quarta-feira, maio 30, 2007

CASA COR 2007



Muitas novidades, como uma banheira que se aciona e controla a temperatura da água por telefone celular. O decorador responsável pelo seu banheiro hi-tech, ainda de lambuja, filosofou sobre a questão do meio ambiente, ecologia, a preciosidade da água e bláblás e blás. Uma decoradora que esteve em outro planeta nestas últimas duas décadas, descobriu a "novidade" dos materias recicláveis, se maravilhou com sua própria criação de um suntuoso bar feito com garrafas PET, transformando o lixo em luxo!!! Outro "gênio" decorador ditou a nova tendência da casa do futuro, onde a casa "serve" ao morador e suas visitas, a cozinha, o "living" estão integrados(a burguesia descobriu que é "chic" recepcionar seus convidados na cozinha...). E mais um outro decorador de intelecto privilegiado descobriu que o maridão pode assistir seu sei lá o quê no seu hometheater, ao mesmo tempo em que pode observar sua esposa tomando banho por uma espécie de teto de vidro que "integra" ao banheiro da casa.
Mais uma edição deste evento de decoração esfregando na cara da população, a luxúria dos bens de consumo. Como sempre, o local é o grandioso templo ritualístico da burguesia paulistana, o Jockey Club de São Paulo, onde a jogatina não é uma coisa feia, nem o exibicionismo, seja de chapéus ou vestidos, carros, etc.
Ah não, mais um discurso idealísta de um socialista de faculdade... Não, não meus caros, não completei o tal do ensino superior, não lí os livros do Karl Marx, Trotsky entre outros. Não tenho lá muita predileção por nenhum movimento político social, pois até agora, só é bonito no discurso e no papel. É isso aí, o nosso eterno país do futuro. Para meia dúzia, este futuro já é presente movido a monitor de plasma e controle remoto. Só que para a grande e esmagadora maioria, esse futuro sempre será conjugado no verbo do futuro do remoto, claro o remoto no sentido, bem você sabe...
* De quebra, o nosso glorioso Brasil está no octogésimo terceiro lugar de uma lista de 121 nações ditas pacíficas... Bossa Nova? Ãhã...

sexta-feira, maio 18, 2007

Nego Moçambique



Nego nos trambique, Nego mó sem pique... hahahahahahahahahahahaha!
Marrrrrrrrrrcelo de Brasília. Conhecí o Marcelo anos atrás, quando ele estava morando em São Paulo, bem perto da minha casa, dividindo apartamento com meu amigo Cassiano, o Dudu e o Gil. Ele ainda não usava o codinome de Nego Moçambique, tinha outros trabalhos de música eletrônica que eu não conhecia e arte gráfica, ilustração. Nossas conversas não giravam em torno de música eletrônica, mas em música como forma de expressão, de arte, ritual. Pois nessa época, eu estava mais concentrado em outro tipo de música, só falavamos de coisas em comum como HipHop, outros gêneros de música eletrônica, etc. Eu não via com bons olhos a febre da música eletrônica desencadeada pelo Drum'n'bass, Breakbeat e afins que era novidade na época. Haviam poucos DJ's e afins, Chemical Brothers, Prodigy e Goldie ainda eram sensação, etc. Foi legal que o Marcelo me mostrou o lado bom da House Music, pois eu só conhecia as coisas meia boca que rolavam entre os moderninhos e só conhecia e gostava de vertentes como o Acid House e Hip House, do final dos anos 80.
Mas o mais legal de nossa amizade, é que conversamos muito mais sobre a vida do que de música como produto, novidades e afins. Passamos muitas horas filosofando sobre a vida e o universo e coisas simples, como pão na chapa com café. Hoje em dia, por questões da vida e geográficas, não tenho muito contato com ele. Mas as poucas vezes que nos encontramos, é como rever um irmão de sangue querido que mora em outra cidade. É uma honra ser amigo do Marcelo.
Quanto ao Nego Moçambique, está lançando o seu novo trabalho o "La Rumba Computer". Confesso que não é o tipo de música que frequenta meu aparelho de som, mas é muito bom mesmo. Acho isso desde seu primeiro disco. Aconselho independente de ser amigo dele, pois tem qualidade, o mano faz as coisas com esmero. É só conferir ouvindo o disco.
Aqui vai o site também:
http://www.segundomundo.com

terça-feira, maio 15, 2007

Roscoe Mitchell


Mais uma gravação do estranho mundo do selo fonográfico ECM. Se trata de uma longa suíte dividida em 9 partes, gravada em Setembro de 2004. O conjunto é formado por 14 músicos, incluindo Evan Parker nos saxofones tenor e soprano e Marcio Mattos no cello. Roscoe Mitchell é muito associado ao mundo do Jazz por conta do grupo Art Ensemble Of Chicago, ligado ao free Jazz ou de vanguarda, como muitos rótulos surgiram nos anos 60. Mas Roscoe Mitchell já transita livremente pelo amplo universo da música, é, simplesmente música, como ele mesmo define o que tem feito a muito tempo.
No encarte do cd há uma explicação muito mais detalhada dos conceitos usados nestas gravções, mas também nestes dois links: http://www.ecmrecords.com/background/Background_1872.php
e http://www.unforseen.de/pdf/parker_mitchell_en.pdf
O título do post também é um link para o site do grupo Art Ensemble Of Chicago onde tem mais informações sobre Roscoe Mitchell.

sexta-feira, maio 11, 2007

RELIGIÃO NÃO PRESTA!!!

É isso mesmo, esse lance de religião no saldo geral da humanidade, sempre foi um atraso de vida. Tem gente que diz que religião ajuda uma pessoa ser melhor. Se fosse realmente eficiente, não estariam aí tantos problemas, de ignorância à violência, passando pela injustiça, manipulação de poder, ganância, desonestidade, egoísmo, hipocrisia, etc.
Num lamentável recente episódio envolvendo líderes de uma igreja evangélica de São Paulo, boa parcela da sociedade e mídia caiu de pau em cima dessa pala. Independente de evidências, culpa e julgamento, uma visão real e comparativa fazendo um paralelo da visita do Vaticano ao Brasil.
Ah sim, este país abençoado por Deus, como diz Jorge Ben, e bonito por natureza, mas que beleza! Um dos maiores contingentes católicos do mundo, onde uma imagem de Jesus Cristo(e na Bíblia o próprio Deus pai de Cristo condena a adoração de imagens...) abraça uma cidade crivada de balas perdidas, corpos de culpados e inocentes tingindo de sangue suas ruas. Um país em que homens abusam do poder em orgias com crianças e saem livres e só o garçom que é pobre, está preso. Aí me vem a pergunta, o que adianta este país ser católico em sua maioria, se a maioria não cumpre com o principal mandamento de Deus que é:
Amar ao próximo como a sí próprio?! Mas voltemos ao espetáculo promovido pelo Vaticano...
O líder máximo da religião católica vem ao Brasil com a intenção de convencer o presidente Lula a conceder favorecimentos aos católicos. É isso mesmo, você que é ateu, budista, muçulmano, espírita, protestante, judeu, taoísta, etc, ficaría de fora da fatia do bolo. Seus filhos seriam obrigados a engolir a doutrina católica em escolas públicas, o seu dinheirico suado que vai para os impostos seria gasto mais ainda em nome do catolicismo. Se verba pública fosse gasta na construção de um templo budista ou um terreiro de Candomblé, o pau comeria na Justiça, não é mesmo? Ainda bem que o nosso criticado presidente Lula é sensato e sabe que o Estado não tem que se misturar com religião, cada um na sua devida função.
Recentemente houve um evento evangélico beneficente no estádio público do Pacaembú, onde a elite residente das redondezas, quer processar a igreja evangélica que supostamente desobedeceu a Lei, com uma suposta apresentação de shows de música que estão proibidos no local. Mas a organização do evento alegou usar apenas playback e a aparelhagem do local, estando então, dentro das normas da Lei. Aí numa situação de dois pesos e duas medidas, a missa católica realizada no mesmo estádio com a presença do papa, contou com uma mega estrutura com shows de bandas...
Independente de culpas à parte, me vem na cabeça uma questão:
Como as pessoas encaram os milhões de Reais gastos com esta visita do Vaticano, sendo que boa parte é de verba pública(é meu caro não-católico, fruto do teu trabalho) se comparado a aproximadamente U$ 56.000 Dólares oriundos de doações particulares voluntárias ocultos em uma Bíblia?
Por essas e outras, não sigo nenhuma religião.
Deus, em nome de Jesus Cristo, tenha piedade de nós.

quarta-feira, maio 09, 2007

A Virada Cultural

Bom, foi evidente que este evento é mais do que necessário para a castigada população paulistana tendo em vista o enorme público que compareceu.
Mas também ficou claro que a Virada Cultural tem que ocorrer mais vezes ao longo do ano, como por exemplo, uma vez por mês, para evitar um mau estar de um Virado à Paulista consumido às pressas, afinal é um prato cheio e bem pesado ao estômago. Digo isto porquê ficou pra lá de evidente a carência da população em relação ao lazer, a cultura. Quem pode pagar shows, espetáculos, etc. com preços surreais oferecendo serviço de qualidade bem duvidosa, é uma pequena parcela desta metrópole.
É uma situação patética para quem paga no mínimo R$50,00 num espetáculo que não lhe dá garantias de desfrutar com qualidade, seja de som, imagem, conforto, segurança, pontualidade, etc.
O consumidor que pode pagar este valor ou até mais, grande parte pertencente a elite, costuma pagar caro por algo feito nas coxas, por empresas gananciosas e irresponsáveis quanto às suas obrigações como empresas que oferecem serviço. São comuns os casos de pessoas que vão à um restaurante ou casa noturna e deixam seus veículos sob responsabilidade do estabelecimento e ocorrem "acidentes" e até furtos de objetos dos clientes. É meu chapa, bela fachada, mas os bastidores...
Mas sobre a Virada Cultural, tem que ocorrer mais vezes, para evitar a superlotação do evento, evitando possíveis tumultos e incovenientes por conta da aglomeração de pessoas num mesmo espaço(opa, temos uma lei da física aqui?)
Ficou jogado na cara que o povo quer cultura e diversão sim! Não só emprego, casa e comida.
Não me venham com essa de "Teoria do Pão e Circo", por favor!
Agora, uma observação sobre o incidente na apresentação do grupo Racionais Mc's:
1. É lógico que iriam muitas pessoas, pois o grupo é muito bom, é muito popular;
2. É uma mentira sem vergonha da elite e meios de comunicação de direita divulgarem que o grupo incita as pessoas à violência, basta prestar atenção nas letras das músicas;
3. Foi registrado ao vivo por emissoras de TV a atitude corretíssima de Mano Brown de apaziguar os ânimos alí;
4. Lamentável e completamente descabível colocarem a culpa no grupo por conta de uma minoria que sim, já foi no intuito de praticar vandalismo e furto, como as cameras do metrô registraram alguns elementos que saquearam lojas já cobrindo os rostos sabendo que poderiam ser identificados.

sábado, maio 05, 2007

Ornette, parabéns!!!

Ornette Coleman, grande artísta, saxofonista, trompetista, violinista, compositor, pintor, educador e segundo um amigo meu que o conhece pessoalmente, uma pessoa amável.
Perdoem-me a grande falha, mas esta informação me foi passada no último dia 16 de Abril deste ano de 2007, que Ornette recebeu o prêmio Pulitzer por conta seu trabalho "Sound Grammar", gravado em 12 de Setembro de 2006.
Pra quem não sabe, Ornette é autor da composição "Free Jazz" que foi gravada pelo selo Atlantic em 1960, onde 2 quartetos improvisavam livremente ao mesmo tempo com um tema pré-determinado.
Contemporâneo de Cecil Taylor, pianista e compositor, desenvolveram este conceito de livre improvisação dentro da música chamada Jazz, no final dos anos 50. Incorporaram outros idiomas dentro desta estrutura e romperam barreiras musicais de uma forma jamais vista.
Ornette sempre indo além, o que causou lamentáveis críticas quando criou seu grupo, o Prime Time, quando introduziu elementos do Rock, do HipHop, guitarras elétricas, etc. Mas mesmo tocando com gente "estranha" ao "mundo do Jazz"(isso não tem a menor importância), como Jerry Garcia do grupo de rock The Grateful Dead, nunca deixou desaparecer suas raízes, como o Blues, a influência local que misturava com a mexicana no estado natal do Texas e o próprio Jazz em sí.
Mas tá aí, um reconhecimento mais que merecido a este grande artísta.
PARABÉNS, ORNETTE!!!

sexta-feira, maio 04, 2007

Virada Cultural

Bom, tá tudo por aí, o que não falta é informação à respeito, de poucas coisas diferentes ao mesmo de sempre, melhor do que nada e é tudo de graça!
De graça, eu queria era um Virado à Paulista, bem servido, com aquele torresmo, couve, logo na segunda-feira!

quarta-feira, maio 02, 2007

Domingão com música

Quando?
Neste domingo, dia 6, às 19:30h

Quem?
J. Abrams(Chicago): baixo acústico;
Maurício Takara: bateria e eletrônicos;
Miguel Barella: guitarra e eletrônicos;
Thomas Rohrer: rabeca e saxofones.

Onde?
Galpão Raso Santa Catarina
Rua Harmonia, 921, Vila Madalena, z/o
São Paulo, SP

Quanto?
R$ 7,00

Que mais?
Tels.: (11)3537 9331 ou (11)7491 5788

Expo Silvana Mello nesta quinta-feira, dia 3 às 18h!


http://fotolog.com/silvanamello
http://flickr.com/photos/choqueculturalsets/72157594270690865/

Galeria Choque Cultural: Rua João Moura, 997 Pinheiros, z/o

terça-feira, maio 01, 2007

Procrastinação

Eita palavrinha estranha hein, parece doença até... Talvez algum amigo meu não esteja familiarizado com este termo, mas o pratica muitas vezes na vida. Do latim procrastinare, é o tal do adiar, protelar, deixar pra amanhã, pra depois...
Seja fazer aquele check-up no médico, aquela visita prometida, aquele regime, sejam coisas importantes ou não, acabam não escapando da tal da procrastinação...
Então aí vai um recado aos meu irmãos de coração, não procrastinem aquele convite que é uma benção, ou melhor, que é uma salvação! hahahahahahahahaha! Que papo é esse hein, parece coisa de crente!
Mas ao bom entendedor foi mais que o suficiente não? Deus abençoe!!!

sexta-feira, abril 27, 2007

Tempos Modernos... mas já? ou sería, ainda?


Disculpa ae, mas eu num tenho instrução pra essas coisa... hahahahahahahahahahahahahaha...
Mas é um tal de iPod music(pode?), laptop da Apple(nossa o baguio é caro pracas, pra ser um TecToy, como diz o cumpadi Fábio), White Noise, Experimental, IDM(INSS pode ser?).
Tamos ae desfrutando da total liberdade artística, não precisa ter habilidade numa Technics MK2 como Q-Bert ou KId Koala ou até o tio Ca$h Money dos velhos tempos do DMC.
Em tempos modernos e escassos de verba, se você não tem grana pra bancar uma entrada de um apresentação de música de vanguarda ou moderna, já experimentou passar o dia na frente de uma funilaria, uma serralheria, uma construção civil? É di grátis!!! Mas num fica muito perto pra sua segurança e ficar toda hora dizendo: "hein?!" ainda na mocidade.

Agenda corrida... quase!

Tudo muito rápido ao mesmo tempo hein? A Sandy e o Júnior não estão mais juntos como dupla musical. Los Hermanos emitiram nota oficial sobre pausa do grupo para projetos pessoais. Lee Perry esteve por aqui, Bad religion e Afrika Bambaataa bate cartão novamente, Skol Beats? School Beasts? O obscuro Medications(quem?) toca por aqui. Exposições arqueológicas, como o Jethro Tull, Motörhead e Buzzcocks. Grupo de improvisação Abaetetuba com Thomas Rohrer e Donny Correa na biblioteca Alceu Amoroso Lima neste sábado dia 28, na av. henrique Schaumann, 777 às 18h. Quem paga R$180 para ver Lauryn Hill? Parece que o Mudhoney estará por aqui novamente. E o meu amigo nego mó sem pique me disse que manda seu novo play pra mim por correio... eita!

sexta-feira, abril 20, 2007

Andrew Hill 1931 - 2007


Hoje, às 4h da manhã, Andrew Hill nos deixa aos 75 anos.
Este brilhante pianista e compositor ficou conhecido pelos seus discos pela Blue Note nos anos 60 e 70.
Tocou com Eric Dolphy, Sam Rivers, Freddie Hubbard, John Gilmore, Lee Morgan, Bobby Hutcherson, entre muitos outros grandes músicos.
Dono de uma criatividade exepcional e inovação, fez grande diferença no cenário musical com suas composições em discos como: Point of Departure, Judgement!, Black Fire, Dance With Death, Smokestack, etc.
Aqui fica minha humilde homenagem à este grande artísta que nos presenteou com sua valiosa arte.
Obrigado Andrew!!!
Visite o site oficial de Andrew Hill:
http://www.andrewhilljazz.com

terça-feira, abril 10, 2007

Sun Ra de verão


Lembro-me de pouco tempo atrás, quando Sun Ra e sua chamada Arquestra, se tornou moda ou "hype" no meio underground. É provável que se não houvesse o aspecto estético intergalático do nosso amigo de Saturno, as coisas poderiam ser diferentes. Pois a estrutura da Arquestra, que tem praticamente meio século de existência, não difere muito das chamadas Big Bands de Duke Ellington, Count Basie, etc. Quem teve a possibilidade de analisar sua extensa discografia, pode comprovar isso. Talvez sem o aspecto inter-galáctico, a Arquestra tería passado batido no meio underground. Será que dariam atenção ao obscuro nome "Herman's Blount Big Band"? Aí ao se escutar suas primeiras faixas, depararíam com composições semelhantes a de Duke, só que com menos exuberância de produção. "Ah, sería mais uma dessas Big Bands de Jazz tradicional ou Swing. Melhor ficar com Duke..." Isso é bem provável.
Ou a pessoa com muita sorte, depararía com alguns de seus discos que Sun Ra explora as cacofonias para ilustrar os sons do universo(mas supondo tudo isso, sem o nome de Sun Ra e o visual todo). Capaz da pessoa até gostar, por que lembra algo do Sonic Youth, só que sem guitarras e é mais antigo. Ou a pessoa achar aquilo um saco de ficar escutando, afinal, qual desavisado aguenta mais de dez minutos de ruídos produzídos por instrumentos de sopro ou até sintetizadores antigos? Talvez um outro mais sortudo ainda tivesse em mãos algum disco da Arquestra flertando com o Funk. "Até que vai, tem um balanço e tal, o pessoal canta, mas o JB's e Funkadelic é mais da hora" Outro mais sortudo podería deparar com a composição "Disco 3000", onde escutaria uma dance music feita com timbres e beats "cafonas" se comparados aos recursos de Roni Size e Chemical Brothers. Mas ainda bem que o "visú" colou de prima, pois assim o nosso amigo de Saturno teve a chance de ser reconhecido postumamente pela juventude.

quinta-feira, março 29, 2007

Cada um por sí e Deus por todos

Três mosqueteiros? Qua qua qua! Só fábula mesmo. Claro que tem um mínimo ainda fazendo o que é certo senão, o mundo já tería acabado. Como diz um bom amigo meu, "...as pessoas como eu, que gostam e compram discos de John Zorn e The Residents, deveríamos morrer nas mãos da população revoltada! Morrer eu não quero, mas se inevitável, morreria feliz pelo povo ter reagido..."
Mas a preocupação individual está tão enraizada, que a primeira reação é reclamar dos direitos que não estão sendo respeitados. E os deveres? "Poxa, a culpa é do governo...", "Eu trabalho a semana inteira e não posso ter o direito de comprar um cd, ir ao cinema, ir na balada?", "Ficar só pensando em problema, já não bastam os meus? Já tá ruim, deixa eu me divertir um pouco!". E assim vai...
Quem quer saber da ultima novidade do FreeJazz, do Rock, do Rap, da Street Art, do Dub, das Artes Plásticas, do Cinema, do Teatro? Meus irmãos, é só meia-dúzia. Milhões e milhões de pessoas iguais a nós querem saber de ter água, luz, comida, casa, escola, emprego e se der, um churrasquinho de domingo. Muita gente sabe que a cultura é essencial na vida do ser humano, que gera benefícios e etc. Mas no momento, é a coisa que menos importa. Como se raciocina de barriga vazia? Não tem como. O instinto fala muito mais alto. É óbvio que temos aqui uma questão de prioridades. Primeiro se arruma a casa, depois se faz a festa. Ou se esconde a sujeira nos fundos e faz a festa assim mesmo, achando que tá lindo, como sempre se fez. Só que não tem mais onde esconder tanta sujeira, que ela já está chegando na sala de estar.
"Eu faço a minha parte". Tá bom... Quantas pessoas você conhece e a sí mesmo se encaixa numa atitude de ir ao shopping comprar algo para sí e lembrar de comprar a mesma coisa também para alguém que não pode? A maioria das pessoas só fazem caridade de coisas que elas não precisam, como roupas velhas, livros que ocupam espaço, moedinhas de troco que estão incomodando. Só doam coisas que não lhe fazem falta, que estão sobrando. É muito fácil pagar um almoço para alguém se você tem o seu garantido, mas dividir quando se tem só aquele, sem previsão de ter outro? A maioria das pessoas só faz algo pela barganha, seja material seja por aliviar a consciência, seja para receber agradecimento.
É meus irmãos, este blog de nada vale, pois não tem a menor importância saber do último disco do Vandermark 5, do documentário do Albert Ayler, da nova geração do Freejazz. Como também se o King Tubby vai tocar, o novo disco do Beans, a volta do Pere Ubu ou as novas do Rap Underground.
Mas ânimo!!! Vamos continuar a fazer o que é certo. O nosso caneco de água não vai evitar o incêndio na floresta, mas é o melhor que podemos fazer!

quarta-feira, março 21, 2007

Dizer hoje, antes que seja tarde

É, ele tem o dom... mãos longas e finas que possuem rítmo refinado. Não, não fez escola, conservatório. Mau teve instrumento próprio à sua altura para expressar sua arte. Não nasceu no morro nem na favela, muito menos no berço do samba. Forró? Tem o pai, de coração enorme, mas logo enveredou por outros caminhos, sim, Heavy Metal, Hardcore, Blues, Rock'n'Roll e por aí vai. Até comprou uma guitarra mas Johnny Be Good não vingou. Não foi como Raul, baiano loco que rock tocou. Mas sua arte aflorou ritmicamente de suas origens. Com um pandeiro simples ou qualquer superfície percussiva sai música.
Mesmo sem saber, com um par de baquetas, soava como um Sunny Murray em estado bruto. "Freejazz Naïf"? Sim! Quem diria?!
Tudo isso aliado a uma humildade até prejudicialmente excessiva, muitas vezes se colocando apenas como um ouvinte, apreciador. Não há como negar, boas oportunidades surgiram, mas em certo momento a frieza da grande metrópole lhe roubou a garra. Não é brincadeira, pois seu amigo e meu também, de sangue paraíba, parou de desenhar. Mas este se fortaleceu nesta dificuldade, pois toca uma família com muita dignidade. Mesmo lhe faltando a calorosa proteção paterna desde o berço, como nosso amigo tem, de origem potiguar.
O tempo passa, não espera ninguém, aqui não tem Michael J. Fox pra dar um jeito. A cidade avança e esmaga os justos. O grande pai veio com a cara e a coragem enfrentar a grande cidade, mas esta lhe empurrou pra lá do córrego Pirajussara. Mesmo assim se manteve firme e forte. Mas a terra lhe chamou de volta pelo coração, lugar de lindo nome, Natal. Meu amigo já tem esta promíscua cidade em seu coração, São Paulo, ame ou odeie. Não quería ir, mas não há escolha e não tem força e fé de Davi para encarar o desafio. Foi tudo muito rápido, não tive tempo de dar-lhe um abraço de irmão e boa sorte. Meu desejo é que volte algum dia com a força e a fé para tomar posse do que sempre foi seu.
Quanto a meu amigo e irmão de sangue paraíba, não me importa quando e onde mas nós, junto com o magrão jogaremos nossa partida de dominó.

segunda-feira, março 19, 2007

Ken Vandermark - (((Powerhouse Sound)))

foto: Nancy J. Parisi

O (((Powerhouse Sound))) formado em 2005, é mais um dos muitos conjuntos que Ken Vandermark faz parte. Segundo ele, a idéia do grupo é juntar as idéias de Dub de Lee Perry, as idéias rítimicas de James Brown e as idéias de colagem sonora do Public Enemy. Conta com a participação dos membros do grupo Tortoise e Isotope, Jeff Parker e John Herndon.
Mantendo sua característica de homenagear artístas em suas composições, como no seu principal grupo, o Vandermark 5, temos homenageados: Miles Davis, Lee Perry, Coxsonne Dodd(Studio One), Burning Spear, The Stooges, King Tubby, Bernie Worrell (Parliament/Funkadelic) e Hank Shocklee.
Aqui dá pra ouvir uma amostra do som:
www.cduniverse.com

sexta-feira, março 09, 2007

Bush, "potrestos" e um drink de etanol...

Tudo bem, não vejo coisa boa nessa visita. O homem está aqui de olho no nosso "ouro". É claro como a água mineral que se vende nos semáforos que ele está preocupado e quer também desarticular o Mercosul, como também que o mercado do petróleo está se estreitando devido a muitos fatores e o mais grave é o impacto ambiental e a pressão em cima disso. Afinal ele não quer que Manhatan desapareça por conta o aquecimento global, a união européia pegue mal com seu conjunto de estados unidos. Também é bom pra eles o tal do biocombustível, pois eles também são um dos grandes produtores. No final, é a grana e o poder que contam mesmo, dão uma canja aí pra questão ambiental pra não pegar mal, mas não é a preocupação com a "qualidade de vida" que a classe média e alta brazuca adora enfatizar.
Qualquer pessoa que tem o mínimo de interesse em informação de conjuntura mundial sabe dessas coisas. Agora tão querendo bombar o tal do "etanol é nosso!" ou coisa parecida, numa tentativa de resgatar o orgulho nacional. Sendo que muitas pesquisas de outras alternativas de combustível são feitas no Brasil, bem mais eficientes e com menos impactos ambientais que o etanol, que não deixa de ser uma fonte de energia à combustão, que já é prejudicial ao meio ambiente. Aí nessas de que a exportação do "nosso alcool" vai ser bom pro Brasil... Bom pra quem, cara pálida? Todo mundo tem usina e é dona de grandes latifundios? Vamos voltar a monocultura? Vamos viver só de cana de açucar? Isso é preocupação com o meio ambiente, sendo que não é uma vegetação natural deste país?
Mas o motivo deste post foi ter presenciado o equívoco dos protestos no Rio de Janeiro e São Paulo.
O que adianta depredar o consulado dos EUA? O que adianta apanhar da polícia na rua, depredar banca de jornal, prejudicar um monte de gente do povo que precisa trabalhar, bloqueando o trânsito na av. Paulista? Tinha gente precisando chegar no hospital com urgencia, gente do povo que poderia no mínimo tomar uma comida de rabo do patrão, perder cliente por conta do atraso. Mas aí vão me dizer que se tem o direito de protestar e mostrar a indignação perante o MAL que representa Bush por aqui. Aí é que está o Mal, nessas horas só se pensa nos direitos muito mais ideológicos do que os deveres de cidadania. Se este tipo de atitude tivesse efeito, justificaria, mas não! De fachada é muito bonito protestar em público contra Bush, Alca e qualquer um desses lixos enquanto o que não se vê continua apodrecendo por dentro, a estrutura social do país. Porquê ninguém fez nada em relação aos salários dos deputados e magistrados, que afetam diretamente estes manifestantes? E a treta do metrô que tá saindo uma meia muzzarela meia 4 queijos? Não foi a tua casa que ruiu e nem um parente seu que morreu, não? Ironicamente a justiça dos EUA, é, do Bush, tá fazendo algo certo, indiciando o Paulo Maluf! Tá na hora dos ditos ativistas começarem a crescer e agir como gente grande! Ficar de pirraça na rua, mostrando sua "indignação" como um fariseu, não surte efeito contra o grande Mal que combatem. Exercer a cidadania e não dar discurso em boteco perto da faculdade. Vamos cuidar de nós antes de qualquer coisa, depois vemos o resto.

quarta-feira, março 07, 2007

Colorir + Constantina


Duas bandas novas: Colorir de Florianópolis, SC e Constantina de Belo Horizonte, MG.
Bom, no começo dos anos 90, o dito cenário independente do rock vêm passando por mudanças, não que isso seja novidade, pois muita coisa ocorreu nos anos 60, longe dos olhos da grande mídia, que fixou mais na psicodelia e o "It's only rock'n'roll", por exemplo.
Com o advento do grupo Tortoise, no início dos anos 90, recebeu o rótulo de "post-rock" com ares de vanguarda. Mas não é tão vanguarda assim, pois como disse, muita coisa já havia sido feita e experimentada nos 60 e 70. Alguns, ao escutar o trabalho destes dois grupos, podem associar ao rótulo de "post-rock".
Mas ambos os grupos se definem de outra forma, mais como música livre. Em alguns artigos se fala da influência e tenho notado que muita gente confunde Free Jazz com Improvisação. É fato de que a improvisação está presente no Free Jazz, mas não ao contrário. Estéticamente, alguns elementos são parecidos e equivalentes, como a textura sonora extraída dos instrumentos, ruídos, atonalidade, etc.
Se você escutar o trabalho de Ornette Coleman, Cecil Taylor, por exemplo, mesmo nos momentos mais "caóticos" e "aleatórios", está presente as raízes do Jazz. Mas isso é outra história...
Enfim, são dois bons grupos que estão surgindo e em termos de Brasil, realmente é algo novo, pois o rock no Brasil ainda sofre o lema ortodoxo do rock. À exemplo do grupo Hurtmold, trilham por caminhos pouco percorridos do cenário independente, onde a música e os sons falam por si só, ou seja, música instrumental. Pra quem curte esse tipo de som, é só conferir:
http://www.myspace.com/colorir
http://www.myspace.com/bandaconstantina

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Leroy Jenkins, 11/03/1932 - 24/02/2007

foto de Larry Fink, 2005 para o The New York Times

Aos 74 anos, Leroy Jenkins sucumbe ao câncer. Conhecido pelo grupo Revolutionary Ensemble
e sua associação com a AACM e Creative Construction Company. Nos links, mais informações.
Obrigado Leroy Jenkins, por ter nos presenteado com sua arte.

http://www.nytimes.com/200702/26/arts/music/26jenkins.html?
http://aacmchicago.org/members/Leroy.html

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Bonde do Rolê e CSS, o Brazil tá bem representado!

Em um caderno de cultura do jornal de grande circulação na maior capital da ex(ou não) província portuguesa(ah é... teve aquela fita do D.Pedro I no Ipiranga!), tinha saído como matéria de capa, o fenômeno do êxito do grupo Cansei de Ser Sexy. Agora saiu sobre o grupo Bonde do Rolê. Em primeiro lugar, não estou aqui para atacar ou por em dúvida a qualidade musical desses grupos. Definitivamente eles tem o pleno direito de fazer o que fazem e ter sucesso com seus produtos. Afinal, a liberdade de expressão está na Constituição. Aquela fita, se você não gosta, vai ficar ouvindo? Deixa pra lá, deixa viver! Agora, o que acho patético é a sociedade ter como parâmetro de superioridade cultural, o jornal Folha de São Paulo. Aí você vê uma propaganda na TV da Folha, só "gente bonita" e " descolada é que lê. Tá bom que você verá um negro da perifa lendo o caderno +mais!, ou o Raimundo da portaria do condomínio lendo o caderno de ciência na propaganda da folha. Então toma aí pra vocês que se acham superiores por ler este jornal, é o Bonde do Rolê que é bom pra sua cultura! Que Jobim que nada, Villa Lobos, Stravinsky, Sinfônica do Estado, Orquestra Mantiqueira, bah, que nada, o que tá pegando é o Bonde! Se os gringo tão pirando na fita deve ser bom. Afinal se saiu no The New York Times e Rolling Stone, tem que ser bom.
Em termos de cultura musical, a Ilustrada é "altamente gabaritada", pois uns anos atrás, na matéria de capa, um jornalista afirmava que o Stockhausen era pai da dodecafonia?! PUMP UP THE BASS!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Magnus Broo

foto de Jukka Piiroinen 2005

Não há mui
tas informações sobre este trompetista sueco, mas seu site possui pequenos samples de seu trabalho. Infelizmente o site é sueco e não tem versão em inglês. Vale a pena conferir.
Clique no título do post que é o link para o site de Magnus Broo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Fim de um ranço da ditadura

Em tempos terríveis de enchentes, desatinos do prefeito, sequestros, uma boa notícia.
No início deste mês de Fevereiro, o governo do estado de São Paulo aprovou o projeto de lei de autoria do deputado Turco Louco que dispensa a obrigatoriedade da apresentação da carteira famigerada OMB(Ordem dos Músicos do Brasil), para apresentações musicais. Esta é uma batalha antiga, a OMB é uma instituição que foi criada na época da ditadura militar tendo o mesmo presidente que se diz eleito pela maioria dos votos dos músicos, sendo que a maioria odeia o presidente, e nunca se sabe quando ocorre a votação. Muito pouco se faz pelos músicos e cobram taxas abusivas. Só era visto alguma ação quando os fiscais da OMB saiam à la Inquisição do santo ofício atrás de músicos que se apresentavam sem a tal da carteira, ao absurdo que quererem confiscar os instrumentos de quem não tivesse o número da besta. Todos sabem como o músico tem a vida de sacrifícios, ganha mau pacas, principalmente o que toca na noite, nos bares e restaurantes. Aí vem os soldados da cruzada para lhe arrancarem a cabeça. Mas isso me lembrou um fato, conhecidos e amigos fizeram campanha para certo candidato e tentaram me convencer a votar por ser jovem, "conhecer" música, esporte, arte, cultura e tal, que iría fazer coisas boas no poder. O que se faz de diferente ter o Dia do Jovem? Nem no calendário aparece. Aí me vêm o Turco Loco que todo mundo chama de pilantra, filiado ao partido que ajudou a ferrar o país, e cumpre com o seu dever. É... como dizem por aí, Deus escreve certo por linhas tortas(tortas até de mais).

sábado, janeiro 27, 2007

The Real Godfathers of Punk


Muitas vezes eu ouví falar que o Freejazz é som de músico virtuoso, que só é bom pra quem está tocando, barulheira sem sentido, etc. Não que uma pessoa vinculada ao Punk e Hardcore deva gostar de Freejazz, mas é legal saber como os dois estão estreitamente ligados. Um dos pontos em comum entre os dois, é que ambos sofreram duras críticas em nome da liberdade na música como arte. De um lado músicos altamente capacitados técnicamente mandando às favas os rígidos padrões da música em sua época, de outro, músicos amadores provando que se pode fazer música com o mínimo de técnica(pois sem técnica, a qual possibilita a pessoa manusear um instrumento musical, não sai música, mesmo o Grindcore mais barranqueiro). Ambos abordaram sobre política, racismo, injustiça social, imperialismo, etc. Enfim, temas da sociedade que são muito atribuídos só ao Punk e Hardcore. No Freejazz também repousa o grande princípio do Anarquismo que é ter liberdade para fazer o que se tem vontade e não prejudicar a liberdade, os direitos do próximo, e Socialismo, onde cada um contribui com uma parte para o bem do coletivo.
O título do post, é emprestado do texto de Billy Bob Hargus de Julho de 1996 para o web-zine Perfect Sound Forever. Billy fala da influência musical nas raízes do Punk, como a notória influência de Sun Ra, Coltrane e Freejazz nos grupos MC5 e Stooges, considerados pais do Punk ou bandas pré-Punks. E isso se estendeu na segunda geração, como o Black Flag, Minutemen, por exemplo. Clique no título do post que é um link para o texto de Billy Bob Hargus no web-zine Perfect Sound Forever.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Volcano Suns


Aqui vai um pouco de rock. O Volcano Suns é um trio formado pelo baterista original do Mission Of Burma, Peter Prescott, Bob Weston, baixista do grupo Shellac(Steve Albini, Big Black) e David Kleiler.
Clique no título do post que é um link para o site da gravadora 1/4 Stick/Touch and Go, onde se pode escutar a música do Volcano Suns.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Deixem o HipHop em paz!

Lembrei da mania brazuca no futebol. Tá cheio de técnico que tem a solução, a fórmula da vitória para seu time ou a seleção. Esse contingente numeroso de técnicos em potencial está em todos os lugares, nos bares, farmácias, filas de banco, etc. Enquanto isso, os times e a CBF gastando rios de dinheiro com salários absurdos para alguns técnicos que parecem almejar o estrelato como celebridade. Puxa vida, com tanto técnico "melhor" dando sopa no balcão de um boteco qualquer...
O achismo é um grande mal da humanidade, pois gera arrogância, equívoco, injustiça, etc. Nunca foi tão grande o crescimento do achismo como ultimamente. Falando especificamente na arte, na música. Sua parte jornalística, teórica, documental, decaiu vertiginosamente em termos de qualidade, seriedade. Tá cheio de "experts" por ai escrevendo e falando qualquer coisa. Estudiosos do Google, que não se dão ao trabalho de averiguar as fontes. Esses casos são lamentáveis mesmo, pois divulgam dados errados sobre muita coisa. Mas também tem outra categoria, dos que têm o mínimo de bom senso e pesquisam mais à fundo. Que escutam muita música para aprender sobre o assunto, aliado à livros, artigos de revistas especializadas, entrevistas, etc. Só que tem um porém nisso tudo. Nem tudo vai se aprender pelos caminhos teóricos e intelectuais. Muitas coisas precisam ser vividas, presenciadas, pois dizem à sentimentos. O envolvimento é que realmente vai mostrar e ensinar o sentido de muitas coisas na arte, na música. Como o HipHop é a bola da vez no consumo mundial, temos toda a sorte de pessoas ligadas ao assunto. Dos que sempre fizeram parte, que ajudaram a criar, dos bem intencionados que ajudam e participam, dos que lidam com isso apenas como consumo, sem envolvimento, dos oportunistas, bem ou mal intencionados, dos indiferentes. Por ser a bola da vez em termos de novidade para a juventude(pois o rock tem 4 décadas de vantagem), o HipHop tem sua importância em vários níveis e tipos. Roupas, comportamento e entretenimento. Mas também por ter nas origens muito cunho social e comunitário, vai além de conduta individual. Enfim, é um assunto amplo. O que me levou a escrever sobre o assunto foi o crescente número de artigos específicos sobre o Rap. Jornais, TV, revistas, internet. Pena que o que fica em evidência é justamente a parte menos proveitosa no sentido construtivo positivo. O que é chamado "mainstream" do Rap, que só existe de fato no exterior, propaga o consumismo, sexismo, vaidade e até crime e violência. Como o brasileiro tem dificuldade em filtrar as coisas que vêm de fora, acabamos presenciando pessoas que mal completaram seus estudos querendo por diamante no dente. Mas esta parte não é a que me causa mais indignação. O que é deprimente, é a classe média que se acha no direito de se apropriar de um conjunto de manifestações coletivas e artísticas, por se acharem melhores que a grande maioria da população carente. Tá cheio de músico, jornalista dando "aulinha" de cultura HipHop por ai. Tem músico que até gosta da parada, mas antes não dava o devido valor, tratava como coisa menor, por não ter instrumentistas. Agora que a parada dá grana e fama, chegam querendo pagar de autoridade. Os que são da ala jornalística, que arrogância! Uma analogia disso, por exemplo, quem é que realmente faz um bom pão, a pessoa que é filho de padeiro e aprendeu na prática desde pequeno, ou o aluno número um do curso de padaria do Senac? O grande problema é que esses jornalístas estão tão preocupados com a promoção de seus egos e pelos seus direitos de liberade de expressão, que acabam por contaminar as pessoas que estão em busca de informação e não possuem tantas ferramentas para tal. Eu já falei sobre o assunto por aqui, num post sobre o "rap underground". A classe média que consome cultura importou este termo para se diferenciar dos outros. Isso é que é nojento dessas pessoas, só querem estar com o povão na hora da festa, na hora da enchente e deslizamento,a maioria faz que não viu, que não conhece. Mais uma coisa que lembrei fazendo analogia com o futebol: imagine uma torcida de um time qualquer, tá todo mundo lá, um do lado do outro com a mesma camisa. Tem gente de todo tipo, o fanático, o violento, o que não olha o jogo, o que fica só escutando no rádinho, rico, pobre. Mas todo mundo trinca com o time. Já pensou se cada tipo resolve-se subdividir a torcida? "Nossa ala tem o grito de torcida melhor..." "Nossas bandeiras são melhores que a deles" "Aqui é só os jovens, pois véio não sabe torcer direito..." A torcida que faz a diferença para o time que está em campo, é aquela que é uma coisa só, que vibra em unissono e ecoa por todo o estádio.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Alice Coltrane

foto de Jeff Dunnas para Impulse records

Alice Coltrane faleceu nesta última sexta-feira dia 12 de Janeiro aos 69 anos por insuficiencia respiratória, em Los Angeles. Alice McLeod nasceu em Detroit no dia 27 de Agosto de 1937.
Sua mãe, Ann, cantava e tocava piano no coral de uma igreja batista. Tocou com Yussef Latif, Kenny Burrell e Terry Gibbs. Conhece John Coltrane em New York no ano de 1963. Em 1966 ingressa no conjunto de Coltrane, substituindo McCoy Tyner.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Ken Vandermark

Trecho do documentário "Musician" de Daniel Kraus, sobre o músico e compositor de Chicago, Ken Vandermark.

sábado, janeiro 06, 2007

Jazz no Brasil? Ih... não sei não...

Hoje em dia, com as facilidades tecnológicas, a conjuntura mundial, etc., não temos aquela defasagem colonial que durou até o fim dos anos 80. Sempre tivemos bons músicos, mas faltava material de estudo, ferramentas. Não sei o que acontece, mas aqui no Brasil, se tem o péssimo costume de importar cultura, hábitos, filosofias e fazermos à nossa maneira. É como montar um kit de aeromodelo sem ler o manual. Não que tudo tenha manual. Mas dificilmente se obtém o resultado esperado. As vezes acontece de aparecer um resultado positivo, se criando algo original que funciona bem. Mas muitos e muitos casos são de aberrações culturais que causam danos. É só lembrar dos grupos de jovens ligados à música, como Heavy Metal, Punk, HipHop, etc. Todos eles sem exceção distorceram seus princípios originais e vemos um cenário de muitos grupos fragmentados, competindo entre sí e obtendo poucos resultados, pois, já dizia o velho ditado, a união faz a força. Mas o que tudo isso tem haver com o Jazz no Brasil?
Devido a ingrata herança colonial neste país, a música em termos mais amplos foi confinada à uma elite arrogante e de certa forma ignorante. Criou-se uma falsa aura de sofisticação em torno do Jazz. Pessoas que simplesmente tinham dinheiro para comprar discos, livros e instrumentos, se tornaram autoridades no assunto. Meros colecionadores que não tem conhecimento suficiente escrevendo textos em jornais, revistas e até livros. O que temos hoje é um bizarro panorama onde predominam cantoras de música pop camufladas pela "sofisticação" do "Jazz". Um pouco fora dos holofotes, em pequenas casas noturnas, temos algo mais próximo do Jazz, mas um tanto mórbido. Músicos e apreciadores que determinaram o congelamento criogênico do chamado Jazz ao Hard Bop no máximo. A sua evolução natural apartir do fim dos anos 50 não é considerado Jazz. E ainda temos mais um caso, das chamadas bandas de Jazz tradicional, tão bizarras e artificiais como um pavilhão sobre a Amazônia no Epcot Center na Disney. Mas boa parte dos músicos brasileiros não tiveram escolha, estudaram em conservatórios musicais. Como o nome já diz, está alí para preservar. E o Jazz é bem diferente disso, convive com suas tradições criando algo novo sempre. O jazz diz muito mais à maneira que se faz música, não tem haver com um estilo musical que se encaixa num padrão. Quantas vezes ouví a bobagem de que se o músico não soubesse tocar Stella By Starlight, não saberia o que é o Jazz? Esta é uma canção popular norte americana, que os músicos resolveram tocar à sua maneira. Alí não reside a essência do chamado Jazz. Ornette Coleman é um ótimo exemplo do que quero dizer sobre a maneira de fazer música, de fazer Jazz. Mesmo com sua estética similar à música erudita de vanguarda, com o rock, mesmo com guitarras distorcidas de efeitos eletrônicos, com DJ's, sintetizadores, alì está presente suas raízes que repousam nas águas do Mississipi, das ruas de New Orleans, do Texas, sua terra natal. Quando o músico brasileiro entender isso de verdade, teremos boas surpresas por aqui. Como disse uma vez B.B. King, não é necessário trabalhar de escravo numa plantação de algodão para ter capacidade de fazer um Blues.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Ano Novo... sim, Ano Novo!

Enfim chega o ano de 2007. Muitas esperanças, metas, promessas de fazer regime, de melhorar, parar de fumar e beber, ganhar mais dinheiro, de um mundo melhor. Ficarei mais feliz se pelo menos metade destas metas se mantenham quando Agosto chegar, pois até lá, o duro cotidiano de São Paulo já terá judiado e testado a fé de muitos, após o carnaval. Na prática, é só mais uma convenção social, como as pessoas que falam "Deus me livre!" e nem acreditam nele. A pessoa que desejou muita paz em 2007, talvez em Março, esteja xingando alguém no trânsito ou desejando a pena de morte porquê foi assaltada. Assistindo a tv outro dia, pouco antes do Natal, um rapaz perguntou com certa indignação sobre a hipocrisia de muitas pessoas, que passam o ano inteiro brigando e mau tratando uns aos outros e depois, se reunem nas festas de fim de ano, todos amáveis. Eu também tinha esta indignação, até escutar sabias palavras à respeito disso. Ainda bem que pelo menos uma vez por ano essas pessoas fazem isso, imagine se fosse o ano inteiro de negatividade! E quem sabe alguém acaba mudando sua conduta e se torne uma pessoa melhor? Este ano de 2006 terminou tranquilamente para mim, em casa, com meu pai e meu irmão, assistindo os Blues Brothers pela enésima vez e com muito sono no final, pois às 7h da manhã do último dia do ano, já estava de pé. Não ví a contagem regressiva, queima de fogos, só o barulho deles embalando meu sono. O meu Reveillon já havia acontecido. Não, não foi Ano novo Chinês, Árabe ou Judaico. Já no início do último mês de 2006, já tinha tomado decisões importantes em minha vida. Não esperei as simbologias e convenções sociais para tomar atitude. Sabemos que muitas metas e promessas se vão como as bolhas do champagne e os fogos de artifício. Mas não percamos a nossa esperança, se uma pessoa manter suas metas positivas e coletivas até o fim deste ano, já é uma vitória. Desejo de coração que todos tenham um ano de boas novidades e alegria em suas vidas, que o espírito de coletividade, amizade e benevolência esteja cada vez mais presente.

domingo, dezembro 17, 2006

Apocalipse 2006

Não, nada haver com a besta de 7 cabeças, trombetas e o fim dos tempos. O título do post apenas pelo significado da palavra: revelação. Sim, este ano que se encerra foi de muitas revelações.
Nada de misticismos, mas muitas questões práticas do mundo social do ser humano. O ano de 2006 marca o fim de um longo período de estudos específicos, de análises, experiências e transição.
Entre 2004 e 2006, foi um período em que voltei a prestar mais atenção ao que acontecia em termos de novidades no universo musical em termos mais comerciais, seja no âmbito mais popular, seja nos guetos culturais. Enquanto as más línguas decretavam a minha "insanidade" e isolamento no estranho mundo do "freejazz", observava atentamente o cotidiano, enquanto apurava meu aprendizado. Sim, tivemos grandes mudanças, a música para dançar imperou em muitos setores sociais. Muitos decretaram a morte da música orgânica, sendo que irônicamente os criadores da música eletrônica foram buscar inspiração no malhado Rock'n'Roll e seus derivados. Um fato bem peculiar foi a migração da classe média para costumes ditos do povão. Pessoas que antes queriam se diferenciar da massa, agora em festas de rua, como as de dub que proliferaram na zona centro-oeste de SP. O Ragamuffin, quando surgiu, foi ignorado e banido dos meios descolados da juventude paulista. Hoje é muito "cool". O caso do HipHop é o mais notório, à ponto da classe média querer usurpar o "direito" legítimo de propriedade. Como aconteceu com o samba, o choro, forró entre outros.
Em contrapartida, a juventude popular redescobriu coisas que a elite já não mais se interessava. Graças a Internet e barateamento da tecnologia, quebrou-se a muralha de exclusão econômica, onde só tinha informação contemporânea com o resto do mundo, se tivesse grana para comprar revistas, zines, cd's importados ou viajar para o exterior. Também houve uma grande onda de saudosismo, seja de décadas passadas, estilos, bandas, tendências. É só conferir o grande número de bandas do passado que voltaram à ativa, seja qual for o motivo. Ah, quase me esquecí, quem diria que um dos últimos focos de resistência do consumismo iria parar nas prateleiras de megastores e vinhetas de novela? Sim, o dito "hardcore" agora é ítem de consumo.
Mas na questão das ditas novidades, tenho que recorrer a desgastada analogia com os produtos do fast food. Tudo é muito atrativo, aromas artificiais instigam nosso apetite, muito apelo visual, propagandas agressivas, etc. Daí você consome e 1 hora depois já está com fome. Nem parece que comeu um sanduíche de dois andares, uma generosa porção de batatas e meio litro de refrigerante. Foi a sensação que tive com o tal drum'n'bass, grime, neo-electro, disco-punk, post-rock e muitos ítens que surgiram neste início de século XXI. Mas isso não é novidade, pois mudam-se o cenário e alguns atores e diretores, mas o texto continua o mesmo.
Me lembro dos primeiros posts deste simplório blog, nos quais eu quis questionar as versões oficiais do mundo artístico. E isso chegou a gerar problemas, à ponto de receber atitudes nada amistosas, desde "amigos" que viraram as costas até coisas de baixo nível. Então o que me foi revelado é desejar o melhor justamente para quem me destrata, sem ironias, de coração mesmo. Não estou tentando parecer bonzinho perante a vista dos humanos, pois Deus conhece meu coração. Que essas pessoas que conhecí e que não conheço, encontrem o que procuram em suas vidas e sejam realmente felizes.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Outra vez a morte da tal da "Arte"...

Da mesma forma que a fatídica frase decreta o óbito do Rock'n'Roll, temos o equivalente na arte em geral. Terminamos mais um ano nesta capital brazuca com aspirações de metrópole cosmopolita. Mas São Paulo na verdade parece mais um imundo burgo europeu pós idade média, sem saneamento básico, ratos pelas ruas juntos com lixo e esgoto à céu aberto. O pior é a mentalidade paulistana, sobretudo da elite e classe média, uma horda de pessoas que não têm cacife para serem do "primeiro mundo". Tudo é estritamente superficial, onde agora brota um contingente de enólogos, baristas, jazzófilos etc e etc. Só que é tudo meia boca, como são os "alfajores" vendidos por ai, como o "yakissoba" de rua, a "esfiha" do Habib's... Ultimamente a nova palhaçada burguesa paulistana, é querer ser simples, frequentar "botecos", comer petiscos, curtir um samba de raiz, comer pastel de bacalhau e sanduíche de mortadela no mercado municipal. Ora, e o que isso tudo tem haver com a suposta morte da arte? Quase tudo! Os setores da sociedade que deveriam alavancar a produção artística, estimular, quando tem condições para isso, simplesmente fecham os olhos para a realidade e se trancam em seus feudos feitos de ego, vaidade e é claro, ignorância. Muitos talentos ficam à margem das mínimas condições dignas de existirem como artístas enquanto os herdeiros da burguesia brincam de serem artístas, nos presenteando com uma penca de trabalhos inexpressivos, desprovidos de talento, mas com uma ótima estrutura material, estética. É a maioria avassaladora que está em evidência na mídia especializada. Mas e a tal da morte anunciada da arte? Ela vai sobreviver, com roupas baratas, se alimentando de churrasco grego, "dogão" à R$1,00, aproveitando a baldeação do bilhete único.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Dewey Redman - Tarik

Independente do fato que o selo BYG/Actuel lucrar às custas dos artístas, não pagar direitos autorais e até ameaçar com violência Steve Lacy e Sunny Murray, a coleção Actuel é de valor artístico inestimável. Aqui temos a capa de um grande disco de Dewey, Tarik, gravado em 01/10/1969 em Paris.
É um trio que conta com Malachi Favors no baixo e Ed Blackwell na bateria. Bem, a música fala por sí só. Então eu coloquei um link para o site da Amazon onde é possível ouvir as músicas deste maravilhoso trabalho. Clique no título do post para o link

domingo, novembro 12, 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

My Name Is Albert Ayler

Em breve estará disponível em DVD o documentário do cineasta sueco Kasper Collin sobre Albert Ayler de 2005. O filme contém detalhados depoimentos do pai de Ayler, Edward Ayler, e de seu irmão, Donald Ayler. Também as únicas e raríssimas imagens do conjunto de Ayler filmadas na França e Suécia. Clique no título do post que é um link para o site oficial do documentário.
 
 
Studio Ghibli Brasil