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quinta-feira, outubro 20, 2016

From The Past Comes The Storms (Até que ponto nostalgia é saudável)



"Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára Não pára, não, não pára" - Cazuza

Pois é, quase 30 anos se foram desde que ele escreveu estas frases e a mentalidade humana em certas questões se mantém as mesmas, algumas para o bem, outras, como posso dizer... não tão bem assim.
Resolvi escrever este texto sobre algo que já tenho notado nestes últimos anos, pelo fato de ver o impacto na arte, no comportamento e valores na sociedade. Provavelmente pouquíssimas pessoas terão algum interesse em debater sobre isso, tanto aqui, tanto no grupo do Sonorica do Facebook.
Eu já tinha abordado a questão dos discos de vinil aqui (http://sonorica.blogspot.com.br/search/label/vinil), e também tenho notado o crescente número de grupos, bandas que retornam aos palcos ou até gravações, após seu fim. E não se trata de uma pausa em aberto que esses artistas escolheram, mas realmente o ciclo havia se encerrado, seja pela conclusão de um trabalho, como foi no caso do The Police, que encerrou suas atividades em 1985 pelos seus três integrantes concluírem em comum acordo, que era hora de encerrar e partirem para novos horizontes. Claro que fizeram reuniões até 2008 para relembrar os velhos tempos, mas felizmente até agora, estão voltados ao presente em suas carreiras e vidas particulares Ok, isso faz parte, como diz o slogan: "Recordar é viver". Mas nestes últimos anos, essa nostalgia tem recebido mais destaque do que deveria e praticamente estamos vivendo do passado.
Refilmagens, re-edições, re-gravações, re-lançamentos, vintage, retrô em quase todos os lugares.
Ironicamente, em uma das formas mais antigas de expressão artística, a literatura, não se tem notícias de autores re-escrevendo suas obras, ou fazendo um "remake", apenas as re-edições que normalmente ocorrem, com apenas novas artes de capa ou até mudança de editora, mas a obra em si permanece intacta.
No cinema, que é considerada a sétima arte, tem pouco mais que um século de existência e já se rende largamente aos remakes. A impressão que tenho é que há uma crise criativa entre os roteiristas. Neste século XXI, que era imaginado como a era do futuro e das novíssimas tecnologias, encabeçada pela informática, nunca houveram tantas refilmagens no mercado cinematográfico.
A parte do formato de mídia musical não vou me aprofundar, pois já escrevi sobre isto no link acima no texto, mas também, mesmo não se tratando apenas de vinil e fita k7, também há lançamentos em e CD e DVD de obras do passado, com sobras de gravação que foram rejeitadas pelos criadores e produtores. Bem, creio que houveram motivos plausíveis para rejeitar tais registros. Mas para o fã saudosista o refugo vira ouro. Um exemplo é o CD box do Funhouse do The Stooges. Vários takes e apenas introduções de algumas músicas que falharam. Se alguém é fã, fique em paz, cada um tem seus desejos e gostos, isto é apenas para reflexão sobre consumo. Vale pensar à respeito, sobre pagar um valor mais alto por algo feito no passado e que foi rejeitado pelos seus criadores, a não ser que ache que saiba mais o que é melhor fazer com essas coisas que o próprio Iggy Pop... (desculpe a ironia)
Bandas e grupos que resolvem retomar a carreira depois de longo tempo após a ruptura ou fim da carreira. Geralmente isso acontece com bandas de rock, que é, quer queira ou não, um símbolo de juventude, rebeldia (mesmo que seja pseudo). Às vezes se torna um freak show, com os integrantes mais velhos e não tendo obviamente aquele vigor físico, aparência do passado. Cruelmente o mercado de consumo impõe uma ditadura da beleza sem rugas e cabelos grisalhos. De um lado vendem a nostalgia e do outro, os cremes "anti-idade".
Nesta questão de bandas e grupos que voltam à ativa, gostaria de analisar alguns pontos.
Como disse antes, ok, não é nada nocivo um grupo relembrar seus bons tempos, como um encontro de amigos de longa data, levando em conta que os ex-membros estão realizados com suas carreiras atuais ou mudanças no estilo de vida.
Casos em que seus ex-integrantes buscam uma espécie de "fonte da juventude" ou "máquina do tempo" para se sentirem jovens novamente, tentando reencontrar algo que ficou ou foi esquecido ou perdido no passado.
Há casos em que os ex-integrantes não estão lá muito bem em vários aspectos em suas vidas atuais e encontram no chamado revival, uma chance de garantir algum meio de sobrevivência financeira e até existencial. Nesses casos, nem todos se encontram nesta situação e acabamos presenciando embates registrados nas mídias de batalhas judiciais em relação a direitos autorais, retornos de bandas que chegam a ter apenas um integrante, seja por ser o único a querer revisitar o passado, seja por ser o único sobrevivente ou no caso mais grave, relações irreconciliáveis que apenas se suportam para suprir suas necessidades financeiras ou realmente apenas de auto estima. Quem acompanhou a mídia especializada musical, provavelmente viu, leu ou ouviu sobre bandas que chegaram ao ponto de cancelarem turnês devido ao clima insuportável entre os colegas ou ex-colegas de banda.
Mas também há alguns casos alegres! Bandas que interromperam suas trajetórias por força maior e circunstâncias da vida, onde antigas amizades foram restauradas e um bom sinal disso:
Se reúnem para criar novas obras!
Mas são poucos e poucas que conseguem tal feito. Mas se levar no lado positivo, também há um aprendizado. Se não foi frutífero e satisfatório tentar novamente, não foi possível gerar novos frutos, os envolvidos não ficarão com dúvidas e frustrações por não terem tentado.
Tudo bem, não acho de maneira alguma que deveria se extinguir os revivals, remakes e rerturns of...
mas do jeito que está, seria prudente observar e analisar o que está acontecendo na arte e entretenimento.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

The return of living dead...(oh não! De novo esse assunto sobre a volta do vinil? O que, k7 também?!)

Pois é, e lá vamos nós novamente falar sobre o tal do disco de vinil. Como tenho percebido que nos últimos anos o simples fato de expor uma opinião gera um tipo de atrito que ultrapassa as fronteiras do bom senso, beirando à um conflito de fanatismo religioso, já aviso que tenho 3 estantes lotadas de discos de vinil, gosto deste formato e ainda em tempo, este texto é apenas uma opinião particular de minha parte a qual tem pouca importância para minha vida. Também ainda tenho centenas de fitas k7. Só me adaptei aos novos tempos, então tenho mais de 1000 Compact Discs e cerca de 500GB de arquivos em mp3 em compressão 320kbps, FLAC, WAV.
Se sou contra a volta do vinil e do k7? Efetivamente não ligo no sentido de apoiar, mas o tipo de comportamento que esse "revival" tem causado, me inclina à desaprovar esse retorno dos mortos vivos.
1º impacto negativo: Inflação do mercado.
O que era um moribundo no meio dos anos 90 se tornou um vilão como Jason Voorhees, Michael Myers ou Freddy Krueger, ressurgido das trevas. OK, sempre houveram discos caros, principalmente os importados ou as edições nacionais fora de prensagem, mas as prensagens nacionais em catálogo, que sobravam aos montes em sebos, que eram vendidas em lojas de departamento junto aos eletrodomésticos (hoje em dia seria um Walmart, Carrefour, Lojas Americanas, etc), vendidos de centavos à poucos R$, hoje em dia, são vendidos por pelo menos R$30,00 e detalhe, sem estar em boas condições de conservação;
2º impacto negativo: Fetiche consumista.
Definitivamente nada contra o fetiche do vinil, desde que isso não ultrapasse o bom senso. Até que ponto ter um LP é tão importante? "Mas a arte da capa, o encarte, o selo, pegar no disco, a experiência sensorial do tato, etc..." Tudo bem, OK, cada um com sua preferência, mas a que preço? Fora que muitos nem escutam os discos, é apenas um troféu à ser exibido em seus círculos sociais.
Ainda existe a fatídica questão da tal qualidade superior de áudio do vinil para os formatos digitais. Não vou entrar nesta questão por ser extremamente exaustiva e seria uma perda de tempo, pois quem defende essa tal qualidade superior, se apoia em uma fé cega (ou seria surda?).
Enfim, a música acaba se tornando um fator secundário no mínimo quando entram estas questões.
3 º impacto negativo: Elitismo
Isso está diretamente vinculado ao 1º e 2º fator acima. Quem é que tem pelo menos R$70,00 para comprar um disco? Geralmente as reedições custam mais de R$100,00, sendo que teriam de ser mais em conta, pois não houve custo adicional na produção musical, ou seja, o artista não gastou horas de estúdio e outras despesas, como matriz, arte de capa, etc.
Cai entre nós, vivemos em um país miserável, onde o salário mínimo é de R$880,00 (vigorando desde 01/01/2016). Faça as contas, levando em consideração que a maioria da população (vamos centralizar na capital paulistana) no máximo (no máximo mesmo) ganha até 6 salários mínimos e dessa porção, a esmagadora maioria não ultrapassa os R$2.500,00 por mês. No quesito moradia, no mínimo R$1.000,00 em despesas, sem contar com a alimentação, vestuário, saúde. Então, pobres, lamentamos que esteja fora desta fatia de mercado de consumo exclusivo. Pelo menos não tem o mesmo impacto negativo dos smartphones, mas...
4º impacto negativo: Impacto ambiental
Ah não, lá vem o discurso ativista ecológico greenpeace ou até black block, petista, hippie, esquerdista ou que seja...
Alô, tem alguém em casa? Já não é notório o impacto ambiental negativo causado pela indústria de consumo? Mas o que é agora, vai colocar a culpa do vinil pelo aquecimento global? Bem, se utilizarmos o bom senso, deixando de lado opiniões estritamente pessoais, basta somar 1+1.
Qual a matéria prima do disco de vinil? PVC.
*Polivinil cloreto, comumente conhecido como "PVC" ou "vinil" é um dos materiais sintéticos mais comuns, o PVC é uma resina versátil e aparece em centenas de diferentes formulações e configurações. Acima de 7 milhões de toneladas de PVC são atualmente produzidos por ano nos EUA. Mas fique tranquilo, Aproximadamente 75% de todo ele manufaturado é usado em materiais de construção.
PVC: O maior desastre ambiental sobre a saúde.
Ele é o pior plástico sob a perspectiva da saúde ambiental, colocando maiores prejuízos quando de sua fabricação, sobre tempo e vida dos produtos feitos com ele e por fim quando é jogado fora.
Subprodutos tóxicos de sua fabricação.
Dioxina (o mais potente carcinogênico conhecido), dicloroeteno (ou sua antiga denominação: etileno dicloreto) e cloreto de vinil são involuntariamente gerados na produção de PVC e podem causar severos problemas de saúde, como:
Câncer;
Disruptor endócrino;
Endometriose;
Danos neurológicos;
Defeito de nascimento e comprometimento no desenvolvimento infantil; e
Danos nos sistemas reprodutivo e imunológico.
Nos EUA, o PVC é fabricado predominantemente próximos de comunidades de baixa renda no Texas e na Louisiana. O impacto tóxico da poluição em três destas fábricas nestas comunidades tem feito delas o foco do movimento de justiça ambiental.
Impacto global:
O impacto da dioxina não para aí. Como um poluente bioacumulativo tóxico (PBT), não se decompõe rapidamente e viaja através do planeta, acumulando-se nos tecidos gordurosos e concentrando-se assim que vai subindo na cadeia alimentar. Dioxinas da fábrica de Louisiana migram pelos ventos e se concentra nos peixes dos Grandes Lagos. Elas são mesmo encontradas em perigosas concentrações nos tecidos da baleias, dos ursos polares e, finalmente, no leite materno do povo esquimó Inuit. A exposição média de dioxina dos norte-americanos já alcança risco calculado de câncer tão grande quanto 1 para 1.000 – milhares de vezes maior dos que o padrão usual para um risco aceitável. Mais dramáticas são as concentrações de dioxina no leite materno a um ponto que os bebês agora recebem altas doses, em ordem de magnitude maior do que as médias dos adultos.  
Risco dos terroristas:
O relatório de 2002, encomendado pela Força Aérea dos EUA para a Rand Corporation, onde identifica o armazenamento de gás cloro e meios de transporte como maiores alvos químicos para ataques terroristas, citando exemplos de uma série de ameaças e ataques já realizados em todo o mundo. O cloro usado como principal matéria-prima para na fabricação de PVC e o seu transporte através de comboios para abastecimento destas fábricas, torna toda esta cadeia do processo altamente vulnerável. Um simples ataque terrorista poderia liberar uma nuvem tóxica que se espalharia por quilômetros, colocando milhões de vidas em um perigo potencial.
A melhor segurança é optarmos por materiais seguros que não necessitem cloro. A produção de PVC é o maior consumidor específico de cloro e assim reduzir seu uso, representa o maior passo que poderemos dar para reduzirmos o risco de desastres com este elemento químico, acidental ou intencionalmente.
Aditivos letais:
O PVC é inútil sem não houver a adição de uma infinidade de estabilizadores tóxicos – como o chumbo, cádmio e estanho – e dos plastificantes ftalatos. Eles lixiviam ou volatilizam do PVC todo o tempo aumentando os riscos que incluem asma, envenenamento por chumbo e câncer.
Incêndio mortamente perigoso:
O PVC representa um grande risco nos incêndios de prédios, já que ele libera gases mortais por largo tempo depois que ele inflama, assim como o cloreto de hidrogênio se transforma em ácido clorídrico quando inalado.  Enquanto ele queima, tanto acidentalmente ou na incineração de lixo, vai liberando dioxinas cada vez mais tóxicas. O PVC queimado em aterros de lixo pode ser agora a maior fonte de dioxinas liberadas no ambiente.
Não pode ser facilmente reciclado:
A multitude de aditivos requeridos para fazer o PVC utilizável, torna a reciclagem pós-consumo, em grande escala, quase impossível para a maioria dos produtos, interferindo na reciclagem de outros plásticos. De um estimado de 3,5 milhões de toneladas de PVC são jogadas fora nos EUA, e apenas 7 mil - menos da metade de 1% - é reciclada. A Association of Post Consumer Plastics Recyclers (nt.: Associação de Recicladores de Plásticos Pós-Consumo) declarou que os esforços para reciclar o PVC são falhos e classificou-o, em 1998, como um contaminante.
* fonte: https://www.healthybuilding.net/
Mas que importância isso tem, não é? O que é utilizado na produção de discos de vinil talvez não chegue a 1%. E a produção de celulose para as capas, selos, encartes? Também terá um aumento na produção de porcentagem mínima em relação à produção total.
Para quem entende um pouco de mercado financeiro, sabe o quanto faz de diferença a porcentagem de 0,1% em diversas situações. Levando em consideração que mesmo a matéria prima produzida de forma sintética não brota do nada e depende de recursos naturais que não são infinitos, esta insignificante porcentagem pode fazer uma diferença considerável à longo prazo.
Mas quem se importa? Essas novas gerações nem ligam pra disco de vinil, só fazem download de mp3, eles que se virem com o meio ambiente no futuro...

terça-feira, abril 30, 2013

Funk Carioca e Música de Vanguarda, na verdade, ambos podem ir para o lixo...

Me lembro ainda no final dos anos 90 quando o pai de um amigo afirmou que o gênero musical conhecido como Funk Carioca estava fadado a extinção. Bem, estamos caminhando para mais de uma década que este tipo de música não só sobreviveu, mas proliferou como uma epidemia. Talvez por não ter uma visão imparcial e mais discernimento, não pude fazer uma projeção óbvia de que certos estilos musicais mais cedo ou mais tarde ganhariam espaço no mercado de consumo em massa. No começo dos anos 80, era difícil imaginar que o Rap seria trilha para comerciais de produtos na tv. Mesmo quando um dos elementos do Hiphop ganhou uma certa notoriedade na mídia, sim, o Breakdance, que foi usado como vinheta de abertura de uma novela, assim como filmes, o Rap em sí demorou cerca de 10 anos para ser aceito pelo público em geral. E o que dizer do Hardcore? O derivado mais radical do Punk Rock nunca teve acesso à grande massa, grande parte dos anos 90 foi restrito aos nichos culturais. Quem imaginaria que o Hardcore se tornaria vinheta de uma novela voltada ao público adolescente?
Hoje em dia há muita discussão à respeito do Funk Carioca, uma parte abomina completamente, alegando que é anti-música e outros defendem como espontânea e criativa arte popular. Afinal, quem está certo? Na verdade, os dois. Eu fiz um grande esforço em não entrar em discussões à respeito do Funk Carioca e vou continuar me mantendo longe disso, apenas vou expor a minha estrita e particular opinião sobre isso e realmente não vou dar prosseguimento neste assunto. E isso também serve para a música de vanguarda, experimental, improvisação, free jazz e outros blá, blá, blás.
Hoje em dia há até teses sobre esse fenômeno cultural, pessoas que tentam legitimar o Funk Carioca como uma arte extremamente criativa e legítima, que pode ser equiparado aos gêneros consagrados no universo da música. Creio que a esta altura, a maioria que defende o Funk Carioca de forma "acadêmica", sabe de suas origens no dialeto do Rap Norte Americano da Costa Leste, o Miami Bass, sua fusão com elementos musicais brasileiros, etc e etc. A corrente que abomina o estilo alega a pobreza musical, como as montagens com samplers repetitivos e colagens grosseiras, além do despreparo lírico, poético dos MC's. Claro que o MC não precisa ser um cantor de ópera, mas pelo menos que ele pronuncie legivelmente. Se bem que a maioria das letras é de conteúdo descartável. Então entra a questão de preferência pessoal e o início das vãs discussões.
No campo da música de vanguarda e suas ramificações, há duas vertentes equivocadas bem claras: Os que defendem como arte refinada e outros que acham que também não é música, está mais para trilha sonora de filme esquizofrênico. Os que tem como a música de vanguarda como algo superior, realmente deveriam rever seus conceitos sobre humildade, pois este tipo de música não transforma ninguém em um ser humano melhor, é apenas música. A parte da crítica negativista em relação a este tipo de música, está tão condicionada à um formato de música como produto, que não tem paciência e sensibilidade para ouvir e estar aberto a novas experiências sensoriais na arte. Estes que se contentem com o que o grande mercado de consumo oferece, seja em coleções de banca de jornal, seja em megastores.
Enfim, são questões inúteis e perda de tempo, cada um que faça uso de sua liberdade para consumir o que bem entender.

*ps.: Ultimamente houve uma discussão sobre a arbitrariedade da Justiça Brasileira em proibir os bailes funk nas ruas, postos de gasolina e praças da cidade de São Paulo. Muita gente se manifestou contra a decisão alegando uma ditadura, pré-conceito, coisa de "direita", de gente "quadrada", "careta". Uma boa parte das pessoas que se manifestou contra essa proibição, realmente já esteve em um baile funk de rua? Já viram a merda que acontece sempre nestes eventos? Se começar a ter baile funk na frente da casa do pessoal que protestou contra a proibição, eles ainda vão apoiar? Imagina a mãe, avó ou filhos desse pessoal às 03:00h da madrugada em suas casas e o baile bombando.

sábado, abril 23, 2011

Páscoa, Pessach, feriado prolongado, coelhinho ou chocolate?


"E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR.
E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.
E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel. E ao primeiro dia haverá santa convocação; também ao sétimo dia tereis santa convocação; nenhuma obra se fará neles, senão o que cada alma houver de comer; isso somente aprontareis para vós. Guardai pois a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até vinte e um do mês à tarde. Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, aquela alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães ázimos. Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.
Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre. E acontecerá que, quando entrardes na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, guardareis este culto.
E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?
Então direis: Este é o sacrifício da páscoa (do hebraico פסח - pessach ou seja, passagem) ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.
" - Êxodo 12.1-27

terça-feira, março 29, 2011

Condomínios fechados, a nova onda do mercado imobiliário

Saindo do foco mais direcionado deste blog, este post é sobre os novos empreendimentos imobiliários que nós temos visto se multiplicarem ao redor da cidade de São Paulo e seus anúncios se multiplicam vertiginosamente em todas as midias: os lotes de condomínios fechados. Pois é, antes o condomínio Alphaville, situado na região de Barueri, era algo inatingível para a maioria da população, sendo notória moradia de ricos, alguns artístas. Afastado do centro urbano, oferece segurança, tranquilidade, privacidade, área verde, despreocupação em estacionar o carro, de trancar a porta de casa, etc. Uma utopia para uma cidade esculhambada que é São Paulo. Agora a classe média também pode sonhar com essa possibilidade, pois as imobiliárias investem pesado neste setor, arredando áreas que não tinham interesse no mercado, por estarem distantes do centro da capital e não eram mais atrativas para parques industriais. Isso também é reflexo do que é bombardeado através de filmes, seriados, onde as famílias norte americanas de classe média vivem pacatamente nos chamados subúrbios, onde o pai faz seu estranho churrasco com carne de hamburguer no quintal com piscina, apara a grama verde e não há altas grades separando o jardim frontal da casa com a calçada da rua. As crianças (kids?!) brincam de bicicleta e o notório carrinho de mão vermelho, jogam baseball com tranquilidade. Bem, como nossa cultura é esfacelada e macunaíma, estas imagens vem fermentando no imaginário brazuca por anos à fio.
Para o Oeste! Ou para o norte, sul, leste, enfim, rumo aos condomínios fechados! Compre sua fatia de felicidade em suaves prestações e financiamento bancário, escolhe seu lote, siga o padrão e construa seu castelo! Não, não se importe com o impacto ambiental do desmatamento desenfreado que estes lotes estão causando na natureza, afinal, são apenas casas, não é mesmo? Quem precisa de mato é bicho. E bicho suja, pica e faz sujeira.
Mas quer saber, vão meus queridos, deixem a cidade para nós! Nós que gostamos de viver amontoados entre concreto, carros e multidão. Isso pode ajudar no paisagismo da cidade, que está forrada de grades, seguranças de terno preto, carros blindados com vidro escuro, paranóia, frieza, comportamento individualista, etc.
Quem sabe, possa ocorrer como em New York pós depressão, onde ninguém queria ficar, dando oportunidade para a arte, a chamada contra-cultura e seus artístas, estabelecerem studios, lofts, galpões, nightclubs, como o CBGB'S, e a grande maçã podre exalou arte como ninguém. Mesmo agora, quando a coisa melhorou e houve a tal da política de tolerancia zero e higienização sócio-econômica nos anos 80, New York ainda é o que é, um centro democrático propulsor de arte, apesar de tudo.
Por tudo isso, classe média, ricos, vão meus queridos, deixem a cidade...

domingo, fevereiro 27, 2011

So What?

Não é definitivamente aquela música de Kind Of Blue, não tem clima cool, o negócio é mais porrada mesmo, o buraco é mais embaixo. Também não é nenhuma novidade a degradação dos valores sociais e consequentemente culturais deste país, que abraça qualquer restolho, como se fosse um tesouro ou a cereja do bolo.
Temos duas estréias no cinema, o documentário sobre Justin Bieber e o filme da Bruna Surfistinha. Não, aqui não tem espaço para pré-conceito ignorante e pseudo-moralista para apedrejar a prostituta (no caso, ex-profissional do sexo).
O caso aqui é meramente o baixo nível de qualidade cultural mesmo. Realmente o cinema nacional consegue abordar e esbanjar dinheiro em cada assunto... Por favor, não me venham dizer que o filme é construtivo, que mostra uma realidade sobre a prostituição e outros argumentos, por favor, se alguém é simpatizante do filme, ignore sumariamente este blog. Assim como o documentário de Justin Bieber, que já escreveu uma biografia, só falta ter um filho e
plantar uma árvore, para seguir este jargão estúpido. O rapaz está bem acessorado, é melhor fazer estas coisas, antes de cair no ostracismo, como outros produtos de mercado fonográfico. Olha o nível, antes o que se tinha como prodígio, era o Michael Jackson nos tempos de Jackson 5, Stevie Wonder em sua adolescência. Agora está valendo tudo mais do que nunca, já chamam o jogador Dentinho de ator, o Neymar também, a Paris Hilton também chamam de artísta, de cantora... What a woderful world!
E mais uma vez o monopólio televisivo esfrega na cara da população e goela abaixo o que determinam. Mais uma vez Regina Casé se presta ao papel de que é bonito ser "feio", no seu programa que "é a cara do povo", assim contribuindo para os poucos neurônios da população trabalhar menos ainda. Afinal é domingo, né? Quem quer saber de cultura, arte, reflexão, crítica e auto-crítica em pleno domingão? Não são todos filhos de Deus? Já não chega a massacrante rotina da labuta semanal? O povo quer curtir, relaxar, beliscar um petisco e tomar uma geladinha, em frente da telinha... plim, plim... evil has no boundaries!
E o que chamam de elite cultural não está imune à essa contaminação. Até no gueto da música improvisada, do free jazz, da arte de vanguarda, já se manisfestam os embustes artísticos, que produzem uma massaroca sonora ou visual, camuflada com um "release" conceitual recheado de citações alheias e referências, como fazem os publicitários, mas o conteúdo é oco como uma árvore infestada de cupins. E a platéia chama para o encore... maravilha! Mas quem se importa? E daí? So what?


So What - Ministry

Die! die! die! die!
Scum sucking depravity debauched!
Anal fuck-fest, thrill olympics
Savage scourge supply and sanctify
So what? so what?
Die! die! die! die!

Die! die! die! die!
You said it!
Sedatives supplied become laxatives
My eyes shit out lies
I only kill to know i'm alive
So what? so what?
Die! die! die! die!

Die! die! die! die!
So what, it's your problem to learn to live with
Destroy us, or make us saints
We don't care, it's not our fault that we were born too late
A screaming headac
he on the brow of the state
Killing time is appropriate
To make a mess and fuck all the rest, we say, we say
So what? so what?
Die! die! die! die!

Die!
Now I know what is right
I'll kill them all if I like
I'm a time bomb inside
No one listens to reason,
It's too late and i'm ready to fight!
So what? now i'm ready to fight!

domingo, outubro 31, 2010

Ornette, Vandermark, Brötzmann no Brasil... mas e daí?

Antes de alguém pensar que sou um pessimista, já adianto que devemos abandonar nossos anseios e observar a nossa realidade. Sim, eu particularmente me alegro com a visita destes músicos mais ousados por este país, mas daí a vislumbrar São Paulo como mais uma conexão do restrito cenário do free jazz e improvisação livre, é um tanto quanto prematuro e incerto.
Por quê? O que temos por aqui? Onde estão os artístas brasileiros? Tudo bem, existe o trabalho pioneiro do meu amigo Panda e seu projeto Abaetetuba, mas seus outros integrantes estão trabalhando no circuito europeu. Ah, mas tem o Ibrasotope (que está mais ligado a outro cenário musical), o Otis trio... Mas estes por acaso estão se integrando, formando a base de um cenário ou cada um está fazendo o seu próprio caminho? Eu mesmo confesso que não tenho me empenhado em meu próprio projeto ou voltado a trabalhar em algo futuro com o Panda.
Veja o caso do meu caro Ivo Perelman, que parece preferir trabalhar de forma independente, como atração estrangeira, não tendo muito sucesso em se relacionar com os músicos brasileiros. Há algumas especulações em relação a isso, e uma delas não é muito agradável e é polêmica e
não é oportuno abordar agora. Então, mesmo que o Ivo seja brasileiro, já se tornou um estrangeiro em sua terra à muito tempo. O que temos?
Eu mesmo testemunhei uma situação tenebrosa que ocorreu mais de uma vez com meu amigo Panda, que posssui relações sólidas com grandes artístas da improvisação livre, como Veryan Weston, Hans Koch entre outros e ele é sumariamente boicotado nos eventos destes artístas quando se apresentam por aqui, promovidos por certas instituições culturais. Mas pela amizade e afinidade musical, o Panda consegue organizar alguma sessão de improvisação livre com eles, mas longe dos holofotes do enfadonho, mesquinho, provinciano e restrito circuito cultural paulistano. Não? Eu presenciei uma das melhores sessões com o Panda, Thomas Rohrer, Veryan Weston e Trevor Watts num local hostil, uma tabacaria na região dos Jardins. Dava para contar nos dedos de uma mão o número da platéia, não contando com os habitués do recinto que foram pegos de surpresa e que estavam lá por conta da atração oficial da casa.
As duas vezes que o Veryan Weston esteve em São Paulo, o Panda, seu parceiro musical, foi sumariamente excluído da programação dita oficial.
Alegaram que o Panda não era um nome conhecido naquele circuito, que transita no chamado meio independente paulistano. Quem entende e percebe realmente quando uma sessão de improvisação livre é bem sucedida, testemunhou o fiasco daquela fatídica noite no CCSP em que Veryan Weston, Mark Sanders, Luc Ex, Ivo Perelman e outros músicos se reuniram no mesmo palco. Minto? O Panda me relatou o que Veryan, Mark e Luc acharam daquela situação a qual não exporei para não ofender à ninguém.
Na Europa e particularmente em Chicago, nos EUA, o cenário de free jazz e free improvisation existe, mesmo que de forma restrita, por conta de uma comunhão dos músicos, que procuram agregar-se sempre. Todo mundo toca com todo mundo, possibilitando novas experiências musicais para músicos e público.
Será mesmo que estamos caminhado para o certo?

domingo, maio 23, 2010

Bridgestone Music Festival 2010, mas a música não é o assunto principal

É realmente muito bom o critério da produção do festival, que procura trazer artístas de expressão no cenário atual da música instrumental ou direcionada ao que chamam de jazz. Creio que o nome foi a substituição de patrocínio, que antes era de uma bebida, que trouxe artístistas que destoaram completamente do que o público habitual deste tipo de evento costuma ver, como Andrew Cyrille, James Newton e Archie Shepp. Desta vez tivemos o Don Byron e seu New Gospel Quintet, com Pheeroan AkLaff na bateria. Claro que o organizador é ponderado em relação ao casting, pois imagine se ele escalasse o cenário da improvisação livre européia atual? Seria um desastre de bilheteria, os desavidados sairiam xingando do recinto e ficaria uma dezena de pessoas para apreciar as cacofonias dos músicos. A improvisação livre é um tipo de manisfestação artística muito restrito, não é superior a nenhuma arte musical, apenas é mais uma gama dela.
Mas o assunto sobre este post é sobre o evento, independente de quem está no palco. O local onde ocorre o evento anual antes era conhecido como Palace, lugar sempre escolhido para acolher um cantor que insistem em chamar de rei fazia seus concorridos shows. Tinha um certo glamour sobre este lugar. Mas quando você entra no local onde acontece as apresentações, se depara com mesas se apertando e balançando com suas pernas tortas, com um certo desconforto que não condiz com o preço dos ingressos. Mas as pessoas se sujeitam a isso tudo pela carência de um evento internacional. Há uma certa aura de elevação intelectual entre o público em sua maioria, afinal está em um evento internacional de jazz, de música sofisticada. Tudo mera ilusão. A maioria depende de seu curto repertório(às vezes é a aquela coleção de jazz da folha de são paulo) para poder assimilar a música executada. A codificação em suas mentes do que é jazz se moldou à um modelo totalmente equivocado. Mas ninguém sai ferido nesta batalha sonora, todos voltam para casa e com assunto durante a semana em seus respectivos empregos e atividades profissionais e sociais. Eu poderia descrever com mais detalhes as situações que ocorrem neste tipo de vento, mas não vejo necessidade. Sim, com um esforço se abstrai o local, as pessoas, as conversas e se desfruta de boa música. Para mim foi melhor, por chegar ao evento já com as apresentações em andamento e a saída rápida após o encerramento. O que não se pode evitar é o intervalo entre as atrações, onde dividí a mesa com desconhecidos e é complicado abstrair o teor dos diálogos. Outra situação é o costume de aplaudir os solos individuais na música, que atrapalha a audição e muitos o fazem porque se tornou uma convenção em shows de jazz. Isso provavelmente ocorria de forma espontânea em jam sessions antigamente entre os músicos, que se empolgavam com a performance de seus colegas. Hoje isso ocorre de uma forma tão sincronizada e artificial, que parece script de platéia de programa de auditório, tipo Silvio Santos, onde se levanta uma placa escrito: "aplausos", por trás das câmeras.
Em alguns momentos eu fiquei me questionando o que estava fazendo naquele lugar, mesmo compreendendo estas mazelas e convenções sociais. Claro que este tipo de evento sempre trará alguma atração que eu aprecie e terei que fazer o exercício de abstração para apreciar somente a música. Mas é assim mesmo, the show must go on.

ps.: Agradeço ao meu colega Wagner Pitta e seu blog Farofa Moderna pela cortesia.

quinta-feira, maio 20, 2010

MPB, taí uma coisa que brasileiro não gosta...

Os números e as cifras não mentem, a maioria da população não está nem aí para a mpb, pra Chico, Tom, as novas cantoras. Não? Se você só assiste a TV Cultura e lê os 2 jornais de maior tiragem do estado de São Paulo, pode até se iludir de que isso não seja verdade. Fato recente, na virada cultural quem quis prestigiar um show de mpb, foi atrapalhado pelo blá-blá-blá do povo que não estava nem ai pra música. Os rankings apontam o pop amorfo americano no topo das paradas, nas rádios mais populares de São Paulo. Mas e o samba? Ilusão também. Dá aquela impressão no carnaval, nos pagodinhos de bar, mas mesmo o pagode que o povo gosta já está contaminado com a super produção espelhada nos artístistas do R'n'B americano e o mesmo acontece com o sertanejo e o axé. Cada vez mais este lugar vai tomando um aspecto genérico e sem identidade, como se fosse uma tv samsung ou coisa parecida, tanto faz, afinal é apenas um grande retângulo preto fino e brilhante. Esse troço de brasilidade é da classe média intelectual, que coloca nome nos filhos de Antonia, Maria, Domingas, pois na perifa é Jenifer, Mikely, Jonathan.

quinta-feira, abril 01, 2010

O retrato da cultura do paulistano, do brasileiro

Nesta última terça me encontrei com um amigo que está de mudança para Curitiba. Ele me convidou para tomar um café na rede Starbucks. Sempre que aparece este tipo de coisa, fico um tanto quanto arisco, pois aqui nesta cidade, uma coisa corriqueira se torna fonte de status. E lá fomos ao Starbucks localizado no cruzamento da Alameda Campinas e Alameda Santos, um endereço "nobre"(blergh!) de sampa. Primeiro o lado bom, o local é agradável, ar condicionado um tanto quanto frio, mas os produtos são bons. Tomamos um café com baunilha acompanhado de pão de queijo e muffin de blueberry. Tudo com um ótimo sabor, tamanho satisfatório, o café foi servido naqueles copos grandes com tampa, como se vê nos filmes norte americanos e o muffin era de massa úmida e boa quantidade de fruta como recheio e o pão de queijo crocante por fora e macio por dentro. Não é como boa parte de lugares em São Paulo que servem estas iguarias com preço alto e o muffin parece um bolinho da Seven Boys com prazo de validade vencido e o pão de queijo como aqueles instantâneos de supermercado.
Bem, vamos ao assunto do post. Algumas pessoas agem de modo mais saudável, estão desfrutando apenas de um serviço gastronômico de boa qualidade, apenas isso. Mas a maioria se deixa levar pelas suas própias ambições e acreditam que estão se elevando socialmente. Querem ser vistas nestes locais e se sentirem especiais, mais nobres. Mas numa rede fastfood? Isso ocorre na loja de alfajores Havana, Häagen-Dasz, Burguer King. Como se este tipo de atitude pudesse proporcionar um upgrade intelectual e de status. Passamos na loja da Fnac, que tinha como intuito inicial, ser um megastore mais voltado à cultura. Mas o povo vai lá é para folear semanário e paquerar produtos eletrônicos. A variedade de cd's caiu mais de 65% e deu lugar a prateleiras forradas de dvd's da Ivete, Claudia e etc. Livros? Costuma ser o carro chefe da Fnac, mas a maioria dos exemplares são livros são de um tipo de literatura um tanto quanto, o que posso dizer, Paulo Coelho? Dan Brown? Crime e Castigo? Ora, Dostoievski eu encontro numa maquina de livros pocket na estação de metrô.
Aí fomos ao outro extremo. Descemos a rua Augusta, onde a modernidade jovem voltou a habitar, junto das casas de strip tease degradantes. Um fim de feira livre tem uma aparência mais digna. Vistamos amigos, isso já ao lado do edifício Copan e fomos numa churrascaria com sistema de rodízio, que fica na praça da República. A Trilha Gaúcha, é o oposto do Starbucks. Quem está na churrasqueira é o "Ceará", o piso está sempre seboso, as carnes nem sempre estão no ponto, as vezes salgadas demais, as vezes queimadas e endurecidas. Mas as pessoas que frequentam o Trilha não ligam pra isso, o negócio é a quantidade. O sistema de rodízio lhes permitem se empanturrar de carne, pois não podem gastar tanto dinheiro com carne em seus lares. Ou se come uma costela em casa ou deixa de pagar umas das 20 pretações da tv de lcd comprada nas Casas Bahia.
Isso tudo já não é novidade, pois em São Paulo, sempre foi assim. Então se torna um tanto quanto alienígena escrever sobre jazz, afrobeat, volta dos discos de vinil para colecionadores. Ainda bem que isto aqui é só um blog.

sábado, novembro 28, 2009

O novo hit do verão e a responsabilidade social


A nova propaganda do referesco em pó Tang trás o novo hit do verão: Preparou bebeu, faz. É uma das melhores músicas feitas ultimamente no Brasil, independente de ser apenas um jingle direcionado ao público infantil. Não meus caros, a canção do momento não veio do reduto axé e muito menos de uma roda de artístas numa mesa de bar e de acordes complexos da bossa. Seria maravilhoso se esta canção tivesse surgido num playground ou intervalo de aulas na escola, mas provavelmente foi minuciosamente composta por uma equipe especializada em jingles publicitários, onde tudo é calculado para dar certo em termos mercadológicos, todo o tipo de referência para fácil assimilação do público. Bem, isto realmente não importa. O caso é que quando eu assisti esta propaganda na tv aberta, a música desceu suave, agradável, ou seja, gostei no ato e senti que era a melhor coisa que tinha ouvido em termos de música nacional nestes últimos tempos. Enquanto a massa se emociona com as canções falando de sofrimento de amor, de baixarias e outras coisas, uma simples canção de propaganda de suco em pó faz mais efeito do que anos e anos de "potresto" punk. A música fala em preservar o planeta terra, o eco sistema, usar a água potável de forma racional, de reciclar os materiais. Afinal agora que a coisa tá feia e já tá meio tarde para evitar os grandes estragos da intransigência da indústria de consumo, as pessoas estão com esse papo de auto sustentável e etc. O que eu notei, mesmo com o lado extremamente correto e positivo de ensinar as crianças desde cedo sobre este tipo de coisa, isso me caiu como uma certa ironia. Explico. Tão jogando esta responsa as costas da criançada que não tem culpa de seus pais serem um bando de porcalhões poluidores e desperdiçadores. Pois é, talvez muitos ainda não tenham consciência, mas mesmo assim são as crianças que vão ter que arcar com esse pepino.
 
 
Studio Ghibli Brasil