Tuesday, March 13, 2012

Nuclear Assault – The Early Demos 84-85 (2010)

Ainda me lembro quando o lp Game Over foi editado no Brasil com pouco menos de um ano de atraso em relação ao lançamento oficial. Sem dúvida está entre os meus grupos favoritos de thrash metal e o Nuclear Assault sempre teve um vinculo com o hardcore na sua sonoridade, sendo muito próximo do estilo denominado crossover, que se tornou conhecido pelo grupo D.R.I.. Inclusive posso fazer uma analogia do Dirty Rotten Imbeciles com Ornette Coleman. Como?! Deixando de lado o elitismo musical detestável que foi imposto por aí, lançando fora as inúteis diferenças estilísticas, tudo é música, seja boa ou ruim e mesmo assim o que é bom ou ruim é pessoal e relativo. Assim como o título do disco de Ornette Coleman, Free Jazz, se tornou um rótulo de um estilo musical dentro da música feita na América do Norte nos anos 60, Crossover do D.R.I. também se tornou um rótulo na música feita na América do Norte nos anos 80.
Com certeza o Nuclear Assault influenciou e modificou significativamente o cenário heavy metal mundial assim como no Brasil. Tanto que teve grande influência num grupo que foi o divisor de águas de todos os tempos, o Sepultura. Não é por acaso que a tipografia do disco Schizophrenia, lançado no fim de Outubro de 1987, é a mesma de Game Over do Nuclear Assault de 1986. Schizophrenia foi a grande mudança do Sepultura em relação aos trabalhos anteriores, o split album Bestial Devastation e o lp Morbid Visions, com sonoridade voltada ao death metal tradicional, para a sonoridade mais thrash metal, com influencia do hardcore punk. E também se deu uma parceria com o grupo Ratos de Porão, ilustrando efetivamente o termo crossover. E aqui neste bootleg das duas primeiras demo tapes do Nuclear Assault podemos ouvir o início do desenvolvimento de mais um trabalho inovador que sempre teve em sua estrutura, o baixista Dan Lilker, sempre presente nas novas direções do rock mais agressivo, como o Anthrax, S.O.D., Extra Hot Sauce, Brutal Truth e suas ligações importantes com o grindcore. Clique na imagem para acessar o arquivo.

Sunday, March 11, 2012

Anthony Braxton - This Time... (1970)

Dando continuidade aos artístas que despensam comentários, temos aqui uma pequena particula do universo sonoro criado por uma mente fora do comum, Anthony Braxton. É simplesmente assombroso o pleno domínio sobre quase todos os instrumentos de sopro que usam palheta e flautas. E não é só apenas sua técnica, velocidade, precisão, mas expressão, complexidade e beleza que saem de forma torrencial de uma mente que provavelmente não para de elaborar estruturas sonoras a todo instante. Me lembro da primeira vez que vi uma foto de Braxton, com instrumentos incomuns, como o clarinete contra-baixo ou o saxofone contra-baixo. Seus óculos e cachimbo me pareciam a mistura de um nerd, cientista louco como dos filmes, de professor de química. E ao deparar com os títulos, simbolos e figuras que denominavam suas composições, isso reforçou minhas impressões. Apreciador do tabuleiro de xadrez, amplo conhecimento da matemática aliados a maturidade e convicção artística estruturam o suporte para Braxton expressar suas emoções. Em meio a números, letras e diagramas, encontramos outros aspectos de Braxton, como Charlie Parker Project, Six Monk Compositions, interpretações de composições de John Coltrane, revelando as emoções, sentimento e espiritualidade, só que com a característica complexa e original dentro de seu amplo campo de criação. Braxton é o músico e compositor que melhor simboliza a junção da música criativa, que possui vários adjetivos, rótulos, o que denominaram vanguarda européia, afro norte americana, free jazz, free improvisation, enfim, essas baboseiras criadas pela indústria fonográfica e as midias musicais.
Em This Time... Braxton contou com a colaboração de parceiros grandiosos: Leroy Jenkins, Leo Smith e Steve McCall, que contribuiram de forma única e preciosa para o desenvolvimento da música criativa de forma coletiva e individual. Todos desenvolveram sua arte em torno dos conceitos da AACM, transportando para outros níveis o que floresceu no fim dos anos 40 na america do norte. Clique na imagem e compartilhemos este tempo...

ps: Muitos associam os nomes de revolucionários na formação de outros, como no caso de Braxton, mas é interessante como as coisas acontecem. Numa entrevista, o músico fala de suas influências na juventude e relatou que o pai de seu amigo lhe apresentou a música de Ornette Coleman e ele estranhou sua música e tinha preferência por Paul Desmond, o grande parceiro de Dave Brubeck. Só depois de algum tempo que Braxton digeriu a música de Ornette.

Friday, March 09, 2012

Mal Waldron with Eric Dolphy and Booker Ervin – The Quest (1961)

Na verdade pensei duas vezes antes de fazer o post deste disco. Em primeira instância não queria pelo fato de ser uma gravação conhecida, de nomes bem acessíveis e substanciais fontes de informação disponíveis. Depois, por se tratar de um registro de 1961 e isso não desqualifica a riqueza da música registrada, mas devemos estar atentos ao contemporâneo até dentro do que se chama jazz, há muitos trabalhos interessantes para apreciarmos e eu particularmente como músico, não acho nada saudável ficar só ouvindo os grandes discos de jazz do passado.
Por fim resolvi fazer o post em lembrança do trabalho de Dolphy, que teve uma carreira curta e fatalmente interrompida. Qualquer gravação fuleira de algum standard do cancioneiro popular norte americano interpretado por Dolphy se transforma numa obra de arte fascinante. É sempre bom lembrar de Dolphy. Nas sessões de The Quest encontramos Ron Carter usufruindo de sua habilidade no violoncelo, deixando o contra baixo por conta de Joe Benjamin, baixista de New Jersey, com extensa carreira no jazz, basta pesquisar, assim como no caso de Booker Ervin e Charles Persip. Ah, o líder da sessão: Mal Waldron... o que dizer sobre ele? De Lady Day à Steve Lacy, com seu som vigoroso de fortes raízes ajudou a redigir a história da música afro americana do século XX. Clique na imagem para acessar o arquivo. Não há mais nada necessário à dizer.

Thursday, March 08, 2012

All - Everything Sucks demos (1996)

Ainda me lembro quando comprei meu primeiro lp do Descendents, o Liveage, numa loja de discos na notória rua 24 de Maio, numa galeria ao lado da Galeria do Rock. Isso foi por volta de 1989 e minha trilha sonora das skate sessions obviamente incluiam o Descendents, que vim a conhecer pelas músicas Theme e Coolidge que eram parte da trilha sonora escolhida pelos participantes do Savannah Slamma, um clássico das competições de street skate, como aqui em São Paulo tinhamos o Ladeira da Morte na modalidade downhill.
O Descendents se diferenciava pela sua sonoridade apurada dentro do punk, a guitarra de Stephen Egerton colocava a estética e técnica de Eddie Van Halen a serviço do punk rock, o baixo de Karl Alvarez me remetia aos contrapontos melódico-harmônicos de Paul McCartney. Bill Stevenson estava entre os bateristas mais criativos do hardcore norte americano, preciso, ágil e pesado, além de ser um grande compositor. Milo Aukerman com certeza derreteu muitos corações com sua voz simples e romantica. Como muitos que acompanhavam as notícias do cenário hardcore, Milo escolheu se ausentar do Descendents por conta de sua vida acadêmica, sim, Milo é cientista (não é a toa a aurea nerd que virou símbolo do grupo, que é a caricatura de Milo nos tempos de colégio fez, o tal do bullying que hoje tanto se fala). Então os integrantes do Descendents resolveram desenvolver outro projeto enquanto Milo não voltava, surgindo o All, uma materialização dos conceitos proclamados no último disco do Descendents: All, de 1987, que possuia até um manifesto/constituição em forma de música: All-O-Gistitcs. A primeira fase contou com Dave Smalley que cantava no DYS, Dag Nasty e posteriormente no Down By Law. Com a entrada de Scott Reynolds, o All consolidou sua sonoridade mais apurada, que passeava naturalmente pela música popular norte americana, ou seja, ali estavam, o ragtime, country, rock'n'roll, pop, hardrock e é claro o punk rock de forma homogênea e original. Depois veio Chad Price com um estilo mais rock, mais agressivo e o All deixou um pouco de lado as inúmeras variações nas músicas e ficou mais pesado. Embora Chad Price tivesse algo semelhante a Scott Reynolds, não possuia digamos, a fluidez soul de seu antecessor. O All se tornou mais primal e de certa forma se aproximou mais do Descendents, tanto que os dois projetos acabaram se misturando.
Quase 10 anos depois do último registro inédito do Descendents, o tão esperado retorno de Milo em Everything Sucks, com músicas inéditas. Milo não esteve distante de seus amigos, tanto que participou das gravações de Breaking Things, do All, o disco em que Chad Price assumiu o posto de vocalista. E atestando que o All e Descendents eram um só, independente do fato que todos os integrantes são os mesmos e só se diferenciam pelos vocalistas, sonoridade e composições, temos aqui a versão All do Everything Sucks do Descendents, com músicas inéditas e versões das outras incluidas na versão oficial. Clique na imagem para acessar o arquivo. Enjoy!

Wednesday, March 07, 2012

Jodie Christian - Rain Or Shine (1993)

Recentemente foi publicado aqui no blog sobre o pianista, compositor e co-fundador da AACM, Jodie Christian, em sua homenagem póstuma, aqui podemos apreciar um de seus trabalhos ao lado de Art Porter, saxofonista nascido em 03/08/1961 na cidade de Little Rock - Arkansas, U.S.A., filho de um baterista com quem começou sua carreira musical na adolescência. Em meados dos anos 80 mudou-se para Chicago e tocou con Von Freeman, Pharoah Sanders e Jack McDuff. Entre 1992 e 1998 lançou cinco albuns e infelizmente sua carreira encerrou-se prematuramente quando estava participando do Thailand International Jazz Festival em 23/11/1996. Estava em um barco que naufragou e se afogou. Tinha apenas 35 anos de idade.
Rain Or Shine conta com Roscoe Mitchell, que despensa comentários. O baixista Larry Gray nasceu em Chicago e é também professor na Universidade de Illinois, tendo trabalhado com McCoy Tyner, Jack DeJohnette, Danilo Perez, Branford Marsalis, Benny Green, Freddy Cole, Benny Golson, Steve Turre, George Coleman, Lee Konitz, Bobby Hutcherson, Sonny Fortune, Ira Sullivan, Junior Mance, David "Fathead" Newman, Willie Pickens, Ann Hampton Callaway, Charles McPherson, Antonio Hart, Jackie McLean, Sonny Stitt, Eddie "Lockjaw" Davis, Al Cohn, Randy Brecker, Nicholas Payton, Kurt Elling, Eric Alexander, Phil Woods, Jon Faddis, Roscoe Mitchell, Von Freeman, Wilbur Campbell, Eddie Harris, Les McCann, Kenny Burrell, Joe Pass, Tal Farlow, Donald Byrd, Harry "Sweets" Edison, e Tom Harrell. O baterista Vincent Davis nasceu em Chicago e como membro da AACM trabalhou com Nicole Mitchell, Fred Anderson, Ernest Dawkins' New Horizons Ensemble, Greg Ward, Kidd Jordan entre outros. O baterista Ernie Adams estudou na North Texas State University e the University of Wisconsin, trabalhou com Joe Williams, Douglas Spotted Eagle, Orbert Davis e The Chicago Jazz Philharmonic, Patricia Barber, Stefon Harris, Art Porter, Stanley Turrentine, Dizzy Gillespie, Dianne Reeves, Bill Summers, Kurt Elling, Karen Briggs, Billy Dickens, Steve Cole, Phil Upchurch, Baabe Irving III, Von Freeman, Melvin Rhyne, Bobby Lyle, Richie Cole, James Moody, Rufus Reid, Buster Williams, Ursula Dudziak, Joe Zawinul, Slide Hampton, Frank Morgan, Arturo Sandoval, Charles Earland, Wycliff Gordon, Claudio Roditi, Ken Peplowski, Michael Wolff, Marvin Stamm, Clark Terry, Pharoah Sanders, Ahmad Jamal, James Spaulding, The Bodeans, Kenny Drew Jr, Anthony Jackson, Orbert Davis, Grazyna Auguscik, Red Holloway, clinicas com Victor Wooten, Steve Bailey, Jack McDuff, Joey DeFrancesco e Piero Esteriore. Clique na imagem para acessar o arquivo.

Monday, March 05, 2012

Improvisação livre em São Paulo: Cuidado com o disco voador ou tem boi na linha

As oficinas ou workshops ministradas por músicos de diversos países, apresentando a improvisação livre de forma mais acessível ao público em geral em São Paulo tem dado seus frutos, mas ainda há uma fragilidade. Como a primeira safra de um novo fruto, existe o processo de adaptação do clima, do solo, da resistência às pragas. Sim, as pragas, não há plantação que não esteja sujeita aos danos predatórios.

Mesmo que as oficinas não tenham conseguido atingir seu objetivo no planejamento de seus ministradores, algo de substancial aconteceu nestes pouquíssimos anos que a improvisação livre conseguiu romper a barreira de isolamento que vários setores sócio-culturais impuseram. Como este blog já tinha abordado antes, há um grande mérito ao projeto iniciado por Antonio "Panda" Gianfratti e Yedo Gibson, o Abaetetuba, que agregou Rodrigo Montoya, Renato Ferreira, Luis Gubeissi, Thomas Rohrer, como coluna de fundamento, foco de resitência da música criativa. Obviamente existiam outras iniciativas que começaram a florescer posteriormente, mas algumas ainda continuam de certa forma, isoladas. Alguns dos participantes das oficinas deram continuidade da iniciativa gerada nas circunstâncias e alguns deles tenho cultivado um vínculo e eles por sua vez, tem impulsionado o setor operacional independente dos improvisadores em formação em São Paulo.

Creio que meus colegas já tenham percebido que não podem depender de nenhuma instituição, seja SESC's, ou mesmo o próprio Centro Cultural São Paulo, que abrigou as oficinas e promoveu a maioria das apresentações de improvisadores de outros países, para tornarem o que se chama de circuito de improvisação livre em SP efetivo. Mesmo as instituições culturais de iniciativa pública, sejam municipal ou governamental, ligada ao setor terciário da indústria, tem seus vários poréns em relação às manifestações artísticas. Não se engane, estas instituições e fundações não são os "bons mocinhos" desta terrível e cruel fábula que é viver em uma megalópole fora de controle. Há interesses políticos e econômicos que estrategicamente não são manifestados para tudo se manter no controle e simplesmente ser apenas mais um tubo de dreno do suor e sangue da população. Hum, isto está parecendo um seriado de investigação misturado com suspense, ficção... Acorde! É simplesmente a realidade. Portanto meu querido(a), lute para manter livre a sua mente e espírito, pois são as únicas coisas que você pode realmente ser livre. Não se iluda, você está dentro do sistema. Não, não é uma passeata, uma agremiação, camiseta do Che ou Dalai, livro do Marx, do Huxley, uma estrela, uma foice, o Fela, nem chamar o Sun Ra lá de Saturno (ainda mais que lá não acontece muita coisa mesmo), que vai te fazer livre. Calling planet earth, calling planet earth... You can call me mr. Mystery...

O que me intriga é o interesse de pessoas que até pouco tempo não se importavam com a improvisação livre, mesmo elas tendo acesso a diversos meios de informação sobre este segmento musical. Elas ignoravam as iniciativas do Abaetetuba, que se apresentava periodicamente pela cidade e não eram apresentações secretas e mal divulgadas, simplesmente essas pessoas não estavam interessadas. O Phil Minton foi um dos primeiros improvisadores a se apresentar em São Paulo e mesmo assim, mesmo com o costumeiro frenesi paulistano por artístas estrangeiros, mais uma vez, essas pessoas não se interessaram.

O cenário independente ou underground cresceu de forma peculiar em São Paulo. A diversidade teve um saldo mais deficitário do que deveria. A busca de identidade própria causou uma distorção digamos, grotesca (como meu amigo Panda costuma dizer).

A improvisação livre musical ou free improvisation como é conhecida no mundo, tem sua própria identidade, mesmo que hajam diversas formas estéticas. Como é natural do ser humano tender a complicar as coisas, existem segmentos na música. Então temos que tolerar certas burocracias para não sermos impedidos de operar, afinal qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não vai tirar um "racha" com sua bicicleta perante um caminhão de cinco eixos. E nesse louco processo, a improvisação livre por não poder ainda ter a sua caixa postal indiviual, teve que dividir o espaço com a música experimental, o que chamam de jazz e free jazz. Mas essa divisão de espaço não é no sentido positivo de comunhão, mas de ser colocada no mesmo "saco", por negligência mesmo.

Neste habitat, onde não há fronteiras, (afinal, não é livre esta tal de improvisação livre?) acaba sempre entrando interferência. Opa, tem boi na linha... Pois é, como tinha dito anteriormente, agora as tais pessoas desinteressadas pela improvisação livre tem voltado seus olhos para esta pequena e frágil muda que começou a florescer. Realmente é um mistério o interesse destas pessoas nisso. Na Free Improvisation de forma global, há pouco dinheiro, não há fama, quase nenhum reconhecimento pelo público e midia cultural, há público reduzido, muito trabalho e muitas dificuldades. Afinal, o que eles querem? Por que eles querem se apropriar de algo que sempre ignoravam e nunca prejudicou seus "nichos", "territórios"?

A nave pousou e desembarcaram alienígenas em forma de músicos, organizadores, simpatizantes que apenas querem usar a improvisação livre como moeda de troca no jetset cultural, mesmo sendo undergound. Aí está o mistério, não há glamour, mas a vaidade floresce mesmo no monturo. Estes já iniciaram suas atividades e tem usado de seus recursos para favorecer seus próprios interesses. Não há como negar, assim como o que nega ter comido o doce tendo os lábios lambusados. Estive conversando com meus amigos que fazem parte do esforço de trabalho pela música criatviva e eles também detectaram estas coisas. Não há muito o que fazer além de continuar a seguir com o trabalho, dedicação e sinceridade. Os gafanhotos vem devorar a lavoura, o que resistir manifestará a sinceridade sem necessidade de uma palavra sequer, apenas sons, apenas música.

Improvisadores, principalmente vocês meus caros, que estão iniciando esta jornada, cuidado com o disco voador. Sim, há joio no meio do trigo mas não se pode arrancar, pois ele ainda se assemelha muito com o trigo. Só no final da colheita, quando vier a chuva serôdia, é que há de se manifestar quem realmente são. E alguns já tem dado seus sinais. (parece uma profecia supersticiosa, mas é simplesmente uma forma poética de dizer algo muito real, racional e previsível)

Wednesday, February 15, 2012

Jodie Christian (02/02/1932 – 13/02/2012)

Quando se fala na música mais ousada feita em Chicago, é impossível não falar da AACM, o coletivo de músicos criado em 1965 para o desenvolvimento da música de foma livre e criativa. O grupo Art Ensemble Of Chicago e Anthony Braxton são os nomes mais lembrados, mas a AACM é muito mais que isso. O pianista e compositor Muhal Richard Abrams é um dos pilares fundamentais do coletivo e co-fundador, assim como o pianista Jodie Chistian, que faleceu nesta última segunda-feira. Jodie nasceu em Chicago e aos 16 anos já era um pianista profissional. Após ter se apresentado no grupo de Coleman Hawkins em uma turnê e depois com Ira Sullivan, se associaou à Muhal Richard Abrams, Phil Cohran e Steve McCall para formar a AACM. Mesmo Jodie se considerando em suas próprias definições como um "bebop player", avançou para o experimetalismo e a música livre. Isto pode ser constatado no registro The Flow Of Things do Roscoe Mitchell Quartet gravado numa série de concertos em Chicago. Nos anos 70, direcionou-se no ensino musical, lecionando na Lyon & Healy music store's school e programas de ensino do jazz nas escolas públicas de Chicago. Ao longo de sua carreira, Jodie Christian tocou com Eddie Harris, Lester Young, Benny Carter, Johnny Griffin, Gene Ammons, Dexter Gordon, Yusef Lateef, James Moody, Sonny Stitt, Don Byas, Freddie Hubbard, Milt Jackson, Dewey Redman, Von Freeman, Stan Getz e Sonny Rollins.

Saturday, February 11, 2012

Sorry John Zorn, i can't see you soon...

People say: Ho! Bring the noise! Estou ouvindo um ruído sobre a vinda de John Zorn ao Brasil. Me lembro quando ele veio pela primeira vez no final dos anos 80 e só ouvia falar de um saxofonista de jazz que tocava com a camiseta do Napalm Death. Aquilo me agradou muito, pois a imagem do jazz por aqui naquela época era de um bando de coroas esnobes bebendo whisky e se sentindo no topo do mundo. Naquela época eu era um adolescente que já estava contaminado pelo underground e vibrei com a "afronta" do desconhecido Zorn (para mim), diante dos coroas do jazz. Mas para um moleque era inviável ir à um festival caro patrocinado por uma marca de insalubridade.
Passaram os anos e hoje compreendo a obra musical de John Zorn e ela é relativamente acessível no mundo virtual. Sim, seria um prazer presenciar Zorn em uma apresentação ao vivo. Mas como em boa parte dos casos, existe um considerável porém.
Primeiro lugar, o preço: R$100,00. Muita gente vai me argumentar que no caso é o Zorn, que é uma oportunidade a qual seja possível não ter novamente e blá, blá, blá... Não vem ao caso questionar a qualidade de sua arte, pois é ridiculamente óbvia. O porém reside na confecção desta "grande oportunidade", ou melhor, de oportunismo. O lance nem é de grana, pois Zorn não esbanja simpatia no mercado fonográfico no mundo inteiro. Sim, mesmo no Japão, onde é comum e sólido o circuito de música não convencional, meu amigo sempre consegue comprar discos de Zorn e seu selo Tzadik numa espécie de baciada, a preço de banana. As condições da vinda de Zorn me soam muito mal mesmo, envolve um exclusivismo abominável na noite dita underground paulistana. Alguém vai me dizer que se lasque o local, as pessoas que estão agenciando e o que importa é que Zorn está vindo! Pois é, acho que deixei-me influenciar demais por certas ideologias quando estava mais ativo nos segmentos underground, como heavy metal e hardcore, que impossibilitam-me de abstrair-me de certos poréns e usufruir de certos prazeres. Ainda mais vivendo em um mundo cercado de capitalismo por todos os lados, muitas ideologias, como a do punk, acabam se tornando um tiro no pé.
Mas fazer o que? Na minha escolha pessoal, eu não vou abrir uma exceção. Numa ilustração mais dramática, eu não vou meter os canos pra pipar uma pedra. É isso mesmo, soa radical demais, não? Eu abro mão. Os straight-edgers preferem não beber, assim como a maioria dos evangélicos, que além disso, abrem mão do desejo por um breve momento e só desfrutam dos prazeres do sexo com uma única pessoa que escolheram para amar até o fim. A vida nos oferece sempre escolhas e muitas vezes elas são cruciais e não há meio termo.
Posso viver sem isso e continuar a ser feliz? Sim! Sem dúvida nenhuma! E outra, creio que possa surgir uma outra oportunidade de ver um show do John Zorn sem ter que compactuar com algo que vai contra minha ideologia, da mesma forma que acabei tocando com Han Bennink e Sabu Toyozumi sem vislumbrar uma possibilidade de isto acontecer e ainda sem ter que deixar de lado minhas convicções sócio-políticas e morais.
Olha só, uma coisa eu concordo com que uma pessoa disse sobre punk e hardcore (mas isso independe de estilo ), que se alguém um dia curtiu punk e hardcore e hoje em dia não curte mais, é porque nunca foi.

Sunday, February 05, 2012

Eric Dolphy – The Berlin Concerts (1961)

Particularmente evito ao máximo escrever e falar a respeito de músicos como John Coltrane, Archie Shepp, Pharoah Sanders e Eric Dolphy pelo simples fato de crer que é desnecessário. Ora, estes saxofonistas para quem já fez um mínimo de esforço em pesquisar sobre a segunda mudança radical no gênero denominado jazz ao longo da segunda metade do século XX, se deparou com estes nomes, gravações, algum material audio-visual, impresso, biografias, textos, artigos, etc.
Neste segundo sábado de Fevereiro de 2012, estava conversando brevemente online com meu irmão de fé que é autor do weblog Farofa Moderna e ele estava numa audição de gravações de Dolphy e lembrei que já fazia quase um ano que não escutava um disco inteiro de Eric Dolphy.
Meu primeiro contato com a música de Dolphy foi forte, se deu através de um documentário sobre John Coltrane, que foi ao ar a mais de dez anos no canal de tv estatal de São Paulo, onde haviam takes de uma apresentação do conhecido quarteto de Trane composto por McCoy Tyner, Elvin Jones e a fase de transição entre o contra-baixista Reggie Workman e Jimmy Garrison, tendo a participação de Dolphy. O programa ao vivo foi gravado na Europa e não tenho dados precisos da data e local, mas creio que Dolphy participou do grupo de Coltrane que estava em tournée e ele fixara residência no velho continente como fizera sua geração anterior, para obter melhores condições de desenvolver sua arte. Foi intenso ver e ouvir Dolphy no saxofone alto com sua sonoridade única, que parecia uma mistura de certa parte da fase cubista de Picasso com expressionismo alemão, como os cenários dos filmes de Friedrich Wilhelm Murnau, mas é claro que só ponderei nestas analogias muito tempo depois de digerir a música de Dolphy. Também escutei várias fábulas e lorotas sobre Eric Dolphy, pois em terra brasilis naquela época, ainda era difícil o acesso à internet e publicações sérias e fundamentadas que tinham origem estrangeira. Mas Eric Dolphy ganhou importância efetiva para mim quando estava me aprimorando na bateria e pesquisava e apreciava muito a minha maior influência no instrumento percussivo: Max Roach. Quando comprei o disco Percussion Bitter Sweet de 1961, foi e é até hoje o maior impacto no jazz para mim. E lá estava Dolphy incendiando as ousadas composições de Roach em compassos ternários com um instrumento de sopro o qual desconhecia a existência, o clarinete-baixo. Aquele som grave e incomum que se transformava em tons elevados que Dolphy fazia soar como um violino me despertaram o desejo de tocar o clarinete-baixo e estou me desenvolvendo com ele até hoje. E o principal motivo de não ouvir tanto as gravações de Dolphy foi não me influenciar por ele no clarinete, pois Dolphy consolidou o que posso dizer, o clarinete-baixo como instrumento solo no jazz. Claro que já haviam músicos que faziam uso do clarinete-baixo, como Harry Carney e Buddy DeFranco, mas nunca da maneira que Dolphy o fez. Depois vieram outros que levaram o instrumento em outros níveis de evolução como Anthony Braxton, John Surman e Willen Breuker. A minha estratégia deu certo para não absorver clichês e soar um rascunho mau traçado de Dolphy (graças à Deus!).
Bem, depois da conversa com meu amigo, bateu a saudade de ouvir Dolphy e resolvi compartilhar este momento com esta gravação, que não é tão comentada como Out To Lunch, mas lá estão os clássicos Hi-Fly, composição de Randy Weston onde Dolphy mostra a influência dos pássaros ao tocar flauta transversal e God Bless The Child, conhecida pela voz de Lady Day, que se tornou marca registrada de Dolphy num solo de clarinete-baixo, assim como For Alto de Braxton. O trompetista Benny Bailey pode não ser lá muito lembrado entre os nomes do trompete, mas teve uma carreira sólida desde 1959 e boa parte dela foi na Europa. Pepsi Auer é um pianista alemão e há pouca informação sobre suas atividades, mas é possível perceber a influência de Bud Powell e Horace Silver em sua musicalidade. George Joyner mudou seu nome para Jamil Nasser, tocou com B.B. King, gravou em 1956 no disco de Phineas Newborn, tocou Sonny Rollins, Randy Weston, Al Haig, Ahmad Jamal, Lou Donaldson, Red Garland, entre outros.
Earl "Buster" Smith foi baterista na Arkestra de Sun Ra por um longo período entre as décadas de 80 e 90. Clique na imagem para acessar o arquivo e relembrar como eu ou se ainda não ouviu o suficiente para entender porque Eric Dolphy é ERIC DOLPHY.

Friday, February 03, 2012

documentários "bruxa de blair" na música

Não fazem muitos anos atrás que um gênero de filme de suspense e terror se tornou em evidência no mercado ocidental: filmes estilo documentário fake (falso, fictício). A estratégia de marketing anuncia que tal produção é baseada em fatos reais e o filme A Bruxa De Blair ganhou notoriedade, com seu estilo documentário, com uma estética câmera manual, sim, daquelas que qualquer um possui para filmar churrascadas, aniversários de casamentos de forma amadora, assim criando uma atmosfera incômoda de fotografia e enquadramento, foco e até chegando ao ponto de muitos questionarem se aquelas filmagens eram verídicas (?!). E assim abriu-se um leque lucrativo para este segmento, com filmes de atividades paranormais, que já eram comuns no mercado do cinema asiático. Baseado em fatos reais... bem, eu em particular não sou cético em relação a existência da atmosfera espiritual, do mundo espiritual, mas não com esta estética creepshow que a maioria associa, e sim, algo muito mais amplo e muito menos fantasioso. Mas esta questão não vem ao caso e agora vou explicar o motivo desta analogia com os documentários e filmes dentro da esfera musical.
Mais uma vez o avanço tecnológico e mercadológico contribuíram na viabilidade de fazer arte cinematográfica sem a limitação e necessidade de orçamentos milionários. Ora, essa democratização finalmente chegou à chamada sétima arte, claro que um pouco mais custosa do que foi para a música, que puxou um belo rodo na tenebrosa indústria fonográfica mundial. Como sempre ao longo da história humana, a liberdade gera benefícios e malefícios em proporções oscilantes.
Ultimamente os segmentos chamados independentes ou underground, tem a chance de registrar em documento visual, as suas recentes trajetórias, com a possibilidade de realizá-lo com muitos de seus personagens ainda em atividade e não tendo que recorrer tanto às montagens de cartazes, fotos, registros em áudio e clima póstumo. Muitos documentários de músicos do chamado jazz são precários, pois na época só gigantescas empresas possuíam equipamentos de filmagem.
Boa parte destes documentários sobre artístas e "cenário" musical, feitos atualmente, principalmente aqui no Brasil, são um tanto fantasiosos, a la bruxa de blair, fake. Como ainda não se formou uma base sólida na confecção de documentários (não importa o formato de midia), ou uma escola, as distorções de realidade ainda predominam. E essa distorção não vem de hoje, pois isso vem desde o primeiro documentário da Terra Brasilis, feito por Pero Vas de Caminha. Só os grandes estúdios cinematográficos comerciais possuíam equipamento audio visual adequado, além de não haver o menor interesse em se fazer um documentário sobre Albert Ayler por exemplo. Mas que raios isso tudo tem haver com a bruxa de blair? A bucha é
o seguinte:
Os documentários estão a mercê da memória do produtor e dos envolvidos, que na maioria dos casos, romantiza e idealiza como os fatos realmente aconteceram, deixando de lado a análise empirica e se entregando às emoções, idealizações, distorcendo a realidade. Isso acontece porque na maioria dos casos, seja sobre a trajetória e uma banda ou nascimento de uma "cena" ou movimento musical, ninguém tinha a visão de começar a colher dados e registrá-los desde o início, como fazem os pais, que guardam a pulseirinha de identificação da maternidade, o primeiro dente de leite que vai, etc. Então o que se registra, é uma imagem onírica do que realmente foi, como se tudo fosse muito bonito, emocionante e tal. Claro que existem depoimentos controversos em alguns casos, mas mesmos estes ganham uma roupagem que travestem em mal ou tristeza poética(???!!!). Claro que muitos que participam destes documentários realmente acreditam que foi da maneira como lembram e as emoções acabam contaminando a legitimidade como documentário, pois a maioria dos que estão envolvidos no projeto, tem uma forte ligação emocional (não que não deva existir), que sobrepõe e distorce os fatos, comprometendo o objetivo jornalístico, se realmente há esta intenção.
O resultado é a geração posterior comprando a idéia de que tivemos momentos maravilhosos nos movimentos musicais de uma forma perfeita, como uma propaganda de margarina, mesmo com os seus conflitos e a geração que vivenciou fica dividida em pessoas tristes por ver o delírio de outros que tem ou não consciência da realidade e sustentam isso.
Mas quem se importa, não é? Muita gente ainda crê que a proclamação da independência do Brasil foi igualzinho a pintura de Pedro Américo e a imigração foi como a novela Terra Nostra...

Monday, January 30, 2012

A Letter to Momo (ももへの手紙)


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A história de uma garota chamada Momo que luta com passagem repentina de seu pai e resultando passar para o campo. Momo encontra uma surpresa do outro mundo em seu novo lar. Novo filme do estúdio de animação Production IG e dirigido por Hiroyuki Okiura, que também foi responsável pelo filme Jin-Roh de 2000. O processo de produção durou 7 anos entre planejamento, escrita, storyboards, e direção.

Sunday, January 22, 2012

Sabu Toyozumi, Rodrigo Montoya e Thomas Rohrer no Otto Bistrot (30/01/2012)

Na última segunda-feira do mês de Janeiro teremos novamente o prazer da presença de Sabu Toyozumi, que se apresentou por aqui no mês de Dezembro de 2011. Toyozumi se apresentará com um trio formado pelos integrantes do pioneiro projeto grupo de Improvisação Livre brasileiro, que são Rodrigo Montoya, violão e shamisen e Thomas Rohrer, rabeca e saxofone. Sabu também toca o erhu, instrumento de corda tocado com arco, de origem chinesa. Com certeza será uma apresentação com música livre e criativa sem decepções, pois os três músicos possuem uma identidade própria e um trabalho consistente. E como se não fosse suficiente esses motivos para prestigiá-los, o concerto será realizado em um local agradável, acessível tanto fisicamente (bem perto do metrô Paulista), às 21:ooh, como financeiramente (apenas R$5,00). Se você tem interesse e prazer de ouvir música criativa, ousada, compromissada apenas com a arte, já começou o ano de 2012 ganhando esse presente.

local: Otto Bistrot - Rua Pedro Taques, #129;
horário: 21:00h
preço: R$5,00

Feirinha da Teodoro: agonia e tristeza, a sociedade morre mais um pouco

Uma cena comum na cidade de São Paulo é a morte de uma pessoa que perdeu sua cidadania e dignidade e é denominado indigente. A sepultura não possui um epitáfio, não há flores, nem pranto. No dia de finados ninguém faz uma visita. O óbito ocorreu enquanto a cidade pulsava, pessoas iam para o trabalho, escola, às compras, ao lazer. Uma pessoa morreu e deu seu último suspiro e ninguém ouviu ou se deu conta. Só depois alguma pessoa na mesma situação percebeu que seu semelhante em estado de humilhação social, não tinha mais o fôlego da vida. Ou algum funcionário encarregado da manutenção das vias públicas deparou com uma carcaça sem vida. É um saco de plástico preto com lixo ou um gavetão com um cadáver? Ora, quem se importa?
A Feirinha da Teodoro, que ocorria no quarteirão da rua Teodoro Sampaio entre as ruas Lisboa e João Moura, deixou de existir por conta da nova diretriz da prefeitura da cidade. Tecnicamente a Feirinha da Teodoro e a feira da Benedito Calixto, tem muitas diferenças, mas num ângulo mais abrangente seriam praticamente a mesma coisa. Mas como a feira organizada na Teodoro era desvinculada aos mecanismos burocráticos, corporativos e políticos, teve sua existência revogada. Não que os artesãos da feirinha da Teodoro quisessem fazer as coisas de forma a ferir as leis constitucionais, muito pelo contrário, queriam legitimar e legalizar formalmente a sua situação e poder expor e comercializar seu artesanato dentro dos estatutos.
Mas prevaleceu a vontade de outros grupos. Não vou estender sobre esta questão em particular por já ter abordado isso por aqui anteriormente. Também não vou citar a diretriz extremamente equivocada tomada pelas autoridades em relação ao artesanato independente.
Tenho consciência plena de que haverá discordância do que estou emitindo aqui. Claro, qualquer pessoa tem o direito de discordar e fazer algum comentário, mas será perda de tempo argumentar para mudar minha opinião, pois ela se baseia meramente em fatos e resultados, não em suposições e teorias e ideologias.
Recentemente, um grupo dos movimentos dos sem terra invadiu uma propriedade que estava em desuso pelo proprietário por um longo período, sendo dada por abandonada. Existe até um mecanismo de lei que legitima esta ocupação, o termo usucapião. Mas depois da invasão o proprietário tomou conhecimento e resolveu acionar a reintegração de posse, mesmo que fosse para continuar com sua propriedade sem uso algum. Os ocupantes na intenção de fixar moradia e transformar o local como fonte de sustento, com foco na agricultura, se mobilizaram e formaram um pequeno exército para um confronto com as autoridades. A Justiça decidiu por anular a reintegração de posse e buscar um meio sensato de resolver o conflito. Os ocupantes responderam com resistência e convicção e conseguiram um resultado mais favorável até então.
O caso da Feirinha da Teodoro que é menos complexo que este que citei não teve o mesmo resultado. Se você observar a foto abaixo ou se esteve no local em questão nestes últimos meses, pode constatar que permaneceu apenas um número irrisório de artesãos engajados na luta pelos seus objetivos. Não chegou nem de perto a 10% dos que expunham seu artesanato que participou do foco de resistência. É frustrante ver que um bando de adolescentes tem mais perseverança em conseguir o melhor lugar no show da Britney Spears do que muitos que simplesmente entregaram os pontos quando se baixou o decreto autoritário da prefeitura. Não era nada garantido que se todos os artesãos continuassem a sua vigília de protesto até agora, teriam conseguido atingir seu objetivo. Mas é mais do que óbvio que se todos tivessem se unido totalmente, algo teria acontecido de forma mais positiva para os participantes da feirinha. A união faz a força para se fazer ouvir.
Teriam sem dúvida deixado um belo zumbido de indignação nos ouvidos da autoridade arbitrária. Mesmo que se não conseguissem o direito de continuar com a feirinha, a luta não teria de maneira alguma sido em vão. Mas as vozes foram abafadas no meio do trânsito e da multidão, multidão de pessoas, carros, interesses sócio-político econômicos. Se a Feirinha da Teodoro deu seu último suspiro, ninguém ouviu, ninguém se deu conta, ninguém se comoveu e mais um pedaço de vida desta cidade morreu. Não há funeral, não há flores e muito menos a bandeira a meio mastro. Quem descansou em paz?

*ps.: Depois que escrevi este texto, as autoridades resolveram voltar atrás e retomaram o processo de reintegração de posse e o que se vê no noticiário, a crueldade em nome do lucro e interesses nada nobres. E a população, os pobres sofrem.



Friday, January 20, 2012

Louis Hayes - The Real Thing (1977)

Louis Hayes nasceu dia 31/05/1937 em Detroit, sua maior influência foi Philly Joe Jones e teve Papa Jo Jones como mentor musical. Ainda no fim da adolescencia trabalhou com Yusef Lateef e Curtis Fuller, depois se associou a Horace Silver e três anos depois com Cannoball Adderley, Oscar Peterson por dois anos e realizou diversos trabalhos com Freddie Hubbard, Joe Henderson, Kenny Barron e James Spaulding. No início dos anos 70 formou um quinteto com Woody Shaw e Junior Cook que deixou o grupo, dando lugar à Renè McLean, que desenvolveu sua própria personalidade ao saxofone, independente de ser filho de Jackie MacLean.
The Real Thing se assemelha em alguns aspectos ao Jazz Messengers de Art Blakey, mas a sonoridade é uma contemporânea do chamado hardbop. Talvez haja mais semelhanças entre os Messengers e o sexteto de Hayes quando Billy Harper colaborou com Blakey. Hayes tocou com Trane na época do hardbop nas gravações do selo Prestige e também no controverso Coltrane Time, que teve alguns problemas burocráticos, de marketing, pois se tratava de uma seção liderada por Cecil Taylor, entitulada de Hard Driving Jazz. Louis Hayes é um baterista enraizado na tradição do jazz que proporciona um andamento dinâmico e vigoroso às composições. Slide Hampton é contemporâneo de Curtis Fuller e não deixa de ser fruto da evolução do trombone desde J.J. Johnson. Stafford James tocou com Albert Ayler, Pharoah Sanders, Alice Coltrane, Gary Bartz, Andrew Hill entre outros músicos criativos. Ronnie Mathews tocou com Art Blakey, Max Roach, Clifford Jordan e muitos citavam Thelonious Monk e Bud Powell em suas influências e algumas semelhanças do estilo de McCoy Tyner.
The Real Thing é um disco atemporal e cheio de vitalidade, aliás vitalidade é a principal característica de Loius Hayes à bateria. Clique na imagem para acessar o arquivo.

Thursday, January 19, 2012

Luiz Melodia - Pérola Negra (1973)

O filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia nasceu no morro do Estácio dia 7 de Janeiro de 1951, mas Luiz Carlos dos Santos não recebeu incentivo do pai em seguir a carreira musical. Mas com o tempo, seu Oswaldo esqueceu da idéia de seu único filho homem se tornar um "doutor" formado, com diploma e tudo mais, se tornando grande fã de Luiz Melodia.
Ultimamente algumas pessoas redescobriram grandes músicos que passaram batido por eles dos anos 80 até hoje. Muitos até tinham um grande pré-conceito em relação à mpb, associando estereótipos equivocados. Por muito tempo esse grupo ligado a cultura em São Paulo renegava o produto musical nacional e no máximo se admitia Os Mutantes e ainda por cima por conta de certos ingredientes estrangeiros, fora a citação de músicos estrangeiros sobre a música brasileira, que influenciaram essa gente, mesmo que forma um tanto quanto estranha.
O tragicômico é que só depois de muito tempo começaram a comentar sobre Itamar Assumpção (ele, o baterista Gigante Brasil eram facilmente encontrados pela cidade e até no bairro em que moro), só quando ele morreu é que "descobriram" o Itamar, fizeram até um documentário. Agora também "descobriram" o Jards Macalé, que também passou batido, tanto que me lembro quando ele se apresentou por aqui a quase dez anos e praticamente só havia os velhos fãs.
Será que o Luiz Melodia vai receber o devido reconhecimento?
Pérola Negra foi lançado no mesmo ano em que nasci e sem dúvida merece estar no mesmo patamar do primeiro lp de Itamar, o Beleléu, Leléu, Eu (1980) e Jards Macalé (1972), que inclusive conta com uma bela versão de Farrapo Humano do disco Pérola Negra.
Para muitos, Pérola Negra pode ser bem familiar, não seja novidade nenhuma, mas para outros muitos que resolveram parar de desejarem ser do cenário artístico de New York ou London, Luiz Melodia seja uma grande descoberta. Clique na imagem para acessar o arquivo e comprovar o que estou falando.
*ps: Só para instigar a cuiriosidade dos moderninhos e antenados, tem uma música do Pérola Negra em que se usou um sampler do Daminhão Experiença. Quem tem ouvidos, que ouça...

Monday, January 16, 2012

Teóricos e filósofos de facebook

Tão comum e frequente como spams, banners de publicidade que inundam as páginas da world wide web, também há um mar de muitas vozes divagando sobre diversos assuntos existenciais e socio-políticos na janelinha do facebook. O formato configurado desta ferramenta de relacionamento pessoal digital permite o compartilhamento coletivo de tais divagações, mesmo que o usuário não as queira, involuntariamente estará em sua página devido ao recurso chamado share (compartilhar). Ou seja, um conhecido de um colega de um amigo do seu amigo resolve compartilhar uma frase, imagem com outro que você não conhece, mas é contemplado da mesma forma e se desejar, pode adicionar um comentário e se envolver na pauta. O livre arbítrio nos proporciona tudo isso e de forma alguma estou me isentando deste processo, pois também estou conectado ao serviço. As vezes esqueço que algumas pessoas que não conheço, mas estão indiretamente ligadas a minha pessoa pela rede do facebook, acabam deparando com links de video do youtube com bandas de heavy metal, hardcore, improvisação livre, pop que podem ser o fim da picada para elas. Então o caso aqui não é criticar a existencia desse mecanismo e muito menos quem compartilha, mas refletir sobre o teor do que se escreve e se compartilha no facebook. Em sua essência, não é diferente daquelas calorosas divagações de mesa de bar que ainda se vê por aí (ainda bem). A diferença é que o conteúdo alcança um número maior de pessoas e de forma involuntária.
Espero que a pessoa que expõem suas teorias e filosofias tenha o mínimo de responsabilidade e coerência em primeiro avaliar suas fontes de informação (ora, qualquer pessoa de mentalidade mediana sabe que o google e a wikipedia não são fontes 100% seguras) antes de apertar a opção share ou responder a pergunta what's on your mind? ou add photo/video. Claro que algumas pessoas diante desta questão me mandarão um screw you digitado em caixa alta e compartilharão goela abaixo de quem quer que seja, afinal são livres e não dependem de ninguém e etcs por aí afora. Mas também não devemos esquecer de um fato inevitável: quem fala o que quer, acaba ouvindo o que não quer. Eu mesmo estou sujeito a isso quando escrevo no meu próprio weblog, facebook, msn e é claro, no facebook.
O interessante é que o facebook se tornou um instrumento para veicular pensamentos que muitas pessoas não tinham coragem de expor e compartilhar no mundo real. então no mundo virtual surgem ativistas dos mais ferrenhos e os mais profundos filósofos que a história da humanidade jamais presenciou antes. Também não é tarefa de peritos perceber que muitos desses teóricos e filósofos de internet não tem lá muita certeza do que estão falando, que não fizeram a lição de casa, ou seja, não fizeram uma extensa pesquisa e estudo sobre o assunto abordado (afinal, quem tem tempo pra isso, né?) e acabam escrevendo no calor de suas emoções deixando a razão de lado justamente no ponto em que ela é essencial. Fora que há uma parte considerável de teóricos e filósofos de facebook que não são testemunho do que pregam na web. É o famoso faça o que eu digo e não o que eu faço. E tem gente que ainda acha engraçado este tipo de afirmação e até aceita, fazendo pacto com a dona hipocrisia.
Espero que as pessoas busquem mais entendimento e não agarrem qualquer frase de efeito, dando a desculpa que os dias de hoje não permitem uma melhor reflexão. Então tá, é como pegar um ônibus sem ler o nome e número da linha, o itinerário que estão bem visíveis na frente e na lateral de entrada do veículo e ainda por último recurso, perguntar ao motorista e ao cobrador. Vai ver onde você vai parar, queria ir até uma travessa da av. Paulista e parou no ponto final da Parada de Taipas.

Thursday, January 12, 2012

Sabu Toyozumi e a música

No último mês de Dezembro em 2011 Sabu Toyozumi ministrou um workshop de improvisação livre no setor de oficinas do Centro Cultural São Paulo. Ele fez um resumo dos conceitos básicos deste tipo de linguagem musical e procurou fazê-lo da forma mais abrangente possível tendo em vista o tempo escasso de duração, pois a atividade era de apenas um dia com três horas de duração. Se ainda havia algum vestígio do estereótipo do oriental que zela de forma rígida pelo esmero meramente técnico, perfeccionista e até frio em suas atividades, sem dúvida vários pontos foram expostos à alva da luz. Sim, faz parte da cultura japonesa este zelo e busca pelo perfeito de uma forma mais contundente ao que estamos acostumados por aqui. Mas isso de forma alguma implica num produto impessoal, robotizado e asséptico. Muitos conceitos sobre certas palavras e seus significados são interpretados de forma errônea e muito se perde na penumbra da ignorância. Como no caso da palavra disciplina. Muitos ainda entendem como algo rígido, autoritário e castrador de liberdade e isso não isenta pessoas com um grau de educação, informação e cultura considerado elevado.
Enfim, todos estes ítens que são interpretados de forma distorcida são necessários para produzir uma arte de alta qualidade e criatividade, tanto fisicamente como espiritualmente, mas os métodos jamais devem ocupar o espaço que não lhe pertence, os meios não devem sobrepujar os fins, os métodos não devem sobrepor os resultados, são apenas veículos, ferramentas. Isso é comprovado no horrível formato que a maioria dos músicos brasileiros acabam adotando, seguindo rascunhos pra lá de equivocados e no máximo se tornam uma imagem refletida de uma instituição como a Berklee College Of Music, mas só que é um reflexo de um espelho de parque de diversões. Institutos de tecnologia guitarrada e caixinha de fósforo ou sei lá o que, vão produzindo em série sub-produtos em um molde como os produtos da 25 de Março, homogêneos, com gosto (ou sem) do achocolatado em pó genérico que vem na cesta básica mais em conta.
Mas tudo isso é assunto para uma outra pauta, pois o que é interessante e proveitoso para quem apenas quer desfrutar da música vinda da nascente, cristalina, isto é, vinda de nossos sentimentos, emoções, pensamentos, auxiliada e arquitetada pelo nosso lado racional, deve atentar para o que Sabu Toyozumi pôde transmitir em sua breve passagem por estas terras. Ele afirmou várias vezes o quanto é danoso o músico entrar em desequilíbrio no aperfeiçoamento musical, deixando a técnica ocupar espaço demasiado no indivíduo. A técnica só precisa ser eficiente para representar com o máximo de fidelidade possível o sentimento do artista. Sabu afirmou várias vezes que devemos criar música, tocar como uma criança, com aquele frescor, sem se preocupar com a opinião de outras pessoas, ser livre de conceitos pré-determinados, humilde, de coração aberto.*
Depois que o sr. Toyozumi expressou de forma mais abrangente possível no curto espaço de tempo disponível o que é e como se deve compreender sobre música, no caso específico a improvisação livre, foi diretamente ao assunto: tocar. O estudo é apenas o veículo, não haverá proveito se o músico não interagir com outros músicos, ouvintes e o meio ambiente. Absorver informações e sensações e transformar tudo num belo gesto sonoro. Ora, isso é tudo tão óbvio, quantos textos e ensinamentos já não foram proferidos ao longo da história da arte sobre isso? Mas a vaidade humana insiste em complicar tudo...

* "Portanto, aquele que se tornar humilde como uma criança, esse é o maior no reino dos céus." - Mateus 18:4

Monday, January 09, 2012

Abaetetuba na Galeria Coletivo

Nesta última sexta-feira dia 6 de Janeiro de 2012 aconteceu a reunião de todos os membros do grupo pioneiro de improvisação livre no Brasil, o Abaetetuba, que contou com Antonio "Panda" Gianfratti (percussão), até então o único que permaneceu no Brasil da formação original, Rodrigo Montoya (shamisen, violão), que retorna a São Paulo após um período na Inglaterra, Yedo Gibson (saxofones) e Renato Ferreira (saxofone e contra-baixo), que residem atualmente na Holanda, Thomas Rohrer (rabeca), que também reside em São Paulo e Luiz Gubeissi (contra-baixo), que recentemente retomou sua trajetória musical junto ao grupo. Faziam bons anos que o Abaetetuba não se apresentava com todos os seus integrantes por aqui. Foi um belo presente para mim em particular, poder prestigiar música extremamente criativa, feita por amigos e ainda a três quadras de minha casa. Também participaram da apresentação, Alfredo Genovesi (guitarra) e Sandra Pujols (voz), que são membros da Royal Improvisers Orchestra, fundada por Yedo na Holanda, que se apresentou pela primeira vez no Brasil, no Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Juventude e Espaço Serralheria.
Nada mais estimulante e justo como ter o Abaetetuba abrindo o ano de 2012 para a improvisação livre no Brasil, que está no início de uma longa caminhada para se consolidar como voz ativa no cenário musical brasileiro, que necessita urgentemente expandir seus horizontes, romper inclusive com os novos clichés do distorcido e recente cenário underground ou independente nacional, que tem o triste histórico de sabotar a si próprio. Que a improvisação livre possa existir e se estabelecer por si só e podendo contar com a colaboração de outras áreas, para que a improvisação livre soe livremente, mas não com uma estrutura improvisada.

Friday, December 30, 2011

Sam Rivers (25/09/1923 – 26/12/2011)

Eu realmente não sei qual era o significado do natal para Samuel Carthorne Rivers, nascido em Enid, Oklahoma, mas seu pai era um músico evangélico que lhe apresentou a música desde seus primeiros anos de vida e este foi seu último natal entre os vivos. Não importa quem seja, do anônimo ao famoso, do rico ao miserável, do mediocre ao talentoso, todos voltam ao pó da terra, sem acepção de pessoas. Agora seu saxofone e sua flauta não podem mais modular o ar e criar lindos sons, mesmo que para muitos fosse uma música estranha e que passou desapercebida, sua mente e seu coração não mais se fundem para criar belas músicas, pois para onde Sam Rivers foi, não há obras, não há bandas, orquestras, ele dorme e seu conhecimento desta terra se foi. Nos deixou muitos registros em diversos formatos de midia, a lembrança em vários níveis, dependendo do grau de relacionamento com ele, nos deixa saudades. Agora alguns veículos jornalísticos divulgam uma nota qualquer, outros prestam uma homenagem mais digna. Rivers passou quase incognito por estas últimas décadas e mediocremente é lembrado de sua breve associação com o controverso Miles Davis, que desaprovou sua arte naquele período. Poucos são os que se lembram e reconhecem seu mérito por ter lutado, resistido e sobrevivido nos duros anos 70 em que o tal do free jazz era considerado a escória do jazz, da música, tanto que a maioria dos músicos norte americanos do free jazz, se não se exilaram na Europa, onde houveram melhores e mais dignas condições de criarem sua música, passaram duros invernos tocando em sótãos e porões devido ao fechar das portas e oportunidades para o free jazz, avant-sei lá o que, bem, não importa. Sam Rivers e sua esposa Bea, mantiveram o Studio Rivbea no sótão de sua casa em Lower Manhattan, onde se tornou um dos principais focos de resistência da música livre, ousada e criativa e suas sessões se tornaram célebres e um de seus frutos está registrado na série Wildflowers, que depois de muitos anos, foi reeditado em formato digital.
Não vou me estender sobre sua trajetória, pois tudo não está registrado em publicações na world wide web, gravações, videos, livros e revistas? Basta ter um mínimo de interesse e poderá encontrar informação suficiente sobre Sam Rivers e sua música, basta querer...
Não há mais motivos para tristeza, Sam Rivers desfrutou de sua breve vida, mesmo que sejam longos 88 anos, o que são 88 anos perante a eternidade? Sam Rivers aproveitou todo seu fôlego de vida e fez com amor o que lhe foi dado por Deus, o talento musical. Não ficou inerte esperando que seu talento se manifestasse por sí só, trabalhou, plantou, cuidou e colheu seus doces frutos, com o suor de seu rosto. Não posso me despedir de Sam Rivers, pois ele não pode mais me ouvir, mas agradeço à Deus por Sam Rivers ter nascido 50 anos antes de mim e ter deixado sua música para meus ouvidos.

http://www.rivbea.com/

Saturday, December 24, 2011

Downtown no Gaki no Tsukai ya Arahende!!

video video

Downtown é uma dupla de comediantes formada em 1982, de Amagasaki, região de Osaka, que também é bastante conhecida pelos seus comediantes e humor característico. O Batsu game é um jogo em que há uma regra estabelecida e no caso dos videos que estão neste post, é proibido rir em qualquer circunstância e o jogador está sujeito a uma punição. No caso os três participantes passam 24 horas em uma academia de polícia onde passam por diversas situações para induzí-los ao riso e são monitorados em todo o tempo. video

Saturday, December 17, 2011

The Vandermark 5 – The Horse Jumps And The Ship Is Gone (2010)

Sim, o natal está chegando e aqui vai mais um para a sessão de presentes do Sonorica.
Me lembro do primeiro contato que tive com o The Vandermark 5, foi em 1998, quando trabalhava numa pequena loja de cd's no centro de São Paulo, onde eu fazia os pedidos para a importadora e me deparei com um catálogo coletivo de vários pequenos selos de rock independente e algo experimental. Alí estava o anúncio de Single Piece Flow, o primeiro disco do V5 e a descrição falava de um renovo no free jazz norte americano e do tradicional celeiro de música mais ousada: Chicago. Aquilo me intrigou e argumentei para o meu senhorio que deveríamos apostar naquele disco, mesmo que fosse só uma unidade e que se ninguém comprasse, eu compraria, pois algo me dizia que tinha algo especial no V5. Um conhecido meu foi na loja e eu ofereci o ítem recém chegado e lancei a proposta irrecusável: se ele não gostasse, receberia o dindico de volta, ou seja, disse que comprava de volta. Era a chance dele gostar e ter o prazer de conhecer algo novo e parar de ficar só nos ícones dos anos 60. Quando ouví a primeira faixa, foi um grande impacto, tinha a energia punk rock e o esmero e liberdade em grandes dimensões do free jazz. E a guitarra distorcida de Jeb Bishop (também trombonista), Ken Vandermark ao clarinete baixo soa tão desbravador quanto Eric Dolphy. O free jazz estava se renovando! Desde então este é um dos meus grupos favoritos e também iniciei um vínculo com o Vandermark e trocamos algumas palavras via net e duas vezes em pessoa. O V5 teve uma virada em 2006 com a mudança do line-up: sai a guitarra e trombone de Jeb Bishop e entra o violencelo de Frederick Lonberg-Holm. Isso trouxe uma nova perspectiva sonora ao V5 e confirmando o espírito desbravador do quinteto.
Em The Horse Jumps And The Ship Is Gone, o V5 atinge mais uma nova e impactante dimensão sonora com a colaboração inédita de piano e trompete. O sueco Magnus Broo traz um renovo no trompete na free music e o pianista norueguês Håvard Wiik também dá continuidade no avanço do amplo espectro sonoro deste instrumento que possibilita muitos caminhos. Clique na imagem para acessar o arquivo.

Friday, December 16, 2011

Montego Joe - !Arriba! Con Montego Joe (1964)

Mais um post da sessão de presentes natalinos do Sonorica:
Roger Sanders nasceu na Jamaica e chegou nos E.U.A. em 1939 entre nove e dez anos de idade. Geralmente quando se fala sobre percussionistas no segmento do chamado jazz e Afro-Cuban music, lembra-se de Mongo Santamaria, Sabu Matinez, Willie Bobo, Candido, Machito, etc. Mas Montego Joe tem uma carreira de seis decadas que inclui nomes como Nina Simone, Dizzy Gillespie, Max Roach, Art Blakey, Fifth Dimension, etc., foi professor na Medgar Evers College e *Bedford Stuyvesant Restoration Corp (Youth Arts Academy). Com sua técnica apuradíssima, teve crucial importância para o desenvolvimento da percussão vinda da diáspora africana. Em Arriba!, Montego executa uma composição de Horace Silver, Too Much Sake, uma composição em parceria com o trompetista Leonard Goines chamada Maracatu. Sim, é isso mesmo, em 1964 já tinha músico "gringo" apreciando o ritmo nordestino, pra quem ainda pensa que o manguebeat é que revelou o maracatu ao mundo. Também conta com a presença de Eddie Gomez no contra-baixo, que gravou com o chato do Bill Evans (fãs, não se ofendam, é só uma brincadeira, take it easy) e vários músicos de free jazz. Agora se você souber quem está ao piano e na bateria e timbales, ganha um prêmio... mais informação musical! Inclusive um deles trilha por caminhos bem diferentes dos tempos com Montego Joe. Clique na imagem da capa do disco para acessar o arquivo.

*Bedford Stuyvesant é um bairro central do Brooklyn, New York. Foi cenário para o filme de Spike Lee, Do The Right Thing (Faça a Coisa Certa) e o seriado Everybody Hates Chris (Todo Mundo Odeia o Chris), ou seja, é o bairro Bed-Stuy

Tuesday, December 13, 2011

Sabu Toyozumi e Abaetetuba (17/12/2011)

Sábado dia 17/12 às 17:00h no b_arco centro cultural

Sabu Toyozumi: bateria (Japão) se apresenta com membros do coletivo ABAETETUBA:
Rodrigo Montoya: shamisen,violão
Thomas Rohrer: rabeca,sax
Panda Gianfratti: percussão
Luiz Gubeissi: baixo acústico

b_arco | RUA DR. VIRGÍLIO DE CARVALHO PINTO, 426 - tel.:(11) 3081-6986
(entre Teodoro Sampaio e Arthur de Azevedo)
Entrada R$10,00.
Obs.: o concerto começa no horário marcado.

Sabu Toyozumi e Abaetetuba (17/12/2011)

New Order - Substance II (1989)

Inaugurando a sessão de presentes de natal, a compilação Substance II do New Order, lançada em 1989, na verdade é um bootleg seguindo o mesmo formato da compilação original e oficial de singles do grupo, o Substance, com a capa branca, que foi um best seller também aqui no Brasil, tendo como destaque a versão single de Blue Monday, seguindo de Perfect Kiss e Bizarre Love Triangle. O Substance II contém a versão exclusiva do single Hurt e as versões instrumentais de Confused e Thieves Like Us. The Beach também é denominada como a versão dub de Blue Monday e 1963 é a canção mais popular do disco. Pode-se considerar que o Substance II é o dark side of Substance, por incluir músicas que são menos conhecidas pelo público em geral e claro, por ser um bootleg. Clique na imagem para acessar o arquivo. Ah, até lamentei de não ter ido à apresentação do New Order este ano, mas sei lá, pra mim em particular é difícil sem o som do contra-baixo elétrico do Peter Hook.

Wednesday, December 07, 2011

Sabu - Message To Chicago (1974)

Até mesmo no chamado free jazz existe o péssimo habito de apenas haver interesse nos "ícones" do estilo, que são reverenciados pelas ferramentas de midia especializada. Hoje em dia com a world wide web não há mais desculpas de não ter acesso a música ousada, livre e de qualidade, visto a ampla e vasta gama de possibilidades como blogs especializados, sites, file sharing, youtube e até as mais óbvias ferramentas que são a wikipedia e o google (claro que toda fonte de informação via net deve ser checada com critério).
O baterista Sabu Toyozumi vem atuando na música livre desde os anos 70 e para quem não sabe, se associou à famosa AACM de Chicago em seus primórdios. Pois é, não é só de Art Ensemble Of Chicago que a AACM vive.
Aproveitando a curta temporada de Sabu Toyozumi em São Paulo, que realizou um workshop nesta última terça-feira no centro Cultural São Paulo e se apresenta nesta quarta-feira em um duo com Antonio Panda Gianfratti no mesmo local às 21:00h com entrada franca e na sexta-feira dia 09/12 no Espaço Serralheria às 23:00h, aqui vai uma pequena fração da arte de Sabu registrada, que inclusive executa composições de Roscoe Mitchell e Malachi Favors do AEOC. Clique na imagem para acessar o arquivo e conhecer um pouco mais do cenário free jazz japonês e instigar mais ainda o interesse por este estilo de música ousada que circula pelo mundo sem fronteiras.

Monday, December 05, 2011

Redline - Takeshi Koike (2009) special trailer version

video
Dirigido por Takeshi Koike, história original de Katsuhito Ishii e produzido pelo Madhouse Studio.

Amsterdam invade São Paulo (13,14,16,17/12/2011)

Royal Improvisers Orchestra – Holanda, sob a direção do saxofonista brasileiro radicado em Amsterdam, Yedo Gibson, se apresenta pela primeira vez em São Paulo no Centro Cultural São Paulo para lançar um disco gravado ao vivo na Bimhuis de Amsterdam, com participação do baterista holandês Han Bennink (que participou do último grupo de Eric Dolphy, além de outros grandes músicos do jazz norte americano e do cenário de improvisação livre e free jazz europeu), fechando o Festival Internacional de Improvisação realizado este ano.
Também se apresentará no Centro Cultural da Juventude e no Espaço Serralheria com concertos em diferentes formações trios, quartetos e quintetos formados com improvisadores brasileiros.
A Royal Improvisers Orchestra conta com 13 músicos oriundos de diferentes países e gêneros musicais, como o jazz, o punk e a música barroca, e é atualmente um dos mais representativos da nova geração de improvisadores dos Paí
ses Baixos.
Dia 13/12 (terça-feira), a partir das das 19:00h

#1
James Hewitt (violino barroco)
Marcos Baggiani (bateria)
Rubens Akira (clarinete baixo)
#2
Luiz Eduardo Galvão (guitarra)
Felicity Provan (trompete)
Renato Ferreira (baixo acustico)
Sandra Pujols (voz)
#3
Yedo Gibson (sax)
Panda (bateria)
Mikael Szafirowski (guitarra)

Dia 14/12 (quarta-feira), a partir das das 19:00h
#1
Marie Guilleray (voz)
Thomas Rohrer (rabeca e sax)
Marcio Gibson (bateria)
Renato Ferreira (baixo acustico)
#2
Rodrigo Kouve (shamisen)
Romulo Alexis (trompete)
Oscar Jan Hoogland (clavicorde elétrico)
Marcos Baggiani (bateria)
#3
Onno Govaert (bateria)
Flávio Lazzarin (bateria)
Andre Calixto (sax)
John Dikeman (sax)
Alfredo Genovesi (guitarra)

Local:
Espaço Serralheria: Rua Guaicurus, #857 - Lapa, São Paulo
entrada: R$10,00

Dia 16/12 (sexta-feira)
Local:
Centro Cultural da Juventude (CCJ)
Av. Deputado Emílio Carlos, #3.641 - Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo
entrada: grátis

Dia 17/12 (sábado) | às 19:00h
Local:
Centro Cultural São Paulo (CCSP): Rua Vergueiro #1000 - Paraíso, São Paulo
entrada: grátis

Info:

Improvisação Livre na Serralheria (09/12/2011)

Fazendo parte da vinda de Sabu Toyozumi e membros da Royal Improvisers Orchestra, Yedo Gibson e Michael Swafirowski, para oficinas e apresentações no Centro Cultural São Paulo, também participarão desta sessão de improvisação livre com músicos brasileiros.

Local:
Espaço Serralheria
Rua Guaicurus, #857 - Lapa, São Paulo às 23:00h

R$15,00.
 
 
Studio Ghibli Brasil