quinta-feira, janeiro 29, 2009

John Zorn ou Mallu Magalhães, quem me concede três desejos?

Nos últimos dias numa pequena comunidade sobre Jazz no orkut, o questionamento sobre a genialidade do saxofonista, improvisador e compositor John Zorn me chamou a atenção. Assim também sobre o que lí e ouvi à respeito da Mallu Magalhães, a qual realmente não sabia nada sobre seu trabalho musical. Estes dois artístas que pertencem a universos tão distantes um do outro partilham do mesmo questionamento: Afinal, são ou não são genios?
Em tempos mais rígidos, este título era atribuído a pessoas como Franz Lizt, Mozart, Edgar Varese, Pierre Boulez, Frank Zappa, Jimi Hendrix, etc.
Mesmo recebendo premiações de instituições como a MacArthur Foundation, que contempla poucos músicos em meio de cientistas(os quais são os estereótipos de gênio), educadores, Zorn não passa de um desconhecido para a maioria das pessoas ou apenas um nerd do underground com fama de chato e barulhento. Mas nos abstendo do que dizem por aí, é fato que Zorn é um artísta criativo e extremamente inteligente. Sua produção artística é assustadoramente abundante e rica, mas isso não o isenta de produzir trabalhos chatos. Sua precisão e destreza no saxofone proporciona-lhe total liberdade de expressão. É dotado de conceitos bem desenvolvidos e coerentes na sua obra, mesmo que 99% das pessoas o ignorem e achem uma bela porcaria.
A Mallu Magalhães ainda é uma menina, com 16 anos ganhou a fama e tomei conhecimento dela pelo costumeiro bombardeio de baixo nível da mídia sobre sua vida pessoal. Depois descobrí que sua música era trilha sonora de algum produto vendido pelos anúncios na tv. Aí tem esse lance da redescoberta da folk music norte americana, inventaram um troço que chamam de "indie folk"(mais hein?!). Realmente fiquei intrigado sobre as declarações sobre esta moça de 16 anos que dizem ser um gênio, extremamente madura, que fala, pensa e age com mais maturidade do que muitos que passaram dos 30...
Então eu assistí uma entrevista com Mallu e me pareceu uma pessoa simpática e sincera. Bem, sua música eu particularmente não ví nada de genial, também não achei ruim. Suas melodias são muito familiares se você tiver um bom repertório musical na memória. Muitos adoram a Mallu e outros tantos a odeiam. Sei lá viu, deixa ela fazer a arte dela, para mim é um mundo distante da minha realidade.
Mas é uma discussão que não vai acabar hoje, muito menos amanhã, nunca haverá uma lâmpada para esfregar e receber os tais dos três desejos e não há Zorn ou Mallu que possam realizá-los.
Uma "apóstrofe": " ...
look here brother
Who you jiving with that cosmik debris? ...Look here brother, dont waste your time on me"

domingo, janeiro 25, 2009

São Paulo 455

455 anos e esta cidade ainda não aprendeu a ser mais justa. São Paulo, feliz aniversário, mas os meus pesares também...

terça-feira, janeiro 20, 2009

S.O.S. David S. Ware

O saxofonista David S. Ware infelizmente precisa urgentemente de um transplante de rim, após nove anos de tratamento. O doador precisa ter boa saúde, sangue tipo O, tanto positivo quanto negativo, ter menos de 60 anos, não ter diabetes e pressão alta.
Assim que possível, o transplante será realizado no Robert Wood Johnson University Hospital in New Brunswick, NJ.
Site oficial de David S. Ware: http://www.davidsware.com/

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Como se dizia antes, não está na hora de virar o lado do disco?

Já tem gente começando o ano de 2009 com o pé na cova... Mas isso é no sentido figurado em relação à música e em São Paulo particularmente. São sites, blogs, comunidades do orkut, etc., abordando o assunto Miles Davis. Como recentemente foi publicado o livro sobre a gravação do disco Kind Of Blue, o assunto voltou com mais frequência do que já é costume. Para os fãs de Miles e os que acham que ele é mais que um mero ser humano, já explico que não odeio ele, inclusive tenho uma boa parte de sua discografia, reconheço seu talento e realmente aprecio muitas de suas composições, mas não tenho uma imagem idealizada e romantizada de um Miles Davis is god, como muitos afirmam. Também já abordei o tema em sí e este não é o momento e nem a minha vontade retomar um assunto tão bem digerido, bem publicado, bem documentado, bem registrado, como é Miles Davis, desde fascículos de banca de jornal, dvd's e luxuosas box set's com gravações inéditas.
O que me levou a falar sobre isso foi ter visto justamente o que escreví no começo do post, nem começou o ano direito e já estão falando do ilustre de novo, só que sem nada que possa acrescentar algo realmente relevante e substancial. Tudo bem, é o livre arbítrio, pois cada um escolhe no que gasta seu curto espaço de tempo em carne e osso neste planeta. Tem pessoas que só ouvem a música de Johnny Mathis, outros só Beatles, etc e etc.
Só creio que seja um desperdício de oportunidade. Se privar de descobrir coisas novas e isso nem sempre quer dizer que se tenha obrigação de só ir atrás de no caso especificamente, trompetistas de Free Jazz ou Neo-Bop. Até o bem conhecido Lee Morgan desperta pouco interesse, talvez por ignorância e principalmente em sua melhor fase, no fim dos anos 60 e início dos 70. Mas também podemos descobrir trabalhos preciosos, como o realmente desconhecido trompetista Dupree Bolton, que gravou nos anos 50 e o blog Farofa Moderna colocou em pauta.
Nem sempre não se mexe em time que está "ganhando", pois pode ser que só não está perdendo...

sábado, janeiro 10, 2009

Trava Fist Planet

video
Diretores: Katsuhito Ishii e Takeshi Koike
OVA em 04 episódios
Studio Madhouse 2003.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Freddie Hubbard on the other side...

Freddie Hubbard deixou muita música para ser lembrado pelo seu grande talento. Ainda conseguiu celebrar seus 70 anos de idade com o disco On The Real Side gravado em 2008. Que agora esteja descansando em Deus, na santa paz.
Muitos apreciadores de Jazz e músicos ultimamente tem falado a mesma frase: "É... eles estão indo embora...". A morte chega para todos, estamos só de passagem por aqui, mas isso não quer dizer o fim, principalmente para quem ainda tem seus anos para viver em carne e osso na Terra. Realmente os grandes artístas de uma era estão encerrando seu ciclo de vida, mas o renovo acontece, novos talentos surgem e o Jazz continua. Sem dúvida não vão aparecer músicos iguais ao Freddie, mas também sem dúvida já existem os que são tão bons quanto. Aliás não se deve fazer comparações neste nível, pois a música é interessante justamente se ela expressa bem a personalidade do músico.
É impossível esquecer de Freddie e sua corneta no Jazz, na música, quando os Messengers incluíram um trombonista pela primeira vez, Freddie estava lá. Quando Dolphy criou sua obra prima, o Out To Lunch, Freddie também estava, assim como em Free Jazz de Ornette Coleman e Ascension de John Coltrane, fora suas próprias gravações, como Blue Spirits, Ready For Freddie, etc. Hubbard deixou sua rica herança para a música e agora seguimos em frente com Wynton Marsalis, Corey Wilkes, Robert Griffin, Magnus Broo, Lewis Barnes, etc.
Obrigado pela sua música, Freddie.
 
 
Studio Ghibli Brasil