sexta-feira, outubro 30, 2009

Adrenalin O.D., Sunny Murray, enfim, o que é de gosto, é regalo da vida!

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Apresentação do grupo Adrenalin O.D., um dos importantes nomes do chamado American Hardcore, que teve um cenário intenso da costa leste à oeste nos EUA e este video foi gravado em 1985 no famoso CBGB's com as músicas: Office Buildings, Rock n'Roll Gas Station, The Answer e Yuppie.
Sunny Murray, John Edwards, Tony Bevan em uma apresentação no Vortex 01/09/2009.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Sirone (Norris Jones) 28/09/1940 - 21/10/2009

Sirone nasceu em Atlanta na Georgia, USA e tocou com artístas do R&B como Sam Cooke e Smokey Robinson. Depois mudou-se para New York nos anos 60 onde fundou com o pianista Dave Burrell o Untraditional Jazz Improvisational Team e tocou também com Ornette Coleman, Pharoah Sanders, Marion Brown, Gato Barbieri, Cecil Taylor, Dewey Redman, Charles Gayle, Frank Lowe, Billy Bang, James Blood Ulmer e seu grupo Phalanx e com o violinista Leroy Jenkins e Frank Clayton, depois substituído por Jerome Cooper fundaram o Revolutionary Ensemble em 1971. Sirone apareceu no filme Rising Tones Cross de Ebba Jahn em 1985, que é um documentário sobre o cenário do Free Jazz em New York.
A partir de 2000 começou a tocar guitarra como no disco Life Of The Party do saxofonista Joe Johnson, em 2005. A última gravação de Sirone está registrada como guitarrista no disco de Joe Johnson, The After Party de 2008.

clique no link abaixo:
discografia de Sirone

terça-feira, outubro 27, 2009

Smile - The Beach Boys (1967)

Eu nunca tive interesse pelo Beach Boys por conta do hit Surfin' U.S.A. e aquelas vocalizações melodiosas e o estereótipo equivocado sobre eles. Mas quando estive na casa de um amigo e assisti o dvd Smile do Brian Wilson, tudo mudou. Eu sempre ouvia falarem de Brian Wilson como um louco psicótico e tudo mais. Não ví nada disso e sim uma pessoa extremamente sensível, que queria dar o seu melhor através da música. Brian ao compor a música Prayer, queria que as pessoas ao ouvirem ela, falassem com Deus. Também ví a difícil trajetória do grupo, do pais dos Wilson que era violento e extremamente problemático. A falta de apoio dos membros do Beach Boys em relação ao grandioso projeto que Brian idealizou sozinho em sua concepção. Os outros membros só queriam continuar famosos falando do sol da California. Se o Smile tivesse saído na época em que deveria, a música teria mudado de rumo. Me desculpem os beatlemaníacos, mas ficaria pequeno para o Sgt. Peppers and Lonely Hearts Club Band, pois o Smile não contou com a colaboração de George Martin, tudo foi idéia de Brian, toda a concepção e as composições. Até os Beatles de uma certa forma temiam os próximos passos de Brian Wilson, mas isso em forma de admiração e respeito. O disco Pet Sounds teve grande influência sobre o disco Sgt. Peppers. Foram lançadas posteriormente 3 versões do Smile, com outakes e extras de forma incompleta como fora concebido, mas a versão de Brian Wilson em 2004 é a definitiva. Mesmo com a voz limitada de Wilson devido os tempos de inatividade musical e saúde, é um disco fantástico.
Mas o melhor desta história é que Brian conseguiu se recuperar, concluir seu maravilhoso projeto e voltou a viver.

*ps.: a música Surf's Up não tem nada haver com o surf, fala de algo muito mais profundo...

Clique nos links abaixo para acessar os arquivos:

-Smile Unreleased album 1967:
http://www.mediafire.com/?4timitnlm5z

-Smile Research Labs:
http://www.mediafire.com/?myq5og3acfm

sábado, outubro 24, 2009

Max Roach Quartet - Live In Tokyo (1977)

O que podemos dizer sobre Max Roach além do que já foi dito? Ele é uma instituição da música, é um capítulo fundamental dela. Max fez música até onde pode chegar em sua condição de ser humano. Foi o último que resistiu ao tempo de sua geração, aquela que mudou o rumo não só do Jazz, mas da música como um todo. A geração que ficou conhecida pelas inovações musicais nos distantes anos 40 do séc.XX, conhecida sob o nome de uma composição do trompetista Dizzy Gillespie: Bebop.
Mas Max sempre foi um artísta que entendia o processo artístico e se recusava a estagnar e ir contra sua natureza criativa. Nos anos 80, já tendo experimentado muitas combinações e novas influências para seu trabalho, ignorou a critica especializada no gênero e buscou novas experiências com a juventude pobre das ruas: o Hiphop.
Sobre aqueles tempos ao lado de Dizzy, Miles Davis e Monk, recordava com saudade e satisfação e gratidão em ter participado daqueles grandes momentos da música, mas não queria saber de repetir aquilo novamente. Para Max não fazia sentido entrar num revival, preferiu seguir em frente, criar e viver coisas novas. E foi assim até sua despedida desta terra.
Bem, vamos ao motivo deste post, compartilhar de um dos muitos grandes momentos da carreira de Max Roach. Esta época é pouco comentada e conhecida, mas é um de seus melhores grupos, um tipo de formação que manteve por muito tempo. Nesta gravação conta com o brilhante saxofonista Billy Harper, que também tocou com o Art Blakey e os Jazz Messengers, numa fase mais ousada. Harper é conhecido por sua composição que é um clássico: Capra Black. Cecil Bridgewater é um grande trompetista e esteve com Max aqui no Brasil, em 2000 e acompanha Max de longa data. Reggie Workman também é outra instituição da música, tocou com os grandes nomes do Jazz, como John Coltrane e está em plena atividade no circuito de Freejazz. Esta apresentação gravada no Japão em 1977, abre com calvary, uma das mais belas composições de Max. Mr. Papa Jo é o famoso solo de chimbau de Max em homenagem ao grande mestre da bateria. Round Midnight ganha uma nova versão com o quarteto e conta com a famosa It's Time que podemos dizer que é umas das preferidas como MyFavourite Things era para Trane em seu repertório.

01 Calvary
02 Mr. Papa Jo
03 Round Midnight
04 It's time

Max Roach - bateria
Billy Harper - saxofone tenor
Cecil Bridgewater - trompete
Reggie Workman - baixo

Gravado no Yubin Chokin Hall, Tokyo - Japão em 21/01/1977

clique no link abaixo para o arquivo:
http://www.mediafire.com/?zymvwwqx1jj

sexta-feira, outubro 23, 2009

Weekend Warriors... na hora da luta, nego sai é de fininho!

Sinceramente eu tinha uma mistura de sentimentos em relação a este famoso disco do Ted Nugent. Primeiro eu achava o maior barato a capa do disco por conta das figurinhas auto-adesivas dos albuns que eram comuns em minha infância, que sempre tinha essa estranha mistura de desenhos horríveis de tatuagens, ilustrações do Roger Dean (capas dos discos do Yes), capas de discos de rock, heavy metal, rock progressivo, misturados até com capas de discos da Donna Summer e Grace Jones. Lembro que na época algum amigo comprou um disco do Ted Nugent, mas não era o Weekend Warriors, não tinha curtido porque na época eu só queria saber de heavy metal e barulheiras. Ted me soava som de gente mais velha, uns tiozinhos barbudos e cabeludos. Hoje eu tô cabeludo e barbudo...
Mas só hoje que eu realmente ouví o famoso disco do cara da guitarra com o braço e headstock transformado em uma metralhadora. Resolví ter uma audição online de Ted Nugent por conta deste post, que não tem nada haver com o Nugent em sí. Sobre o Weekend Warriors de Nugent, não tenho nada contra, é apenas mais um disco de hard rock típico dos anos 70, como o Mahogany Rush de Frank Marino, Grand Funk Railroad, etc, e não tem uma música que se destaque em relação aos hits do gênero. Dá pra curtir o som do Ted, se há uma empatia com o estilo, pois a música é de boa qualidade. Mas enfim, a capa é mais lembrada do que a música.
Tive a idéia por conta do título Weekend Warriors, pois estava lendo o jornal da manhã, o telejornal, sobre o assassinato do cara do Afroreggae e também lembrei do outro membro de um grupo artístico morto no Rio estes dias. Me lembrei de vários discursos idealistas que presenciei, muita militância teórica e pouquíssima prática. Muita gente manja de política de sociologia, de artes, de ativismo, de samba, chorinho, afrobeat, rap, mas não fazem nada realmente condizente com seus discursos inflamados em mesas de botequins tão artificiais quanto um waffer de morango, regados de cerveja Bohemia ou Original e "petiscos" de R$30,00 a porção.
Mas tá tudo tranquilo, "relax", descontração total. Afinal todo mundo fala que o Brasil é assim, sabe levar na esportiva (que na verdade é inconsequente), o povo é super-do-bem, que o Rio é lindo, carnaval, etc. Definitivamente não é um discurso depreciativo pessimista de minha parte, pois todos os dias tenho motivo para alegrar meu espírito, mas eu costumo praticar o que eu prego.
ps.: Vai preparando o bolso aí, pois o governo tá vendo a fita de um orçamento de U$600.000.000 para a compra de aviões-caça da força aérea brazuca. Só pra piloto, só pra guerrero, só pra Jedi! It's not for the weekend warriors.

Abaetetuba - Improvisação Livre

Concerto de Improvisação Livre Musical, que contará com a participação de Marcio Mattos, cellista consagrado nesta vertente da música internacionalmente, residente em Londres a mais de 40 anos e se incorporou ao projeto ABAETETUBA desde 2006, inclusive participando da turnê Européia, realizada no primeiro semestre. Michelle Agnes é a pianista convidada que juntamente com Thomas Rohrer e Antonio Panda Gianfratti, formarão um Quarteto Contemporâneo de Improvisação Livre.
O concerto se realizará, no Centro Cultural SP Vergueiro, neste próximo domingo, dia 25 às 18:00h com entrada franca, na sala Adoniran Barbosa.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Presidente Lula, vigia na terra!

Este blog não costuma fazer análises políticas por conta de seu direcionamento às artes e cultura. Mas se tratando do presidente da república do Brasil, Luiz Inácio "Lula" da Silva, há uma questão cultural evidente.
O que me levou a escrever este post foi o destaque de primeira página de um jornal paulistano que não vem ao caso suas intenções desta matéria que tinha este título: No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas, diz Lula.
Nesta infeliz comparação o presidente crê que para governar é preciso uma coalizão. "Se Jesus Cristo viesse para cá e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
Agora vejamos uma passagem das escrituras bem conhecida das pessoas de um modo geral, que se encontra no evangelho de Mateus, capítulo 4:

"Então foi conduzido Jesus pelo Espírito Santo ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,
E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.
Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam."

Deixemos de lado as questões religiosas e espirituais e atentemos ao significado e simbologia. Jesus se mostrou incorruptível mesmo em uma situação extrema. Lula em sua infeliz comparação afirma que Jesus teria de dar um "jeitinho", tolerar certos desvios. Judas é o símbolo da traição e corrupção. Possuia um cargo de alta confiança, mas traiu e se corrompeu por um punhado de moedas. Isso foi o ápice de sua trajetória sombria, pois já andava furtando parte das ofertas enquanto era tesoureiro do ministério de Cristo.
Aí entra o problema cultural. Se as pessoas realmente tivessem conhecimento das escrituras, não fariam este tipo de comparação, simplesmente pela incoerência entre a afirmação de Lula e os fatos descritos na bíblia que revelam o caráter de Jesus Cristo, que preferiu morrer à se corromper ou fazer uma coalizão.
Então surgem afirmações totalmente equivocadas, como esta que eu mesmo já acreditei que estivesse na bíblia: "Deus escreve certo por linhas tortas". Fora esta frase realmente não estar na bíblia, há uma afirmação de Deus que prova o contrário no livro do profeta Isaías, capítulo 45 verso 2 no antigo testamento: "Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos;". Outra frase errada é esta: "A voz do povo é a voz de Deus". Entendo esta frase sobre dar a razão a maioria, que muitas vezes erra. Mas veja o que diz Deus no livro de Números, capítulo 23 verso 19: "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa;"
Eu particularmente resolví ler a bíblia por curiosidade, na tentativa de encontrar algo que fosse ruim para a sanidade mental das pessoas. Fui no intuito de uma análise empírica, realmente sem uma opinião formada e deparei com fatos históricos e muitos deles a ciência contemporânea teve de reconhecer como verídicos, por conta de muitas provas materiais. Não encontrei nada que levasse uma pessoa ao isolamento da realidade e privação de sua liberdade de como conduzir sua própria vida. Há muitos aspectos culturais, de certos povos, de certa época e muitas vezes algumas instituições religiosas interpretam de forma errada, criando doutrinas e costumes por elas mesmas.
Aqui eu deixo uma frase que deveria estar em mais para-choques de caminhão e na mente do povo. Está no livro do profeta Oséias, capítulo 4, verso 6:
"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento;"

segunda-feira, outubro 19, 2009

Antonio Panda Gianfratti/Thomas Rohrer/Michelle Agnes: Cine Concerto

Panda, Thomas e Michelle fazem ao vivo a trilha sonora para os filmes mudos de Beckett, Brecht e Metzner.

local: Casa de Francisca - rua José Maria Lisboa, #190
couvert: R$ 17,00
reservas: (11) 3052 0547

48x61 (OtomoxRintaro)

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O título 48x61 são as idades respectivas dos animadores Rintaro (61 anos na época em que foi realizado este curta metragem) e Katsuhiro Otomo (48 anos). Produzido em 2004 pelo Madhouse Studio. Desenho de Katsuya Terada, animação de Katsuya Yamada e musica de Toshiyuki Honda.

sábado, outubro 17, 2009

Shizuka Hayashi

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Vernon Reid - Mistaken Identity

O Living Colour está de volta com um novo disco e esteve em São Paulo nesta última semana. Poucos sabem da carreira musical do guitarrista Vernon Reid que é de longa data. Fez parte do projeto Decoding Society do baterista Ronald Shannon Jackson que já tocou com diversos músicos do freejazz, como Albert Ayler.
Mistaken Identity foi lançado em 1996 e contou com a participação de Graham Haynes, trompetista e filho do baterista Roy Haynes, o baixista Fred Hopkins, o clarinetista Don Byron e nomes dos hiphop como Prince Paul, Beans, dj Logic e até a participação do ator Lawrence Fishburne. Reid já está no terceiro título em seu nome mas vale a pena relembrar este registro. Na ocasião do Free Jazz Festival na época auge do gênero Acid Jazz, Vernon Reid e o projeto Masque que gravou o Mistaken Identity, esteve em São Paulo substituindo Jamiroquai(ainda bem!) e contou com a presença de Don Byron.

Clique no link abaixo ou no título do post para acesso do arquivo

http://www.badongo.com/file/17870656

sábado, outubro 10, 2009

Fela na Broadway?!

Será que o nosso bandleader aprovaria a idéia? Será que ele faria a pergunta: Será que é bom?

Playlists como este são nocivos à saúde cultural e aumentam o ufanismo e o anacronismo

Particularmente este tipo de publicação como a revista ao lado, não faz parte de minha leitura periódica. Se eu quero obter informação mais precisa e confiável, há incontáveis fontes de boa informação no mundo virtual. Se a revista Rolling Stone original já é deficitária no quesito música como arte, a versão brasileira é pior. Calma nacionalistas, não estou degradando o produto nacional. Afinal o objetivo da edicão nacional da R.S. é meramente música como mais um tipo de mercadoria na prateleira. Infelizmente o jornalismo musical carece em muitas coisas para ser realmente confiável, entre estas coisas, a análise empírica, a pesquisa exaustiva, etc.
Mas me chamou a atenção 2 coisas sobre a matéria de capa desta publicação: Parte das primeiras posições deste ranking e o melhor: os comentários dos leitores.


Nº 1 - "Construção" - Chico Buarque
Nº 2 - "Águas de Março" - Elis Regina & Tom Jobim
Nº 3 - "Carinhoso" - Pixinguinha
Nº 4 - "Asa Branca" - Luiz Gonzaga
Nº 5 - "Mas Que Nada" - Jorge Ben
Nº 6 - "Chega de Saudade" - João Gilberto
Nº 7 - "Panis et Circencis" - Os Mutantes
Nº 8 - "Detalhes" - Roberto Carlos
Nº 9 - "Canto de Ossanha" - Baden Powell/ Vinicius de Moraes
Nº 10 - "Alegria, Alegria" - Caetano Veloso

Quem quiser argumentar contra o que penso, fique livre para isso ou melhor, ignore este post. Em primeiro lugar, quem fez esta lista? O staff editorial da revista? Se a voz do povo não é a voz de Deus, muito menos este seleto grupo de profissionais. O que aconteceu com a música brasileira contemporânea? Pelo menos nas 10 primeiras posições, só tem música do século passado. Muitos dirão que a música atual não chega aos pés destes "clássicos" brasileiros. São boas músicas, mas este ranking teria sentido se a edição da revista fosse da década de 70 do séc.XX. Então eu me deparo com o comentário de um leitor que diz o seguinte:

"
Eu me sinto bem representado por essas músicas. Legal!! Claro, eu sei que faltaram algumas entre as dez. Mas é que a música brasileira é tão boa e tão farta que não dá para contemplar todas. E há quem não valorize ainda. Gringo fica de boca aberta com a nossa criatividade!!"

Se o leitor já passou dos 40 anos de idade, é perfeitamente compreensível este ponto de vista. Mas se for na média dos 20, aí temos um caso corriqueiro de anacronismo. Mas a maioria esmagadora dos comentários dos leitores é bem mais saudável, pois elegeram artístas como Pitty, Legião Urbana, Raimundos, Chico Science e até coisas como Fresno e NX Zero.
O comentário do defensor da MPB do comentário acima ainda se ilude com a idéia de que gringo fica de boca aberta com a nossa criatividade. Ora, como se não bastasse usar o termo gringo que é pejorativo, demonstra uma tremenda arrogância e nacionalismo doentio. O Jazz e Rock criaram grandes mudanças e tiveram grande influência(inclusive na MPB) na música mundial no séc.XX e a música brasilera não chegou neste ponto, sem desmerecer a qualidade da MPB. O que seria de Luiz Gonzaga e seu forró(For All) se não tivesse o tango dos nossos hermanitos argentinos? O que seria dos Mutantes se não tivesse os Beatles? O que seria do João Gilberto se não fosse o Jazz e o que seria de Pixinguinha sem o Hot Five de Armstrong? Isso não anula a criatividade brasileira. A maioria destes "gringos" que piram, são na maioria críticos musicais, artístas, que são um pequeno setor destes países, que não chegam à casa decimal na porcentagem da população de seus países. Basta checar as informações que confirmam o que eu disse aqui, os gringos tem preferencia nos artístas de seus respectivos países, que é extremamente saudável. A maioria não se importa com a nossa música, se não os marcadores de exportação diriam ao contrário. Quem compra música brasileira no exterior em certo número, são os próprios brasileiros que imigraram para estes países. O Japão que costuma ser citado como um país que consome bastante a nossa MPB, na verdade, não é assim. O Japão se encaixa nesta estatística de consumo de MPB pelos imigrantes brasileiros que trabalham e vivem lá. A maioria esmagadora da população japonesa consome sua música local, chegando na situação da indústria fonográfica norte americana ter dificuldade de preferencia, como acontece em muitos países do mundo. É este tipo de publicação com rankings que contribue para este quadro, esta formação de opinião.
Enfim, quem acha que a Folha de São Paulo é a escória dos jornais e a Veja o lixo das revistas semanais, a Rolling Stone veio para preencher a vaga musical desta categoria seleta.

sexta-feira, outubro 09, 2009

São Paulo está no caminho da India

Socialmente falando, deixemos de lado as questões espirituais. Também não levemos em conta a diferença cultural entre o oriente e o ocidente, pois há muito mais que um hemisfério e um imenso oceano que os separa. O sistema de castas na prática, é um sistema de injustiça para justificar a diferença social de uma nação. Se os antepassados foram ladrões, as futuras gerações estão fadadas a viver de delitos, mesmo que esta pessoa tenha a honestidade ardendo em seu coração. Se uma pessoa tem domínio do conhecimento da física quântica e faz parte da casta dos mendigos, só poderá aplicar tal conhecimento na arte da mendicância. Se uma pessoa que não tem a menor vocação para as finanças a ponto de esgotar suas riquezas e fizer parte da casta dos ricos, bem, alguém vai ter que arcar com as despesas deste ilustre para ele permanecer rico.
Mas o motivo deste post não é diretamente ligado ao assunto sobre este sistema indiano. Um dos dois motivos foi que nesta última terça-feira eu participei de um workshop com o pianista e compositor inglês Veryan Weston sobre orquestração na improvisação livre, no teatro da faculdade Santa Marcelina em Perdizes, São Paulo.
Haviam praticamente apenas os alunos de música da faculdade e notei uma grande diferença alí. A começar pela região da faculdade, que fica numa região que difere da grande maioria da cidade, assim, como Higienópolis, Moema, Morumbi, Pacaembú, Sumaré. Estes lugares são muito mais bem cuidados do que o resto da metrópole e há uma gritante diferença étnica. A maioria esmagadora de pessoas que formam a sociedade brasileira, nestes locais, são apenas funcionários remunerados com baixos salários e se residem na região, são os que moram no local de trabalho, como alojamento de funcionários ou quarto de empregado doméstico. Como meu cotidiano e as pessoas com quem me relaciono diariamente são o que chamam por aí de "povão", me sentí um estranho naquele teatro. Mesmo alguns dos alunos e parte da platéia serem estéticamente parecidos com pessoas do povão, algo os diferencia. Um exemplo? Muitos destes jovens de classe média e alta, quando se vestem de forma simples, há um refinamento. Como alguns que estavam de chinelo de couro, camiseta e bermuda. São roupas simples, mas percebe-se que são de uma grife, que são roupas mais caras. Sem contar quando estes conversam, mesmo com gírias adotadas das "ruas", há uma grande diferença, são como dialetos.O outro motivo foi um post sobre o público feminino afro-brasileiro que esteve na apresentação da dupla Les Nubians, composta por Helene e Celia Faussart no SESC Pinheiros. Este post se encontra no blog Eu, ela, o cão e o affair redivivo e este trecho que me chamou a atenção:

"
Já no hall de entrada, uma pergunta se fez aos meus botões e acompanhou-me até o final da apresentação – e continua em delay agora: quando não há show das Les Nubians na cidade, onde se escondem aquelas estonteantes negras todas?"

Me parece
que o autor do post fez uma pergunta retórica, a não ser que seu cotidiano tenha mudado drasticamente e tenha esquecido que mesmo o SESC tendo atividades e atrações com preços acessíveis à maioria da população, mesmo sendo criado para as atividades de lazer da população além do pricincipal, que é beneficiar a classe comerciária, este tipo de apresentação, neste tipo de local, não atrai o povão. Independente de ser ou não uma pergunta retórica, eu respondo a pergunta. Elas não se escondem em lugar nenhum. Talvez muitas delas não posssam usar uma bela vestimenta e caprichar tanto na maquiagem, por estarem em algum emprego que isto não é funcional. Se alguém resolver passear pela noite paulistana, mas fora do circuito centro-oeste e passar pela zona norte, por exemplo, vai encontrar muitas delas com certa facilidade. Mas eu as vejo todos os dias andando nas ruas de São Paulo, nos transportes coletivos, lojas, etc e etc.
O problema deste país é que se nega ou finge que não existe e não se vê. O sistema racista e o sistema de castas existe nesta cidade, mas só que de forma velada.

Cine-Concerto: Beckett e Brecht no chiaroscuro

Poucos têm conhecimento de que os dramaturgos Bertolt Brecht (1898-1956) e Samuel Beckett (1906-1989) participaram de duas produções cinematográficas em momentos distintos de sua carreira. “Mistérios de uma barbearia”, dirigido por Brecht juntamente com o cineasta e também dramaturgo Erich Engel, marca o encontro do jovem Brecht com o ator cômico Karl Valentin, apontado por muitos críticos como uma das influências primordiais no teatro épico brechtiano. O filme é uma comédia em tom anárquico, no estilo subversivo e nonsense de Valentin, que interpreta um estranho barbeiro que comete com grande naturalidade as maiores atrocidades.
“Film” conta com roteiro de Beckett e direção de Alan Schneider. Neste curta-metragem, Buster Keaton interpreta um homem angustiado em fuga, tentando livrar-se de todos os olhares que recaem sobre ele. Baseado na teoria de Berkeley Esse est percipi (ser é ser percebido), “Film” tem apenas dois personagens: “O” é o objeto representado por Buster Keaton, e “E” é a própria câmera.
Ao final do espetáculo, propõe-se o diálogo dos dois grandes dramaturgos com o cineasta Ernö Metzner (1892-1953) e seu “Assalto”(“Überfall”), que mostra o estranho destino de um homem após encontrar uma moeda ao acaso. A obra retrata alguns tipos da Alemanha pós-primeira guerra, caracterizada por Metzner pelo clima de corrupção, brutalidade e decadência que circunda os personagens.
Como nas antigas sessões de cinema dos anos 20, o acompanhamento musical será realizado ao vivo, a partir de uma instrumentação que faz uma alusão às sonoridades dos teatros populares e do music-hall, onde o cinema nasceu. Este trabalho busca realizar um diálogo entre procedimentos empregados no acompanhamento musical deste período, tais como efeitos sincronizados, uso de motivos condutores (leitmotiv) e citações com a música atual. O ponto de contato entre esses dois universos está na improvisação, tônica do trabalho do trio, e que caracterizava a música que acompanhava essas “pantomimas silenciosas”.

Programa

Mistérios de uma barbearia (1923)
Direção e roteiro: Bertolt Brecht e Erich Engel

Film (1965)
Direção: Alan Schneider.
Roteiro: Samuel Beckett.

Assalto (1921)
Direção: Ernö Metzner.
Roteiro: Grace Chiang e Ernö Metzner.

Música de Michelle Agnes(piano), Thomas Rohrer(rabeca,sax) e Antonio Panda Gianfratti(percussao)

13/10/09 - 20h30 São Paulo
Ingresso: distribuição de ingressos gratuitos a partir das 19horas na bilheteria. 2 ingressos por pessoa.
Telefone para informações: (11)3258-3344
Classificação: 8 anos
Endereço:
Cultura Artística Itaim - Avenida Juscelino Kubitschek, 1.830.
Disponibilidade: 200 ingressos
Data:
13/10/2009
Hora:
20:30

10/10/09 - 20h Campinas
Horário: 20h
Classificação: 8 anos
Todas as apresentações têm entrada gratuita, com distribuição de ingressos (um por pessoa) no local, uma hora antes de cada .
Endereço:
CPFL Cultura - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, bairro Chácara Primavera. Mais informações pelo telefone (19) 3756-8000.
 
 
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