domingo, agosto 17, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– Live At The Alterknit (1997)

Sem perca de tempo, pois o tempo é precioso, compartilhando de mais uma obra de arte de um dos prediletos da casa, Arthur Doyle, é claro. Esta gravação de maneira alguma poderia ficar de fora, até mais do que as outras gravações, não desmerecendo os outros registros de Doyle, mas por se tratar de uma gravação captada em 09/08/1997 ao vivo no Alterknit em New York, onde o trio foi composto simplesmente por Wilber Morris no contra-baixo e Rashid Bakr na bateria. Também pelo fato de ser uma edição extremamente limitada a 99 cópias com a litografia de Jeff Koons na capa do disco. Este tesouro musical foi dica de um colaborador para a divulgação da música como forma de arte, o Free Form Free Jazz. A comunhão sonora sempre nos comentários, como de costume.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Arthur Doyle Trio ‎– A Prayer For Peace (2000)

E seguem os dias passando rapidamente e num piscar de olhos já passamos da metade do ano de 2014! Ainda em tempo o Sonorica prossegue em sua homenagem à Arthur Doyle, que infelizmente praticamente se foi na obscuridade, pelo menos aqui no Brasil. Apesar de nestas semanas acontecerem apresentações musicais em São Paulo, como a Anthony Braxton e seu novo grupo que conta com uma nova geração de improvisadores, como a saxofonista Ingrid Laubrock, a qual tive o prazer de participar de um workshop à pouco tempo atrás, é sempre o mesmo mecanismo. Por algum tempo Braxton se torna uma moeda de troca no "jetset" e depois desaparece como acontece regularmente. É apenas um reflexo de uma geração de consome música por Gbytes de MP3 e Youtube. Não há substância, apenas a superficialidade até como vinil como um mero objeto de fetiche onde a música fica em segundo plano. É, faz parte desta nova realidade e seguimos em frente com o que realmente importa. Todas as vezes que faço alguma pesquisa sobre Arthur Doyle e seus registros fonográficos, encontro um pouco de dificuldade para encontrar dados mais abrangentes, dados técnicos até, de seus discos. Isso também é devido seus títulos serem na maioria de pequenos selos independentes, como é o caso desta gravação de 1999, A Prayer For Peace que saiu pelo selo Zugswang, que aparentemente não possui um website. A gravação deste disco foi através de um gravador DAT de 2 canais. Quanto à James Linton e Scott Rodziczak que participam desta gravação, infelizmente não encontrei nada sobre eles. Também descobri que Arthur Doyle não é lá muito bem visto por algumas mídias especializadas que até o citam como "charlatão", questionam sua técnica musical, enfim... Por essas e outras é que evito cada vez mais conversar sobre música com muitas pessoas, principalmente as que encaram a arte de forma acadêmica, intelectualizada no sentido negativo da palavra, que torna a arte num enfado elitizado que não tem valor algum e apenas serve como combustível da fogueira da vaidade. O que realmente importa é que mais uma vez a arte de Arthur Doyle está registrada em seu estado natural em A Prayer For Peace, que também contém mais uma versão de um de seus clássicos de repertório, a composição Flue Song em duas versões com o trio. Longe dos holofotes, continuemos a celebração da arte musical de Doyle. Nos comentários do post como de costume.

quinta-feira, julho 31, 2014

Death – Spiritual Mental Physical (1976)

Sem dúvida nenhuma o redescobrimento e reconhecimento do trio formado pelos irmãos Hackney, muda a história do punk rock. Até então, o que se chamava de proto-punk (detesto este rótulo), com bandas enquadradas nesse "estilo", como The Stooges e MC5 e até bandas anteriores como os primórdios, como The Troggs e The Sonics, o  Death já tinha formatado a base do punk rock desde 1974, três anos antes do rótulo punk vir à tona e até precedendo o que viria nos anos 80, o pós-punk chamado de hardcore.
Spiritual-Mental-Physical é uma compilação de gravações de demo-tape realizadas entre 1974 e 1976, sendo que sete das músicas foram gravadas no chamado "The Room" com um gravador de dois canais estéreo em Detroit, Michigan.
Num mundo cada vez mais de memória curta, onde muitos das novas gerações acham que tudo veio pronto e que outras coisas brotam do nada, que basta buscar na "wiki", no "google" ou "youtube", este pequeno espaço virtual presta sua homenagem à um dos grupos mais criativos que transformaram o rock'n'roll numa música muito mais ousada desde a sua criação. Todos aqueles que se identificaram com o punk e o hardcore, certamente devem agradecer à Bobby Hackney, David Hackney e Dannis Hackney por sua música. Nos comentários.

sábado, junho 28, 2014

Arthur Doyle ‎– Plays More Alabama Feeling (1993)

Aproveitando o momento em que nosso país enlouquece devido ao momento do esporte, onde saímos mais cedo do trabalho e pelo menos por mais de 90 minutos e seus acréscimos a cidade silencia e fica histérica, aproveito para dar continuidade às homenagens para o grande Arthur Doyle, que tem seu lugar garantido neste singelo espaço virtual.
Plays More Alabama Feeling é um registro em k7 de 1990 onde Doyle solo executa sua composição Hao e seu standard preferido, Nature Boy, autoria de Eden Ahbez, que a compos em 1948 para Nat King Cole.
Um dado curioso é que a transferência da fita k7 foi realizada por Thurston Moore do Sonic Youth. Celebremos a arte de Arthur Doyle. nos comentários

sexta-feira, junho 20, 2014

Death – ...For The Whole World To See (1975)

Já faz um tempo que esta banda foi redescoberta e houve uma certa ebulição no meio underground por conta do Death. Até então, quando se falava em pré-cursores do chamado punk rock, o tal do proto-punk, os nomes mencionados eram o MC5, The Stooges e até o The  Sonics.
Os irmãos Dannis, Bobby e David Hackney tocavam R&B na garagem da casa de seus pais até mudarem para o hard rock em 1973, quando assistiram um show do Alice Cooper e David Hackney teve uma boa influência dos power chords de Pete Townshend do The Who. O Death começou tocando em cabarés e festas de garagem no lado leste de Detroit onde predominava a comunidade afro americana, o que causou um certo desconforto, pois o pessoal estava curtindo o Earth Wind & Fire, The Isley Brothers, etc.
Interessante este ponto, pois aproveito para abordar um assunto que tem se discutido inutilmente aqui no Brasil e especificamente em São Paulo, o racismo. Sim, ultimamente, novamente algumas pessoas que adotam posturas racistas e muitos pensam que racismo se resume ao "homem branco" em relação aos negros. Não, definitivamente qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento básico sabe que não se resume a isso. Talvez eu aborde o assunto com mais profundidade em um texto específico por aqui, mas só aproveitei alguns dados por conta da banda dos irmãos Hackney, que são mais exemplo do quão é estúpido discutir quem é o dono da música, do rock, do blues, etc. O blues não seria o blues se os afro americanos não tivessem contato com a música dos "brancos", assim como o samba não seria o samba se não tivesse contato com a música dos "brancos", o afrobeat, o jazz, e assim segue...
Bem, voltemos à Detroit nos anos 70. O Death não foi lá bem aceito na comunidade afro americana pelo seu som no mínimo estranho, ainda mais para aquela época. Eu não sei até que ponto o Death influenciou a famosa banda hardcore punk Bad Brains, mas quando se escuta principalmente o início do Bad Brains no final dos anos 70, parece óbvio que H.R. e seus amigos, sofreram esta influência, comparando com as músicas You're a Prisioner, Freakin Out, do disco ... For The Whole World To See por exemplo. Bem, o fato é que finalmente o Death tem o reconhecimento, mesmo que tardio, pois David Hackney morreu de câncer no pulmão em 2000. Segundo seu irmão Bobby, David estava convicto de que o Death estava criando algo totalmente revolucionário na música. Sim, de fato David estava certo e lamento que ele não teve o reconhecimento devido enquanto estava vivo. Enfim, já foi providenciado o relançamento dos dois LP's do Death, o For The Whole World To See e Spiritual Mental Physical, que é uma compilação de demo tapes de 1974 à 1976. Também foi realizado um documentário sobre o Death e algumas apresentações do grupo com os irmãos Bobby e Dannis. Por enquanto me limito a compartilhar com alegria esta descoberta recente, graças ao meu grande amigo Edilson, que me revelou esta música revolucionária. Nos comentários.

quinta-feira, maio 01, 2014

Gravitat - Gravitat (2014)



Formed by musicians from the Free Improvisation Circuit of Sao Paulo, the quartet Gravitat search
through instant composition exploring the mysteries of the deep bass sounds.
Recorded live in Brooklyn Paulista, Sao Paulo, Brazil, august/2013 by Rob Ranches.
Rubens Akira - bass clarinet / drums
Daniel Carrera - trombone
Rob Ranches - baritone sax / glass marimba
Rodrigo gobbet - electric bass / effects

7MNS Music - ambient - drone - sound - experimentation - electroacoustic

segunda-feira, abril 21, 2014

Eu só queria comer um hamburger...

De um ponto de vista, música e comida tem um mesmo parâmetro, o gosto. Alguém precisa de um crítico pra te convencer a consumir? O que muitos detestam, outros acham uma maravilha. Uma questão de gosto? Sim, mas também há muitos casos de se adaptar o paladar, tanto alimentar como de audição. Como um simples café. Culturalmente foi acostumado a se tomar com açúcar e muitos acham o café sem açúcar uma coisa horrível, como se estivesse tomando dipirona sódica, mas quando o paladar se adapta, o amargor diminui e se acentua o sabor do café. Mas também pode simplesmente ser uma questão de gosto mesmo, mas a maioria não aceita experimentar algo novo, e isso me lembra uma entrevista com Ken Vandermark que fiz anos atrás:

8. Você concorda com John Zorn quando ele declara que free jazz, improv e outras vanguardas musicais em geral não vão alcançar o grande público, mas que seu público se renova a cada geração mantendo mais ou menos o mesmo número de pessoas envolvidas?
Eu penso que os assuntos enfrentados pelos músicos de jazz e improvisação são múltiplos. Primeiro, eu acredito que a mídia mainstream especializada em jazz colocou a forma artística em um gueto musical elitista, ajudando a removê-la da percepção ou interesse da população em geral. Em segundo lugar, a maior parte dessa música é desafiadora para os músicos e, portanto, pro público. A maioria da população não é interessada de verdade em música, eles estão interessados em um papel de parede sonoro – algo bom pra ter por perto desde que não interrompa seu ambiente ou desafie suas expectativas. Estou interessado em encontrar uma maneira de quebrar a noção pré-concebida, desenvolvida pela mídia e por muitos músicos que é impossível que a música improvisada encontre um lugar real na sociedade contemporânea. A questão é encontrar fãs de música. Esse é o público que vai aos meus shows na América do Norte e na Europa, pessoas entre 20 e 40 anos que ouvem todo tipo de música: jazz, rock, reggae, funk, hip hop, música erudita, etc. e são essas pessoas que os músicos de improvisação precisam encontrar e tocar para, não para o fã elitista de jazz que já tem uma definição de como a arte pode ou não ser.

Pois é, depois de uma resposta dessas, realmente é necessário dizer mais alguma coisa? Bom, quando eu fiz esta entrevista, nem havia sequer um pequeno grupo de pessoas tentando criar um digamos, cenário musical ou comunidade para esse tal de free jazz, improvisação livre ou até música experimental em certo sentido.
Algumas coisas até que de certo modo progrediram, mas outras que são essenciais, ainda continuam na era da pedra lascada, e põe lascada nisso, visse? Em plena segunda década do século XXI me deparo com discussões inúteis sobre arte e música, que não chegam a lugar nenhum, a não ser no centro do ventre de quem promove este tipo de debate.
Se eu preciso elaborar uma teoria toda complexa para explicar a minha música, algo deu errado. Na verdade o processo é muito simples: Ela agrada ou não, soa bem aos ouvidos ou não e ainda tem que contar com o gosto pessoal. Tem certos tipos de música que realmente não me acrescentam nada, mas isso é estritamente pessoal. Já vi alguns elaborarem um complexo discurso para justificar o tal do "funk carioca".
Uma coisa enfadonha é uma pessoa da classe média ou alta tentar explicar a cultura popular ou do povão. Aí eu realmente preciso ir para o intervalo comercial, mudar de canal ou melhor, desligar, dar um shutdown.
Ah, o Sashimi... o tal do peixe crú, tem gente que fica com vontade de vomitar só de falar e no meu caso, acho um trilhão de vezes o gosto do salmão crú mais saboroso do que cozido, grelhado, frito ou assado. Minha descendência japonesa? Sinceramente, não influi, pois gosto de uma boa feijoada até um tanto mais do que o sashimi.
Mas enfim, cada vez mais as coisas  ficam ainda mais complicadas, mesmo com o paralelo de pessoas que dizem gostar de um monte de coisas, mas nada em específico (mais uma vez parafraseando o Assis, autor da frase e hoje em dia reside no Japão).
E uma coisa que para mim é constrangedora e enfadonha, ouvir alguém tentando justificar seu gosto com alguma teoria, tentando requintar algo tão simples. Ora, eu gosto e pronto.
Cada vez mais, é mais difícil esta situação, tanto na música, na arte em geral, quanto na culinária (mas muitos gostam de usar o termo gastronomia, mas sinceramente, esse termo pra mim me lembra algo sobre nossas vísceras), tudo tem que ter um tratado, uma tese pra justificar, seja música de vanguarda ou um simples hamburger, que agora tem o tal do hamburger gourmet. É apenas carne moída e um pão, o resto é desnecessário, não que eu rejeite informações, mas isso não vai convencer meu paladar, tanto físico, como existencial.
Houve um rei israelita extremamente sábio que disse  o seguinte:

"E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne." - Eclesiastes 12:12

E no mais, eu só queria comer um hamburger (pode ser um hamburger vegetariano também) ouvindo uma música do Ramones, sem alguem tentando elaborar uma teoria qualquer...

sexta-feira, março 14, 2014

24-7 Spyz ‎– Harder Than You (1989)

Alguma novidade? Bem, o meu trabalho de publicano tem consumido muito tempo e tenho alguns artigos que ainda não consegui publicar aqui, mas assim que possível, serão finalizados. Enquanto isso, fazendo o caminho inverso, aqui vai o primeiro registro do 24-7 Spyz, sim, o contemporâneo irmão do Living Colour e Fishbone. Digamos que o 24-7 Spyz tem um lado mais punk.
Harder Than You teve como engenheiro de som e produtor, Robert Musso, que desenvolveu uma parceria com Bill Laswell e trabalhou com tanta gente, que se perde a conta. Por exemplo? Al Green, Bob Marley, Herbie Hancock, Sting, Carlos Santana, Miles Davis, Jimi Hendrix, David Bowie, George Clinton, Ornette Coleman, John Zorn, Peter Gabriel, The Ramones, Iggy Pop, Blondie, Whitney Houston, Sly & Robbie, Pharaoh Sanders, William Burroughs, Bootsy Collins, The Last Poets, Ozzy Osbourne...
Nos créditos dos membros do 24-7 Spyz, cada um tem uma função extra, o vocalista P.Fluid é o encanador, o guitarrista Jimi Hazel é o carpinteiro, o baixista Rick Skatore é o técnico que conserta tv e o baterista Anthony Johnson, o eletricista. Há uma versão para o clássico do funk, Jungle Boogie (Kool And The Gang). Sem demora, nos comentários, como de costume.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Arthur Doyle ‎– Plays And Sings From The Songbook Volume One (1995)

É bem provável que logo logo a partida de Arthur Doyle caia no esquecimento, mas como tinha afirmado antes, pelo menos aqui no Sonorica este grande artista sempre que possível, será relembrado e sua arte celebrada. Digamos que é um dos prediletos da casa, assim como Frank Wright e Glenn Spearman. Esta gravação de 1992 é uma daquelas onde Doyle faz tudo sozinho no que seu talento permite no saxofone, flauta, piano, voz e textos. Seu amigo e parceiro de vários projetos musicais, Rudolph Grey, tirou as fotos e fez o design gráfico da capa. Há composições conhecidas do repertório de Doyle, como Flue Song e Goverey. 
Bem, não faz sentido eu me prolongar escrevendo mais sobre Arthur Doyle e muito menos sobre sua arte musical. Ela sempre falou por si só. Como de costume, nos comentários.

*ps.: sempre lembrando que o Sonorica apenas homenageia e divulga a arte de Arthur Doyle, sem fins lucrativos.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Arthur Doyle & Hamid Drake ‎– Your Spirit Is Calling (2004)

Corpo, alma e espírito de Arthur Doyle se despedem deste mundo neste último 25/01/2014. Pra variar, enquanto estava entre nós, pouquíssimas pessoas se importaram ou tomaram qualquer conhecimento deste músico, contemporâneo de outro que se foi, Kalaparusha Maurice McIntyre. O Sonorica já dedicava um espaço para pessoas como Doyle, Glenn Spearman, Arthur Rhames, Frank Wright, pessoas que contribuiram de forma muito especial e significativa para a música criativa universal. Enquanto muitos regorgitavam sobre nomes que já tem o seu mérito e reconhecimento, Doyle ainda contribuía com sua arte sendo ignorado até pelo público especializado que contradiz a própria música que consomem, desbravar novos horizontes. Até quando a "discoteca básica" (detesto este termo) do dito free jazz deste povo se resume à Coltrane, Sanders, Ornette e arriscando Taylor? Enfim...
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
Nos comentários.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

24-7 Spyz ‎– Gumbo Millennium (1990)

Elá se vai o ano de 2013! Nestes últimos meses não tive tempo pare escrever no Sonorica devido a minha recente vida institucionalisada... sim, o emprego convencional deixou meus horários limitados, com um pouco menos tempo para pesquisa e elaboração de textos, pois o blog não é apenas para postar discos, se bem que o último deste ano é...
Bom, conversando com um amigo sobre bandas de rock só com afro-descendentes, como Bad Brains, Living Colour, Fishbone e a recente  descoberta band called Death (assim que possível, escreverei sobre esta banda), lembramos do 24-7 Spyz, um ótimo grupo que está bem esquecido e também entra para a lista do Sonorica de bandas e artistas que merecem reconhecimento.
O 24-7 Spyz se formou em 1986, originalmente com Jimi Hazel (Wayne K. Richardson) na guitarra, Rick Skatore (Kenneth D. Lucas) baixo, Kindu Phibes bateria, e P. Fluid (Peter Forrest) nos vocais, oriundos do South Bronx, New York. A banda ficou conhecida pela mistura do soul, funk, reggae e R&B com o heavy metal e hardcore punk. O fato de serem afro-americanos tocando variações de heavy metal fez com que críticos musicais os comparacem com bandas como Living Colour e Bad Brains, se bem que o 24-7 Spyz foi pioneiro na fusão destes estilos musicais em particular e nunca tiveram sucesso comercial substancial.
Após várias mudanças de membros banda encerrou suas atividades em 1998 e voltou em 2003, lançando seu primeiro novo album com novo material em 2006. Em Novembro de 2012 a banda tem se apresentado com a formação composta por Jimi Hazel, Rick Skatore, o baterista Sekou Lumumba e o guitarrista Ronny Drayton.
Equivocadamente o 24-7 Spyz foi rotulado de funk-o-metal, mas a banda vai além disso, como poderá constatar nos comentários deste post, como de costume aqui no Sonorica e ainda relembrando, assim como o primeiro disco deles, o Harder Than You (1989) o Gumbo Millennium está fora de catálogo e se na época que o Brasil lançou algumas bandas desconhecidas na época que o Living Colour e Fishbone fizeram um relativo sucesso comercial e não tomou conhecimento do 24-7 Spyz, quanto mais agora. Espero que os detentores de direitos fonográficos assim como de outras obras musicais, compreenda que este espaço é para o reconhecimento destes trabalhos, que nunca tiveram a chance de reconhecimento e acesso neste país chamado Terra Brasilis.
Gumbo Millennium contém elementos do Soul e R&B e também explora a improvisação do jazz como na música "Dude U Knew". Jimi Hazel (provável que este pseudônimo seja uma homenagem à Jimi Hendri e Eddie Hazel) mostra sua habilidade como mc na faixa hiphop "Don't Push Me" e a música "Racism" ilustra o assunto com uma sonoridade thrash metal. O disco teve reconhecimento de crítica especializada quando o grupo fez a abertura da tourné do Jane's Addiction promovendo o aclamado "Ritual De Lo Habitual" e na noite final da tour, o vocalista P. Fluid anuncia em pleno palco, para a surpresa dos outros membros do 24-7 Spyz, que ele deixaria a banda.
Enfim, o Sonorica se despede do produtivo e de certa forma tumultuado ano de 2013 dando graças à Deus por tudo e também agradecendo de coração à todos os que visitaram este pequeno espaço virtual ao longo dos anos. Sem clichés e frases feitas, desejo um feliz 2014 à todos e assim prosseguimos de Deus quiser!

terça-feira, outubro 22, 2013

Frank Wright ‎– Run With The Cowboys (1983)

Depois de praticamente um mês, afinal o Sonorica definitivamente não é o meu ganha pão e o meu emprego convencional tem exigido um tempo a mais de mim, voltamos com a campanha de homenagens e divulgação da arte de músicos que infelizmente não são reconhecidos por sua arte que, se não mudaram o mundo em geral, no mínimo fizeram grande diferença para a música.
Run With The Cowboys faz parte da última fase de Frank Wright e sua associação com o artísta plástico de músico A.R. Penck e também conta com a presença de Peter Kowald e o guitarrista Frank Wollny e o baterista Coen Aalberts. Infelizmente não consegui informações sobre Wollny e Aalberts.
Não espere um disco de "free jazz", Run With The Cowboys ultrapassa a limitação de rótulos e flui com liberdade no universo da música, do som. Também não vou me alongar numa tentativa em vão de falar sobre esta gravação, eu pecaria diminuindo as dimenssões que esta música proporciona, pecaria por não possuir um repertório de palavras suficientes para descrever pelo menos superficialmente Run With The Cowboys. Como sempre, a música fala por si só.
Nos comentários.

terça-feira, setembro 24, 2013

Plastic Underground ou a conotação de um "banana"

Não é a primeira vez que um artigo compartilhado no facebook que passaria desapercebido por mim ou de pouca relevância, me leva a refletir e fazer uma análise um tanto quanto irônica em alguns aspectos, mas com um fundamento e argumentação plausível, não apenas palavras inconsequentes e de pouco sentido. Talvez este assunto já esteja um tanto quanto exausto, mas como não lembro de nenhum outro artigo com uma ótica similar, resolvi comentar um pouco sobre isso aqui. (Afinal este weblog não é só um link de resenhas de discos esquisitos)
A mídia digital proporciona uma propagação tão rápida e abrangente que diversos assuntos ganham dimensões que não deveriam tomar, para o bem e para o mal, sim o mal uso da informação, o mal uso do tempo alheio e do próprio, é claro...
Procurarei ser bem objetivo sobre isso e usar poucas palavras. Hoje em dia é muito fácil ser underground, anti-midia (mas vejam só, quantos anti-midia que não saem do facebook...), uma autoridade da contra-cultura, um ícone do underground. Nunca vi tantos Forrest Gump's de vários rolês, nego já fez de tudo, tá parecendo aquela música perturbada do Seixas, de dez mil anos atrás. E no meio disso tudo, me sinto como um Hatfield ou um McCoy, um matuto que nunca tinha visto um frigorífico.
Então eu vejo, ouço, presencio todo o tipo de informação de muitas pessoas, que dizem que vieram, fizeram e venceram, portando seus estandartes gloriosos. Rapaz, eu fiz um rolê por aí nesse mundo, muitas coisas divertidas, presenciei momentos que muitos hoje consideram como história, posteridade. Poderia falar de alguns, mas isso realmente não vem ao caso, eu não ajudei a criar o Smile face, por exemplo... E depois, continuo dentro do transporte coletivo esculhambado que é muito mau gerenciado pela prefeitura e governo da cidade e Estado de São Paulo.
Os dias passam, e vejo muitos decretando tratados sobre movimentos artísticos, proclamando suas presenças no mural memorial da contra-cultura, condenando os cachorros mortos da sociedade, os personagens que o Angeli rotulou de "Psico-burguês", sendo que muitos deles não conseguem perceber o seu próprio reflexo.
Mesmo com a limitação da minha percepção, do meu ângulo de visão, muitos que se auto-proclamam alguma coisa, sobre determinadas coisas (vale uma citação de um rapaz apelidado de Assis:"Gosto de determinadas coisas, mas nada em específico"?!), não estavam lá quando estas coisas aconteceram, é como comprar a camiseta do Rock In Rio, "Eu fui", mas assistiu tudo em casa pela tv.
Desmembrando o trocadilho com a banda de um dos mais mau humorados personagens do rock, Mr. Reed:
-Velvet Underground, um sub-mundo ou sub-cultura de veludinho, cheio de fricotes, foi no playground e não se sujou de terra, e o que diria do undergound?
-Plastic Underground, tão químico, tecnológico, polímero sintético, facilmente transformável mediante o emprego de calor e pressão. "Plastic people, oh, baby, now you're such a drag"...
-Banana, antes fosse apenas uma baga epigínica da planta herbácea da família Musaceae...

segunda-feira, setembro 23, 2013

Arthur Doyle & Sunny Murray ‎– Live At Glenn Miller Café (2001)

Dando sequência ao espaço dedicado à divulgação e homenagem graças à Deus ainda em vida de Arthur Doyle, também aproveito para homenagear um músico que tem uma grande importância em particular para mim, Sunny Murray. Como baterista, Sunny me desvendou um novo horizonte no universo dos tambores e pratos, onde a liberdade faz uso de seu conceito mais amplo. O interessante é que Murray e Doyle compartilham de características que se correspondem, como músicos unusuais, criativos, mas também subestimados.
Esta gravação é do ano de 2000 no mitico Glenn Miller Café em Stockholm, Sweden e conta com a participação de Bengt Frippe Nordström no saxofone alto com sua peça Spontaneous Creation, dividida em três partes onde doyle não participa. Assim como Coltrane tinha seus "clássicos" que sempre revisitava e serviam como fonte de novas idéias, Doyle sempre expõe novas perspectivas com Nature Boy e African Love Call, de sua autoria. Nos comentários.

terça-feira, setembro 10, 2013

Trio Hurricane ‎– Suite Of Winds (1986)

Hoje é dia de falr um pouco sobre Glenn Spearman, um brilhante músico norte-americano que fez parte da música ousada e criativa criada neste planeta. Spearman é pouco lembrado e apesar de ter falecido apenas aos 51 anos, deixou muitos registros de sua arte, tanto em gravações sob seu próprio nome, em colaborações com parceiros como Raphé Malik, Cecil Taylor, Bill DIxon, Sonny Fortune, Marco Eneidi, ROVA e grupos que formou, como o Emergency e Trio Hurricane.
Glenn Spearman nasceu em 14 de Fevereiro de 1947 e iniciou suas atividades em Oakland, California. Mudou-se para Paris em 1972, fundando o grupo Emergency que teve perfomances registradas em  programas de rádio e televisão na França, também participaram no festival de Avingon nos anos 70. Passou um período como músico residente em Rotterdam, fazendo turnés na Europa até regressar aos EUA em 1983 e começou a trabalhar com o Cecil Taylor Unit. INfelizmente sucumbiu ao câncer, falecendo no dia 8 de Outubro de 1998.
Suite Of Winds foi gravado no final de Outubro de 1986 com William Parker no contra-baixo e Paul Murphy na bateria. A suite é dividida em 4 partes sendo 2 composições de Murphy e uma de Parker e Spearman. Suite Of Winds é dedicada à Jimmy Lyons, Frank Wright e Jay Oliver. Nos comentários.

sexta-feira, agosto 16, 2013

Arthur Doyle Trio / The Orkustra ‎- Split (1972)

Arthur Doyle? Sim! Um dos preferidos da casa que faço questão de divulgar. Neste split album o trio de Doyle conta com Charles Stephens no trombone e Rashid Sinan na bateria. Stephens tem uma extensa carreira musical, tendo participado das mais importantes gravações da música afro-americana, como Attica Blues e Cry Of My People, de Archie Shepp, Crystals de Sam Rivers, Atlantis da Sun Ra Arkestra, sendo que participou de outras gravações da Arkestra. Rashid Sinan é outro grande baterista que é pouco comentado até na mídia e público especializado. Sinan tocou com Frank Lowe no clássico Black Beings e também em Loweski e um parceiro de Doyle, participando de gravações importantes como Alabama Feeling e No More Crazy Woman. Participou das famosas sessões no RivBea Studio de Sam Rivers (aliás este split foi gravado no RivBea) e sua participação está registrada na compilação Wildflowers, onde integra o sexteto do trompetista Ahmed Abdullah.
A Orkustra é composta por Henry Rasof: oboe, David LaFlamme no violino, Bobby Beausoleil na guitarra, Jaime Leopold no baixo e Terry Wilson na bateria e percussão. Rasof é de Louisville, foi cozinheiro de heath-food em Los Angeles e San Francisco nos anos 60, dedicou muito anos escrevendo poesia. Na música, usando o oboé de forma unusual, eletrificando o instrumento, e improvisou misturando estilo do jazz, música clássica e étnica. David LaFlamme é um virtuoso violinista que nos anos 60 tocou vom Jerru Garcia e Janis Joplin. Jaime Leopold praticamente começou sua carreira musical na Orkustra, Terry Wilson integrou a banda psicodélica dos anos 60, o The Charlatans. O guitarrista Bobby Beausoleil andou em maus caminhos, integrando a Manson Family... Nos comentários.

terça-feira, julho 30, 2013

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Live In Nashville & Louisville (2011)

Só hoje consegui um tempo para atualizar o Sonorica, pois o tempo tem sido curto devido à outras atividades. Mas continuemos divulgando o trabalho musical de Arthur Doyle e um de seus projetos, o Electro-Acoustic Ensemble.
Nesta gravação de 2004, feita no Springwater Tavern & Artswatch, lançado em 2011, o Electro-Acoustic Ensemble conta com Arthur Doyle no saxofone tenor e voz, Vin Paternostro no synthesizer Roland 505, Leslie Q no contra-baixo e Ed Wilcox na percussão. Segue nos comentários.

sexta-feira, julho 05, 2013

Arthur Doyle / Takashi Mizutani / Sabu Toyozumi ‎– Live In Japan 1997

O guitarrista Takashi Mizutani nasceu em 1948 e formou o grupo Les Rallizes Denudes em 1967 quando estudava na Doshisha University em Kyoto. Antes o grupo começou em 1962 como uma trupe musical teatral. Les Rallizes Denudes se tornou um dos mais influentes grupos de rock de vanguarda no underground japonês.
Arthur Doyle também conta com a colaboração do meu querido amigo Sabu Toyozumi, que esteve por aqui no final de 2011, com quem tive o prazer de conhecer e fazer música. Esse encontro foi graças ao meu amigo Antonio Panda Gianfratti (isso não é mera bajulação, mas gratidão e honra a quem merece). Esta gravação circulou em formato K7 até ser lançado em formato LP em 2003, ou seja, inviável para o mercado brasileiro. Este é um recado para os orgãos sensores da rede digital que por ventura achem que o Sonorica está se beneficiando de alguma forma na divulgação de artístas. Sempre que posso, falo sobre isso, afinal, nunca se sabe. No mais, sempre temos uma boa surpresa nos trabalhos de Arthur Doyle e é muito interessante e intenso este encontro de Doyle com esses músicos japoneses, quando esteve em Tokyo. Nos comentários.

segunda-feira, junho 24, 2013

The Big One City Of L.A. Power (1991)

Amigo, se você gosta de punk e hardcore e não sabe o que é Flipside, sei lá o que andou fazendo esse tempo todo... Flipside foi um fanzine publicado entre 1977 e 2000 pelos amigos Al "Flipside" Kowalewski, Larry Lash, Pooch, Tory e X-8, formandos da Whittier High School que documentava o cenário hardcore punk de Los Angeles. No início, a primeira edição foi publicada no formato 1/4 de página em papel fotocópia grampeado à mão e nos anos 80 o zine tinha capa colorida com mais de 100 páginas. Também o zine Flipside passou a publicar coletâneas em formato VHS e criou um selo fonográfico.
A coletânea The Big One foi editada pela Flipside Records em formato LP com o lado A dedicado a Los Angeles e o lado B a San Francisco, sendo posteriormente lançado no formato CD no ano de 1991. Em The Big One, se encontram bandas que se tornariam conhecidas do grande público, como Bad Religion, L7, The Offspring e Green Day. O interessante é que a produção, compilação e livreto de notas foram autoria de Joy Aoki, pintora, designer gráfica e ativista ambiental de L.A.. Também destaco bandas conhecidas do cenário hardcore, como Down By Law, Monsula, VIctim's Family, Mr. T Experience, a versão inédita de A Take Away do Big Drill Car e American Society do L7. Nos comentários.

quinta-feira, junho 13, 2013

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– Plays The African Love Call (2001)

Voltando ao mundo das futilidades, afinal, que importância tem a música num país miserável como o Brasil? Bem, o meu exercício de cidadania acontece no cotidiano sem luzes e câmera, apenas ação, é apenas o meu dever e nunca um mérito. Não é em um texto de internet que vou fazer alguma diferença e além do mais, este weblog e só para esse tipo de coisa, sobre arte, sobre futilidades, não que eu considere a arte uma futilidade, na verdade ela é parte do ser humano, mas como disse, estamos em um país miserável onde a arte não pode ocupar tanto espaço até que as mínimas condições de dignidade e respeito ao próximo sejam estabelecidas (e isso é pra ontem, diga-se de passagem). O ADEAE Plays The African Love Call foi gravado durante duas apresentações em 1999, sendo em Junho no Bug Jar e no Astrocade, em Setembro. Desta vez Arthur Doyle tem seu Electro Acoustic Ensemble composto por Dave Cross, Tim Poland, Ed Wilcox, John Schoen e R. Nuuja com a mixagem de Jim O'Rourke. No mais, seguimos divulgando a arte de Arthur Doyle, um dos preferidos da casa. Nos comentários.

quarta-feira, junho 12, 2013

Protestos contra o aumento da tarifa do transporte público

Me lembro quando a passagem de ônibus aumentou 3 vezes em apenas uma semana, no fim dos anos 80. Não houve nenhum protesto como os destes dias em que vivemos. A democracia dava seus primeiros passos já tortos pós regime militar, parte do povo ainda não tinha articulação para agir com cidadania. Na verdade, a liberdade ideológica se preserva na mente e no coração de cada pessoa se ela quiser a não ser, que a opressão seja física e danifique de forma psicológica e motora. Sim isso acontece pela violência física e de uma maneira mais lenta, pela violência psicológica. Mas estão realmente todos livres?
Os protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em várias cidades do Brasil estão na pauta de qualquer morador desta cidade (vou me limitar aos protestos em SP, porque eu nasci e vivo aqui).
Em primeiro lugar, EU NÃO SOU CONTRA O PROTESTO DA POPULAÇÃO, mas sabemos o teor destas recentes manifestações pelo movimento Passe Livre. Ou não sabemos?
Minha carteira de motorista expirou sua licença em 2000, ou seja, dependo de ônibus, metrô e trem à 13 anos. Tenho direito e conhecimento prático no assunto, conheço e uso os 3 principais transportes públicos da cidade em todos os horários, desde as primeiras horas de funcionamento no fim da madrugada, quanto os ônibus noturnos. Só não tive a oportunidade de usar a linha que cruza a av. dos Estados por ainda não precisar usar o sistema.
Quantas pessoas que fizeram parte dos protestos já foi até a estação Capão Redondo do metrô, já usou um ônibus intermunicipal da EMTU, já usou o expresso Leste na estação do Brás, esteve no terminal Capelinha, etc? Creio que apenas alguns fazem uso desses mecanismos e então eles sabem como é.
Mas a maioria da população de baixa renda, que usa todos os dias o transporte público, inclusive para o lazer, não concorda com esse tipo de protesto. Aliás é um protesto que tem estudantes como núcleo mentor. Ok, muitos estudantes estão em contato com as ideologias políticas que se estruturaram no fim do século passado, mas eles devem saber que essas ideologias em muitos quesitos, não saíram do papel e das teorias e o que pôde ser implantado custou caro, custou muito derramamento de sangue. Me diz uma coisa, o movimento está disposto a matar ou morrer? Se não está, deve tomar consciência que fará parte do sistema que tanto abomina (eu também não aprovo, mas sei o que não funciona para mudar isso). Ou perde a razão e parte para a força física, ou vira mendigo. O poder político econômico não vai aceitar mudanças aos moldes idealizados pela juventude libertária. Se por hipótese ocorrer uma guerra civil por motivos políticos e em grande escala, sabe o que provavelmente vai ocorrer? OTAN, ONU, United Snakes Of America e Colonialismo Europeu terão a carta branca nas mãos para que este país volte aos tempos da coroa, só que com nova roupagem, nada pomposo e espalhafatoso, mas politicamente correto e sustentável.
Muitas pessoas que conheço, mesmo sendo pessoas queridas, me dirão o óbvio, falarão de uma população oprimida economicamente, que está anestesiada e se contenta com o futebol com frango de padaria no domingo, que passam várias necessidades mas gastam seus poucos tostões em supérfluos, como celulares 4G e tênis de R$ 900,00, tudo isso com o batidão como trilha sonora.
Lamento informar meu caro, você está no sistema. Não adianta ter uma banda punk, morar no CRUSP ou em uma república estudantil, ter um grupo de RAP, ser pixador, ser filiado de partido socialista ou até comunidade hippie em São Tomé das Letras, todos estão no sistema.
A coisa mais óbvia que impede uma mudança radical na sociedade brasileira é o manjado ditado de que a união faz a força. O povo brasileiro só consegue chegar perto de uma verdadeira unidade quando torce para a seleção brasileira.
A minha idéia de protesto é que todo o proletariado, em todos os setores se unissem e cruzassem os braços, mas ainda usando o transporte público sem pagar, operando os meios de produção de energia sem pagar as tarifas, as forças armadas que são compostas por cidadãos do povo, se colocassem à serviço da população. Mas a população teria que se abster de bens de consumo, usassem apenas o essencial, como alimentos, medicamentos e vestuário básico, etc, nada de shopping, cinema, restaurantes, shows, baladas, etc, até que o poder político econômico fosse reformado ou substituído. Não haveria necessidade de derramamento de sangue e uso de violência física. Isso sim é uma verdadeira utopia, é contra a natureza humana, que é de um ser humano individual. É muito bonito elaborar teorias políticas baseado em seres vivos que agem de forma coletiva por instinto, que não raciocinam sobre o que fazem, pois é um procedimento incluso no seu DNA, que é ativado diante das circunstâncias, uma abelha não escolhe viver em uma colmeia, as formigas não decidem trabalhar para armazenar alimento para o formigueiro no inverno. O irônico é que eles vivem um regime imperialista.
As pessoas como indivíduo, não estão dispostas a colocar em jogo suas estabilidades em torno de um bem comum, por isso uma manifestação como essa que falei, não é possível. O funcionário do metrô temerá seu emprego se deixar o seu semelhante passar pela catraca sem bilhete, ninguém quer dar o primeiro passo.
Bem, estão dizendo que as depredações são a reação contra a violência gratuita da polícia contra os manifestantes. Ela existe? Claro que sim, eu seria um idiota se negasse isso. Mas também vi violência gratuita dos manifestantes e alguém seria parcial se não reconhecesse isso. Podem até articular alguma justificativa, cada um acredita no que quer, alguns acreditam na arca de Noé, outros que Neo vai nos libertar da Matrix.
Eu em minha estrita opinião particular acredito na filosofia de não pagar na mesma moeda, por mais difícil e dolorido que seja, pois é, eu trinco geral com um cara que pra muitos, é apenas uma fábula de manipulação. Outro dia estava assistindo um desenho animado, Doug, em que o protagonista se encontra numa briga de escola de forma involuntária e acaba dando um soco num colega. Seu pai fala algo como: "Mostre-me alguém que usa os punhos e vejo alguém que não tem boas idéias".
No facebook, expressei minha opinião à respeito das manifestações e fui colocado no mesmo saco de farinha da mídia vendida que só faz criticas negativas aos protestos e só fala do vandalismo dos manifestantes.
Pois é, eu estive na Feira do Trabalho no Anhangabaú no mês passado. Estive com dezenas de pessoas em fila de espera com senha, para entrevista de emprego. Não tinha nenhuma vaga no Google ou coisa parecida, a maioria das vagas era de serviço braçal. Isso não é mérito e nem vergonha, é apenas o fato de que eu sei como é, sou parte integrante do povão, tenho a benção de ter um pai que quase morreu para me proporcionar uma vida melhor que a dele.
Eu escolhi não mais concordar com o código de Hamurabi e minha liberdade conservo na minha mente e no meu coração.

terça-feira, junho 11, 2013

Trümmer Sind Steine Der Hoffnung / Those Who Survived The Plague ‎– Split 7" (1998)

A banda Trümmer Sind Steine Der Hoffnung se formou na cidade de Linz na Austria em 1995, com membros das mais significativas e atuantes bandas do cenário punk/hardcore desta cidade, principalmente o Target Of Demand. Há mais informações sobre Trümmer Sind Steine Der Hoffnung em um pequeno release no myspace, mas como está escrito em alemão e o software de tradução não é muito confiável, apenas me limito à dizer que tudo começou no cenário de Linz com oficinas e associações culturais da cidade por volta de 1988 e logo tiveram contato e concertos com bandas americanas como Bad Religion e Fugazi e a banda encerrou suas atividades em 1998. A outra banda que faz parte deste compacto split é Those Who Survived The Plague, não encontrei informações mais detalhadas, apenas que se formou em Vienna no ano de 1992 tendo como membro o guitarrista do Target Of Demand, Andreas "Mops" Breitwieser e encerrou suas atividades em 1999. Nos comentários.

quinta-feira, junho 06, 2013

Target Of Demand / Stand To Fall - Split LP (1988)

Este split album foi o primeiro registro do Target Of Demand após sua demo-tape de 1987. Stand To Fall também estreou neste split. Infelizmente não encontrei informações da banda, que lançou seu último registro, o cd Fear, em 1993 pelo selo austríaco CCP Records. A primeira vez que ouvi o Target Of Demand foi através deste disco, que meu amigo tinha recebido pelo correio da Alemanha. Sem dúvida uma das melhores bandas do cenário hardcore punk da Austria nos anos 80. Eu tinha publicado aqui sobre seu primeiro LP, o Gruss, de 1989, mas o link não funciona mais porque bloquearam minha conta do Mediafire e também escrevi à respeito disso. Mas já providenciei um novo link para o Gruss, porque é um ótimo disco de hardcore e mesmo sendo de um selo um pouco mais conhecido, o We Bite Records, por aqui ele praticamente não existe. Mais de Target Of Demand e Stand To Fall nos comentários e segue o trabalho deste weblog.

sexta-feira, maio 24, 2013

Frank Wright, Frank Wollny, A.R. Penck ‎– Concert In Ulm! (1990)

Salve, reverendo! Frank Wright também é um dos preferidos da casa, um dos grandes da música espiritual, mesmo ainda não sendo tão comentado como seus irmãos Coltrane e Ayler. E isso é mais um motivo para divulgar a sua arte, que merece reconhecimento e aqui no Brasil, é praticamente improvável que isso aconteça e tenhamos acesso. Concert In Ulm é um dos últimos registros de Frank Wright onde  desenvolveu uma parceria com o artista plástico e baterista A.R. Penck que produziu e fez a arte deste disco. A gravação é uma peça improvisada sem título, subdividida em cinco partes, contando com o baixista Frank Wollny. Não há muito o que dizer sobre a música de Frank Wright, desta gravação, pois a sua música sempre falou por si mesma, é só conferir nos comentários deste post.

terça-feira, maio 21, 2013

Virada Cultural 2013 (ultimamente eu prefiro um virado à paulista...)

Como já era de se esperar, os resultados da Virada Cultural são debatidos entre a população paulistana. Duas opiniões distintas são a dos que acham tudo lindo e maravilhoso e a dos que acham um fiasco. Quem está certo? Na verdade, nenhum dos dois e isso não significada que ambas as correntes de pensamento tenham que aceitar isso, afinal, é apenas a minha opinião pessoal e quanto aos que estão abertos à reflexão, podem analisar o meu ponto de vista. Agora, quem não esta disposto a refletir sobre isso e não deseja abrir mão das duas correntes de pensamento (do maravilhoso e do fiasco), nem perca seu tempo lendo este texto, pois o tempo é precioso. Mas porquê digo que ambos os pensamentos estão errados? Bem, então vamos analisar rapidamente as questões.
A linha de pensamento do lindo e maravilhoso: Numa cidade tão pretensiosa que equivocadamente é comparada com metrópoles como New York, realmente está muito aquém de sua suposta equivalente Big Apple. É notória a falta de estrutura básica operacional desta cidade brasileira, que todos a esta altura sabem que cresceu desordenadamente e continua crescendo de qualquer jeito. Basta uma chuva forte de 10 minutos e São Paulo entra em curto circuito. Mas este país desenvolveu um mecanismo de aumentar sua auto-estima simplesmente jogando para debaixo do tapete todos os seus problemas sendo que grande parte não dá para deixar para uma futura ocasião. A música brasileira não conquistou o mundo e sim a norte-americana e a inglesa, sinto muito, rock é um estilo universal, coisa que o samba e a bossa estão longe de serem. Mas isto é apenas um detalhe para adentrar ao assunto. Não tem nada de lindo e maravilhoso um evento que não é mais do que a obrigação de uma cidade que se diz transpirar cultura e de um país que se diz celeiro de talento musical do mundo. E diga-se de passagem que esta obrigação de atividade de lazer civil é feita de modo bem a desejar e já deu o tempo de resolverem seus problemas latentes de cunho operacional. Eventos que convém à grupos específicos da sociedade paulistana, são feitos com mais esmero, como corridas de carros e afins. Então os setores dominantes que deixam se contaminar pelo jogo de interesses restritos (que infelizmente já foi incluído na argamassa da estrutura da nação) apenas jogam migalhas para os pombos disputarem nas beiras das calçadas. Seria em vão entrar na questão da tal da curadoria, pois só não vê quem não quer, ali também há favorecimento de interesses pessoais e parcialidade. Uma cidade de alto custo de vida te oferece um George Clinton e um James Chance e nego acha maravilhoso. Mas isso sai caro demais. Ah, a tal da violência que está chocando a população, principalmente a classe média... ora, ela sempre esteve presente desde a primeira Virada Cultural de São Paulo, só não viu porque não quis ou estava vacilando. E isso não tem haver com Racionais MC's, skinheads e a polícia. A própria população tem grande parcela de culpa nisso também, é muita demagogia colocar a culpa no Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura de São Paulo, da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar e Civil do Estado de São Paulo. São meros bodes expiatórios para uma população omissa de seus deveres civis, que acham que seus deveres são méritos. Já dizia o ditado popular que o povo tem o governo que merece, ainda mais porque o mecanismo é a eleição direta democrática.
A linha de pensamento do fiasco? Ora, se não tem Virada, e aí? Reclamação de que essa cidade, desse tamanho, não tem eventos culturais gratuitos ao público e isso e aquilo... A maioria dos que acham tudo um fiasco, não fazem nada para reverter o quadro negativo. Me lembro de uma cena do filme de Spike Lee, Do The Right Thing em que alguns homens que ficam bebendo num sofá na rua, reclamam de um asiático que está trabalhando, que está "roubando" os empregos deles.

domingo, maio 19, 2013

Arthur Doyle ‎– Live In Japan Doing The Breakdown (1998)

Arthur Doyle é um dos preferidos aqui no blog e faço questão de divulgar seu trabalho sempre que possível. Um artista que merece reconhecimento pela sua criatividade e espero que não seja engessado num inútil pedestal de conversas vaidosas onde se despejam dados sobre nomes, discos como um semanário de  5ª categoria. Sim, escrevo isso por presenciar debates inúteis sobre este tipo de música e mesmo que eu esteja me repetindo sobre isso, ainda se faz necessário, sem a pretensão de "mudar o mundo", mas apenas expressar meus sentimentos sobre a música como arte, simplesmente arte. Arthur Doyle é um prato cheio para conversas inúteis de teor mórbido pelo fato de sua vida conter ingredientes para isso. Doyle passou situações difíceis em sua vida e muitas pessoas tem isso como um tempero que valoriza sua música e "lenda do free jazz". Como se a arte de alguém só tenha relevância se o indivíduo tiver sofrido algum agravo. Sim, infelizmente existe este tipo de conceito por aí. Mas pela natureza da vida em si, a música fala por ela mesma e Doyle deixou mais um registro de sua arte quando esteve no Japão no fim de 2011, se apresentando apenas com seu saxofone, piano e poesia em três locais: Modern Art Museum em Sendai, Barber Fuji em Tokio e Shuyukan. Nos comentários, acesso para apreciar a arte de Doyle.

sexta-feira, maio 10, 2013

Feed Your Head ‎– Realm Of The Gods E.P. (1988)

No universo da música há uma vastidão de bandas que tornam impossível conhecer todas e acabamos não tendo a oportunidade de prestigiar músicas que facilmente se tornariam parte de nossa trilha sonora ao longo da vida. Mesmo dentro de estilos específicos o número de bandas é incontável, os gostos pessoais são relativos, mas sempre é bom tentar adotar uma análise imparcial e sempre digerir um trabalho musical com calma, mesmo que este não agrade na primeira audição. Muitas bandas que não me agradaram nas primeiras audições hoje em dia frequentam o meu aparelho de som com muito prazer. Não foi o caso do Feed Your Head, pois eu gostei logo na primeira vez que ouvi. E como sempre penso e escrevo aqui, o weblog tem também a função de dedicar um espaço para divulgar a arte de grupos e artistas que passam desapercebidos neste imenso volume de dados e informação.
Não é a primeira vez que escrevo sobre o Feed Your Head, uma banda punk formada no ano de 1986 em Manchester, UK. Realm Of Gods e.p. antecede o lp Stargazer e a música do ep, "When The North Wind Blows", acabou fazendo parte do lp. Realm Of Gods possui as características de gravação da época, com sonoridade mais "crua", não havia tantos recursos para bandas independentes, não havia acesso a grandes estúdios e é claro, não havia tantos equipamentos digitais de gravação com preço tão acessível ao consumidor comum como há hoje em dia devido a revolução digital. Este foi o primeiro título do selo independente Crucial Climate, criado pela própria banda. Se gostou do que ouviu no link acima, nos comentários pode conhecer mais sobre o Feed Your Head ou relembrar essa época, um momento especial do cenário hardcore punk dos anos 80. Quando digo sobre os anos 80, não quero dizer como hoje em dia se fala desta década, como um fetiche, algo estranho que misteriosamente torna "cool" coisas que eram e ainda são de qualidade duvidosa. Não, o Feed Your Head independente de gostos pessoais é uma banda autêntica e criativa e suas canções não se tornaram um objeto empoeirado na prateleira de um brechó com cheiro de mofo, não mesmo.

terça-feira, abril 30, 2013

Funk Carioca e Música de Vanguarda, na verdade, ambos podem ir para o lixo...

Me lembro ainda no final dos anos 90 quando o pai de um amigo afirmou que o gênero musical conhecido como Funk Carioca estava fadado a extinção. Bem, estamos caminhando para mais de uma década que este tipo de música não só sobreviveu, mas proliferou como uma epidemia. Talvez por não ter uma visão imparcial e mais discernimento, não pude fazer uma projeção óbvia de que certos estilos musicais mais cedo ou mais tarde ganhariam espaço no mercado de consumo em massa. No começo dos anos 80, era difícil imaginar que o Rap seria trilha para comerciais de produtos na tv. Mesmo quando um dos elementos do Hiphop ganhou uma certa notoriedade na mídia, sim, o Breakdance, que foi usado como vinheta de abertura de uma novela, assim como filmes, o Rap em sí demorou cerca de 10 anos para ser aceito pelo público em geral. E o que dizer do Hardcore? O derivado mais radical do Punk Rock nunca teve acesso à grande massa, grande parte dos anos 90 foi restrito aos nichos culturais. Quem imaginaria que o Hardcore se tornaria vinheta de uma novela voltada ao público adolescente?
Hoje em dia há muita discussão à respeito do Funk Carioca, uma parte abomina completamente, alegando que é anti-música e outros defendem como espontânea e criativa arte popular. Afinal, quem está certo? Na verdade, os dois. Eu fiz um grande esforço em não entrar em discussões à respeito do Funk Carioca e vou continuar me mantendo longe disso, apenas vou expor a minha estrita e particular opinião sobre isso e realmente não vou dar prosseguimento neste assunto. E isso também serve para a música de vanguarda, experimental, improvisação, free jazz e outros blá, blá, blás.
Hoje em dia há até teses sobre esse fenômeno cultural, pessoas que tentam legitimar o Funk Carioca como uma arte extremamente criativa e legítima, que pode ser equiparado aos gêneros consagrados no universo da música. Creio que a esta altura, a maioria que defende o Funk Carioca de forma "acadêmica", sabe de suas origens no dialeto do Rap Norte Americano da Costa Leste, o Miami Bass, sua fusão com elementos musicais brasileiros, etc e etc. A corrente que abomina o estilo alega a pobreza musical, como as montagens com samplers repetitivos e colagens grosseiras, além do despreparo lírico, poético dos MC's. Claro que o MC não precisa ser um cantor de ópera, mas pelo menos que ele pronuncie legivelmente. Se bem que a maioria das letras é de conteúdo descartável. Então entra a questão de preferência pessoal e o início das vãs discussões.
No campo da música de vanguarda e suas ramificações, há duas vertentes equivocadas bem claras: Os que defendem como arte refinada e outros que acham que também não é música, está mais para trilha sonora de filme esquizofrênico. Os que tem como a música de vanguarda como algo superior, realmente deveriam rever seus conceitos sobre humildade, pois este tipo de música não transforma ninguém em um ser humano melhor, é apenas música. A parte da crítica negativista em relação a este tipo de música, está tão condicionada à um formato de música como produto, que não tem paciência e sensibilidade para ouvir e estar aberto a novas experiências sensoriais na arte. Estes que se contentem com o que o grande mercado de consumo oferece, seja em coleções de banca de jornal, seja em megastores.
Enfim, são questões inúteis e perda de tempo, cada um que faça uso de sua liberdade para consumir o que bem entender.

*ps.: Ultimamente houve uma discussão sobre a arbitrariedade da Justiça Brasileira em proibir os bailes funk nas ruas, postos de gasolina e praças da cidade de São Paulo. Muita gente se manifestou contra a decisão alegando uma ditadura, pré-conceito, coisa de "direita", de gente "quadrada", "careta". Uma boa parte das pessoas que se manifestou contra essa proibição, realmente já esteve em um baile funk de rua? Já viram a merda que acontece sempre nestes eventos? Se começar a ter baile funk na frente da casa do pessoal que protestou contra a proibição, eles ainda vão apoiar? Imagina a mãe, avó ou filhos desse pessoal às 03:00h da madrugada em suas casas e o baile bombando.

segunda-feira, abril 22, 2013

Blue Humans ‎– Live In London 1994

Blue Humans é o grupo do músico, compositor e escritor Rudolph Grey, que além de guitarrista notório do cenário no wave e free jazz de New York, também escreveu o livro Nightmare Of Ecstasy (1992), uma biografia do diretor de cinema Ed Wood. Blue Humans já teve a participação de músicos como Arthur Doyle e Beaver Harris em suas diversas configurações e neste registro ao vivo de 1994, Grey optou por um trio formado por dois bateristas, Tom Surgal, percussionista de New York, que já gravou com Thurston Moore e é membro do grupo de música experimental White Out e Charles Gayle (?!). Pois é, foi uma grande surpresa e até pensei em algum erro de dados, pois nunca tive contato com algum registro do lendário saxofonista empunhando um par de baquetas além do saxofone e piano. Não que isso seja unanimidade, pois o saxofonista John Gilmore, que foi membro da orquestra de Sun Ra por décadas, também foi percussionista. Foram registrados dois momentos, dia 28/07 no The Garage e 29/04 na loja de discos Rough Trade. Em Live In London Grey aparentemente preferiu colocar a bateria em evidência com um peso brutal. Nos comentários do post.

segunda-feira, abril 15, 2013

Será Que É Isso o Que Eu Necessito?! (Calma que eu explico...)



Me lembro quando o Titãs lançou o album Titanomaquia em 1993. Eu e meus amigos xingamos até cansar, alegando o oportunismo da ondinha grunge em SP. O disco foi produzido por Jack Endino, o lendário artesão do "som de Seattle". Depois de praticamente 20 anos, Jack Endino fala como ele acha patético os brasileiros insistirem em cantar em inglês, que segundo ele, é muito mau pronunciado e não entendia porquê os brazucas não aproveitavam a riqueza da sonoridade da língua portuguesa versão brasileira para fazerem rock. Enquanto escrevi este texto, escutei o Titanomaquia na integra pela primeira vez, pois na época só tinha visto videos como este que aqui está. E não é que o disco é bom? Não, não bati a cabeça na parede, só aprendi a identificar qualidade independente dos meus gostos pessoais. Na verdade, ele de certa forma é uma continuação do Cabeça Dinossauro ou Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas. Mas na verdade não quero falar do Titãs, apenas usei o título da música para ilustrar o assunto que quero tratar agora. (se bem que algumas partes da letra da música de certa forma, podem fazer parte do contexto, fora as palavras obscenas).
Não é a primeira vez que falo sobre a inutilidade de debates sobre arte, teorias e academicismo. É muito difícil alguém escapar dessa armadilha e mais de 90% acaba caindo nela. Essas discussões tem sido cabide de emprego como o funcionarismo público no seu mau sentido entre outras inutilidades. Sem discernimento, uma enfadonha conversa sobre música pode se tornar uma epifania para os mais desavisados e leigos.
Pense comigo, sinceramente, você acha que o Ornette Coleman ficou divagando teorias para executar a sua gravação de Free Jazz double quartet? Jean-Michel Basquiat precisou fazer mestrado em artes?
Não sou contra a existência de livros teóricos sobre música, artes em geral, mas esses livros definitivamente não vão revelar os segredos do universo. Nenhum livro ou instituição educacional, palestra ou o que for, vai tornar alguém um artista, acho que todo mundo sabe disso.
Quando o artista começa a se explicar sobre a sua arte, as coisas tendem a caminhar para algo errado. A arte sempre falou por si mesma, a não ser que ela não tenha realmente o que dizer. Quanto aos outros, bem, quero dizer os críticos e afins, eles tem a liberdade legítima de falarem e acharem o que lhes faz sentido. Quem quiser que compre o bolinho de ovo que sobrou no bar antes de fechar.

segunda-feira, março 25, 2013

Frank Wright - Live At Moers 81

Este registro do quinteto de Frank Wright na décima edição do Moers Festival realizado na Alemanha conta com cerca de uma hora e meia aproximadamente, onde Wright e seus companheiros improvisam em três peças, de forma intensa, sendo que a última, destaque para o pianista Bobby Few. Também há o diferencial da presença de Arthur Jones, que infelizmente teve uma carreira extremamente curta, na qual gravou apenas dois albums sob seu nome. Jones esteve presente nas gravações de Your Prayer, de Frank Wright. Mas felizmente temos este registro não oficial captado diretamente dos microfones do palco do Moers, onde podemos apreciar este maravilhoso encontro. Pessoalmente, sempre tenho um prazer a mais quando o baterista Muhammad Ali se faz presente. Como de costume, nos comentários do post.
 
 
Studio Ghibli Brasil