quarta-feira, julho 18, 2012

Indigo Jam Unit - Roots (2010)

Em tempos de touch screen ainda deparamos com certos tipos de afirmações demonstrando que a evolução não atinge todos os indivíduos se cada um não se dispor a evoluir. Ninguém evolui por osmose e passividade. Mesmo o Funkadelic dizendo em 1978 que a música é universal, com a canção "Who Says a Funk Band Can't Play Rock?!", provando que cada estilo musical não está restrito a etnias, ainda tivemos o Bad Brains como um dos melhores grupos de hardcore punk, o Living Colour e ainda o filme documentário Afro Punk, mostrando que tal estilo é universal. Ainda se escuta por aí alguém proferindo a frase, "samba de alemão", ou "samba de japonês", para ilustrar o ritmo sendo mau executado, com ausência de swing, groove, etc. Hoje em dia temos mulheres oriundas da terra do sol nascente faturando primeiros lugares em concursos de dancehall na Jamaica e de passista no Rio de Janeiro.

O Indigo Jam Unit se formou no ano de 2005 em Osaka, com Yoshichika Tarue (piano), Katsuhiko Sasai (contra-baixo), Isao Wasano (percussão e bateria) e Takehiro Shimizu (bateria). Yoshichika Tarue nasceu em 1974 e começou a tocar piano clássico aos 20 anos de idade e posteriormente iniciou seu quarteto de jazz com influência latina. Katsuhiko Sasai nasceu em 1976 iniciando no sintetizador até os 14 anos e foi para o baixo elétrico um ano depois. Trabalhou na cena Funk e fusion japonesa e começou a tocar baixo-acústico com o Indigo Jam Unit. Isao Wasano nasceu em 1979 e iniciou-se na percussão ainda na banda do colégio e assumiu a bateria quando entrou no Indigo Jam Unit. Takehiro Shimizu nasceu em 1983 e começou a tocar bateria aos 12 anos se dedicando ao formato das big bands de jazz. Trabalhou com Sadao Watanabe, Terumasa Hino, Hitomi Nakayama, Naoko Sakata, Jukka Eskola entre outros. Recebeu diversos premios de baterista de jazz, divide seu tempo entre New York e o Indigo Jam Unit em Osaka, Japão. O Indigo Jam Unit sempre grava seu material ao vivo no estúdio com uma pequena pós-produção e alguns efeitos se possível. Não há edição ou overdubs em suas gravações. Clique aqui para acessar o arquivo e constatar do que estamos falando.

sexta-feira, julho 13, 2012

Jodie Christian - Blues Holiday (1994)

O trio composto de piano, contra-baixo acústico e bateria é conhecido como a formação clássica das pequenas configurações de conjuntos do que se convencionou chamar de jazz. Alguns destes trios se tornaram símbolos do jazz, como o Bill Evans trio, Art Tatum trio, Ahmad Jamal trio e um dos mais expressivos que não se efetivou como um grupo fixo, o trio formado por Duke Ellington, Charles Mingus e Max Roach, que podem ser considerados como parte fundamental dos pilares do chamado jazz moderno e gravaram o disco Money Jungle. Jodie Christian foi um membro importante na formação da AACM de Chicago, que trouxe novas mudanças na música criativa na América do Norte e esta gravação contém a essencia da música afro-americana que todos conhecem por jazz. Não importa o quanto se avance em novas abordagens linguísticas e experimentações músicais das mais radicais, se algo ainda tem a palavra jazz no meio, seja free, avant ou o nome que seja, o blues lá estará. Clique aqui para acessar o arquivo para apreciar clássicos como Take The A Train de Billy Strayhorn e uma versão de certo compositor brasileiro.

quinta-feira, julho 12, 2012

Concrete Sox / Heresy split LP (1987)


Em Nottingham, 1983 nas jam sessions com Gabba (Chaos U.K./F.U.K.), Kalv (Heresy/Geriatric Unit) e vários amigos, se formou com Vic Croll e Les Duly o Concrete Sox que inicialmente se chamou Concrete Evidence. É considerado o pioneiro do crossover, junto com os grupos Sacrilege, Onslaught, Deviated Instinct entre outros e um dos mais influentes do hardcore/crust punk britânico. O Heresy nasceu na mesma cidade do Concrete Sox em 1985 por Reevsy (guitarra, voz), Kalvin "Kalv" Piper (baixo) e Steve Charlesworth (bateria). Seu primeiro registro foi um flexi-disc de 6 faixas pela Earache records. Seu primeiro LP foi o split album com o Concrete Sox, também pela Earache em 1987, que se tornou um clássico do hardcore punk. Clique aqui para acessar o arquivo deste registro indispensável do hardcore punk.

quarta-feira, julho 11, 2012

Anglican Scrape Attic 7'' - Various Artists (1985)

Um clássico do hardcore punk e do crossover, o compacto Anglican Scrape Attic foi lançado em formato flexi disc na Inglaterra em 1985, com duas bandas pioneiras no estilo crossover (heavy metal e hardcore punk), o Hirax e o Sacrilege, as duas bandas de hardcore japonês Execute e Lip Cream e a banda inglesa Concrete Sox com o seu clássico, Eminent Scum. Foi uma das minhas primeiras aquisições, quando comprei na Rainbow, a loja do Nunes, localizada na galeria do rock. Isso foi em 1986 e custou U$ 1,00. Clique aqui para acessar o arquivo.

quarta-feira, julho 04, 2012

Antes tinha, agora não tem! - Prefeitura de São Paulo e cidadãos paulistanos

 
Creio que assim continuarão as queixas via redes sociais digitais, sendo que vez ou outra algo se concretiza em atitudes positivas e negativas. Tenho evitado me envolver em questões político ideológicas pelo simples fato de minha opinião estritamente pessoal não vislumbrar alguma eficácia neste tipo de debate, conversa, que em muitas vezes são apenas monólogos proferidos ao mesmo tempo em um mesmo ambiente e talvez não se trate exatamente de uma conversa, diálogo, debate como está especificado em qualquer dicionário.
Claro, a liberdade de cada um não deve ser podada e assim eu desfruto também da minha liberdade de opinião.
Vivemos mais um período de eleições dos servidores públicos deste amontoado de pessoas no mesmo território físico denominado cidade. Quando eu era criança me lembro que existia uma grande expectativa (pelo menos de minha parte e de alguns) de uma grande mudança em nossas vidas. Mesmo na adolescência e parte do início da chamada fase adulta (pelo fato de ter requisitado meu título de eleitor aos 16 anos) esta expectativa ainda perdurou. Hoje em dia este sentimento vem sendo soterrado por uma avalanche de muito mais fatos (como se não bastasse os fatos do passado) que desbotam as cores da esperança de uma cidade melhor. Temos algumas calçadas de concreto armado, luminárias de LED, alguns metrôs operados por computador, mas é claro, só na sala de estar do barraco. Para quem usufrui da cidade como um todo, que utiliza os três principais meios de transporte coletivo sabe muito bem que este slogan da prefeitura de São Paulo: "Antes não tinha, agora tem", na verdade está exatamente ao contrário. Explico.
Deveria ser: "Antes tinha, agora não tem!" Antes tinha a desculpa de termos limitações tecnológicas e econômicas, a ditadura militar, o sub-desenvolvimento latente de terceiro mundo, o recente direito de voto da população, entre tantas precariedades da era analógica. Hoje a indústria, comércio e setor financeiro infla seu peito anabolizado e diz aos quatro ventos que o Brasil é a 8ª economia do mundo, que somos detentores de diversas tecnologias de ponta, que temos reservas naturais exclusivas e invejadas por todas as nações (opa, tão vendendo tudo debaixo de nossas fuças), que somos uma nação alegre (quem me vê sorrindo pensa que estou alegre - Cartola).
Será que vamos votar em qualquer um pois não faz diferença? Será que devemos votar em branco ou anular o voto como ato de protesto ou fingida atitude de omissão? Será que nossa cidadania acaba quando apertamos a tecla verde da urna eletrônica e pegamos nosso comprovante de voto? Será que não temos o dever de fiscalizar a administração de nossos servidores ao longo de seu mandato? Será que não temos nada haver com isso porque votamos nulo ou nosso candidato não foi eleito? Será que é só problema do seu vizinho? O seu voto faz a diferença, junto de sua atitude continua como cidadão pós eleições, no dia-a-dia?
Numa noite dessas eu voltava do Belenzinho após um workshop de música e não passava das 22:00h quando meu amigo me deixou na esquina de casa. A menos de 10 metros minha vizinha estava à minha frente indo para o nosso prédio. havia uma movimentação razoável nas ruas bem iluminadas do bairro que é relativamente seguro em proporção do que é esta cidade. Ela olhou rapidamente para trás para ver quem seguia logo depois dela e começou a aumentar o ritmo de suas passadas. Percebi e me compadeci daquela situação triste, do chamado cidadão de classe média paulistano, que perdeu o tato das ruas, que vive enclausurado em seus guetos sociais. Quando chegamos ao nosso prédio, ela já tinha ultrapassado o segundo portão (que mais parece grade de segurança, bem, você sabe...) e deu mais uma olhada para trás e vi nitidamente seu rosto apreensivo. Estávamos a menos de 4 metros de distância com uma boa iluminação do prédio e quando eu também ultrapassei o segundo portão ela deu aquele arranque de reta final de São Silvestre e adentrou na última porta. Eu estava certo de que ela como cortesia comum entre os condôminos, estaria me aguardando com a porta aberta, para eu não ter que reabri-la com minha chave. Então a tranca estralou junto com a porta em minha face. Falei comigo, "puxa vida", num misto de decepção e surpresa e abri a porta. Então logo no corredor, fiz questão de balançar o chaveiro para ela se certificar de que a porta não tinha sido arrombada. Então ela já na metade do primeiro lance de escadas, me olhou constrangida e me pediu desculpas alegando que não tinha me reconhecido e subiu apressadamente, sendo que seu apartamento é ao lado do meu. Bem, eu coloquei a música New York Is Full Of Lonely People, composta pelo Lester Bowie para ilustrar a situação. Seu filho não teve o prazer de brincar na nossa rua que era repleta de crianças...
Isso tudo tem haver com o que esta cidade está se tornando cada vez mais. 

sexta-feira, junho 22, 2012

Sun Ra – Disco 3000 (1978)

Ultimamente tenho procurado resumir o máximo possível os comentários de gravações postadas neste blog pelo fato de muitos discos já possuirem um número considerável de textos à seu respeito, alguns bons, outros, bem, você sabe... No caso do post anterior que se trata de gravações do Joy Division, senti que era desnecessário qualquer comentário. Ora, é o Joy Division e creio que qualquer pessoa que tem uma pequena porção de interesse por música em geral deve conhecer o grupo que originou o New Order e o vocalista Ian Curtis. Além do que a world wide web proporciona um amplo espectro de informações e dados sobre música e temos ferramentas de busca ao nosso dispor para nos aprofundar com facilidade sobre vários assuntos. Claro, devo relembrar que é prudente verificar a integridade das fontes e fazer comparação de dados com pelo menos três referências diferentes.
No caso deste post, é importante ressaltar esta gravação de Sun Ra, que faz parte do seu período em que esteve na Itália com sua Arkestra reduzida à um quarteto que o acompanhou em suas novas descobertas no campo dos sintetizadores que dava seus primeiros passos. Nosso amigo Herman Poole Blount ou Le Sony'r Ra, conheceu os sintetizadores Crumar que eram contemporâneos do célebre Moog e gravou este controverso Disco 3000 (no mesmo período também foi gravado o Media Dreams). A maioria dos aficcionados do senhor mistério que conheço, elege o Space Is The Place como seus discos favoritos e apenas um grande amigo meu que tem um sólido conhecimento da obra do homem de saturno, tem como o Disco 3000 como um dos melhores da vasta e confusa discografia da Arkestra. A composição Disco 3000 passeia pelas explorações timbrísticas que o sintetizador ofercia para Sun Ra e ela faz uso de padrões rítmicos presentes nos presets do novo instrumento. Há um momento que Sun Ra faz uma espécie de auto-sampler, usando trechos de suas composições e mesmo que muitos ainda insistam que Sun Ra e sua Arkestra são um grupo de free jazz, as suas composições são bem mais objetivas em termos de estrutura. É muito interessante o resgistro de Sun Ra com um grupo pequeno para expor sua arte musical, pois suas gravações predominam sua Arkestra que já teve três bateristas além de outros percussionistas na sessão rítmica. Assim como o Media Dreams, é a efetivação do trompestista Michael Ray no grupo. Disco 3000 como vários discos de Sun Ra, foi editado de forma independente e confusa, com mais de uma capa e por vezes com versões diferentes. Só depois de décadas foi reeditado no formato digital em dois cd's com praticamente todos os registros da sessão. Há composições conhecidas do repertório da Arkestra, como We Travel Spaceways e Friendly Galaxy, mas com arranjo para quarteto.
Clique no comentário para os links de arquivo.

sábado, junho 09, 2012

S.O.B. - Dub Grind ep (1999)

Algum tempo atrás tive um problema com uma gravadora sei lá de onde que reclamou de um disco do Warsaw (Joy Division) que publiquei aqui e minha conta no MerdiaFire foi bloqueada, mesmo sendo um blog tão pequeno e desconhecido. Infelizmente não tive tempo de atualizar todos os links para realmente divulgar artistas que mal fazem "sucesso" aqui no Brasil e não vão fazer mesmo, como é o caso do S.O.B.
Dub Grind foi o único album gravado em estúdio com o vocalista Naoto e particularmenee diferente dos outros trabalhos do S.O.B. com mais efeitos sonoros e uma sonoridade "menos" agressiva.
Atualizando, como de costume, nos comentários.

quinta-feira, maio 31, 2012

Sun Ra - Media Dreams (1978)

Pela última vez, Sun Ra e sua Arkestra não são free jazz! Da mesma forma que a música Salt Peanuts não é bebop, Holy Ghost não é free jazz. Não devemos justificar este erro por uma questão meramente mercadológica. Não se sustenta a afirmação para definir uma estética de forma teórica, pois a música não é sobre notas, mas sobre sentimentos. Duke Ellington advertiu Dizzy ao batizar seu estilo de tocar como bebop. Be Bop era apenas o nome de uma composição de Dizzy, assim como Free Jazz apenas o título do disco de Ornette. Quando perguntaram à Max Roach se ele ouvia jazz, ele disse que apenas ouvia música. Críticos musicais, escritores de resenhas de discos e alguns que redigiram as famosas liner notes dos discos infelizmente acabam causando grandes problemas para a música, por seus próprios equívocos e principalmente a interpretação e entendimento equivocado do leitor. Mas este assunto não deve se prolongar e quem quiser continuar a fazer o uso de rótulos e tentar enquadrar nomes em nichos na tentaiva de definir a música, está livre para fazê-lo.
O interessante aqui é esta gravação de Herman Blount em sua temporada na Itália apenas com um quarteto composto por John Gilmore, Luqman Ali e Michael Ray. Embora nesta gravação não esteja presente, June Tyson também fez parte desta temporada italiana e participou do notório e controverso (não sei porque) Disco 3000. Esta visita de Sun Ra ao planeta Itália teve muita importância em sua música, pois teve contato com a Crumar, de Mario Crucianelli, que construia sintetizadores e ficou conhecida nos anos 60 por produzir o que chamaram de bons "hammond clones". Os sintetizadores Crumar também eram contemporâneos e comparáveis aos sintetizadores Moog.
Media Dreams registra novas experiências de Sun Ra com a nova tecnologia da época, com o uso de padrões de rítmo que os equipamentos ofereciam e os novos timbres que se identificavam com a temática estética de nosso amigo de saturno. Claro que este tipo de inovação não foi bem aceito para quem já tinha cristalizado em sua mente que Sun Ra e sua Arkestra tinha que soar como um grupo de jazz. Ainda continuam os inúteis debates sobre os supostos danos causados à música pela nova tecnologia. Ora, já passou o tempo de se entender que os equipamentos não são culpados e sim o suposto artísta.
É bem provável que Sun Ra não pode contar com sua Arkestra na integra por meras questões financeiras, pois a banda de saturno, por ser de outro mundo, sempre passou dificuldades no planeta Terra. Vale destacar a presença de John Gilmore, fiel companheiro de Sun Ra, que por várias vezes recusou outros trabalhos ligados ao chamado jazz por sua fidelidade à Arkestra. Só me vem à memória uma exceção quando participou por um breve período do Jazz Messengers de Art Blakey. Também a entrada de Michael Ray ao universo de Sun Ra, se tornando grande colaborador, depois de ter trabalhado com Patti LaBelle, The Delfonics, Stylistics e Kool & The Gang. Dados sobre música, músicos, gravações, etc, são apenas informações, apenas isso. A música fala por si só. Clique aqui para acessar o arquivo.

segunda-feira, maio 14, 2012

A virada cultural embrulhou o estômago...

Mais uma vez volto a afirmar que certos procedimentos nas redes sociais digitais tem seus efeitos colaterais e um dos piores é a má interpretação de uma frase, um texto, uma afirmação, por estar desprovida de todos os detalhes importantes que um diálogo ao vivo possui, como a entonação das palavras, expressão facial, etc e principalmente tempo hábil para desenvolver o assunto. Ainda no início da madrugada de domingo desta última virada cultural promovida no centro de São Paulo, quando já estava em casa, por perceber e já ter previsto que após certo horário as coisas caminhariam para o oposto do bom senso, respeito, cidadania, o melhor e mais sensato a fazer era bater em retirada para preservar a integridade física e mental. O termômetro que usei para identificar o momento certo de cair fora era o número de garrafas PET de cor verde, copos descartáveis e latas de cerveja espalhadas pelo chão. Bem, quem persistiu pela madrugada e estava atento, sabe do que estou falando. Quanto ao assunto do facebook que é a rede social digital a qual me referi no início, foi que escrevi uma breve mensagem ao chegar em casa, dizendo que as apresentações de McCoy Tyner e Lou Donaldson tinham sido "OK", ou seja, que eu tinha apreciado mas não esperava lá grandes coisas por estar relativamente ao par das atividades de Tyner e mesmo ter me surpreendido por Donaldson ainda estar em plena atividade, não esperava que ele apresentasse algo diferente do que andou fazendo por mais de 50 anos ,de carreira. Foi então que um colega respondeu brincando comigo, pela surpresa de eu ter presenciado o vovô McCoy, pois se não me falha a memória, anteriormente já tinha manifestado que o pianista não figurava entre os meus favoritos e que ultimamente não me agradara o que Tyner havia feito nos últimos 20 anos. Foi então que também resolvi brincar e disse que seria melhor se fosse uma apresentação paga. Depois disso se desenrolou um debate por conta da má interpretação da minha frase, que levou ao questionamento de minha posição ideológica, social, política e civil. Eis que foram textos explicando os motivos da afirmação, que abordaram mais profundamente o assunto. Há uma certa conduta abominável de não se valorizar o que é concedido gratuitamente, um problema crônico do ser humano em sua maioria, pois tende-se a valorizar só o que é fruto do suor do seu trabalho e o que pesa na sua carteira. Não vou colocar aqui a interminável lista de exemplos sobre isso pois não haveria espaço.
Durante as apresentações, não houve muito espaço para a audição concentrada por conta das constantes interrupções causadas por ambulantes vendendo bebidas de forma ilegal no meio do público e por várias vezes estes se estacionavam a minha frente e ofereciam sua mercadoria aos berros com uma enorme caixa de isopor obstruindo meu campo de visão do palco. Parte do público que simplesmente não se importava com o que estava acontecendo no palco não parava de falar em alto volume e transitar freneticamente atrapalhando quem estava prestando atenção ao concerto. Esclareci que esta porção do público não fazia parte da injustiçada parcela da sociedade, mas pessoas que tiveram acesso à educação, tanto institucional quanto familiar, tinham um poder aquisitivo que lhes permitia acessar informação com certa facilidade, mas se portavam como crianças mimadas que fazem o que bem entendem. Foi aí que entrou a questão dos shows pagos, pois quando o indivíduo coloca a mão no bolso e paga, ele não vai querer perder seu investimento. Então outros colegas alegaram que isso acontece nas apresentações pagas também. Claro, mas há de concordar que o número de interrupções desta natureza diminuem drasticamente, principalmente em shows de jazz e por experiência própria, depois de dezenas de shows de jazz que estive presente, pude constatar isso.
Em um post anterior eu fiz minha defesa apologética sobre os ataques generalizados às instituições religiosas evangélicas e mais uma vez fui mau interpretado, como se eu estivesse irado ao redigir o texto. Ora, qualquer pessoa que ler o texto com bom senso e atentamente, pode constatar que não há em nenhum momento, alguma palavra colérica. Se alguma pessoa tiver a oportunidade de conversar sobre este assunto pessoalmente comigo, não terá dúvidas de que trato disso tranquilamente. Mas enfim, na maioria das vezes é a própria pessoa que está incomodada com o assunto e cria a sua versão a ponto de afirmar categoricamente o sentimento de quem redigiu o texto. Alguns textos deixam de forma óbvia e clara o sentimento do autor e até dispõem de mecanismos gramáticos como acentuações para evidenciar tal estado e não se faz necessário nenhuma habilidade paranormal para identificar isso. Mas enfim...

sexta-feira, maio 11, 2012

Thopa duo no Otto bistrot 15/05/2012

 E se foram oito anos quando Antonio Panda Gianfratti e Thomas Rohrer se uniram neste projeto para desenvolver música criativa livre de rótulos e limitações estilísticas. Como citei anteriormente, Panda é co-fundador do primeiro projeto de improvisação livre brasileiro, o grupo Abaetetuba e Thomas se tornou membro deste projeto. O duo comemora mais um ano de atividades juntamente com o Otto bistrot, que também está comemorando seu quinto aniversário com sua arte culinária e nós comemoramos a arte em suas duas formas, uma obviamente através da música e outra através do que convencionou a se chamar de gastronomia.

Otto bistrot: Rua Pedro Taques, # 129 - Consolação  São Paulo
aberto de segunda à sexta das 12:00 às 15:00 e 20:00 às 24:00h
aos sábados das 20:00 às 24h
apresentação do duo Thopa às 21:00h
quanto? R$ 5,00


quinta-feira, maio 10, 2012

Albert Ayler - The First Recordings (1962)

E na sessão "Eu disse que não iria mais falar sobre isso", senti no coração de falar um pouco sobre Albert Ayler. A estas alturas do campeonato se ainda persistem as questões em debalde sobre quem é o pioneiro do sei lá o que ou de quem inventou a roda, lembremos que praticamente todos os músicos de uma época que estavam envolvidos em novos rumos para sua música no final da década de 50 em diante, não dão a mínima importância sobre os rótulos free jazz, new thing, etc. Ultimamente os termos "pré" e "proto" tem sido usados para tentar definir parâmetros para vários estilos musicais e suas origens. Há uma corrente que defende o nascimento do tal do free jazz num suposto pré ou proto free jazz com as gravações de Lennie Tristano no disco Intuition ou nas gravações de Jimmy Giuffre. O fato é que Cecil Taylor e Ornette Coleman deram a forma definitiva para o que se convencionou a se chamar de free jazz e esse termo se tornou um rótulo para este tipo de música depois da gravação do disco Free Jazz com o duplo quarteto de Ornette. A informação em sí deve ser averiguada, questionada e geralmente se pode fazer um bom uso, principalmente para ajudar a compreender o desenvolvimento da música. O que realmente causa um tremendo enfado são as intermináveis discussões com abordagens completamente inúteis. Bem, como disse Frank Zappa em um título de uma de suas gravações, shut up and play guitar. Dificilmente se aprende alguma coisa quando só se fala.
Como eu tinha feito uma analogia entre S.O.B. e Napalm Death, Albert Ayler e John Coltrane no post anterior, aqui está o registro que comprovam os dados da troca de informação, conhecimento e influência entre os músicos, além do registro do depoimento de ambos os músicos a respeito da questão. As primeiras gravações de Ayler em lp sob seu nome se deram em 25 de Outubro de 1962 no Main Hall Of Academy Of Music de Stockholm, Suécia. Ayler executa um standard, I'll Remember April, uma composição de Miles Davis e outra de Sonny Rollins. E por último uma de sua autoria com sugestivo título de Free. Clique aqui para acessar o arquivo de suas primeiras gravações.

terça-feira, maio 08, 2012

S.O.B.- Leave Me Alone ep (1986)/Don`t Be Swindle (1987)



Como disse antes, juntamente com os pioneiros ingleses do Napalm Death, o S.O.B. de Osaka consolidou o estilo grindcore e se tornou referência e influência para muitos grupos do gênero. O ep Leave Me Alone é o primeiro registro fonográfico do grupo e assim como o lp Don't Be Swindle, o S.O.B. ainda tinha uma sonoridade mais voltada ao hardcore punk, mas com as características do estilo grindcore. Nestas gravações se encontram clássicos da banda, como: Thrash Night e Raging In Hell.
Vale lembrar da influência do S.O.B. sobre o Napalm Death e aqui também posso fazer uma analogia com John Coltrane e Albert Ayler. Mas hein?! Pois é, em ambos os casos aconteceu a troca de informações e inspiração musical. John Coltrane quando se tornara um nome importante para os saxofonistas do estilo chamado Bebop e post-bop (detesto este rótulo de "post"), influenciou Albert Ayler no fim doas anos 50. Já no início dos anos 60 Ayler desenvolvera um estilo mais livre de tocar e em sua gravação de 1962 já possuía as características que o consagraram como grande nome do chamado free jazz. Neste meio tempo John Coltrane ainda estava desenvolvendo sua música para um horizonte mais amplo e seu célebre quarteto ainda utilizava estruturas mais definidas. Neste momento de pesquisa e transição, Coltrane ouviu a sonoridade extremamente livre de Ayler e isso foi decisivo para a grande mudança de sua música, tanto que de 1964 em diante, Coltrane jamais soaria o mesmo. O mesmo tipo de troca aconteceu entre o S.O.B. e o Napalm Death. Os ingleses pioneiros do grindcore influenciaram os japoneses de Osaka e depois, na época da gravação do disco From Enslavement To Obliteration de 1988, a música do S.O.B. teve grande influência em sua concepção. Segundo o vocalista Lee Dorrian, muitos riffs das músicas do disco foram baseadas na sonoridade do S.O.B.. Clique aqui para acessar o arquivo.

Weide Morazi e Ricardo Berti Duo: Improvisação # 1



http://weidemorazi.blogspot.com.br/

sábado, maio 05, 2012

Beastie Boys, Adam Yauch e MTV Get Off The Air

Como tinha dito anteriormente, a world wide web nos permite acessar dados simultaneamente com suas fontes de origem. Já começou a onda de choque sobre o falecimento de Adam Yauch ou MCA, do Beastie Boys. Desde as primeiras horas da manhã desta última sexta-feira vieram as notícias da imprensa norte americana sobre o fato. Foi estranho receber a notícia pois não tinha acompanhado mais qualquer assunto sobre o grupo. Nesta manhã de sábado, assisti algo no canal de UHF especializado em música, lí os comentários, imagens, videos na rede social e até então relutei em escrever algo sobre Beastie Boys e MCA.
Me lembro quando ouvi o Beastie Boys pela primeira vez no programa de videoclips da tv Gazeta, o Clip Trip. Era a música No Sleep Till Brooklyn. Achei o máximo! Eu já não era mais um B-Boy quando conheci o break em 1982 e estava engajado no heavy metal. Como não tinha deixado de gostar de hiphop, quando vi o Beastie Boys meio que misturar os dois estilos que eu gosto, (inclusive a música em si tem a participação do Kerry King, guitarrista do Slayer) curti na hora. Logo em seguida foi veiculado o video da música (You Gotta) Fight for Your Right (To Party), que era ainda mais crossover com o rock pesado. Não deu outra, fui atrás do disco nas lojinhas do bairro, o que era fácil tarefa, o meio dos anos 80 foi generoso com os lp's, dentro do possível na época, sem internet e defasagem de informação musical, se podia encontrar uma grande variedade de títulos, inclusive nomes obscuros para o mercado fonográfico brasileiro, como Laibach, 45 Grave, T.S.O.L., etc. Então comecei a desvendar os detalhes do Licenced To Ill. Era produzido por Rick Rubin, que tinha produzido LL Cool J, Run DMC, Public Enemy, The Cult e é claro, o disco Reign In Blood do Slayer. O disco já abria com a pesadíssima Rhymin & Stealin com o riff de guitarra da música Sweet Leaf do Black Sabbath e o sampler da bateria de John Bonham. Slow Ride continha sampler da música Low Rider do War (grupo de funk que viria a descobrir no início dos anos 90), Brass Monkey era bem familiar, como era o hiphop do inicio dos anos 80 e o beat clássico do estilo miami bass.
É engraçado como para um adolescente o tempo parece longo, mas já no final de 86 não achava mais sentido em ser um headbanger radical e o tal do estilo crossover vinculado ao hardcore me atraia. Isso implicava com a mudança da indumentária, sim, as roupas portavam uma ideologia além de mera estética. O uso de bonés de baseball, camisa xadrez de flanela, bermudas, skate faziam contraste com o preto, jeans, couro do headbanger tradicional.
Em 1989 é lançado o lp Paul's Boutique, simplesmente um dos tratados do hiphop, o livro mestre do sampling, assim como o 3 Feet High and Rising e De La Soul Is Dead. Paul's Boutique era a trilha sonora ideal para as skate sessions (o final dos anos 80 foi o ápice da 2ªonda do skate no Brasil) ao lado do hardcore. Paul's Boutique por incrível que pareça, passou batido quando foi lançado por aqui.
Então vieram os anos 90. O grunge, o manguebeat, a MTV. Um novo horizonte se abriu para a juventude ligada à música de forma mais contundente. Era possível acessar imagens dos artístas favoritos através dos videoclips e até shows captados e entrevistas. Programas especializados em gêneros, como o heavy metal, hiphop e música eletrônica. O engraçado é que a MTV dos anos 90 tinha um vínculo com a música independente no Brasil. Concorde ou não, o canal de tv UHF teve crucial participação na propagação do grunge e o manguebeat. Mas é claro que isso tudo ficou nos idos anos 90, pois a MTV teve que voltar às suas origens mais tenebrosas, ou seja, ser apenas uma vitrine da indústria fonográfica. Hoje em dia a MTV, é irrelevante e até alheia à música independente e realmente criativa feita neste país. Me lembro quando a tv teve que mudar sua diretriz radicalmente para não fechar o caixa no vermelho, quando passou a veicular videos do CIA do Pagode e É O Tchan. Meu Deus! A emissora que gozava de algo até meio cult, devido aos programas BUZZ, 120 Minutes, Lado B, Liquid Television, abria as suas pernas para ser arrombada pela porta da frente. Desde então a MTV não tem realmente mais nada haver com a música em sí.
Mas voltando um pouco antes do holocausto, em 92 é lançado o disco do Beastie Boys que mudaria grande parte parte da música jovem, o Check Your Head. Já contando com os primeiros passos da internet e a cobertura da MTV no Brasil, o Beastie Boys chegou transtornando o ambiente com os videos So Wat'cha Want e a versão hardcore de Time For Livin' do Sly And Family Stone, revelando a origem do Beastie Boys. De uma hora para outra o Beastie Boys se tornou unanimidade entra vários nichos da juventude dos anos 90, os grunges, os skatistas, indie-rockers, alguns headbangers... É feio mas é verdade: a classe média branca começou a curtir um hiphop. E vou te falar uma coisa, esse negócio de hiphop pertencer à periferia eu sempre achei equivocado, pois me lembro que muito "mano" e "função" nos anos 80 nem gostava de rap. Depois veio o Racionais debochando dos "playboys" e toda aquela contenda infrutífera que quase todo mundo já sabe...
Mas o caso é que Adam Yauch morreu de forma cruel, de câncer e não de forma estúpida como Tupac Shakur. Mas Easy-E também morreu doente. Acontece que Adam ou MCA foi instrumento de grandes mudanças e benefícios para a música através do Beastie Boys. Mas agora é tarde, MCA is dead, MCA is deaf... Precisamos seguir em frente como forma de respeito ao seu trabalho, assim como outros que ainda respiram boa música.

domingo, abril 29, 2012

Kalaparusha Maurice McIntyre talks about jazz

É por isso que sempre afirmo  que devemos parar de falar sobre John Coltrane e Miles Davis, pelo menos parar de falar sobre eles o tempo todo, como se o que se convencionou a se chamar de jazz somente fosse Miles e Trane. Eles já se foram. Já receberam e ainda recebem o reconhecimento e não podem ver ou ouvir as homenagens póstumas que recebem até hoje. Seus nomes e suas obras já estão devidamente consagrados na história da música.
Nestes últimos tempos, noticias me alegraram o coração ao saber que o saxofonista e compositor Giuseppi Logan foi resgatado do injusto esquecimento e que o baterista Muhammad Ali (irmão de Rashid), recentemente tocou com o saxofonista David S. Ware, segundo relatou meu amigo de New York, Michael Foster, o qual conheci em Amsterdam no ano passado, na semana em que estivemos com a Dutch Impro Academy.
Agora mais uma boa notícia me alegra o coração ao receber notícias de Kalaparusha Maurice McIntyre, que nasceu em 24/03/1936 - Clarksville, no estado de Arkansas e cresceu em Chicago tocando bateria aos 7 anos de idade e logo mudando para o saxofone. Estudou no Chicago College Of  Music e durante os anos 60 começou a tocar com Malachi Favors, Muhal Richard Abrams e Roscoe Mitchell. Se tornou membro da AACM e Ethnic Heritage Ensemble. Sua primeira gravação sob seu nome foi Humility In The Light Of Creator de 1969 pelo selo Delmark. Nos anos 70 mudou-se para New York e participou das famosas loft sessions no Studio Rivbea de Sam Rivers. Depois de 1981, McIntyre gravou muito pouco, em algumas gravações do final dos anos 90 e início da década de 2000. Assim como Charles Gayle, sobreviveu tocando nas ruas e no metrô de New York.
Closeness é um curta metragem documentário dirigido por Danilo Parra, filmado logo após a gravação de Closeness em Janeiro de 2010, com Warren Smith: bateria, Michael Logan e Radhu Williams: contra-baixo, que é dedicado à companheira de Maurice McIntyre.
Bem, não sei quanto à você mas meu coração chorou ao ver o saxofone oxidado e mecanismos presos por elásticos e sua caminhada ao metrô...

sexta-feira, abril 27, 2012

Joe McPhee and John Snyder - Pieces Of Light (1974)


Antes de um breve comentário sobre esta gravação de Joe McPhee e John Snyder, aproveito este momento para salientar que o Sonorica sempre divulgará o trabalho de músicos criativos no intuito de ampliar a rede de informações sobre artístas que nem sempre recebem a devida atenção. Mas também este weblog não é apenas um espaço para postar discos e muito menos um espaço especializado em jazz, free jazz, improvisação e afins, tanto que o próprio blog demonstra isso. O asterisco explicando o objetivo do Sonorica também ajuda a esclarecer que se trata apenas de um diário virtual pessoal que não tem a pretensão e sequer a obrigação de ser um orgão jornalístico, mas é claro que os dados aqui postados não serão jamais distorcidos em relação a integridade de suas fontes. Sobre arte e cultura. No caso do ítem cultura, o termo abrange muito mais assuntos do que o estereótipo equivocado que se tem sobre o significado da palavra cultura. Cultura abrange vários aspectos da sociedade, vai mais além do que ir numa megastore. Por isso, assuntos como o post anterior a este se farão presentes no blog quando houver relevância.
Joe McPhee nasceu em 03/11/1939, Miami e começou a tocar trompete aos 8 anos e mais tarde tocou na banda do exército onde teve contato com o chamado jazz tradicional. Sua primeira gravação foi em 1967 no disco de Clifford Thornton, Freedom and Unity. Em 1968 começou a tocar saxofone e outros instrumentos, como o trompete portátil, trombone de válvula e piano, associados ao envolvimento com a música acústica e eletrônica. Atualmente McPhee faz parte de um dos mais interessantes conjuntos de música criativa, o Chicago Tentet de Peter Brötzmann. *Um detalhe é que seu disco solo, Tenor (1976), foi decisivo para Ken Vandermark escolher o saxofone tenor como seu principal instrumento.
John Snyder é fundador da Artists House Music, fundação educacional para apoio e formação de músicos. Atuou mais como produtor e exerceu cargos importantes em gravadoras como a CTI, Atlantic e A&M records. Pieces Of Light consiste em duas peças onde McPhee faz uso do trompete, flugelhorn, saxofone tenor, flauta, harpa de Nagoya modificada, carrilhão (ceramica, bamboo) e voz, com Snyder no sintetizador. Clique aqui para acessar o arquivo.

quarta-feira, abril 25, 2012

Intolerância

A ferramenta de relacionamento virtual Facebook tem sido palco de inúmeras questões, desde simples posts entre amigos e familiares, trabalho, mobilizações politicas e sociais, negócios, etc. Realmente o Facebook tem até substituído de maneira grotesca os relacionamentos da sociedade como um todo. Claro, já estou escutando as justificativas da falta de tempo impostas por este sistema econômico que pressiona a sociedade a nunca ter tempo para um bate papo informal ao vivo, de amigos que se encontram em posições geográficas que inviabilizam um breve encontro para um cafezinho. Salvas estas situações de pessoas que se encontram em lugares distantes, é um tanto quanto constrangedor o caso de pessoas que se encontram próximas num mínimo  raio de kilometros ou até metros de distância um do outro. E conectado à isso, aumenta o número de sociopatas que se enclausuram em seu micro-cosmos de seus smartphones, notebooks, tablets o tempo todo nos transportes coletivos, nas vias públicas, estabelecimentos comerciais, etc, sendo que na maioria das vezes é completamente desnecessário fazer uso dos aparelhos. Assim elas fazem uso de um bode expiatório virtual para não interagir com seu habitat real.
Nem tudo está perdido! Ainda há alguns bairros, lugares e pessoas que ainda conversam coisas inofensivas, como: "Hoje parece que vai chover, não?", "O ônibus chegou atrasado hoje..., bom dia, como o céu está bonito hoje...". Num dia destes da semana, com a metrópole à todo vapor, entrei num ônibus lá no centro da cidade e a cobradora me saldou com um bom dia tão efusivo que mesmo se o ônibus estivesse lotado num engarrafamento, certeiramente minha viagem seria agradável. Bem, estou divagando sobre essas coisas mas o assunto que quero tratar sobre o Facebook é mais específico.
Acho que de uma outra maneira abordei sobre os relacionamentos via Facebook e os prós e contras desta ferramenta digital. São os "add's". Principalmente como o site optou por oferecer o serviço. Add a friend... Sacou? Amigo... olha, eu sou da "velha guarda", mesmo apenas prestes a completar quatro décadas de vida nesta terra, neste planeta. Para mim, amigo é um título que exige um padrão elevado de cumplicidade, amor, tolerância, confiança, tempo de estrada e convívio. Não é porque a sociedade resolveu informalizar tudo baseada numa argumentação desprovida de sustentação, que eu também deva considerar e nomear qualquer pessoa de amigo. Quanto à isso, é meu direito e não invade as fronteiras dos direitos de ninguém e de maneira alguma me autoriza a tratar com frieza e rispidez, pessoas que eu não desenvolvi um relacionamento de amizade como eu adotei como padrão básico.
E como eu tinha falado em outra ocasião, o dispositivo share do Facebook, possibilita que a minha página pessoal receba posts de pessoas que não tenho relacionamento e  que sequer as conheça, pelo fato delas estarem ligadas à pessoas que estão ligadas à pessoas que conheço e outro que simplesmente aceitei o add por hospitalidade e estar receptivo a conhecer pessoas novas e diferentes.
Mas existe uma parte considerável destas pessoas que até agora eu não entendi porque pediram para eu aceitá-las na sua lista de friends (vai ver que o termo friends também muda de significado no Facebook) e sequer me direcionaram um simples "olá", apenas postam suas mensagens, imagens o tempo todo, sem uma palavra.
Ultimamente eu andei deparando com posts avacalhando com as igrejas evangélicas, Deus, Jesus Cristo.
Em primeiro lugar, se eu não deixei claro, eu sou evangélico e isso não significa que sou parte de uma massa irracional de manobra que é manipulada, que não sabe o que acontece no mundo, na política, na economia, sociedade, na cultura, etc. A minha função como evangélico é anunciar as Boas Novas do amor de Cristo. A palavra evangelho vem do grego ευαγγέλιον, euangelion, que significa boa mensagem, boa notícia ou boas-novas. Pela minha fé e os preceitos que acredito, me impedem de agir com pré-conceito e muito menos intolerância. Coisa que ninguém verá de minha parte tanto no mundo virtual como no mundo real, é esculachar com a crença de alguém. Mesmo que alguém se torne adepto daquelas religiões que tem procedimentos dos mais questionáveis quanto a sua integridade ou até aquela seita em que os membros se prostravam perante uma estátua com um computador na sua parte interna e pregava sua doutrina. Várias pessoas que não tenho uma verdadeira amizade simplesmente por falta de oportunidade, tem exposto suas crenças de acordo com suas religiões e filosofias e jamais protestei contra elas. Jamais postei algo condenando e muito menos zombando de nenhuma religião e assim será até a minha morte.
Em determinado momento, senti que deveria e tinha o direito de fazer um comentário, que foi feito no dia 19 deste mês:


"Toda semana é a mesma coisa, eu tenho que deparar com declarações contra Deus, bíblia, Jesus Cristo, evangélicos, cristãos... Coisa que eu não perco tempo, é criticar o ateísmo, agnosticismo, satanismo, catolicismo, GLBT's, etc. Todos estes tem o direito de crerem e não crerem no que quiserem, sem serem condenados pelas pessoas. O interessante é que na maioria são pessoas com um bom nível cultural e razoável poder aquisitivo, ao contrário de meus amados irmãos de fé que mau sabem distinguir a diferença entre a mão esquerda e a direita. Eu detestava esse troço de religião e tudo mais, mas lá fui eu ler o livrão pra ver qual era a de Cristo, Deus e tudo mais. Deus não vai ficar e nunca ficou noiando quem não trinca com sua filosofia de vida, quem quiser estar com ele, esteja e naturalmente agirá com bom senso, não julgando os outros. Deus não se responsabiliza pelas prezepadas que fazem por aí em nome dele, pois cada um que assuma as consequências de suas atitudes. É tudo muito simples. A vida é bela e curta, se algo não me agrada ou acho que não presta, pra quê eu vou gastar tempo falando mau? Amém. PS: Se eu fosse tão bem esclarecido, porquê eu iria me rebaixar atacando um monte de gente ignorante que acredita numa fábula escrita sabe-se lá por quem à mais de dois mil anos? "Ah, mas alguém tem que denunciar esses picaretas que exploram as pessoas e fazem lavagem cerebral no povão...". Sinceramente? Praticar uma boa ação todos os dias, na miúda, sem ficar se achando bom por conta disso, é a arma mais eficaz contra a injustiça e mentiras, do que qualquer dedo na cara e ativismo pau mole de facebook."


Enfim, as pessoas pedem o fim da intolerância, a garantia de seus direitos, sua liberdade. Eu estou longe de ser uma pessoa que não falha, muito pelo contrário, sou um pecador que se esforça em ser uma pessoa melhor. Não me considero superior a ninguém, minha vida vale tanto quanto a de um nóia da crackolândia. Vou seguir respeitando todas as pessoas e suas opiniões e crenças e ficaria imensamente grato se assim o fizessem comigo apenas porque sou um ser humano se esforçando em praticar o bem, porque é meu dever.

quinta-feira, abril 19, 2012

S.O.B. / Napalm Death split ep (1989)


Tão urgente e veloz como o grindcore, não há muito o que dizer e nem motivos necessários para me alongar neste post. Simplesmente é um clássico do estilo com as duas colunas do grindcore. Simplesmente necessário. Clique na imagem para acessar o arquivo.

terça-feira, abril 17, 2012

Ethnic Heritage Ensemble - Freedom Jazz Dance (1999)

Pela primeira vez em 20 anos de atividades, o Ethnic Heritage Ensemble conta com a participação de um instrumento de cordas. O guitarrista Fareed Haque nasceu e 1963, filho de pai paquistanes e mãe chilena e colaborou com Paquito D'Rivera, Dave Holland, Sting, Joe Henderson, Lester Bowie, Arturo Sandoval, Robert Walter, Keller Williams, Medeski, Martin and Wood, Defunckt, Ramsey Lewis entre outros. As colaborações de músicos convidados se tornaram parte do grupo com a entrada de Ernest Dawkins em 1997. Mesmo se tratando de uma gravação do final do século XX, Freedom Jazz Dance (que é uma composição de Eddie Harris), não sofre de anacronismo. Como foi dito aqui antes, o Ethnic Heritage Ensemble lida com as origens da música afro americana e o resultado é uma arte viva, que não se decanta como um movimento e estilo musical de uma determinada época. E também como já disse aqui neste blog anteriormente, enquanto muitos se prendem à ícones e simbolos de um passado mesmo que recente, a música afro americana continua pulsando, respirando novos ares e o projeto de Kahil El' Zabar já vem trazendo isso à um bom tempo. Clique na imagem para acessar o arquivo.

terça-feira, abril 03, 2012

Steve Lacy – The Crust (1979)

Não sei realmente qual a origem de certas afirmações sobre músicos e seus respectivos instrumentos de trabalho. Lembro de ter ouvido e lido coisas como: "John Coltrane reinventou o saxofone soprano". Esse tipo de afirmação quando publicada, deveria ter passado por um processo de pesquisa antes de qualquer coisa para não contribuir com as incontáveis "lendas do jazz" que em nada contribuem para a dita cultura. Se formos um pouco mais coerentes, podemos afirmar que essa tal reinvenção do saxofone soprano não ocorreu por volta do fim dos anos 50 e início dos 60 com nosso amigo Coltrane. Sidney Bechet colocou o saxofone soprano à serviço da música afro-americana lá no início dos anos 20, que certamente inflenciou Steven Norman Lacritz, nascido em New York, 23/07/1934, começou com estilo Dixieland até desenvolver sua linguagem na chamada Free Improvisation. Lacy se especializou ou direcionou seu foco no saxofone soprano como instrumento para expressar sua arte e em 1957 grava o album Soprano Sax pelo selo Prestige. Bem, creio eu que a esta altura já não se faz necessário mais nenhum comentário sobre o membro da família de instrumentos gerada por Adolphe Sax.
Lacy desenvolveu uma técnica e personalidade única no seu instrumento e contribuiu para o desenvolvimento mais amplo da música criativa que dá seus frutos até os dias de hoje.
The Crust é uma gravação que registra um grande momento da linguagem desenvolvida pelos músicos da europa e ao lado de Lacy se encontram dois artístas fundamentais da chamada Free Improvisation: o percussionista John Stevens e o guitarrista Derek Bailey. O saxofonista Steve Potts estudou arquitetura em Los Angeles e estudou música com Charles Lloyd, mudou-se para New York e estudou com Eric Dolphy e em 1970 mudou-se para Paris e conheceu Lacy, com quem teve uma parceria musical de 30 anos. O baixista Kent Carter nasceu em 12/06/1939, Hanover - New Hampshire, U.S.A., se integrou ao trabalho de Lacy no início dos anos 70 e também tocou com a Jazz Composer's Orchestra, conhecida pela direção de Carla Bley e Michael Mantler. A JCO teve sua origem na organização fundada por Bill Dixon, Jazz Composers Guild, que iniciou uma série de concertos em New York no ano de 1964. Clique na imagem para acessar o arquivo e apreciar o que aconteceu no 100 Club - London, UK, em 30/07/1973.

sábado, março 31, 2012

Desolation Angels - Desolation Angels (1986)

O Desolation Angels se formou em 1981 por dois amigos de infância, os guitarristas Robin Brancher e Keith Sharp na região de East End em London, UK. Em seguida convidaram o amigo Joe Larner para assumir o posto de baixista e vários bateristas passaram pelo grupo até a vinda de Brett Robertson em 1982. Em 1984 gravaram seu primeiro single, Valhala/Boadicea 7" em um estúdio em Cheltenham e em 1986 gravaram seu primeiro lp, Desolation Angels no Thameside Studios em Rotherhite, London. Em 1987 o grupo se mudou para Los Angeles, CA até encerrar suas atividades em 1994. O Desolation Angels faz parte da chamada New Wave Of British Heavy Metal, que tornaram consagrados nomes como Diamond Head, Iron Maiden, Judas Priest, Motörhead, Saxon, Samson, Girlschool, etc e o Desolation Angels é considerado herdeiro direto da sonoridade do Black Sabbath, que foi a primeira geração das bandas de rock inglesas que formaram as bases do estilo heavy metal, junto de grupos como Led Zeppelin e Deep Purple.
O heavy metal sempre foi alvo de criticas negativas, denominado como música para adolescentes desmiolados, etc. Mas deixando de lado os pré-conceitos e analisando a evolução de mais um segmento do rock'n'roll, encontram-se grupos de música criativa e de qualidade. Clique na imagem para acessar o arquivo.

quinta-feira, março 29, 2012

Grant Green - Alive! (1970)

A guitarra no estilo musical que denominaram jazz ganhou destaque e uma linguagem notória com Charlie Christian e foi se desenvolvendo, ganhando força e reconhecimento com Wes Montgomery, Herb Ellis, Django Reinhardt, Joe Pass, entre muitos. Também se tornou um instrumento enfadonho e perseguido por muitos como sinônimo de exibicionismo desnecessário e o engraçado é que ninguém questionou o que Charlie Parker e Coltrane fizeram em seus saxofones, aliás, Charlie Christian desenvolveu sua linguagem que se tornou fundamento do instrumento no jazz, baseado na técnica do saxofone. Eu em particular prefiro os guitarristas do rock do que os do jazz, nunca fui lá muito chegado nos guitarristas de jazz conhecidos na sua forma mais, digamos, tradicional. Aquele timbre limpo e aveludado não me atraia de maneira alguma e num comentário mais grosseiro, achava uma tremenda chatice. Aí vieram os guitarristas do chamado fusion e muitos infelizmente uniram o que tinha de mais chato no jazz e no rock, depois nos anos 80, veio a era dos super guitarristas, que adicionaram a destreza das técnicas da música erudita, as dificílimas composições para violino de Niccolo Paganini, com glissandi e arpeggios usados de forma um tanto quanto exagerada causando mais repulsa pelos guitarristas.
Bem, mas graças ao chato do Herbie Mann, as coisas mudaram, pois descobriu o talento de Sonny Sharrock que veio para mudar radicalmente a sonoridade do instrumento no jazz. Mesmo ainda predominando os guitar heroes com suas asas de pavão, temos sonoridades muito mais interessantes, como Keiji Haino, Marc Ribot, Jeb Bishop, etc.
Apesar de pessoalmente detestar um certo sub-gênero do jazz que serviu de inspiração à umas das maiores baboseiras ligadas ao estilo, o chamado acid jazz (vai ver que o tal do ácido derreteu o cérebro) o disco Alive! de Grant Green possui uma das melhores versões de Sookie Sookie, composta por Don Covay.
Grant Green nasceu em St. Louis, Missouri em 06/06/1935. Teve sua primeira performance profissional aos 12 anos de idade e suas principais influências musicais foram Charlie Christian, Charlie Parker, Ike Quebec, Lester Young, Jimmy Raney, Jimmy Smith e Miles Davis. Sua primeira gravação foi com o saxofonista Jimmy Forrest, contando com Elvin Jones na bateria. Foi apresentado à Alfred Lion do selo Blue Note por Lou Donaldson, considerado o pai do Soul Jazz (que foi a base do acid jazz) e iniciou uma profílica carreira com inúmeras gravações sob sua direção. Muitos consideram Grant Green como o herdeiro direto de Wes Montgomery e o pai do acid jazz, tendo sua música imortalizada nos samplers décadas depois. Clique na imagem para acesar o arquivo.

terça-feira, março 20, 2012

Masada e John Zorn em São Paulo: John Zorn, você é malvado!

Eu já tinha me pronunciado à respeito da apresentação do Masada no estabelecimento de entretenimento em São Paulo, sua taxa de serviços, a configuração em que se deu tudo isso e agora, a saliva se torna a vedete de uma noite enfadonha na capital mais equivocada do hemisfério sul do planeta.
Ao longo do último fim de semana, desde à sexta-feira, venho captando diversas opiniões, comentários sobre o nosso querido odiado John Zorn. Pobremente e equivocadamente conhecido como o saxofonista judeu de jazz que ouve rock e faz muito barulho, agora ganha destaque nas rodas de conversas do micro-cosmo cultural de São Paulo. Como sempre acontece, certos artistas ganham uma notoriedade efêmera sempre que se apresentam por aqui, apesar de Zorn ter se apresentado em São Paulo em 1989. O curioso é que o público supostamente culto ou bem informado, que tem um acesso acima da média em relação a informação cultural geral, acaba agindo como um povoado de um vilarejo nos confins da terra que fazem uma festa, um banquete, para recepcionar o forasteiro, mesmo que ele seja apenas um simples viajante só de passagem. Aí diante de todas as honrarias e procedimentos hospitaleiros, os nativos atentam para qualquer informação do mundo exterior em uma grande conferência, como se fosse uma assembléia geral da cidade e aguardam contos grandiosos da grande cidade ou seja lá onde for, como as crianças que se juntam para ouvir as estórias do vovô.
Antes de tudo, no domingo à noite, quando estava voltando da igreja de minha noiva, em Guarulhos, ainda no ônibus, um bom amigo me telefonou e queria me relatar sobre a apresentação do Masada no dia anterior. Como estava perto de sua casa, desci do micro ônibus antes e fui até lá. Esse meu amigo é confiável em todos os sentidos e ainda mais nestas questões sobre música, pois possui um amplo conhecimento e sempre aplica uma análise empírica sobre qualquer assunto, jamais deixando sua opinião pessoal interferir ao relatar um fato ou transmitir algum tipo de informação. Ele me contou que a apresentação foi boa, que foi mais energética do que a que tinha presenciado em Tokyo à alguns anos atrás. Comentou sobre o costumeiro "unifome" de Zorn, calça militar camuflada, que Dave Douglas tinha envelhecido bastante desde a última vez que o viu e que o Joey Baron por ser careca, não mudou muito. Gostou das variações dos temas do Masada e questionou que possivelmente os incidentes com a organização e parte do público influenciaram Zorn a tocar furiosamente seu já costumeiro incendiário saxofone alto.
Mesmo o Masada ter vindo de uma estafante série de apresentações na américa do sul quase sem pausas, no estilo Do It Yourself (Zorn cuidou pessoalmente do managing do grupo), isso não interferiu na performance do Masada, que ofereceu o seu melhor.
Mas o motivo deste post foi a série de comentários á respeito dos incidentes e principalmente alguns comentários em particular que estão no post do weblog Free Form, Free Jazz de Fabrício Vieira. Chamaram o Fabrício de elitista, que exigia um protocolo, etiqueta e procedimentos extremamente rígidos, descabíveis para o público do local. Ora, francamente, quem tem 100 mangos para bancar uma "balada"(isso mesmo, pra muitos era apenas uma balada), teve acesso à educação e sabe ou deveria se comportar de forma coerente. A apresentação do Masada não é um show do Spinal Tap, nem sempre todo show é "rockenrrou", latas de cerveja amassadas na testa e as entoadas guturais da platéia. Às vezes nos sentamos para contemplar, ouvir música, pelo fato de tal tipo de música necessitar um grau diferente de atenção.
No mais, como Zorn tem apenas o compromisso de fazer o seu melhor em relação a arte e não paparicou e nem fez média com o brazilian people (precisamos erradicar essa visão de que o brasileiro é um povo especial e que merece um tratamento diferenciado dos gringos, pois somos todos iguais) e ainda por cima escarrou no "pobre" espectador e ganhou o apodo de esnobe e antipático. Misericórdia, se o gringo que vier ao Brasil não falar "i love samba, Pelé, Brazil!", não visitar um ensaio de escola de samba e tomar uma caipirinha, ele se torna uma persona non grata...
Bem, como senti a necessidade de falar sobre isso, não vou me estender mais do que isso, só lamento pela mentalidade das pessoas, que se tornam cada vez mais cruéis, irresponsáveis, incoerentes e intransigentes. Em resumo, o brasileiro em geral assemelha-se à uma criança mimada e mal educada, que gosta de hostilizar e fazer chacota de todo mundo, mas quando alguém faz qualquer observação, esperneia e diz que está sendo alvo de discriminação, preconceito, injustiça. etc.
No mais deixo o link do post sobra o Zorn no weblog do Fabricio Vieira e friso uma atenção aos comentários do leitor no post em específico:

sábado, março 17, 2012

Archie Shepp – A Sea Of Faces (1975)

Archie Shepp também faz parte dos músicos da música popular afro norte americana que dispensam comentários. Muito já foi relatado à seu respeito e infelizmente muitos apenas comentam sobre seu passado, sua associação com John Coltrane, encerrando-o no sepulcro dos ícones do jazz ou sei lá o que. Fire Music, Attica Blues... até quando vão ficar regorgitando sobre este assunto? O fato é que Shepp ainda está na ativa, não despeja mais sua fire music através do saxofone tenor, pois agora as limitações físicas o impedem de fazê-lo. Nas últimas décadas Shepp remodelou seu discurso, nos entrega uma arte mais serena. Destilou todo seu conhecimento, pesquisa, experiências e sua trajetória de vida do ponto de vista de um artísta fruto da diápora africana que se estabeleceu na américa do norte em poema cantando o blues. Sim, aquele mesmo blues que muitos conhecem, mas os campos de algodão se transformaram em edifícios, automóveis, o chicote e as correntes em sub-empregos e marginalidade. Mas o separatismo ainda está presente, não de forma explicita e legalmente exposta como antes, mas diluída num mar de faces da multidão. Shepp tem seus altos e baixos, o que é comum na maioria dos artístas, muitas gravações não acrescentaram nada de significativo para a música criativa. Afinal Shepp também é um ser humano igual a todos nós e as contas à pagar não levam em conta seus tempos de fire music. Em A Sea Of Faces, Shepp conta com grandes parcerias das quais gostaria de destacar, que são o pianista e compositor Dave Burrell, ainda em atividade, que deveria ter o reconhecimento devido por ser um dos principais pianistas do que ainda relutam em chamar de free jazz, ao lado e na mesma estatura de Cecil Taylor. O outro é o baterista Beaver Harris, que infelizmente ficou ofuscado por ser tratado apenas como o baterista do saxofonista que tocou com Coltrane. Beaver Harris além de tudo mais, avançou e desbravou outros territórios e participou do que se chamou de No Wave no undergound de New York. Também contou com a belíssima voz de Bunny Foy para declamar seu poema blues. Clique na imagem para acessar o arquivo.

terça-feira, março 13, 2012

Nuclear Assault – The Early Demos 84-85 (2010)

Ainda me lembro quando o lp Game Over foi editado no Brasil com pouco menos de um ano de atraso em relação ao lançamento oficial. Sem dúvida está entre os meus grupos favoritos de thrash metal e o Nuclear Assault sempre teve um vinculo com o hardcore na sua sonoridade, sendo muito próximo do estilo denominado crossover, que se tornou conhecido pelo grupo D.R.I.. Inclusive posso fazer uma analogia do Dirty Rotten Imbeciles com Ornette Coleman. Como?! Deixando de lado o elitismo musical detestável que foi imposto por aí, lançando fora as inúteis diferenças estilísticas, tudo é música, seja boa ou ruim e mesmo assim o que é bom ou ruim é pessoal e relativo. Assim como o título do disco de Ornette Coleman, Free Jazz, se tornou um rótulo de um estilo musical dentro da música feita na América do Norte nos anos 60, Crossover do D.R.I. também se tornou um rótulo na música feita na América do Norte nos anos 80.
Com certeza o Nuclear Assault influenciou e modificou significativamente o cenário heavy metal mundial assim como no Brasil. Tanto que teve grande influência num grupo que foi o divisor de águas de todos os tempos, o Sepultura. Não é por acaso que a tipografia do disco Schizophrenia, lançado no fim de Outubro de 1987, é a mesma de Game Over do Nuclear Assault de 1986. Schizophrenia foi a grande mudança do Sepultura em relação aos trabalhos anteriores, o split album Bestial Devastation e o lp Morbid Visions, com sonoridade voltada ao death metal tradicional, para a sonoridade mais thrash metal, com influencia do hardcore punk. E também se deu uma parceria com o grupo Ratos de Porão, ilustrando efetivamente o termo crossover. E aqui neste bootleg das duas primeiras demo tapes do Nuclear Assault podemos ouvir o início do desenvolvimento de mais um trabalho inovador que sempre teve em sua estrutura, o baixista Dan Lilker, sempre presente nas novas direções do rock mais agressivo, como o Anthrax, S.O.D., Extra Hot Sauce, Brutal Truth e suas ligações importantes com o grindcore. Clique na imagem para acessar o arquivo.

domingo, março 11, 2012

Anthony Braxton - This Time... (1970)

Dando continuidade aos artístas que despensam comentários, temos aqui uma pequena particula do universo sonoro criado por uma mente fora do comum, Anthony Braxton. É simplesmente assombroso o pleno domínio sobre quase todos os instrumentos de sopro que usam palheta e flautas. E não é só apenas sua técnica, velocidade, precisão, mas expressão, complexidade e beleza que saem de forma torrencial de uma mente que provavelmente não para de elaborar estruturas sonoras a todo instante. Me lembro da primeira vez que vi uma foto de Braxton, com instrumentos incomuns, como o clarinete contra-baixo ou o saxofone contra-baixo. Seus óculos e cachimbo me pareciam a mistura de um nerd, cientista louco como dos filmes, de professor de química. E ao deparar com os títulos, simbolos e figuras que denominavam suas composições, isso reforçou minhas impressões. Apreciador do tabuleiro de xadrez, amplo conhecimento da matemática aliados a maturidade e convicção artística estruturam o suporte para Braxton expressar suas emoções. Em meio a números, letras e diagramas, encontramos outros aspectos de Braxton, como Charlie Parker Project, Six Monk Compositions, interpretações de composições de John Coltrane, revelando as emoções, sentimento e espiritualidade, só que com a característica complexa e original dentro de seu amplo campo de criação. Braxton é o músico e compositor que melhor simboliza a junção da música criativa, que possui vários adjetivos, rótulos, o que denominaram vanguarda européia, afro norte americana, free jazz, free improvisation, enfim, essas baboseiras criadas pela indústria fonográfica e as midias musicais.
Em This Time... Braxton contou com a colaboração de parceiros grandiosos: Leroy Jenkins, Leo Smith e Steve McCall, que contribuiram de forma única e preciosa para o desenvolvimento da música criativa de forma coletiva e individual. Todos desenvolveram sua arte em torno dos conceitos da AACM, transportando para outros níveis o que floresceu no fim dos anos 40 na america do norte. Clique na imagem e compartilhemos este tempo...

ps: Muitos associam os nomes de revolucionários na formação de outros, como no caso de Braxton, mas é interessante como as coisas acontecem. Numa entrevista, o músico fala de suas influências na juventude e relatou que o pai de seu amigo lhe apresentou a música de Ornette Coleman e ele estranhou sua música e tinha preferência por Paul Desmond, o grande parceiro de Dave Brubeck. Só depois de algum tempo que Braxton digeriu a música de Ornette.

sexta-feira, março 09, 2012

Mal Waldron with Eric Dolphy and Booker Ervin – The Quest (1961)

Na verdade pensei duas vezes antes de fazer o post deste disco. Em primeira instância não queria pelo fato de ser uma gravação conhecida, de nomes bem acessíveis e substanciais fontes de informação disponíveis. Depois, por se tratar de um registro de 1961 e isso não desqualifica a riqueza da música registrada, mas devemos estar atentos ao contemporâneo até dentro do que se chama jazz, há muitos trabalhos interessantes para apreciarmos e eu particularmente como músico, não acho nada saudável ficar só ouvindo os grandes discos de jazz do passado.
Por fim resolvi fazer o post em lembrança do trabalho de Dolphy, que teve uma carreira curta e fatalmente interrompida. Qualquer gravação fuleira de algum standard do cancioneiro popular norte americano interpretado por Dolphy se transforma numa obra de arte fascinante. É sempre bom lembrar de Dolphy. Nas sessões de The Quest encontramos Ron Carter usufruindo de sua habilidade no violoncelo, deixando o contra baixo por conta de Joe Benjamin, baixista de New Jersey, com extensa carreira no jazz, basta pesquisar, assim como no caso de Booker Ervin e Charles Persip. Ah, o líder da sessão: Mal Waldron... o que dizer sobre ele? De Lady Day à Steve Lacy, com seu som vigoroso de fortes raízes ajudou a redigir a história da música afro americana do século XX. Clique na imagem para acessar o arquivo. Não há mais nada necessário à dizer.

quinta-feira, março 08, 2012

All - Everything Sucks demos (1996)

Ainda me lembro quando comprei meu primeiro lp do Descendents, o Liveage, numa loja de discos na notória rua 24 de Maio, numa galeria ao lado da Galeria do Rock. Isso foi por volta de 1989 e minha trilha sonora das skate sessions obviamente incluiam o Descendents, que vim a conhecer pelas músicas Theme e Coolidge que eram parte da trilha sonora escolhida pelos participantes do Savannah Slamma, um clássico das competições de street skate, como aqui em São Paulo tinhamos o Ladeira da Morte na modalidade downhill.
O Descendents se diferenciava pela sua sonoridade apurada dentro do punk, a guitarra de Stephen Egerton colocava a estética e técnica de Eddie Van Halen a serviço do punk rock, o baixo de Karl Alvarez me remetia aos contrapontos melódico-harmônicos de Paul McCartney. Bill Stevenson estava entre os bateristas mais criativos do hardcore norte americano, preciso, ágil e pesado, além de ser um grande compositor. Milo Aukerman com certeza derreteu muitos corações com sua voz simples e romantica. Como muitos que acompanhavam as notícias do cenário hardcore, Milo escolheu se ausentar do Descendents por conta de sua vida acadêmica, sim, Milo é cientista (não é a toa a aurea nerd que virou símbolo do grupo, que é a caricatura de Milo nos tempos de colégio fez, o tal do bullying que hoje tanto se fala). Então os integrantes do Descendents resolveram desenvolver outro projeto enquanto Milo não voltava, surgindo o All, uma materialização dos conceitos proclamados no último disco do Descendents: All, de 1987, que possuia até um manifesto/constituição em forma de música: All-O-Gistitcs. A primeira fase contou com Dave Smalley que cantava no DYS, Dag Nasty e posteriormente no Down By Law. Com a entrada de Scott Reynolds, o All consolidou sua sonoridade mais apurada, que passeava naturalmente pela música popular norte americana, ou seja, ali estavam, o ragtime, country, rock'n'roll, pop, hardrock e é claro o punk rock de forma homogênea e original. Depois veio Chad Price com um estilo mais rock, mais agressivo e o All deixou um pouco de lado as inúmeras variações nas músicas e ficou mais pesado. Embora Chad Price tivesse algo semelhante a Scott Reynolds, não possuia digamos, a fluidez soul de seu antecessor. O All se tornou mais primal e de certa forma se aproximou mais do Descendents, tanto que os dois projetos acabaram se misturando.
Quase 10 anos depois do último registro inédito do Descendents, o tão esperado retorno de Milo em Everything Sucks, com músicas inéditas. Milo não esteve distante de seus amigos, tanto que participou das gravações de Breaking Things, do All, o disco em que Chad Price assumiu o posto de vocalista. E atestando que o All e Descendents eram um só, independente do fato que todos os integrantes são os mesmos e só se diferenciam pelos vocalistas, sonoridade e composições, temos aqui a versão All do Everything Sucks do Descendents, com músicas inéditas e versões das outras incluidas na versão oficial. Clique na imagem para acessar o arquivo. Enjoy!

quarta-feira, março 07, 2012

Jodie Christian - Rain Or Shine (1993)

Recentemente foi publicado aqui no blog sobre o pianista, compositor e co-fundador da AACM, Jodie Christian, em sua homenagem póstuma, aqui podemos apreciar um de seus trabalhos ao lado de Art Porter, saxofonista nascido em 03/08/1961 na cidade de Little Rock - Arkansas, U.S.A., filho de um baterista com quem começou sua carreira musical na adolescência. Em meados dos anos 80 mudou-se para Chicago e tocou con Von Freeman, Pharoah Sanders e Jack McDuff. Entre 1992 e 1998 lançou cinco albuns e infelizmente sua carreira encerrou-se prematuramente quando estava participando do Thailand International Jazz Festival em 23/11/1996. Estava em um barco que naufragou e se afogou. Tinha apenas 35 anos de idade.
Rain Or Shine conta com Roscoe Mitchell, que despensa comentários. O baixista Larry Gray nasceu em Chicago e é também professor na Universidade de Illinois, tendo trabalhado com McCoy Tyner, Jack DeJohnette, Danilo Perez, Branford Marsalis, Benny Green, Freddy Cole, Benny Golson, Steve Turre, George Coleman, Lee Konitz, Bobby Hutcherson, Sonny Fortune, Ira Sullivan, Junior Mance, David "Fathead" Newman, Willie Pickens, Ann Hampton Callaway, Charles McPherson, Antonio Hart, Jackie McLean, Sonny Stitt, Eddie "Lockjaw" Davis, Al Cohn, Randy Brecker, Nicholas Payton, Kurt Elling, Eric Alexander, Phil Woods, Jon Faddis, Roscoe Mitchell, Von Freeman, Wilbur Campbell, Eddie Harris, Les McCann, Kenny Burrell, Joe Pass, Tal Farlow, Donald Byrd, Harry "Sweets" Edison, e Tom Harrell. O baterista Vincent Davis nasceu em Chicago e como membro da AACM trabalhou com Nicole Mitchell, Fred Anderson, Ernest Dawkins' New Horizons Ensemble, Greg Ward, Kidd Jordan entre outros. O baterista Ernie Adams estudou na North Texas State University e the University of Wisconsin, trabalhou com Joe Williams, Douglas Spotted Eagle, Orbert Davis e The Chicago Jazz Philharmonic, Patricia Barber, Stefon Harris, Art Porter, Stanley Turrentine, Dizzy Gillespie, Dianne Reeves, Bill Summers, Kurt Elling, Karen Briggs, Billy Dickens, Steve Cole, Phil Upchurch, Baabe Irving III, Von Freeman, Melvin Rhyne, Bobby Lyle, Richie Cole, James Moody, Rufus Reid, Buster Williams, Ursula Dudziak, Joe Zawinul, Slide Hampton, Frank Morgan, Arturo Sandoval, Charles Earland, Wycliff Gordon, Claudio Roditi, Ken Peplowski, Michael Wolff, Marvin Stamm, Clark Terry, Pharoah Sanders, Ahmad Jamal, James Spaulding, The Bodeans, Kenny Drew Jr, Anthony Jackson, Orbert Davis, Grazyna Auguscik, Red Holloway, clinicas com Victor Wooten, Steve Bailey, Jack McDuff, Joey DeFrancesco e Piero Esteriore. Clique na imagem para acessar o arquivo.

segunda-feira, março 05, 2012

Improvisação livre em São Paulo: Cuidado com o disco voador ou tem boi na linha

As oficinas ou workshops ministradas por músicos de diversos países, apresentando a improvisação livre de forma mais acessível ao público em geral em São Paulo tem dado seus frutos, mas ainda há uma fragilidade. Como a primeira safra de um novo fruto, existe o processo de adaptação do clima, do solo, da resistência às pragas. Sim, as pragas, não há plantação que não esteja sujeita aos danos predatórios.
Mesmo que as oficinas não tenham conseguido atingir seu objetivo no planejamento de seus ministradores, algo de substancial aconteceu nestes pouquíssimos anos que a improvisação livre conseguiu romper a barreira de isolamento que vários setores sócio-culturais impuseram. Como este blog já tinha abordado antes, há um grande mérito ao projeto iniciado por Antonio "Panda" Gianfratti e Yedo Gibson, o Abaetetuba, que agregou Rodrigo Montoya, Renato Ferreira, Luis Gubeissi, Thomas Rohrer, como coluna de fundamento, foco de resitência da música criativa. Obviamente existiam outras iniciativas que começaram a florescer posteriormente, mas algumas ainda continuam de certa forma, isoladas. Alguns dos participantes das oficinas deram continuidade da iniciativa gerada nas circunstâncias e alguns deles tenho cultivado um vínculo e eles por sua vez, tem impulsionado o setor operacional independente dos improvisadores em formação em São Paulo.
Creio que meus colegas já tenham percebido que não podem depender de nenhuma instituição, seja SESC's, ou mesmo o próprio Centro Cultural São Paulo, que abrigou as oficinas e promoveu a maioria das apresentações de improvisadores de outros países, para tornarem o que se chama de circuito de improvisação livre em SP efetivo. Mesmo as instituições culturais de iniciativa pública, sejam municipal ou governamental, ligada ao setor terciário da indústria, tem seus vários poréns em relação às manifestações artísticas. Não se engane, estas instituições e fundações não são os "bons mocinhos" desta terrível e cruel fábula que é viver em uma megalópole fora de controle. Há interesses políticos e econômicos que estrategicamente não são manifestados para tudo se manter no controle e simplesmente ser apenas mais um tubo de dreno do suor e sangue da população. Hum, isto está parecendo um seriado de investigação misturado com suspense, ficção... Acorde! É simplesmente a realidade. Portanto meu querido(a), lute para manter livre a sua mente e espírito, pois são as únicas coisas que você pode realmente ser livre. Não se iluda, você está dentro do sistema. Não, não é uma passeata, uma agremiação, camiseta do Che ou Dalai, livro do Marx, do Huxley, uma estrela, uma foice, o Fela, nem chamar o Sun Ra lá de Saturno (ainda mais que lá não acontece muita coisa mesmo), que vai te fazer livre. Calling planet earth, calling planet earth... You can call me mr. Mystery...
O que me intriga é o interesse de pessoas que até pouco tempo não se importavam com a improvisação livre, mesmo elas tendo acesso a diversos meios de informação sobre este segmento musical. Elas ignoravam as iniciativas do Abaetetuba, que se apresentava periodicamente pela cidade e não eram apresentações secretas e mal divulgadas, simplesmente essas pessoas não estavam interessadas. O Phil Minton foi um dos primeiros improvisadores a se apresentar em São Paulo e mesmo assim, mesmo com o costumeiro frenesi paulistano por artístas estrangeiros, mais uma vez, essas pessoas não se interessaram.
O cenário independente ou underground cresceu de forma peculiar em São Paulo. A diversidade teve um saldo mais deficitário do que deveria. A busca de identidade própria causou uma distorção digamos, grotesca (como meu amigo Panda costuma dizer).
A improvisação livre musical ou free improvisation como é conhecida no mundo, tem sua própria identidade, mesmo que hajam diversas formas estéticas. Como é natural do ser humano tender a complicar as coisas, existem segmentos na música. Então temos que tolerar certas burocracias para não sermos impedidos de operar, afinal qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não vai tirar um "racha" com sua bicicleta perante um caminhão de cinco eixos. E nesse louco processo, a improvisação livre por não poder ainda ter a sua caixa postal indiviual, teve que dividir o espaço com a música experimental, o que chamam de jazz e free jazz. Mas essa divisão de espaço não é no sentido positivo de comunhão, mas de ser colocada no mesmo "saco", por negligência mesmo.
Neste habitat, onde não há fronteiras, (afinal, não é livre esta tal de improvisação livre?) acaba sempre entrando interferência. Opa, tem boi na linha... Pois é, como tinha dito anteriormente, agora as tais pessoas desinteressadas pela improvisação livre tem voltado seus olhos para esta pequena e frágil muda que começou a florescer. Realmente é um mistério o interesse destas pessoas nisso. Na Free Improvisation de forma global, há pouco dinheiro, não há fama, quase nenhum reconhecimento pelo público e midia cultural, há público reduzido, muito trabalho e muitas dificuldades. Afinal, o que eles querem? Por que eles querem se apropriar de algo que sempre ignoravam e nunca prejudicou seus "nichos", "territórios"?
A nave pousou e desembarcaram alienígenas em forma de músicos, organizadores, simpatizantes que apenas querem usar a improvisação livre como moeda de troca no jetset cultural, mesmo sendo underground. Aí está o mistério, não há glamour, mas a vaidade floresce mesmo no monturo. Estes já iniciaram suas atividades e tem usado de seus recursos para favorecer seus próprios interesses. Não há como negar, assim como o que nega ter comido o doce tendo os lábios lambusados. Estive conversando com meus amigos que fazem parte do esforço de trabalho pela música criatviva e eles também detectaram estas coisas. Não há muito o que fazer além de continuar a seguir com o trabalho, dedicação e sinceridade. Os gafanhotos vem devorar a lavoura, o que resistir manifestará a sinceridade sem necessidade de uma palavra sequer, apenas sons, apenas música.
Improvisadores, principalmente vocês meus caros, que estão iniciando esta jornada, cuidado com o disco voador. Sim, há joio no meio do trigo mas não se pode arrancar, pois ele ainda se assemelha muito com o trigo. Só no final da colheita, quando vier a chuva serôdia, é que há de se manifestar quem realmente são. E alguns já tem dado seus sinais. (parece uma profecia supersticiosa, mas é simplesmente uma forma poética de dizer algo muito real, racional e previsível)
 
 
Studio Ghibli Brasil