Mostrando postagens com marcador Antonio "Panda" Gianfratti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio "Panda" Gianfratti. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Abaetetuba na Galeria Coletivo

Nesta última sexta-feira dia 6 de Janeiro de 2012 aconteceu a reunião de todos os membros do grupo pioneiro de improvisação livre no Brasil, o Abaetetuba, que contou com Antonio "Panda" Gianfratti (percussão), até então o único que permaneceu no Brasil da formação original, Rodrigo Montoya (shamisen, violão), que retorna a São Paulo após um período na Inglaterra, Yedo Gibson (saxofones) e Renato Ferreira (saxofone e contra-baixo), que residem atualmente na Holanda, Thomas Rohrer (rabeca), que também reside em São Paulo e Luiz Gubeissi (contra-baixo), que recentemente retomou sua trajetória musical junto ao grupo. Faziam bons anos que o Abaetetuba não se apresentava com todos os seus integrantes por aqui. Foi um belo presente para mim em particular, poder prestigiar música extremamente criativa, feita por amigos e ainda a três quadras de minha casa. Também participaram da apresentação, Alfredo Genovesi (guitarra) e Sandra Pujols (voz), que são membros da Royal Improvisers Orchestra, fundada por Yedo na Holanda, que se apresentou pela primeira vez no Brasil, no Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Juventude e Espaço Serralheria.
Nada mais estimulante e justo como ter o Abaetetuba abrindo o ano de 2012 para a improvisação livre no Brasil, que está no início de uma longa caminhada para se consolidar como voz ativa no cenário musical brasileiro, que necessita urgentemente expandir seus horizontes, romper inclusive com os novos clichés do distorcido e recente cenário underground ou independente nacional, que tem o triste histórico de sabotar a si próprio. Que a improvisação livre possa existir e se estabelecer por si só e podendo contar com a colaboração de outras áreas, para que a improvisação livre soe livremente, mas não com uma estrutura improvisada.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Balanço geral do 2o. Festival Internacional ABAETETUBA de Improvisação Livre

Enfim na penúltima semana de Outubro, mais uma etapa do projeto de Antonio "Panda" Gianfratti, o Abaetetuba, que teve origem numa singela vontade de amigos se unirem para fazer música criativa e livre. O Abaetetuba se tornou digamos, um grupo com um certo número significativo de membros, se dividiu com a mudança de alguns membros para outros países, que acabou ajudando o projeto, mesmo com Panda "exilado" no Brasil. Inclusive a situação proporcionou a oportunidade do grupo ser reconhecido pelo seu valor onde o cenário de improvisação livre é consolidado. Agora Panda conta com o retorno de seu fiel companheiro Rodrigo Montoya, recentemente vindo de uma longa e frutífera temporada no circuito europeu de improvisação, injetando um reforço vital para o projeto.
Bem, como foi relatado pela midia digital independente, podemos desfrutar de música de qualidade durante o ano de 2011, num país onde este tipo de manifestação cultural é uma regalia e até uma afronta (não quer dizer que isso seja uma ação ruim de quem está envolvido) a uma realidade deprimente de um país que está cego por seu orgulho e não enxerga o caos instaurado em todos os âmbitos do país.
As oficinas ou workshops que ocorreram no Centro Cultural São Paulo, tiveram a louvável intensão de abrir portas para a música livre, quebrar conceitos e pré-conceitos equivocados sobre a improvisação livre, tornar acessível ao público em geral (apresentações internacionais gratuitas), formar novos improvisadores, semear esta bela forma de arte num terreno fértil mas em território extremamente hostil.
Como este tipo de semeadura não depende de engenharia e tecnologia em agronomia, ciência e precisão, mas justamente imprevisibilidade, os frutos colhidos não correspondem às projeções, mesmo que sendo feitas com um parâmetro racional e realista.
Estive presente durante este processo, o que me autoriza fazer uma análise empírica sobre o assunto. Sim, felizmente houveram pontos positivos com estes eventos, muitas barreiras foram quebradas e alguns objetivos foram conquistados. Na questão da semedura para uma posterior formação de novos improvisadores, não ocorreu o idealizado e isso não quer dizer que a safra foi inteiramente perdida, mas os pontos negativos foram dominantes, infelizmente.
Muitos participantes não vieram desarmados de seus próprios conceitos e não abriram mão deles para poder absorver melhor as novas perspectivas ministradas durante as oficinas. Sim, ouve um certo frenesi por participar de um workshop com músicos de outros países com trabalho consolidado no cenário de improvisação livre mundial. Isso gerou uma empáfia da parte de vários participantes, que em casos mais severos, se auto denominaram improvisadores capacitados apenas com uma oficina. Uns colocaram confiaram em seus currículos acadêmicos e profissionais, mas que não encontram lugar comum com a essência da improvisação livre, outros na estultícia de confundirem o amplo campo da liberdade com o caos, anarquismo sonoro infundado e sem propósito, numa espécie de vale tudo, vale qualquer coisa, qualquer nota, no pior sentido destas expressões populares.
Alguém pode discordar do que escrevi até agora se por acaso dispor de tempo para ler este simples artigo, neste pequeno weblog, entre milhões de blogs na web, afinal temos todos nós, o livre arbítrio. Mas saiba que tudo isto foi testemunhado em campo e e tempo real, isento de opiniões e paixões pessoais, o conteúdo é meramente jornalístico no sentido de divulgar, publicar e informar dados e notícias na atividade de comunicações, nem mais, nem menos.
E isso tudo faz parte do processo natural, como o garimpo. Quantas toneladas de outras substâncias são peneiradas para encontrar poucos gramas de ouro?

*ps.: Reconhecimento e mérito ao Abaetetuba, Antonio "Panda" Gianfratti e Rodrigo Montoya, que tenho a honra de ter como amigos.

segunda-feira, outubro 17, 2011

A tal da improvisação livre

Finalmente começam a nascer os frutos da pequena e frágil muda de improvisação livre em terras brasilis (no caso, a cidade de São Paulo é o foco e epicentro), graças ao arduo trabalho pioneiro de Antonio "Panda" Gianfratti e Yedo Gibson com o grupo Abaetetuba e seus integrantes, aos irmãos Mesquita que articularam a vinda de Phil Minton, potencializando a centelha inicial desta tenra caminhada e também o recente e essencial esforço louvável de Juliano Gentile junto ao Centro Cultural São Paulo, que tem proporcionado uma estrutura realmente significativa para o desenvolvimento da música livre criativa. É incontestável o mérito destas pessoas e quem tiver uma opinião contrária, lamento informar que se embriagou no sedutor vinho da soberba e vive um delirium tremens sem uma única gota etílica ingerida.
Então no final desta primeira década, tivemos a alegria de prestigiar expoentes importantes e contemporâneos da improvisação livre mundial, como Hans Koch, Phil Minton, Veryan Weston, Han Bennink, Marcio Mattos, Ken Vandermark, Mark Sanders, Trevor Watts, Ab Baars entre outros e o mais importante, de forma totalmente acessível. Não se iluda com os eventos do sesc, pois existem vários parênteses e não foi lá tão acessível prestigiar Peter Brötzmann, Ornette Coleman e membros da AACM nas unidades da corporação (mas esta é uma outra, digo, outra história, se é que me entende...). Aliás me recordo da arapuca armada para o trio de Bennink no sesc com um certo conjunto musical local, que segundo o próprio Bennink, prefere esquecer que aquilo aconteceu, mas não alterou o seu amor pelo Brasil (isso posso falar com toda a certeza, pois ouvi dele pessoalmente quando estive em sua pátria). Além de performances, foram e continuam sendo ministradas oficinas (se acha mais "chic", tem o termo workshop) totalmente gratuitas e acessíveis com vários destes artistas, que são geradoras dos tais frutos destes esforços pela música pura e simples. E este é o ponto crucial e motivador desta nota (ou post, enfim).
Podemos realmente considerar que o marco inicial e até oficial documentado na improvisação livre no Brasil está no cd lançado de forma independente, o Liberdade - duo Antonio Panda Gianfratti e Yedo Gibson (2003). A história é tão recente, que em 2006, quando Phil Minton se apresentou em São Paulo, pouquíssimas pessoas compareceram ao concerto gratuito e a maioria nem tomou conhecimento ou o mínimo de interesse por esta forma de arte que vem se desenvolvendo à decadas. Não meu caro, sem desculpas, pois já estavamos vivendo o conforto, rapidez, facilidade e acessibilidade proporcionada pela world wide web e suas ferramentas, como os blogs, sites de música e músicos, sites de busca, de video streaming, radio streaming, enfim, nego não tava nem aí pra isso. Fora que já temos um histórico de contato com uma música mais ousada (mesmo que de forma muito menos acessível), como por exemplo John Zorn no free jazz festival de 1989 e o Lounge Lizards em 1988. Mais recentemente também tivemos o grupo do guitarrista francês Claude Barthélémy em 2009 de forma completamente acessível ao público em geral, nas costumeiras segundas na unidade do sesc da av. Paulista, onde o público fiel era praticamente o mesmo, com baixíssima audiência mais jovem, que era composta por estudantes de música e alguns eventuais transeuntes com horário disponível. Realmente quase ninguém dava atenção ao nicho que inclue o chamado free jazz, free music, free improvisation ou até o duvidoso rótulo de avant-garde.
O que mais me "assusta" nisso, é que mesmo a maioria das pessoas que tem oportunidade e acesso à informação e cultura desta provincia travestida de megalópole, tem uma pedância de uma suposta aquisição de detenção de cultura completamente deficiente e distorcida em todos os sentidos, na esmagadora maioria das vezes agindo abominavelmente como as cortes reais de séculos passados, com muita pompa, peruca, maquiagem, "sangue azul", mas internamente corroídos por toda sorte de doenças (não só no sentido clínico). E qual o vínculo disto com os frutos da improvisação livre em São Paulo? Logo concluo a questão.
Quem já passou da faixa etária dos 30 anos de idade, possivelmente já ouviu falar da tal Generation X, se esteve ligado aos movimentos artísticos dos anos 80, do underground. Depois denominaram a Generation Y, infectada com a repugnante e nociva ideologia neo- liberalista. E hoje presenciamos o que obviamente se chama de Generation Z, composta de uma juventude com "a faca e o queijo na mão", ou seja, acesso quase que total à todo tipo de informação em velocidade digital, volume incalculável de dados, interligados simultaneamente em todo globo terrestre pela internet. Mas como um computador, que pode armazenar terabytes de dados, trabalhar em altíssima velocidade com processadores de multiplos núcleos refrigerados à nitrogênio, softwares intuitivos e altamente desenvolvidos, soa morto como um vil pedaço de metal (talvez silicio seja o termo mais adequado), se não tiver um operador (usuário) experiente.
Are You Experienced? Jimi Hendrix indagava a questão numa época analógica em que não existiam "maçãs" e nem "janelas" e tanto Bill Gates quanto Steve Jobs nem tinham espinhas no rosto. Mas afinal, o que isso tudo tem haver com improvisação livre?
Eu creio que para uma pessoa com o mínimo de entendimento, tudo que está escrito até aqui, pode ser compreendido com esta conclusão:
Para não pecar em minhas palavras e ser interpretado de maneira equivocada, vou me colocar como um elemento meramente ilustrativo. Mesmo eu tendo iniciado em 1994 minhas pesquisas no terreno da música mais ousada e livre, tanto por dados teóricos, jornalísticos, documentais, aliados à experiência em campo, ou seja, na prática, tendo o privilégio de aprender e trocar experências com o Panda e até recentemente com os membros da Dutch Impro Academy e participantes de diversos países e qualidades únicas, mesmo tendo um diploma com a assinatura de Han Bennink me testificando como improvisador capacitado além de sua aprovação pessoal em nossas breves sessões, ainda me considero no continuo processo de aprendizado, e isso de maneira alguma é falsa modéstia (meu Deus, que sonda mentes e corações, sabe disto). Isso sem contar com as oficinas que participei por conta do Centro Cultural São Paulo (mais uma vez muito obrigado, Panda e Juliano, que Jesus os abençoe!), ainda me mantenho e me esforçarei para assim permanecer até o fim, com esta postura de aprender continuamente e me sentiria extremamente desconfortável e equivocado, achando que meia dúzia de workshops me fariam um bona fide improviser e muito menos apto a ministrar workshops por aí.
Quem tem ouvidos, ouça, quem tem entendimento, bem, nuff said!









segunda-feira, maio 30, 2011

Oficina de Improvisação Livre com Antônio Panda Gianfratti

Se você está interessado em conhecer o amplo universo da improvisação livre, esta é uma ótima oportunidade de aprender com este criativo percussionista e improvisador. Panda é pioneiro no desenvolvimento no campo da improvisação livre no Brasil, com o grupo Abaetetuba, que conta com Thomas Rohrer (Suiça) e os membros radicados na Europa, Rodrigo Montoya (London Improvisers Orchestra/UK), Yedo Gibson e Renato Ferreira (Royal Improvisers Orchestra/Holanda).
Aula introdutória:
Dia 10 de Junho, sexta-feira das 18 às 22h.
Oficinas:
Dias 11, 12, 18 e 19 de Junho, aos sábados e domingos das 13 às 17h.

Local:
Espaço Musical -
Rua Paulistânia, 339 - Vila Madalena
São Paulo/SP 05440.000
prox. à estação Vila Madalena do metrô
Contato:
contato@espacomusical.com.br
tel: (11) 3813-2955
http://www.espacomusical.com.br/
 
 
Studio Ghibli Brasil