quinta-feira, outubro 22, 2009

Presidente Lula, vigia na terra!

Este blog não costuma fazer análises políticas por conta de seu direcionamento às artes e cultura. Mas se tratando do presidente da república do Brasil, Luiz Inácio "Lula" da Silva, há uma questão cultural evidente.
O que me levou a escrever este post foi o destaque de primeira página de um jornal paulistano que não vem ao caso suas intenções desta matéria que tinha este título: No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas, diz Lula.
Nesta infeliz comparação o presidente crê que para governar é preciso uma coalizão. "Se Jesus Cristo viesse para cá e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
Agora vejamos uma passagem das escrituras bem conhecida das pessoas de um modo geral, que se encontra no evangelho de Mateus, capítulo 4:

"Então foi conduzido Jesus pelo Espírito Santo ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,
E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.
Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam."

Deixemos de lado as questões religiosas e espirituais e atentemos ao significado e simbologia. Jesus se mostrou incorruptível mesmo em uma situação extrema. Lula em sua infeliz comparação afirma que Jesus teria de dar um "jeitinho", tolerar certos desvios. Judas é o símbolo da traição e corrupção. Possuia um cargo de alta confiança, mas traiu e se corrompeu por um punhado de moedas. Isso foi o ápice de sua trajetória sombria, pois já andava furtando parte das ofertas enquanto era tesoureiro do ministério de Cristo.
Aí entra o problema cultural. Se as pessoas realmente tivessem conhecimento das escrituras, não fariam este tipo de comparação, simplesmente pela incoerência entre a afirmação de Lula e os fatos descritos na bíblia que revelam o caráter de Jesus Cristo, que preferiu morrer à se corromper ou fazer uma coalizão.
Então surgem afirmações totalmente equivocadas, como esta que eu mesmo já acreditei que estivesse na bíblia: "Deus escreve certo por linhas tortas". Fora esta frase realmente não estar na bíblia, há uma afirmação de Deus que prova o contrário no livro do profeta Isaías, capítulo 45 verso 2 no antigo testamento: "Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos;". Outra frase errada é esta: "A voz do povo é a voz de Deus". Entendo esta frase sobre dar a razão a maioria, que muitas vezes erra. Mas veja o que diz Deus no livro de Números, capítulo 23 verso 19: "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa;"
Eu particularmente resolví ler a bíblia por curiosidade, na tentativa de encontrar algo que fosse ruim para a sanidade mental das pessoas. Fui no intuito de uma análise empírica, realmente sem uma opinião formada e deparei com fatos históricos e muitos deles a ciência contemporânea teve de reconhecer como verídicos, por conta de muitas provas materiais. Não encontrei nada que levasse uma pessoa ao isolamento da realidade e privação de sua liberdade de como conduzir sua própria vida. Há muitos aspectos culturais, de certos povos, de certa época e muitas vezes algumas instituições religiosas interpretam de forma errada, criando doutrinas e costumes por elas mesmas.
Aqui eu deixo uma frase que deveria estar em mais para-choques de caminhão e na mente do povo. Está no livro do profeta Oséias, capítulo 4, verso 6:
"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento;"

segunda-feira, outubro 19, 2009

Antonio Panda Gianfratti/Thomas Rohrer/Michelle Agnes: Cine Concerto

Panda, Thomas e Michelle fazem ao vivo a trilha sonora para os filmes mudos de Beckett, Brecht e Metzner.

local: Casa de Francisca - rua José Maria Lisboa, #190
couvert: R$ 17,00
reservas: (11) 3052 0547

48x61 (OtomoxRintaro)


O título 48x61 são as idades respectivas dos animadores Rintaro (61 anos na época em que foi realizado este curta metragem) e Katsuhiro Otomo (48 anos). Produzido em 2004 pelo Madhouse Studio. Desenho de Katsuya Terada, animação de Katsuya Yamada e musica de Toshiyuki Honda.

sábado, outubro 17, 2009

Shizuka Hayashi

Vernon Reid - Mistaken Identity

O Living Colour está de volta com um novo disco e esteve em São Paulo nesta última semana. Poucos sabem da carreira musical do guitarrista Vernon Reid que é de longa data. Fez parte do projeto Decoding Society do baterista Ronald Shannon Jackson que já tocou com diversos músicos do freejazz, como Albert Ayler.
Mistaken Identity foi lançado em 1996 e contou com a participação de Graham Haynes, trompetista e filho do baterista Roy Haynes, o baixista Fred Hopkins, o clarinetista Don Byron e nomes dos hiphop como Prince Paul, Beans, dj Logic e até a participação do ator Lawrence Fishburne. Reid já está no terceiro título em seu nome mas vale a pena relembrar este registro. Na ocasião do Free Jazz Festival na época auge do gênero Acid Jazz, Vernon Reid e o projeto Masque que gravou o Mistaken Identity, esteve em São Paulo substituindo Jamiroquai(ainda bem!) e contou com a presença de Don Byron.

Clique no link abaixo ou no título do post para acesso do arquivo

http://www.badongo.com/file/17870656

sábado, outubro 10, 2009

Fela na Broadway?!

Será que o nosso bandleader aprovaria a idéia? Será que ele faria a pergunta: Será que é bom?

Playlists como este são nocivos à saúde cultural e aumentam o ufanismo e o anacronismo

Particularmente este tipo de publicação como a revista ao lado, não faz parte de minha leitura periódica. Se eu quero obter informação mais precisa e confiável, há incontáveis fontes de boa informação no mundo virtual. Se a revista Rolling Stone original já é deficitária no quesito música como arte, a versão brasileira é pior. Calma nacionalistas, não estou degradando o produto nacional. Afinal o objetivo da edicão nacional da R.S. é meramente música como mais um tipo de mercadoria na prateleira. Infelizmente o jornalismo musical carece em muitas coisas para ser realmente confiável, entre estas coisas, a análise empírica, a pesquisa exaustiva, etc.
Mas me chamou a atenção 2 coisas sobre a matéria de capa desta publicação: Parte das primeiras posições deste ranking e o melhor: os comentários dos leitores.


Nº 1 - "Construção" - Chico Buarque
Nº 2 - "Águas de Março" - Elis Regina & Tom Jobim
Nº 3 - "Carinhoso" - Pixinguinha
Nº 4 - "Asa Branca" - Luiz Gonzaga
Nº 5 - "Mas Que Nada" - Jorge Ben
Nº 6 - "Chega de Saudade" - João Gilberto
Nº 7 - "Panis et Circencis" - Os Mutantes
Nº 8 - "Detalhes" - Roberto Carlos
Nº 9 - "Canto de Ossanha" - Baden Powell/ Vinicius de Moraes
Nº 10 - "Alegria, Alegria" - Caetano Veloso

Quem quiser argumentar contra o que penso, fique livre para isso ou melhor, ignore este post. Em primeiro lugar, quem fez esta lista? O staff editorial da revista? Se a voz do povo não é a voz de Deus, muito menos este seleto grupo de profissionais. O que aconteceu com a música brasileira contemporânea? Pelo menos nas 10 primeiras posições, só tem música do século passado. Muitos dirão que a música atual não chega aos pés destes "clássicos" brasileiros. São boas músicas, mas este ranking teria sentido se a edição da revista fosse da década de 70 do séc.XX. Então eu me deparo com o comentário de um leitor que diz o seguinte:

"
Eu me sinto bem representado por essas músicas. Legal!! Claro, eu sei que faltaram algumas entre as dez. Mas é que a música brasileira é tão boa e tão farta que não dá para contemplar todas. E há quem não valorize ainda. Gringo fica de boca aberta com a nossa criatividade!!"

Se o leitor já passou dos 40 anos de idade, é perfeitamente compreensível este ponto de vista. Mas se for na média dos 20, aí temos um caso corriqueiro de anacronismo. Mas a maioria esmagadora dos comentários dos leitores é bem mais saudável, pois elegeram artístas como Pitty, Legião Urbana, Raimundos, Chico Science e até coisas como Fresno e NX Zero.
O comentário do defensor da MPB do comentário acima ainda se ilude com a idéia de que gringo fica de boca aberta com a nossa criatividade. Ora, como se não bastasse usar o termo gringo que é pejorativo, demonstra uma tremenda arrogância e nacionalismo doentio. O Jazz e Rock criaram grandes mudanças e tiveram grande influência(inclusive na MPB) na música mundial no séc.XX e a música brasilera não chegou neste ponto, sem desmerecer a qualidade da MPB. O que seria de Luiz Gonzaga e seu forró(For All) se não tivesse o tango dos nossos hermanitos argentinos? O que seria dos Mutantes se não tivesse os Beatles? O que seria do João Gilberto se não fosse o Jazz e o que seria de Pixinguinha sem o Hot Five de Armstrong? Isso não anula a criatividade brasileira. A maioria destes "gringos" que piram, são na maioria críticos musicais, artístas, que são um pequeno setor destes países, que não chegam à casa decimal na porcentagem da população de seus países. Basta checar as informações que confirmam o que eu disse aqui, os gringos tem preferencia nos artístas de seus respectivos países, que é extremamente saudável. A maioria não se importa com a nossa música, se não os marcadores de exportação diriam ao contrário. Quem compra música brasileira no exterior em certo número, são os próprios brasileiros que imigraram para estes países. O Japão que costuma ser citado como um país que consome bastante a nossa MPB, na verdade, não é assim. O Japão se encaixa nesta estatística de consumo de MPB pelos imigrantes brasileiros que trabalham e vivem lá. A maioria esmagadora da população japonesa consome sua música local, chegando na situação da indústria fonográfica norte americana ter dificuldade de preferencia, como acontece em muitos países do mundo. É este tipo de publicação com rankings que contribue para este quadro, esta formação de opinião.
Enfim, quem acha que a Folha de São Paulo é a escória dos jornais e a Veja o lixo das revistas semanais, a Rolling Stone veio para preencher a vaga musical desta categoria seleta.

sexta-feira, outubro 09, 2009

São Paulo está no caminho da India

Socialmente falando, deixemos de lado as questões espirituais. Também não levemos em conta a diferença cultural entre o oriente e o ocidente, pois há muito mais que um hemisfério e um imenso oceano que os separa. O sistema de castas na prática, é um sistema de injustiça para justificar a diferença social de uma nação. Se os antepassados foram ladrões, as futuras gerações estão fadadas a viver de delitos, mesmo que esta pessoa tenha a honestidade ardendo em seu coração. Se uma pessoa tem domínio do conhecimento da física quântica e faz parte da casta dos mendigos, só poderá aplicar tal conhecimento na arte da mendicância. Se uma pessoa que não tem a menor vocação para as finanças a ponto de esgotar suas riquezas e fizer parte da casta dos ricos, bem, alguém vai ter que arcar com as despesas deste ilustre para ele permanecer rico.
Mas o motivo deste post não é diretamente ligado ao assunto sobre este sistema indiano. Um dos dois motivos foi que nesta última terça-feira eu participei de um workshop com o pianista e compositor inglês Veryan Weston sobre orquestração na improvisação livre, no teatro da faculdade Santa Marcelina em Perdizes, São Paulo.
Haviam praticamente apenas os alunos de música da faculdade e notei uma grande diferença alí. A começar pela região da faculdade, que fica numa região que difere da grande maioria da cidade, assim, como Higienópolis, Moema, Morumbi, Pacaembú, Sumaré. Estes lugares são muito mais bem cuidados do que o resto da metrópole e há uma gritante diferença étnica. A maioria esmagadora de pessoas que formam a sociedade brasileira, nestes locais, são apenas funcionários remunerados com baixos salários e se residem na região, são os que moram no local de trabalho, como alojamento de funcionários ou quarto de empregado doméstico. Como meu cotidiano e as pessoas com quem me relaciono diariamente são o que chamam por aí de "povão", me sentí um estranho naquele teatro. Mesmo alguns dos alunos e parte da platéia serem estéticamente parecidos com pessoas do povão, algo os diferencia. Um exemplo? Muitos destes jovens de classe média e alta, quando se vestem de forma simples, há um refinamento. Como alguns que estavam de chinelo de couro, camiseta e bermuda. São roupas simples, mas percebe-se que são de uma grife, que são roupas mais caras. Sem contar quando estes conversam, mesmo com gírias adotadas das "ruas", há uma grande diferença, são como dialetos.O outro motivo foi um post sobre o público feminino afro-brasileiro que esteve na apresentação da dupla Les Nubians, composta por Helene e Celia Faussart no SESC Pinheiros. Este post se encontra no blog Eu, ela, o cão e o affair redivivo e este trecho que me chamou a atenção:

"
Já no hall de entrada, uma pergunta se fez aos meus botões e acompanhou-me até o final da apresentação – e continua em delay agora: quando não há show das Les Nubians na cidade, onde se escondem aquelas estonteantes negras todas?"

Me parece
que o autor do post fez uma pergunta retórica, a não ser que seu cotidiano tenha mudado drasticamente e tenha esquecido que mesmo o SESC tendo atividades e atrações com preços acessíveis à maioria da população, mesmo sendo criado para as atividades de lazer da população além do pricincipal, que é beneficiar a classe comerciária, este tipo de apresentação, neste tipo de local, não atrai o povão. Independente de ser ou não uma pergunta retórica, eu respondo a pergunta. Elas não se escondem em lugar nenhum. Talvez muitas delas não posssam usar uma bela vestimenta e caprichar tanto na maquiagem, por estarem em algum emprego que isto não é funcional. Se alguém resolver passear pela noite paulistana, mas fora do circuito centro-oeste e passar pela zona norte, por exemplo, vai encontrar muitas delas com certa facilidade. Mas eu as vejo todos os dias andando nas ruas de São Paulo, nos transportes coletivos, lojas, etc e etc.
O problema deste país é que se nega ou finge que não existe e não se vê. O sistema racista e o sistema de castas existe nesta cidade, mas só que de forma velada.

Cine-Concerto: Beckett e Brecht no chiaroscuro

Poucos têm conhecimento de que os dramaturgos Bertolt Brecht (1898-1956) e Samuel Beckett (1906-1989) participaram de duas produções cinematográficas em momentos distintos de sua carreira. “Mistérios de uma barbearia”, dirigido por Brecht juntamente com o cineasta e também dramaturgo Erich Engel, marca o encontro do jovem Brecht com o ator cômico Karl Valentin, apontado por muitos críticos como uma das influências primordiais no teatro épico brechtiano. O filme é uma comédia em tom anárquico, no estilo subversivo e nonsense de Valentin, que interpreta um estranho barbeiro que comete com grande naturalidade as maiores atrocidades.
“Film” conta com roteiro de Beckett e direção de Alan Schneider. Neste curta-metragem, Buster Keaton interpreta um homem angustiado em fuga, tentando livrar-se de todos os olhares que recaem sobre ele. Baseado na teoria de Berkeley Esse est percipi (ser é ser percebido), “Film” tem apenas dois personagens: “O” é o objeto representado por Buster Keaton, e “E” é a própria câmera.
Ao final do espetáculo, propõe-se o diálogo dos dois grandes dramaturgos com o cineasta Ernö Metzner (1892-1953) e seu “Assalto”(“Überfall”), que mostra o estranho destino de um homem após encontrar uma moeda ao acaso. A obra retrata alguns tipos da Alemanha pós-primeira guerra, caracterizada por Metzner pelo clima de corrupção, brutalidade e decadência que circunda os personagens.
Como nas antigas sessões de cinema dos anos 20, o acompanhamento musical será realizado ao vivo, a partir de uma instrumentação que faz uma alusão às sonoridades dos teatros populares e do music-hall, onde o cinema nasceu. Este trabalho busca realizar um diálogo entre procedimentos empregados no acompanhamento musical deste período, tais como efeitos sincronizados, uso de motivos condutores (leitmotiv) e citações com a música atual. O ponto de contato entre esses dois universos está na improvisação, tônica do trabalho do trio, e que caracterizava a música que acompanhava essas “pantomimas silenciosas”.

Programa

Mistérios de uma barbearia (1923)
Direção e roteiro: Bertolt Brecht e Erich Engel

Film (1965)
Direção: Alan Schneider.
Roteiro: Samuel Beckett.

Assalto (1921)
Direção: Ernö Metzner.
Roteiro: Grace Chiang e Ernö Metzner.

Música de Michelle Agnes(piano), Thomas Rohrer(rabeca,sax) e Antonio Panda Gianfratti(percussao)

13/10/09 - 20h30 São Paulo
Ingresso: distribuição de ingressos gratuitos a partir das 19horas na bilheteria. 2 ingressos por pessoa.
Telefone para informações: (11)3258-3344
Classificação: 8 anos
Endereço:
Cultura Artística Itaim - Avenida Juscelino Kubitschek, 1.830.
Disponibilidade: 200 ingressos
Data:
13/10/2009
Hora:
20:30

10/10/09 - 20h Campinas
Horário: 20h
Classificação: 8 anos
Todas as apresentações têm entrada gratuita, com distribuição de ingressos (um por pessoa) no local, uma hora antes de cada .
Endereço:
CPFL Cultura - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, bairro Chácara Primavera. Mais informações pelo telefone (19) 3756-8000.

domingo, setembro 27, 2009

Veryan Weston – piano / improvisação livre

Veryan Weston – piano / improvisação livre

Workshop e concerto com a participação de Phil Minton (voz), Thomas Rohrer (rabeca) e

Antonio Panda Gianfratti (percussão)

Data: 06/10/09 - 14hs –Teatro Santa Marcelina - Entrada Franca

Rua Dr. Emilio Ribas, 89 - Perdizes - São Paulo - SP - Fone: (11) 3824-5800



Veryan Weston (Inglaterra): Um dos principiais nomes da improvisação livre, o trabalho de Veryan reúne inventividade harmônica, riqueza timbrística e sofisticação melódica. Nos anos 70 co-fundou e compôs para o Stinky Winkles, tendo sido eleito “Jovem músico de 1979” pela Greater London Arts Association, ganhando também três importantes prêmios na França, Espanha e Polônia. Veryan graduou-se em Performance Art no Middlesex Polytechnic, e realizou mestrado em composição musical pelo Goldsmith’s College, Universidade de Londres. Foi coordenador do “Interartes” no Bretton Hall, e professor de composição e improvisação na Universidade de Middlesex. Ao longo de 1980 e início dos anos 90, trabalhou principalmente com o Quarteto Eddie Prévost, Trevor Watts’ Moiré Music e duos com Lol Coxhill e Phil Minton. Trabalhou também em outros projetos com Minton, incluindo 'riverun', quarteto de Phil Minton com John Butcher e Roger Turner.

quarta-feira, setembro 23, 2009

São Paulo Underground e o que mudou quando se passaram mais de 20 anos.


Para quem viveu sua juventude nos anos 80, isto é, que tinha idade suficiente para frequentar o chamado Underground Paulistano, participou de uma grande mudança em todos os sentidos no mundo em que se encontrava, devido as grandes mudanças tecnológicas. Vimos a transição do equipamento analógico para o digital, a fita k7 e o lp para os cd's e dvd's, o surgimento e crescimento da World Wide Web, que democratizou e tornou acessível a comunicação no mundo inteiro. Mas nos restringindo ao nanocosmos do underground paulistano, esta pequena parcela da imensa população de milhões de habitantes, que se contrasta com a realidade da maioria dos paulistanos, vejamos o que realmente mudou nestes mais de 20 anos. Aparentemente sempre parece que as coisas melhoram, mas nem sempre isto é a verdade e também vamos evitar aquela observação reacionária e equivocada de que antes era melhor. A vida sempre foi assim, algumas coisas melhoram, outras pioram e outras permanecem da mesma forma. Na maioria das vezes, as mudanças e melhorias dependem de nossas atitudes.
A internet possibilitou a sincronia, o acompanhamento dos fatos em qualquer parte do mundo que está conectado à rede mundial de computadores, não há mais aquele atraso(delay) que chegava até 5 anos entre a fonte e os receptores. Por exemplo, a maioria dos lançamentos fonográficos, se não fossem de artístas extremamente famosos, demoravam até 10 anos para ter sua versão brasileira, sem contar que muitos artístas nem eram lançados aqui e não eram tão obscuros. Hoje, através da net, do
myspace, twitter e outros serviços virtuais, o acesso é total e simultâneo, mesmo que for sobre um artísta obscuro e independente da Eslovenia ou Hokkaido. Antes tinha que se esperar até 3 meses para receber a encomenda de uma edição da revista Wire, Maximum Rock'n'Roll, Flipside, etc. Hoje temos as edições virtuais nos sites das revistas e alguns estabelecimentos importam alguns títulos. Hoje podemos entrar em contato direto com os artístas em seus sites e serviços de comunicação, como o msn, o skipe, myspace, etc.
Enfim, já não há mais a desculpa da falta de informação. Mas o que aconteceu então? Porque ainda vemos sites, blogs, zines com erros abomináveis por falta de informação completa e correta, sendo que se encontra praticamente de tudo em termos de informação?
Uma vez me chegou as mãos um exemplar da revista Noize e até comentei sobre a qualidade gráfica, capa colorida em papel especial, com o logo impresso em verniz transparente. Que diferença dos tempos das primeiras edições da revista Rock Brigade, que era publicada em papel sulfite fotocopiado, ou seja, xerox. Esta era a realidade das publicações independentes do underground paulistano. Mas até que a Brigade se virava bem, tinha até correspondentes em outros países. As resenhas sobre os lançamentos eram muito divertidas, pois os editores extrapolavam em seus comentários, que fugiam da análise empírica e se tornavam meras opiniões pessoais e muitas vezes equivocadas. Mas apesar de toda dificuldade e precariedade, tudo era feito com dedicação.
A Noize, já é um caso bem diferente, pois tem estrutura para entregar ao leitor, um material de alta qualidade de forma gratuita, mas o conteúdo nem sempre condiz com esta qualidade. Muitas matérias possuem um conteúdo muito superficial, sendo a maioria semelhante a um resumo de Wikipedia. Talvez seja o atendimento à demanda dos leitores, uma tendência editorial, mercadológica e comportamental. Afinal a revista se esforça em entregar informação e de forma gratuita. O custo disso é um espaço demasiado para a publicidade, com produtos de natureza excluidora, pois são produtos para quem tem um certo poder aquisitivo. Se houvesse o remanejamento de orçamento, poderiam acrescentar mais conteúdo, como é o caso da revista da gravadora de jazz americana Cadence, que lança um periódico com papel mais econômico, mas com abundante material jornalistico.
No caso dos estabelecimentos como casas noturnas e lojas de discos a situação não é diferente. Me lembro de lugares que eu não tinha idade para frequentar, como o Lira Paulistana, que era perto da minha casa, mas pude comprar o primeiro disco ao vivo do horrível Vulcano, na loja do selo Lunário Perpétuo que também era perto da minha casa. Lembro do Ácido Plástico, espaço Zoster, antigo Madame Satã, o Cais(que viria a ser o Hoellish e depois Der Tempel), o Aeroanta, Rainbow bar, Teatro Mambembe e é claro, o Espaço Retrô.
Num post anterior, já tinha escrito sobre as lojas da Galeria do Rock, mas lembremos algumas lojas, como a do selo New Face, a Rock Story do Mariano, a Kubikulum Rock do finado Rogê, A Rainbow do Nunes, a Tok-Entre do Quinha, a Wop Bop(que vendia a revista Thrasher), a Zoyd do Rodnei e a Woodstock Discos. A maioria destas lojas vendiam camisetas caseiras em silk-screen, fitas k7 gravadas dos lp's importados e não tinha lá muito material e muito menos a possibilidade de acompanhar simultaneamente o que acontecia, mesmo no póprio país. Existia um publico mais participativo de debates sobre seus gostos musicais e com mais sede de informação. Isso não quer dizer que havia uma boa parte que era ignorante mesmo, o que gerou uma grande quantidade de boatos e lendas sobre os artístas. Hoje o número de lojas diminuiu drasticamente, em parte também por conta dos downloads de mp3, mas as poucas que ainda resistem, carecem de uma variedade, qualidade e certa ousadia que as lojas antigas tinham. As lojas de discos independentes tinham uma certa função de central de debates, ponto de encontro e a formação de opinião(esse lance de formadores de opinião é um tanto quanto nocivo). Não que hoje isto não mais ocorra, mas agora deteriorou. Pode se tratar da última novidade do indie-folk experimental de Chicago ou o último hit da pista de dança produzido por um dj de descendência malasiana, a maioria se tornou superficial. Os gostos musicais se tornaram mais reacionários e anacrônicos entre a juventude que clama por ter um passado histórico. Veja que paradoxo, os modernos querem ter uma tradição.
Me lembro das casas noturnas, como o Espaço Retrô, comandado pelo Roberto Cotrin, onde o suporte do surdo da bateria era um pedaço de baqueta quebrada e a pele tinha um remendo feito com emplastro Sabiá e quase sempre no final da madrugada passava um vídeo em VHS no telão, tocando Bella Lugosi is dead, do Bauhaus. A maioria destas casas noturnas tinham uma qualidade de som lamentável que chegava ao ponto de não dar pra entender a proposta das bandas. Mas apesar de tudo, inclusive a deficiência das bandas, havia um certo frescor e originalidade. Hoje temos lugares como o Studio SP e outros clubes na região da Barra Funda, com boa estrutura para receber tanto o público quanto os artístas, onde podemos ouvir com nitidez o som da música, se isso é vontade do artísta. Mas tem faltado o frescor e originalidade de antes. Muitos podem discordar desta afirmação, mas quem presta atenção no que ocorre no mundo afora(olha a internet aí e uma boa pesquisa) sabe do que estou falando. Simplesmente se pode reproduzir com uma boa estrutura o que se faz por aí mundo afora, mas sem originalidade de criação.
No final das contas, aquele cafezinho mau feito que você pedia para viagem e vinha no copinho descartável de plástico, agora é delivery com copinho térmico de isopor, mas ainda é o mesmo cafezinho aguado e lotado de açucar. Mas sempre temos a esperança de um mundo melhor.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Cultura e Futebol

Não, definitivamente não me importo com o esporte que chega a dominar a vida de muitos brasileiros. Mas também não me dedico ao ataque contrário ao mundo do futebol, pois o tempo é curto.
À cerca de uma semana, por acaso assistí um programa sobre futebol na tv aberta onde um ex-jogador muito famoso falava sobre o destino dos jogadores que encerravam suas carreiras e também os seus testemunhos de vida enquanto estavam em evidência, no curto período de "estrelato". O ex-jogador é conhecido como o "doutor", ou seja, Sócrates. Também se faziam presentes outros dois jogadores famosos, como o Müller e outro que não me recordo o nome, mas que atuaram nos gramados no fim dos anos 80. Ontem também assistí outra matéria sobre o assunto, com uma matéria sobre o jogador Ezequiel(nome de profeta israelita), que passa por um momento extremamente difícil de sua vida e se não me falha a memória, seu filho está na prisão. Ezequiel jogou no Corinthians e já foi aclamado pela grande torcida, mas agora está jogando no time do esquecimento e miséria.
Parece que os exemplos do passado não serviram de exemplo, talvez porque muitos se iludam com o volume espantoso de dinheiro que agora circula no mundo do futebol. Nunca se viu falar em milhões de dolares como se fala hoje em dia, passes de jugadores que chegam a ultrapassar orçamentos de pequenas cidades brasileiras. Jogadores que são contratados por times no Oriente Médio e recebem mansões como moradia, carros caríssimos, além de salários que despertam inveja de muitos políticos brasileiros, que precisam fazer de forma ilegal para tentar se equiparar.
No programa deste domingo que passou, o assunto era o mesmo da semana passada, com outros ex-jogadores que se tornaram técnicos de futebol, o que é exceção. Não é todo jogador que tem talento para isso e também não são todos que se preparam para isso. A carreira de um jogador de futebol é curta e se ele não se preparar para a breve aposentadoria, terá o mesmo destino de Ezequiel e tantos outros.
Mas é óbvio que a maioria das pessoas, principalmente os que gostam de futebol, vão colocar a culpa nos clubes, no governo deste país que não dá a a retaguarda aos seus ídolos dos gramados, depois que eles encerram carreira. Em parte, o governo tem culpa, mas isso não é só para jogadores de futebol, e sim para qualquer trabalhador deste país, vide o caso sem fim dos aposentados. Os clubes são empresas, acabou o tempo de serviço, os devidos direitos trabalhistas são recebidos, adeus e boa sorte. Os clubes não tem que ficar sustentando estes ex-jogadores, esta coisa de que o clube deve o talento que o jogador prestou ao time, não é verdade, pois o jogador recebeu seu salário. Se ele não pensou no futuro, gastou toda sua renda em baladas, carros importados e não se preparou para outra atividade profissional enquanto podia contar com o respaldo do futebol, que suporte as consequências de seus atos. Veja o caso do Romário.
E o que isso tem haver com a cultura? Tudo. Aqui no Brasil o futebol obviamente ultrapassa os muros dos estádios e telas de tv e faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, chegando a ocupar 100% de suas vidas. E como diz a letra de uma música bem conhecida, quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Uma multidão de crianças sonham em ser o próximo "fenômeno" da seleção brasileira, mas menos de 1% chegarão lá. Infelizmente uma parcela considerável desenvolverá a habilidade de catar latas de alumínio, pedir esmola no cruzamento das ruas ou o pior, habilidade de embalar capsulas de cocaína e manejar uma metralhadora AR-15.
Aí entra a declaração de Sócrates no programa de tv. Por conta da degradação educacional que começa na família, a cultura é negligenciada e não estou falando de coisas menores e sem importância, como alguém conhecer a obra de Stockhausen e Rothko. A cultura da ostentação material, a cultura do consumo tomou o lugar da maioria dos jogadores de futebol. Poucos se importam em obter conhecimento, cultura e consequentemente, sabedoria. Não precisa estudar, basta jogar bola e ser contratado por um time europeu e ficar rico. Mas mesmo que isso aconteça, se não houver sabedoria, a fortuna se vai num piscar de olhos.
Sócrates fala da responsabilidade que o jogador de futebol deveria ter para uma nação que respira futebol, como eles servem de exemplo para milhares de futuros cidadãos e trabalhadores brasileiros. Milhares de crianças do Brasil querem ser como seus ídolos dos gramados. E o exemplo não está só no drible desconcertante e no gol de placa, mas também está nas declarações à imprensa, com a dificuldade de expressão devido a baixa escolaridade, a ostentação material por conta do nível educacional e cultural que gere a meta de vida do jogador. Sem contar com certas condutas questionáveis, como problemas na justiça por dividas, falta de pagamento de pensão alimentícia, paternidades não assumidas, homicídios culposos por conduzir veículos em estado de embriaguez, atos de vandalismo, brigas, etc.
Olha, o futuro deste país economicamente falando, se projeta para um resultado razoável, levando em conta a precariedade da estrutura social.
Todos terão seu celular de última geração, mas para assistir "pegadinhas" no Youtube. Todos terão tv de plasma ultra slim, mas para assistir Faustão ou Gugu...

segunda-feira, agosto 17, 2009

Rashied Ali (Robert Patterson) - 01/07/1935 - 12/08/2009

Neste última quarta-feira o baterista Rashied Ali faleceu aos 74 anos de idade após uma parada cardíaca, em Manhattan, New York.
Rasheid Ali se tornou conhecido como o baterista de John Coltrane em sua chamada última fase, a mais radical. Este período foi de 1965 até a morte de Trane em 1967. Rashied coompartilhou a sessão rítmica de Trane ao lado de Elvin Jones na gravação do disco Meditations (1965) e depois substituiu Elvin definitivamente até 1967. Seu estilo se encaixou às novas idéias de Trane, que se aprofundavam numa dimensão mais ampla.
Rashied teve grande influência de Sunny Murray no estilo mais livre, no conceito de Free Jazz de abandono da rigidez de condução rítmica, harmônica. Também era irmão de Muhammad Ali, grande baterista do Free Jazz, que tocou com Frank Wright, Albert Ayler, etc.
Rashied também tocou com inúmeros músicos, como John Zorn, Charles Gayle, Marilyn Crispell, Bill Laswell, Alice Coltrane, Henry Grimes, etc.

site oficial de Rashied Ali:

http://www.rashiedali.org/

quarta-feira, agosto 05, 2009

Tailenders


The destiny of Tomoe Shiro, a formidable racer with a very promising career, experiments an U-turn when a serious accident puts his life at stake. He recovers miraculously, though, when his heart is replaced with the engine of his own racing car. However, because of that very reason, race regulations demote him to the category of a mere mechanical part of the vehicle and is deprived from the right to participate as a pilot in regular races. Only in a far away colonial planet, along with a multitude of other charismatic pilots also vetoed from participating in regular competitions, he will be given the opportunity to race for his pride and the money of the prize. And so this exciting rally starts!

http://www.tailenders.com/

sexta-feira, julho 24, 2009

Tachiguishi-Retsuden (立喰師列伝) - 2006



Filme produzido pelo estudio de animação japonês Production I.G., escrito e dirigido por Mamoru Oshii, usando uma técnica chamada de "Superlivemation", que consiste na animação digital de personagens como bonecos de papel e cenários baseados em fotografias reais. Foram mais de 30 mil fotografias processadas 20 vezes para chegar ao resultado final.
Oshii trabalhou em muitos filmes, como Patlabor 01 e 02, Ghost In The Shell 01 e 02, Sky Crawlers, etc.
Production I.G.



quinta-feira, julho 23, 2009

Por onde anda o Mr. T?

Ah, o mr. T, também conhecido como B.A. do seriado Esquadrão Classe A. Também foi adversário do nosso amigo Rocky Balboa em Rocky III. Pela foto dá pra ver que o lance de mr. T não era sutileza mesmo, assim como a sua versão loira, o sr. Hogan. Hogan até tentou se livrar da imagem de lutador de telecatch, em filmes humorísticos para crianças e o resultado foi tão bizarro quanto o governador Schwarzenegger em filmes como professor do jardim da infância ou homem grávido.
Eis que buscando alternativas à TV VHF aberta, em um canal UHF, passava o famoso programa de televendas, sim, o Polishop, que já vendeu facas que cortam tudo e fez escola, vide o Juarez empurrando a roubada da câmera TecPix. No programa o produto da vez era uma aparelho de cozimento muito interessante o qual não vem ao caso entrar em detalhes. Mas quem estava para atestar a qualidade das refeições era o nosso querido mr. T! Ele continua com o cabelo bunito, e teve uma entrada em grande estilo: ele entra no cenário de cozinha do programa, derrubando a porta, atendendo rapidamente o convite da apresentadora, afinal não é coisa de mr. T recusar uma xepa.

domingo, julho 19, 2009

Cultura e Arte no Brasil... as vezes é como lavar a calçada com a mangueira...

É, infelizmente estamos num país que de certa forma o consumo de cultura e a arte chega a ser um desperdício, uma extravagância. Pode existir a argumentação sobre a relevância da arte popular, de massa, mas no saldo geral era melhor que certas coisas nem viessem a existência e olha que não estou falando de elitizar, pois também há o lado enfadonho da arte que é considerada de alto nível intelectual.
E que isso não seja munição para os espertinhos que se vangloriam na ignorância, que preferem manter suas mentes nas trevas da dita cuja ignorância, tentando justificar sua preguiça em buscar mais estímulo edificante para seu cérebro, através de uma falsa humildade, apenas consumindo entretenimento comercial volátil, como uma trilha sonora de novela com música indiana.
Não estamos aqui embarcando numa barca fria de pessimismo, mas todo mundo sabe a realizade, só não vê quem não está afins mesmo. Grande parte da produção cultural que tem o seu "selo" de qualidade do Inmetro da arte, é produzida e consumida por uma parte da população que é minoria, que é até uma aberração no meio de um imenso país que não consegue resolver seus "pobrema" e graças à uma filosofia pra lá de duvidosa disseminada por um jogador de futebol em uma propaganda de um produto mais duvidoso ainda, cada um fica com seus "pobrema"(espero que o Marcelo Médici tenha captado a mensagem).
Bem, eu até lavo a "calçada" com mangueira, mas por questão de mera consciência, lavo só uma vez por semana e não fico empurrando folha seca por folha seca com a água e sei que isso não é mérito nenhum, é o mínimo que devo fazer por coerência. Isto de não ser correto lavar a calçada aconteceu, porque quase todo mundo resolveu lavar a calçada todo dia e a torneira aberta no máximo sem se preocupar com o amanhã que é hoje.
Isso me fez lembrar uma história da bíblia, onde o sucessor de Moisés na liderança do povo israelita e seu companheiro, tiveram que esperar 45 anos para entrar numa terra(é, aquela tal que emana leite e mel...) que fora prometida a eles, por culpa dos outros.

domingo, julho 12, 2009

Gary Lucas em São Paulo (Der Golem, Captain Beefheart)

Gary Lucas esteve por aqui fazendo a trilha sonora ao vivo do filme Der Golem (1920), de Paul Wegener. Este filme talvez seja um velho conhecido das sessões de cinema no canal de tv Cultura, ao lado de Gabinete do Dr. Calligari, Fausto e Nosferatu. Der Golem é um filme mudo que narra a lenda judaica de uma criatura feita de barro que ganha vida através da magia cabalística executada por um rabino, afim de proteger seu povoado.
Gary Lucas tocou colaborou e tocou com Leonard Bernstein, Captain Beefheart, Jeff Buckley, Chris Cornell, Lou Reed, John Cale, Nick Cave, David Johansen. Também trabalhou com Mary Margaret O'Hara, Onetwo, Peter Stampfel, Fred Schneider (The B-52's), Bob Neuwirth, Geoff Muldaur, John Sebastian, John Zorn, Bryan Ferry, Patti Smith, Kate e Anna McGarrigle, Matthew Sweet, DJ Spooky, Damo Suzuki, Iggy Pop, Dr. John, Allen Ginsberg, Graham Parker, The Dark Poets, Future Sound of London, Van Dyke Parks, Adrian Sherwood, Richard Barone, Bob Weir, Warren Haynes (Allman Brothers, Gov't Mule), Kristin Diable, etc. No Jazz colaborou com Roswell Rudd, Steve Swallow, Joe Lovano, Dave Liebman, e Billy Bang. Mas a sua colaboração com Beefheart é a mais emblemática de sua carreira.



Meu amigo esteve presente na sessão de cinema e conversou com Gary Lucas, levando o lp Ice Cream For Crow(um dos meu preferidos) do Captain Beefheart and The Magic Band para autografar. Acima o video promocional de Ice Cream For Crow com Gary Lucas e o baterista Cliff R. Martinez, que tocou com Lydia Lunch e The Red Hot Chilli Peppers. Claro que o grande destaque do vídeo é o nosso querido Don Van Vliet com sua música e suas pinturas.

domingo, julho 05, 2009

Em tempos de homenagens póstumas, os Residents já tinham uma...


The Residents Disfigured Night, PopKomm music festival 1997 em Köln, Alemanha, filmado pela VIVA TV alemã e patrocinada pela marca Marlboro. É claro que a imagem de Mr. Skull não ajudaria em nada na promoção da empresa patrocinadora e então resolveram por tirar a imagem do nosso amigo caveira dos materiais promocionais do evento. Os Residents também não ficaram felizes com estes procedimentos, mas já era tarde demais para protestarem ou cancelarem a apresentação.
Disfigured Night conta a história do personagem Silly Billy que pode relembrar suas mais dolorosas lembranças. O video acima mostra a cena final com uma versão de We Are The World.
* Esta vai para Michael.

terça-feira, junho 30, 2009

Brute! (Aidan Hughes)

Aidan Hughes nasceu em Merseyside, Inglaterra em 1956. Aprendeu arte com seu pai que era pintor. Nos anos 80 passou a usar o pseudônimo Brute e suas influências no seu trabalho são Jack Kirby, Steve Ditko e Jim Steranko desenhistas de histórias em quadrinhos, construtivismo russo, futurismo italiano e o trabalho no entalhe de madeira dos artistas Frans Masereel and Lynd Ward. No início dos anos 80, Hughes publicou Rage!, vendida em Bristol, que ilustrava a tensão naquele tempo:

































Também iniciou uma longa parceria com o grupo de rock industrial e música eletrônica KMFDM, no qual produziu a arte de capa dos discos do g
rupo e alguns vídeos, como o de Son Of Gun:


Também trabalhou na arte e concepção do video game fps(first person shooter) ZPC - Zero Population Count em 1996, usando o engine do game Marathon 2.

sábado, junho 27, 2009

Michio Mihara


Michio Mihara desenhista e animador, trabalhou em filmes como Neko No Ongaeshi, Mononoke Hime, Jin-Roh, Paprika, Roujin Z, Naruto the movie, Agent Paranoia, etc.

sexta-feira, junho 26, 2009

Michael Jackson, agora, todo mundo gosta...

Até ontem, Michael Jackson era tema de piadinhas maldosas, sobre pedofilia, etc. Para muita gente, era um assunto constrangedor e ignorado. Agora, todo mundo falando de Michael, de quanto gostavam de sua música e tudo mais.
Eu mesmo já tinha me desligado de Michael Jackson quando ele lançava o disco Bad. Eu até gostava da música Black Or White(do disco posterior ao Bad, o Dangerous), mas não foi o suficiente para eu comprar o disco. Hoje eu lamento a sua morte, pois me parece que ele ainda tinha algo à realizar em sua breve vida. Também pelo fato de que ainda não parecia ter encontrado sua felicidade, diante de tantos fatos expostos pela imprensa.
Mas a parcela popular está isenta de qualquer hipocrisia, pois eles nunca abandonaram Michael, mesmo com os ditos escândalos e muito menos pela sua estética musical. E sem contar com os fãs incondicionais, que o seguiriam independentemente se fosse Heavy Metal sua nova abordagem.
Aí vem aquela conversinha de sempre, dos intelectuais da música, a turma do "bom gosto", que começa a arrumar justificativas mais elegantes pelo gosto ao artísta. Da importância da produção de Quincy Jones, como se esta maioria estivesse consciente do trabalho de Quincy no disco. Outros falam do Off The Wall, sendo que a maioria nem ligava para Michael nesta época, mas como se tornou algo "cult" na nostalgia que assolou os novos clubes da cidade, todo mundo fala que gosta. Depois tem uma parcela mais crônica, que nem havia nascido ou era apenas bebê, que só considera a fase do Jackson 5, dando um ar "vintage".
Agora começaram os depoimentos de vários artístas mais "descolados", "cool", alegando a importância de Michael em sua música, sendo que grande parte à tempos atrás, tinha vergonha de confessar que no auge do modismo, comprou o disco Thriller de Michael.
Me lembro que em 1985, junto com meus amigos metaleiros do bairro, quebramos nossos discos de Thriller, num ritual de abominação à música pop. Não me arrependo, pois lembro que me divertí com aquela arruaça.
Espero que Michael estivesse em paz em seus últimos momentos e esteja em paz agora.
Beat it ainda é uma das minhas músicas preferidas.

quinta-feira, junho 25, 2009

Beatles "forévis"?

Ainda me lembro dos longinquos anos 80, precisamente no ano de 1982, o ano que estraguei meus dentes comprando chicletes para completar o album de figurinhas da respectiva copa mundial, onde a seleção canarinho foi abatida e me desliguei do assunto futebol para sempre, mas não porque a seleção perdeu, mas porque achei que estava perdendo tempo me dedicando ao futebol. Também começou com a morte de Elis Regina logo em Janeiro, lembrava dela na tv e de suas músicas que sempre estavam nas rádios. Não compreendi a sua morte, este assunto era muito confuso para um menino de 9 anos de idade. Logo um ano depois estive com meu amigo na padaria que Elis costumava frequentar, que ficava na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, para tomar um refrigerante durante um passeio de bicicleta, mas foi por acaso, nem imaginava que antes poderia ter encontrado ela por lá.
Também foi o ano em que comprei meu primeiro lp e sem autorização dos meus pais. Fui em uma loja que ficava perto do colégio onde eu cursava
o primário com o dinheiro que meu avô me deu e pedí o disco Hey Jude, dos Beatles. Eu nem alcançava a prateleira, também não sei porquê gostei da capa do disco, com aqueles quatro sujeitos estranhos parados em frente uma porta. Também assistí o Yellow Submarine na sessão da tarde e gostei mais ainda. Os Beatles me acompanharam por todos os momentos da música, sempre na discoteca, independente do que eu estivesse ouvindo mais na época, seja no Breakdance, Heavy Metal, Acid House, Hardcore, etc. Com o tempo, selecionei melhor o repertório dos quatro de Liverpool e descartei a época mais yeah, yeah, yeah que a meu ver era uma espécie de Menudo da época. Sem dúvida eu me concentrei mais na época do Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, Yellow Submarine e Magical Mistery Tour, que foram as mais criativas para mim. Muitos falam do White Album, que é o melhor de todos, mas eu não acho, as experiências sonoras alí sempre me soaram um tanto enfadonhas. O Let It Be, mesmo contendo faixas lindas como a própria título, achava um disco deprimente, com o clima de ruptura da banda. De vez em quando eu ainda ouço uma coisa ou outra, mas não como antes, ainda gosto dos Beatles, mas eu já assimilei sua arte, está na minha memória. Confesso que um pouco do brilho se ofuscou depois que tive contato com o Pet Sounds e Smile dos Beach Boys, numa comparação mais próxima entre gêneros. Também gosto de um pouco da carreira dos ex-integrantes, como a música de natal de John Lennon e a parceria de Paul McCartney com Stevie Wonder.
Hoje em dia os Beatles são bem mais uma mercadoria do
que outra coisa, chegando ao ponto de fazerem um video game de última geração os usando como tema. As discussões em meios de comunicação chegam em níveis de qualidade altamente suspeitos em termos de qualidade, como futilidades sobre numeração de discos, fora as eventuais "fofocas".
O problema aqui é o absolutismo em torno dos Beatles, numa equivocada atribuição de mérito em muitos fatores da música e a indústria. Lí recentemente em uma publicação uma jovem pessoa atribuir o pioneirismo do formato videoclip à eles. Se a pessoa se auto denomina jornalista, deveria rever seus conceitos ao publicar uma afirmação destas. Pais, donos de lojas de discos, editores de revistas, livros e fanzines, devem ser mais coerentes e não ficar impondo suas paixões à juventude, que estão mais certos gostarem de artístas contemporâneos, mesmo que sejam de qualidade "inferior", afinal, os Beatles já foram os Jonas Brothers de sua época.

segunda-feira, junho 22, 2009

O desenho de Takashi Nemoto e Carlos Marçal

Poderiamos perder grande tempo numa tentativa em vão de teorizar o que leva certas pessoas produzirem sua arte. Muitas vezes o próprio artísta não consegue definir suas razões. Teóricos apelam para pseudo-ensaios sobre psicanálise tentando justificar sua análise sobre as obras de arte e seus artístas criadores, mas quase sempre são declarações suspeitas, muito passivas de enganos e desperdício de tempo e vaidade do intelecto.
Mas o intrigante aqui é a proximidade da estética e talvez até no conceitos nestes dois indivíduos que são contemporâneos, mas tem realidades completamente distintas, ainda com uma distância de hemisfério que os separa em um dia de vôo de avião: Takashi Nemoto e Carlos Marçal.
Nemoto é um conhecido do mangá no Japão, seu estilo é bem agressivo e totalmente oposto ao que a maioria das pessoas entendem por histórias em quadrinhos japonesas, como Naruto, Clamp, etc. Seus contemporâneos no Japão são Suehiro Maruo e o americano Gary Panter, numa linguagem que se convencionou de chamar underground, contra-cultura, subversiva.
Carlos Marçal não tem um nome ou curículo nos quadrinhos brasileiros, é amigo do Schiavon que já publicou várias obras em quadrinhos no Brasil quando tomou uma certa forma o quadrinho underground brasileiro no fim dos anos 80. Talvez Marçal tenha se influenciado na produção gráfica de seu amigo que o encorajou a continuar desenhando.

É muito interessante como duas pessoas que nunca se viram e pelo menos até agora que eu saiba, também nunca viram um o trabalho do outro, mas suas estéticas e talvez até em algum conceito se assemelhem tanto.
Blog de Carlos Marçal: http://mestrismo.blogspot.com/
Site de Takashi Nemoto: http://www011.upp.so-net.ne.jp/

sexta-feira, junho 19, 2009

Disco de vinil: o culto à anti-cultura

Mais uma vez este assunto está em pauta. Ontem mesmo havia um programa de debate em um conhecido canal de UHF que é direcionado ao mercado do produto musical. A grade de programação é dedicada em grande parte na promoção destes produtos no formato conhecido como video clip. Existem programas que pretenciosamente são ditos como culturais, mas qualquer pessoa que tenha uma real noção do que um dia foi denominado cultura, como livros, artes em geral, sabe que o conceito se deteriorou.
Mas voltando ao foco sobre a tentativa da indústria fonográfica de recuperar a grande margem de lucros através de um formato de mídia ultrapassado, muitas pessoas supostamente
especialistas tem dado declarações que meramente são opiniões pessoais sem nenhum fundamento sólido.
Recentemente também foi publicado uma matéria em um jornal provinciano paulistano, um artigo com ares de pesquisa científica sobre a suposta qualidade superior do disco de vinil em relação as atuais midias digitais. Produtores de música eletrônica, músicos de rock e dj's que foram e são expostos à uma quantidade abusiva de decibéis que um aparelho auditivo humano pode suportar, foram usados como referência para constatar esta diferença. Você confiaria na opinião de alguém assim? Levando em conta que o ser humano já começa perder gradativamente sua precisão auditiva desde o seu nascimento sem contar com a exposição de decibéis abusiva.

A tabela ao lado mostra os níveis e limites de exposição.
Bem, então é óbvio que estas pessoas não poderão detectar com precisão a diferença nos cortes de frequência no processo digital de gravação. 90% das pessoas que se submeteram aos testes de diferenças entre o cd e o lp só notaram a diferença por conta do ruído do atrito da agulha do toca-discos nos sulcos do vinil. Não vou me alongar nesta questão técnica, uma pequena parte já tinha comentado num post anterior e a maioria das pessoas acaba se influenciando por este tipo de comentário que na maioria das vezes não tem fundamento seguro em termos científicos.
Então chegamos em outro ponto: a preferência pessoal que supera a apreciação da obra artística principal: a música. Muitos defensores do vinil alegam também que perdem o prazer de desfrutar da capa, do encarte, num típico sintoma da cultura material, do tamanho. A maioria dos projetos gráficos não exige um formato de 12 polegadas para apreciar os detalhes da capa. Existe a questão da limitação de duração das faixas que já tinha comentado sobre os horríveis fade-in e fade-out nos discos de John Coltrane e Pharoah Sanders.
Mas tudo isso é uma questão inútil, um enfado, pois as pessoas querem acreditar em suas próprias opiniões, mesmo que algum dia elas se arrependam de certas decisões tomadas de forma radical, como tatuar o nome de uma pessoa que se apostou num relacionamento duradouro, mas não durou mais que 3 meses. Ainda bem que a cirurgia estética à laser está aí, imagine se fosse vinil...

sexta-feira, junho 12, 2009

Oficina de bateria na Improvisação Livre com Antônio Panda Gianfratti (27 e 28/06/2009)

* foto acima: c/ Han Benninck no Zaal 100 em Amsterdan, 2009
OFICINA DE BATERIA NA IMPROVISAÇÃO LIVRE

Com o percussionista e baterista conhecido como panda, com ampla atuação no cenário da improvisação livre. A oficina é aberta não apenas a bateristas e percussionistas, mas a interessados nas possibilidades de interação com esses instrumentos.
Serão abordadas técnicas extendidas, transições timbrísticas, desenhos e rituais, fraseado ritmico e ligaduras (utilizadas no Free Jazz ), idéias de composição de sets, técnica de dois bumbos e interação com os outros instrumentos.

Dias 27 e 28 de junho (sábado e domingo), das 15h às 18h.

Investimento: R$50,00.
Carga horária: 6h.

Inscrições: mandar e-mail para ibrasotope@gmail.com com o assunto "inscrição oficina de bateria". O e-mail deve ter as seguintes informações: nome completo, contato e pequeno texto sobre o que motivou a fazer a oficina. Detalhes de pagamento serão informados.

Antônio Panda Gianfratti - Baterista e percussionista contemporâneo

01. The Silver Strings: Vencedor do primeiro concurso de Rock Instrumental Brasileiro, organizado pelo radialista Miguel Vaccaronetto, da radio Record.
02. The Beatnicks: Grupo oficial da Jovem Guarda, responsável pelo acompanhamento de Roberto Carlos, Wanderléia, Erasmo Carlos e outros artistas deste movimento.
03. Triferente: Trio de Jazz e Bossa Nova, queacompanhava em shows artistas como: Paulinho Nogueira, Vera Brasil, Jorge Ben, Taiguara, Simonal, Altemar Dutra, e outros.
* Curso de percussão afro-jazz pela University South Florida, na cidade de Tampa Bay – Flórida em 1969. Depois de concluir o curso viaja para New York, onde vive por um tempo estudando e tocando jazz com músicos americanos. Regressando ao Brasil, começa a atuar na noite musical, trabalhando com diversos cantores de renome tais como: Amelinha do Recife, Sargentelli, Roberto Luna e outros.
04. Jazz Acoustic: Projeto que se utiliza de formações de trios, quartetos e quintetos. Onde participam grandes músicos como: Samuel Khuri Jr, Arnaldo Haickel, Lani Gordon, Cleiber, Vinicius Dorin, Boccato, Felipe Lamoglia (cubano), Pepe Cisneros, Zohio, Itamar Colaço, Chico Pinheiro, Pichú, Victor Campbell e muitos outros.
05. Billy Hart: Projeto no qual participa em duas faixas de disco produzido nos EUA, grava a bateria no Brasil no estúdio A Máquina do Som. Primeira faixa: Ralph’s Piano Waltz by John Abercrombie (guitar), Rufus Reid (bass), Antonio Panda Gianfratti (drums). Segunda faixa Day & Night Theme based on Cole Porter song’s - Night and Day,
Bill Dobbins (piano), Ron McClure (bass), David Liebman (sax soprano), Louis Smith (flugelhorn), Antonio Panda Gianfratti (drums).
06. Em 2006 funda o Trio Kyodushin: Grupo que faz releitura atual de grandes musicas, mas utilizando cores timbristicas das mais variadas matizes, organicidade e tempos construidos de maneira improvisativa , quase sempre surpreendentes e tudo isso mantendo a essência e características da música , neste projeto tem prestados serviços ao Hotel Intercontinental de SP eventos especiais e musicalização de ambientes, como também para o Clube Paineiras do Morumby no qual foi eleito o melhor grupo instrumental de 2008 , e outros importantes clientes como Hospital Nove de Julho, Laboratórios Torrent do Brasil e Unifesp.
07. Improvisação Livre: A partir de 1999 resolve dedicar-se inteiramente à música improvisada, juntamente com seu parceiro, o jovem saxofonista Yedo Gibson. Gravou alguns CDs com músicos internacionais.
08. Fundou o grupo de Improvisação Livre ABAETETUBA em 2003 , com o qual vem se apresentando
dentro e fora do Brasil e inserindo este genero musical no cenário nacional e internacional.

CDs Produzidos

01. Liberdade – Duo Antonio Panda Gianfratti e Yedo Gibson – 2003;
02. Vulcano – Trio formado por: Stephan Bleier (doublé bass – Germany), Yedo Gibson (tenor e soprano sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004;
03. Contra Mão – Trio formado por: Ruben Ferrero (piano – Argentina), Yedo Gibson (tenor sax), Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004;
04. Antonio Panda Gianfratti – SOLO – Times, Timbres e Textures – 2004;
05. Abaetetuba vol.01 – Sexteto formado por: Renato Ferreira (bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax), Luiz Gabriel Gubeissi (bass), Fabio Bizarria (tenor, soprano sax e flauta), Yedo Gibson (tenor sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums, vibraphone e pianica) – Lançamento do CD no “Teatro Garagem” juntamente com a apresentação da atriz Anette Naiman em junho/2005;
06. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.01 – Thomas (rabeca e soprano sax) e Panda (small percussion e eletronics). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005;
07. Abaetetuba vol.02 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, vibraphone, cymbalophone, berimbaphone e trumpet), Renato Ferreira (clarinets, bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax, trombolone). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005;
08. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.02 – Thomas (rabeca e sax soprano), Panda (percussion, cymbalophone, berimbaphone e recotronic) – 2006;
09. Abaetetuba vol.03 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, cymbalophone, berimbaphone, bells), Renato Ferreira (tenor saxofone, doublé bass), Rodrigo Montoya (violão e sax soprano). Participação especial na faixa 01 Thomas Rohrer (rabeca e sax soprano) Lançamento do CD no projeto “Sexta-Básica” na Casa das Rosas – 2006.
Weston, Mattos, Gianfratti, Gibson – Quarteto - Gravado em Welvyn Garden City (Inglaterra). Veryan Weston (piano), Marcio Mattos (double bass and eletronics), Antonio Panda Gianfratti (small percussion), Yedo Gibson (saxes and clarinets) – 2006;
10. Abaetetuba / Thomas Rohrer / Marcio Mattos Antonio Panda Gianfratti (percussão contemporânea), Renato Ferreira (saxofone tenor, clarinete e contrabaixo-acústico), Rodrigo Montoya (violão e shamisen), Luiz Gabriel Gubeissi (voz), Thomas Rohrer (sax soprano e rabeca), Marcio Mattos (violoncello). Out-2006. *Previsão de lançamento do CD no período de 2007 e 2008 no Brasil e em Londres.
11. DUO: Rohrer & Gianfratti, gravado no início de 2007. Thomas Rohrer - sax soprano e rabeca, Antonio Panda Gianfratti – percussão contemporânea e vibrafone.

Peças de percussão contemporânea criadas e desenvolvidas originalmente por Antonio Panda Gianfratti:
Cymbalophone, Berimbaphone, Bambuphone, Recotronic, Zyncophone, Panatronic, Cabacello.

quinta-feira, junho 11, 2009

A cultura automobilística no Brasil (estão ensinando bem a criançada...)

Muitas pessoas vão dizer que é radicalismo, mas se pararem para refletir sobre este assunto, talvez encontrem sentido para este ponto de vista. A imagem acima é de um filme de animação em 3D que esteve pelo circuito de cinema e até já foi veiculado na tv aberta. Muita gente gostou do filme, tem todos aqueles apelos para cativar as crianças e os adultos, para aprovarem o consumo pelos seus filhos. Mas existe aí uma mensagem inclusa que não é lá muito saudável: o gosto demasiado pelos carros. Não é de hoje que isso acontece, nem existia a animação 3D mas tinha um fusca que só faltava falar. Desenhos animados com corridas de carros e outros carros personagens que foram produzidos por uma cultura do automóvel. Não se pode afirmar categoricamente que estas produções foram encomendadas pela indústria automobilística, já para "educar" os futuros consumidores de seus produtos, mas esta suposição não seria absurdamente surreal. Eles já tinham este valor cultural no que era só um meio de transporte, as cidades giram em torno do culto aos automóveis, chegando ao ponto de existir uma cidade com o apelido de Cidade do Motor.
E os pais não deixam por menos ensinando estes valores aos filhos, valores machistas e consumistas que podem formar um adulto extremamente problemático no futuro. Como se não fosse o suficiente as armadilhas e lavagem cerebral do aparato das indústrias, com os mecanismos publicitários. O pai ensina o filho a gostar do carro como se fosse um ente querido, passando boa parte de uma manhã de fim de semana lavando e embelezando o carro, batizando até com um nome como se fosse um ser vivo. Incentiva a criança a gostar de assistir corridas de F1, stock car, ao invés de buscar outras atividades (isto também acontece com o futebol, que deixa de ser um simples esporte e se torna uma seita religiosa). Já ví pela tv pai e filho que vão a diversos lugares para admirar, tirar fotos de carros feitos pela Ferrari. Você acredita mesmo que esta admiração não causa nenhum dano? O sujeito vai passar a vida toda se conformando em olhar, tirar fotos, quando em especial vai no salão do automóvel e consegue sentar ao volante no stand de exposição e vai se conformar com isso? Pior é que vai, pois a esmagadora maioria das pessoas não possui pelo menos U$ 400.000,00 para comprar o brinquedinho. E isso gera uma frustração interior e um conformismo por não ter outra solução, já que não dá pra ficar milionário num piscar de olhos.

E a triste realidade para estas pessoas e também seus filhos, muitas vezes é se muito, possuírem um carro como o das fotos abaixo:

O mundo do consumo não tem misericórdia de ninguém, ou você tem ou não tem e ainda classifica você em uma escala de A à E, não importando quem você seja de fato. Um objeto que era para ser um benefício, para facilitar a vida de uma pessoa, acaba se tornando sua fonte de frustação e infelicidade e isso que não estou levando em conta que um veículo motorizado nas mãos erradas e despreparadas, pode se tornar tão eficiente quanto uma metralhadora AR-15 ou Kalashnikov 47.
Os mesmos que reclamam do trânsito em São Paulo, muitas vezes compram 3 carros para burlar o rodízio de veículos e incentivaram seus filhos a cultuarem os carros. E depois falam de sustentabilidade, qualidade de vida...
 
 
Studio Ghibli Brasil