domingo, março 28, 2010

Giuseppi Logan Quintet (2009)

Finalmente o multi-instrumentista e compositor Giuseppi Logan está de volta. Chegou a ser dado como morto, provavelmente sepultado como indigente. Chegou a se tornar um tipo de lenda urbana do free jazz de New York, que andou desprovido de sanidade, que chegou a atacar pessoas na rua. O percussionista Milford Graves tentou reencontrá-lo, mas isso é muito complicado se tratando de uma das maiores metrópoles do mundo. Mas sentia que ele estava vivo em algum lugar da grande maçã.
Mas graças à Deus e um grupo missionário protestante, Logan foi resgatado e lhe foi devolvida sua dignidade como indivíduo, como artísta. Providenciaram-lhe uma moradia, próxima ao Tompkins Square Park e de amigos, instrumentos musicais, como uma flauta transversal e um clarinete baixo. Aos poucos Logan volta a ativa, em algumas apresentações ao vivo e agora com a gravação deste disco, ao lado de velhos companheiros dos anos 60, que são o pianista Dave Burrell e o percussionista Warren Smith.
Enfim, no meio de tantas adversidades nestes dias de hoje, surge uma boa nova para alegrar mais ainda meu coração, de alguém que estava "morto" e reviveu. Que Deus continue te abençoando, Giuseppi Logan.

Para conhecer o som de Giuseppi Logan, clique aqui:
Giuseppi Logan on last.fm

sábado, março 27, 2010

Frank Wright - Church Number Nine

Eis aqui um dos mais importantes livros da bíblia da música livre: Church Number Nine de Frank Wright.
Não é por acaso que o saxofonista nascido no Mississipi em 1935 era chamado de reverendo. Sua música mesmo tendo a forma livre que se denominou free jazz, sempre teve forte ligação, influência do gospel, a música cantada e tocada nas igrejas protestantes na América do Norte. Dentro do gospel, estão os elementos do blues e o que chamam de spiritual. Wright deu continuidade ao que foi iniciado com Ayler e Trane, até deixar este mundo em 1990, exilado de sua terra natal.
Church Number Nine é dividido em 2 partes, onde os músicos deixam o espírito fluir com total liberdade e intensidade que se pode sentir desde a primeira nota e batida. Wright está acompanhado do saxofonista Noah(Noé) Howard, que também possui uma sólida carreira no obscuro meio do free jazz dos anos 70, assim como o pianista Bobby Few. Agora como baterista, tenho que ressaltar a presença de Mohamed Ali, irmão de Rashied. Com certeza Mohamed seguiu as diretrizes lançadas pelo pioneiro Sunny Murray, além dos grandes veteranos de outras fases da música instrumental americana. Eu particularmente lamento a injustiça cometida em Mohamed, coisa que seu irmão não passou por conta de ter acompanhado Coltrane em sua última fase. Sem querer desmerecer o grande talento de Rashied, Mohamed ofereceu uma sonoridade mais interessante e intensa, em minha particular opinião. Um ouvinte mais atento poderá perceber este algo a mais em Mohamed, que não está só ressoando nas peles e pratos, a atmosfera que ele cria na música.
Voltando as atenções em Frank Wright, é notória a sua força no saxofone, digamos que Wright é a versão mais espiritual e ligada à Deus, de Peter Brötzmann. Brötz é a força da criação artística e Frank da espiritual, ambos com a mesma liberdade, intensidade sonora.
Enquanto Brötz continua sua jornada sonora na arte livre, Frank deixou seu legado, seus salmos, crônicas, testamento muiscal, alguns poucos com palavras e grande parte com gemidos inexprimíveis.
Clique na foto da capa para acessar o arquivo.

quinta-feira, março 18, 2010

Melvins - Lysol (1992)

Me lembro quando comprava lp's pelo correio e veio o catálogo da Boner Records com muitas bandas interessantes, a maioria eram hardcore. Tinha ouvido falar que o Melvins influenciara em muito o Nirvana dos tempos do album "Bleach" e que o baixista do Mudhoney gravou o primeiro disco. O curto release falava sobre a sonoridade letárgica, algo como Black Sabbath, só que muito mais lento e pesado. Me interessei pelo Melvins, a capa do disco que tinha sido lançado era o Bullhead, com uma salada de frutas desenhada na capa e títulos de músicas como "If I Had An Exorcism", "Your Blessened" e "Cow" me chamaram a atenção. Ora, resolvi encomendar, pois não passava de U$12,00 contando as despesas postais. Passados 20 e tantos dias, chega o aviso para retirar na agência. Toda aquela expectativa e romantismo de pegar o pacote, como uma carta de amor. As vezes, dependendo do transporte, empenava o vinil, como aconteceu com um lp do grupo Fastbacks, que depois eu ofereci depresente ao Carlos Alberto Dias, vinha numa capa de plástico transparente e vinil vermelho.
Quando eu ouvi, entendi o que se falava sobre o Melvins e Nirvana. Só que King Buzzo fazia a parada com muito mais autoridade, não desmerecendo os méritos que o Bleach do Nirvana possui. Gostei muito do Melvins, uma espécie de doom metal só que sem aquela perda de tempo com caveiras e temáticas satânicas, mas com bom humor. Depois inventarm o rótulo de stoner rock, mas isso é tão estranho como a reedição do tênis de basquete da Nike, o Air Jordan, que não merece lá muita atenção. E de quebra fiquei sabendo depois de muitos anos, que a baixista Lorax era filha da atriz mirim Shirley Temple (aqui nós temos um genérico, a Maisa, do Sábado Animado) e foi despedida da banda, pois Buzz é um cara exig
ente e sério com música.
Lysol foi lançado em 1992 e teve problemas com o nome, pois é um produto desinfectante, produzido pela Reckittt Benckiser, que não liberou o nome para o título do disco. Então a gravadora colocou um adesivo preto em cima do nome e lançou.
As faixas "Second Coming" e "Ballad Of Dwight Fry" são de Alice Cooper e Sacrifice do grupo Flipper.

Clique na foto da capa do disco para acessar o arquivo.

*Lysol é a combinação das palavras lysosome e solvent, em inglês. O princípio ativo é o Clorato de
Benzalkonium.

domingo, março 14, 2010

Fórmula Indy e Feira Country em São Paulo... Nunca fomos tão brasileiros!













Estamos bem representados neste país em termos de cultura. Bossa nova, samba? Que nada sô! Olha aí a feira country, coisa legítima do sertão brasileiro. Lembro de uma reportagem sobre os chapéus de palha que os costumeiros jeca tatus da vida usavam, com o capim na boca. Os artesãos do interior reclamavam que seu negócio estava falindo porque o pessoal só comprava chapéu do tipo norte americano, dos cowboys dos filmes de John Wayne. Mas o country não é do Brasil? Se a calça jeans fosse criação de brasileiro, não teria um nome em lingua portuguesa? Ah, mas isso é a globalização, pós modernismo e etc.

E a formula indy(ota)? E o povo abraça este engodo, um esporte para ricos, o máximo que acontece é alguém enforcar o orçamento e comprar um ingresso onde só se vê os carros passando de relance. E a massa fica confinada a ver a corrida pela tv. É que nem os esportes nauticos onde os maiores expoentes do esporte são brasileiros com nomes como Torben Grael. Falaí seu Zé, produto 100% nacional!

sábado, março 13, 2010

Geraldão, Geraldinho, Glauco, Raoni, a morte e a solicitude da vida

Sinceramente eu não escreveria nada sobre este fato porque todos os dias, os Joilsons, Josés, Marias e Jabersons tem sus vidas ceifadas neste mundo. Mas como Glauco tinha uma projeção nacional por conta de sua arte, virou notícia.
Fiquei sabendo da tragédia poucas horas após os homicídios terem se consumado, por conta da rede mundial de computadores. A primeira coisa que me veio ao coração foi um versículo da epístola do apóstolo de Jesus, Tiago, que diz assim:
"Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece."
Lembrei-me das poucas vezes que encontrei com o Raoni nas minhas andanças pelo bairro de Pinheiros e depois de alguns anos quando ele estava bem engajado em certo grupo espiritual. Um rapaz precoce, que eu pensava comigo: caramba o Glauco tem um filho desse tamanho... Também me encontrei algunas vezes com o filho do Angeli e inclusive quando eu tocava em uma banda, ensaiamos no estudio da casa dele com a presença do Sebastian, aquele notório performer dos comerciais da C&A com o slogan abuse use. Enfim, enquanto escrevo este post, também me lembrei de um trecho de uma música do Dorsal Atlântica: "
Viajando na estrada, um ruído seco

Dentro de um ônibus atiraram em um inocente por pura ignorância, ninguém esperava sentir como a vida é tão fugaz..."
O que dizer? Só resta pedir à Deus que console os corações dos que ficaram e sofrem estas perdas abruptas.
Sobre o trabalho do Glauco, ora, ele estava todos os dias no jornal bem conhecido da capital paulistana, no caderno cultural e as vezes no caderno especial infantil, onde o personagem inspirado em seu filho, Geraldinho, se divertia equilibrando refrigerante e guloseimas. Mas eu não vou ser unânime sobre sua arte só por conta do que ocorreu. Alguns trabalhos eu não gostava, tipo Ozetês, Faquinha e algumas tirinhas de célebres personagens.
Mas Glauco fez a sua história, deixou sua arte que nos divertiu e outras vezes nos fez parar para refletir em algo, importante ou não.
Também me lembrei de um provérbio escrito pelo rei Salomão no livro de Eclesiastes, no capítulo 7: "
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração."
Hoje é mais um momento para reflexão, mas isto só terá proveito se a sabedoria for colocada em prática.

sexta-feira, março 05, 2010

P-Funk Guitar Army - Tributes to Jimi Hendrix Vol.2 [1995] Return of the Gypsy

Este tributo quase não comentado é uma bela homenagem à Jimi Hendrix pelos músicos que participaram do P-Funk, por isso o nome do projeto é P-Funk Guitar Army.
Andre Foxxe, Johnny Graham, Gary 'mudbone' Cooper, Dee Dee 'dirty Mugg' James, Bootsy Collins, Darryl Plummer Band, Ras Kente e Menace prestam homenagem com composições originais e muito interessantes.
Andre Foxxe e Johnny Graham tem uma abordagem mais rock e blues, mas com uma sonoridade mais atual. Menace já faz seu tributo dentro da linguagem do P-Funk. Ras Kente mostra o lado do rock pesado, com extenso solo.
Clique na foto da capa ou no título do post para acessar o arquivo.

Jimi Hendrix, Johnny Alf...

Mais uma vez Jimi é enfoque do jornalismo musical. É sobre o lançamento de gravações póstumas inéditas. A estratégia de marketing das gravadoras não permite que tenhamos acesso rápido ao material, pois faz parte do jogo. Mais uma vez teremos o re-relançamento dos albuns do Experience, só que com ítens adicionados para justificar o preço e relançamento, como out takes, encartes, DVD, etc. Fazer o que? A indústria fonográfica tem de sobreviver. Veja o caso dos Beatles por exemplo, tentam extrair tudo quanto é possível para lançar no mercado, deixando os colecionadores em polvorosa. O ápice foi a discografia completa enclausurada em um pendrive (essa foi uma forma coerente, afinal estamos na era digital) em forma de maçã. O problema é que quando o material substancial se esgota, começam a colocar no mercado ítens dispensáveis. Porque o nome out takes? Ora, o artísta rejeitou o resultado de sua performance de gravação. Mas sabe como é fã, quer acreditar em qualquer coisa para ter mais um pouco de seu artista preferido, como um out take que tem apenas 3 segundos a mais de diferença do que a editada oficialmente.
Eu gosto muito do Jimi, só que quando eu atingi quase 30 lp's em minha coleção, eu percebi q
ue o negócio já estava pra lá de bom e passando disso já seria uma obssessão. Comprar um compacto, sendo que é a mesma versão do lp, isso é fetiche. Mas fora estas coisas de produtos, Jimi é um nome presente na música popular tão óbvio, que dispensa mais comentários. Quer um exemplo atual? Vernon Reid é um músico que se sente esta influência, mas não só de Jimi, mas também de Arthur Rhames. Uma das mais coerentes homengens em minha opinião pessoal são as gravações do P-Funk Guitar Army, no Tribute To Jimi Hendrix, em 2 volumes. Talvez seja um tanto quanto desconhecido para os típicos fãs radicais de rock, que geralmente ignoram e odeiam na ignorância outros nomes da música. Eddie Hazel que foi guitarrista do Funkadelic e Parliament é herdeiro direto de Hendrix, sua influência é 100% audível. Mas Hazel não sobreviveu tempo suficiente para participar desta homengem e ficou nas mãos de seus companheiros sucessores no mundo P-Funk, como Michael Hampton, Gary 'Mudbone' Cooper, Blackbyrd McKnight, etc.
Bem, porque Johnny Alf? Eu encontrei uma ligação entre ele e Jimi e isso não tem haver com a arte de cada um simplesmente por serem caminhos diferentes. A morte tem um ponto em comum, só que os casos são opostos. Jimi morreu no auge de sua carreira, muito jovem, nem completou 30 anos de idade. Johnny Alf morreu com 80 anos com uma longa carreira. Talvez Alf passe por um processo parecido com o de Hendrix, talvez relancem seus discos, artístas gravem um tributo, novos artístas e novo público "redescubra" sua obra. Mas é claro que não será da mesma forma que Jimi, que teve um impacto na arte mundial. Alf quase não é citado em seu próprio país, o Brasil. Não teve tanto efeito catalístico na música de uma forma geral, mas isso não tira seu mérito e talento. Eu gostei dele uma vez que o Paulinho da Viola o entrevistava e falavam sobre a influência dos músicos do chamado jazz. Paulinho tinha mais interesse por pianistas como Thelonioius Monk e Johnny já preferia algo mais tradicional, como Nat King Cole. Também gostei da sensação de uma pessoa amável tranquila que Alf me passou. Meu amigo estava de alguma forma envolvido com sua atividade musical no Japão, onde poucos mas fiéis admiradores extrapolaram as fronteiras do hemisfério Sul. Eu até assinei um cartão coletivo que seria entregue ao Johnny, junto ao nome de editores, apreciadores, amigos, críticos japoneses. Mas eu nunca fui muito chegado no trabalho de Johnny. Mesmo hoje em dia, que não fico mais só ouvindo Heavy Metal. Tem uma coisa e outra que eu gosto, mas a bossa não me diz muita coisa. Muitos dizem que a bossa é o supra sumo da música brasileira, mas isso é algo tão particular, que esse tipo de afirmação não reflete a verdade. Quando falam que os gringos "piraram" com a bossa, isso não quer dizer muita coisa. Veja o caso do Stan Gets, Archie Shepp. O jazz já não era uma unanimidade em seu próprio país de origem, o rock vindo da Inglaterra é que dominava em popularidade. A bossa ficou conhecida entre os músicos, pois o público americano, europeu, preferia outro tipo de música. Recentemente falam da suposta febre da bossa no Japão. É uma grande ilusão, pois o público japonês tem preferencia pela música local, como o JPop e o Pop norte americano. Há um nicho específico que gosta de bossa no Japãp, mas é bem restrito, como o público que aprecia jazz em São Paulo.
A verdade é que Johnny Alf estava meio que jogado para escanteio nestes últimos anos, queiram acreditar ou não. Ele quase não se apresentava, por falta de interesse mesmo. E gravar um disco então? Não recebia a atenção e destaque que tinha direito. Agora com sua morte vão falar uma coisa ou outra e tudo mais que eu escreví acima. Mas logo mais vai voltar à penumbra. Estou errado? Espero que sim, pois veja o caso do maestro Moacir Santos. Fizeram homengens,
relançaram gravações, mas não passou do terrritório restrito. O povo quer é ser "chicleteiro" mesmo.
Música como forma de arte é um artigo de luxo, um ítem dispensável na cesta básica. Hoje o momento é do entretenimento musical, que sempre é confundido com a arte musical. Hoje em dia não sobra muito espaço para o refinamento musical de Johnny Alf, talvez também não sobrasse para Jimi Hendrix se estivesse vivo.

Obrigado Jimi, obrigado Johnny, vocês fizeram música, apenas música.

sábado, fevereiro 27, 2010

Max Roach With The J.C. White Singers - Lift Every Voice And Sing

Max Roach é sempre motivo de assunto quando se trata de música. Sempre lembrado por participar em grandes mudanças como foi nos anos 40 quando batizaram a nova forma de tocar com o nome de uma composição de Dizzy Gillespie: Bebop. E esta mudança teve como núcleo, o ritmo. Mas Max Roach não parou de buscar novas linguagens em sua trajetória pela arte, chegando a ser criticado por companheiros músicos e midia especializada quando se envolveu com a juventude das ruas de New York no início dos anos 80, quando nascia o chamado Hiphop. Lá estava Max com sua bateria "falante" ao lado do pioneiro Fab Five Freddy e B-Boys no mesmo palco. Bem, são tantas histórias que não cabem neste simples blog.
Particularmente Max Roach tem um lugar especial em minha vida, pois o que me motivou a tocar bateria, foi sua influência, que não foi direta em primeira instância, pois o que me despertou foi o jeito de tocar, a sonoridade de Mitch Mitchell, o parceiro de Jimi Hendrix. Mitch não tocava apenas rock, tinha algo a mais ali e esse algo era sua fonte de inspiração. Com o tempo e muita audição de gravações comecei perceber a influência de Max em Mitch e também a influência de Elvin Jones. Iniciei uma pesquisa sobre a bateria, a música e trajetória de Max Roach descobrindo muito mais do que um exímio baterista de jazz. Descobrí um artísta de grande talento, brilhante compositor e líder, pesquisador, desbravador de novos territórios na arte sonora.
E aqui está uma de muitas descobertas sobre Max Roach: Lift Every Voice and Sing com o coral The J.C. White Singers. Também fazem parte desta obra o brilhante sax tenor de Billy Harper, que mesmo não tendo seu nome em evidência, faz parte do seleto grupo que alguns musicólogos chamam de primeira geração "pós-Coltrane", ao lado de Gary Bartz, Odean Pope, David Murray, entre outros. Também participa o trompetista e educador musical Cecil Bridgewater, que acompanhou Max ao lado de Odean Pope e Harper nas últimas decadas finais de sua carreira. O pianista George Cables, o baixista Eddie Mathias (que emprega o baixo elétrico à exemplo de Jymie Merrit nos anso 60) e o percussionista Ralph McDonald são nomes consagrados no meio musical por conta de seus talentos singulares. O coral formado por Ruby McClure, J.C. White, Dorothy White faz a diferença nesta gravação. É inevitável não se emocionar com o poder destas vozes entoando o hino tradicional evangélico Motherless Child e a composição dedicada aos pais Garden Of Prayer. As vozes tocam no profundo da alma. Outro destaque é o solo de Cecil Bridgewater em Let Thy People Go. Outra característica de Max Roach em sua arte é que ele sempre que possível, usou-a como veículo de expressão política, dedicando as músicas a pessoas como Marcus Garvey, Patrice E. Lumumba, Malcom X, Rev. Martin Luther King, etc.
Mesmo não tendo tanto destaque até no meio especializado, Lift Every Voice and Sing pode tranquilamente estar ao lado de A Love Supreme. Clique na foto da capa ou no título do post, que são o link de acesso ao arquivo.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Murilo Antunes Alves (São Paulo, 24/08/1919 - São Paulo, 15/02/2010)

Me lembro da minha infância um programa de jornalismo que só o meu pai assistia, o Record em Notícias. Pudera, eu era uma garoto e não me atraia em nada aquela bancada de homens de terno e cabelos grisalhos falando sobre assuntos que não englobavam desenhos animados e outras coisas de criança. Fui crescendo e ouvia falar que aquele era o jornal dos dinossauros, jornal da tosse, por conta dos participantes serem veteranos do jornalismo brasileiro. O mais engraçado é que eu comecei assistir o jornal, junto com meu pai e independente de eu começar a ter alguma postura política e alguma noção disso, eu gostava do programa. Me soava coerente, tratava as notícias como um jornal deveria ser, com seriedade e exposição dos fatos sem enveredar nas opiniões pessoais de forma a prejudicar a informação. Bem, não me lembro se o negócio era direita, conservador ou coisa do gênero, que soa uma caricatura em roda de punks e "ativistas" políticos, rodas de cerveja com universitários, só me lembro que para mim era um bom programa de tv. Alguns anos atrás fiquei feliz em saber que o Murilo estava vivo e na ativa, ainda na mesma emissora. Sei lá, não tem explicação, eu sempre tive uma simpatia pelo Murilo, pô, o cara entrevistou o Bill Halley em 1958!
Murillo Antunes Alves nasceu em Itapetininga,
Formou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1943. Teve escritório de advocacia até 1961, em Brasília, especializando-se em direito esportivo. Integrou o Tribunal de Justiça Desportivo, e foi por mais de 40 anos, assessor jurídico da Federação Paulista de Futebol. Contratado pela Rádio São Paulo, em 1938, onde ficou por 4 anos. Inicialmente como locutor e depois, como comentarista esportivo, em parceria com Geraldo José de Almeida. Seu primeiro programa foi o Broadway Melody, de música americana. Em 1946 foi para a Rádio Bandeirantes, sendo o primeiro locutor esportivo da emissora. Posteriormente, trabalhou nas rádios Cultura, Gazeta e Tupi. Em 1946 foi contratado pela Rádio Bandeirantes como repórter, passando depois, para a Rádio Record ,em 1947, onde fez várias reportagens inclusive no exterior, e entrevistas com auditores e personalidades como:os políticos Adhemar de Barros,, Getúlio Vargas, e Janio Quadros, entre outros. E jornalistas, como Samuel Weiner. Cobriu acontecimentos importantes como as eleições italianas em 1948, o Ano Santo em 1949, no Vaticano, as eleições nos Estados Unidos em 1952, etc. Ganhou por sete vezes o prêmio Roquette Pinto, como melhor repórter do rádio. Começou sua carreira na TV Record, no dia 23 de setembro de1953, que foi o primeiro dia no ar, da TV Record, como encarregado da parte política do jornal da emissora, o “Última Edição”. Depois, o jornal "Record em Notícias", como editor chefe e diretor em 1989. Em 1953 foi o primeiro Chefe do Cerimonial da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde se aposentou em 1985, como Diretor do Cerimonial e Relações Públicas. Em 1961 foi nomeado Oficial do Gabinete da Presidência da República, pelo presidente Janio Quadros. Entre 1971 e 1974 foi Chefe do Cerimonial do Governo do Estado de São Paulo, gestão de Laudo Natel. Exerceu mandado de vereador por São Paulo, até 31 de dezembro de1996, por dois anos e meio. E depois foi Chefe do Cerimonial da Câmara Municipal de São Paulo.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Iceburn Collective

Eu tinha postado sobre o Iceburn no Farofa Moderna em 2008 e recentemente pediram para reativar o link. Creio que o Polar Bear Suite se encontra com facilidade na web, mas em todo caso fica aqui a republicação do post sobre o Iceburn e o título do post é o novo link de aceso ao arquivo.
O grupo Iceburn teve inicio em 1991 em Salt Lake City, Utah, Estados Unidos com o guitarrista, vocalista e compositor Gentry Densley. Se enquadrou no rótulo de math-rock (é o que dizem de bandas que se influenciaram no prog. do King Crimsom, com estruturas mais complexas que o rock independente oriundo do punk-rock e hardcore contemporâneo, com o mínimo ou sem vocais e letras). Acho um rótulo um tanto quanto vago, pois ao se fazer música, matemática está presente, quer queira ou não. Com o passar do tempo, o grupo que fundiu o punk, heavy metal, jazz e música erudita, se aproximou cada vez mais da improvisação do freejazz e incorporou mais membros ao chamado grupo, além do baixo elétrico, bateria e guitarras, como o contra-baixo acústico, clarinete-baixo, saxofone, percussão e fagote. O que me chamou a atenção ao Iceburn, foi ter sido lançado discos por uma gravadora de hardcore que tinha como evidência, bandas do segmento straightedge, uma filosofia radical contra as drogas e até a maioria aderiu ao vegetarianismo e veganismo. A maioria desses grupos tinha uma sonoridade simples, músicas rápidas, curtas e agressivas, como a maioria do conceito hardcore. O Iceburn até hoje não foi bem digerido pelo público de rock em geral, talvez por não se enquadrar facilmente a qualquer rótulo convencional, dividindo suas músicas em longas suites, incluindo poesia concreta na arte de cada cd, tornando o ilustrador e diagramador um membro do grupo. Na música no âmbito mais amplo, isso não é novidade, mas no meio do rock independente foi um grande diferencial que infelizmente passou quase desapercebido. Sonoramente falando, quem teve ouvidos mais atentos e despidos de pré-concepção de rock, pode desfrutar de momentos muito interessantes, criativos e prazerosos com a trajetória deste grupo. Enfim, o grupo se desfez em 2000 sob o nome de Iceburn Collective, sendo um dos mais criativos da chamada cena independente, onde figuram o Fugazi e Shellac.
O Iceburn Collective vinha desenvolvendo um interessante trabalho como foi registrado em uma de suas últimas gravações que foi publicado pelo seu próprio selo, o Iceburn Double Trio, que infelizmente está fora de catálogo.

sábado, janeiro 23, 2010

Bad Brains - demotape (1978)

O Bad Brains se tornou um ícone da música punk, principalmente por uma característica: era formado por quatro jamaicanos radicados em Washington DC e não abriam mão de incluir o reggae em meio ao som violento. Também era característica a performance do vocalista HR que podemos comparar com alguns momentos de Jello Biafra nos palcos. Depois de seu início com o característico som barranqueira, o Bad Brains evolui e até se assimilou mais com o thrash metal. Esta demotape tem um som horrível por conta da qualidade de gravação, mas já contém os grandes clássicos da banda como Supertouch e Regulator. O Bad Brains interrompeu suas atividades algumas vezes por conta do comportamento instável de HR, mas estão em plena atividade com sua famosa formação com HR, Dr. Know, Darryl Jenifer e Earl Hudson.
Mais informações no site oficial:

http://www.badbrains.com/
Clique no logo do Bad Brains ou no título do post para acessar o arquivo.

sábado, janeiro 16, 2010

Otomo Yoshihide's New Jazz Orchestra - Out To Lunch

Otomo Yoshihide é um grande talento no cenário da musica experimental, assim como a New Jazz Orchestra sob sua direção. Nasceu na cidade de Yokohama, Japão em 1959 e teve influências de seu pai que era engenheiro, começando a construir aparelhos eletrônicos, como rádio, oscilador de frequência e posteriormente a manipular o som com gravadores de fita magnética. Como guitarrista, tocou em grupos de rock e jazz e ouvia muito a música de Ornette Coleman, Erick Dolphy e Derek Bailey. Sob a influência do saxofonista Kaoru Abe e o guitarrista Masayuki Takayanagi, optou pelo free jazz. Nos anos 90 fundou o conjunto Ground Zero, que se enquadra como noise rock experimental, onde Yoshihide fez muito uso dos samplers. No fim dos anos 90 formou a Otomo Yoshihide's New Jazz Orchestra com bases no jazz tradicional, mas com as características do trabalho de Yoshihide. Entre os membros da OYNJO, se encontram grandes improvisadores como o trompetista Alex Dörner, o pianista Cor Fuhler e os saxfonistas Alfred Harth e Mats Gustafsson. Esta releitura da grande obra de Eric Dolphy, o Out To Lunch, a OYNJO foi muito feliz em sua execução e Yoshihide acrescentou sua própria composição no final da peça, entitulada de "Will Be Back", provavelmente se referindo a foto da capa original do disco de Dolphy, que é um close na porta de uma barbearia com o aviso numa placa.
Clique na foto da capa acima para acessar o arquivo, ou no título do post.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

The Return Of The Living Dead Vinyl... Mas o assunto é outro!

Mais uma vez esta conversa sobre a volta da bolacha preta, uma gravadora que está reativando a única fábrica de lp's do Brasil e etc... Alguns disqueiros que se agrupam em sebos e lojas especializadas se iludem com a remota possibilidade do mercado de vinil voltar aos aureos tempos. Só Jesus Cristo para ressuscitar os mortos, mas creio que ele não está nem um pouco interessado neste tipo de moribundo. Calma, não tenho nada contra se o fetiche se focaliza agora nos discos, as pessoas tem o direito de se divertir com isso. Mas como eu já escreví antes aqui, só não me venham com as furadíssimas argumentações da suposta qualidade superior de gravação.
Este é um ponto ao qual eu quero me referir: O que está por trás destas questões? Não estou falando sobre detalhes tecnológicos e saudosismo, mas sobre a polêmica, a discussão em torno desses objetos.
Poucos são os que assumem a questão material mesmo do fetiche, de manusear o disco, contemplar a arte da capa(que nem sempre é lá grandes coisas), sempre tem alguém se auto-afirmando um audiófilo e dando desculpas constrangedoras sobre detalhes técnicos sobre amplitude, acústica e etc. Estas questões se repetem em vários ítens de consumo porque o ser humano continua o mesmo.
Existem pessoas que acumulam pilhas de dvd's de filmes, seriados, etc num ato compulsivo e nem percebem isso, muitos desses dvd's nem foram assistidos por completo. Muitas vezes são apenas um adjetivo de quantidade, do tipo: "Eu tenho a série ou temporada completa de tal coisa...", e nem percebem no que se tornaram, tanto que estas pessoas encontraram nos colecionadores de vinil o perfeito bode expiatório para se justificarem de seus problemas de consumo, dizendo que os colecionadores de vinil só pensam no dito cujo e que não gostam realmente de música e só querem se exibir com suas coleções. Algo parece familiar?
Tudo isso é um problema dos primórdios da humanidade. Para quem acha que e o tal do casal Adão e Eva são apenas uma ficção, então pelo menos usemos eles como exemplo prático de duas pessoas que erraram e se justificaram colocando a culpa no outro. Adão culpou Eva, que culpou o capeta em forma de serpente.
Outras pessoas tomam atitudes radicais como na bíblia, quando Jesus fala para arrancar o seu olho esquerdo se este o induz ao erro, pois é melhor perder um membro do corpo do que ele inteiro. Claro que isso é simbólico, se a pessoa não sabe beber e se descontrola e faz um monte de presepada, que não dê o primeiro trago. Jesus também conta uma parábola sobre um jovem rico que quer seguí-lo. Então Jesus pergunta sobre alguns ítens aos quais o jovem já pratica. Por fim ele diz ao jovem para pegar sua fortuna inteira e doe aos pobres e o siga. O jovem se entristeceu com a parada e parece que ficou por alí mesmo com sua bufunfa. Mais uma vez a simbologia entra em ação: Jesus não disse para ele fazer isso literalmente e sim que ele não desse mais tamanha importância ao dinheiro em sua vida, que fosse mais generoso, caridoso e desapegado aos bens materiais.
Agora falo apenas por mim: Meu crescimento espiritual e transformação não depende do fato de eu desfazer da minha coleção de discos de vinil, pois eu não pretendo fazê-lo, simplesmente porque a minha coleção ocupa apenas um armário e principalmente os últimos lugares da vasta lista de prioridades em minha breve vida nesta terra.

ps.: como diz o ditado popular, não é o habito que faz o monge(ou, não é u terno que faz um evangélico), isto é, tudo depende da mudança interior.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gabriel Orozco

Título: Four Bicycles (There Is Always One Direction) - 1994
* mais informações aqui

terça-feira, janeiro 05, 2010

David Murray Octet

Aqui temos alguns dos melhores músicos de uma geração da música ousada, conhecida pela Associação para o avanço de músicos criativos (AACM), que tem como nomes bem conhecidos, os membros do Art Ensemble Of Chicago e Anthony Braxton, entre tantos. David Murray é o que podemos chamar de herdeiro da geração de Coltrane e Ayler, com suas raízes fundamentadas no rhythm'n'blues, spirituals e gospel music. Murray também participou de um dos melhores grupos de música ao lado do ROVA saxophone quartet, o World Saxophone Quartet, com Julius Hemphill, Hamiet Bluiett e Oliver Lake em sua foramação original em 1977. Ajudou a manter em atividade a continuação dos caminhos abertos por Cecil Taylor, Ornette, Trane e Ayler nos tempos difíceis dos anos 70, onde não havia lugares para os músicos mais ousados se apresentarem, a não ser os porões e sótãos, como o estúdio Rivbea de Sam Rivers.
Na gravação do disco Ming, Murray conta com a participação de Henry Threadgill no saxofone alto, que é um grande compositor e arranjador em plena atividade; Olu Dara no trompete também tem trabalho direcionado ao blues; Lawrence "Butch" Morris no cornet é maestro condutor, arranjador, compositor e aqui ele mostra seu talento como instrumentista; George Lewis no trombone é um dos maiores improvisadores de seu instrumento e continua inovando em sua arte; Anthony Davis no piano é compositor ligado a AACM e está ligado a area de ensino, como a YALE University e a University of California San Diego; Wilbur Morris no baixo foi um dos principais entre os músicos como Pharoah Sanders, Sonny Simmons, Alan Silva, Joe McPhee, Horace Tapscott, Butch Morris, Arthur Blythe, Charles Gayle, William Parker, etc e Steve McCall na bateria foi um dos fundadores da AACM, fez parte do trio AIR ao lado de Threadgill e o baixista Fred Hopkins. clique na foto acima ou o título do post para acessar o link.

Flauta subcontrabaixo



Por enquanto, este video acima mostra a maior flauta do mundo, fabricada por Kotato & Fukushima e tocada por Stefan Keller no Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Token Entry - Ready Or Not Here We Come 7" (1985)

Uma das melhores bandas de New York dos anos 80. Este compacto ainda contava com o primeiro vocalista, o Anthony Comunale, que foi para o Raw Deal que mudou o nome para Killing Time. A capa foi desenhada pelo baterista Ernie que era responsável pela arte da banda. Apesar da baixa qualidade da gravação, vale a pena conferir as versões originais que depois fizeram parte de seu primeiro lp, o From Beneath The Streets de 1987, já com Tim Chunks como vocalista definitivo. O Token Entry tinha aquela característica do chamado New York Hard Core, um som mais duro e pesado, como o Agnostic Front, Cro-Mags, que tem uma sonoridade mais voltada ao heavy metal. Mas outros grupos como o Murphy's Law já misturavam sonoridade de ska, reggae e rap (inclusive o falecido baixista Chuck Valle do Murphy's Law foi engenheiro de som no disco de LL Cool J) e o Token Entry tinha um pouco de rap no estilo de cantar de Tim Chunks, além de momentos mais melódicos e a forte ligação com o skate. No último disco da banda, o The Weight Of The World, a sonoridade mudou bastante, sendo até criticado como uma mediocre banda de funk'o'metal, mas isso veio de fãs radicais do estilo hardcore. Ruim mesmo foi a banda que Ernie formou, o Black Train Jack que teve seu disco lançado aqui no Brasil e até eu comprei o disco. Tinha uma faixa que o Ernie cantava e lembra o Token Entry, mas o resto, sinto muito. Tem uma versão de One Love de Bob Marley que é simplesmente horrível de doer. Mas o Token Entry foi realmente uma das melhores bandas de hardcore de New York e uma bela trilha sonora para as street sessions de skate. Clique no título do post ou na imagem para acessar o arquivo.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Napalm Death - a trilha sonora do fim do mundo I

O Napalm Death realmente tem sua importância na música com seu estilo agressivo. Não dá para afirmar que eles criaram sozinhos o grindcore, pois na maioria dos casos em que algo novo é criado na música em geral, isso acontece simultaneamente em várias partes do mundo e geralmente quem recebe o crédito é quem consegue publicar, registrar seu trabalho.
Esta fita k-7 de demonstração foi gravada em 1985, ainda não tinha o formato consagrado anos depois com os discos Scum e From Enslavement To Obliteration com a famosa dupla Lee Dorrian e Mick Harris(baterista que fez parceria com John Zorn). Na verdade parece com muitas das bandas de hardcore punk inglesas e da Escandinavia, no melhor estilo gravação horrível. Vale a pena conferir os primórdios barranqueiros da banda que acelerou o BPM da música. Clique na foto ou no título do post para acessar.
p.s.: A capa acima é a suposta demotape intitulada de Punk Is A Rotting Corpse de 1982. Muitos afirmam que na verdade é outra banda que fazia parte das primeiras coletâneas que o Napalm Death participou. Em todo caso, clique na foto ou no link e confira: http://www.mediafire.com/file/ywarzmfncdj/ND - PIARC.rar

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Kalaparusha Maurice McIntyre

Maurice McIntyre está entre os que eu chamo de sacerdotes musicais, como foi Albert Ayler, Frank Wright e prossegue ainda com Pharoah Sanders, David Murray e Charles Gayle, que entregam seu louvor à Deus através de sua música de forma livre. O título do disco já diz do que se trata, nos saudando com a paz e as bençãos do Criador em forma de música com suas raízes africanas e a música desenvolvida pelas gerações anteriores no território norte-americano. Peace and Blessings foi gravado em 1979 e conta com McIntyre no saxofone tenor, flauta, clarinete em Bb e baixo e percussão, Longineu Parsons no trompete, flugelhorn, flauta, Leonard Jones no baixo e King I Mock na bateria. No título do post e na foto da capa se tem acesso ao arquivo.

Pagan Babies, Philly hardcore



Me lembro que à mais de 15 anos atrás, eu estava na galeria do rock e passei em uma loja de discos, que não tinha nada em especial, as prateleiras não tinham coisas tão incomuns a não ser por um que me chamou a atenção. O disco em questão tinha uma capa com desenho típico do grafitti estilo hiphop feito com caneta hidrográfica: Pagan Babies, Next. Logo ví que se tratava de uma banda de hardcore, conhecia a gravadora Hawker records que era especializada no estilo. Resolví levar apostando que iria gostar, pois não dava pra ouvir o disco na loja. Geralmente disco importado, o lojista acha que tem de ser mais caro, sendo que na maioria esmagadora das vezes, ele nem pagou pela taxa de importação porque não o comprou lá fora ou o disco é de segunda mão. Ainda mais se for disco de hardcore, que é de gravadora independente e possui o preço menor em relação aos de grandes gravadoras. O disco do Pagan Babies pertenceu à um membro da revista Rock Brigade que fez a resenha, que provavelmente não entendeu a proposta musical, pois a resenha tinha poucas linhas com comentários nem um pouco empolgados. Como a revista na época era muito restrita ao heavy metal, não agradaria os editores e público dela.
Quando ouví o disco gostei na hora, tinha algo em comum com outra banda que gostava, o Token Entry, tanto que era a mesma gravadora e ambas se conheciam. Digamos que o Pagan Babies era um primo da Philadelphia do Token Entry. O disco tinha duas versões de músicas mais antigas: Beyond The Fringe do Lime Spiders e The Bitch do Slaughter & The Dogs que está no video acima.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Sunny Murray at MOERS Festival (1979)

Mesmo estando praticamente exilado na Europa a decadas, não por questões judiciais, mas por questões políticas, de cidadania, pois se estivesse permanecido em seu país, estaria numa situação humilhante, como esteve em meados dos anos 60, a ponto de seu apartamento não possuir maçaneta na porta e muito menos móveis. Sunny é um sobrevivente entre os pioneiros da libertação musical dos anos 60, ao lado de Ornette Coleman e Cecil Taylor. Quase foi o substituto de Elvin Jones na chamada última fase de John Coltrane. Recusou o convite diante do testemunho de Cecil taylor e Anthony Braxton, por conta de sua grande amizade com Elvin.
Sunny desenvolveu a nova linguagem da percussão para um caminho mais livre, que não se prendia aos estatutos convencionais de ritmo. A bateria passou a ser um elemento de textura sonora, mais uma peça elementar nas peças de improvisação.
Nesta gravação de 79 no famoso festival na Alemanha em sua oitava edição, Sunny se apresenta com seu trio formado pelo saxofonista David Murray, o baixista Malachi Favors, conhecido pela sua longa associação com o Art Ensemble Of Chicago e a AACM e o percussionista senegalês Cheikh Tidiane Fall nas congas, que já tocou com Archie Schepp, Dexter Gordon, Herbie Hanckok, Abeey Lincoln, Art Ensemble of Chicago, Pharoa Sanders, Teddy Edwards, Steve Lacy, entre outros.
clique na foto para acessar

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Cryptic Slaughter: Bel Air, California (21/06/1986)



O Cryptic Slaughter foi formado em 1984 por Les Evans, Scott Peterson e Adam Scott com idades entre 14 e 17 anos. Em 1986 com Bill Crooks na voz principal, Les Evans na guitarra, Rob Nicholson no baixo e vocal de apoio e Scott Peterson na bateria, lançaram o lp Convicted que se tornou um clássico do hardcore e do crossover. Na época não havia se consolidado o grindcore, tendo como seus maiores representantes o Napalm Death, (que inspirou John Zorn a formar o Naked City) o Carcass, que lançariam seus discos de estréia no ano seguinte: Scum(1987) do Napalm Death e Reek Of Putrefaction(1988), do Carcass e o Sore Throat que foi formado em 1987. Não haviam bandas de hardcore, punk e thrash metal que tocassem tão rápido quanto o Cryptic Slaughter.

sábado, dezembro 12, 2009

Iceburn

O Iceburn esteve no meio controverso do hardcore, gravou alguns discos pelo selo símbolo da facção straight-edge, a Victory records, com sua estética e idealismo um tanto duvidosos e principalmente a Revelation records, ligada ao ex-vocalista de um dos pioneiros grupos a levantar a bandeira da ideologia, o Youth Of Today.
A sonoridade do Iceburn foi evoluindo, deixando aos poucos a formação mais corriqueira de baixo elétrico, bateria e guitarra e alguns momentos com poesia cantada para o instrumental, adição de instrumentos de percussão e sopro em longas sessões de improvisação e distorções sonoras.
Não digo que o Iceburn foi um grupo de Freejazz ou coisa parecida, mas tinha ligação com o que costumam chamar de Jazz. Seus membros tinham como uma de suas influências e com o passar do tempo sua estética se assemelhou em muito ao Freejazz. É aquela visão curta de que basta um grupo instrumental possuir um instrumento de sopro e logo chamam de jazz.
Mas o Iceburn, independente destes inúteis rótulos, foi um grupo muito interessante em atividade nos anos 90, dando um novo espectro dentro do rock das novas gerações após a ruptura de padrões desencadeadas pelo punk-rock.
Deixo aqui algumas faixas de um de seus últimos trabalhos o disco independente entitulado de Speed Of Light / Voice Of Thunder(1999), sob o nome de ICEBURN DOUBLE TRIO. Infelizmente eu vinha extraindo o disco faixa por faixa no Soulseek e antes de completar 1/3 do disco, o arquivo saiu da rede. É lamentável pois é um dos melhores trabalhos do grupo e tal gravação se encontra fora de catálogo.
Clique no link para acesso ao arquivo:

http://www.mediafire.com/?c4jezv0txfk


Afinal, o que é arte?

Bem, esta pergunta eu creio que já tem resposta, embora muitos prefiram fazer suas próprias conjecturas sobre o que se pode ser considerado arte. As definições mais comuns de se encontrar por ai, giram em torno de definições como esta:
"
A arte é uma criação humana com valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) que sintetizam as suas emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura. É um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras, e no qual aplicamos nossos conhecimentos. Apresenta-se sob variadas formas como: a plástica, a música, a escultura, o cinema, o teatro, a dança, a arquitetura etc. Pode ser vista ou percebida pelo homem de três maneiras: visualizadas, ouvidas ou mistas (audiovisuais). Atualmente alguns tipos de arte permitem que o apreciador participe da obra. O artista precisa da arte e da técnica para se comunicar."
Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno.


A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico. Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na figura do xamã, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico. Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades. Este era o sentido que os gregos, na época clássica (século V a.C.), entendiam a arte: não existia a palavra arte no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica" nas línguas neo-latinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas, pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo artes marciais. No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade artística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para se referir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico, quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para ser classificada no meio da religião e da ciência".

O que me estimulou a escrever este post foi uma discussão sobre a arte com um amigo e discordamos em alguns pontos do que se define o que é arte. Eu estava apenas concordando com o que podemos chamar de "versão oficial" das várias definições e que muitas delas acabam por defender os interesses próprios de quem acredita. Devido a perniciosidade dos tempos modernos, qualquer coisa pode ser arte, de peças publicitárias à meros produtos de consumo.
Então eu exemplifiquei como o texto logo acima que fala sobre técnica, habilidade e disse que o AK-47 (Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda - Arma Automática de Kalashnikov modelo de 1947, é um fuzil/espingarda de assalto de calibre 7,62 x 39 mm criado em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzido na União Soviética pela indústria estatal IZH), pode ser considerado uma obra de arte, independente do fato de ser um instrumento bélico.
Bem, tudo isso é vaidade, um verdadeiro enfado da existência humana e deixar solta a tampa do saleiro do bar é classificado como fazer arte...

terça-feira, dezembro 08, 2009

Ken Vandermark

Quem tem acompanhado o cenário musical instrumental nestes últimos 20 anos, já deparou várias vezes em 2 nomes no que se diz em relação à inovação e criatividade: John Zorn e Ken Vandermark. Vandermark especializou seu espectro musical usando como ponto de partida o que chamam de Jazz. Mas seu repertório inclui outras áreas de seus gostos pessoais, como o funk, o reggae, o rock, etc., como podemos constatar em seus trabalhos envolvendo artístas destas áreas.
A gravação Design In Time foi lançada à 10 anos e conta com a formação de um sopro e duas baterias, dando um novo horizonte ao que ficou conhecido através de Coltrane/Ali e entre tantos outros, como Shelly Manne e Coleman Hawkins em sua gravação do album 2, 3, 4 pela Impulse de 1962. Robert Barry é o baterista original da Arkestra de Sun Ra e ainda está na ativa, tocando com grandes músicos como Fred Anderson, Kidd Jordan e Hamid Drake. Tim Mulvena fez parte do Vandermark 5 e foi para o The Eternals.
Muito interessante a junção de bateristas de gerações diferentes, que se complementam harmoniosamente ao amplo discurso de Vandermark. Design In Time tem 4 originais compostos por Ken, ao lado de classicos da música instrumental em sua forma mais inovadora:
1. Law Years (Ornette Coleman)
2. Sounds And Something Else (Sun Ra)
3. One More Once (Ken Vandermark)
4. Well Suited (Ken Vandermark)
5. Cut To Fit (Ken Vandermark)
6. Angels (Alber Ayler)
7. Feet Music (Ornette Coleman)
8. The Thing (Don Cherry)
9. Top Shelf (Ken Vandermark)
10. Green Chimneys (Thelonious Monk)
11. Peace (Ornette Coleman)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Circle Jerks

O Circle Jerks é uma das minhas bandas preferidas do hardcore punk. Certamente o seu disco Wild In The Streets é um dos melhores do estilo musical e fez parte de muitas sessões de skate nas ruas: "Wild! Wild! Wild!... running wild in the streets!". Seus membros fazem parte muito importante do punk norte americano, o vocalista Keith Morris também fez parte do Black Flag e o guitarrista Greg Hetson no Bad Religion, que apesar de ser muito criticado no meio, não deixa de ser uma banda importante e original, levando as raízes da música caipira norte americana para uma visão contemporânea do punk rock. O Circle Jerks exala as raízes do rock'n'roll nos acordes simples e as frases típicas dos tempos do Chuck Berry, mas só que com a agressividade e velocidade dos tempos conflituosos do hardcore nos anos 80.
A música "Golden Shower of Hits (Jerks on 45)" é um medley de seis músicas contando a história de um casal que se conhece, se apaixona, tem uma gravidez não planejada, conflitos de casamento e o divórcio. As músicas originalmente são:
"Along Comes Mary" by The Association;
"Close to You" by The Carpenters;
"Afternoon Delight" by Starland Vocal Band;
"Having My Baby" by Paul Anka and Odia Coates;
"Love Will Keep Us Together" by Captain & Tennille;
"D-I-V-O-R-C-E" by Tammy Wynette.
As músicas "Coup d'État" e "When the Shit Hits the Fan" fizeram parte da trilha sonora daquele estranhíssimo filme de 84, o Repoman, sobre um cara que trabalhava como cobrador de empréstimos e geralmente ia na casa do devedor e tomava-lhe o veículo mesmo sem o seu consentimento. Quem fazia o papel principal era Emilio Estevez e o ambiente era no meio da juventude punk, mas a história progride para para um enredo absurdo envolvendo alienígenas.
Clique na imagem da capa que é o link para acesso do arquivo.

sábado, novembro 28, 2009

O novo hit do verão e a responsabilidade social


A nova propaganda do referesco em pó Tang trás o novo hit do verão: Preparou bebeu, faz. É uma das melhores músicas feitas ultimamente no Brasil, independente de ser apenas um jingle direcionado ao público infantil. Não meus caros, a canção do momento não veio do reduto axé e muito menos de uma roda de artístas numa mesa de bar e de acordes complexos da bossa. Seria maravilhoso se esta canção tivesse surgido num playground ou intervalo de aulas na escola, mas provavelmente foi minuciosamente composta por uma equipe especializada em jingles publicitários, onde tudo é calculado para dar certo em termos mercadológicos, todo o tipo de referência para fácil assimilação do público. Bem, isto realmente não importa. O caso é que quando eu assisti esta propaganda na tv aberta, a música desceu suave, agradável, ou seja, gostei no ato e senti que era a melhor coisa que tinha ouvido em termos de música nacional nestes últimos tempos. Enquanto a massa se emociona com as canções falando de sofrimento de amor, de baixarias e outras coisas, uma simples canção de propaganda de suco em pó faz mais efeito do que anos e anos de "potresto" punk. A música fala em preservar o planeta terra, o eco sistema, usar a água potável de forma racional, de reciclar os materiais. Afinal agora que a coisa tá feia e já tá meio tarde para evitar os grandes estragos da intransigência da indústria de consumo, as pessoas estão com esse papo de auto sustentável e etc. O que eu notei, mesmo com o lado extremamente correto e positivo de ensinar as crianças desde cedo sobre este tipo de coisa, isso me caiu como uma certa ironia. Explico. Tão jogando esta responsa as costas da criançada que não tem culpa de seus pais serem um bando de porcalhões poluidores e desperdiçadores. Pois é, talvez muitos ainda não tenham consciência, mas mesmo assim são as crianças que vão ter que arcar com esse pepino.
 
 
Studio Ghibli Brasil