sexta-feira, setembro 17, 2010

Rouge no Dengon - Yumi Arai (Kiki's Delivery Service theme)




Lyricist/composer/arranger/singer: Yumi Arai (Yumi Matsutoya)
Japanese title: 魔女の宅急便
Japanese title (romanized): Majo no takkyubin (Witch's Delivery Service)
Director: Hayao Miyazaki
Original work: Eiko Kadono
Release date: 29/07/1989 - Studio Ghibli

quinta-feira, setembro 16, 2010

Abiodun Oyewole - 25 Years (1995)

Abiodun Oyewole é o outro remanescente do grupo Last Poets, responsável pelo que se conhece de rap hoje em dia. Muitos teóricos, principalmente os paulistanos que surgiram no início do séc.XXI nem tomavam conhecimento deste grupo de poetas do rítmo que atravessou décadas, com suas rimas acompanhadas de diminuta percussão. Não havia toca-discos e muito menos samplers para pano de fundo como é hoje em dia. Oyewole diz no último disco sobre o nome Last Poets: "No time for the bullshit rap". A poesia ritmada perdeu em muito para os malabarismos de palavras e bases feitas por produtores que tomaram o lugar dos dj's (quando dj era aquele que tinha a habilidade de tranformar um toca-discos em instrumento musical e não esta febre de dj's de ocasião que encontramos aos montes por aí, que mau sabem mixar uma música com a outra), claro que existem os casos que fogem à regra de mercado, como Mike Ladd e outros poucos, mas em muito se perdeu de seu frescor, qualidade poética e o último respiro de criatividade realmente inovador se deu no fim dos anos 80 e início dos 90, com grupos como De La Soul, A Tribe Called Quest, Arrested Development, etc. Dizem que o rap brasileiro vai bem e de vento em popa, mas eu tenho as minhas ressalvas. Mas não vou entrar no mérito desta questão em respeito ao meu vizinho que foi um dos fundadores do que se chama rap em São Paulo, Jr. Blow e seu Stylo Selvagem.
Abiodun Oyewole tem uma métrica agressiva e simples, conhecida como spoken word e que muitos atribuem somente a Gil-Scott Heron, mas o Last Poets foi pioneiro como precursor do formato de grupo de rap. Em 25 Years, Oyewole declama sua poesia crua mas cheia de sabedoria sob a sofisticada produção de Bill Laswell e seus colaboradores, como Henry Threadgill, que foi saxofonista do trio de free jazz Air, ao lado do baterista Steve McCall e o baixista Fred Hopkins e também além de compositor e arranjador, foi um dos membros originais da AACM. Também fazem parte desta colaboração, seu parceiro Umar Bin Hassan, também membro do Last Poets, os percussionistas Don Babatunde e Aiyb Dieng, o trompetista Ted Daniel e o guitarrista Brandon Ross, nomes que soam desconhecidos no meio comercial e superficial do que chamam jazz nas grandes mídias, mas produzem uma arte exuberante.
25 Years se trata de uma arte atemporal, que une o ancestral e o contemporâneo, o urbano e o tribal, a dureza da realidade das ruas e sua desigualdade social e a beleza da arte. Clique na imagem da capa do disco para acessar o arquivo.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Ani-Kuri ep.15: Ohayō - Satoshi Kon (1963 - 2010)



Ani-Kuri ep.15: Ohayō (Good Morning) - Satoshi Kon, Madhouse Studio.
Ani-Kuri é a abreviatura das palavras anime e criadores e é uma série de 15 animações de 1 minuto veiculadas na tv estatal japonesa NHK entre 2007 e 2008 em 3 temporadas de 5 episódios.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Improvisação Livre Musical com Luo Chao-Yun, Michelle Agnes, Thomas Rohrer e Panda Gianfratti no CCSP nesta sexta feira dia 10/09/2010

Convite para concerto de Improvisação Livre Musical: A musicista taiwanesa Luo Chao-Yun que toca pipa, tradicional instrumento de cordas chinês vem se juntar ao Trio com Thomas Rohrer (sax e rabeca) , Michelle Agnes (cravo) e Antonio Panda Gianfratti (percussão).
As peças serão compostas expontaneamente no instante da apresentação, e a relação entre os instrumentos terá um carater inédito
. O espaço foi arquitetado pela sua ambientação sonora, e o som será absolutamente acústico, com a presença próxima do publico, gerando uma atmosfera de intimismo.

Apresentação:
Dia 10/9 - sexta às 21h Entrada franca (retirada de ingressos: duas horas antes de cada sessão) - Espaço Cênico Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo, metrô Vergueiro.

sábado, setembro 04, 2010

Ivo Perelman Quartet em São Paulo dias 9, 10 e 11 de Setembro


Bem, desta vez eu não fazer nenhum post, apenas vou republicar o que o Fabricio Vieira escreveu em seu blog Free Form, Free Jazz:

Ignorar um quarteto excepcional: um crime (inafiançável) contra os ouvidos e a alma

Não parece que está para acontecer um dos maiores eventos jazzísticos, em um bom tempo, por essas bandas. Na próxima semana, teremos a rara e inédita oportunidade de presenciarmos, no mesmo palco, alguns dos maiores nomes da música contemporânea: Ivo Perelman, Matthew Shipp, Joe Morris e Gerald Cleaver.
Esse quarteto, recém-reunido, faz sua estreia mundial em SP: nem norte-americanos nem europeus já viram esses caras juntos. E, percorrendo sites, blogs, twitters e afins, o que parece é que nada acontece. Com solitárias exceções, como a do antenado Vagner Pitta, do Farofa Moderna, nada tem sido dito.
A recente passagem de Pharoah Sanders gerou muito alvoroço dentre os que dizem s e interessar pelas alas mais radicais, experimentais e inventivas do jazz. Mas isso não surpreende: como tanto disseram por aí, Pharoah foi um dos últimos parceiros de Coltrane (então, vamos vê-lo! Simples assim, como se esse fosse seu único e grande mérito...). E esses caras? Tocaram com quem?
Esse quarteto-fantástico fará dois shows no Sesc das proximidades (Pompéia e Osasco) e mais um no interior (Bauru). E quem tem comentado? O problema deve ser de ignorância mesmo: ignora-se quem seja Matthew Shipp ou Joe Morris: simplesmente dois dos maiores criadores de sons vivos, que deveriam estar fazendo a apresentação principal de qualquer um desses ‘festivaizinhos de jazz’ que pipocam Brasil afora, estimulados apenas porquê “é fino ouvir e falar de jazz” e não devido à relevância das criações musicais brotadas nessa seara. O mais lamentável é que verba não é problema: afinal, todo ano Diana Krall, Madeleine Peyroux e John Pizzarelli estão tocando nas redondezas _e duvido que seus cachês sejam menores que os dos protagonistas dessa gig inacreditável que teremos a oportunidade de ver... Então, tudo resume-se à ignorância de muitos de nosso produtores, inconscientes do que ocorre no mundo contemporâneo do jazz _se estiver fora do âmbito (da lista de melhores) da Down Beat então... E quando alguma abençoada alma resolve trazer o que realmente importa, poucos notam.
Não estamos aqui falando de Brotz e seu “Full Blast” ou de Mats e o “The Thing”, com seus pesos roqueiros que, fatalmente, espantam o público médio. Pensemos em Matthew Shipp e a abrangência de seu trabalho. Sempre com genialidade e gosto apurado, Shipp tem se tornado um dos nomes do jazz mais abertos a novas sonoridades: gravou com os rappers do Antipop Consortium, os campos eletrônicos do DJ Spooky e o psy-guitar de J.Spaceman (sim, Jason Pierce, do Spacemen 3). Além disso, há o seu ‘NuBop’, grupo altamente moderno e sedutor. Neste ano, por exemplo, Shipp tem conduzido uma turnê em piano solo. Quero dizer: um cara como ele poderia já ter desembarcado por aqui em diferentes contextos, protagonizando festivais diversos. E quando chega a hora de o vermos, parece que apenas mais um pianista está para tocar em mais um show semanal do Sesc...
Sobre o Ivo Perelman, já falei mais extensamente por aqui (o post de abertura desse espaço foi dedicado à obra dele). Como que o mais importante nome do sax, do jazz, do free jazz, da improvised music já nascido no país NUNCA foi convidado para tocar em um desses ‘festivaizinhos’? Ia espantar o público com sua ruidosidade? Não valia à pena correr um risco desses? Mas Arte é risco! Música é risco! Jazz é risco! Sem isso, tanto esforço criacional não faz sentido. Quem quer o mesmo, que pague (até) R$ 720 (!!) para ver o Irvin Mayfield tocar sua ‘homaggio’ a Basie e Duke: não tenho dúvidas de que irá esgotar. Afinal, se custa US$ 400 não pode ser ruim...
Para quem a ficha ainda não caiu, sobram ingressos para as apresentações de quinta (09), (10) e sábado (11), por apenas R$ 12 e R$ 16 (meia, a R$ 6 e R$ 8). Nossos ‘produtores’ deveriam ir também, sentir um pouco do que está acontecendo no jazz atual e, quem sabe, descobrirem que existem figuras como William Parker, Ken Vandermark, Susie Ibarra, Assif Tsahar, Evan Parker, Anthony Braxton, David S. Ware, Hamid Drake, Joe McPhee, Marilyn Crispell, que fazem a música permanecer viva e jamais pisaram por essas terras.


Apresentações:

09/09 | SESC Pompéia 21h;
10/09 | SESC Bauru 20h;
11/09 | SESC Osasco 20h.

R$ 12,00 (inteira);
R$ 6,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante);
R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).

sexta-feira, setembro 03, 2010

Música, cultura e consumo no Brasil, outra vez a mesma ladainha...

Em um comentário feito por alguém na ferramenta digital de relacionamentos, o Facebook, me deparei com a indignação pelo programa Ídolos, uma franquia estrangeira de um concurso de novos talentos musicais. O foco é um novo cantor ou cantora para ser idolatrada, como o nome do programa já diz, pela população. Ora, se trata de promoção de um produto de consumo rápido. Temos dois programas deste tipo que foram veiculados nestes últimos anos na tv aberta e os vencedores destes concursos se debatem no mar revolto do consumo, tendo que brigar com tubarões estrangeiros (Beyoncé, Lady Gaga, etc) e artístas brasileiros (duplas sertanejas, grupos de axé e pagode, cantores românticos) que já estabeleceram carreiras por vários tipos de métodos, seja por mérito próprio ou uma eficiente estratégia de marketing.
Os reclamantes do Facebook falavam da decadência da qualidade da música brasileira e coisa e tal. Aí vêm a mesma ladainha, da jurassica mpb, bossa, Chico, Caê, etc. Saudosismo dos festivais da Record e aquela época tenebrosa em que o país vivia. Creio que todos que possuem um mínimo de bom senso, sabem que o que temos hoje é um reflexo da educação da população brasileira e seu acesso e concepção de cultura. Parece perverso, mas o povo tem o que merece. Quem quer saber destas coisas "intelectuais", "sofisticadas"? O povo quer é por pra fora, curtir, extravazar (Claudia Leitte que o diga...), quer rebolation, comer churrasco com carne de segunda, comprar celular e tv de plasma de última geração, carro zero, comprar, comprar, comprar...
Ler livro pra quê? Basta ver um documentário da Discovery de vez em quando que já tá bom. Cultura, faculdade pra quê? O negócio é ganhar dinheiro, ser jogador de futebol e ir pra zooropa jogar no Milan, ser capa de Playboy, participar de reality shows, ser celebridade, apostar na Mega Sena, jogo do bicho, ganhar dinheiro! Sei lá, alguém herda o açougue do pai, ou a padaria e o negócio dá certo lá na zolé(zona leste de São Paulo), compra um "duprex", na Silvio Romero no Tatuapé, ou até em Higienópolis, Morumbi, Alphaville, sei lá, ser vizinho do Fábio Jr, e Gugu Liberato, e daí?
As pessoas que tem acesso e interesse por cultura, devem esquecer estes assuntos, e isso não quer dizer se alienar. Ou então estarão dando socos em pontas de facas, como se pudessem mudar alguma coisa, como o Greenpeace (não sou contra a proteção da natureza, mas certos métodos de nada adiantam e erros não justificam erros), comunistas e socialistas só na teoria (meus queridos, o ser humano não é como inseto que não raciocina e vive por um código genético, que possibilita uma vida sem egocentrismo). É muito bonito ler Marx e outros da turma vermelha, da foice e marreta, mas o ser humano tem seu lance individual, é uma utopia, esse lance de sociedade justa. Repito, não sou contra a igualdade e justiça social, mas o mundo jaz no mal, à muito tempo, antes da turma comuna elaborar estas ideologias.
Enfim, se as pessoas querem reclamar da decadência da música brasileira, que não tem mais Tom, Chico e etc, fazer o quê? As coisas boas sempre estiveram acompanhadas das péssimas. Tinhamos os festivais na Record, a bossa, mas tinhamos as favelas, os crimes, a ditadura, a desigualdade social (aliás, a tchurminha da bossa ficava tomando whisky importado nas luxuosas residências do Rio de Janeiro, e aí?). Ah, é bonito o samba da velha guarda que nasceu nos morros cariocas... pergunta para eles se queriam viver em barracos...
Creio que os mais informados sabem o que é metástase, quadro crônico irreversível. Não que a esperança deva morrer prematuramente, mas ser realista é evitar um choque desnecessário.
Sim, vivemos um aparente progresso, projetos de educação, ascensão econômica, mesmo que artificial, podemos aparentemente ser consumidores contemporâneos do dito primeiro mundo, com i-pads, smartphones, LED tv's, free improvisation, Saramago e carros com câmbio tip-tronic, estádios de última geração para a copa e olimpíadas, trem-bala, mas...

"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." - Mateus 6:21

"O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. - Lucas 6:45"

"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. - 1 Timóteo 6:10"

quarta-feira, setembro 01, 2010

Ronald Shannon Jackson - Red Warrior (1990)

O baterista texano Ronald Shannon Jackson fez sua primeira gravação com Charles Tyler, tocou com os principais nomes do free jazz, como Albert Ayler, Cecil Taylor, Ornette Coleman, Byard Lancaster, Albert Mangelsdorff, Billy Bang, John Zorn, fez parte do grupo Last Exit ao lado de Peter Brötzmann, Sonny Sharrock e Bill Laswell, seu projeto free funk The Decoding Society com Vernon Reid, Melvin Gibbs, no qual Participaram James Carter e Robin Eubanks, foi membro do Music Revelation Ensemble de James Blood Ulmer, foi co-fundador do Power Tools com Bill Frisell e SXL com L. Shankar e tocou recentemente com Joseph Bowie e Wadada Leo Smith, entre outros. Como se pode ver, além de ser um talentoso músico de estilo diferenciado, com bases na tradição do jazz e das bandas militares, tem um extenso currículo. Red Warrior, se aventura por outros territórios musicais, como fez com o Decoding Society. As guitarras de Jack DeSalvo, Jef Lee Johnson e Stevie Salas tecem uma trama e textura sonora aspera e intrincada conduzida pelo rítmo de Ronald Shannon Jackson e os baixistas Conrad Mathieu e Ramon Pooser. Não se engane com as aparências estéticas que se assemelham ao odiado fusion, pois Red Warrior se trata muito mais do que estilos musicais enfadonhos. Clique na imagem da capa do disco para acessar o arquivo. Vale a pena conferir.

Site oficial de Ronald Shannon Jackson: http://ronaldshannonjackson.com/

na foto baixo:
Donald Ayler, Albert Ayler, Lewis Worrell, Ronald Shannon Jackson e Michel Sampson
em frente ao Slug's

terça-feira, agosto 31, 2010

Slave Master - Under The 6 (1994)

Fazendo parte da série Black Arc produzida por Bill Laswell, Slave Master conta com os parceiros do universo P-Funk, que demonstram uma versatilidade em estilos musicais: O guitarrista, Michael Hampton e os vocais de Gary "Mudbone" Cooper, ao lado de Islam Shabazz no baixo e vocais e o guitarrista Bill McKinney. Vale lembrar de Bootsy Collins e Bernie Worrell que participaram de diversos projetos de Laswell. Temos no projeto Slave Master a fusão do hiphop com rock pesado, de uma forma muito mais direta do que o Body Count de Ice T, que foi mais para o heavy metal. Slave Master tem uma sonoridade mais "crua". Para acessar o arquivo, clique na imagem.

sábado, agosto 28, 2010

Albert Ayler - New Grass (1968)

New Grass é um disco que se tornou controverso em seu tempo. O severo Leroy Jones (Amiri Baraka) chegou a dizer que o irmão Albert estava perdido, muitos disseram que era uma tentativa de ganhar dinheiro, se aproximando dos estilos que estavam na moda naquela época, o Soul e Rhythm' Blues e se o Jazz perdera espaço por estes e o Rock'n'roll, imagine o Free jazz. Ora, não sejamos ingênuos em relação ao produtor Bob Thiele e seu selo Impulse! Ele já havia pressionado Coltrane a gravar Ballads e John Coltrane with Johnny Hartman como condição de Trane continuar seu rumo à regiões estelares e garantir o saldo da empresa.
Mesmo que Ayler tenha gravado New Grass por imposição de mercado, temos um disco maravilhoso, quer queiram os fundamentalistas da vanguarda ou não, com a costumeira exposição da alma de Ayler em devoção ao Criador. Albert Ayler tem uma personalidade muito forte e mesmo que este disco seja injustamente considerado comercial, é um disco de Albert Ayler, onde seu saxofone tenor flui com torrencial liberdade com a beleza dos vocais de The Soul Singers e o ritmo inconfundível do baterista Bernard Purdie. Clique na imagem para acessar o arquivo.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Liberdade de expressão, leitura e reflexão da informação para edificação do ser humano


Enforque-se na corda da liberdade! Quem costuma dizer esta frase acima é o Abujamra no programa de tv Provocações. Não sei se foi ele que elaborou a frase ou citou de alguém, como costuma fazer, mas achei uma frase certeira como um arqueiro de competição olímpica.
E a world wide web nos permite uma imensa liberdade de expressão pessoal, principalmente nos weblogs, os blogs, ou diários digitais. Alguns chegam ao patamar de publicações impressas como jornais e revistas e até semelhantes às programações de rádio e tv.

Eu louvo à Deus por ter este espaço virtual ao qual posso me expressar com liberdade. Escolhi escrever sobre assuntos ligados às artes em geral, especificamente a arte musical. Claro que outros setores artísticos me interessam, como os filmes de animação ou não, artes plásticas, literatura, dança, etc, mas não disponho de tempo para pesquisar e fazer pelo menos a "lição de casa", seja, fazer uma pesquisa séria, procurar entender com uma certa base e segurança para publicar algo no blog, mesmo que apenas uma pessoa acesse o Sonorica por dia, ou até por semana. Na minha opinião pessoal e restrita, tenho este dever, esta responsabilidade e consciência de não sair digitando qualquer coisa sem conhecer o assunto em sí, coisa que falta em muitos que até publicam livros, artigos impressos com tiragens que chegam à milhares de unidades e muitas vezes, propagando falácias inundadas de arrogância, soberba e equívoco para muitas pessoas que usam destes meios como fonte de informação e conhecimento.
Mas aí é que está! Temos a liberdade de expressão! Cabe ao indivíduo ter o mínimo de senso crítico e filtrar as informações, averiguar se tal assunto tem coerência. Bem, restringindo ao campo musical, que por sí só já é extremamente amplo, façamos uma reflexão.
O Brasil nunca possuiu um veículo de informação de boa qualidade em conteúdo. Isso em todas as formas de midia até agora. Revistas e sites publicam conteúdos parciais sujeitos aos índices de acesso e vendas, patrocínios e o pior, das opiniões vaidosas dos ditos jornalistas musicais. Dificilmente se encontra por exemplo, uma resenha sobre um lançamento fonográfico em que o jornalista apenas informe o conteúdo da obra de forma imparcial de forma que o leitor tenha uma idéia aproximada do que realmente pode esperar em sua audição. Este tipo de matéria não é para ser uma obra literária autoral, aliás, o jornalismo, pelo que eu entendo, não é pra isso. A função é apenas informar e causar uma reação de reflexão.
Mas devemos averiguar qualquer tipo de texto publicação, não só musical e me sinto em falta só falando do universo musical, pois há um problema crônico generalizado nos meios de informação. E a leitura é uma ferramenta essencial para o aprimoramento do intelecto humano, e intelecto humano não tem nada haver com os estereótipos arrogantes e sim, com a capacidade de raciocinar, até para tarefas simples, como colocar a medida certa de óleo para fritar um ovo. A leitura estimula o cérebro de uma forma única. Pergunte a um deficiente visual a diferença de ouvir um texto gravado em audio e ler um texto em Braille (sistema de leitura por tato inventado pelo francês Louis Braille). Ler e refletir é extremamente edificante!

Vou usar como exemplo o livro mais lido pela humanidade: a Bíblia (que em grego significa, rolo pequeno de papiro e é um conjunto de livros). Este conjunto 66 de livros, (a bíblia católica inseriu posteriormente mais 7 livros, chamados de apócrifos. Apócrifo vem do latim apocryphus e este do grego ἀπόκρυφος, que significa oculto ou não autêntico) divididos em Antigo e Novo Testamentos, narram a história e o relacionamento de Deus e a humanidade desde a criação do mundo, tendo como Jesus Cristo, o centro de todos os livros. A maioria das pessoas tem um grande pré-conceito em relação a Bíblia.
Muita calma nesta hora:
-Ateus, agnósticos, céticos ou apenas leitores sem compromisso
, se quiserem, leiam como apenas um livro despidos de pré-conceitos e terão a oportunidade de encontrar uma leitura interessante com excelente qualidade e diversidade de estilos literários;
-Religiosos, tentem refletir no conteúdo bíblico, se é que realmente o lêem e o entendem. Depois coloquem em prática no cotidiano;
-Cristãos, é a palavra de Deus, como se Ele falasse contigo. Mas como Deus diz, a fé sem obras é uma fé morta, por isso, mãos à obra;
-Fanáticos religiosos
, não vão fazer nenhuma bobagem! Afinal, o Deus que vocês servem diz que a fé é racional;

*p.s.: Não é porque tivemos a Flip e a Bienal do livro que devemos ler por modismo, ler é um hábito saudável e deve ser contínuo. Leia todos os dias, nem que seja a bula do remédio ou o rótulo do pacote de bolacha!

sábado, agosto 21, 2010

Milford Graves Trio - Live France 2008

Neste bootleg temos mais um encontro grandioso do free jazz: O lendário saxofonista Kidd Jordan e Milford Graves e William Parker. Outro encontro inédito ocorreu com Parker, Graves e Anthony Braxton, que nunca tinham gravado juntos até 2008, no disco Beyond Quantum, mesmo ano deste encontro com Jordan. Também houve à muitos anos atrás, mas não sei se há registro gravado de um encontro histórico de Graves e o saxofonista Charles Gayle em um festival. Neste festival na França, os três músicos deixam fluir suas idéias de forma intensa, como costuma ocorrer em sessões de free jazz, com alguns momentos de monólogos de cada artísta entre momentos mais torrenciais e serenos. A bateria de Graves sempre conduz por caminhos diferentes devido a sua técnica percussiva que não vêm das tradições do jazz, mas de uma música mais ancestral, em contraste de Jordan que é fundamentado na tradição de New Orleans. Parker tem ambos os elementos, aliados a uma linguagem contemporânea e universal em seu instrumento. Clique na imagem para acessar o arquivo. Por se tratar de um arquivo bootleg disponível em um site de downloads, esta gravação até o momento não possuia uma capa, então eu criei esta de forma provisória.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Target Of Demand - Gruss (1989)

Esta banda austriaca da cidade de Linz existiu entre 1985 e 1990 e muito pouco se falou sobre ela, a não ser no restrito circuito independente do hardcore. Lembro-me que um amigo que trabalhava em uma oficina de motos perto da minha casa me apresentou o Target Of Demand. Gostei na hora quando ouvi o split album com a banda Stand To Fall, isso em 1988. Tinham algumas canções escritas em inglês e outras em alemão, que é uma das principais línguas do país, junto com as línguas regionais croata, esloveno e húngaro. Isso dava uma característica diferenciada no estilo que predomina a língua inglesa. O T.O.D. tem um som de compasso rápido, agressivo e limpo ao mesmo tempo, ou mais musical em relação a bandas que chamam de crustcore. Passado um tempo, meu amigo recebeu o album Gruss pelo correio, pois ele mantinha um intercâmbio com punks na europa. Ouvimos o lp e gostei mais ainda, o T.O.D. mantinha a energia do split só que com uma produção de gravação melhor. Outro detalhe é que o número de músicas em inglês foi reduzido à apenas uma canção, pois eles disseram que os temas eram mais ligados ao seu país e por isso não havia sentido em compor em inglês. O Target Of Demand é mais uma das centenas de bandas obscuras que valem uma boa audição. Nos comentários.

*PS.: Neste link, você pode escutar o LP: Gruss 

quarta-feira, agosto 18, 2010

First Squad: The Moment Of Truth - Studio 4C (2009)



Em 1942, na Segunda Guerra Mundial, a história da resistência do exército Vermelho contra as legiões do Terceiro Reich da Alemanha.
Criado e escrito por Misha Sprits e Aljosha Klimov, dirigido por Yoshiharu Ashino, produzido por Eiko Tanaka, Misha Sprits e Ajloshoa Klimov, desenho de personagens por Hirofumi Nakata, trilha sonora por DJ Krush, realizado pelo Studio 4C e Molot Entertainment Film.
Site oficial: http://www.first-squad.com/

segunda-feira, agosto 02, 2010

Umar Bin Hassan - Be Bop Or Be Dead (1993)

Prosseguindo com a série Black Arc de Bill Laswell, Umar Bin Hassan é o poeta que pertence ao grupo pré-cursor do rap, o Last Poets. Be Bop Or Be Dead tem praticamente o mesmo formato do Last Poets, só que com a produção de Laswell e seus parceiros, como Bernie Worrell e Bootsy Collins(Parliament, P-Funk), Buddy Miles(Jimi Hendrix and Band Of Gypsys), Amina Claudine Myers, Guilherme Franco, músicos conhecidos do free jazz. Hassan recita sua hardcore poetry com a trilha sonora produzida por Laswell e seus companheiros, sendo que há uma releitura de composições do Last Poets que são This Is Madness e Niggers Are Scared Of Revolution. Clique na imagem para acessar o arquivo.

sexta-feira, julho 30, 2010

Buddy Miles Express - Hell And Back (1994)

Muita gente só lembra de Buddy Miles como o baterista de Jimi Hendrix mas ele é mais do que isso. Miles teve uma sólida carreira solo que começou antes de ingressar no célebre trio de Hendrix. Tem uma bela voz que pôde ser comprovada na gravação ao vivo no Band Of Gypsys e foi um compositor talentoso, além de baterista.
No projeto criado por Bill Laswell, a série Black Arc, Buddy Miles é resgatado do esquecimento com Hell And Back, onde conta com parceiros de Laswell em inúmeros projetos do selo Axiom, como o guitarrista Nicky Skopelitis, revisitando velhas conhecidas de Miles nos tempos de sua paceria com Hendrix, como All Along The Watchtower(Bob Dylan) e Born Under The Bad Sign(Booker T Jones). A arte da capa é da autoria de Mati Klarwein, que fez as capas dos disco de Miles Davis, os famosos Bitches Brew e Live Evil. Clique na imagem para acessar o arquivo.

segunda-feira, julho 26, 2010

Free Jazz, Free Improvisation no Brasil? Isso é anormal!


Antes de qualquer coisa, eu gosto de free jazz e free improvisation e isso pouco importa. Estamos em um país desprovido de cultura para este tipo de extravagância musical, mesmo que na verdade em sua essencia, não seja. É apenas música em mais uma forma, não está acima de nenhuma outra e nem abaixo, apenas mais uma cor do prisma musical. Mesmo vivendo em São Paulo, que tem estes ares de ser uma metrópole evoluida e outras baboseiras, isso é tudo uma mera superfície frágil. A trilha sonora da cidade está em estilos que os musicólogos e outras anomalias e minorias sociais abominam ou fazem populismo. Sim, estamos presenciando uma fissura na brecha e podemos vez ou outra, assistir uma performance de improvisação livre e algo similar ao free jazz na capital paulistana. Mas isso não chega a ser o mínimo que devería existir para a saúde, coerência da diversidade de uma cidade grande. O problema é como esta fissura está se formando. Ao invés de ser um pequeno nicho saudável, como costuma ser ao redor do mundo, aqui, as coisas tem a tendência em se transformar em metástase sócio cultural de elite e isso não quer dizer apenas cifras monetárias. Tem haver com o que eu escreví no texto anterior sobre a movimentação social ao redor da apresentação de um trio holandês de improvisação livre e outros grupos no Centro Cultural São Paulo neste mês de Julho. Infelizmente, já existe uma forte bifurcação que vai em direção da arrogância da elite cultural hermética que sabota a sí própria. Bem, na verdade este tipo de discussão não tem muito efeito, como os inúteis debates do que é ou não é jazz, arte ou não arte, street art é ou não é, se Peter Brötzmann toca jazz ou não. Isso importa mesmo? Vaidade. Como escrever sobre música em pontos que são desnecessários, pois a música fala por sí só. Tudo bem, é a liberdade de expressão, mas que é desnecessário, ah, isso é. A informação sobre a música tem uma função prática, sobre eventos, gravações, filmes e outros produtos da indústria cultural, seja ela independente e artesanal ou não.
Eu como músico, artísta, quero que exista este pequeno nicho para este tipo de arte musical se formar nesta cidade e existir de forma simples e saudável, mas este futuro é extremamente incerto. A tirinha abaixo diz: "No, you go see if it's free jazz!"

sábado, julho 24, 2010

Napalm Death - Hatred Surge demotape (1985)

Um pouco de suavidade sonora para os ouvidos. Nesta demotape de 1985, o Napalm Death não tinha desenvolvido sua velocidade característica e ainda soava como as bandas européias do punk. Mas no ano seguinte já se pode reconhecer o N.D. do lp Scum, o grande ícone do sub-genero grindcore. Clique na foto para acessar o arquivo.

sexta-feira, julho 23, 2010

Peter Brötzmann



A primeira imagem no alto acima é uma aquarela de 2005 entitulada de The Berkshires, a segunda é uma tela também de 2005, entiltulada de Nightride e acima, Landscape de 1959.

quarta-feira, julho 21, 2010

O.G. Funk - Out Of The Dark (1993)

Jerome "Bigfoot" Brailey é o baterista do famoso disco do Parliament, Mothership Connection, dos hits Give Up The Funk e P-Funk (Wants To get Funked Up). Também é um desafeto de George Clinton, que não trabalhava com seus colegas de forma lá muito correta. Bill Laswell mais uma vez, em seu projeto da série Black Arc, produz a releitura da música afro americana, com os membros de um dos principais grupos de funk. Ao lado de Brailey, está o baixista do Funkadelic, Billy Nelson e o tecladista Bernie Worrell, além de Gary Mudbone Cooper, que fizeram parte do universo P-Funk. O disco é uma homenagem ao falecido colega e guitarrista Eddie Hazel e a música Music For My Brother traz a memória, um clássico de Hazel, Maggot Brain. Clique na foto para acessar o arquivo.

domingo, julho 18, 2010

E-PAK-SA Ponchak Medley Music Video

Epaksa's Kincho Commercial

Cultura não é educação (Apresentação do grupo EKE no CCSP)

Sem dúvida, o saxofonista Yedo Gibson é um grande artísta. Já fazem alguns bons anos que ele fixou residência na Holanda, onde pôde desenvolver seu trabalho de uma maneira que seria inviável no Brasil. Como ele mesmo disse, em sua apresentação com o grupo EKE, teve a satisfação de estar de volta neste último sábado, dia 17 de Julho, depois de 10 anos em que se apresentou no Centro Cultural São Paulo na rua Vergueiro. EKE conta com Oscar Jan Hoogland: electric clavichord e Gerrie Jaeger na bateria.
Mas eu vou me abster de comentar a apresentação que foi de alto nível e focar sobre o ambiente deste tipo de evento. Existe algo no ar, eu não sei bem o que é, que destoa da realidade desta cidade e isso não tem haver com a falta de espaços para se apreciar este tipo de música que a maioria da população não tem acesso ou não tem interesse. A maioria das pessoas quer ouvir uma melodia temperada, padrões rítmicos que não sofrem mudanças bruscas, querem algo que possam assimilar com facilidade. A cultura brasileira gira em torno das canções moldadas na melodia européia clássica, que se abstem das dissonâncias inusitadas. Mas existe uma parcela mínima da população que buscou o acesso à cultura e suas fontes de informação e isso não quer dizer que todas elas pertençam á elite da sociedade, de maneira alguma. Muitos são estudantes de classes sociais onde não há luxo de colégios particulares ou de familias e bairros mais bem abastados. Digamos que no geral são do que se chama classe média, onde se vislumbra com mais nitidez a importância da cultura e a educação, os cursos superiores, as expressões artísticas. E olha que você pode ter alcance desta cultura pelas publicações populares à venda em bancas de jornal e centros culturais de prefeituras e governos, de forma gratuita, como é o caso do Centro Cultural São Paulo, algumas atividades e atrações dos SESCs, etc.
Enfim, teoricamente temos uma platéia "civilizada" que sabe se comportar em vários ambientes e não fazem "barraco", desligam seus celulares e aparatos eletrônicos como se recomenda a cada início de apresentação, fazem aquele silêncio solene até aplaudir cronometradamente a entrada dos artístas, como manda a cartilha. Sem dúvida, quando a música começa, o que importa é desfrutar daquele momento único que a improvisação livre proporciona.
Quando as peças e a performance se encerra, entra justamente o que eu quero falar neste post. Fui a esta apresentação porque um amigo que além de músico é parente do Yedo, me avisou do evento e também gostaria de revê-lo, uma pessoa agradável, independente de sua reputação e talento, o qual tive a honra de compartilhar uma peça de improvisação em uma outra ocasião.
Estava com um bom amigo, que não entende bulhufas deste tipo de cultura, que estava trabalhando de faxineiro, mas tem a mente aberta para preciar este tipo de música. Encontrei algumas pessoas conhecidas, mas há um certo procedimento similar à etiqueta de uma côrte, algo que não tem leveza, como eram as coisas nos tempos de reis e rainhas na Europa.
Creio que a maioria das pessoas alí presentes possui um leque de informação cultural muito mais amplo do que eu e meu amigo, apreciam a arte sofisticada de Stravinsky e Marc Chagall, já leram Nietzsche e Dostoyevsky, entre outras coisas.
Na tentativa de conversar brevemente com Yedo e seu irmão, fui interrompido por pessoas sem a menor cerimônia e posso afirmar categoricamente que isso não ocorre num churrasco de quintal, sem que se ouça um: "licença, faz favor".

quarta-feira, julho 14, 2010

Vandermark 5 - Annular Gift (2009)

Ken Vandermark toca saxofone tenor, barítono, clarinete em sí bemol, clarinete baixo, é compositor, fotógrafo, lidera e participa de dezenas de projetos musicais, de trabalhos solo à grandes conjuntos. Também é um dos principais artístas que trouxe renovação e inovação ao cenário do free jazz em Chicago e mundial. O quinteto Vandermark 5 é o seu principal projeto e trouxe grande renovo ao estilo, unindo a tradição do jazz, a liberdade da improvisação livre e elementos de diferentes estilos, como o funk e o rock. Diferente de seus antecessores, como Herbie Hancock a sonoridade do V5 tem mais haver com o funk de grupos como o Sly And The Family Stone e o Funkadelic de George Clinton, que fundiu o ritmo dançante com o peso do rock dos anos 70 e o rock psicodélico e progressivo de bandas como The Grateful Dead, King Crimson e MC5. Mas também se amplia nos territórios da música experimental, da música jamaicana, punk rock e música erudita de vanguarda. Uma característica das composições do V5, são as homenagens dedicadas a vários tipos de artístas, de Jackie Chan à Mark Rothko, que segundo Vandermark, não remetem ao estilo do homenageado na composição e sim, são como uma carta de agradecimento pelo impacto de sua arte. Já passaram pelo V5, o saxofonista Mars Williams, que participou em uma faixa do disco The Mind Is A Terrible Thing To Taste do Ministry, o baterista Tim Mulvena que agora toca no The Eternals e o trombonista e guitarrista Jeb Bishop. A entrada do violoncelista Fred Lonberg-Holm, trouxe uma grande diferença à sonoridade do quinteto, com suas texturas sonoras criadas pelos efeitos eletrônicos e acústicos. Sem dúvida, o Vandermark 5 é um dos grupos mais criativos de free jazz da atualidade e vale a pena conferir. Clique no título no link para acessar o arquivo: V5 - AG

*Se possível, contribua com o trabalho de Vandermark comprando seus discos, pois é um artísta independente e não tem o suporte de grandes selos e patrocinadores.

quinta-feira, julho 08, 2010

Max Roach - The Loadstar (1977)

Creio que já se falou tudo quanto é possível sobre Max Roach, e além do mais, a sua arte e seu instrumento falam até hoje através de seu legado. Esta formação com Billy Harper no sax tenor, Cecil Bridgewater no trompete e Reggie Workman na bateria, foi o formato que o acompanhou por cerca de 30 anos. Bridgewater foi o mais constante e hoje leciona em diversas escolas e faculdades nos EUA. Harper, apesar de não ser tão comentado como seus contemporâneos, se enquadra na geração chamada pós-Coltrane e é um brilhante compositor além de seu estilo virtuoso e vigoroso no saxofone. Sua composição mais conhecida é um clássico, se chama Capra Black, e se encontra na última gravação de Lee Morgan, além do seu disco homônimo como lider. Workman está na ativa até hoje e faz parte do free jazz de New York, ao lado de William Parker e Henry Grimes no cenário local. Ficou conhecido por sua parceria com John Coltrane no início dos anos 60, precedendo Jimmy Garrison.
The Matyr é uma releitura para Praise For A Martyr, gravada em 1961 no disco Percussion Bitter Sweet, que contava com
Booker Little, Julian Priester, Eric Dolphy, Clifford Jordan, Mal Waldron, Art Davis, Carlos Valdez, Carlos Eugenio e Abbey Lincoln, coma mesma urgência e vigor, compactada no formato de quarteto. Six Bit Blues tem um belíssimo solo de Bridgewater profundamente arraizado nas tradições da música afro-americana. Ambas as músicas tem o compasso ternário que caracterizou grandes mudanças rítmicas no jazz, que ficaram muito conhecidas por Max Roach e Joe Morello. Clique no link para acessar o arquivo: http://www.mediafire.com/?zjmhthmajzf

terça-feira, julho 06, 2010

Olhaí o povo trabalhador brasileiro...

Desta vez eu saio do foco deste blog para repassar um e-mail que recebí neste manhã de terça-feira, 6 de Julho de 2010:

É INACREDITÁVEL – B I Z A R R O, ABSURDO - MAS É O “NOSSO BRASIL” !
Aconteceu no Ceará!

Curso para 500 mulheres.

Como o setor têxtil é de vital importância para a economia do Ceará, a demanda por mão de obra na indústria têxtil é imensa e precisa ser constan temente formada e preparada.
Diante disso, o Sinditêxtil fechou um acordo com o Governo para coordenar um curso de formação de costureiras.
O governo exigiu que o curso deveria atender a um grupo de 500 mulheres que recebem o Bolsa Família. De novo: só para aquelas que recebem o Bolsa Família.
O importante acordo foi fechado dentro das seguintes atribuições: o Governo entrou com o recurso; o SENAI com a formação das costureiras, através de um curso de 120 horas/aula; e o Sinditêxtil, com o compromisso de enviar o cadastro das formadas às inúmeras indústrias do setor, que dariam emprego às novas costureiras.
Pela carência de mão obra, a idéia não poderia ser melhor.
Pois bem. O curso foi concluído recentemente e, com isso, os cadastros das costureiras formadas foram enviados para as empresas, que se prontificaram em fazer as contratações.
E foi nessa hora que a porca torceu o rabo, gente. Anotem aí: o número de contratações foi ZERO. Entenderam bem? ZERO!
Enquanto ouvia o relato, até imaginei que o número poderia ser baixo, mas o fato é que não houve uma contratação sequer. ZERO.
Sem nenhum exagero. O motivo?
Simples, embora triste e muito lamentável, como afirma com dó, o diretor do Sinditêxtil: todas as costureiras, por estarem incluídas no Bolsa Família, se negaram a trabalhar com carteira assinada. Para todas as 500 costureiras que fizeram o curso , o Bolsa Família é um benefício que não pode ser perdido.
É para sempre. Nenhuma admite perder o subsídio

SEM NEGÓCIO.
Repito: de forma uníssona, a condição imposta pelas 500 formadas é de que não se negocia a perda do Bolsa Família. Para trabalhar como costureira, só recebendo por fora, na informalidade. Como as empresas se negaram, nenhuma costureira foi aproveitada.

Casos idênticos do mesmo horror estão se multiplicando em vários setores.

QUEM ESTÁ CRIANDO ELEITORES DE CABRESTO, COMPRADOS ATÉ EM SUA DIGNIDADE, RECUSANDO-SE A TRABALHAR PELO SEU SUSTENTO?

E QUEM PAGA O PATO, TODO MÊS 27,5 % ?

Dentro deste mesmo assunto narro aqui o ocorrido em Seropédica e Paracambi, municípios localizados na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
O mesmo programa foi instalado aqui só que com Cursos para formação de mão de obra para construção Civil ( pedreiros, carpinteiros, eletricistas, bombeiros hidráulicos e outros) e não se conseguiu alunos suficientes pois os beneficiários diziam que se fizessem o curso e fossem empregados perderiam o Bolsa família.
A maioria prefere depender do benefício e complementar a renda, quando o faz, com "bicos".
Alguns dias atrás o Governo falou que vai aumentar a abrangência desse "malefício", e o prefeito do Rio de Janeiro vai dar um "abono" de R$ 100,00 a todos os beneficiários do mesmo.
E quem paga a conta???

domingo, julho 04, 2010

Copa do mundo de futebol: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."

Este fim de semana que passou parecia um feriado de 2 de Novembro. Desci algumas quadras da rua Augusta para tratar de assuntos trabalhistas e constatei o que o silêncio me revelou desde a tarde da sexta-feira anterior: rolou uma espécie de luto pela desclassificação da seleção brazuca nesta copa de 2010. Antes que alguém me acuse de anti-futebol e etc, eu não tenho nada contra o esporte, não tenho time e concordo com o que o Pelé disse em uma recente entrevista, que não torce contra ninguém. Isso eu achei legal, pra quê essa atitude de criança mimada que foi contrariada? Vingancinha? Foi patética a derrota da Argentina, pela sua soberba e arcaram com a concequencia de sua atitude arrogante e de zombaria: 4X0. A Itália também se deu mal por acreditar na tradição da camiseta azul. E muitas vezes o brasileiro acredita num suposto direito a supremacia em certas coisas. Depois fica passando vergonha e culpando o Dunga e o juiz. Sei lá viu, mas agora a marca de balas Tic Tac vai ter que recolher o sabor Hexa de novo(eu guardei o da última copa que o Brasil não faturou o título).
Não é nada edificante esse lance do brasileiro achar que é dono do futebol, que a seleção tem obrigação de ganhar sempre. Afinal as competições esportivas tem algo interessante justamente pela sucessão de vencedores, justamente por seu mérito, indepenedente de alguém achar que trapacearam, pois o gosto real da vitória só desfruta quem o fez de forma honesta. Se não quer descer do trono, basta fazer como Kim Jong II, a saber o ditador da Coréia do Norte.
Também fico triste quando uma pessoa coloca no altar certas coisas, como a seleção, o futebol, o time acima de tudo em sua breve vida. A pessoa depende apenas de 90 minutos periódicos e instáveis para ser feliz. Mas como disse uma pessoa que muita gente idolatra sem entendê-lo, o ignora por não crer, ou por outros motivos, tem razão, independente de filosofia, opinião ou religião: "
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
". Foi o que Jesus Cristo disse. O que entendo é isso, a pessoa acaba limitando sua felicidade e a tornando instável por acreditar em valores voláteis, passageiros e tornando o viver uma coisa menor do que poderia ser.
Ah, em 2014, que a lição de casa esteja em dia para não passar vexame no boletim escolar da vida, não é porque a copa será no Brasil que tenhamos o direito de ter o título. Que vença o melhor e como diz o título de uma música do grupo The Last Poets: "
Blessed Are Those Who Struggle
"- Bem aventurados aqueles que se esforçam!

sexta-feira, julho 02, 2010

Cenário musical independente paulistano e seus depoimentos

Me lembro de um dos motivos de ter criado este blog a cerca de quatro anos. A web digital proporcionou um avanço grandioso para o cenário musical independente, que não dispunha de muitas ferramentas. Tinhamos os zines, que tinham um alcance muito limitado, as vezes alguns programas de rádio fm, alguns artigos em revistas de comportamento jovem e a raridade de alguma coisa veiculada na tv aberta. Hoje em dia, temos tudo isso e muito mais, informação simultânea e ligada ao mundo inteiro e etc. Não creio que seja necessário me aprofundar nestas ferramentas de midia, como o blog, sites, podcasts, myspace, twitter, pois o que não falta são dissertações sobre estes meios de comunicação da era digital.
Me lembro do meu erro ao não checar as fontes de informação de forma correta, ou seja, se a fonte era confiável e se havia coerência com a verdade. E isso não foi feito de forma irresponsável, pois era um assunto ao qual eu tinha vivenciado, mas como não me foi concedido a onipresença e onisciencia, não pude apurar a verdade dos fatos de forma cem por cento isenta de opiniões pessoais, alheias. Enfim, foi um aprendizado e hoje as coisas estão claras.
Últimamente tenho visto a documentação de movimentações culturais em formato digital, coisa que não podia ser feita no fim dos anos 80 e 90 até. Quem iria ficar andando com uma câmera de video high 8 ou gravador k7 nas baladas e shows de São Paulo o tempo todo, ou nas rodas de conversa das pessoas que participaram deste cenário? E vejo como a memória humana pode ser falha ou infelizmente, tendenciosa. Cada um conta sua história do jeito que lembra, do jeito que queria que tivesse sido. O irônico dissso é que a contra cultura paulistana que rebateu e repugnou a parafernália burguesa, a ditadura e o poder, acabou fazendo algo semelhante ao relatar sua curta trajetória. Depoimentos e textos são feitos de forma romantizada e idealizada e não raramente, totalmente fora da realidade. É como a maiora da documentação da história da humanidade, os livros tratam a fundação de nações e cidades como uma coisa linda e maravilhosa e quem tem bom senso sabe que nunca foi assim. A história do homem foi escrita com sangue, mas não sangue como adjetivo de esforço e trabalho, mas como violência, instintos malignos, interesses próprios não visando o bem coletivo e outros ransos.
Mas hoje em dia, eu particularmente não vejo, não sinto necessidade e não quero buscar, pesquisar, investigar e divulgar sobre o que realmente aconteceu e acontece neste meio cultural paulistano com intuito de jornalismo investigatório ou documental. Se houver alguma relevância, tudo será esclarecido de alguma forma, cedo ou tarde a verdade aparece. Cada um que conte a sua história como deseja seu coração e sua consciência. E depois, muita coisa não tem importância, vai se dissolver no avançar do tempo, a vida envolve coisas muito mais importantes do que isso, a não ser que as pessoas coloquem a arte como carro chefe de suas breves existências nesta terra. Breves existências? Sim, pois se todo ser humano pudesse viver exatamente cem anos, o que é cem anos perante a eternidade, a qual não temos a verdadeira noção de sua dimensão.
"
Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.
" Tiago 4.14

quinta-feira, julho 01, 2010

Rammellzee (?/?/1960 – 27/06/2010)




























Um artísta incrível, ao contrário da longevidade dos dois últimos que escreví neste blog, se foi apenas aos 49 anos de idade. Uma coluna da cultura hiphop e da arte de New York encerra sua trajetória. Se o graffiti que está tão em alta nestes tempos, foi Rammellzee quem o fundamentou na forma como o conhecemos e é um de seus pioneiros. Grafiteiro, rapper, estilista, não importa o "rótulo", e sim a sua arte extremamente criativa. Se quiser conhecer mais sobre o mentor do Gothic Futurism, acesse os links abaixo:


http://www.gothicfuturism.com/
http://www.myspace.com/rammellzee

sexta-feira, junho 25, 2010

Fred Anderson Lives in Our Memories and Hearts! by Jasmine Anderson-Sebaggala

"Hello Family and Friends!

My name is Jasmine Anderson-Sebaggala, I am Fred Anderson's grandaughter. I am writing on behalf of my family. We appreciate the support and prayers for my grandfather, Fred Anderson.
My Grandfather received visits and phone calls from more than 200 people.
People traveled from various cities to visit him.
Thanks for sharing great vibes, stories, food and love.
My grandfather died peacefully on Thursday June 24, 2010 at 3:10 a.m. He was in hospice at The Ark in Park Ridge, IL.
We will miss my grandfather's presence, and cherish our memories of him. He was a humble man that helped and inspired others and loved his family and friends.
The velvety smooth sounds blown from his horn remind me of his dedication, strength and courage.
We will always honor his legacy, work ethic and determination.
Funeral arrangements are pending.

In lieu of flowers, our family asks that donations be endorsed to AIRMW with a memo that it is for the Velvet Lounge Fund and sent to Asian Improv aRts Midwest, c/o JASC 4427 N. Clark St. Chicago, IL 60640.
All proceeds will go to support keeping the Velvet Lounge open and thriving into the future.


Condolence cards and greetings can be sent to:

Jasmine Anderson-Sebaggala
2117 West Howard Street Unit 3D
Evanston Illinois 60602


Sincerely,

Jasmine Anderson-Sebaggala"

Suntimes.com obituary article of Fred Anderson
Musicianguide.com biography of Fred Anderson
Myspace.com of Fred Anderson
The Velvet Lounge

Fred Anderson (22/03/1929 - 24/06/2010)



















quinta-feira, junho 24, 2010

Brötzmann / Drake Live in New York City (18/04/2010)

Video de 18 de Abril, 2010 com o Peter Brötzmann/Hamid Drake duo em concerto no The Clemente Soto Velez Cultural Center's SEA Theater na cidade de New York. Videos gravados e editados por Zak Sherzad e publicados originalmente pelo site do selo Eremite.



sexta-feira, junho 18, 2010

Bill Dixon se retira...


Pois é, o Bill Dixon se foi... como se foram muitos outros. Chegou o seu tempo, não o que nós queremos, mas digamos(independente de questões religiosas), foi o tempo de Deus. William Robert Dixon se foi aos 84 anos de idade maneira serena com seus familiares, depois de lutar por 2 anos de uma enfermidade, segundo o obituário ofcial. Consequências da vida, não se vive para sempre, salvo alguns casos, que se vai um pouco mais longe, mas não para sempre, como o casal turco Abdullah e Elif que chegou até os 113 e 110 anos até o momento. Tiveram uma vida saudável em todos os sentidos. Fred Anderson também não goza de boa saúde, segundo a comunidade de Free Jazz de Chicago a qual recebo notícias diárias. É assim mesmo, o tempo passa, os corpos humanos se desgastam e chega um momento em que a vida carnal tem seu fim, é inevitável. De poucos anos pra cá tenho ouvido falar de Bill Dixon pelas novas gerações, talvez tenha ganho destaque por conta de sua recente gravação com a nova geração, como o também trompetista Rob Mazurek. Mas infelizmente as pessoas não estavam interessadas em pesquisar sobre Dixon, que não tem um material tão difícil de se encontrar. Enquanto o foco estava em outros ícones da música por conta de relançamentos em midia, como John Coltrane, Sun Ra, apresentações musicais como a volta do Art Ensemble Of Chicago, Dixon continuava sua trajetória desde os anos 60. As pessoas mais jovens ficam sentidas quando um veterano morre e muitas vezes é um sentimento um tanto quanto egoísta da pessoa, que quer estar mais próxima de alguma forma, e há uma sensação de perda em vários níveis. Os familiares e amigos naturalmente passam por isso, pois se perde muito mais que um nome ou um som, mas um pai, um amigo... Me lembro quando morreu o baterista Max Roach, o qual conhecí pessoalmente apenas em 2000, depois de começar a conhecer seu trabalho em meados dos anos 90. Ora, Max Roach estava na ativa desde os anos 40. Não fiquei triste com sua morte, pois soube que ele se foi de forma tranquila ao lado da família. Então me deu uma saudade, de ouvir novamente aquela bateria que "falava", de suas opiniões sobre a música em seus depoimentos e entrevistas. Coloquei suas gravações para tocar e apreciar sua arte. Contemplei toda sua obra e pensei comigo mesmo que ele tinha feito tudo que podia pela arte, e foi muita coisa. Deixou um legado, um importante registro na música e ainda ajudou a mudar o rumo dela. Max Roach cumpriu a missão e se foi em paz.
Creio que não foi diferente com Bill Dixon. Não vou aqui regorgitar o que já está publicado em vários tipos de mídia. A sua arte fala por sí só. Quem quiser que ouça o som de seu trompete ou as cores de suas pinturas. Dixon se foi em paz e também cumpriu a missão e deixou um legado. Como na foto acima, Bill abre passagem para outras gerações continuarem a passar pelos corredores e subir as escadas e chegar a outros lugares.

Quem quiser conhecê-lo: http://www.bill-dixon.com/


 
 
Studio Ghibli Brasil