quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Equívoco das Indias e os dejetos da rede grobo

Novela já não é de longe a melhor opção de lazer, mas muita gente deixa de fazer coisas importantes para acompanhar os melodramas. Um sintoma grave da alienação eu mesmo pude presenciar, pessoas acreditando que novelas de época são o retrato fiel de um país naquele período que foi usado como tema, como se fosse um documento histórico. Muita gente acha que a imigração no Brasil foi como na novela das 20h... (?!).
Agora a nova polêmica é sobre esta nova novela que é ambientada na India. Eu ví uns trailers e já achei engraçado os indianos com sotaque carioca, valeu? Depois o que me chamou a atenção foi a matéria publicada no Jornal Da Tarde falando do equívoco cometido pela autora, Glória Perez.
"Os dalits não são mais pessoas discriminadas na Índia. A autora precisa atualizar essa novela, tudo o que vejo lá é de, pelo menos, 60 anos atrás. Nós indianos ficamos aflitos em ouvir as gírias erradas. 'Badi', por exemplo, que é usada em referência ao pai, está errada. 'Badi significa balde, 'Babadi' que significa pai", patrulha Dinesh Rajput, de 36 anos, que vive no Brasil há 11 anos
.
"Eu acabei de chegar da Índia, e as coisas não são como é mostrado na novela. É tudo muito desatualizado.", segundo Kiran Patil, sobrinho de Bianca Shiva Nandini, monja e presidente da Associação Cultural Brasil Índia.
Bhuvana Mohandas, 63 anos, que viveu 11 anos como monge na Índia, reforça que toda novela é um exagero da realidade. "Não dá para julgar a Índia por uma novela, assim como não dá para julgar o Brasil a partir de Cidade de Deus. A novela oferece a primeira impressão da Índia e mostra uma abordagem superficial do país e de sua cultura. Existem muitos caminhos para as Índias."
Pra variar a "humildade" brazuca:
Glória Perez, por sua vez, insiste em que a pesquisa feita por ela e sua equipe, em sites de relacionamento e blogs, é fiel à realidade atual do país.

É isso aí pessoal, este é o nível de pesquisa que nós temos aqui...

PS.: Na boa é bem melhor ler um livro, dar um passeio do que ficar assistindo novela, mas como disse um amigo, pra quem é tá bom demais. Isso é muito triste, me ajuda aê Datena, pô!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Vandermark 5, Elastic Arts Foundation 25/01/2009


Ken Vandermark (bar, ts, cl)
Dave Rempis (ts, as)
Fred Lonberg-Holm (clo)
Kent Kessler (b)
Tim Daisy (d)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Milford Graves

Até pouco tempo atrás, este nome era desconhecido no Brasil e inclusive no mundo. Lembro-me que à 10 anos atrás, só ouvia falar de Graves em publicações especializadas estrangeiras, de suas gravações com Albert Ayler e o lendário New York Art Quartet. Dentro do contexto de uma sessão de improvisação de Free Jazz ou uma composição, não identificava tantas diferenças nos aspectos percussivos da bateria para cada músico. Mesmo músicos que possuem personalidades bem distintas, como o pioneiro Sunny Murray, Andrew Cyrille, Denis Charles ou Steve McCall, existia um, digamos, certo "padrão" em seu melhor sentido, nas gravações e performances do Free Jazz norte americano nos anos 60. Talvez de um modo bem simplório poderíamos detectar pelo menos no timbre uma diferença mais destacada no som de Graves, uma sonoridade mais fragmentada do que a maioria dos bateristas, mesmo em comparação à Sunny Murray, a ausência do som da esteira na caixa, o timbre mais seco, pois Graves não utiliza pele de retorno em toda sua bateria. Percebe-se que alí não está diretamente ligado às tradições da bateria no Jazz. Tem muito mais ligação com os tambores tocados com as mãos, outros instrumentos de percussão, padrões rítmicos fora do Jazz. Graves acabara de lançar seu disco solo pela Tzadik, o Grand Unification e uma entrevista sua que fora publicada numa revista específica para bateria e ele falava sobre esta gravação. Fiquei interessado nas suas concepções sobre percussão, mesmo que algumas me parececem absurdas, como cura pelo som dos tambores e física quântica. O Grand Unification ele dizia ser a junção de todas essas teorias e conceitos sintetizadas nesta gravação. Por oportunidade lá estava o cd de Graves jogado na prateleira da Fnac, com um preço bem alto e um nome desconhecido. Como já ouvia falar do talento espantoso de Graves, não temí comprar o disco e não sentí a necessidade de ouvir antes de comprar. Realmente foi um grande impacto, pois Graves é um verdadeiro artísta e se doa à música e isso se reverte em um trabalho extremamente tocante. Sua capacidade é surpreendente, que não parece que ele está fazendo tudo aquilo sozinho. Graves tocando seus tambores e pratos parece uma tempestade, uma avalanche. Alí eu percebí suas raízes, das quais ele dissera em sua entrevista: a música cubana. Milford Graves tocava congas e timbales, em sua juventude tocava em uma banda de salsa com Chick Corea, gravou com Montego Joe. Em suas gravações se percebe a utilização dos padrões rítmicos cubanos e consequentemente africanos mesmo em uma peça tão "abstrata". Graves também disse que não se interessava pela bateria no Jazz por achar monótono o jeito de tocá-la, até que ouviu Elvin Jones com Trane, tocando My Favourite Things, onde descobriu mais liberdade rítmica, pois esta composição é uma valsa em 5/4, com as divisões modernas que tomaram forma com Kenny Clarke. Posteriormente a cultura oriental teve grande influência na vida de Graves, estudou tabla em 1965 com Wasantha Singh, se tornou mestre em artes marciais, herbalista, acumputurista. E lógicamente isso refletiu em sua maneira de fazer música, tanto que isso está evidente na gravação Grand Unification. Essa mudança é nítida se compararmos suas gravações com Ayler e New York Art Quartet como também sua Percussion Ensemble com Sunny Morgan e o Dialogue Of The Drums, com Andrew Cyrille. Sem dúvida Milford Graves é um talento único na percussão.

Ouça Milford Graves com o New York Art Quartet

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A Jeannie é que é um gênio!

Polêmica Zorn:
"Para começar, esta historia de genio multifacetado não existe, não passa de um mito.
Unico, historico e ultimo genio multifacetado q conheço é Da Vince. Até o Picasso, considerado o genio da pintura seculo 20, vá ver as esculturas dele. não passa de lixo. Exemplos mais proximos, vá ver os moveis do Oscar Niemayer, lixo. Atualmente em exposição no Rio, pinturas e tapeçarias do Burle Max, considerado genio do paisagismo. Concordo, mas as pinturas, tapeçarias e paineis do B Max não passam de lixo, chega a ser constrangedor olhar os trabalhos, do tipo qq professor primario daria 0 nos trabalhos. Acho q qq artista deveria ter um minimo de senso critico. Gravou uma experimentação, não ficou bom, guarda como registro pessoal. Não quero, e não tenho saco para ficar ouvindo 50 gravações de um determinado musico para garimpar alguma coisa q preste. Esta tarefa é do musico. Quando baixo qq material do Parker, Powel, C Brown, Coltrane, McLean, H Silver, Monk, M Davis, Mingus, A Shepp tenho a certeza da qualidade do "selo", no mínimo é bom, podendo ser genial. O sujeito, no minimo, precisa de humildade para dicernir. E não lançar qq merda achando q a gente vai engulir aquela porra."

Perdão, essa não podia deixar escapar, como eu disse no post anterior sobre os anos 80, precisei refletir sobre estas declarações acima, que estão numa comunidade de discussão sobre Jazz no orkut. Ainda bem que certas coisas só circulam como opiniões pessoais periféricas na vasta rede digital, pois se isso vira ítem até de wikipedia (que é imprecisa), algum desinformado vai acreditar que é verdade.
1. É um tanto descabido comparar o Da Vinci neste contexto, pois o que está sendo debatido é sobre a genialidade(chega desse troço de gênio, por misericórdia!) multifacetada dentro dos músicos de jazz, sim independente de opiniões estritamente pessoais, Zorn tem formação no jazz, ele pode tocar o chamado "straight-ahead jazz" com emoção e maestria se ele quiser. Sobre Picasso, o objetivo de muitas de suas esculturas, não é o aspecto formal, como a cabeça de touro com peças de bicicleta, o ready-made. Seria enfadonho só existirem obras renascentistas. Sobre o arquiteto de Brasília, se observarmos a arquitetura no espectro mundial, ele está longe de ser a cereja do bolo. Quanto ao Burle Marx, pode ser lixo para muitos e outros tantos podem achar bom, isso é uma questão de gosto pessoal;
2. Onde está a liberdade de expressão? Quem disse que a experiência não ficou boa? Só porque alguém não apreciou o resultado, isso não quer dizer que o objetivo não foi alcançado. E outra, o Zorn gravou suas experimentações pela sua própria gravadora e não ameaçou ninguém com uma metralhadora israelita Uzi a ninguém consumí-las.
3. Mesmo grandes artístas do Jazz, como Bud Powell gravaram material dispensável, por questões contratuais. Vejam o caso de Archie Shepp, que gravou pela Denon discos que são fracos em comparação a sua obra. O aclamado Ballads de Coltrane e o disco com Johnny Hartman foram gravados por obrigação contratual e não por vontade de Trane e isso não quer dizer que sejam discos ruins. Mas no contexto artístico, da criação, são dispensáveis e não expressam o melhor do artísta. Miles Davis então, mesmo sendo ótimos discos, muitos deles não há uma sessão que não tenha sido editada por Teo Macero, por conta da debilitação técnica de Miles por conta das drogas, muitos solos inteiros são uma colagem de várias sessões diferentes. Fora que nos anos 80 Miles gravou discos fracos em relação a sua obra, pois precisava se manter no mercado.
4. A verdadeira humildade para dicernir é respeitar a obra, principalmente se a pessoa nem tem a capacidade de fazer algo tão bom ou ruim quanto. Eu me coloco como um mero exemplo disso, o próprio Zorn tem muita coisa que eu acho chato mesmo, mas por meu gosto estritamente pessoal e não acho que seja um lixo, simplesmente não gosto. Milhares de pessoas acham a Ivete Sangalo o máximo e até genial (...), mas eu não vou perder o tempo tentando denegrir o talento da cantora, simplesmente é um universo paralelo para mim.
5. Se a comunidade é focalizada no estudo e crítica do Jazz, no mínimo a pessoa deveria ter mais paciência para fazer uma pesquisa mais profunda, principalmente se fizer uma crítica negativa. É necessário ter uma sólida argumentação para afirmar categoricamente sua análise. Se não fica uma coisa infantil (que um professor primário daria nota zero) do tipo: "Eu não gosto, é feio!". Eu não vou me envolver num debate sobre Javon Jackson enquanto não houver algo no trabalho dele que me desperte interesse. Mesmo quando um debate me leva a pesquisar sobre um artísta que não conheço, como a Anat Cohen, não vou depois sair dizendo que é um lixo, pois isso não é verdade, o mesmo vale para o Frank Aguiar. Eu simplesmente não gosto e o tempo que eu gastaria pensando e falando mau de algo eu uso anunciando as boas novas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Saudosa maloca, cuidado com a nostalgia!

É inevitável, mas toda vez que ouço uma declaração enfática que tenta definir fatos de maneira tão conclusiva, isso me inspira uma reflexão. O artísta Edgar Scandurra afirmou que se precisa passar 20 anos para reconhecer a genialidade (mais hein, outra vez esse troço de gênio?) na produção musical dos períodos antecessores. Bem, se as pessoas que não vivenciaram a época por mera questão de compatibilidade cronológica, isso acontece mesmo, e existem pessoas que simplesmente ignoram o que veio antes e preferem consumir a música contemporânea. Já faz um tempo que se fala dos anos 80, desde o início dos anos 90. Criou-se até artifícios para desfrutar da produção dos anos 80 de forma que tenha um certo glamour, status ou qualquer coisa dispensável como estas. É o chamado "trash" ou "cult", dentro do "revival". Até perto da minha residência existe uma casa noturna dedicada aos anos 80, onde moças e mancebos que já passaram dos 30 podem se deleitar na pista de dança ao som dos hits dos anos 80, sem culpa, pois até Menudo e Xuxa entram na fita. Isso acontece desta forma como em uma festa do clube dos "easyriders" brazucas, onde os durões na resistem ao refrão do Village People, com direito a coreografia. Mas tem muita coisa que era odiada simplesmente porque não era de qualidade e hoje muitos procuram resgatar, como filmes, desenhos animados, seriados, além da música. E é aí que a coisa fica estreita, pois muitos perdem suas referências por saudosismo. Eu particularmente aprecio a música o filme, etc, simplesmente pela obra em sí, não como um mecanismo de nostalgia, não é porque foi de uma boa época, é que vou gostar.
O que vejo de interessante nos anos 80 na música, é diretamente ligado à tecnologia. Os artístas estavam experimentando ferramentas realmente novas para criação, os equipamentos eletrônicos, digitais, como os sintetizadores e novos processos de gravação e produção. O sintético refletiu não só na música, mas em tudo, como nas roupas. Muita coisa eu achava feia mesmo em sua época, como penteados melecados com o tal do New Wave Glitter Gel, blazers com cores cítricas, a Eletric Band do Chick Corea...
O engraçado é que no jetset sempre é necessário um compendio teórico para justificar os gostos pessoais de cada um, sempre há uma análise semiótica para justificar uma pessoa que comprou o disco do Kajagoogoo na Benedito Calixto.
PS:
Este post foi escrito ao som de Bauhaus, Tony Macalpine, Byrds, Helloween e The Human League.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

John Zorn ou Mallu Magalhães, quem me concede três desejos?

Nos últimos dias numa pequena comunidade sobre Jazz no orkut, o questionamento sobre a genialidade do saxofonista, improvisador e compositor John Zorn me chamou a atenção. Assim também sobre o que lí e ouvi à respeito da Mallu Magalhães, a qual realmente não sabia nada sobre seu trabalho musical. Estes dois artístas que pertencem a universos tão distantes um do outro partilham do mesmo questionamento: Afinal, são ou não são genios?
Em tempos mais rígidos, este título era atribuído a pessoas como Franz Lizt, Mozart, Edgar Varese, Pierre Boulez, Frank Zappa, Jimi Hendrix, etc.
Mesmo recebendo premiações de instituições como a MacArthur Foundation, que contempla poucos músicos em meio de cientistas(os quais são os estereótipos de gênio), educadores, Zorn não passa de um desconhecido para a maioria das pessoas ou apenas um nerd do underground com fama de chato e barulhento. Mas nos abstendo do que dizem por aí, é fato que Zorn é um artísta criativo e extremamente inteligente. Sua produção artística é assustadoramente abundante e rica, mas isso não o isenta de produzir trabalhos chatos. Sua precisão e destreza no saxofone proporciona-lhe total liberdade de expressão. É dotado de conceitos bem desenvolvidos e coerentes na sua obra, mesmo que 99% das pessoas o ignorem e achem uma bela porcaria.
A Mallu Magalhães ainda é uma menina, com 16 anos ganhou a fama e tomei conhecimento dela pelo costumeiro bombardeio de baixo nível da mídia sobre sua vida pessoal. Depois descobrí que sua música era trilha sonora de algum produto vendido pelos anúncios na tv. Aí tem esse lance da redescoberta da folk music norte americana, inventaram um troço que chamam de "indie folk"(mais hein?!). Realmente fiquei intrigado sobre as declarações sobre esta moça de 16 anos que dizem ser um gênio, extremamente madura, que fala, pensa e age com mais maturidade do que muitos que passaram dos 30...
Então eu assistí uma entrevista com Mallu e me pareceu uma pessoa simpática e sincera. Bem, sua música eu particularmente não ví nada de genial, também não achei ruim. Suas melodias são muito familiares se você tiver um bom repertório musical na memória. Muitos adoram a Mallu e outros tantos a odeiam. Sei lá viu, deixa ela fazer a arte dela, para mim é um mundo distante da minha realidade.
Mas é uma discussão que não vai acabar hoje, muito menos amanhã, nunca haverá uma lâmpada para esfregar e receber os tais dos três desejos e não há Zorn ou Mallu que possam realizá-los.
Uma "apóstrofe": " ...
look here brother
Who you jiving with that cosmik debris? ...Look here brother, dont waste your time on me"

domingo, janeiro 25, 2009

São Paulo 455

455 anos e esta cidade ainda não aprendeu a ser mais justa. São Paulo, feliz aniversário, mas os meus pesares também...

terça-feira, janeiro 20, 2009

S.O.S. David S. Ware

O saxofonista David S. Ware infelizmente precisa urgentemente de um transplante de rim, após nove anos de tratamento. O doador precisa ter boa saúde, sangue tipo O, tanto positivo quanto negativo, ter menos de 60 anos, não ter diabetes e pressão alta.
Assim que possível, o transplante será realizado no Robert Wood Johnson University Hospital in New Brunswick, NJ.
Site oficial de David S. Ware: http://www.davidsware.com/

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Como se dizia antes, não está na hora de virar o lado do disco?

Já tem gente começando o ano de 2009 com o pé na cova... Mas isso é no sentido figurado em relação à música e em São Paulo particularmente. São sites, blogs, comunidades do orkut, etc., abordando o assunto Miles Davis. Como recentemente foi publicado o livro sobre a gravação do disco Kind Of Blue, o assunto voltou com mais frequência do que já é costume. Para os fãs de Miles e os que acham que ele é mais que um mero ser humano, já explico que não odeio ele, inclusive tenho uma boa parte de sua discografia, reconheço seu talento e realmente aprecio muitas de suas composições, mas não tenho uma imagem idealizada e romantizada de um Miles Davis is god, como muitos afirmam. Também já abordei o tema em sí e este não é o momento e nem a minha vontade retomar um assunto tão bem digerido, bem publicado, bem documentado, bem registrado, como é Miles Davis, desde fascículos de banca de jornal, dvd's e luxuosas box set's com gravações inéditas.
O que me levou a falar sobre isso foi ter visto justamente o que escreví no começo do post, nem começou o ano direito e já estão falando do ilustre de novo, só que sem nada que possa acrescentar algo realmente relevante e substancial. Tudo bem, é o livre arbítrio, pois cada um escolhe no que gasta seu curto espaço de tempo em carne e osso neste planeta. Tem pessoas que só ouvem a música de Johnny Mathis, outros só Beatles, etc e etc.
Só creio que seja um desperdício de oportunidade. Se privar de descobrir coisas novas e isso nem sempre quer dizer que se tenha obrigação de só ir atrás de no caso especificamente, trompetistas de Free Jazz ou Neo-Bop. Até o bem conhecido Lee Morgan desperta pouco interesse, talvez por ignorância e principalmente em sua melhor fase, no fim dos anos 60 e início dos 70. Mas também podemos descobrir trabalhos preciosos, como o realmente desconhecido trompetista Dupree Bolton, que gravou nos anos 50 e o blog Farofa Moderna colocou em pauta.
Nem sempre não se mexe em time que está "ganhando", pois pode ser que só não está perdendo...

sábado, janeiro 10, 2009

Trava Fist Planet


Diretores: Katsuhito Ishii e Takeshi Koike
OVA em 04 episódios
Studio Madhouse 2003.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Freddie Hubbard on the other side...

Freddie Hubbard deixou muita música para ser lembrado pelo seu grande talento. Ainda conseguiu celebrar seus 70 anos de idade com o disco On The Real Side gravado em 2008. Que agora esteja descansando em Deus, na santa paz.
Muitos apreciadores de Jazz e músicos ultimamente tem falado a mesma frase: "É... eles estão indo embora...". A morte chega para todos, estamos só de passagem por aqui, mas isso não quer dizer o fim, principalmente para quem ainda tem seus anos para viver em carne e osso na Terra. Realmente os grandes artístas de uma era estão encerrando seu ciclo de vida, mas o renovo acontece, novos talentos surgem e o Jazz continua. Sem dúvida não vão aparecer músicos iguais ao Freddie, mas também sem dúvida já existem os que são tão bons quanto. Aliás não se deve fazer comparações neste nível, pois a música é interessante justamente se ela expressa bem a personalidade do músico.
É impossível esquecer de Freddie e sua corneta no Jazz, na música, quando os Messengers incluíram um trombonista pela primeira vez, Freddie estava lá. Quando Dolphy criou sua obra prima, o Out To Lunch, Freddie também estava, assim como em Free Jazz de Ornette Coleman e Ascension de John Coltrane, fora suas próprias gravações, como Blue Spirits, Ready For Freddie, etc. Hubbard deixou sua rica herança para a música e agora seguimos em frente com Wynton Marsalis, Corey Wilkes, Robert Griffin, Magnus Broo, Lewis Barnes, etc.
Obrigado pela sua música, Freddie.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Não retrospectiva 2008 e a música...

Aos 30 segundos do início de um programa de retrospectiva do ano, que é tradicional nos canais de tv, mudei de canal devido ao enfoque das tragédias ao longo de 2008. Lamentações e depois alguns momentos de alegrias para manipular os telespectadores. Logo teremos o "grand finale" com a contagem regressiva do fim de ano pela tv e muitos não aceitam o final do ano sem a contagem oficial do gorducho plin-plin.
Mas o assunto é a música. Não foi só em 2008, mas pelo menos nos últimos 3 anos muitas situações peculiares ocorreram neste campo artístico que trouxeram mudanças sociais. O chamado efêmero não é novidade à muito tempo, mas a duração das sensações ou hits de verão acompanham o rítmo dos equipamentos de informática. Hoje um pen-drive de R$15 tem o dobro de memória do meu computador que até pouco tempo era o top ten do momento.
Sábado passado estava numa feirinha que tinha uma barraquinha de cd's e na sessão de ofertas estava um cd duplo da V Recordings com Roni Size, Dillinja, Krust, Ed Rush, enfim a turma que "revolucionou", ou pelo menos disseram que iriam revolucionar a música. Aos poucos se tornou trilha sonora de propaganda de carros. Mas o cd duplo estava por apenas R$5, esquecido na sessão de ofertas. Isso me lembrou de um episódio do desenho animado Super Shock onde Virgil fala para seu amigo Richie: "Adam está num negócio difícil, hoje você é sucesso, amanhã está na prateleira de descontos...".
No seleto segmento dos modernos, o moderno é ser retrô. Samba da velha guarda, Sun Ra, John Coltrane, reggae, ska e dub. Mas há espaço para o chamado rap underground e o caluniado rock altenativo. Muito do rock alternativo também é retrô, usando artifícios da vanguarda do século passado.
Mas o Drum'n'bass e o Breakbeat não iriam mudar o mundo da música? Bem, pelo menos o mundo da música eletrônica acabou dando num, digamos, "electro vintage" meio capenga.
E quem manda é uma senhora de 50 anos à despeito de uma penca de cantoras de vinte e poucos anos que são tão genéricas quanto um refrigerante em oferta no supermercado.
Mas sempre foi assim, tanto que uma antiga banda de rock, o The Kinks, tinha uma música chamada Dedicated Follower Of Fashion, feita em 1966.
Quem se dedica a seguir as novidades e os hits de verão nunca se fartará. Sua sede nunca será saciada, correrá atrás do vento, sempre...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Madonna no Brasil

O grande momento histórico brazuca, a realização de um sonho para muitas pessoas (talvez nem tantas, você já viu o preço dos ingressos?). São nestas raras ocasiões que podemos testemunhar qual é a prioridade na vida de muitos, como a modelo brasileira radicada no exterior que volta à sua terrinha natal exclusivamente para prestigiar seu ídolo: Madonna. Madonna deixou de ser apenas uma cantora, uma artísta, já faz alguns bons anos, se tornou uma empresa, uma marca, um ídolo. A mídia brasileira dá mais destaque sobre sua boa forma física (mas ela não é cantora?) aos 50 anos, sua ligação com a kabbalah, etc. Ah é, tinha me esquecido, ela é uma celebridade e estes são os assuntos recorrentes da mídia, a música é apenas um mero detalhe. "Madonna é maravilhosa e poderosa!...". Esta afirmação não foi feita apenas por adolescentes fanáticas pela cantora, mas também por mulheres adultas. E este poder é tão presente que muitas destas mulheres elegeram Madonna como ídolo no sentido mais dogmático, chegando ao ponto de seguir seus passos (sim, pequeno gafanhoto, sim Daniel sam) na vida pessoal. Quando Madonna resolveu lutar boxe, muitas também o fizeram, quando resolveu partir para a "produção independente" (ter filhos independente de marido), também, quando ela se converteu ao judaismo, bem isso não é tão simples assim, não depende só do querer, adotar orfãos de países sub-desenvolvidos (esta também não é fácil) e agora a kabbalah (já saiu matéria em revista de mulher brazuca que está embarcando nessa).
Mas vamos falar de música. Hard Candy está longe de ser um trabalho ruim, muito pelo contrário, é bem produzido (aliás a produção se tornou o álibi de muitos artístas), as músicas são de qualidade como tem sido desde o disco Immaculate Collection. Em termos de meu gosto estritamente pessoal, eu parei no disco Like A Prayer. Mas deixando de lado as preferências pessoais, dalí em diante Madonna deixou algo muito precioso para trás, uma inocência e ingenuidade em seu jeito de se expressar cantando, não tem nada haver se ela buscou a ousadia em figurinos eróticos e letras ambíguas. A impressão que me dava, é que ela acreditava que sua música poderia mudar o mundo para um mundo melhor e este sentimento podia se notar quando cantava Holiday, Borderline, Into The Groove. Mesmo com amadurecimento de seu trabalho, algo desse sentimento estava em Like A Prayer, Spanish Eyes, provando que isto não se perde com tal amadurecimento, a não ser que a pessoa permita que isto aconteça. Madonna aprimorou seu produto artístico, sua voz, mas aí é que está a questão, ao evoluir deixou para trás não só apenas o visual que hoje consideram cafona, jaqueta jeans com desenho do Keith Haring, pulseiras de plástico colorido, deixou para trás aquele frescor de sonhadora descompromissada com o fardo de ser uma super estrela e isso era refletido no tom de sua voz. Como disse Ernesto: "É preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais...".

terça-feira, dezembro 09, 2008

Mongezi Feza

Mais um grande artísta injustiçado pelo esquecimento e falta de reconhecimento. Mongezi Feza nasceu em 1945 na Africa do Sul e se mudou para Europa em 1964, morando em London e Copenhagen. Entre suas influências estavam Clifford Brown e Don Cherry. Fez parte do grupo The Blue Notes, formado por Chris McGregor (piano), Dudu Pukwana (alto sax), Nikele Moyake (tenor sax), Johnny Dyani (baixo), Louis Moholo (bateria), participou do grupo de afro-rock Assagai. Também tocou com Robert Wyatt e o grupo Henry Cow, Evan Parker, John Surman, etc. Feza faleceu em 14 de Dezembro de 1975 aos 30 anos de idade, vítima de pneumonia e problemas psiquiátricos ignorados pelo serviço médico britânico, que muitos conhecidos dizem ter sido causa do agravamento da doença.

Ouça Mongezi Feza aqui.

domingo, dezembro 07, 2008

O Jazz se torna moribundo no Brasil

Este é um assunto recorrente simplesmente pelos fatos. Mesmo com a proximidade do fim da primeira década do séc.XXI, o gênero musical que se conhece como Jazz, que foi criado à praticamente um século, ainda é abordado por apreciadores brasileiros de forma um tanto peculiar. Muitos apreciadores, colecionadores, alguns músicos acabam se tornando uma espécie de críticos musicais, sendo que a grande maioria carece de uma formação realmente relevante para destilar seus textos, resenhas, críticas, análises na mídia. Com a democratização da mídia digital, que disponobiliza acesso livre, como sites pessoais, blogs, encontramos milhares de informações sobre música, sendo que parte considerável não é de fonte segura e precisa. Também grande parte dos textos não possuem uma análise empírica da obra e artísta, uma análise imparcial despida de paixões e opiniões pessoais, já que a proposta é compartilhar informações no sentido jornalístico. É impressionante como ainda persistem escrever sobre os chamados ícones do Jazz, como Miles Davis, John Coltrane, Thelonious Monk, Charles Mingus, Chet Baker, Billie Holiday, Charlie Parker, etc., sendo que todos esses grandes nomes do Jazz já estão suficientemente bem comentados com livros biográficos, documentários e sites oficiais competentes providos de fontes seguras e precisas, tanto nos E.U.A., Europa e Japão. A maioria dos títulos fonográficos foram relançados em formato digital, também foram lançados no mercado gravações inéditas, sendo que alguns títulos são dispensáveis por não ter um conteúdo realmente relevante a não ser apenas um ítem para colecionadores completistas.
A maioria dos críticos da era digital, principalmente os que escrevem nos diários digitais, os populares blogs, se baseiam em fontes imprecisas e escassas. Bastam uma dúzia de livros, algumas dezenas de gravações, leitura de liner notes de discos, alguma pesquisa na internet é claro. O problema é que não há uma pesquisa exaustiva que acabam por despejar uma pilha erros de dados que são publicados online, gerando lendas equivocadas, mitos, mentiras.
Não tem cabimento desautorizar a importância de Duke Ellington e Kenny Clarke por exemplo, mas até quando vai se falar do mesmo assunto? E ainda por cima de forma tão desprovida de consistência?

sexta-feira, novembro 28, 2008

Arthur Rhames e o colapso da arte

Antes que chegue o mês da redenção, mesmo que seja efêmero, mesmo que seja sobre compras, perús assados e frutas secas, mesmo que seja um mero protocólo social festivo desprovido de sua essência verdadeira, aproveitemos o momento.
Ontem me peguei ouvindo o disco do Arthur Rhames, que meu amigo Sieiro me apresentou ao longo deste ano. Entre tantas injustiças na arte, a que ocorreu com Rhames sem dúvida foi uma das mais tristes e cruéis. Morreu aos 32 anos de idade vítima da AIDS em 1989 esquecido e não reconhecido. Praticava saxofone, piano e guitarra 6 horas cada instrumento por dia, totalizando 18 horas de estudo diárias. Um talento único, precioso, como disseram, a ligação perdida entre John Coltrane e Charles Gayle. Reggie Workman disse que Deus escolheu Rhames para ser seu mensageiro.
Desde os tempos antigos a história se repete, o ser humano é o mesmo, não importa se hoje ele está na era digital. A civilização segue em passos apressados sem garantia de estar na melhor direção e não há tempo e espaço para pessoas como Arthur Rhames.
No aspecto geral a arte atual é o que é porque o artísta, o ser humano que está por trás dela(se bem que muitos artístas querem estar à frente dela por vaidade) se tornou o que é.
A estética se apropriou de um espaço indevido na prioridade, o conceito se adaptou a essa invasão de território da estética, a essência perdeu sua autonomia.
Boa parte das pessoas nega que isso esteja acontecendo, mas quem tem olhos, veja, quem tem ouvidos, ouça.
Já dizia a banda punk inglesa Discharge nos anos 80:
"Hear Nothing See Nothing Say Nothing"

Ouça Arthur Rhames aqui

terça-feira, novembro 25, 2008

The king of the hill: E-Pak-Sa!!!


Cabuloso, tem em todo lugar, em qualquer parte do mundo. Apreciem o medley do mestre do ponchak coreano, o incrível E-Pak-Sa...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Gylan Kain


Gylan Kain é um dos fundadores do grupo The Last Poets, junto de Felipe Luciano e David Nelson em 1968. Seu spoken word agressivo é acompanhado de tambores ou com músicos, como no caso do disco The Blue Guerrilla, onde o Jazz e o Freejazz estão presentes ao lado de sua poesia.
Atualmente novos artístas como Mike Ladd tem redescoberto esta combinação de spoken word e o Freejazz, como sua associação com o pianista Matthew Shipp.
Acima uma amostra sonora de Kain.

terça-feira, novembro 11, 2008

Skate Rock na rádio Sonorica

No segundo programa da rádio Sonorica, um especial com algumas bandas do Hardcore norte-americano que fizeram parte da trilha sonora do skate dos anos 80. Basta clicar no link do podcast que se encontra no lado direito da tela.

Gake no Ue no Ponyo (2008)


O tão aguardado filme de Hayao Miyazaki e Studio Ghibli estreou no Japão em meados de Julho deste ano. Ponyo começou a ser escrito em 2006, mesmo ano do filme dirigido por Goro Miyazaki, que alguns fãs mais radicais do Studio Ghibli, não receberam muito bem e também parte do público. Ponyo relembra em alguns aspectos o filme Tonari no Totoro, pelos protagonistas do filme serem crianças. A temática mística é forte neste belo filme, sendo que a mãe de Ponyo é semelhante a entidade mística que o brasileiro conhece. Com muita sutileza, há certos aspectos sombrios, como pacto de sangue. Mas o filme tem forte mensagem de amor e fé. Mais uma vez Hayao Miyazaki cativa.

sábado, outubro 25, 2008

Giuseppi Logan

Giuseppi Logan nasceu em 22/05/1935 na Philadelphia e aprendeu piano e bateria sozinho até os 12 anos de idade, quando mudou para os intrumentos de sopro. Aos 15 tocou com Earl Bostic e estudou no conservatório de New England. Em 1964 mudou-se para New York se integrando ao cenário do Free Jazz. Tocou com Archie Shepp, Pharoah Sanders, Bill Dixon, Byard Lancaster e Roswell Rudd. Formou seu grupo com Don Pullen no piano, Eddie Gomez no baixo e Milford Graves na bateria. Gravou apenas duas sessões sob o seu nome pela ESP disk: The Giuseppi Logan Quartet (1964) e More (1965). Desde o início dos anos 70 não se sabia o paradeiro de Logan ou se estava vivo ainda. Há muitas histórias tenebrosas sobre Logan, de que ele atacava pessoas nas ruas, envolvimento com drogas. Depois que sua esposa se separou levando seu filho, o qual tinha forte ligação, seu equilíbrio mental ficou seriamente abalado.
Bill Dixon sobre Logan:
"No verão de 64 Giuseppi Logan estava "estudando" comigo, queria saber certas coisas e eu precisa de alguém para tocar sax alto. Então ele tocou em todos os meu concertos e ocasionalmente tocávamos suas composições no grupo. Ele tinha grande dificuldade de encontrar pessoas capazes de executar sua música. Eu penso que naquela época eu era o único trompetista que podia tocar sua música e eu adorava tocá-la. Não havia ninguém que soava em um conjunto como Giuseppi. Ele posicionava a cabeça para trás abrindo totalmente a garganta e aumentava o volume de sopro, tocando acima da quarta oitava no sax alto. O que fazia ele diferente como improvisador, era o jeito que colocava as notas, o som que tinha e como os outros do grupo tocavam atrás dele. Giuseppi Logan tinha seus próprios pontos de vista sobre música."
Parece que Logan foi encontrado por uma missão cristã em New York neste ano de 2008
Ouça
The Giuseppi Logan Quartet:
Fonoteca Municipal de Lisboa

domingo, outubro 19, 2008

Talking about love...

Desde muito tempo se falou sobre o Amor. Mas especificamente neste séc.XXI as coisas tem evoluido para um quadro cada vez mais obscuro. Cada vez mais o Amor se tornou sinônimo de satisfação sexual em letras de pagode, axé, sertanejo, rap, entre outros, corações vermelhos, presentes como jóias, carros, roupas e caixas de bombons.
"Isso é questão de posse..." como dizia Luiz Melodia. A semana toda a mídia brasileira foi assolada pelo horror de um sequestro passional. O duro é que não é o primeiro e não será o último de muitos. Foi um reflexo do que o Amor se distorceu nesta sociedade perversa, uma questão de posse. O rapaz parece que entendia que o seu chamado "amor" era ter a posse de uma pessoa.
Quando eu era um delinquente juvenil e vândalo estudantil, pensei em levantar a mão para minha professora de física que me expulsara da sala de aula. Quando me dirigí em sua direção, algo me impediu(misericórdia de Deus) e apenas a ironizei e batí palmas para ela e me retirei da classe. Hoje em dia, os alunos adolescentes desferem socos e chutes para ferir pra valer os professores, crianças causam graves ferimentos nos professores, portam armas de fogo e atiram para matar os colegas de classe.
Em outro aspecto, o Amor também está em falta na sociedade. cada vez mais se ouvem frases como: " Que se dane, eu estou pagando! ", " Faço o que eu quero, ninguém paga as minhas contas! ". O egoísmo e individulismo são antíteses do Amor. As pessoas não querem dispor seu tempo por Amor, seja pela família, seja pelos amigos e muito menos à um desconhecido que precise de míseros minutos de atenção. Todos dizem que não tem tempo pra nada. Mas há horas disponíveis para suas rotinas de ócio, como em frente a TV ou qualquer outra distração.
Não há tempo para um simples telefonema para dizer um simples "oi, como você está?", e mais constrangedor ainda, mandar um e-mail, que leva menos de 1 minuto.
Tudo se faz caso haja um retorno de interesses pessoais. Já ouví nitidamente pessoas me dizerem que só encontram com amigos se tiver algo que interesse. A simples presença da pessoa e sua amizade não são suficientes para dispor de um tempo para se tomar um bom café e conversar sem pretenções.
O verdadeiro Amor é quando nos colocamos à disposição de qualquer pessoa sem esperar nada em troca. Amar é abdicar. A nossa recompensa é saber que pudemos ser úteis e ajudamos alguém que estava precisando e imaginarmos como este alguém se sentiu amparado e aliviado.
E muitos falam sobre o Amor...

quinta-feira, outubro 09, 2008

Reacionarismo da juventude

Carla Bley, pianista e compositora que se apresenta por estes tempos em São Paulo fez um comentário sobre o panorama geral do Jazz contemporâneo. Ela percebeu que está mais conservador, diferente dos anos 60, período que ela participou ativamente, uma época de avanços, experimentações, de mudanças em busca do novo. E isso vem de uma pessoa de cerca de 70 anos de idade...
Bem, vamos analisar o que acontece especificamente na cidade de São Paulo, lugar em que tenho residência e posso acompanhar mais de perto. Mesmo eu não sendo um ancião, presenciei a transição do analógico para o digital, o vinil para o cd, os PC's que usavam um gravador k7 acoplado, os disquetes flexíveis que não comportavam mais do que poucos kbytes até chegar aos minúsculos pendrives do tamanho de um chaveiro que comportam gigabytes, do console Atari 2600 aos Xbox e Wii.
Na música e sua cultura em volta, podemos ver dois segmentos distintos:
1. Os que aderiram completamente à urgência da tecnolgia digital, só ouvem música eletrônica feita por sintetizadores, samplers, geralmente em formato mp3, mp4. Decretaram a morte da música acústica ou a tratam como artefato de museu. Mas ironicamente os artístas que essas pessoas apreciam, cada vez mais buscam elementos do passado para comporem a música do futuro, seja com equipamentos "vintage" como orgãos que usam válvulas, toca-discos de vinil, gravadores de fita entre muitos outros equipamentos ultrapassados. Apesar desta negação extrema com o passado, (que chega a ser um tanto prejudicial, pois esta ligação é necessária, pois o passado é a estrutura do que somos, desde que isso não afete negativamente o contemporâneo) é mais coerente que o outro segmento;
2. Os que nasceram com a oportunidade de usufruir as comodidades da era digital, que puderam pelo menos jogar um videogame de 64 bits e não um aglomerado de pixels de baixa definição que representavam algum objeto ou personagem. Muitos deles sonham e idealizam uma época que não vivenciaram e até seus pais não tinham constituído família ou estavam na idade adulta. Quem quer reviver os anos 60 no Brasil? Repressão, carência de informação, etc. Podia até ser que antes era melhor por haver menos poluição, menos carros, menor população, mas a miséria, pobreza e violência existiam em suas devidas proporções, para os ricos é óbvio que sempre gozaram de situação melhor, mas pelas sua atitudes, o que plantaram ao seu redor, estão colhendo no séc.XXI os seus frutos: condomínios fechados com cercas eletrificadas, carros blindados, trânsito insuportável, clima alterado, etc. Mas muita coisa está visivelmente melhor que antes, temos acesso simultâneo com o que acontece no mundo inteiro, não é qualquer gripe que vai matar alguém, entre muitas outras melhorias.
Mas o grande problema não é um saudosismo de uma época em que não se vivenciou, mas o atrofiamento intelectual da juventude atual. Muitos destes jovens não querem ser surpreendidos em muitos aspectos, querem estar em alguma situação que seja até previsível, que tenham controle da situação e isso logo na música. Muitos perderam o senso de analisar a arte musical de maneira ampla. Criou-se o estigma de que se um artísta tem o pleno domínio de seu instrumento de expresão e suas idéias são expressas de forma mais complexa, isso significa que o artísta é um exibicionista. O virtusismo se distorceu em uma coisa nociva. Já ouví pessoas, inclusive músicos dizerem que solo é uma coisa ruim. Ora, estes mesmos músicos que disseram isso, gostam de John Coltrane e Cecil Taylor... Coltrane disse que quando começava a solar não conseguia parar e a música ultrapassava os 20 minutos, Cecil Taylor gravou vários discos solo. Roscoe Mitchell quando esteve em São Paulo anos atrás com o Art Ensemble Of Chicago, fez um solo com a técnica de respiração circular por cerca de 20 minutos, seria ele um exibicionista egocêntrico?
Seria mais sensato dizer que certos artístas usam o solo para se exibir e não integrá-lo à composição. Esse lance de julgar é complicado, pois cedo ou tarde, quem julga e muitas vezes julga erroneamente, acaba pecando, e não há quem se safe disto. Tem pessoas que adoram as batalhas de MC's, elogiam suas habilidades de rima, muitas destas batalhas carregam sim, exibicionismo e vaidade, mas se o Steve Vai fizer um mísero solo, ele é o mais exibido de todos... Mas há quem diga que é diferente...

quarta-feira, outubro 01, 2008

Koll Witz:17/10/2008 às19:00h no Espaço Impróprio

Rua Dona Antonia de Queiroz, #40, travessa da rua Augusta, São Paulo, R$ 7
Gig de Improvisação-livre: Leon Horacio Pollard (Londres), Koll Witz(Desterro)
Spíle i’long(Performance) e Orquestra de Improvisadores

segunda-feira, setembro 29, 2008

A volta dos discos de vinil? E o Jazz?

Já faz um bom tempo que se fala sobre a volta dos discos de vinil. Sem dúvida o seu consumo pela juventude aumentou muito, mas é uma parcela menor da juventude, que busca uma emulação de uma época. Há muitas argumentações sobre a preferência pelo vinil, como apreciação melhor da arte da capa e o encarte, o saudosismo, a sabor de descobrir as músicas do lado B, a durabilidade maior que o cd e a mais infundada de todas, a suposta qualidade superior sonora. Segundo um dos mestres das gravações, que era responsável por fazer as matrizes dos discos de vinil de maior qualidade de todos os tempos, os da gravadora de Jazz Blue Note, o engenheiro Rudy Van Gelder deu graças à tecnologia digital e depois a tecnologia de gravação de 25 bits eliminou qualquer possibilidade do cd ser inferior ao vinil. Ora, é que simplesmente a maioria dos tocadores de cd's domésticos e aparelhos de som disponíveis no mercado não é de boa qualidade e não conseguem reproduzir integralmente o registro do cd. Em muitas pesquisas científicas se constatou que apenas uma em dez pessoas conseguia distinguir a diferença entre vinil e cd e ainda que por conta do ruído dos sulcos dos vinil.
No campo específico do Jazz, algumas gravadoras tem relançado réplicas de seu catálogo para atender este segmento de mercado. Mas que gosta de Jazz contemporâneo, seja de novos artístas ou acompanha o trabalho atual dos poucos veteranos da era do vinil, dificilmente encontrará estas gravações em discos de vinil. E mesmo muitas grav
ações antigas foram relançadas em cd com extras que compensam o formato em cd. Existia também o problema das gravações que ultrapassavam a capacidade dos sulcos em uma face do vinil, resultando naqueles terríveis fade-outs no lado A e fade-in no lado B, como ocorreu em discos de Pharoah Sanders e John Coltrane. Alguns selos que se especializavam em Free Jazz não dispunham de qualidade de matéria prima, como o caso de ESP que muitas gravações ficavam com uma prensagem de baixa qualidade. Muitos relançamentos em vinil no famosos formato 180 gm, não garantem uma qualidade superior de gravação e prensagem, como ocorre com muios relançamentos por aí. A maioria dos discos em vinil lançados por Sun Ra eram de baixa qualidade para baratear os custos e hoje suas réplicas são vendidas à preços abusivos.
Mas quem gosta do fetiche do disco de vinil, gosta de ouvir música do passado(no melhor sentido), pode se alegrar com esse pequeno renovo sobre o vinil.
Embora o Jazz, principalmente o Free Jazz se mantém vivo e renovado, proporcionando grandes gravações em formato digital em mídia CD, via pequenos selos, como CIMP, Eremite, Okka Disk, Cadence Jazz, Emanem, HatHut, FMP, Tzadik, Silkheart, Ayler, etc.

domingo, setembro 28, 2008

ELEIÇÔES 2008...

Bem, não há mais o que dizer sobre estas eleições, todos nós vamos ver o que acontece em 2009.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Jaca, Schiavon e suas mitologias

Eis que esta semana foi aniversário de um bom amigo. Uma comemoração simples, do tipo que eu gosto. Como recomendou o apóstolo Paulo, "não seja pesado à ninguém", realmente o que me contentou foi desfrutar de uma boa conversa. Definitivamente a qualidade não é a quantidade, como muitas festas badaladas onde a música do Minutemen serve bem: "Shit You Hear At Parties", festas cheias de pessoas, os famosos "bicões", "os amigos dos amigos que trouxeram um amigo" e a festa de aniversário desvia seu foco para os alheios se divertirem às custas do aniversariante que muitas vezes nem são amigos.
Eis que se encontra o amigo de meu amigo aniversariante, o autor da arte acima, sim, o Jaca. Muito conhecido no meio dos quadrinhos, de leituras como a finada revista Animal, as publicações Tonto ou como muitos dizem, o mito dos quadrinhos underground. Até meu amigo recebeu esta denominação, por conta de suas personagens, como a Vesga, Morsa, Tomate Ladrão(o meu preferido).
O que me chamou a atenção sobre o Jaca, foi o qu
e escreveram à respeito dele recentemente, numa matéria generosa em uma boa revista inclinada a chamada arte. Sobre esta questão do que chamam de "dom artístico" e "injustiça do universo"(será que se refere ao bom e justo Deus?), vamos desmitificar: Thomas Alva Edison disse com autoridade e sabedoria uma frase que meu professor de desenho, pintura e história da arte na faculdade nos repassou: "Na arte, é 99% de esforço e 1% de talento".
Pois é, a arte produzida por M.C. Escher, Ornette Coleman, John Coltrane, Pablo PIcasso, Jaca, Schiavon, Hayao Miyazaki, Katsuhiro Otomo, Osamu Tesuka, são feitas para as pessoas apreciarem e também incentivarem, não para nutrirem um dos mais baixos sentimentos humanos como a inveja.
O que comprova a frase do inventor da lâmpada incandescente, era o que Trane fazia, praticava saxofone mais de 10 horas por dia, Otomo, Tesuka e Miyazaki debruçavam em suas pranchetas de manhã até a madrugada e por aí vai. Sei que a intenção era elogiar, mas isso não justifica nutrir, mesmo que sem intenção, tal sentimento abominável. Ora, a questão é simplesmente tomar vergonha na cara e se esforçar e mesmo que não se alcance o mesmo nível destes artístas, terá criado algo de valor. Exemplo? Ramones, muita gente fala que é música de retardado, que qualquer um pode fazer igual e blá, blá, blá... Os Ramones não se comparam ao que Mozart fez, mas fizeram história, influenciaram milhares de pessoas, sua música toca nas rádios e tv's até hoje e principalmente, emocionam!
Voltando ao Jaca, não posso dizer que o conheço, afinal poucas palavras em cerca de duas horas não dá pra conhecer ninguém de verdade. Mas a impressão que ficou foi de uma boa pessoa, agradável e simples, nada haver com o que escreveram sobre ele. Um cara que tem prazer em comer um simples bolo de boteco, sim aqueles que sempre ficam no balcão do bar e só os tiozinhos do povão comem, conversar sobre coisas comuns, como animais de estimação num bate papo sereno.
O mesmo posso dizer do meu amigo Schiavon. Muito escutei à seu respeito, talvez baseado em seus personagens cortando a cabeça de alguém ou ateando fogo em algo. Mudei completamente a impressão que me passaram, quando ele disse que gostava do personagem Nekobasu(o gato ônibus do filme Tonarino Totoro, de Miyazaki), quando em suas épocas difíceis, contou as parcas moedas e repartiu o pão de torresmo comigo. Pode parecer um exemplo sem importância, mas na verdade aí reside a verdadeira generosidade, repartir algo quando este algo faz falta. É muito fácil oferecer um rango quando a geladeira está cheia.
Os jornalistas pensam que estão prestando um bom serviço, deixando suas imaginações criarem textos romantizados sobre muitos fatos e pessoas e muitas vezes acham que é uma boa homenagem. Um artísta de bom caráter não quer se colocar em um nível superior, ele não acha que sua arte é mais importante que um pão francês de padaria. A sua arte é consequência de sua vida, seu cotidiano, mesmo que baseado em um mundo onírico. O bom artísta só quer compartilhar o fruto do seu trabalho, como se compartilha um pão de torresmo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Sonny Rollins vem ao Brasil

Sonny Rollins finalmente vem ao Brasil. Engraçado que de um tempo pra cá virou moda falar sobre ele. Mais engraçado que anos atrás ninguém dava bola para o que Sonny andou fazendo estes anos todos, pelo menos nos últimos 20 anos, justamente o compatível para essa juventude que o descobriu. Mesmo tendo a oportunidade de ter acesso à uma obra contemporânea de Sonny Rollins. Tudo bem, são muitos bons os seus trabalhos mais famosos do passado, como The Bridge, Sonny On Impulse!, Freedom Suite, Tenor Madness, Saxophone Colossus, Alfie, suas associações com Max Roach, Thelonious Monk, mas e o restante de seu trabalho? Decadas de 70, 80, 90 e esta, Sonny seguiu tocando e gravando. Aí fica esse burburinho por conta do velho, isso mesmo, o tratam como uma peça de museu, um dos últimos sobreviventes do Jazz... Engraçado é que muito pessoal mais velho, que já passou dos 40 é que acabam sendo mais coerentes, esperando assistir justamente o que Sonny tem feito últimamente. Engraçado também é que certo segmento jovem que fica idolatrando Sonny Rollins, terá a chance de ouvir o que ele tem feito últimamente, um Jazz de qualidade, mas convencional e muito similar aos músicos que eles negam e falam mal, é, os famosos young lyons do Jazz... Mas quem gosta do que chamam de "jazz mainstream"(isso não quer dizer que não há alta qualidade artística), como James Carter, Joe Lovano, Wynton Marsalis, Greg Osby em algumas gravações, Joshua Redman, Branford Marsalis por exemplo, vai gostar.


quarta-feira, setembro 17, 2008

Música, arte em São Paulo, que já tem Starbucks!

A tecnologia anda à passos largos e apressados, boas novas da Islândia ou Lýðveldið, que saiu na frente e já desenvolveu os automóveis movidos à hidrogênio. Um país que ganhou sua autonomia apenas em 1874. Ah, ficou mais conhecida para quem gosta de música através do grupo Sugarcubes e Björk.
E a nossa São Paulo, o orgulho de desenvolvimento brazuca, av.Paulista, rua Oscar Freire e suas outras "maravilhas", como a aberração desumana na rua Mercúrio, uma favela vertical, em frente a nova diversão da classe média, o mercado municipal e os famosos pastéis de bacalhau e sanduba de mortadela. Sim, o crack continua rolando pelas ruas. Mas isto é um assunto para os candidatos à prefeitura e vereadores que tem uma fórmula mágica para resolver tudo isso. Aqui o assunto é mais descartável: música contemporânea paulistana e tecnologia.
A bossa nova ainda é tratada como a última bolacha do pacote, como se o mundo tivesse mudado por conta dela. Caso algum brasileiro ainda não saiba, a música que mudou e tem mudado o mundo em grande escala, foi o chamado Jazz, o Rock'n'roll, o Rap e a House music. Aqui em São Paulo, mesmo que pareça, a coisa não evolui nos seus fundamentos, apenas em sua estética, temos tv's de plasma e apenas menos de 10 canais de tv abertos em VHF, com programas em formato criado à 50 anos. O paulistano ainda depende do que os estrangeiros fazem para que depois eles se "arrisquem". Eu já tinha abordado este assunto aqui antes, esse lance de "rap underground", isso é uma tremenda bobagem, pois o rap brasileiro não precisa deste rótulo, mesmo presente em jingles de comerciais, não tem o orçamento milionário dos norte-americanos, com seus carros de luxo, mansões e outras bobagens. Mesmo o Racionais, que é o mais famoso, tem dificuldades em se manter e ser respeitado pela indústria cultural. Os grupos de rock atuais podem até parecer com o que acontece no chamado primeiro mundo, mas é só estética, não tem fundamento, pode ser bem produzido, devido as facilidades tecnológicas que estão mais acessíveis, mas não tem consistência. Nos anos 80( por favor, sem saudosismo), os grupos de rock inspirados no pós-punk, tecno-pop americano e inglês, os grupos de punk rock e de heavy metal podiam até ser precários, instrumentos musicais ruins, roupas meio cafonas, gravações de baixa qualidade, muitas ingênuas, mas tinham um frescor e personalidade, mesmo que muito influenciadas pelos estrangeiros. Eles queriam fazer o som próprio deles, do jeito que eles podiam. Muita gente pode discordar, de que não era diferente de hoje em dia, só que hoje temos recursos. Não, se fizermos uma análise despida de conceitos pessoais, veremos que a verdade é outra. O conceito de influência foi distorcido, veja o caso de Jimi Hendrix, ele tinha influência de muitos bluesmen como Muddy Waters, Otis Rush, etc., mas o que ele fazia era bem diferente. John Coltrane tinha influência de Johnny Hodges, Charlie Parker, Sonny Rollins, depois Ornette, Ayler, mas depois criou algo diferente, com seus próprios conceitos. Os jovens de hoje em dia, muitas vezes querem reproduzir exatamente igual os seus ídolos e chamam isto de influência. Mais honesto seria dizer que são "covers". Capas, aparencias, uma simulação, estética. Aqui só se usa o termo cover quando um grupo toca as músicas de seus ídolos, como Beatles cover, U2 cover, Pink Floyd cover, etc. Aqui em São Paulo a maioria dos grupos de "jazz" se expõem ao ridículo de imitarem os solos dos músicos do passado, dizendo que estão improvisando. Como a maioria dos ouvintes carece de informação musical, não percebe isto e consomem uma arte cadaverizada como se fosse a cereja do bolo. E aqui o jazz parou nos anos 50! O brasileiro não entende que o jazz está na vida dos norte-americanos, existe uma tradição, não uma mumuficação. O New Orleans não é mais o mesmo, nem o Congo Square. Muita coisa é preservada por questão de documento histórico e turístico, mas o jazz continua caminhando, sempre em frente, seja com o Neo-Bop, o M-BASE, a Free improvisation, o Free jazz. Eles usam os elementos ditos tradicionais não por referência estética, mas porque são parte de sua essência e não soa como uma coisa de parque temático, como grupo de jazz "New Orleans" paulistano.
A chamada "street art". Muita gente fala mal, muita gente abraça.Tem coisas realmente interessantes, mas muitas a gente olha, depois vê uma revista importada de anos atrás e se sente enganado. Mas no saldo geral, até que vai bem, pois é muito enfadonho o feudo das artes pláticas que sempre existiu em São Paulo, cheio de conceitos que são do começo do século passado. Nas artes plásticas, o que importa é a pessoa olhar e gostar, causar um impacto, se não, é melhor comprar uma gravura impressa na tok&stock ou etna, que sai bem mais em conta...

quarta-feira, setembro 10, 2008

Soninha e o Brasil Chaos A.D.

Definitivamente este mundo está com seus dias contados, não há mais condições da justiça reinar sob a tutela da humanidade. A vereadora Claudete Alves(PT) foi gritar com Soninha na porta do banheiro da Câmara Municipal que afirmou o hábito da Casa aprovar projetos em troca de cargos, favores e até propina. Carlos Apolinário debochou da capacidade de Soninha ser vereadora por ser comentarista esportiva, jornalista(?!!!). A parte da população que não está anestesiada sabe da verdade, mesmo que não tenha acesso aos detalhes sórdidos dos bastidores da "Casa". Tempos atrás, diriam que uma mulher não teria capacidade de exercer o cargo. Se Soninha não tem capacidade de ser vereadora, então qual a diferença dela para estes:
-Ademir da Guia(PR) - professor de futebol;
-Aguinaldo Timóteo(PR) - artista(ô menino!);
-Carlos Apólinário(DEM) - advogado e empresário(lembrem-se que muitos advogados defendem causas de traficantes, golpistas(falaê, Dantas!) e outros tipos de criminosos. A maioria dos empresários não se importa com os interesses da população e sim do seu próprio negócio, mesmo que em detrimento da maioria da... população!);
-Wadih Mutran(PP) - bacharel em direito e corretor de imóveis(bem, o direito e as leis estão cheios de emendas e recursos para justificar atos ilegais e sabemos da especulação imobiliária que assola a cidade(salve para o pessoal da Prestes Maia!);
-Claudete Alves(PT) - pedagoga.
Confira os vereadores que elegemos neste link: http://www.camara.sp.gov.br/vereadores.asp
Confira a baixaria na "Casa" neste outro link: http://www.estadao.com.br/nacional/eleicoes2008/
Eu particularmente tenho minhas reservas à Soninha, simplesmente por não conhecê-la de fato, conversamos pouquíssimas vezes em mais de dez anos. Não votei nela para vereadora por ter dúvidas sobre o que ela realmente queria e podia fazer. Ah, só uma obervação sobre o que ela disse em telejornal sobre o problema do trânsito chaos a.d. de São Paulo: Ela usa moto, mas tem um problema nisso, a moto pode aliviar o congestionamento, mas a moto polui mais que um carro, simplesmente pelo fato do motor de uma moto ser 2 tempos e isso acarreta maior emissão de gás carbônico. Mas isso é só um detalhe fora do contexto deste post.
Mas eu gostaria de que a Soninha tivesse a chance de provar que pode tentar melhorar esta cidade caótica(não, isso não é um cliché, basta andar pela Avenida do Estado, Avenida Guarapiranga e constatar isso, pois São Paulo é muuuuuito mais que Rua Oscar Freire e Avenida Paulista). Provavelmente Soninha não será a nova prefeita, mas tem meu voto de confiança, mesmo que este meu voto seja insignificante.
Enquanto isso, as pessoas estão preocupadas com o show da Madonna e os cientístas do mundo inteiro em sua empáfia, acreditam que vão descobrir o segredo do universo com um acelerador de partículas de 9 bilhões de dólares(eita dinheirinho bem gasto não? Diz aê Africa!).

quinta-feira, setembro 04, 2008

Ode to Gravity: Shandar Records (May 23, 1973)



As of May 1973 when this program was recorded, Shandar Records of Paris had produced a series of 14 impressive record albums by avant-garde composers and performers including Terry Riley, Steve Reich, Karlheinz Stockhausen, La Monte Young, Pandit Pran Nath, Cecil Taylor, Albert Ayler, Sunny Murray, and Sun Ra. The owner of the company, Chantal d'Arcy talks in Paris with Philip Freriks, a reporter for VPRO/Amsterdam about the record company and her views on new music. Charles Amirkhanian also presents selections from Shandar Records, including a complete performance of “Four Organs” by Steve Reich.


http://www.archive.org/
 
 
Studio Ghibli Brasil