quinta-feira, junho 09, 2016

Kalaparush And The Light ‎- Morning Song (2004)

Retomando o momento para relembrar a música de Kalaparusha Maurice McIntyre. Morning Song foi gravado na formação de trio, tendo o baixo substituído pela tuba de Jesse Dulman, que também participou do disco de Anthony Braxton, o Composition No. 19 (For 100 Tubas) e o baterista Ravish Momin, que tocou com Sabir Mateen, Billy Bang, Raphe Malik, Steve Swell e até Shakira. Nos comentários, como de costume.

terça-feira, maio 31, 2016

Einstein - Friday Night & Saturday Morning 12"(1988)/Leslie Lyrics - Shotgun Wedding(1990)/The 3 Knights & Standing Ovation - Burial Proceedings In The Coarse Of 3 Knights/Onslaught 12"(1990)

Encerrando a série de publicações sobre o cenário Hip Hop britânico, os trê primeiros singles de Einstein, Leslie Lyrics e The 3 Knights & Standing Ovation.
Infelizmente não foi possível obter muitas informações sobre estes artistas que fizeram parte do nascimento do cenário Hip Hop na Inglaterra, é quase inexistente em termos de web.
Se hoje em dia se fala de Dizzee Rascal, The Streets, a Music Of Life de Simon Harris foi o fundamento de tudo, sendo Derek B o mais notório. O selo inaugurado em 1986 inicialmente era de dance music, idealizado por dois dj's, Harris e Froggy com o gerenciamento de Chris France. Mas logo Froggy deixou o selo e Harris e France resolveram se dedicar ao cenário Hip Hop, ou seja um selo especializado no chamdo UK Hip Hop.
O primeiro lançamento do Music Of Life foi a coletânea Def Beats 1, que anteriormente foi publicado aqui no Sonorica.
Depois houve a série Hard As Hell! que consagrou artistas talentosos que ainda estão na ativa e também ganhou distribuição pelo selo Profile, responsável pelas gravações do Run DMC.
Todos os volumes da série estão também disponíveis aqui, tanto a coletânea Def Beats 1, como a série Hard As Hell:

Music Of Life

Infelizmente não foi possível encontrar os singles dos outros artistas do selo, como Demon Boyz, Mc Duke, Asher D, etc.
Apesar de raramente comentado o UK Hip Hop da primeira fase é muito criativo, em sincronia com a segunda geração do rap norte americano. Seus contemporâneos são Ice T, Run DMC, Boogie Down Productions, LL Cool J, etc, os chamados Old School Rap, sendo que na época foi chamado de hardcore rap, devido a temática de violência. racismo, crime, em contraste de seus primórdios como Kurtis Blow, Grandmaster Flash, etc. Nos comentários.

segunda-feira, maio 30, 2016

Asher D & Daddy Freddy – Ragamuffin Hip Hop (1988)

Houve um período que se ouvia mais este estilo de rap. Podemos dizer que Asher D & Daddy Freddy são os pioneiros do chamado Ragamuffin Hip Hop. A dupla surgiu no cenário hip hop britânico, onde o produtor Simon Harris foi o principal articulador.
Asher D filho de imigrantes jamaicanos no reino Unido, depois de retornar de uma viajem à Jamica em 1986, entrou em contato com a Music For Life de Simon Harris que já estava procurando alguém que fizesse hip hop com reggae. Harris conseguiu contactar Daddy Freddy e lançaram o single Ragamuffin Hip Hop em 1987.
Daddy Freddy nasceu em Kingston, Jamaica e morava poucos minutos à pé do famoso Studio One de Coxsone Dodd, tendo como vizinhos, Jacob Miller e Ranking Joe. Trabalhou com Lt. Stichie e no sound system de Sugar Minott. Gravou seu primeiro single Zoo Party em 1985 pelo Studio One.
Atualmente Daddy Freddy voltou às raízes do dancehall jamaicano. Asher D prosseguiu no Hip Hop. Nos comentários.
Obs.: Os links nos nomes de Asher D e Daddy Freddy no último parágrafo são seus mais recentes trabalhos musicais.

quarta-feira, maio 18, 2016

Glenn Spearman ‎- First And Last (1998)

Tempos trabalhosos! Só ontem à noite percebi que o Sonorica completou 10 anos em Janeiro. A maioria dos visitantes sequer conheço, mas cada pessoa que visita este espaço é importante, sendo principal motivo do weblog existir até agora.
Retomando às homenagens sempre relembrando músicos que merecem reconhecimento pela sua arte, Glenn Spearman está de volta e espero que sua obra esteja sempre disponível. 
O baterista Rashid Bakr (Charles Downs) nasceu no dia 03/10/1943 em Chicago. Teve uma intensa participação na chamada New York Loft Jazz scene nos anos 70, onde a base foi o famoso estúdio Rivbea de Sam Rivers. Fez parte do Ensemble Muntu de Jemeel Moondoc, nos anos 80 desenvolveu uma parceria com Cecil Taylor, que está registrado em várias gravações, como o disco The Eighth. Recentemente fez parte do Other Dimensions In Music até o falecimento do trompetista Roy Campbell, sendo os outros membros, William Parker e Daniel Carter. 
O pianista Matthew Goodheart veio de San Francisco inicialmente como pianista de free jazz, posteriormente trabalhando no campo micro-tonal e improvisação, tocou com Wadada Leo Smith, Fred Frith, Pauline Oliveros, Gianni Gebbia, Vladimir Tarasov, Jack Wrigh entre outros.
First And Last foi gravado ao vivo no terceiro Fire in the Valley Festival em Amherst, Massachusetts, no ano de 1998 no formato trio. Nos comentários e muito obrigado à todas as pessoas que acompanham o Sonorica que completou 10 anos. 🍰

sexta-feira, maio 13, 2016

Kalaparush Maurice McIntyre Trio - Dream of - - - - (1998)

Enquanto muitos ingênuos ou condicionados sonham com dias melhores, a realidade corre em outra dimensão e logo a árvore se fará conhecer pelos seus frutos. Turbulências à parte, damos continuidade ao momento de relembrar a arte de Kalaparush Maurice McIntyre.
Pheeroan AkLaff que nasceu em Detroit em 27 de Janeiro de 1955 é sem dúvida um baterista especial e tem uma vasta carreira que deu início em 1975 no grupo de Bill Barron. Daí em diante tocou com Leo Smith, Oliver Lake, Henry Threadgill, Anthony Braxton, Anthony Davis, Sonny Sharrock, Reggie Workman, Mal Waldron, etc. O baixista Michael Logan trabalhou com Muhal Richard Abrams, Walter Bishop jr., Clifford Jordan entre outros.
Dream Of - - - - tem uma sonoridade "crua", devido as diretrizes do selo Creative Improvised Music Projects, onde as sessões são gravadas digitalmente em 2 canais sem compressão, mixagem, exatamente para captar de forma mais natural possível o momento que a música é executada. O formato trio também ajuda a evidenciar essa sonoridade que proporciona para cada músico, um campo maior para explorar. Dream Of proporciona um sonho bem palpável, como se os sons se materializassem no ar. Nos comentários.

quarta-feira, abril 27, 2016

Kalaparush ‎– Ram's Run (1982)

Cada vez mais as pessoas tornam quase tudo descartável. Me lembro de um tempo quando algum artista ou pessoa famosa falecia, havia um luto mais longo. Sim, a vida continua, não podemos viver um luto continuo e viver a vida com menos alegria, mas limar o sentimento de forma tão brusca, não é natural. As pessoas estão mais insensíveis do que antes, mas ainda emotivas, só que cada vez mais é algo momentâneo, como se a vida tivesse seu valor reduzido. Mesmo sendo uma pessoa distante a qual nunca conheceu pessoalmente, o apreciador do trabalho do artista levava um tempo maior para assimilar a perda, assim como a mídia dedicava um período e programação de homenagem um pouco mais generoso. Uma nota, um artigo de web, uma citação num noticiário televisivo e pronto. Mas essa pressa misturada com memória curta é uma característica bem brasileira. Se Lemmy e Bowie se foram e muita gente já deletou dos arquivos recentes, o que se diria à repeito de Kalaparusha Maurice McIntyre... Quem? Kala o que? Pois é, este insignificante espaço virtual dedica sempre que possível, um momento para relembrar a música dele. Em Ram's Run gravado e 1981, McIntyre está acompanhado de Julius Hemphill, que foi co-fundador do Black Artists Group e é mais conhecido como fundador do World Saxophone Quartet, mas sua carreira é bem mais extensa. Ano passado completou 20 anos de sua partida. Agora em Julho, se completa 10 anos da morte de Malachi Thompson, brilhante trompetista membro da AACM. Detalhe, curiosamente Thompson teve um disco lançado no Brasil, 47th Street. O baterista James Roland "J.R." Mitchell teve uma extensa carreira até seu falecimento em 2004: Andrew Hill, Archie Shepp, Arnett Cobb, Artie Simmons, Betty Carter, Bill Mitchell, Byard Lancaster, Calvin Hill, Charlie Rouse, Earl Warren, Ed Crockett, Eddie Barefield, Ernie Wilkins, Fred Hopkins, Gary Bartz, Hank Mobley, Harold Qusley, Henry 'The Skipper' Franklin, Howard McGhee, Jackie McLean, Jaki Byard, James Spaulding, John Abercrombie, John Stubblefield, Justo Almario, Khan Jamal, Mario Escolero, Nina Simone, Odean Pope, Peck Morrison, Philly Joe Jones, Ray Copeland, Rahsaan Roland Kirk, Shamek Farrah, Sonelius Smith, Junior Cook, Sonny Stitt, Dan Dowling, Tommy Flanagan e Walter Davis Jr. fazem parte de seu currículo. Sobre Ram's Run? Nos comentários.

terça-feira, abril 19, 2016

Kalaparusha Maurice McIntyre ‎– Forces And Feelings (1974)

Estas últimas semanas o Brasil tem passado por situações difíceis e não sabemos lá muito bem o que vem por aí, muita tensão no ar e inclusive na world wide web, novas regrinhas nas transferências de dados. Mas a melhor opção é dirigir as forças e sentimentos para o que alegra nosso coração, para agirmos da melhor forma nesses tempos difíceis.
Mas enfim, the show must go on e aqui no caso, segue o momento dedicado à memória da arte de Kalaparusha Maurice McIntyre.
Forces And Feelings foi gravado em 1974 (embora há outras discografias informando que a gravação é de 1970), com um grande diferencial, a voz de Rita Omolokun. Não há muitas gravações do que se chamou de free jazz ou a sua segunda geração, com vozes. O New York Art Quartet gravou um spoken word de Amiri Baraka, assim como Ornette Coleman gravou com a vocalista Asha Puthli, no disco Science Fiction. Forces And Feelings também conta com Fred Hopkins, um dos mais criativos baixistas e membro da AACM. Também há a colaboração do guitarrista Sarnie Garrett, que é simplesmente brilhante na minha opinião pessoal. Infelizmente não consegui dados relevantes tanto de Sarnie Garrett e Rita Omolokun. Vamos cultivar bons sentimentos e aproveitar o momento com a trilha sonora de Kalaparusha. Nos comentários.

sábado, abril 09, 2016

Positions - Jerome Cooper, Kalaparusha, Frank Lowe (1977)

Dando sequencia ao momento de relembrar a música de Kalaparusha Maurice McIntyre, nesta gravação de 1977, também podemos relembrar a arte de outro grande músico que nos deixou, o saxofonista Frank Lowe, assim que possível também será relembrado merecidamente no Sonorica. Quem contribui com os elementos percussivos e também de sopro é Jerome Cooper, que fez parte do Revolutionary Ensemble, ao lado de Leroy Jenkins e Sirone, que também infelizmente se foram à quase 10 anos e também merecem uma especial atenção posteriormente por suas preciosas contribuições para o universo da música criativa. Positions não se trata de uma típica sessão do que se rotula de "free jazz" e sim a linguagem ampla da improvisação.
A peça se divide em 10 movimentos que alternam trio, duo e solo. Kalaparusha executa solo no Movement D, onde a peça inicia junto com a colaboração percussiva de Cooper junto com Lowe, como uma espécie de introdução nos primeiros 5 minutos e é uma maravilhosa oportunidade de apreciar Kalaparusha no clarinete e saxofone. Quanto as participações de Lowe e Cooper? Como tem sido aqui no Sonorica, não há necessidade, pois a música fala por si própria e novamente digo, minhas palavras não são precisamente suficientes para descrever a beleza do som. Nos comentários encontrará do que se trata as posições.
Ps.: Apenas uma observação, como foi um tanto difícil encontrar este registro, notará os eventuais ruídos do LP e espero que este material seja disponibilizado em formato digital em uma re-edição.

quinta-feira, março 31, 2016

Kalaparusha ‎- Kalaparusha (1977)

Kalaparusha Maurice McIntyre... O Sonorica publicou um artigo sobre ele em 2012, quando ficou disponível um documentário sobre ele atualmente. Sinceramente eu acreditava que daqui em diante ele estaria em uma situação mais digna, assim como Giuseppi Logan foi reencontrado e voltou a gravar. Mas não foi o caso de Kalaparusha, que faleceu no dia 9 de Novembro de 2013, um ano e 7 meses após o artigo sobre o documentário. Na época realmente não me motivei a escrever um obituário. Lá se foi mais um dos heróis da música espiritual da geração de John Coltrane. Ao menos o The New York Times escreveu um artigo em reconhecimento à sua arte.
Sob o título de Kalaparusha, esta gravação é de 1975, editado pelo desconhecido selo Trio records e conta com Karl Berger: vibrafone e piano, Tom Schmidt no contra-baixo, vocais de Ingrid Berger, Jack DeJohnette na bateria e drums Jumma Santos, percussão. Não há previsão de relançamento desta gravação que foi lançado apenas em LP. Assim como Arthur Doyle e outros grandes músicos que merecem reconhecimento, este pequeno espaço dará início às homengens relembrando sua arte. Nos comentários como de costume.

segunda-feira, março 21, 2016

When i get old, i don't to be stereotyped, i don't to be classified (domo arigatou gozaimasu, Aukerman san)

Neste fim de noite do primeiro dia de Outono, quando apenas conferia os e-mails, recados de timeline e inbox, um amigo de longa data que não vejo faz um bom tempo pessoalmente, publicou uma canção do Descendents, que se chama My World. Eu realmente só iria ler os recados e ir dormir, mas aquilo desencadeou uma reflexão que é o motivo de eu escrever aqui. Imediatamente me lembrei de mais duas canções do Descendents, as que estão publicadas junto com este texto, Suburban Home, do primeiro LP, Milo Goes To College de 1982 e When I Get Old, do disco Everything Sucks, de 1996, o primeiro registro com músicas inéditas desde 1987. Milo Aukerman tinha deixado a banda para se dedicar à sua carreira científica na área da biologia. Então o Descendents ficou de molho e surgiu o All, mas isso é uma outra história... 
Para quem não sabe, o Brasil está em uma crise política, econômica e social pós criação das redes sociais digitais. Então imagine todo o tipo de comentário que é publicado diariamente entre as redes sociais de relacionamentos. Mas também isso é um outro assunto que não vem ao caso agora.
O Descendents sempre se diferenciou no cenário hardcore/punk, pela musicalidade que evoluiu espantosamente à cada disco e suas letras. Bill Stevenson que é o baterista, sempre foi um dos cérebros da banda, compondo belas músicas. Não sei exatamente agora se foi Bill ou Milo que compuseram as três canções citadas aqui, mas sempre tiveram uma abordagem inteligente e criativa em sua poética, não dá pra rotular de rebeldia sem sentido da juventude, como muitas bandas hardcore/punk no mundo afora. O Descendents sempre tratou de assuntos sobre o ser humano numa linguagem simples, mas muitas letras são profundas em termos filosóficos até.
When I Get Old, pois é, estamos envelhecendo, tanto como meu amigo que é mais novo que eu e os membros do Descendents que são mais velhos que eu e estão na ativa por praticamente 30 anos. Várias pessoas que conheci ao longo da minha adolescência até agora, sendo que muitos eu nem encontro mais pessoalmente (coisas da vida, sabe como é...), agora são possíveis e contactar, mesmo que apenas virtualmente, graças às redes digitais de relacionamento. Vejo que alguns se tornaram pessoas muito diferentes do que eram quando jovens, uns para melhor ou pior, mas isso também é bem relativo.
Afinal, o que é ser bem-sucedido na vida? Ter uma família, um bom emprego, uma carreira profissional, ficar rico financeiramente? Aí entra o termo relativo. O que para uns é um tesouro, para outros, é apenas algo sem importância até. Quem se envolveu com alguma ideologia quando jovem, principalmente através da música (hardcore/punk, sendo mais específico deste texto), seja qual for o estilo, geralmente tende a ser contra o padrão de consumo da sociedade.
Para alguns foi só um período realmente de rebeldia sem causa e são atualmente tudo o que combateram antes de se tornarem adultos perante à sociedade. Outros se mantiveram em seus ideais de forma irredutível e sem muito discernimento e hoje em dia estão à margem da sociedade de consumo. E ser marginal perante o sistema político/econômico/social deste país ou até em outros, é realmente cruel. Você simplesmente pode acabar morto numa rua suja por "n" tipos de fatalidades.
Mas existe um pensamento ponderado (isso se a pessoa ainda acredita em certos valores) e o Descendents justamente são um ótimo exemplo. Os membros da banda não são um bando de "semi coroas" fracassados inclusive aos impiedosos olhos da sociedade. Alguns podem até achar ridículo um bando de pessoas começando chegar à meio século de vida envolvido numa banda de rock. Veja o caso do Iron Maiden, a banda é praticamente uma empresa, o baixista Steve Harris completou recentemente 60 anos de idade, a banda tem um avião jumbo particular e os membros são ricos. E eles realmente gostam de tocar no Iron Maiden.
Mas o que eu quero dizer com tudo isso? Se puder ler a letra das duas músicas do Descendents, acho que vai entender onde quero chegar. Alias me lembrei também do que sempre converso com outro amigo que convivo bastante, sobre preservar a pureza infantil em nós, a parte boa, de sonhar, de aprender algo novo, de se alegrar com  coisas muito simples. Crianças que brincaram na rua se divertiram muito sem precisar gastar dinheiro ou algum tipo de equipamento, apenas elas e sua ingênua imaginação.
Os tempos são difíceis, o tempo passa muito rápido e todos bem sabemos que nada material deste mundo podemos levar após a morte e mesmo para quem não acredita que haja vida após a morte, saiba que as coisas mais valiosas na breve vida de um ser humano, são justamente coisas que não são materiais.
Como diz o meu melhor amigo: "Onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração"

*ps.: Também dedico este texto ao meu querido amigo Fernando Sanches

terça-feira, março 08, 2016

Archie Shepp & Philly Joe Jones (1970)

É muito complexo determinar a importância de certas gravações neste tipo de música, pois a criatividade numa direção mais livre de rótulos é graças à Deus, abundante.
Archie Shepp & Philly Joe Jones foi gravado em Paris em 1969. A França foi praticamente um exílio para o chamado free jazz, gravações históricas ocorreram por lá. Em especial esta gravação onde Shepp e Jones dividem o título do disco, temos um grande grupo composto por Antony Braxton: alto, soprano saxophones, Chicago Beau: vocal, soprano saxophone, gaita, Julio Finn: gaita, Leroy Jenkins: violin e Earl Freeman: baixo.
Primeiro gostaria de destacar a presença de Philly Joe Jones, consagrado baterista desde a era do chamado hardbop, que não permaneceu alheio às inovações do jazz e participou ativamente, inclusive participando da Arkestra de Sun Ra.
Agora vamos trazer à luz do reconhecimento um nome muito importante nesta gravação: Julio Finn (Augustus Arnold). Além de ser gaitista, é um bluesman compositor, escritor, produtor de documentários. Nasceu em Chicago oruindo de uma família de educadores e músicos. Seu currículo musical é vasto, tendo tocado com Linton Kwesi Johnson, Muddy Waters, Eddie C. Campbell, Dennis Bovell, Art Ensemble of Chicago, Jeanne Lee, Dan-I, Alpha Blondy, Matumbi, Guardian Angel, Brigitte Fontaine, Sterling Plump, Donald Kinsey, U-Roy, Barry Ford, Scritti Politti, Errol Dunkley, e seu prório grupo, The Julio Finn Blues Band.
A segunda composição desta gravação é de autoria de Julio Finn, Howling In The Silence, sub-dividida em duas partes.
E finalmente, mais uma vez Chicago Beau (Lincoln T. Beauchamp Jr.), contribui com sua arte e talento no grupo de Shepp com a composição The Lowlands, a primeira do disco.
Infelizmente não consegui dados mais expressivos sobre Chicago Beau e seu conterrâneo Julio Finn, até na wikipedia só haviam textos em dinamarquês.
Sim, definitivamente não seria justo fazer qualquer comentário sobre a música registrada nesta gravação, não haveria palavras realmente precisas para descrever. O único comentário é no quesito técnico, talvez não houvesse boas condições de captação de todos os instrumentos e há uma dificuldade considerável para se poder escutar os instrumentos com menor alcance.
E como de costume, nos comentários. Bem que o disco poderia ter pelo menos o subtítulo de Chicago & Finn.

sexta-feira, março 04, 2016

Artesanal é? Sei...

Cada povo tem o rei que merece, já dizia a frase popular. O Brasil é um país de dimensões continentais com problemas na mesma proporção e um dos seus inúmeros, é uma educação extremamente deficiente que gera uma cultura problemática, e um de seus efeitos colaterais, é a superficialidade. Mas o que isso tem haver com o artesanato?
Vamos lá. Esse problema com a superficialidade é que a estética ou aparência se torna mais importante que o conteúdo e não me refiro á respeito de teorias complicadas sobre isso, mas num conceito simples e prático. Qualquer salgadinho industrializado de baixo valor disponível em supermercados se encontra os tais sabores com ervas finas, azeite com não sei o que, etc. Colocam uma mistura química qualquer que tenta emular o sabor e muitas destas substâncias sequer possuem o elemento que tentam reproduzir. Mas isso é apenas um exemplo e não é esse o foco do texto.
O bairro em que nasci se tornou um local enfadonho, um refúgio para a classe média que busca alguma sofisticação em serviços. Até uma simples compra no mercado se torna um "evento", lugar de gente feliz...
Triplicaram os estabelecimentos que servem refeições sob o temido rótulo "gourmet". E lá vamos nós recorrer ao significado das palavras:
Gourmet: Personne qui goûte la bonne cuisine en connaisseur. Ou seja, pessoa que aprecia a boa cozinha, que tem um conhecimento avançado em culinária e tem um paladar refinado apto para degustar pratos não convencionais. Daí o chef tem que fazer adaptações porquê o paladar brasileiro não está habituado a certos tipos de ingredientes... Aí o sujeito se enche de soberba porque foi à um bristrô mas ficou com nojinho do steak tartare...wtf!
Mas o que o artesanal tem haver com isso? Então, esses tipos de estabelecimento usam como atrativo o rótulo de artesanal. Tudo é artesanal e caro.
Novamente vamos ao significado das palavras:
Artesanato é essencialmente o próprio trabalho manual ou produção de um artesão (de artesão + ato). Mas com a mecanização da indústria o artesão é identificado como aquele que produz objetos pertencentes à chamada cultura popular.
O artesanato é tradicionalmente a produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possui os meios de produção (sendo o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalha com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja, não havendo divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante ou aprendiz.
Daí o espertalhão proprietário do restaurante contrata desconhecidos para trabalharem no seu estabelecimento e não são a maioria que está contente com sua remuneração por mão de obra, que se assemelha a uma linha de montagem.
Pronto, jé é a permissão para se cobrar muito caro pelo produto e serviço ofertado. E isso sem contar com a possibilidade do estabelecimento usar matéria prima industrializada para confeccionar seu produto artesanal (isso no caso de um restaurante que poderia usar um ingrediente que poderia ser confeccionado de forma verdadeiramente artesanal).
Mas quem se importa? Vivemos esta cultura da superficialidade, das aparências e se paga caro por isso. E no mais, este é apenas um texto qualquer de internet. We're just a minor threat.

"Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?" - Eclesiastes 7:16

sábado, fevereiro 20, 2016

Feed Your Head - Live at W.N.C. (1989)

Como tinha mencionado na última publicação sobre o Feed Your Head, aqui temos mais um registro desta banda que fez parte do cenário punk em Manchester UK.
É um registro de uma apresentação de 1989, provavelmente antes da gravação do segundo LP, o Missing Sound Of Laughter (também publicado aqui), devido ao repertório executado não incluir nenhuma música do segundo disco. No mesmo dia se apresentaram Oi Polloi, Maaseudun Tulevaisuus e o local foi o W.N.C. squat, em Groningen, Netherlands (Holanda), é possível que o squat não exista mais, sendo squat é uma ocupação de um imóvel sem uso.
Bem, o registro não tem muita qualidade, mas é preciso relevar que é um show em um squat. Nos comentários.
* A capa foi feita pelo Sonorica, a gravação não foi lançada em cd ou outro formato, a não ser mp3.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Max Roach ‎- Chattahoochee Red (1981)

Logo após duas postagens abordando assuntos que geram conflito, justamente por estarmos numa época incoerentemente mais intolerante, faço uma pausa e este espaço prossegue trazendo a lembrança de um grande ser humano, Max Roach. Sim, ele se foi em 2007, mas a sua arte vive até hoje, desde o início dos anos 40 do séc.XX, até hoje...
Providencialmente e coincidentemente (Deus sabe disso), escolhi relembrar esta sessão gravada em 1981, onde se iniciava a colaboração entre músicos que duraria mais de 20 anos. Mas porque providencialmente? Chattahoochee Red abre com a faixa The Dream/It's Time, um solo de Max Roach intercalado com a gravação do discurso de Martin Luther King, originalmente conhecido com o título de "I Have A Dream". Max Roach, como muitos já sabem, não foi apenas um baterista de jazz. Além de compositor, era um cidadão consciente dos direitos civis e sua música em muitos momentos refletia isso. Logo em seguida é executada It's Time, um clássico entre as composições de Max. Temos uma releitura de Lonesome Lover, originalmente gravada com a voz de Abbey Lincoln e coral, assim como It's Time. Também 'Round Midnight e Giant Steps são revisitadas de modo especial. Destaque para o solo final de Six Bits Blues, onde Bridgewater apenas usa o bocal do trompete. Como sempre não é necessário muitas palavras ou até nenhuma se faça necessária para descrever a música de Max Roach. Nos comentários como de costume. Sempre é uma boa ocasião para celebrar com música, e também refletir sobre os dias de hoje. Eu tenho um sonho...

sábado, fevereiro 06, 2016

Freedom of Speech... Just Watch What You Say! (Esta postagem não se trata de discos)

Uma questão de opinião. Antes, apenas gostaria de lembrar que a capa de disco ao lado é o 3º disco do Ice-T, de 1989 e contém a música The Girl Tried To Kill Me com a participação de Ernie C, guitarrista do futuro Body Count, três anos depois. Abaixo a compilação de uma das melhores bandas inglesas de hardcore/punk, o Heresy. Apenas vou usar os títulos como uma ilustração sobre o assunto opinião.
"Liberdade de expressão... apenas observe o que você diz!".
"Expressar sua opinião". Heresia: Do latim haerĕsis, e do grego (αἵρεσις): "escolha" ou "opção". É a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha(m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo. A palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros.
Atualmente o cenário político/econômico brasileiro se agravou muito nos últimos anos e o facebook tem sido usado com mais frequência para a manifestação das opiniões das pessoas. Até aí tudo bem, "voice your opinion" e "freedom of speech"... Just Watch What You Say!
O facebook tem sido palco principal do afloramento de sentimentos terríveis do ser humano, como ódio, intolerância, ignorância, etc. Dificilmente uma exposição de uma simples opinião não se torna uma briga virtual. O debate dificilmente consegue se concluir sem ofensas. As pessoas não querem ser contrariadas, apenas querem que você simplesmente concorde com a opinião que elas publicam na timeline do perfil de seus facebook's. Quando se publica algo lá, tem uma opção que possibilita escolher para quem estará disponível para ver, ler, ouvir e...comentar. Assim também quem publica tem a escolha e o direito de apagar algo que não lhe agrade termos de comentários. Eu particularmente uso quando necessário essas opção de subtrair algo que não concordo ou não gosto, tanto em comentários em minhas publicações, assim como faço uso de outra opção que o facebook oferece: Ocultar ou não visualizar mais as publicações que não há interesse ou até ofendem, sem a necessidade de retirar alguma pessoa do perfil do facebook. Sim! As pessoas erram, cometem excessos, é a natureza do ser humano. Ainda bem que há essa opção, pois continuo a gostar das pessoas, não quero excluí-las apenas por terem opiniões diferentes ou contrárias às minhas. Também não tenho o menor interesse em convencê-las a mudarem de opinião para que concordem comigo. Elas tem o direito de serem livres e se não se importam se vão ofender alguém, aí é com elas.
Mas aí também é que está um grande problema. Só elas "podem" fazer isso. Quando alguém rebate à altura do que elas fazem, elas não toleram, ficam irritadas, agressivas, ofensivas. Elas não querem ser contrariadas e não aceitam que haja opinião contrária e sempre tem que ofender quem é contrário.
Se alguém rebate algo que você publicou, pode até debater o assunto de forma coerente, sem ofensas ou simplesmente ignorar. Sim! Por que perder tempo com alguém que provavelmente não vai mudar de opinião? A não ser que goste de brigar, ofender, ficar irritado, etc...
Por ser tudo virtual, as pessoas geralmente tomam coragem de afirmar coisas que pessoalmente não falariam ou fariam. E também gera muitos enganos e interpretações erradas sobre o que a pessoa está falando ou exibindo online. Veja o caso dos "likes" do facebook, há pessoas que se ofendem por você não dar o seu "like" no post dela. Imagine que você tenha pelo menos uma centena de amigos em sua rede e todos sempre publicando diversos posts diariamente. Às vezes escapa algo e você não viu, pois a timeline vai rolando, não é mesmo?
Outro dia vi a postagem de uma pessoa ofendendo pessoas que não concordavam com sua opinião e nem era sobre sua postagem e sim sobre um assunto. Digo que esta primeira se tornou igual às que ela reclamava, baixou o nível da mesma forma.
O tragicômico disso tudo, é que esse tipo de comportamento tem partido de pessoas que possuem um grau de instrução acima da média da população brasileira, além de serem pessoas que se consideram libertárias, até de esquerda, que combatem ferozmente a ditadura, imperialismo, capitalismo selvagem, moralismo, etc e etc. E no fim das contas elas agem como os líderes que deturparam o idealismo libertário, acabam agindo ideologicamente como Stalin, Mao Tse Tung, etc.
Enfim, este texto é apenas uma reflexão de uma opinião estritamente particular minha, sem valor algum para a sociedade, não tem nenhum propósito para debates, seria inútil, não estou querendo convencer ninguém a pensar igual ou até parecido, é apenas realmente para reflexão, para auto avaliação, para quem quiser refletir. No mais, fique apenas nos "likes" ;)

domingo, janeiro 24, 2016

Barrados no baile (do copyright)

Tudo começou quando publiquei uma matéria à respeito de um lançamento de gravações do Joy Division nunca editadas. Resolvi divulgar, pois aqui no Brasil seria praticamente inviável ter acesso. Logo em seguida recebi uma notificação ameaçadora de processo e minha conta no mediafire foi bloqueada. Notei que algumas pessoas visualizaram postagens que o link pertencia ao mediafire. Caso não tenham outras fontes, é só escrever um comentário nos respectivos posts e podemos disponibilizar um novo link. Lembrando que o Sonorica não lucra com isso, é apenas uma fonte de informação, principalmente para pessoas que não acesso. Obrigado pela atenção.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

The return of living dead...(oh não! De novo esse assunto sobre a volta do vinil? O que, k7 também?!)

Pois é, e lá vamos nós novamente falar sobre o tal do disco de vinil. Como tenho percebido que nos últimos anos o simples fato de expor uma opinião gera um tipo de atrito que ultrapassa as fronteiras do bom senso, beirando à um conflito de fanatismo religioso, já aviso que tenho 3 estantes lotadas de discos de vinil, gosto deste formato e ainda em tempo, este texto é apenas uma opinião particular de minha parte a qual tem pouca importância para minha vida. Também ainda tenho centenas de fitas k7. Só me adaptei aos novos tempos, então tenho mais de 1000 Compact Discs e cerca de 500GB de arquivos em mp3 em compressão 320kbps, FLAC, WAV.
Se sou contra a volta do vinil e do k7? Efetivamente não ligo no sentido de apoiar, mas o tipo de comportamento que esse "revival" tem causado, me inclina à desaprovar esse retorno dos mortos vivos.
1º impacto negativo: Inflação do mercado.
O que era um moribundo no meio dos anos 90 se tornou um vilão como Jason Voorhees, Michael Myers ou Freddy Krueger, ressurgido das trevas. OK, sempre houveram discos caros, principalmente os importados ou as edições nacionais fora de prensagem, mas as prensagens nacionais em catálogo, que sobravam aos montes em sebos, que eram vendidas em lojas de departamento junto aos eletrodomésticos (hoje em dia seria um Walmart, Carrefour, Lojas Americanas, etc), vendidos de centavos à poucos R$, hoje em dia, são vendidos por pelo menos R$30,00 e detalhe, sem estar em boas condições de conservação;
2º impacto negativo: Fetiche consumista.
Definitivamente nada contra o fetiche do vinil, desde que isso não ultrapasse o bom senso. Até que ponto ter um LP é tão importante? "Mas a arte da capa, o encarte, o selo, pegar no disco, a experiência sensorial do tato, etc..." Tudo bem, OK, cada um com sua preferência, mas a que preço? Fora que muitos nem escutam os discos, é apenas um troféu à ser exibido em seus círculos sociais.
Ainda existe a fatídica questão da tal qualidade superior de áudio do vinil para os formatos digitais. Não vou entrar nesta questão por ser extremamente exaustiva e seria uma perda de tempo, pois quem defende essa tal qualidade superior, se apoia em uma fé cega (ou seria surda?).
Enfim, a música acaba se tornando um fator secundário no mínimo quando entram estas questões.
3 º impacto negativo: Elitismo
Isso está diretamente vinculado ao 1º e 2º fator acima. Quem é que tem pelo menos R$70,00 para comprar um disco? Geralmente as reedições custam mais de R$100,00, sendo que teriam de ser mais em conta, pois não houve custo adicional na produção musical, ou seja, o artista não gastou horas de estúdio e outras despesas, como matriz, arte de capa, etc.
Cai entre nós, vivemos em um país miserável, onde o salário mínimo é de R$880,00 (vigorando desde 01/01/2016). Faça as contas, levando em consideração que a maioria da população (vamos centralizar na capital paulistana) no máximo (no máximo mesmo) ganha até 6 salários mínimos e dessa porção, a esmagadora maioria não ultrapassa os R$2.500,00 por mês. No quesito moradia, no mínimo R$1.000,00 em despesas, sem contar com a alimentação, vestuário, saúde. Então, pobres, lamentamos que esteja fora desta fatia de mercado de consumo exclusivo. Pelo menos não tem o mesmo impacto negativo dos smartphones, mas...
4º impacto negativo: Impacto ambiental
Ah não, lá vem o discurso ativista ecológico greenpeace ou até black block, petista, hippie, esquerdista ou que seja...
Alô, tem alguém em casa? Já não é notório o impacto ambiental negativo causado pela indústria de consumo? Mas o que é agora, vai colocar a culpa do vinil pelo aquecimento global? Bem, se utilizarmos o bom senso, deixando de lado opiniões estritamente pessoais, basta somar 1+1.
Qual a matéria prima do disco de vinil? PVC.
*Polivinil cloreto, comumente conhecido como "PVC" ou "vinil" é um dos materiais sintéticos mais comuns, o PVC é uma resina versátil e aparece em centenas de diferentes formulações e configurações. Acima de 7 milhões de toneladas de PVC são atualmente produzidos por ano nos EUA. Mas fique tranquilo, Aproximadamente 75% de todo ele manufaturado é usado em materiais de construção.
PVC: O maior desastre ambiental sobre a saúde.
Ele é o pior plástico sob a perspectiva da saúde ambiental, colocando maiores prejuízos quando de sua fabricação, sobre tempo e vida dos produtos feitos com ele e por fim quando é jogado fora.
Subprodutos tóxicos de sua fabricação.
Dioxina (o mais potente carcinogênico conhecido), dicloroeteno (ou sua antiga denominação: etileno dicloreto) e cloreto de vinil são involuntariamente gerados na produção de PVC e podem causar severos problemas de saúde, como:
Câncer;
Disruptor endócrino;
Endometriose;
Danos neurológicos;
Defeito de nascimento e comprometimento no desenvolvimento infantil; e
Danos nos sistemas reprodutivo e imunológico.
Nos EUA, o PVC é fabricado predominantemente próximos de comunidades de baixa renda no Texas e na Louisiana. O impacto tóxico da poluição em três destas fábricas nestas comunidades tem feito delas o foco do movimento de justiça ambiental.
Impacto global:
O impacto da dioxina não para aí. Como um poluente bioacumulativo tóxico (PBT), não se decompõe rapidamente e viaja através do planeta, acumulando-se nos tecidos gordurosos e concentrando-se assim que vai subindo na cadeia alimentar. Dioxinas da fábrica de Louisiana migram pelos ventos e se concentra nos peixes dos Grandes Lagos. Elas são mesmo encontradas em perigosas concentrações nos tecidos da baleias, dos ursos polares e, finalmente, no leite materno do povo esquimó Inuit. A exposição média de dioxina dos norte-americanos já alcança risco calculado de câncer tão grande quanto 1 para 1.000 – milhares de vezes maior dos que o padrão usual para um risco aceitável. Mais dramáticas são as concentrações de dioxina no leite materno a um ponto que os bebês agora recebem altas doses, em ordem de magnitude maior do que as médias dos adultos.  
Risco dos terroristas:
O relatório de 2002, encomendado pela Força Aérea dos EUA para a Rand Corporation, onde identifica o armazenamento de gás cloro e meios de transporte como maiores alvos químicos para ataques terroristas, citando exemplos de uma série de ameaças e ataques já realizados em todo o mundo. O cloro usado como principal matéria-prima para na fabricação de PVC e o seu transporte através de comboios para abastecimento destas fábricas, torna toda esta cadeia do processo altamente vulnerável. Um simples ataque terrorista poderia liberar uma nuvem tóxica que se espalharia por quilômetros, colocando milhões de vidas em um perigo potencial.
A melhor segurança é optarmos por materiais seguros que não necessitem cloro. A produção de PVC é o maior consumidor específico de cloro e assim reduzir seu uso, representa o maior passo que poderemos dar para reduzirmos o risco de desastres com este elemento químico, acidental ou intencionalmente.
Aditivos letais:
O PVC é inútil sem não houver a adição de uma infinidade de estabilizadores tóxicos – como o chumbo, cádmio e estanho – e dos plastificantes ftalatos. Eles lixiviam ou volatilizam do PVC todo o tempo aumentando os riscos que incluem asma, envenenamento por chumbo e câncer.
Incêndio mortamente perigoso:
O PVC representa um grande risco nos incêndios de prédios, já que ele libera gases mortais por largo tempo depois que ele inflama, assim como o cloreto de hidrogênio se transforma em ácido clorídrico quando inalado.  Enquanto ele queima, tanto acidentalmente ou na incineração de lixo, vai liberando dioxinas cada vez mais tóxicas. O PVC queimado em aterros de lixo pode ser agora a maior fonte de dioxinas liberadas no ambiente.
Não pode ser facilmente reciclado:
A multitude de aditivos requeridos para fazer o PVC utilizável, torna a reciclagem pós-consumo, em grande escala, quase impossível para a maioria dos produtos, interferindo na reciclagem de outros plásticos. De um estimado de 3,5 milhões de toneladas de PVC são jogadas fora nos EUA, e apenas 7 mil - menos da metade de 1% - é reciclada. A Association of Post Consumer Plastics Recyclers (nt.: Associação de Recicladores de Plásticos Pós-Consumo) declarou que os esforços para reciclar o PVC são falhos e classificou-o, em 1998, como um contaminante.
* fonte: https://www.healthybuilding.net/
Mas que importância isso tem, não é? O que é utilizado na produção de discos de vinil talvez não chegue a 1%. E a produção de celulose para as capas, selos, encartes? Também terá um aumento na produção de porcentagem mínima em relação à produção total.
Para quem entende um pouco de mercado financeiro, sabe o quanto faz de diferença a porcentagem de 0,1% em diversas situações. Levando em consideração que mesmo a matéria prima produzida de forma sintética não brota do nada e depende de recursos naturais que não são infinitos, esta insignificante porcentagem pode fazer uma diferença considerável à longo prazo.
Mas quem se importa? Essas novas gerações nem ligam pra disco de vinil, só fazem download de mp3, eles que se virem com o meio ambiente no futuro...

sábado, janeiro 09, 2016

Hard As Hell! vol. 4 Hardcore Street Rap Innovation - V/A (1990)

Esta é a última compilação sob o título de Hard As Hell pela Music Of Life, produzida por Simon Harris. Temos novamente a participação de M.C. Duke, Hijack e Daddy Freddy, que estavam na edição anterior.
The 3 Knights foi um grupo que durou poucos anos, entre o final doas anos 80 e início dos 90, era formado por Andrew R. Ward, que depois formou o Katch 22, Shaka Shazam, que também fez parte do Standing Ovation, Hijack e The Icepick, que participou do B.R.O.T.H.E.R. e Body Snatchers.
L.S. Troopers, formado por DJ Crime, DJ Woodhouse, MC Flame e MC Tech 1, também teve praticamente a mesma duração que o The 3 Knights.
Hardnoise iniciou como um sound system com DJ Son, DJ Nyce 'D' e T.L.P.1 e posteriormente fizeram parte DJ AJ, Gemini e Adam Pancho (DJ Mada).
First Frontal Assault foi um trio de Birmingham. Lançaram os singles Bloodfire Assault (1991) e Atomic Air Raid (1992) e se separaram logo em seguida por diferenças musicais.
Sobre Monte Luv & DJ Rob, não consegui maiores informações, apenas mais uma participação com a mesma música do HAH 4 do único single Silk Smooth em 1990 pela Music Of Life.
Militant Posture apenas lançou o single Dawn Of Terror pela Pure Destructive Records, também sem mais informações.
Leslie Lyrics (Dr. William Henry), nasceu em Lewisham, sudeste de London, proprietário do selo Ghetto-tone, poeta, escritor, faz parte do departamento de sociologia da Goldsmiths universidade de London.
Finalmente Professor Griff é o mais conhecido ou melhor, o único mundialmente conhecido por ter feito parte do Public Enemy. Todos os links levam à uma amostra da música de cada um e como de costume, nos comentários.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Feed Your Head ‎- The Missing Sound Of Laughter (1989)

The Missing Sound Of Laughter foi o segundo LP do Feed Your Head, lançado pelo selo da banda, Crucial Climate, em 1989. Aos poucos, graças à internet, mais material do FYH vem surgindo, algumas gravações de shows e compactos, e claro, o Sonorica publicará o material disponível, afinal o Feed Your Head é um dos prediletos da casa. Nos comentários. Assim encerrando o ano de 2015 com uma das bandas mais criativas do punk rock que surgiu nos anos 80.

Def Beats vol 1 (1987)

O ano de 2015 finalizando. Esta é uma das últimas publicações do Sonorica, encerrando um ótimo ano, com a graça de Deus! Espero continuar o próximo ano divulgando música de qualidade por aqui, principalmente aquele tipo de música que não tem espaço nos grandes meios de comunicação. Agradeço à todos os que visitaram este pequeno espaço virtual e espero que tenha sido útil como mais uma fonte de informação.
A chamada primeira onda do hip-hop britânico ocorreu na metade dos anos 80, enquanto nos E.U.A. a nova geração ou segunda geração foi chamada de hardcore hip-hop, liderada por grupos como Boogie Down Productions, Public Enemy, Ice T, Run DMC, LL Cool J, etc. O hip-hop ficou mais agressivo, lembrando as origens do rhythm and poetry dos pioneiros The Last Poets, The Watts Profhets e Gil Scott-Heron. Então o produtor Simon Harris lançou o Def Beats 1 em 1987, com o sugestivo sub-título "Hardcore Hip-Hop Fresh Out Of New York". Um sampler do cenário hip-hop britânico tendo como principal nome, Derek Boland, ou simplesmente Derek B.
Mais três compilações do hip-hop produzido na Inglaterra foram lançados pelo selo Music For Life sob o título de Hard As Hell! Em breve o Sonorica publicará o volume 4 da série e assim que possível, alguns registros de títulos individuais do pioneiro cenário britânico de hip-hop. Afinal não é só de rock e seus derivados que se faz música na Inglaterra. Nos comentários.
Que todos tenham uma ótima trilha musical para o ano de 2016!

sábado, dezembro 19, 2015

Hard As Hell! 2/3 - V/A (1988)



E o ano de 2015 indo embora... Um ano cheio de mudanças e há ainda mais por vir! A minha nova fase proletário me privou de muitas atividades, inclusive poder me dedicar melhor ao Sonorica. Mas enfim, vamos seguir em frente se assim Deus quiser! Digamos que o título da compilação do hip-hop underground britânico vem bem a calhar por conta dos eventos que ocorrem atualmente.
Esta é a segunda compilação do cenário hip-hop britânico produzida por Simon Harris sob o nome de Hard As Hell!. Na verdade é a terceira, pois a compilação Def Beats 1 de 1987 é contada na cronologia do selo Music Of Life Records e a versão internacional Profile não conta, por isso as duas versões. Na primeira versão em LP foi lançada com 9 faixas e a versão em CD com 2 faixas bonus: I Don't Cary Anymore (M.C. Duke) e Rougher Than Animal (The Demon Boyz feat. Brian B, Stevie Gee). Posteriormente uma nova versão com 4 faixas bonus, incluindo: Don't Stop Do It (D.J. Daddy) e Kinda Cool In The Place (Thrashpack).
Os inéditos são D.J. Daddy, She Rockers e Hijack. Infelizmente não encontrei dados à respeito dos artistas. Nos comentários, the tables still turning!
* Pra facilitar, aqui vai o link refeito da publicação sobre o Hard As Hell! Lesson 2 ou vol. 1:
http://sonorica.blogspot.com.br/2011/12/hard-as-hell-raps-next-generation-va.html

sábado, outubro 10, 2015

Max Roach Double Quartet ‎- Bright Moments (1987)

Dando sequência à homenagem ao meu mestre dos pratos e tambores, sempre relembrando e celebrando sua música que em breve, se o mundo não se acabar com a loucura humana, completará 1 século de existência. Bright Moments é o terceiro registro do quarteto de Max Roach formado por Odean Pope, Cecil Bridgewater e Tyrone Brown ao lado do Uptown Quartet formado por: Diane Monroe (violino), Lesa Terry (violin), Maxine Roach (viola) e Zela Terry (cello).
Lembrando que Bright Moments foi composta por Roland Kirk e há também o clássico de Randy Weston, Hi Fly. Momentos brilhantes nos comentários

sábado, setembro 26, 2015

Max Roach Double Quartet ‎– Easy Winners (1985)

O quarteto que Max Roach desenvolveu um trabalho por décadas antes de sua despedida, se uniu ao quarteto de cordas no qual sua filha Maxine faz parte está registrado também em Easy Winners, de 1985. Bem, não há realmente nada mais o que dizer sobre Max e sua obra musical, seria uma repetição inútil do que a maioria das pessoas interessadas em música já sabem. Então a música continua falando por si só e este é um momento para relembrar este grande artista que contribuiu para uma grande mudança na música, sim, não só para o que se convencionou a ser chamado de jazz, ou música afro americana, mas simplesmente música. Atualmente retornou-se aos rudimentos das antigas discussões étnicas que sempre geram um saldo bem negativo, o qual realmente não quero jamais de nenhuma forma contribuir. Lembro-me sempre de uma entrevista em que perguntaram à Max Roach se ele escutava jazz, sobre novos bateristas de jazz, etc e ele apenas respondeu que não ouvia jazz, mas simplesmente música...
E como eu disse antes, não me recordo se registrei aqui mesmo no Sonorica, mas na dúvida novamente digo que as discussões sobre música, gêneros musicais, etc e etc são um enfado do espírito, uma satisfação de vaidades do intelecto humano que não tem nenhum proveito edificante.
Então minha sugestão é apenas deixar a música falar ao nosso coração.
Nos comentários, sem necessidade de qualquer palavra...

sábado, agosto 22, 2015

Jazz Na Fábrica... Como somos provincianos!

Início da noite de 16 de Agosto de 2015. Fazia um tempo consideravelmente longo que não prestigiava uma apresentação musical deste gênero e nestas circunstâncias. Ah, os festivais internacionais de jazz em São Paulo... Os mais notórios tinham nome de empresas e produtos que causam grandes males à saúde e de um certo modo, à humanidade. Ainda existe um ou outro festival com essa estratégia de marketing, vendendo um produto para um público alvo classificado como sofisticado.
O SESC à seu modo, tenta incluir o grande público em nichos da arte que naturalmente são segregados por motivos sócio-econômicos que obviamente refletem culturalmente, afinal, quase todo mundo sabe que cultura não é só entretenimento, arte, museus, etc e etc. Então o festival Jazz Na Fábrica chega ser um dever cívico desta instituição do setor privado.
Os festivais anteriores até tentaram "ousar" nas atrações, mas ao longo dos anos, por questões mercadológicas, essa ousadia praticamente definhou. Por que? Essa questão de mercado é mais importante do que a tal da cultura obviamente. Status não aumenta o saldo do caixa. Imagine uma programação apenas com Peter Brötzmann, Roscoe Mitchell, Ken Vandermark, Mats Gustafsson, Evan Parker. Haveria público para preencher um espaço de um ginásio de esportes?
Os festivais de jazz patrocinados por grandes empresas sempre tiveram esse foco insólito de público "A", mas também suponho que a maioria sabe que a opulência nunca garantiu um refinamento e alto nível cultural, ainda mais no Brasil, onde foi adotada uma modalidade do sistema capitalista em sua forma mais agressiva. Isso vem desde os primórdios, pois também a esta altura do campeonato quase todos sabem que categoria de cidadãos oriundos da península ibérica vieram parar nestas terras "selvagens" para dominar (coxa de frango no bolso).
Bem, vamos ao assunto em questão, isto foi apenas um breve rascunho introdutório como base.
Por um lado que o SESC foi criado para atender culturalmente o proletariado do setor de comércio, seja com arte, esporte e lazer, isso de maneira alguma resultou em uma estrutura de 2ª categoria, visto que existe um pensamento elitista e abominável de que o dito "povão" não precisa de coisas de qualidade superior, qualquer banqueta de "prástico" já está de bom tamanho (?!).
Em alguns termos relativos, sim, infelizmente chega a ser verdade, mas isso foi condicionado à população de baixo poder aquisitivo. Pergunte à um pobre se ele gosta de morar num barraco na favela. Pois é...
Mas o SESC sempre proporcionou uma estrutura de alta qualidade e à muito tempo, tanto que me lembro quando meu pai trabalhava no setor comerciário e na minha infância desfrutávamos desta estrutura de ótima qualidade.
Hoje em dia, a maioria dos artistas que não fazem parte do varejão do entretenimento, almejam ser "assalariados" desta instituição, que lhes proporciona uma estrutura quase irrepreensível, que garante até um mínimo de público que por seus próprios meios não o teriam.
Só que da mesma forma que aconteceu com a USP, a burguesia "esperrrta" colocou suas garras no SESC. Tá, mas a instituição não é do setor privado do comércio? Sim, mas o intuito era fomentar a demanda de cultura e lazer do proletariado, assim como a USP para o ensino superior.
Quanto mais se tem, mais se quer. Por outro lado também há a situação de alguns pobres que continuam pobres, pois querem compartilhar.
Eu particularmente tive esta experiência inúmeras vezes. As pessoas que conheci  que eram de maior poder aquisitivo, eram as mais individualistas e egoístas, no estilo cada um no seu quadrado, cada um paga o seu, mas se oferecerem, aceitam sem necessidade, porque é de graça.
Com o tempo o público que frequenta o SESC foi mudando, só não foi dominado pela burguesia pois o comerciário ainda tem seu espaço resguardado, se não, a instituição deturparia completamente seu fundamento.
Nossa, e o que tudo isso que estou falando tem haver com o Jazz Na Fábrica afinal de contas? Tudo bem, vamos direto ao assunto de fato, sem rodeios.
Eu optei objetivamente por prestigiar o quarteto do multi-instrumentista William Parker que acompanho à mais de dez anos. Assim como os trabalhos paralelos do percussionista Hamid Drake. Era uma oportunidade única, além de poder comprar o ingresso por 1/3 do preço em relação ao público não comerciário. Isso proporcionou comprar mais 2 ingressos para meus amigos também poderem prestigiar. 
*Não vou comentar nada sobre a apresentação, minhas palavras poderiam empobrecer o que ocorreu em forma musical, quem ouviu pôde sentir. Seria totalmente descartável falar à respeito ou até vaidade tentar descrever.
Antes da apresentação dar início, o público adentrava no teatro do SESC Fábrica Pompéia aos poucos e atrás de mim estavam um pequeno grupo de jovens adultos, de nível universitário de instrução, girando em torno dos 20 e poucos anos de idade. Então chegaram algumas senhoras da chamada 3ª idade no recinto. Então umas das mulheres que estava no grupo disse:
"Ah, velha não! Esse povo que não entende nada de música! Esses comerciários, etc e etc..."
Naquele momento me vieram dois tipos distintos de sentimento. Tristeza e raiva. Me abateu o espírito aquela afirmação inflada de perversidade.
Mas graças a crença classificada como ignorância por grande parte das pessoas ditas mais instruídas e cultas desta sociedade, que é a minha crença em Deus, contive minha raiva para não entristecer esta "entidade imaginária".
De forma premeditada ficou por um fio de cabelo eu me virar para eles e dizer:
"Eu sou comerciário, algum problema? Depois a gente troca ideia lá fora, certo?"
Rapidamente a minha indignação e raiva deu lugar à uma angústia em minha alma, quase uma dor causada por aquelas palavras impiedosas. Depois deu pena, por estas pessoas estarem num lodo sujo de valores distorcidos, não enxergando um palmo à frente dos olhos.
Mesmo que algumas destas pessoas da terceira idade que se retiraram um pouco depois da metade do espetáculo, outras tantas permaneceram até o encerramento. 
Não foi por acaso uma oportunidade para as reles pessoas do setor comerciário terem a chance de conhecer algo novo, algo de qualidade?
Será mesmo que não houve a menor possibilidade de alguém que "não entende nada de música" ter passado a entender um pouquinho que seja agora?
Me perdoem, eu teria outras questões para abordar sobre este fato, mas isso já foi o suficiente para de certa forma consolar meu coração. Por essas e outras que chego a abrir mão de um prazer de ir à certos eventos por conta destas situações que quase sempre acontecem. Sim, posso abrir mão de ver e ouvir um grande artista por conta de um ambiente hostil, sem arrependimentos.
E só para registrar, o grupo arrogante deixou o recinto durante a apresentação...




domingo, agosto 02, 2015

Max Roach - Live at the Funkhaus Hamburg (1984)

O tempo passa muito rápido, entramos no mês de Agosto e já são 2/3 do ano de 2015. Então sem perder mais um segundo sequer, não podia deixar passar este momento registrado em 1984, onde aconteceu um encontro muito especial, o quarteto que Max Roach desenvolveu um grandioso trabalho por décadas, num formato robusto, contou com a presença de Sam Rivers. Sim! Ele mesmo, graças à ele e sua esposa, Bea, tiveram papel fundamental na sobrevivência da música desbravadora que enfrentou muitas dificuldades nos anos 70. Estou falando do Studio Rivbea que praticamente era um refúgio para a música que destoava do grande mercado de consumo.
Não há a menor necessidade de usar este pequeno espaço para falar à respeito de Max Roach, Sam Rivers, Rivbea, há muita informação disponível por aí com extrema facilidade de acesso, não se limite aos primeiros links no resultado de busca, há um mundo de informação disponível, mas sempre verificando as fontes de dados. Nesta gravação captada por transmissão FM, o quinteto revisita o clássico tema Now's The Time, eternizado por Charlie Parker e aqui com a presença da flauta de Rivers. Outra surpresa é a releitura de Giant Steps, numa versão audaciosa. Bem, já falei demais, se passar disso pecarei em não ter palavras precisas para descrever o que aconteceu no dia 19 de Janeiro de 1984. Nos comentários, como de costume. Ah, sobre Max Roach? Nada a declarar, apenas que foi um dos responsáveis em uma grande mudança na música do séc. XX e no instrumento musical chamado bateria.

sábado, junho 13, 2015

Dannie Richmond Quartet ‎- Ode To Mingus (1979)

É óbvio que não seria qualquer baterista que poderia acompanhar os passos de Charles Mingus. O contra-baixista que se tornou um grande compositor é um dos mais famosos personagens do que se chama jazz. Há muitas histórias, estórias sobre ele, mitificação, etc. Inclusive percebi que há uma idolatria superficial sobre Mingus, assim como Dizzy, Monk, Miles, Coltrane, Bird, enfim, artistas que se tornaram ícones de coisas que chegam a não ter quase nenhuma relação com a música de fato. Não é todo mundo que menciona esses nomes, que realmente conhecem substancialmente a obra destes músicos. Nomes que se transformam em moeda de câmbio em círculos sociais, para causar uma "boa impressão", para ser incluído num seleto nicho, conquistar um status...
Mas mudando de assunto, Dannie Richmond não foi um inovador de destaque, como por exemplo um dos parceiros anteriores de Mingus, Max Roach, que inclusive fundaram um selo (Debut recs.), também com a esposa de Mingus, Celia, para lançar seus trabalhos e de outros grandes músicos do jazz. Mas isso de forma alguma denigre o talento de Richmond. Eu em minha opinião em particular, vejo (ouço) em Dannie uma grande influência de Max, mas é claro, com personalidade. Enfim, Richmond foi o grande parceiro de Mingus e muito mais importante do que isso, um amigo. Quase um ano após o falecimento de Mingus, creio que tenha sido o tempo necessário para registrar uma homenagem póstuma que certamente deixaria o exigente amigo feliz. Contribuíram de forma brilhante à homenagem Mike Richmond, baixista de longa carreira na música, que fez parte da Mingus Dinasty entre trabalhos com Stan Getz, Jack DeJohnette, Horace Silver, Joe Henderson, Lee Konitz, Hubert Laws, Gil Evans, Art Farmer, Woody Herman, etc. O saxofonista Bill Saxton trabalhou com Frank Foster, Clark Terry, Carmen McRae, Nancy Wilson, Tito Puente, Mongo Santamaria, Roy Ayers, Bobby Watson e Roy Haynes. E o pianista Danny Mixton tocou com Kenny Dorham, Cecil Payne, Art Blakey's Jazz Messengers, Frank Foster, Grant Green, Pharoah Sanders, Joe Williams e Dee Dee Bridgewater. Hoje é um bom dia para relembrar Mingus. Nos comentários.

sábado, abril 04, 2015

Odd Man Out ‎– Odd Man Out (1988)

Aproveitando o feriado prolongado para atualizar o Sonorica com uma banda que à muito tempo procurava, o Odd Man Out, que lançou apenas um disco, pelo selo Beware, que também teve poucos títulos, sendo o mais conhecido deles, do McRad, que tinha Chuck Treece, skater pro, guitarrista do Underdog.
Odd Man Out fazia parte das bandas rotuladas de "skate rock", provavelmente por conta da coletânea em k7 que a Thrasher Magazine disponibilizava periodicamente. Boa parte das bandas skate rock tinham uma sonoridade punk/hardcore e obviamente seus membros andavam de skate (caso contrário, seriam posers). No caso do O.M.O., faziam parte dois pro skaters que são lendas: Steve Caballero e Marc Gonzalez. Também fazia parte do O.M.O. Ray Stevens II, skater e baixista da mais emblemática banda de skate rock: The Faction, a qual Caballero também era guitarrista. Stevens também tocou no Drunk Injuns, que tinha outro membro da equipe de pro skaters Bones Brigade da Powell & Peralta, Tommy Guerrero, que também está em atividade musical. Apenas o vocalista Christopher Cisper que não consegui obter informações, mas ainda parece estar na ativa.
O Odd Man Out é diferente em relação a maioria das bandas de skate rock, lembra um pouco a sonoridade do Agent Orange no album This Is The Voice. É bem próximo ao pós-punk como The Police, e que aqui outras bandas pós-punk com outras sonoridades receberam o rótulo de dark nos anos 80 e gótico, como The Cult fase Dreamtime/Love, The Cure, The Mission, etc. As canções tem beleza lírica, bem construídas, com ótimos arranjos de teclados e solos de guitarra. Inclusive a música Mommy Says lembra o The Police, com a influência do reggae. É claro que o Odd Man Out faz parte de alguns skate home videos notórios, de um tempo em que ser skatista no Brasil era um estilo de vida, como ser um punk, headbanger ou gótico. Hoje em dia, tudo se tornou apenas fashion style, mas isso é assunto para um outro momento. Por enquanto, nos comentários.

sábado, março 21, 2015

Rudolph Grey ‎– Mask Of Light (1991)

O guitarrista Rudolph Grey, além de seu grupo Blue Humans que já teve a colaboração de Arthur Doyle, Beaver Harris, também mantém a ligação com o que chamam de "free jazz" em sua gravação autoral Mask Of Light. Além da participação de seu parceiro musical no Blue Humans, o guitarrista Alan Licht, que também teve constante participação no chamado cenário No Wave de New York e participou de trabalhos com Lee Ranaldo (Sonic Youth). O saxofonista Jim Sauter tem um longo percurso musical, tendo em comum com Licht, trabalhando com Thurston Moore e participado de uma faixa do Murray Street (Sonic Youth), e também tocou com o God Is My Co-Pilot. O baterista que inevitavelmente estará associado ao nome de John Coltrane, é Rashied Ali. É interessante ouvir Rashied em outro contexto musical, como em seu solo em Implosion 73 seguido de Jim Sauter, que traz à memória o longínquo tempo de Interstellar Space. Mas a distorção de Grey e Licht nos transporta de volta aos tempos caóticos do final do século XX, quando o rock daria o seu último suspiro de sua essência. Calma, o rock não morreu, mas o que temos hoje em dia são re-edições, assim como o pedal de distorção Bigmuff é facilmente encontrado aos montes em lojas de instrumentos musicais da rua Teodoro Sampaio em São Paulo. Mas isso é um outro assunto. Por enquanto como sempre, nos comentários.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Arte e política, política e arte, política e politicagem e titica

Ufa! Um dia de folga na semana do pião pra poder escrever o primeiro artigo de 2015. Acordando 04:40h da manhã pra encarar duas conduções para o local de trabalho é muito comum para o trabalhador de salário base. Bem mas isso não vem ao caso, assim como não vou abordar o livro de D.H. Melhem sobre arte e política, é apenas uma ilustração para o mesmo tema, mas talvez a minha abordagem seja bem diferente. Ainda mais que  vou me restringir à música como forma de arte e ainda mais, num foco mais periférico, restrito à capital do estado de São Paulo, onde posso ser mais preciso.
Tive uma experiência pessoal com música e política no fim dos anos 80 e início dos 90 no que se chamou de cenário hardcore/punk. Realmente não tinha intenções de me agregar política de forma "panfletária" na música em que estava envolvido, simplesmente não acreditava nisso, já tinha os péssimos exemplos das bandas punk do início dos anos 80. Mesmo com pouca idade, já não sentia que isso realmente tinha algum efeito e que a minha conduta como pessoa, como cidadão tinha que ser no cotidiano e não em um local restrito, num palco de show de rock. Claro que no meio hardcore a maioria acreditava nesse engajamento político através da música, ok, respeito a escolha de cada um, mas continuo achando uma perda de tempo e comprometimento da qualidade da arte (música). Não? É só procurar por aí, via web, seja youtube, soundcloud, etc, onde os conceitos estão acima da música e só se tem ruídos, barulho, música mal executada, tendo como justificativa o conceito. Sei... Calma, eu não sou uma pessoa que só escuta música sinfônica precisa, ou de instrumentistas virtuosos e exibicionistas, gosto de um bom rock básico como Ramones, Discharge ou até Napalm Death.
Uma manifestação ou passeata tem mais efeito e faz mais barulho do que uma apresentação em um lugar restrito ou registrado em algum formato de mídia.
Agora no caso do cenário musical independente (em termos...) em São Paulo, é sintomático que o discurso é apenas teoria, pois os artistas em sua considerável parte está mais próximo dos candidatos à cargos públicos das eleições, onde palavras bonitas são ditas, assim como promessas, que ficam no vazio. Discorda? Ok, mas nem precisa de um microscópio pra sacar o que é esse tal cenário de música independente paulistano, feudos espalhados nesse campo de batalha que são as casas noturnas, espaços culturais públicos e privados, onde a vaidade corrompe qualquer ideal coletivo, libertário ou anti-sistema. Aliás isso é uma piada, a mentalidade mercantilista está estampada até em bandas punk!
E não só isso, pois muitas vezes não há capital, então resta o glamour, a fogueira das vaidades, onde muitos não reconhecem que querem de alguma forma serem adorados, como se o palco fosse um altar, pior que um templo de alguma religião, onde o artista está acima do simples expectador (e eu achando que a elevação do palco era apenas para melhor projeção sonora e visualização da apresentação).
E prossegue a batalha dos feudos, onde grupos de uma mesma vertente não dialogam entre si, onde datas de apresentações são muitas vezes conflitantes e por incrível que pareça, alguns ainda tem o maquiavelismo de agendarem com antecedência na mesma data de outro grupo, como uma espécie de disputa. Outro fato comum é de "colegas de trabalho", de artistas de um mesmo cenário nunca sequer terem prestigiado seus "colegas", mas vivem mandando convites para estes irem prestigiá-lo :p .
No balanço contábil é a música que perde nessa sujeira toda: proprietários de locais de apresentações que acham que estão fazendo um favor para o músico, sendo em que muitos casos, é a banda ou o músico que leva o público para o proprietário vender sua bebida super-faturada ao público e ainda arranca mais um pouco com a bilheteria. Músicos que se boicotam para poder garantir o seu $ em sesc's da vida numa disputa mesquinha e ninguém tem coragem de mudar isso, todo mundo é politicamente correto. Aliás, falando em política...  

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Glenn Spearman Double Trio ‎– Mystery Project (1992)

Literalmente é a última publicação do Sonorica em 2014. Aproveitando esta manhã na qual finalmente tenho tempo para escrever aqui, pois como faço parte da classe trabalhadora, volto ao ofício no segundo dia do ano de 2015. Como não queria apenas escrever um texto de fim de ano, aqui também fica mais um registro de um dos prediletos da casa, Glenn Spearman, que faz parte dos grandes saxofonistas injustamente esquecidos, assim como Arthur Doyle que nos deixou recentemente e procurei divulgar tudo que tinha ao meu alcance de sua obra musical. Frank Wright também procurei disponibilizar o que foi possível. Mystery Project é mais um registro do double trio de Spearman, onde Spearman e o baterista William Winant ficam no canal direito de gravação, o saxofonista Larry Ochs e o baterista Donald Robinson no canal esquerdo. Os dois duos de saxofones e bateria compartilham o piano e synth de Chris Brown e o baixo de Ben Lindgren. Mystery Project tem aquela característica do que chamaram de free jazz, mas não como a sua primeira geração, onde havia mais necessidade de libertação das estruturas tradicionais do jazz, onde longas peças exploravam ao máximo os novos territórios do som. Após os anos 70 do séc. XX o free jazz desenvolveu estruturas e peças mais complexas, evoluindo dos temas mais simplificados anteriores que eram a estrutura básica para novas explorações do campo sonoro. Claro que isso é só uma descrição extremamente simplificada do registro fonográfico, pois só a audição basta, evitando qualquer injustiça e imprecisão sobre a obra musical de Spearman. Ah sim, nos comentários do post é que se encontra o mistério.

No mais, agradeço à Deus e a todos que visitaram o Sonorica e compartilharam alguma informação deste pequeno espaço virtual e que sempre seja útil de alguma forma como mais uma fonte de informação sobre arte, especificamente sobre a arte através do som. Também fico muito feliz pelo Sonorica ter alcançado mais de 100 mil acessos durante estes 8 anos de existência, levando em conta o fato de ser um blog de assuntos específicos de pouco interesse do grande público.
Espero que o Sonorica seja um weblog melhor a cada dia no ano de 2015 e que todos tenham um novo ano com muita alegria e claro, muita música, sons, arte que ultrapassam fronteiras, culturas, nacionalidade, rótulos e gêneros.

segunda-feira, novembro 03, 2014

Trümmer Sind Steine Der Hoffnung ‎– Welch Wüste Sich Eröffnet (1997)

Welch Wüste Sich Eröffnet ... Bitter Und Ewig foi o terceiro e último album do Trümmer Sind Steine Der Hoffnung, banda formada pelos principais membros do cenário punk/hardcore de Linz, na Austria, sendo a banda mais conhecida no cenário mundial, o Target Of Demand, inclusive a sonoridade do Trümmer lembra um pouco o T.O.D., só que mais complexo. A banda encerrou suas atividades em 1998. É extremamente difícil encontrar os outros títulos do Trümmer ou até alguma biografia mais detalhada da banda, algum artigo sobre seus membros, etc. Apenas encontrei uma webpage, que deixo como link nesta postagem, uma espécie de ficha do grupo. Sem dúvida foi uma ótima banda e Welch Wüste Sich Eröffnet um disco que merece reconhecimento por sua qualidade e criatividade musical, num vasto submundo da música independente. O idioma alemão dificulta um pouco para compreender as música, mas como a música é universal e o Trümmer foi uma banda que tem o mesmo nível de outras conhecidas mundialmente, como Fugazi, Dag Nasty, etc. Nos comentários

sábado, novembro 01, 2014

Frank Wright - Live At Moers 81

Depois de um período "carcerário" do meu trabalho, finalmente consegui um tempo para atualizar o blog com mais uma homenagem à um dos prediletos da casa, o reverendo Frank Wright! Aqui se trata de uma gravação captada na décima edição do Moers Festival, que conta com a participação de seus companheiros de longa data, Bobby Few e Muhammad Ali, grande baterista ainda na ativa. O baixista Jean Jacques Avenel faleceu recentemente no dia 12/08/2014 e tem uma extensa carreira, tendo tocado com Steve Lacy, Mal Waldron, David Murray, Sonny Simmons, Daniel Humair entre outros.
Especialmente também conta com a colaboração do saxofonista Arthur Jones, que também merece reconhecimento e infelizmente só conseguiu registrar dois discos sob sua liderança e tocou com os membros do Art Ensemble Of Chicago, assim como Sunny Murray, Burton Greene, Dave Burrell e Archie Shepp. A gravação não oficial parece não ter sido lançada por nenhum selo até o presente momento, inclusive esta capa foi criada por mim apenas para constar no meu arquivo fonográfico. A música foi captada de uma maneira simples e após a apresentação feita por Burkhard Hennen, as três peças não possuem título. Nos comentários.

domingo, setembro 07, 2014

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Conspiracy Nation (2002)

Neste maravilhoso e abençoado domingo ensolarado que chega ao fim, até esquecendo do feriado nacional que ouviram do Ipiranga, o Sonorica encerra mais uma etapa homenageando um dos prediletos da casa, o grande artista Arthur Doyle. Digo mais uma etapa, pois praticamente uma boa parte da discografias de Doyle, foi divulgada aqui, faltando poucos registros da discografia completa publicada por selos e alguns registros independentes.
O disco Conspiracy Nation que foi lançado somente em LP tem gravações de dois momentos captados ao vivo pelo Electro-Acoustic Ensemble. O lado 1 que contém 4 músicas gravadas no Hallwalls Contemporary Art Center - Buffalo, NY em 24/01/2002 e o lado 2 com as 3 restantes no Analog Shock Club - Rochester, NY em 26/01/2002.
A configuração do Electro-Acoustic Ensemble nestas gravações é composta por Arthur Doyle: alto saxofone, voz, flauta, gravador, Leslie Q: baixo, guitarra, Ed Wilcox: bateria, percussão, Tim Poland: clavinova, teclados, Dave Cross: toca-discos, Ibanez DM 1100 sampler, bateria (na faixa 1), Vinnie Paternostro: electronicos, Roland 505. Nos comentários.
 
 
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