoridade de instrumentos convencionais como o saxofone, clarinete e rabeca de forma muito criativa, além do campo da técnica convencional de cada instrumento. Panda também extende sua técnica percussiva para o campo timbrístico, tecendo muitas texturas e paisagens sonoras. Tenho que dizer que não precisamos estar em Chicago, New York, London ou Donaueschingen para apreciar música contemporânea de excelente qualidade. Só precisamos de mais locais que ofereçam oportunidade.

http://www.myspace.com/kochschutzstuder

http://www.myspace.com/antoniopandagianfratti
http://www.myspace.com/thomasrohrer
http://www.koch-schuetz-studer.ch/

quarta-feira, abril 23, 2008

Sunny Murray


James Marcellus Arthur "Sunny" Murray nasceu em Idabel, Oklahoma, 1936. Se mudou para New York em 1956, em 1959 começou a tocar com Cecil Taylor. Entre muitos estudos e até workshops de Varese, iniciou seus estudos sobre o rítmo, ressonância, frequência sonora, tonalidade. Depois tocou com Albert Ayler. Poucas pessoas sabem, mas Rashied Ali deve muito à Sunny Murray. Na verdade o próximo baterista de Coltrane seria Sunny, mas ele não aceitou o posto por ser muito amigo de Elvin Jones e não queria criar inimizade. Elvin não poderia suprir as necessidades de Coltrane em sua nova fase, então convidou Sunny numa ocasião. "
Later I told John: Elvin never let nobody play with you but me, and I'm never gonna lose the friendship I have with him... You're gonna make him hate me. John sat there quietly and said: "Sunny, I hear a thousand rhythms...” Cecil was there, Leroi Jones was there and Jean Phillips was there when he offered me the job, if there's anybody out there don't believe me, they were there".

quarta-feira, abril 09, 2008

Abaetetuba

Tudo no seu devido tempo... Eu poderia ter postado sobre este grupo antes, mas creio que hoje eu possa dizer algo com mais concistência, não apenas escrever um mero release, afinal o próprio grupo faz isso de forma eficiente. Se trata de um grupo de improvisação livre, que já teve foco mais direcionado ao Free Jazz e está na ativa desde 2004. Parte de seus membros se encontra atualmente na Europa, Yedo Gibson, Renato Ferreira e mais recentemente Rodrigo Montoya. Mas Antonio "Panda" Gianfratti continua seu trabalho e pesquisa aqui em São Paulo, contando com a participação de Thomas Rohrer. Por motivos alheios a minha vontade e do Abaeteuba, nosso contato foi adiado por quase três anos. Mas graças a Deus, tive o prazer de conhecer estes artístas e principalmente, fazer amizade com pessoas, indivíduos. Sim, são artístas criativos, mas o bom coração é o que mais me importa. Já tive oportunidade de conhecer muitos artístas que infelizmente não pude apreciar suas qualidades de caráter humano como as de artísta. A vaidade é uma armadilha sutil e perigosa que muitas pessoas caem no meio dito cultural. O meio cultural existente nesta cidade é que dificultou meu contato com o Abaetetuba, mas o que é justo sempre vem a tona, desmantelando todo o equívoco. Bem, não escreverei sobre a sua música, sobre nomes, referências, técnica, pois a arte fala por sí só, como dizia certo filósofo alemão. Posso dizer que conhecí pessoas de caráter, em que a humildade não está no discurso e sim nos atos, assim como seu óbvio valor artístico. Não é de maneira alguma exclusividade minha esta oportunidade, pois já disse uma vez o mais justo de todos: " Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Ap. 3.20
http://www.myspace.com/abaetetuba

quinta-feira, março 27, 2008

Daminhão Experiênça!

Nunca ví coisa assim lá no praneta Lamma! Que a justiça seja feita. É sempre assim, um grande artísta fica marginalizado por não se enquadrar à estética do mercado. Enquanto vivemos tempos de medianismo, material de segunda mão mas com nova embalagem, Damião segue com sua arte longe das badalações. Alguns moderninhos até falam dele por achar exótico, "style" ou qualquer superficialidade deste nível, mas não aguentam ouvir duas músicas ou sequer ouviram uma inteira do sobrevivente do praneta Lamma. Muitos fatos e opiniões que Daminhão relata em suas composições eu discordo, mas é e foi a realidade dele. O Sun Ra pode falar de seus delírios saturnianos interestelares mas o Daminhão não pode falar do praneta Lamma. Tudo bem, Experiênça não possuia a técnica apurada aos teclados, arranjos e uma Arquestra, mas tem uma concepção artística de qualidade que deve ser valorizada, mesmo com a falta de recursos e muita incompreenção nesta pátria.
Wesley Willis, um artísta de Chicago, falecido em 2003 teve muito mais chance. Aqui nesta terra, até os artístas de qualidade duvidosa e moribundos, tem reconhecimento.
Meu amigo que possui praticamente todos os registros fonográficos do Daminhão e também o conhece pessoalmente, está ajudando no processo de digitalização de sua música. No seu site, você pode conferir o talento de Daminão:
http://www.damiaoexperienca.net/

domingo, março 23, 2008

Israel "Cachao" Lopez (1918-2008)

Neste último sábado, 22 de Março, o contrabaixista cubano Israel "Cachao" Lopez partiu.
Nasceu em Havana no dia 14 de Setembro de 1918 em uma família repleta de músicos. Aos 13 anos de idade ingressou na Orquesta Filarmónica a La Habana, que já teve como regente convidado, Heitor Villa-Lobos. Nos anos 30 com seu irmão Orestes Lopez, criaram o Mambo, derivado de seus trabalhos na improvisação do estilo musical Danzon. Depois com seus amigos popularizaram a Descarga, uma jam session que incorpora elementos do Jazz e da música Afro-Cubana. Colaborou com músicos como Tito Puente, Chico O'Farrill, Eddie Palmieri, Celia Cruz, Gloria Estefan, entre tantos. O ator Andy Garcia produziu o documentário
Cachao ... Como Su Ritmo No Hay Dos ("With A Rhythm Like No Other")

Ivo Perelman em São Paulo

segunda-feira, março 17, 2008

Arthur Doyle

Nasceu em Birminghan, Alabama em 26 de Junho,1944. Chegou a ensaiar com a Arkestra de Sun Ra em meados de 1967 quando se mudou para New York, suas primeiras gravações foram com Milford Graves e Noah Howard. Seu primeiro título foi o Alabama Feeling de 1978, sendo que só voltou a gravar sob seu nome em 1993. Fundou com Rudolph Grey, biógrafo de Ed Wood, e o baterista Beaver Harris, o The Blue Humans e registrou o "The Blue Humans Live NY 1980" (Audible Hiss) onde Doyle e Harris unem seu Free Jazz ao chamado "post Hendrix sci-fi no wave" de Grey. Este grupo esteve muito mais envolvido com a cena No Wave de New York do que o Jazz. Doyle em 1995: "Eu estive entre estágios de desenvolvimento aonde estou hoje... Eu toquei Bebop, eu toquei Noise Punk Rock e eu toquei Free Jazz." No final dos anos 80 e início dos 90 em Paris, França, Doyle esteve preso, onde escreveu mais ou menos 150 músicas. Gravou muitas composições em um gravador k-7 portátil, de forma precária(entendo bem esta situação). Bom, aí você foleia uma revista Wire por exemplo, vê os relançamentos em cd ou até em vinil dos títulos da BYG Actuel, ESP, Impulse, etc. e não imagina a casca dura que os músicos de Free Jazz passaram. Definitivamente isso não é nada legal, não ter o mínimo de condições de vida para fazer música. Quem acha isso romantico, bonito e tal, que tente passar privações como Charles Gayle que viveu em prédio abandonado e tocando nas ruas por moedas, ou ser preso como Doyle. São histórias tristes, situações que não se deseja para ninguém, por amor à música.
Discografia de Arthur Doyle

sábado, março 08, 2008

Uma pausa para os não comerciais

Bem, ninguém é de ferro... Por um breve momento a nostalgia bate neste coração. Faço questão de lembrar da maioria das pessoas, se não for possível todas que em algum momento fizeram parte de minha vida, e olha que não é muito tempo, apenas 35 anos de idade até agora. Embora eu saiba que a maioria das pessoas não são assim, ainda acho estranho isso. Não se trata de pessoas que eu tive 5 minutos de prosa por acaso, e olha que mesmo assim eu lembro de algumas pessoas que tive tão breve contato. Será que eu estou exagerando? Como descartar uma longa convivência assim tão fácil? Como se fosse um jornal que se lê e joga fora, pois as notícias não valem para os dias seguintes. Talvez os interesses falem mais alto, ter que se adequar às metas presentes. Já me disseram que meu conceito de amizade é um tanto quanto exigente. Puxa, mas é assim mesmo, tão prático, de certa forma frio? Hoje é tão simples, um e-mail não gasta mais que 1 minuto para dizer um olá. Se o mundo diz que isto é um erro, continuarei errando, que desde a tenra idade em que pus meus pés na rua e fiz amigos, até este presente dia e os que estão por vir, guardarei todos que puder em meu coração, amigos, os nem tanto, conhecidos, quase esquecidos, com amor!

quarta-feira, março 05, 2008

Arthur Rhames


Outro dia conversando com um conhecido, discutiamos sobre a necessidade dos chamados "hard times" como disse Charles Gayle. Mas no caso eu discordava sobre o benefício da chapação de Tim Maia e seu sofrimento para produzir uma obra de arte de qualidade. Ora, um de seus momentos mais brilhantes como artísta foi quando estava longe das drogas. É puro mito esse lance de drogas potencializar a criação do artísta, tá cheio de exemplos de que a criação depende de estado sóbrio para ter o melhor resultado. Jimi Hendrix, Sun Ra, John Coltrane, Frank Zappa, etc e etc, compuseram seus melhores trabalhos longe da chapação.
Mas o caso de Arthur Rhames é outro, não chegou ao estrelato, teve uma vida marginal como artísta e morreu de aids em 1989 aos 32 anos de idade. Arthur Rhames viveu os "hard times" praticamente o tempo todo, dedicando cerca de 18 horas de prática no piano, saxofone tenor e guitarra todos os dias de sua breve vida. Teve até agora que eu saiba o destino mais cruel de todos, para os que acham que Basquiat, Dolphy e Trane sofreram mais. Mas não estou aqui para competir desgraças, isso não edifica. Estou aqui para prestar homenagem a este brilhante artísta que merece o reconhecimento, não deve de forma alguma passar batido na história da música. Infelizmente há pouquíssimos registros de seu talento dado por Deus e aperfeiçoado pelo seu amor, esforço e dedicação. Muito obrigado Arthur Rhames!
http://arthurrhames.net/
Aqui neste link, podemos ouvir as gravações de 29 de Agosto de 1981 em Willisau, Suiça, com Rashied Ali na bateria, onde homenageia John Coltrane e Charlie Parker:
The Dynamic Duo:Remember Trane and Bird - Ayler Records

domingo, março 02, 2008

Plantando e colhendo

Quem quiser que acredite, uma planta destas não brotaria do nada, não seria fruto do acaso, fruto de especulações teóricas científicas... Não não, de maneira alguma é uma conversa "bicho-grilo", é uma questão de fé mesmo. As boas notícias surgem de onde menos se espera, como um pontilhão de uma rua movimentada, cheia de lojas de meros objetos de consumo e paradoxalmente vazia. O que há de bom no rock hoje? Foi uma das perguntas... difícil responder... Mas até que o Heavy Metal vai bem, por incrível que pareça!(hahahahahaha!) Nossa relação sempre foi um tanto respeitosamente distante, digamos cordial, mas me presenteou com uma notícia em tanto. Continue plantando flores meu amigo, mas não se esqueça das pessoas, ainda existem muitas delas por ai que geram bons frutos!
Em homenagem ao desmistificador do tango

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

O drama do artísta...

Engraçado, não é só no aspecto físico, mas um disparo tem mais eficácia com a proximidade do alvo. O projétil em questão pode ser uma palavra de conteúdo agradável ou não. Os elogios tanto trazem o beneficio do incentivo, como causam danos trazendo arrogância. Mas é tudo uma questão de bom senso, humildade, é só aceitar a realidade, que não existe nenhum ser humano melhor do que o outro. Vamos nos concentrar na crítica, no julgamento, o projétil que é atirado com a intensão de ferir ou matar.
Todo mundo está sujeito a esta saraivada de balas de todo tipo de pessoa, inclusive dos amigos e familiares. Algumas destas palavras que ferem podem ter uma boa intenção, de mostrar o erro, tentar corrigir, alertar, mas a maioria das vezes é feito de uma maneira errada, que causa muito mais dano do que benefício. Quem não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Pior é quando nós ficamos sabendo de coisas por terceiros. Pessoas que convivemos por longos períodos de nossas vidas e criamos laços preciosos de amizade e respeito que por sua vez dizem até o grau de consideração(se não são nossos familiares, dizem que nos consideram como se fossemos). Mas aí você vira as costas e vai passear, o tempo passa e é atingido, pois o projétil tinha um alvo(eu ou você). Como não vímos a pessoa próxima mirar em nós e disparar, não esperamos ser atingidos, é como se a pessoa fosse um ás do gatilho e atirou para o ar ou direção oposta calculando friamente que a bala ricocheteie e enfim acerte seu alvo(eu ou você). Mas como no aspecto físico existe a condição de identificar de onde veio o disparo e qual foi a arma através de um exame de balística, podemos identificar os projéteis verbais que nos atingem, mais cedo ou mais tarde. Mas o que isso tudo tem a ver com o título deste post? Agora eu concluo.
Nesta sociedade corrompida pelos valores materiais em que nós vivemos, o verdadeiro artísta é um dos mais atingidos, como se tivesse um grande alvo pintado nas costas. A maioria das vezes é incompreendido pela sociedade, inclusive por familiares e amigos. A criação artística depende de 90% de esforço e 10% de inspiração, o artísta está em constante trabalho e estudo para aperfeiçoar sua arte. Mas a maioria das pessoas não consegue enxergar isso, pois elas acham que trabalhar é apenas acordar cedo bater o cartão no emprego e voltar para casa exausto e orgulhoso de sua jornada de trabalho. E a esmagadora maioria das pessoas que julga injustamente o artísta vive uma vida infeliz, mesmo dizendo que são gratas aos seus empregos e rotinas, mas sempre estão reclamando da vida, das pessoas, dos fatos, do governo, do mundo... Que frustrante não? " I believe in the power of love..."(Dee-Lite). O verdadeiro artísta vive em função do amor, mesmo que seja uma vida de restrições, sim, o artísta muitas vezes tem uma vida material restrita, não pode ter uma tv de plasma e canais pagos, um celular multifuncional, jantar fora, um carro, roupas novas, etc. Mas viver bem é comprar coisas e pagar as contas? Matar os sonhos é evoluir, amadurecer? Para mim como artísta, isso é a morte. Eu escolhí como artísta uma vida mais restrita em bens materiais, mas sou feliz, não há nada que pague isso. Meus sonhos estão vivos em mim, e alguns deles se realizaram, com a graça de Deus. Jesus disse ao diabo(podem ser as tentações também) que não é só de pão(coisas materiais) que vive o homem mas sim da palavra que vem de Deus, e a principal delas é o AMOR! E como um pastor disse que podemos nos comparar a um pequeno rio que vai em direção ao mar(Deus), recebemos pedradas que fortalecem o leito do rio, recebemos esgoto que acaba adubando ao nosso redor e gerando vida, damos de beber a todo tipo de forma de vida que mostra como devemos ser generosos. E tudo isso não impede que o rio alcance o mar.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Fugazi...

Lembro-me do ano de 1987, quando tive contato com o Minor Threat, a compilação da Dischord, Teen Idles, Rites Of Spring, etc. Depois o Fugazi... Mas para mim, numa opinião particular, não houve uma epifania, fosse musical ou política, pois eu tive exemplos de outros lugares, outras pessoas. Não é de maneira alguma uma questão de desvalorização do nosso amigo que já dizia "We're not the first, i hope we're not the last..." Mas é claro, que bom que o Fugazi desencadeou mudanças em muitas pessoas, que tenha ampliado horizontes. Mas também seria proveitoso após esta reação desencadeada por MacKaye e seus amigos, analisar os princípios disso tudo, que as coisas não brotam do nada, é a continuação de algo que teve um início anterior. Sim, é natural cada um eleger o seu preferido, mas é muito proveitoso também pesquisar e descobrir as origens, as fontes. Isso inevitavelmente soma, desmitifica, abre o entendimento e de forma alguma vai desvalorizar o que gostamos, a não ser que a obra não tenha sua forma própria, sua personalidade e sinceridade. Eu já fui questionado por não me empolgar tanto com o Fugazi e também já ouví gente dizer que não se empolgou com John Coltrane. Mas por exemplo, se o Minutemen e fIREHOSE(bandas que Mike Watt participou) causaram epifania em alguém, é porque John Coltrane causou epifania em Watt. Não, não precisa gostar tanto de Trane ou mais que as bandas de Watt, mas fica muito mais claro entender porque o Minutemen, fIREHOSE ou a música de Mike Watt, George Hurley, D. Boon, Ed Crawford causaram efeito. Por sua vez, é muito proveitoso conhecer Sydney Bechet, Steve Lacy, Sonny Rollins, Dexter Gordon, Charlie Parker, Coleman Hawkins, Ben Webster, Lester Young, Ornette Coleman, Albert Ayler para entender John Coltrane. Enfim, não é mistério, não é novidade, a música está interligada, muito mais próxima do que a estética mostra. Se a culinária chinesa tem mais de 3000 pratos diferentes, porque ficar só no Chop Suey, Frango Xadrez e Rolinho Primavera? Sashimi? Tem mais de 50 tipos, não é só atum e salmão!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Limites ou limitações da erudição artística

Neste post o ponto de vista é particular, não é de maneira alguma uma verdade absoluta, a não ser para mim mesmo. Talvez um ou outro concorde, enfim, é apenas um blog.
Foi exatamente em 1982 que iniciei minha jornada musical de modo mais focado, comprando um disco dos Beatles (Hey Jude, aquele com quase todos barbudos em frente à uma porta. Não sei porque escolhí este) aos 9 anos de idade. Quando era criança, gostava de tudo um pouco e no meio disso tudo, veio o HipHop, o breakdance. Mas também pelos mais velhos do bairro, tive contato com o Heavy Metal que me colocou definitivamente no caminho da música como instrumentista, porque as aulas de violão erudito não eram lá muito empolgantes para mim. O universo metaleiro quase me deixou alienado ao restante da música mas fui salvo pelo meu apego ao que sempre gostei desde pequeno. Depois veio o Punk, Hardcore, tudo misturado, nunca deixei de gostar de música "pop" mesmo em tempos de headbanger (claro que tinha que negar isso em frente aos colegas do metal, nossa, era muita rigidez para um garoto essas condutas de grupo que parecem seitas). Paralelamente sempre gostei de desenhar, isso veio até bem antes do interesse musical mais específico, fiz cursos de desenho e pintura, até chegar à faculdade. Já na música, desenvolví um descrédito aos métodos de ensino musical e os evitei (até tentei a ULM). Depois daqueles tempos iniciais em que praticava violão erudito, depois melodias e contrapontos no Metal e coisas mais simples no Hardcore, o rítmo no Funk e derivados, veio a bateria com a libertação dentro do rock (Mitch Mitchell me inspirou muito), depois a fundamentação no dito Jazz, com Max Roach, Billy Higgins entre muitos, até a libertação total com Sunny Murray e Milford Graves. A bateria levei bem a sério, pesquisei sua origem, dos tambores africanos, as caixas medievais com esteira de tripa de animal, Baby Dodds, Sonny Greer até os dias de hoje. Depois veio o clarinete-baixo, pois o som que Eric Dolphy fazia me fascinou. Mais familiarizado com o instrumento, notei que estava presente nos desenhos animados de minha infância.
Estudo: significa pesquisar, praticar exercícios para dominar os intrumentos, tocar com outras pessoas e finalmente a chamada performance ao vivo. A bateria e o clarinete não dispus de aulas com professor (só tive 2 aulas de bateria e infelizmente não me acrescentou nada, sem desmerecer o mestre, simplesmente me passou exercícios que já praticava sozinho), e continuo os meus estudos.
Morton Feldman, Roman Haubenstock-Ramati, Lourié, Mossolov, Protopopov, Roslavetz, Lou Harrison, Cornelius Cardew, Xenakis, Arnold Schönberg, John Cage, Pierre Boulez, Anthony Braxton, Peter Brötzmann, Duke Ellington, Charlie Parker, Ramones, Iron Maiden, Devo, Run DMC, Sun Ra, Sonic Youth, Circle Jerks, The Sisters Of Mercy, Metallica, Mudhoney, etc e etc., tudo tem seu valor, mas não precisa conhecer tudo. Nas artes visuais: Pollock, Renoir, Basquiat, Rothko, Rammelzee, cinema: Bergman, Zemeckis, Lucas, Kitano, Miyazaki, Otomo, Morimoto, Fellini, Von Trier, Almodovar, Lynch, etc e etc. Joyce, Burroughs, Andrade, Camões, Barreto, Lessa, Thompson, Tolkien, etc e etc. Nossa! quantos nomes!
Na arte, quando se opta por ser artísta, é sempre bom conhecer a obra do passado e presente, mas não precisa saber tudo, isso é impossível. O mais importante é saber a essencia dela, o que a produz, o processo, a técnica e prática. Enfim, para ser um artísta no melhor sentido da palavra, é necessário viver a vida como ser humano, a inspiração que oferece os melhores resultados estão na maioria das vezes, na esquina de casa, dentro de um ônibus, uma conversa cotidiana, uma notícia no jornal. E é claro, praticar sempre, seja sozinho seja em grupo. Na música a atividade em grupo ensina muito. Agora se escolher ser um teórico, crítico, prepare-se para uma vida de horas e horas de leitura, audição, inúmeras sessões de cinema e video, exposições, peças e tudo mais. E ainda por cima o crítico tem que abdicar de suas paixões pessoais para não comprometer seu trabalho, produzindo muitas vezes resultados tendenciosos e equivocados. Como diz o Devo: Freedom of choice is what you got, freedom of choice is that you want...

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Religião

Quando se fala em religião, muitos confundem as coisas. A palavra deriva do termo latino "re-ligare", que significa "religação" com o divino, com Deus.
Eu não creio que as religiões produzam bons resultados para a humanidade se elas se tornam seitas, instituições que induzem ao fanatismo, separatismo e coisas afins. É fácil constatar estes danos por conta de atos de agressão, pré-conceito, segregação entre seres humanos, que são todos iguais perante Deus. E também quando o uso distorcido da palavra religião leva o indivíduo à alienação do mundo em que todos nós vivemos.
Pregar o Evangelho é simplesmente anunciar a Boa Notícia, não tentar persuadir alguma pessoa de forma desagradável a participar de uma sociedade fechada. A "regra de ouro", a coisa mais importante do tão difamado Evangelho é amar ao próximo como a sí próprio, principalmente a quem não te ama, pois que mérito há em amar quem te ama?

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Inviabilidade só porque não é swinging London? Nem pensar!

Tenho reparado no fascínio do meio cultural paulistano em relação ao exterior. É certamente contraditório, paradoxal, entre tantos outros adjetivos. Um país sem pátria, sem raízes, sem tradições (no bom sentido). Uma capital que se proclama a mais evoluida em termos econômicos e principalmente culturais onde nos deparamos com aberrações como: irish pubs, canadian pubs, bistrôs, cofee shop's, luzes da ribalta. Ao mesmo tempo brotam simulacros de uma São Paulo que nunca existiu que ninguém vivenciou, como botequins de samba da velha guarda ornamentados de petiscos consumidos por pessoas que se recusam cruzar a ponte, onde os corregos com esgoto são a nossa Veneza. Antes, o temor e a repulsa de ir ao centro da capital, lugar de assaltos, gente feia e pobre. Hoje é "sofisticado e cultural" comer um sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau no mercadão(ué, mas não era coisa de pobre?). Poucos anos atrás tudo isso era repudiado e encoberto com acordes tristes do rock inglês, suposta debilidade do heavy metal, punk, depois o embuste grunge, hardcore, post-rock, emo, underground rap, dub, roots reggae, entre tantos gêneros importados. Tudo bem, São Paulo antes da ponte nunca foi Brasil, não tem nenhum mal nisso, é o preço de ser uma metrópole, mesmo que capenga. O rap e o samba eram ignorados pela classe média(tudo bem, já sabemos disso). Um pouco antes o forró através do baião, xote, etc., veio por meios acadêmicos, no micro-cosmos chamado campus da USP. Ahá, a USP é depois da ponte! O forró universitário moldado num imaginário que deixou de existir a muitas décadas, onde os teclados e melodias do pop americano, bebida barata e roupas made in china são a realidade. O samba não podia ser diferente, ou até o chorinho(muitos podem e vão discordar, mas é um gênero moribundo). O verdadeiro samba paulistano é tocado com cavaquinho amplificado, pele de pandeiro de plástico espelhado, tênis Nike AirJordan e relógios Timex. O rap também sofreu suas mutações, a São Bento não existe mais em termos ideológicos, aquele frescor mesmo que com pouquíssimos recursos, se foi. Agora que um dj pode ter uma MK da Technics, aquela atmosfera não pode mais voltar, isso é impossível.
Mas mesmo assim, tudo caminha, vai adiante com seus progressos, uns chamam de evolução para soar melhor. E segue a tradição nociva herdada dos grupos, segmentos, idolatria em vários níveis perceptíveis ou não. Até os chamados coletivos artísticos se comportam como clãs medievais, só que não se usam clavas, espadas e flechas no sentido literalmente material. Mas tem o mesmo objetivo em termos ideológicos, através de atitudes verbais, hermetismo, soluções heterogeneas num grande recipiente em comum que é a capital paulistana.
Eu sei, este assunto já foi abordado, é um assunto recorrente e exaustivo, mas é que a cada novo momento surgem dados em conversas longe dos holofotes, em que cada vez mais se aprofunda o panorama disso tudo, como se com um microscópio se visualize melhor a trama de retalhos que é composta a nossa rede cultural. Uma rede frágil, cheia de emendas e muitas delas muito mau executadas, que não se congregam.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Moral em baixa pt.2

Os males e as corrupções dos últimos dias
Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulheres ingênuas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto a fé; eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles.
- Segunda Epístola de Paulo a Timóteo, cap.3 v. 1à 9.
Em termos bíblicos, os dias não relatam as 24 horas e sim, de períodos que podem ter mil anos ou mais. Antes de qualquer argumentação, por resistência a estas escrituras que já tem mais de 2 mil anos, se alguém continua a ler este post, tente se despir da pré concepção sobre tudo que se fala sobre a bíblia, a palavra de Deus, visto em que muitos casos, se fala sem ter verdadeiro conhecimento sobre estas palavras. Não estou aqui para impor uma conduta religiosa, tendo em vista que não sigo qualquer tipo de religião e como disse antes, as religiões tendem a produzir efeitos danosos a humanidade. Quem tem olhos e ouvidos atentos depara com os sinais destes tempos, sem misticismo, em termos ecológicos e sociais. Podemos encontrar facilmente a ligação deste texto tão "antigo" ou "fictício" com o mundo contemporâneo, a nossa "gloriosa" Era de Aquário, tão sonhada e proclamada pelos hippies dos anos 60 do século XX.

Moral em baixa pt.1

Moral. S. f. 1. Conjunto de regras de conduta julgadas válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada. [Cf. ética (1).] 2. Conclusão moral que se tira duma obra, dum fato, etc. . 3. O conjunto das nossas faculdades morais. 4. O que há de moralidade em qualquer coisa. . Adj. 2 g. 5. Relativo à moral. 6. Que tem bons costumes. 7. Relativo ao domínio espiritual (em oposição a físico ou material). [Cf. mural.] ~ V. ciências morais, morte -, pessoa - e senso -.
"Na moral, na moral, na moral... só na moral..." hahahahahaha! Lembrei deste refrão de uma música que andou circulando pelas ondas sonoras, ouvidos receptivos ou não. Aí está mais uma prova do desconhecimento do significado das palavras. Mas sempre se pode argumentar uma atitude "revolucionária" de se apropriar e fazer outro uso, outro sentido. Ah, a modernidade, não ser reacionário... "moralista"!
Eu mesmo já me encontrei nesta militância de combate ao moralismo, com uma visão restrita nas condutas de pessoas de outras gerações, sem compreender realmente o seu zêlo, sem separar o que era realmente válido no coletivo em termos de aplicações práticas no cotidiano atual.
Ora, ironicamente os mais revolucionários, modernos, liberais, etc., dependem de uma conduta moral. Não? Experimente "ficar" com a namorada ou namorado de seu amigo ou amiga, criticar ou ofender pais de algum amigo ou amiga, invadir o perimetro pessoal de qualquer amigo e veja o que acontece. Em verdade vos digo meus amados conhecidos e desconhecidos, os que defendem uma sociedade sem moralismo, autoridades, deparariam com assassinato, assalto, agressão física e verbal, violência desenfreada em todos os sentidos em qualquer lugar, principalmente nos lares dos combatentes da moral. Vejam só, o anarquismo depende de condutas morais!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A Love Supreme - Ashley Kahn

Não diria que foi muito tempo e sim, o necessário para a publicação deste livro sobre uma das obras mais comentadas da música e do chamado Jazz.
A Love Supreme exerce até hoje uma forte influência em músicos e ouvintes. É considerada a obra prima de John Coltrane, seu auge junto ao seu chamado quarteto clássico, formado por McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones. Eu particularmente vejo o início de um aprofundamento em suas convicções já iniciadas em 1957. Não posso concordar que A Love Supreme foi seu auge, inclusive com seus companheiros que gravaram esta suite em quatro partes, pois não houve declínio, mesmo que fosse mínimo. Não, pelo contrário, houve sim uma evolução urgente, até o fim, até a última vez que pode tocar saxofone. Uma evolução que Elvin e McCoy não puderam acompanhar. A espiritualidade desta obra é sempre muito comentada, talvez muito mais pelo lado emotivo e não espiritual de muitos ouvintes, sem uma real compreensão de sua criação. Não será este livro que proverá o entendimento de sua essência, mas é uma ferramenta a mais. Ashley Khan fez um trabalho sério, esgotou as fontes possíveis, pesquisou muito até chegar a este livro. Foi um trabalho arduo, pesquisando fontes familiares e musicais, do nascimento até sua partida deste plano material. O foco é realmente o processo de produção do disco, o desenvolvimento da obra como composição musical, pesquisa e desenvolvimento artístico, os aspectos técnicos
da gravação, comerciais, inclusive os processos de produção executiva. O texto que Coltrane escreveu no disco já explica muito bem o motivo. Mas para ter compreensão real dele, é preciso de algo que não depende de erudição intelectual. É um louvor à Deus, uma obra gospel. Há muitos meios de entendê-la pela teoria, pela estética, pelo intelecto, inclusive por este livro muito bem resolvido, mas esta compreensão vem pelo espírito. Pena que o departamento gráfico da edição brasileira não pegou o "espírito" da coisa limpando as ranhuras da foto original de Trane...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Em tempos de guerra, bem, você sabe...

Se o acesso à internet ainda é uma realidade distante para a maioria das pessoas, o tal mundo virtual globalizado ainda é uma fantasia. O que diremos dos nichos culturais específicos? Soam como meros caprichos de pouco valor de uma irrisória fração de pessoas. Torrents, mp3 downloads, etc., parece que estamos desfrutando das maravilhas do mundo moderno, roteadores, bluetooth, wi-fi... A tão proclamada tv digital, um dvd player com preço de 2 dígitos à venda em lojas populares, assim como tv de plasma, celulares com câmera, acesso a net e uma porção de recursos do "futuro". Mas e o conteúdo?
O Brasil ainda não se libertou de costumes coloniais que são inúteis nos dias atuais. Já tinha comentado sobre a realidade realmente palpável para nós, inclusive os paulistanos que transitam em shoppings culturais, salas de cinema, casas de espetáculos, teatros, casas noturnas, bares. Uma vez eu estava tocando clarinete na saída do metrô quando um senhor me perguntou sobre instrumentos de sopro. O senhor em questão era um humilde policial federal prestes a se aposentar, que sempre quis tocar um saxofone, desde pequeno. Mesmo tardiamente, passando dos 50 anos de idade, pensava em comprar um instrumento musical. Sua referência era o Caio Mesquita, mais semelhante a um Kenny G brazuca, muito distante da música que eu estava fazendo alí. Mesmo assim o senhor gostou e conversamos sobre música. Naquele momento, não havia a menor importancia quem era Eric Dolphy, Sun Ra, Art Ensemble Of Chicago, John Coltrane ou até mesmo Charlie Parker. Também menos ainda importava sobre marcas de sopro como Selmer, Buffet Crampon, Yanagisawa, etc. É o nosso Brasil, a nossa São Paulo.
A esta altura do campeonato, é realmente importante ter um disco de vinil versão original da ESP? Em tempos de mp3 e couro de rato na carteira? Ter um toca-discos da Technics? Claro, a liberdade de consumo é garantida, afinal tem brazuca comprando carro Aston Martin, o carro do James Bond, mas isso não chega a meia dúzia.
E um LP original da Blue Note, Impulse, ou até SoulJazz? Bens materiais à parte, a cultura faz bem as pessoas desde que isso não seja usado como meio de se diferenciar dos outros. Ter um iPod, Nokia E65, Nike Air Jordan XX3 e não saber onde é a cidade de Palmas, Rio Branco ou até Porto Velho, é triste para um jovem. E saber quem é Lars Von Trier, François Truffaut, Anthony Braxton, Fela, Morton Feldman, isso realmente é importante?
Mas deixemos de lado estes pormenores e vamos ao que interessa, qualquer um pode ir à uma biblioteca gratuita, centro cultural gratuito, centro de informática com acesso gratuito à internet e pesquisar, estudar, aprender. Mas parece que não há tempo pra isso, pois o YouTube, Fotolog, Orkut, MSN são prioridade. Talvez um Google ou Wikipedia resolva... Vai pensando que tá bom...
 
 
Studio Ghibli Brasil