sábado, fevereiro 06, 2016

Freedom of Speech... Just Watch What You Say! (Esta postagem não se trata de discos)

Uma questão de opinião. Antes, apenas gostaria de lembrar que a capa de disco ao lado é o 3º disco do Ice-T, de 1989 e contém a música The Girl Tried To Kill Me com a participação de Ernie C, guitarrista do futuro Body Count, três anos depois. Abaixo a compilação de uma das melhores bandas inglesas de hardcore/punk, o Heresy. Apenas vou usar os títulos como uma ilustração sobre o assunto opinião.
"Liberdade de expressão... apenas observe o que você diz!".
"Expressar sua opinião". Heresia: Do latim haerĕsis, e do grego (αἵρεσις): "escolha" ou "opção". É a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha(m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo. A palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros.
Atualmente o cenário político/econômico brasileiro se agravou muito nos últimos anos e o facebook tem sido usado com mais frequência para a manifestação das opiniões das pessoas. Até aí tudo bem, "voice your opinion" e "freedom of speech"... Just Watch What You Say!
O facebook tem sido palco principal do afloramento de sentimentos terríveis do ser humano, como ódio, intolerância, ignorância, etc. Dificilmente uma exposição de uma simples opinião não se torna uma briga virtual. O debate dificilmente consegue se concluir sem ofensas. As pessoas não querem ser contrariadas, apenas querem que você simplesmente concorde com a opinião que elas publicam na timeline do perfil de seus facebook's. Quando se publica algo lá, tem uma opção que possibilita escolher para quem estará disponível para ver, ler, ouvir e...comentar. Assim também quem publica tem a escolha e o direito de apagar algo que não lhe agrade termos de comentários. Eu particularmente uso quando necessário essas opção de subtrair algo que não concordo ou não gosto, tanto em comentários em minhas publicações, assim como faço uso de outra opção que o facebook oferece: Ocultar ou não visualizar mais as publicações que não há interesse ou até ofendem, sem a necessidade de retirar alguma pessoa do perfil do facebook. Sim! As pessoas erram, cometem excessos, é a natureza do ser humano. Ainda bem que há essa opção, pois continuo a gostar das pessoas, não quero excluí-las apenas por terem opiniões diferentes ou contrárias às minhas. Também não tenho o menor interesse em convencê-las a mudarem de opinião para que concordem comigo. Elas tem o direito de serem livres e se não se importam se vão ofender alguém, aí é com elas.
Mas aí também é que está um grande problema. Só elas "podem" fazer isso. Quando alguém rebate à altura do que elas fazem, elas não toleram, ficam irritadas, agressivas, ofensivas. Elas não querem ser contrariadas e não aceitam que haja opinião contrária e sempre tem que ofender quem é contrário.
Se alguém rebate algo que você publicou, pode até debater o assunto de forma coerente, sem ofensas ou simplesmente ignorar. Sim! Por que perder tempo com alguém que provavelmente não vai mudar de opinião? A não ser que goste de brigar, ofender, ficar irritado, etc...
Por ser tudo virtual, as pessoas geralmente tomam coragem de afirmar coisas que pessoalmente não falariam ou fariam. E também gera muitos enganos e interpretações erradas sobre o que a pessoa está falando ou exibindo online. Veja o caso dos "likes" do facebook, há pessoas que se ofendem por você não dar o seu "like" no post dela. Imagine que você tenha pelo menos uma centena de amigos em sua rede e todos sempre publicando diversos posts diariamente. Às vezes escapa algo e você não viu, pois a timeline vai rolando, não é mesmo?
Outro dia vi a postagem de uma pessoa ofendendo pessoas que não concordavam com sua opinião e nem era sobre sua postagem e sim sobre um assunto. Digo que esta primeira se tornou igual às que ela reclamava, baixou o nível da mesma forma.
O tragicômico disso tudo, é que esse tipo de comportamento tem partido de pessoas que possuem um grau de instrução acima da média da população brasileira, além de serem pessoas que se consideram libertárias, até de esquerda, que combatem ferozmente a ditadura, imperialismo, capitalismo selvagem, moralismo, etc e etc. E no fim das contas elas agem como os líderes que deturparam o idealismo libertário, acabam agindo ideologicamente como Stalin, Mao Tse Tung, etc.
Enfim, este texto é apenas uma reflexão de uma opinião estritamente particular minha, sem valor algum para a sociedade, não tem nenhum propósito para debates, seria inútil, não estou querendo convencer ninguém a pensar igual ou até parecido, é apenas realmente para reflexão, para auto avaliação, para quem quiser refletir. No mais, fique apenas nos "likes" ;)

domingo, janeiro 24, 2016

Barrados no baile (do copyright)

Tudo começou quando publiquei uma matéria à respeito de um lançamento de gravações do Joy Division nunca editadas. Resolvi divulgar, pois aqui no Brasil seria praticamente inviável ter acesso. Logo em seguida recebi uma notificação ameaçadora de processo e minha conta no mediafire foi bloqueada. Notei que algumas pessoas visualizaram postagens que o link pertencia ao mediafire. Caso não tenham outras fontes, é só escrever um comentário nos respectivos posts e podemos disponibilizar um novo link. Lembrando que o Sonorica não lucra com isso, é apenas uma fonte de informação, principalmente para pessoas que não acesso. Obrigado pela atenção.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

The return of living dead...(oh não! De novo esse assunto sobre a volta do vinil? O que, k7 também?!)

Pois é, e lá vamos nós novamente falar sobre o tal do disco de vinil. Como tenho percebido que nos últimos anos o simples fato de expor uma opinião gera um tipo de atrito que ultrapassa as fronteiras do bom senso, beirando à um conflito de fanatismo religioso, já aviso que tenho 3 estantes lotadas de discos de vinil, gosto deste formato e ainda em tempo, este texto é apenas uma opinião particular de minha parte a qual tem pouca importância para minha vida. Também ainda tenho centenas de fitas k7. Só me adaptei aos novos tempos, então tenho mais de 1000 Compact Discs e cerca de 500GB de arquivos em mp3 em compressão 320kbps, FLAC, WAV.
Se sou contra a volta do vinil e do k7? Efetivamente não ligo no sentido de apoiar, mas o tipo de comportamento que esse "revival" tem causado, me inclina à desaprovar esse retorno dos mortos vivos.
1º impacto negativo: Inflação do mercado.
O que era um moribundo no meio dos anos 90 se tornou um vilão como Jason Voorhees, Michael Myers ou Freddy Krueger, ressurgido das trevas. OK, sempre houveram discos caros, principalmente os importados ou as edições nacionais fora de prensagem, mas as prensagens nacionais em catálogo, que sobravam aos montes em sebos, que eram vendidas em lojas de departamento junto aos eletrodomésticos (hoje em dia seria um Walmart, Carrefour, Lojas Americanas, etc), vendidos de centavos à poucos R$, hoje em dia, são vendidos por pelo menos R$30,00 e detalhe, sem estar em boas condições de conservação;
2º impacto negativo: Fetiche consumista.
Definitivamente nada contra o fetiche do vinil, desde que isso não ultrapasse o bom senso. Até que ponto ter um LP é tão importante? "Mas a arte da capa, o encarte, o selo, pegar no disco, a experiência sensorial do tato, etc..." Tudo bem, OK, cada um com sua preferência, mas a que preço? Fora que muitos nem escutam os discos, é apenas um troféu à ser exibido em seus círculos sociais.
Ainda existe a fatídica questão da tal qualidade superior de áudio do vinil para os formatos digitais. Não vou entrar nesta questão por ser extremamente exaustiva e seria uma perda de tempo, pois quem defende essa tal qualidade superior, se apoia em uma fé cega (ou seria surda?).
Enfim, a música acaba se tornando um fator secundário no mínimo quando entram estas questões.
3 º impacto negativo: Elitismo
Isso está diretamente vinculado ao 1º e 2º fator acima. Quem é que tem pelo menos R$70,00 para comprar um disco? Geralmente as reedições custam mais de R$100,00, sendo que teriam de ser mais em conta, pois não houve custo adicional na produção musical, ou seja, o artista não gastou horas de estúdio e outras despesas, como matriz, arte de capa, etc.
Cai entre nós, vivemos em um país miserável, onde o salário mínimo é de R$880,00 (vigorando desde 01/01/2016). Faça as contas, levando em consideração que a maioria da população (vamos centralizar na capital paulistana) no máximo (no máximo mesmo) ganha até 6 salários mínimos e dessa porção, a esmagadora maioria não ultrapassa os R$2.500,00 por mês. No quesito moradia, no mínimo R$1.000,00 em despesas, sem contar com a alimentação, vestuário, saúde. Então, pobres, lamentamos que esteja fora desta fatia de mercado de consumo exclusivo. Pelo menos não tem o mesmo impacto negativo dos smartphones, mas...
4º impacto negativo: Impacto ambiental
Ah não, lá vem o discurso ativista ecológico greenpeace ou até black block, petista, hippie, esquerdista ou que seja...
Alô, tem alguém em casa? Já não é notório o impacto ambiental negativo causado pela indústria de consumo? Mas o que é agora, vai colocar a culpa do vinil pelo aquecimento global? Bem, se utilizarmos o bom senso, deixando de lado opiniões estritamente pessoais, basta somar 1+1.
Qual a matéria prima do disco de vinil? PVC.
*Polivinil cloreto, comumente conhecido como "PVC" ou "vinil" é um dos materiais sintéticos mais comuns, o PVC é uma resina versátil e aparece em centenas de diferentes formulações e configurações. Acima de 7 milhões de toneladas de PVC são atualmente produzidos por ano nos EUA. Mas fique tranquilo, Aproximadamente 75% de todo ele manufaturado é usado em materiais de construção.
PVC: O maior desastre ambiental sobre a saúde.
Ele é o pior plástico sob a perspectiva da saúde ambiental, colocando maiores prejuízos quando de sua fabricação, sobre tempo e vida dos produtos feitos com ele e por fim quando é jogado fora.
Subprodutos tóxicos de sua fabricação.
Dioxina (o mais potente carcinogênico conhecido), dicloroeteno (ou sua antiga denominação: etileno dicloreto) e cloreto de vinil são involuntariamente gerados na produção de PVC e podem causar severos problemas de saúde, como:
Câncer;
Disruptor endócrino;
Endometriose;
Danos neurológicos;
Defeito de nascimento e comprometimento no desenvolvimento infantil; e
Danos nos sistemas reprodutivo e imunológico.
Nos EUA, o PVC é fabricado predominantemente próximos de comunidades de baixa renda no Texas e na Louisiana. O impacto tóxico da poluição em três destas fábricas nestas comunidades tem feito delas o foco do movimento de justiça ambiental.
Impacto global:
O impacto da dioxina não para aí. Como um poluente bioacumulativo tóxico (PBT), não se decompõe rapidamente e viaja através do planeta, acumulando-se nos tecidos gordurosos e concentrando-se assim que vai subindo na cadeia alimentar. Dioxinas da fábrica de Louisiana migram pelos ventos e se concentra nos peixes dos Grandes Lagos. Elas são mesmo encontradas em perigosas concentrações nos tecidos da baleias, dos ursos polares e, finalmente, no leite materno do povo esquimó Inuit. A exposição média de dioxina dos norte-americanos já alcança risco calculado de câncer tão grande quanto 1 para 1.000 – milhares de vezes maior dos que o padrão usual para um risco aceitável. Mais dramáticas são as concentrações de dioxina no leite materno a um ponto que os bebês agora recebem altas doses, em ordem de magnitude maior do que as médias dos adultos.  
Risco dos terroristas:
O relatório de 2002, encomendado pela Força Aérea dos EUA para a Rand Corporation, onde identifica o armazenamento de gás cloro e meios de transporte como maiores alvos químicos para ataques terroristas, citando exemplos de uma série de ameaças e ataques já realizados em todo o mundo. O cloro usado como principal matéria-prima para na fabricação de PVC e o seu transporte através de comboios para abastecimento destas fábricas, torna toda esta cadeia do processo altamente vulnerável. Um simples ataque terrorista poderia liberar uma nuvem tóxica que se espalharia por quilômetros, colocando milhões de vidas em um perigo potencial.
A melhor segurança é optarmos por materiais seguros que não necessitem cloro. A produção de PVC é o maior consumidor específico de cloro e assim reduzir seu uso, representa o maior passo que poderemos dar para reduzirmos o risco de desastres com este elemento químico, acidental ou intencionalmente.
Aditivos letais:
O PVC é inútil sem não houver a adição de uma infinidade de estabilizadores tóxicos – como o chumbo, cádmio e estanho – e dos plastificantes ftalatos. Eles lixiviam ou volatilizam do PVC todo o tempo aumentando os riscos que incluem asma, envenenamento por chumbo e câncer.
Incêndio mortamente perigoso:
O PVC representa um grande risco nos incêndios de prédios, já que ele libera gases mortais por largo tempo depois que ele inflama, assim como o cloreto de hidrogênio se transforma em ácido clorídrico quando inalado.  Enquanto ele queima, tanto acidentalmente ou na incineração de lixo, vai liberando dioxinas cada vez mais tóxicas. O PVC queimado em aterros de lixo pode ser agora a maior fonte de dioxinas liberadas no ambiente.
Não pode ser facilmente reciclado:
A multitude de aditivos requeridos para fazer o PVC utilizável, torna a reciclagem pós-consumo, em grande escala, quase impossível para a maioria dos produtos, interferindo na reciclagem de outros plásticos. De um estimado de 3,5 milhões de toneladas de PVC são jogadas fora nos EUA, e apenas 7 mil - menos da metade de 1% - é reciclada. A Association of Post Consumer Plastics Recyclers (nt.: Associação de Recicladores de Plásticos Pós-Consumo) declarou que os esforços para reciclar o PVC são falhos e classificou-o, em 1998, como um contaminante.
* fonte: https://www.healthybuilding.net/
Mas que importância isso tem, não é? O que é utilizado na produção de discos de vinil talvez não chegue a 1%. E a produção de celulose para as capas, selos, encartes? Também terá um aumento na produção de porcentagem mínima em relação à produção total.
Para quem entende um pouco de mercado financeiro, sabe o quanto faz de diferença a porcentagem de 0,1% em diversas situações. Levando em consideração que mesmo a matéria prima produzida de forma sintética não brota do nada e depende de recursos naturais que não são infinitos, esta insignificante porcentagem pode fazer uma diferença considerável à longo prazo.
Mas quem se importa? Essas novas gerações nem ligam pra disco de vinil, só fazem download de mp3, eles que se virem com o meio ambiente no futuro...

sábado, janeiro 09, 2016

Hard As Hell! vol. 4 Hardcore Street Rap Innovation - V/A (1990)

Esta é a última compilação sob o título de Hard As Hell pela Music Of Life, produzida por Simon Harris. Temos novamente a participação de M.C. Duke, Hijack e Daddy Freddy, que estavam na edição anterior.
The 3 Knights foi um grupo que durou poucos anos, entre o final doas anos 80 e início dos 90, era formado por Andrew R. Ward, que depois formou o Katch 22, Shaka Shazam, que também fez parte do Standing Ovation, Hijack e The Icepick, que participou do B.R.O.T.H.E.R. e Body Snatchers.
L.S. Troopers, formado por DJ Crime, DJ Woodhouse, MC Flame e MC Tech 1, também teve praticamente a mesma duração que o The 3 Knights.
Hardnoise iniciou como um sound system com DJ Son, DJ Nyce 'D' e T.L.P.1 e posteriormente fizeram parte DJ AJ, Gemini e Adam Pancho (DJ Mada).
First Frontal Assault foi um trio de Birmingham. Lançaram os singles Bloodfire Assault (1991) e Atomic Air Raid (1992) e se separaram logo em seguida por diferenças musicais.
Sobre Monte Luv & DJ Rob, não consegui maiores informações, apenas mais uma participação com a mesma música do HAH 4 do único single Silk Smooth em 1990 pela Music Of Life.
Militant Posture apenas lançou o single Dawn Of Terror pela Pure Destructive Records, também sem mais informações.
Leslie Lyrics (Dr. William Henry), nasceu em Lewisham, sudeste de London, proprietário do selo Ghetto-tone, poeta, escritor, faz parte do departamento de sociologia da Goldsmiths universidade de London.
Finalmente Professor Griff é o mais conhecido ou melhor, o único mundialmente conhecido por ter feito parte do Public Enemy. Todos os links levam à uma amostra da música de cada um e como de costume, nos comentários.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Feed Your Head ‎- The Missing Sound Of Laughter (1989)

The Missing Sound Of Laughter foi o segundo LP do Feed Your Head, lançado pelo selo da banda, Crucial Climate, em 1989. Aos poucos, graças à internet, mais material do FYH vem surgindo, algumas gravações de shows e compactos, e claro, o Sonorica publicará o material disponível, afinal o Feed Your Head é um dos prediletos da casa. Nos comentários. Assim encerrando o ano de 2015 com uma das bandas mais criativas do punk rock que surgiu nos anos 80.

Def Beats vol 1 (1987)

O ano de 2015 finalizando. Esta é uma das últimas publicações do Sonorica, encerrando um ótimo ano, com a graça de Deus! Espero continuar o próximo ano divulgando música de qualidade por aqui, principalmente aquele tipo de música que não tem espaço nos grandes meios de comunicação. Agradeço à todos os que visitaram este pequeno espaço virtual e espero que tenha sido útil como mais uma fonte de informação.
A chamada primeira onda do hip-hop britânico ocorreu na metade dos anos 80, enquanto nos E.U.A. a nova geração ou segunda geração foi chamada de hardcore hip-hop, liderada por grupos como Boogie Down Productions, Public Enemy, Ice T, Run DMC, LL Cool J, etc. O hip-hop ficou mais agressivo, lembrando as origens do rhythm and poetry dos pioneiros The Last Poets, The Watts Profhets e Gil Scott-Heron. Então o produtor Simon Harris lançou o Def Beats 1 em 1987, com o sugestivo sub-título "Hardcore Hip-Hop Fresh Out Of New York". Um sampler do cenário hip-hop britânico tendo como principal nome, Derek Boland, ou simplesmente Derek B.
Mais três compilações do hip-hop produzido na Inglaterra foram lançados pelo selo Music For Life sob o título de Hard As Hell! Em breve o Sonorica publicará o volume 4 da série e assim que possível, alguns registros de títulos individuais do pioneiro cenário britânico de hip-hop. Afinal não é só de rock e seus derivados que se faz música na Inglaterra. Nos comentários.
Que todos tenham uma ótima trilha musical para o ano de 2016!

sábado, dezembro 19, 2015

Hard As Hell! 2/3 - V/A (1988)



E o ano de 2015 indo embora... Um ano cheio de mudanças e há ainda mais por vir! A minha nova fase proletário me privou de muitas atividades, inclusive poder me dedicar melhor ao Sonorica. Mas enfim, vamos seguir em frente se assim Deus quiser! Digamos que o título da compilação do hip-hop underground britânico vem bem a calhar por conta dos eventos que ocorrem atualmente.
Esta é a segunda compilação do cenário hip-hop britânico produzida por Simon Harris sob o nome de Hard As Hell!. Na verdade é a terceira, pois a compilação Def Beats 1 de 1987 é contada na cronologia do selo Music Of Life Records e a versão internacional Profile não conta, por isso as duas versões. Na primeira versão em LP foi lançada com 9 faixas e a versão em CD com 2 faixas bonus: I Don't Cary Anymore (M.C. Duke) e Rougher Than Animal (The Demon Boyz feat. Brian B, Stevie Gee). Posteriormente uma nova versão com 4 faixas bonus, incluindo: Don't Stop Do It (D.J. Daddy) e Kinda Cool In The Place (Thrashpack).
Os inéditos são D.J. Daddy, She Rockers e Hijack. Infelizmente não encontrei dados à respeito dos artistas. Nos comentários, the tables still turning!
* Pra facilitar, aqui vai o link refeito da publicação sobre o Hard As Hell! Lesson 2 ou vol. 1:
http://sonorica.blogspot.com.br/2011/12/hard-as-hell-raps-next-generation-va.html

sábado, outubro 10, 2015

Max Roach Double Quartet ‎- Bright Moments (1987)

Dando sequência à homenagem ao meu mestre dos pratos e tambores, sempre relembrando e celebrando sua música que em breve, se o mundo não se acabar com a loucura humana, completará 1 século de existência. Bright Moments é o terceiro registro do quarteto de Max Roach formado por Odean Pope, Cecil Bridgewater e Tyrone Brown ao lado do Uptown Quartet formado por: Diane Monroe (violino), Lesa Terry (violin), Maxine Roach (viola) e Zela Terry (cello).
Lembrando que Bright Moments foi composta por Roland Kirk e há também o clássico de Randy Weston, Hi Fly. Momentos brilhantes nos comentários

sábado, setembro 26, 2015

Max Roach Double Quartet ‎– Easy Winners (1985)

O quarteto que Max Roach desenvolveu um trabalho por décadas antes de sua despedida, se uniu ao quarteto de cordas no qual sua filha Maxine faz parte está registrado também em Easy Winners, de 1985. Bem, não há realmente nada mais o que dizer sobre Max e sua obra musical, seria uma repetição inútil do que a maioria das pessoas interessadas em música já sabem. Então a música continua falando por si só e este é um momento para relembrar este grande artista que contribuiu para uma grande mudança na música, sim, não só para o que se convencionou a ser chamado de jazz, ou música afro americana, mas simplesmente música. Atualmente retornou-se aos rudimentos das antigas discussões étnicas que sempre geram um saldo bem negativo, o qual realmente não quero jamais de nenhuma forma contribuir. Lembro-me sempre de uma entrevista em que perguntaram à Max Roach se ele escutava jazz, sobre novos bateristas de jazz, etc e ele apenas respondeu que não ouvia jazz, mas simplesmente música...
E como eu disse antes, não me recordo se registrei aqui mesmo no Sonorica, mas na dúvida novamente digo que as discussões sobre música, gêneros musicais, etc e etc são um enfado do espírito, uma satisfação de vaidades do intelecto humano que não tem nenhum proveito edificante.
Então minha sugestão é apenas deixar a música falar ao nosso coração.
Nos comentários, sem necessidade de qualquer palavra...

sábado, agosto 22, 2015

Jazz Na Fábrica... Como somos provincianos!

Início da noite de 16 de Agosto de 2015. Fazia um tempo consideravelmente longo que não prestigiava uma apresentação musical deste gênero e nestas circunstâncias. Ah, os festivais internacionais de jazz em São Paulo... Os mais notórios tinham nome de empresas e produtos que causam grandes males à saúde e de um certo modo, à humanidade. Ainda existe um ou outro festival com essa estratégia de marketing, vendendo um produto para um público alvo classificado como sofisticado.
O SESC à seu modo, tenta incluir o grande público em nichos da arte que naturalmente são segregados por motivos sócio-econômicos que obviamente refletem culturalmente, afinal, quase todo mundo sabe que cultura não é só entretenimento, arte, museus, etc e etc. Então o festival Jazz Na Fábrica chega ser um dever cívico desta instituição do setor privado.
Os festivais anteriores até tentaram "ousar" nas atrações, mas ao longo dos anos, por questões mercadológicas, essa ousadia praticamente definhou. Por que? Essa questão de mercado é mais importante do que a tal da cultura obviamente. Status não aumenta o saldo do caixa. Imagine uma programação apenas com Peter Brötzmann, Roscoe Mitchell, Ken Vandermark, Mats Gustafsson, Evan Parker. Haveria público para preencher um espaço de um ginásio de esportes?
Os festivais de jazz patrocinados por grandes empresas sempre tiveram esse foco insólito de público "A", mas também suponho que a maioria sabe que a opulência nunca garantiu um refinamento e alto nível cultural, ainda mais no Brasil, onde foi adotada uma modalidade do sistema capitalista em sua forma mais agressiva. Isso vem desde os primórdios, pois também a esta altura do campeonato quase todos sabem que categoria de cidadãos oriundos da península ibérica vieram parar nestas terras "selvagens" para dominar (coxa de frango no bolso).
Bem, vamos ao assunto em questão, isto foi apenas um breve rascunho introdutório como base.
Por um lado que o SESC foi criado para atender culturalmente o proletariado do setor de comércio, seja com arte, esporte e lazer, isso de maneira alguma resultou em uma estrutura de 2ª categoria, visto que existe um pensamento elitista e abominável de que o dito "povão" não precisa de coisas de qualidade superior, qualquer banqueta de "prástico" já está de bom tamanho (?!).
Em alguns termos relativos, sim, infelizmente chega a ser verdade, mas isso foi condicionado à população de baixo poder aquisitivo. Pergunte à um pobre se ele gosta de morar num barraco na favela. Pois é...
Mas o SESC sempre proporcionou uma estrutura de alta qualidade e à muito tempo, tanto que me lembro quando meu pai trabalhava no setor comerciário e na minha infância desfrutávamos desta estrutura de ótima qualidade.
Hoje em dia, a maioria dos artistas que não fazem parte do varejão do entretenimento, almejam ser "assalariados" desta instituição, que lhes proporciona uma estrutura quase irrepreensível, que garante até um mínimo de público que por seus próprios meios não o teriam.
Só que da mesma forma que aconteceu com a USP, a burguesia "esperrrta" colocou suas garras no SESC. Tá, mas a instituição não é do setor privado do comércio? Sim, mas o intuito era fomentar a demanda de cultura e lazer do proletariado, assim como a USP para o ensino superior.
Quanto mais se tem, mais se quer. Por outro lado também há a situação de alguns pobres que continuam pobres, pois querem compartilhar.
Eu particularmente tive esta experiência inúmeras vezes. As pessoas que conheci  que eram de maior poder aquisitivo, eram as mais individualistas e egoístas, no estilo cada um no seu quadrado, cada um paga o seu, mas se oferecerem, aceitam sem necessidade, porque é de graça.
Com o tempo o público que frequenta o SESC foi mudando, só não foi dominado pela burguesia pois o comerciário ainda tem seu espaço resguardado, se não, a instituição deturparia completamente seu fundamento.
Nossa, e o que tudo isso que estou falando tem haver com o Jazz Na Fábrica afinal de contas? Tudo bem, vamos direto ao assunto de fato, sem rodeios.
Eu optei objetivamente por prestigiar o quarteto do multi-instrumentista William Parker que acompanho à mais de dez anos. Assim como os trabalhos paralelos do percussionista Hamid Drake. Era uma oportunidade única, além de poder comprar o ingresso por 1/3 do preço em relação ao público não comerciário. Isso proporcionou comprar mais 2 ingressos para meus amigos também poderem prestigiar. 
*Não vou comentar nada sobre a apresentação, minhas palavras poderiam empobrecer o que ocorreu em forma musical, quem ouviu pôde sentir. Seria totalmente descartável falar à respeito ou até vaidade tentar descrever.
Antes da apresentação dar início, o público adentrava no teatro do SESC Fábrica Pompéia aos poucos e atrás de mim estavam um pequeno grupo de jovens adultos, de nível universitário de instrução, girando em torno dos 20 e poucos anos de idade. Então chegaram algumas senhoras da chamada 3ª idade no recinto. Então umas das mulheres que estava no grupo disse:
"Ah, velha não! Esse povo que não entende nada de música! Esses comerciários, etc e etc..."
Naquele momento me vieram dois tipos distintos de sentimento. Tristeza e raiva. Me abateu o espírito aquela afirmação inflada de perversidade.
Mas graças a crença classificada como ignorância por grande parte das pessoas ditas mais instruídas e cultas desta sociedade, que é a minha crença em Deus, contive minha raiva para não entristecer esta "entidade imaginária".
De forma premeditada ficou por um fio de cabelo eu me virar para eles e dizer:
"Eu sou comerciário, algum problema? Depois a gente troca ideia lá fora, certo?"
Rapidamente a minha indignação e raiva deu lugar à uma angústia em minha alma, quase uma dor causada por aquelas palavras impiedosas. Depois deu pena, por estas pessoas estarem num lodo sujo de valores distorcidos, não enxergando um palmo à frente dos olhos.
Mesmo que algumas destas pessoas da terceira idade que se retiraram um pouco depois da metade do espetáculo, outras tantas permaneceram até o encerramento. 
Não foi por acaso uma oportunidade para as reles pessoas do setor comerciário terem a chance de conhecer algo novo, algo de qualidade?
Será mesmo que não houve a menor possibilidade de alguém que "não entende nada de música" ter passado a entender um pouquinho que seja agora?
Me perdoem, eu teria outras questões para abordar sobre este fato, mas isso já foi o suficiente para de certa forma consolar meu coração. Por essas e outras que chego a abrir mão de um prazer de ir à certos eventos por conta destas situações que quase sempre acontecem. Sim, posso abrir mão de ver e ouvir um grande artista por conta de um ambiente hostil, sem arrependimentos.
E só para registrar, o grupo arrogante deixou o recinto durante a apresentação...




domingo, agosto 02, 2015

Max Roach - Live at the Funkhaus Hamburg (1984)

O tempo passa muito rápido, entramos no mês de Agosto e já são 2/3 do ano de 2015. Então sem perder mais um segundo sequer, não podia deixar passar este momento registrado em 1984, onde aconteceu um encontro muito especial, o quarteto que Max Roach desenvolveu um grandioso trabalho por décadas, num formato robusto, contou com a presença de Sam Rivers. Sim! Ele mesmo, graças à ele e sua esposa, Bea, tiveram papel fundamental na sobrevivência da música desbravadora que enfrentou muitas dificuldades nos anos 70. Estou falando do Studio Rivbea que praticamente era um refúgio para a música que destoava do grande mercado de consumo.
Não há a menor necessidade de usar este pequeno espaço para falar à respeito de Max Roach, Sam Rivers, Rivbea, há muita informação disponível por aí com extrema facilidade de acesso, não se limite aos primeiros links no resultado de busca, há um mundo de informação disponível, mas sempre verificando as fontes de dados. Nesta gravação captada por transmissão FM, o quinteto revisita o clássico tema Now's The Time, eternizado por Charlie Parker e aqui com a presença da flauta de Rivers. Outra surpresa é a releitura de Giant Steps, numa versão audaciosa. Bem, já falei demais, se passar disso pecarei em não ter palavras precisas para descrever o que aconteceu no dia 19 de Janeiro de 1984. Nos comentários, como de costume. Ah, sobre Max Roach? Nada a declarar, apenas que foi um dos responsáveis em uma grande mudança na música do séc. XX e no instrumento musical chamado bateria.

sábado, junho 13, 2015

Dannie Richmond Quartet ‎- Ode To Mingus (1979)

É óbvio que não seria qualquer baterista que poderia acompanhar os passos de Charles Mingus. O contra-baixista que se tornou um grande compositor é um dos mais famosos personagens do que se chama jazz. Há muitas histórias, estórias sobre ele, mitificação, etc. Inclusive percebi que há uma idolatria superficial sobre Mingus, assim como Dizzy, Monk, Miles, Coltrane, Bird, enfim, artistas que se tornaram ícones de coisas que chegam a não ter quase nenhuma relação com a música de fato. Não é todo mundo que menciona esses nomes, que realmente conhecem substancialmente a obra destes músicos. Nomes que se transformam em moeda de câmbio em círculos sociais, para causar uma "boa impressão", para ser incluído num seleto nicho, conquistar um status...
Mas mudando de assunto, Dannie Richmond não foi um inovador de destaque, como por exemplo um dos parceiros anteriores de Mingus, Max Roach, que inclusive fundaram um selo (Debut recs.), também com a esposa de Mingus, Celia, para lançar seus trabalhos e de outros grandes músicos do jazz. Mas isso de forma alguma denigre o talento de Richmond. Eu em minha opinião em particular, vejo (ouço) em Dannie uma grande influência de Max, mas é claro, com personalidade. Enfim, Richmond foi o grande parceiro de Mingus e muito mais importante do que isso, um amigo. Quase um ano após o falecimento de Mingus, creio que tenha sido o tempo necessário para registrar uma homenagem póstuma que certamente deixaria o exigente amigo feliz. Contribuíram de forma brilhante à homenagem Mike Richmond, baixista de longa carreira na música, que fez parte da Mingus Dinasty entre trabalhos com Stan Getz, Jack DeJohnette, Horace Silver, Joe Henderson, Lee Konitz, Hubert Laws, Gil Evans, Art Farmer, Woody Herman, etc. O saxofonista Bill Saxton trabalhou com Frank Foster, Clark Terry, Carmen McRae, Nancy Wilson, Tito Puente, Mongo Santamaria, Roy Ayers, Bobby Watson e Roy Haynes. E o pianista Danny Mixton tocou com Kenny Dorham, Cecil Payne, Art Blakey's Jazz Messengers, Frank Foster, Grant Green, Pharoah Sanders, Joe Williams e Dee Dee Bridgewater. Hoje é um bom dia para relembrar Mingus. Nos comentários.

sábado, abril 04, 2015

Odd Man Out ‎– Odd Man Out (1988)

Aproveitando o feriado prolongado para atualizar o Sonorica com uma banda que à muito tempo procurava, o Odd Man Out, que lançou apenas um disco, pelo selo Beware, que também teve poucos títulos, sendo o mais conhecido deles, do McRad, que tinha Chuck Treece, skater pro, guitarrista do Underdog.
Odd Man Out fazia parte das bandas rotuladas de "skate rock", provavelmente por conta da coletânea em k7 que a Thrasher Magazine disponibilizava periodicamente. Boa parte das bandas skate rock tinham uma sonoridade punk/hardcore e obviamente seus membros andavam de skate (caso contrário, seriam posers). No caso do O.M.O., faziam parte dois pro skaters que são lendas: Steve Caballero e Marc Gonzalez. Também fazia parte do O.M.O. Ray Stevens II, skater e baixista da mais emblemática banda de skate rock: The Faction, a qual Caballero também era guitarrista. Stevens também tocou no Drunk Injuns, que tinha outro membro da equipe de pro skaters Bones Brigade da Powell & Peralta, Tommy Guerrero, que também está em atividade musical. Apenas o vocalista Christopher Cisper que não consegui obter informações, mas ainda parece estar na ativa.
O Odd Man Out é diferente em relação a maioria das bandas de skate rock, lembra um pouco a sonoridade do Agent Orange no album This Is The Voice. É bem próximo ao pós-punk como The Police, e que aqui outras bandas pós-punk com outras sonoridades receberam o rótulo de dark nos anos 80 e gótico, como The Cult fase Dreamtime/Love, The Cure, The Mission, etc. As canções tem beleza lírica, bem construídas, com ótimos arranjos de teclados e solos de guitarra. Inclusive a música Mommy Says lembra o The Police, com a influência do reggae. É claro que o Odd Man Out faz parte de alguns skate home videos notórios, de um tempo em que ser skatista no Brasil era um estilo de vida, como ser um punk, headbanger ou gótico. Hoje em dia, tudo se tornou apenas fashion style, mas isso é assunto para um outro momento. Por enquanto, nos comentários.

sábado, março 21, 2015

Rudolph Grey ‎– Mask Of Light (1991)

O guitarrista Rudolph Grey, além de seu grupo Blue Humans que já teve a colaboração de Arthur Doyle, Beaver Harris, também mantém a ligação com o que chamam de "free jazz" em sua gravação autoral Mask Of Light. Além da participação de seu parceiro musical no Blue Humans, o guitarrista Alan Licht, que também teve constante participação no chamado cenário No Wave de New York e participou de trabalhos com Lee Ranaldo (Sonic Youth). O saxofonista Jim Sauter tem um longo percurso musical, tendo em comum com Licht, trabalhando com Thurston Moore e participado de uma faixa do Murray Street (Sonic Youth), e também tocou com o God Is My Co-Pilot. O baterista que inevitavelmente estará associado ao nome de John Coltrane, é Rashied Ali. É interessante ouvir Rashied em outro contexto musical, como em seu solo em Implosion 73 seguido de Jim Sauter, que traz à memória o longínquo tempo de Interstellar Space. Mas a distorção de Grey e Licht nos transporta de volta aos tempos caóticos do final do século XX, quando o rock daria o seu último suspiro de sua essência. Calma, o rock não morreu, mas o que temos hoje em dia são re-edições, assim como o pedal de distorção Bigmuff é facilmente encontrado aos montes em lojas de instrumentos musicais da rua Teodoro Sampaio em São Paulo. Mas isso é um outro assunto. Por enquanto como sempre, nos comentários.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Arte e política, política e arte, política e politicagem e titica

Ufa! Um dia de folga na semana do pião pra poder escrever o primeiro artigo de 2015. Acordando 04:40h da manhã pra encarar duas conduções para o local de trabalho é muito comum para o trabalhador de salário base. Bem mas isso não vem ao caso, assim como não vou abordar o livro de D.H. Melhem sobre arte e política, é apenas uma ilustração para o mesmo tema, mas talvez a minha abordagem seja bem diferente. Ainda mais que  vou me restringir à música como forma de arte e ainda mais, num foco mais periférico, restrito à capital do estado de São Paulo, onde posso ser mais preciso.
Tive uma experiência pessoal com música e política no fim dos anos 80 e início dos 90 no que se chamou de cenário hardcore/punk. Realmente não tinha intenções de me agregar política de forma "panfletária" na música em que estava envolvido, simplesmente não acreditava nisso, já tinha os péssimos exemplos das bandas punk do início dos anos 80. Mesmo com pouca idade, já não sentia que isso realmente tinha algum efeito e que a minha conduta como pessoa, como cidadão tinha que ser no cotidiano e não em um local restrito, num palco de show de rock. Claro que no meio hardcore a maioria acreditava nesse engajamento político através da música, ok, respeito a escolha de cada um, mas continuo achando uma perda de tempo e comprometimento da qualidade da arte (música). Não? É só procurar por aí, via web, seja youtube, soundcloud, etc, onde os conceitos estão acima da música e só se tem ruídos, barulho, música mal executada, tendo como justificativa o conceito. Sei... Calma, eu não sou uma pessoa que só escuta música sinfônica precisa, ou de instrumentistas virtuosos e exibicionistas, gosto de um bom rock básico como Ramones, Discharge ou até Napalm Death.
Uma manifestação ou passeata tem mais efeito e faz mais barulho do que uma apresentação em um lugar restrito ou registrado em algum formato de mídia.
Agora no caso do cenário musical independente (em termos...) em São Paulo, é sintomático que o discurso é apenas teoria, pois os artistas em sua considerável parte está mais próximo dos candidatos à cargos públicos das eleições, onde palavras bonitas são ditas, assim como promessas, que ficam no vazio. Discorda? Ok, mas nem precisa de um microscópio pra sacar o que é esse tal cenário de música independente paulistano, feudos espalhados nesse campo de batalha que são as casas noturnas, espaços culturais públicos e privados, onde a vaidade corrompe qualquer ideal coletivo, libertário ou anti-sistema. Aliás isso é uma piada, a mentalidade mercantilista está estampada até em bandas punk!
E não só isso, pois muitas vezes não há capital, então resta o glamour, a fogueira das vaidades, onde muitos não reconhecem que querem de alguma forma serem adorados, como se o palco fosse um altar, pior que um templo de alguma religião, onde o artista está acima do simples expectador (e eu achando que a elevação do palco era apenas para melhor projeção sonora e visualização da apresentação).
E prossegue a batalha dos feudos, onde grupos de uma mesma vertente não dialogam entre si, onde datas de apresentações são muitas vezes conflitantes e por incrível que pareça, alguns ainda tem o maquiavelismo de agendarem com antecedência na mesma data de outro grupo, como uma espécie de disputa. Outro fato comum é de "colegas de trabalho", de artistas de um mesmo cenário nunca sequer terem prestigiado seus "colegas", mas vivem mandando convites para estes irem prestigiá-lo :p .
No balanço contábil é a música que perde nessa sujeira toda: proprietários de locais de apresentações que acham que estão fazendo um favor para o músico, sendo em que muitos casos, é a banda ou o músico que leva o público para o proprietário vender sua bebida super-faturada ao público e ainda arranca mais um pouco com a bilheteria. Músicos que se boicotam para poder garantir o seu $ em sesc's da vida numa disputa mesquinha e ninguém tem coragem de mudar isso, todo mundo é politicamente correto. Aliás, falando em política...  

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Glenn Spearman Double Trio ‎– Mystery Project (1992)

Literalmente é a última publicação do Sonorica em 2014. Aproveitando esta manhã na qual finalmente tenho tempo para escrever aqui, pois como faço parte da classe trabalhadora, volto ao ofício no segundo dia do ano de 2015. Como não queria apenas escrever um texto de fim de ano, aqui também fica mais um registro de um dos prediletos da casa, Glenn Spearman, que faz parte dos grandes saxofonistas injustamente esquecidos, assim como Arthur Doyle que nos deixou recentemente e procurei divulgar tudo que tinha ao meu alcance de sua obra musical. Frank Wright também procurei disponibilizar o que foi possível. Mystery Project é mais um registro do double trio de Spearman, onde Spearman e o baterista William Winant ficam no canal direito de gravação, o saxofonista Larry Ochs e o baterista Donald Robinson no canal esquerdo. Os dois duos de saxofones e bateria compartilham o piano e synth de Chris Brown e o baixo de Ben Lindgren. Mystery Project tem aquela característica do que chamaram de free jazz, mas não como a sua primeira geração, onde havia mais necessidade de libertação das estruturas tradicionais do jazz, onde longas peças exploravam ao máximo os novos territórios do som. Após os anos 70 do séc. XX o free jazz desenvolveu estruturas e peças mais complexas, evoluindo dos temas mais simplificados anteriores que eram a estrutura básica para novas explorações do campo sonoro. Claro que isso é só uma descrição extremamente simplificada do registro fonográfico, pois só a audição basta, evitando qualquer injustiça e imprecisão sobre a obra musical de Spearman. Ah sim, nos comentários do post é que se encontra o mistério.

No mais, agradeço à Deus e a todos que visitaram o Sonorica e compartilharam alguma informação deste pequeno espaço virtual e que sempre seja útil de alguma forma como mais uma fonte de informação sobre arte, especificamente sobre a arte através do som. Também fico muito feliz pelo Sonorica ter alcançado mais de 100 mil acessos durante estes 8 anos de existência, levando em conta o fato de ser um blog de assuntos específicos de pouco interesse do grande público.
Espero que o Sonorica seja um weblog melhor a cada dia no ano de 2015 e que todos tenham um novo ano com muita alegria e claro, muita música, sons, arte que ultrapassam fronteiras, culturas, nacionalidade, rótulos e gêneros.

segunda-feira, novembro 03, 2014

Trümmer Sind Steine Der Hoffnung ‎– Welch Wüste Sich Eröffnet (1997)

Welch Wüste Sich Eröffnet ... Bitter Und Ewig foi o terceiro e último album do Trümmer Sind Steine Der Hoffnung, banda formada pelos principais membros do cenário punk/hardcore de Linz, na Austria, sendo a banda mais conhecida no cenário mundial, o Target Of Demand, inclusive a sonoridade do Trümmer lembra um pouco o T.O.D., só que mais complexo. A banda encerrou suas atividades em 1998. É extremamente difícil encontrar os outros títulos do Trümmer ou até alguma biografia mais detalhada da banda, algum artigo sobre seus membros, etc. Apenas encontrei uma webpage, que deixo como link nesta postagem, uma espécie de ficha do grupo. Sem dúvida foi uma ótima banda e Welch Wüste Sich Eröffnet um disco que merece reconhecimento por sua qualidade e criatividade musical, num vasto submundo da música independente. O idioma alemão dificulta um pouco para compreender as música, mas como a música é universal e o Trümmer foi uma banda que tem o mesmo nível de outras conhecidas mundialmente, como Fugazi, Dag Nasty, etc. Nos comentários

sábado, novembro 01, 2014

Frank Wright - Live At Moers 81

Depois de um período "carcerário" do meu trabalho, finalmente consegui um tempo para atualizar o blog com mais uma homenagem à um dos prediletos da casa, o reverendo Frank Wright! Aqui se trata de uma gravação captada na décima edição do Moers Festival, que conta com a participação de seus companheiros de longa data, Bobby Few e Muhammad Ali, grande baterista ainda na ativa. O baixista Jean Jacques Avenel faleceu recentemente no dia 12/08/2014 e tem uma extensa carreira, tendo tocado com Steve Lacy, Mal Waldron, David Murray, Sonny Simmons, Daniel Humair entre outros.
Especialmente também conta com a colaboração do saxofonista Arthur Jones, que também merece reconhecimento e infelizmente só conseguiu registrar dois discos sob sua liderança e tocou com os membros do Art Ensemble Of Chicago, assim como Sunny Murray, Burton Greene, Dave Burrell e Archie Shepp. A gravação não oficial parece não ter sido lançada por nenhum selo até o presente momento, inclusive esta capa foi criada por mim apenas para constar no meu arquivo fonográfico. A música foi captada de uma maneira simples e após a apresentação feita por Burkhard Hennen, as três peças não possuem título. Nos comentários.

domingo, setembro 07, 2014

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Conspiracy Nation (2002)

Neste maravilhoso e abençoado domingo ensolarado que chega ao fim, até esquecendo do feriado nacional que ouviram do Ipiranga, o Sonorica encerra mais uma etapa homenageando um dos prediletos da casa, o grande artista Arthur Doyle. Digo mais uma etapa, pois praticamente uma boa parte da discografias de Doyle, foi divulgada aqui, faltando poucos registros da discografia completa publicada por selos e alguns registros independentes.
O disco Conspiracy Nation que foi lançado somente em LP tem gravações de dois momentos captados ao vivo pelo Electro-Acoustic Ensemble. O lado 1 que contém 4 músicas gravadas no Hallwalls Contemporary Art Center - Buffalo, NY em 24/01/2002 e o lado 2 com as 3 restantes no Analog Shock Club - Rochester, NY em 26/01/2002.
A configuração do Electro-Acoustic Ensemble nestas gravações é composta por Arthur Doyle: alto saxofone, voz, flauta, gravador, Leslie Q: baixo, guitarra, Ed Wilcox: bateria, percussão, Tim Poland: clavinova, teclados, Dave Cross: toca-discos, Ibanez DM 1100 sampler, bateria (na faixa 1), Vinnie Paternostro: electronicos, Roland 505. Nos comentários.

domingo, agosto 17, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– Live At The Alterknit (1997)

Sem perca de tempo, pois o tempo é precioso, compartilhando de mais uma obra de arte de um dos prediletos da casa, Arthur Doyle, é claro. Esta gravação de maneira alguma poderia ficar de fora, até mais do que as outras gravações, não desmerecendo os outros registros de Doyle, mas por se tratar de uma gravação captada em 09/08/1997 ao vivo no Alterknit em New York, onde o trio foi composto simplesmente por Wilber Morris no contra-baixo e Rashid Bakr na bateria. Também pelo fato de ser uma edição extremamente limitada a 99 cópias com a litografia de Jeff Koons na capa do disco. Este tesouro musical foi dica de um colaborador para a divulgação da música como forma de arte, o Free Form Free Jazz. A comunhão sonora sempre nos comentários, como de costume.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– A Prayer For Peace (2000)

E seguem os dias passando rapidamente e num piscar de olhos já passamos da metade do ano de 2014! Ainda em tempo o Sonorica prossegue em sua homenagem à Arthur Doyle, que infelizmente praticamente se foi na obscuridade, pelo menos aqui no Brasil. Apesar de nestas semanas acontecerem apresentações musicais em São Paulo, como a Anthony Braxton e seu novo grupo que conta com uma nova geração de improvisadores, como a saxofonista Ingrid Laubrock, a qual tive o prazer de participar de um workshop à pouco tempo atrás, é sempre o mesmo mecanismo. Por algum tempo Braxton se torna uma moeda de troca no "jetset" e depois desaparece como acontece regularmente. É apenas um reflexo de uma geração de consome música por Gbytes de MP3 e Youtube. Não há substância, apenas a superficialidade até como vinil como um mero objeto de fetiche onde a música fica em segundo plano. É, faz parte desta nova realidade e seguimos em frente com o que realmente importa. Todas as vezes que faço alguma pesquisa sobre Arthur Doyle e seus registros fonográficos, encontro um pouco de dificuldade para encontrar dados mais abrangentes, dados técnicos até, de seus discos. Isso também é devido seus títulos serem na maioria de pequenos selos independentes, como é o caso desta gravação de 1999, A Prayer For Peace que saiu pelo selo Zugswang, que aparentemente não possui um website. A gravação deste disco foi através de um gravador DAT de 2 canais. Quanto à James Linton e Scott Rodziczak que participam desta gravação, infelizmente não encontrei nada sobre eles. Também descobri que Arthur Doyle não é lá muito bem visto por algumas mídias especializadas que até o citam como "charlatão", questionam sua técnica musical, enfim... Por essas e outras é que evito cada vez mais conversar sobre música com muitas pessoas, principalmente as que encaram a arte de forma acadêmica, intelectualizada no sentido negativo da palavra, que torna a arte num enfado elitizado que não tem valor algum e apenas serve como combustível da fogueira da vaidade. O que realmente importa é que mais uma vez a arte de Arthur Doyle está registrada em seu estado natural em A Prayer For Peace, que também contém mais uma versão de um de seus clássicos de repertório, a composição Flue Song em duas versões com o trio. Longe dos holofotes, continuemos a celebração da arte musical de Doyle. Nos comentários do post como de costume.

quinta-feira, julho 31, 2014

Death – Spiritual Mental Physical (1976)

Sem dúvida nenhuma o redescobrimento e reconhecimento do trio formado pelos irmãos Hackney, muda a história do punk rock. Até então, o que se chamava de proto-punk (detesto este rótulo), com bandas enquadradas nesse "estilo", como The Stooges e MC5 e até bandas anteriores como os primórdios, como The Troggs e The Sonics, o  Death já tinha formatado a base do punk rock desde 1974, três anos antes do rótulo punk vir à tona e até precedendo o que viria nos anos 80, o pós-punk chamado de hardcore.
Spiritual-Mental-Physical é uma compilação de gravações de demo-tape realizadas entre 1974 e 1976, sendo que sete das músicas foram gravadas no chamado "The Room" com um gravador de dois canais estéreo em Detroit, Michigan.
Num mundo cada vez mais de memória curta, onde muitos das novas gerações acham que tudo veio pronto e que outras coisas brotam do nada, que basta buscar na "wiki", no "google" ou "youtube", este pequeno espaço virtual presta sua homenagem à um dos grupos mais criativos que transformaram o rock'n'roll numa música muito mais ousada desde a sua criação. Todos aqueles que se identificaram com o punk e o hardcore, certamente devem agradecer à Bobby Hackney, David Hackney e Dannis Hackney por sua música. Nos comentários.

sábado, junho 28, 2014

Arthur Doyle ‎– Plays More Alabama Feeling (1993)

Aproveitando o momento em que nosso país enlouquece devido ao momento do esporte, onde saímos mais cedo do trabalho e pelo menos por mais de 90 minutos e seus acréscimos a cidade silencia e fica histérica, aproveito para dar continuidade às homenagens para o grande Arthur Doyle, que tem seu lugar garantido neste singelo espaço virtual.
Plays More Alabama Feeling é um registro em k7 de 1990 onde Doyle solo executa sua composição Hao e seu standard preferido, Nature Boy, autoria de Eden Ahbez, que a compos em 1948 para Nat King Cole.
Um dado curioso é que a transferência da fita k7 foi realizada por Thurston Moore do Sonic Youth. Celebremos a arte de Arthur Doyle. nos comentários

sexta-feira, junho 20, 2014

Death – ...For The Whole World To See (1975)

Já faz um tempo que esta banda foi redescoberta e houve uma certa ebulição no meio underground por conta do Death. Até então, quando se falava em pré-cursores do chamado punk rock, o tal do proto-punk, os nomes mencionados eram o MC5, The Stooges e até o The  Sonics.
Os irmãos Dannis, Bobby e David Hackney tocavam R&B na garagem da casa de seus pais até mudarem para o hard rock em 1973, quando assistiram um show do Alice Cooper e David Hackney teve uma boa influência dos power chords de Pete Townshend do The Who. O Death começou tocando em cabarés e festas de garagem no lado leste de Detroit onde predominava a comunidade afro americana, o que causou um certo desconforto, pois o pessoal estava curtindo o Earth Wind & Fire, The Isley Brothers, etc.
Interessante este ponto, pois aproveito para abordar um assunto que tem se discutido inutilmente aqui no Brasil e especificamente em São Paulo, o racismo. Sim, ultimamente, novamente algumas pessoas que adotam posturas racistas e muitos pensam que racismo se resume ao "homem branco" em relação aos negros. Não, definitivamente qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento básico sabe que não se resume a isso. Talvez eu aborde o assunto com mais profundidade em um texto específico por aqui, mas só aproveitei alguns dados por conta da banda dos irmãos Hackney, que são mais exemplo do quão é estúpido discutir quem é o dono da música, do rock, do blues, etc. O blues não seria o blues se os afro americanos não tivessem contato com a música dos "brancos", assim como o samba não seria o samba se não tivesse contato com a música dos "brancos", o afrobeat, o jazz, e assim segue...
Bem, voltemos à Detroit nos anos 70. O Death não foi lá bem aceito na comunidade afro americana pelo seu som no mínimo estranho, ainda mais para aquela época. Eu não sei até que ponto o Death influenciou a famosa banda hardcore punk Bad Brains, mas quando se escuta principalmente o início do Bad Brains no final dos anos 70, parece óbvio que H.R. e seus amigos, sofreram esta influência, comparando com as músicas You're a Prisioner, Freakin Out, do disco ... For The Whole World To See por exemplo. Bem, o fato é que finalmente o Death tem o reconhecimento, mesmo que tardio, pois David Hackney morreu de câncer no pulmão em 2000. Segundo seu irmão Bobby, David estava convicto de que o Death estava criando algo totalmente revolucionário na música. Sim, de fato David estava certo e lamento que ele não teve o reconhecimento devido enquanto estava vivo. Enfim, já foi providenciado o relançamento dos dois LP's do Death, o For The Whole World To See e Spiritual Mental Physical, que é uma compilação de demo tapes de 1974 à 1976. Também foi realizado um documentário sobre o Death e algumas apresentações do grupo com os irmãos Bobby e Dannis. Por enquanto me limito a compartilhar com alegria esta descoberta recente, graças ao meu grande amigo Edilson, que me revelou esta música revolucionária. Nos comentários.

quinta-feira, maio 01, 2014

Gravitat - Gravitat (2014)



Formed by musicians from the Free Improvisation Circuit of Sao Paulo, the quartet Gravitat search
through instant composition exploring the mysteries of the deep bass sounds.
Recorded live in Brooklyn Paulista, Sao Paulo, Brazil, august/2013 by Rob Ranches.
Rubens Akira - bass clarinet / drums
Daniel Carrera - trombone
Rob Ranches - baritone sax / glass marimba
Rodrigo gobbet - electric bass / effects

7MNS Music - ambient - drone - sound - experimentation - electroacoustic

segunda-feira, abril 21, 2014

Eu só queria comer um hamburger...

De um ponto de vista, música e comida tem um mesmo parâmetro, o gosto. Alguém precisa de um crítico pra te convencer a consumir? O que muitos detestam, outros acham uma maravilha. Uma questão de gosto? Sim, mas também há muitos casos de se adaptar o paladar, tanto alimentar como de audição. Como um simples café. Culturalmente foi acostumado a se tomar com açúcar e muitos acham o café sem açúcar uma coisa horrível, como se estivesse tomando dipirona sódica, mas quando o paladar se adapta, o amargor diminui e se acentua o sabor do café. Mas também pode simplesmente ser uma questão de gosto mesmo, mas a maioria não aceita experimentar algo novo, e isso me lembra uma entrevista com Ken Vandermark que fiz anos atrás:

8. Você concorda com John Zorn quando ele declara que free jazz, improv e outras vanguardas musicais em geral não vão alcançar o grande público, mas que seu público se renova a cada geração mantendo mais ou menos o mesmo número de pessoas envolvidas?
Eu penso que os assuntos enfrentados pelos músicos de jazz e improvisação são múltiplos. Primeiro, eu acredito que a mídia mainstream especializada em jazz colocou a forma artística em um gueto musical elitista, ajudando a removê-la da percepção ou interesse da população em geral. Em segundo lugar, a maior parte dessa música é desafiadora para os músicos e, portanto, pro público. A maioria da população não é interessada de verdade em música, eles estão interessados em um papel de parede sonoro – algo bom pra ter por perto desde que não interrompa seu ambiente ou desafie suas expectativas. Estou interessado em encontrar uma maneira de quebrar a noção pré-concebida, desenvolvida pela mídia e por muitos músicos que é impossível que a música improvisada encontre um lugar real na sociedade contemporânea. A questão é encontrar fãs de música. Esse é o público que vai aos meus shows na América do Norte e na Europa, pessoas entre 20 e 40 anos que ouvem todo tipo de música: jazz, rock, reggae, funk, hip hop, música erudita, etc. e são essas pessoas que os músicos de improvisação precisam encontrar e tocar para, não para o fã elitista de jazz que já tem uma definição de como a arte pode ou não ser.

Pois é, depois de uma resposta dessas, realmente é necessário dizer mais alguma coisa? Bom, quando eu fiz esta entrevista, nem havia sequer um pequeno grupo de pessoas tentando criar um digamos, cenário musical ou comunidade para esse tal de free jazz, improvisação livre ou até música experimental em certo sentido.
Algumas coisas até que de certo modo progrediram, mas outras que são essenciais, ainda continuam na era da pedra lascada, e põe lascada nisso, visse? Em plena segunda década do século XXI me deparo com discussões inúteis sobre arte e música, que não chegam a lugar nenhum, a não ser no centro do ventre de quem promove este tipo de debate.
Se eu preciso elaborar uma teoria toda complexa para explicar a minha música, algo deu errado. Na verdade o processo é muito simples: Ela agrada ou não, soa bem aos ouvidos ou não e ainda tem que contar com o gosto pessoal. Tem certos tipos de música que realmente não me acrescentam nada, mas isso é estritamente pessoal. Já vi alguns elaborarem um complexo discurso para justificar o tal do "funk carioca".
Uma coisa enfadonha é uma pessoa da classe média ou alta tentar explicar a cultura popular ou do povão. Aí eu realmente preciso ir para o intervalo comercial, mudar de canal ou melhor, desligar, dar um shutdown.
Ah, o Sashimi... o tal do peixe crú, tem gente que fica com vontade de vomitar só de falar e no meu caso, acho um trilhão de vezes o gosto do salmão crú mais saboroso do que cozido, grelhado, frito ou assado. Minha descendência japonesa? Sinceramente, não influi, pois gosto de uma boa feijoada até um tanto mais do que o sashimi.
Mas enfim, cada vez mais as coisas  ficam ainda mais complicadas, mesmo com o paralelo de pessoas que dizem gostar de um monte de coisas, mas nada em específico (mais uma vez parafraseando o Assis, autor da frase e hoje em dia reside no Japão).
E uma coisa que para mim é constrangedora e enfadonha, ouvir alguém tentando justificar seu gosto com alguma teoria, tentando requintar algo tão simples. Ora, eu gosto e pronto.
Cada vez mais, é mais difícil esta situação, tanto na música, na arte em geral, quanto na culinária (mas muitos gostam de usar o termo gastronomia, mas sinceramente, esse termo pra mim me lembra algo sobre nossas vísceras), tudo tem que ter um tratado, uma tese pra justificar, seja música de vanguarda ou um simples hamburger, que agora tem o tal do hamburger gourmet. É apenas carne moída e um pão, o resto é desnecessário, não que eu rejeite informações, mas isso não vai convencer meu paladar, tanto físico, como existencial.
Houve um rei israelita extremamente sábio que disse  o seguinte:

"E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne." - Eclesiastes 12:12

E no mais, eu só queria comer um hamburger (pode ser um hamburger vegetariano também) ouvindo uma música do Ramones, sem alguem tentando elaborar uma teoria qualquer...

sexta-feira, março 14, 2014

24-7 Spyz ‎– Harder Than You (1989)

Alguma novidade? Bem, o meu trabalho de publicano tem consumido muito tempo e tenho alguns artigos que ainda não consegui publicar aqui, mas assim que possível, serão finalizados. Enquanto isso, fazendo o caminho inverso, aqui vai o primeiro registro do 24-7 Spyz, sim, o contemporâneo irmão do Living Colour e Fishbone. Digamos que o 24-7 Spyz tem um lado mais punk.
Harder Than You teve como engenheiro de som e produtor, Robert Musso, que desenvolveu uma parceria com Bill Laswell e trabalhou com tanta gente, que se perde a conta. Por exemplo? Al Green, Bob Marley, Herbie Hancock, Sting, Carlos Santana, Miles Davis, Jimi Hendrix, David Bowie, George Clinton, Ornette Coleman, John Zorn, Peter Gabriel, The Ramones, Iggy Pop, Blondie, Whitney Houston, Sly & Robbie, Pharaoh Sanders, William Burroughs, Bootsy Collins, The Last Poets, Ozzy Osbourne...
Nos créditos dos membros do 24-7 Spyz, cada um tem uma função extra, o vocalista P.Fluid é o encanador, o guitarrista Jimi Hazel é o carpinteiro, o baixista Rick Skatore é o técnico que conserta tv e o baterista Anthony Johnson, o eletricista. Há uma versão para o clássico do funk, Jungle Boogie (Kool And The Gang). Sem demora, nos comentários, como de costume.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Arthur Doyle ‎– Plays And Sings From The Songbook Volume One (1995)

É bem provável que logo logo a partida de Arthur Doyle caia no esquecimento, mas como tinha afirmado antes, pelo menos aqui no Sonorica este grande artista sempre que possível, será relembrado e sua arte celebrada. Digamos que é um dos prediletos da casa, assim como Frank Wright e Glenn Spearman. Esta gravação de 1992 é uma daquelas onde Doyle faz tudo sozinho no que seu talento permite no saxofone, flauta, piano, voz e textos. Seu amigo e parceiro de vários projetos musicais, Rudolph Grey, tirou as fotos e fez o design gráfico da capa. Há composições conhecidas do repertório de Doyle, como Flue Song e Goverey. 
Bem, não faz sentido eu me prolongar escrevendo mais sobre Arthur Doyle e muito menos sobre sua arte musical. Ela sempre falou por si só. Como de costume, nos comentários.

*ps.: sempre lembrando que o Sonorica apenas homenageia e divulga a arte de Arthur Doyle, sem fins lucrativos.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Arthur Doyle & Hamid Drake ‎– Your Spirit Is Calling (2004)

Corpo, alma e espírito de Arthur Doyle se despedem deste mundo neste último 25/01/2014. Pra variar, enquanto estava entre nós, pouquíssimas pessoas se importaram ou tomaram qualquer conhecimento deste músico, contemporâneo de outro que se foi, Kalaparusha Maurice McIntyre. O Sonorica já dedicava um espaço para pessoas como Doyle, Glenn Spearman, Arthur Rhames, Frank Wright, pessoas que contribuiram de forma muito especial e significativa para a música criativa universal. Enquanto muitos regorgitavam sobre nomes que já tem o seu mérito e reconhecimento, Doyle ainda contribuía com sua arte sendo ignorado até pelo público especializado que contradiz a própria música que consomem, desbravar novos horizontes. Até quando a "discoteca básica" (detesto este termo) do dito free jazz deste povo se resume à Coltrane, Sanders, Ornette e arriscando Taylor? Enfim...
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
Nos comentários.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

24-7 Spyz ‎– Gumbo Millennium (1990)

Elá se vai o ano de 2013! Nestes últimos meses não tive tempo pare escrever no Sonorica devido a minha recente vida institucionalisada... sim, o emprego convencional deixou meus horários limitados, com um pouco menos tempo para pesquisa e elaboração de textos, pois o blog não é apenas para postar discos, se bem que o último deste ano é...
Bom, conversando com um amigo sobre bandas de rock só com afro-descendentes, como Bad Brains, Living Colour, Fishbone e a recente  descoberta band called Death (assim que possível, escreverei sobre esta banda), lembramos do 24-7 Spyz, um ótimo grupo que está bem esquecido e também entra para a lista do Sonorica de bandas e artistas que merecem reconhecimento.
O 24-7 Spyz se formou em 1986, originalmente com Jimi Hazel (Wayne K. Richardson) na guitarra, Rick Skatore (Kenneth D. Lucas) baixo, Kindu Phibes bateria, e P. Fluid (Peter Forrest) nos vocais, oriundos do South Bronx, New York. A banda ficou conhecida pela mistura do soul, funk, reggae e R&B com o heavy metal e hardcore punk. O fato de serem afro-americanos tocando variações de heavy metal fez com que críticos musicais os comparacem com bandas como Living Colour e Bad Brains, se bem que o 24-7 Spyz foi pioneiro na fusão destes estilos musicais em particular e nunca tiveram sucesso comercial substancial.
Após várias mudanças de membros banda encerrou suas atividades em 1998 e voltou em 2003, lançando seu primeiro novo album com novo material em 2006. Em Novembro de 2012 a banda tem se apresentado com a formação composta por Jimi Hazel, Rick Skatore, o baterista Sekou Lumumba e o guitarrista Ronny Drayton.
Equivocadamente o 24-7 Spyz foi rotulado de funk-o-metal, mas a banda vai além disso, como poderá constatar nos comentários deste post, como de costume aqui no Sonorica e ainda relembrando, assim como o primeiro disco deles, o Harder Than You (1989) o Gumbo Millennium está fora de catálogo e se na época que o Brasil lançou algumas bandas desconhecidas na época que o Living Colour e Fishbone fizeram um relativo sucesso comercial e não tomou conhecimento do 24-7 Spyz, quanto mais agora. Espero que os detentores de direitos fonográficos assim como de outras obras musicais, compreenda que este espaço é para o reconhecimento destes trabalhos, que nunca tiveram a chance de reconhecimento e acesso neste país chamado Terra Brasilis.
Gumbo Millennium contém elementos do Soul e R&B e também explora a improvisação do jazz como na música "Dude U Knew". Jimi Hazel (provável que este pseudônimo seja uma homenagem à Jimi Hendri e Eddie Hazel) mostra sua habilidade como mc na faixa hiphop "Don't Push Me" e a música "Racism" ilustra o assunto com uma sonoridade thrash metal. O disco teve reconhecimento de crítica especializada quando o grupo fez a abertura da tourné do Jane's Addiction promovendo o aclamado "Ritual De Lo Habitual" e na noite final da tour, o vocalista P. Fluid anuncia em pleno palco, para a surpresa dos outros membros do 24-7 Spyz, que ele deixaria a banda.
Enfim, o Sonorica se despede do produtivo e de certa forma tumultuado ano de 2013 dando graças à Deus por tudo e também agradecendo de coração à todos os que visitaram este pequeno espaço virtual ao longo dos anos. Sem clichés e frases feitas, desejo um feliz 2014 à todos e assim prosseguimos de Deus quiser!
 
 
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