segunda-feira, dezembro 17, 2012

Lowell Davidson Trio (1965)

 Lowell Skinner Davidson nasceu no dia 20/11/41 em Boston, Massachusetts. Tocava orgão e dirigia o coral na igreja de seus pais, a Emanuel Episcopal Church e tocou tuba no colégio. Estudou na Boston Latin School e bio-química em Harvard. Ao piano teve influências de Thelonious Monk e Herbie Nichols e quando se mudou para New York, tocou com Ornette Coleman, Gary Peacock, Milford Graves, Paul Motian, Eddie Gomez, Lawrence Cooke e foi baterista do New York Art Quartet antes de Milford Graves.
O seu trio composto por Peacock e Graves foi o único registro fonográfico e infelizmente há pouca informação à seu respeito. Faleceu em 1990 aos 49 anos por conta da tuberculose. Lowell Davidson Trio nos comentários deste post.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Worshippers Come Nigh (1989)

Completando a série para divulgar a arte de Charles Brackeen, Worshippers Come Nigh conta novamente com a colaboração do baixista Fred Hopkins, Andrew Cyrille, um dos mais criativos percussionistas da música afro-americana ainda em atividade e Olu Dara no cornet.
Chalres Jones III (Olu Dara) nasceu em 12/01/1941, trabalhou com Dirty Dozen Brass Band, Julius Hemphill, Brother Jack McDuff, David Murray, James Newton, Don Pullen, Henry Threadgill, James Blood Ulmer, Cassandra Wilson, ente outros. Além do cornet e trompete, toca guitarra, é vocalista e compositor. Olu Dara, que significa "Deus é bom", além de sua carreira no jazz, também se dedica ao Blues. Uma curiosidade é que Olu Dara é pai do rapper Nasir "Nas" Jones e participou de alguns albuns de Nas.
Que a música e a arte de Charles Brackeen seja reconhecida e apesar de poucos registros sob seu nome são obras de muita relevância para o avanço da música criativa. Que estas gravações sejam mantidas em catálogo e disponíveis para o público. Worshippers Come Nigh nos comentários deste post.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Arthur Doyle with Rudolph Grey ‎– Ghosts II 7" (1980)

Arthur Doyle continua na ativa e continua obscuro mesmo entre os apreciadores do errôneo rótulo free jazz. Contemporâneo de nomes mais conhecidos, é injustamente ignorado até hoje, enquanto midias em geral insistem em revisitar obras póstumas, artístas que ficaram para posteridade, enquanto Doyle prossegue produzindo boa música. Ainda bem que Arthur Doyle conta com o apoio de "jovens" como Thurston Moore, que para a maioria dos fãs de seu grupo de rock, é desconhecido o seu apreço pelo free jazz. E pouquíssimos fãs de sua banda desconhecem as origens da juventude sônica de Thurston, que não veio só do rock, do punk, mas da música erudita contemporânea, da chamada música experimental ou até do chamado No Wave. Rudolph Grey é um guitarrista notório do cenário No Wave, com seu grupo The Blue Humans, que contou com a colaboração de Doyle e o brilhante percussionista do free jazz, Beaver Harris. Este compacto é mais uma parceria de duas gerações e segmentos diferentes da música produzida na América do Norte, mas que em sua mais profunda essência, vieram do mesmo lugar. Quer ouvir? Nos comentários, por favor.

*ps: Mais uma vez digo aos detentores de direitos autorais e órgãos que lidam com direitos autorais, que este weblog não lucra 1 centavo sequer com a divulgação da obra musical dos artistas aqui publicados. Este irrisório espaço virtual apenas divulga o trabalho musical para um pequeno grupo de apreciadores que não tem acesso à esses registros e se tivessem, comprariam os discos com prazer.

terça-feira, novembro 20, 2012

Pete La Roca (Peter Sims) 07/04/1938 - 19/11/2012


Peter Sims adotou o nome Pete La Roca quando tocava timbales nas chamadas latin bands. Entre 1957 e 1968 trabalhou com Sonny Rollins, Jackie McLean, Slide Hampton, John Coltrane, Marian McPartland, Art Farmer, Freddie Hubbard, Mose Allison, Charles Lloyd, Paul Bley, Steve Kuhn entre outros.
Sua primeira gravação como líder foi Basra (1965), pelo selo Blue Note, com Joe Henderson, Steve Swallow e Steve Kuhn. O segundo título com suas composições foi Turkish Women at the Bath (Douglas, 1967), que também foi lançado como Bliss! (Muse 1968), sob o nome de Chick Corea, que participou deste disco.
Por conta deste lançamento sem a sua autorização, Pete deixou a música para se tornar advogado e só retornou à música em 1979. Gravou um album como líder entitulado de Swingtime (Blue Note, 1997).
Clique aqui, para a discografia detalhada de Pete La Roca.

Arfante – Música para Instrumento de Sopro Solo V/A (2012)

 V/A - ARFANTE - MÚSICA PARA INSTRUMENTO DE SOPRO SOLO - MSRCD 020

RELEASE: 19/11/2012

A ideia deste projeto foi de convidar alguns improvisadores do Brasil e um de Portugal (Chagas), para gravar uma faixa utilizando instrumento de sopro solo. Eletrônicos não foram utilizados. O tempo máximo era de oito minutos para cada faixa. Os insturmentos poderiam ser preparados, mas nenhuma edição posterior deveria ser feita.
Agradecemos a todos os músicos envolvidos.

Gravado em Setembro de 2012, em diversos estúdios no Brasil.
Arte da capa e design: Gustavo Bode.

Faixas:

01 - Rubens Akira - Urgency [Clarone/Bass Clarinet]
02 - Rômulo Alexis - Migalhas [Trompete/Trumpet]
03 - Marcelo Armani - Rudimentar [Trompete Preparado com Objetos/Prepared Trumpet with Objects]
04 - Gustavo Bode - Chuva e Gastroenterite Aguda [Trompete/Trumpet]
05 - Daniel Carrera - Enquadro [Trombone]
06 - Paulo Chagas - Incêndio nas Cezaredas [Oboé/Oboe]
07 - Diego Dias - Expectorante [Saxofone Soprano/Soprano Saxophone]
08 - Matias Viola Fischer - Cães [Trompa/French Horn]
09 - Leila Monsegur - Divagações sobre um Plano Inclinado [Clarinete/Clarinet]
10 - Rodrigo Olivério - Blumas em Frequência* 

*Instrumentos de fabricação própria/Hand made instruments: Helicopterom, Saxsofonil.
Outros Instrumentos/Other Instruments: Hulusi, Saxofone Alto/Alto Saxophone.

* Para ouvir, clique, aqui

quinta-feira, novembro 08, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Bannar (1987)

Dando continuidade a divulgação da arte do saxofonista e compositor Charles Brackeen, a sessão gravada em fevereiro de 1987 contou com Malachi Favors, contra-baixista que ficou conhecido por fazer parte do Art Ensemble Of Chicago, o trompetista Denis Gonzalez e o baterista Alvin Fielder.
O baterista e compositor Alvin Leroy Fielder Jr. nasceu no dia 23/11/1935 em Meridian, Mississipi. Seu pai, Alvin Fielder Sr., estudou cornet, sua mãe tocava piano e violino, sua avó também tocava piano, seu tio por parte de mãe estudou clarinete e seu irmão William é director de estudos de Jazz, trompetista e professor do instrumento na Rutgers Universit. Alvin começou seus estudos musicais aos 13 anos de idade na banda de seu pai sob a liderança de Carlia “Duke” Otis, dando continuidade nos estudos com Ed Blackwell, enquanto cursava farmácia na Xavier University.
De 1959 à 1968, Alvin esteve ativo em Chicago trabalhando com Sun Ra Arkestra (1960-61), Muhal Richard Abrams (1962-63), Roscoe Mitchell (1963-66), Eddie Harris e Kalaparusha (1965), cooperando em um trio com trio Fred Anderson e Lester Lashley (1967-69), também trabalhou com John Stubblefield, Jack DeJohnette, “Scotty” Holt, Joseph Jarman, e outros músicos de jazz de Chicago. Alvin é membro fundador da AACM junto com Muhal Richard Abrams, Roscoe Mitchell, Fred Anderson, Jodie Christian, Steve McCall, Phil Cohran, Thurman Barker, Ajaramu, Charles Clark, Christopher Gaddy, Freddy Berry, etc. Nos comentários do post se encontra o link para acessar o arquivo.

terça-feira, outubro 23, 2012

Sonny Simmons ‎– American Jungle (1997)

  E lá vamos nós correr o risco de ser interpretado de forma equivocada neste insignificante weblog divulgando um tipo de arte que é ignorado no Brasil. Espero que os detentores de direitos autorais tomem consciência de que este tipo de divulgação não acarretará um rombo de orçamento na indústria fonográfica e danos aos direitos autorais. Quem gostar realmente do trabalho de Sonny Simmons, compre o disco original, sei lá, dá um jeito, tem a Amazon, e-Bay, etc (afinal muitos acabam gastando muito mais com algo que vai ser expelido pelo corpo logo em seguida).
Sonny Simmons nasceu no dia 04 de Agosto de 1933, Sicily Island, Louisiana e cresceu em Oakland, California. Iniciou na música tocando o english horn, da família do oboé e aos 16 anos de idade, mudou para o saxofone alto. Logo convergeu para o lado mais ousado da música afro-americana e estreou ao lado de Prince Lasha nos discos The Cry! (1962) e Firebirds! (1967). Participou das sessões de Illumination! (1964) do sexteto de Elvin Jones e Jimmy Garrison, Conversations e Iron Man, ambos de 1963 sob a liderança de Eric Dolphy. Casou-se com a trompetista Barbara Donald e gravou dois títulos pelo selo ESP: Staying on the Watcha e Music From the Spheres. Logo depois por conta de problemas pessoais que resultaram em divórcio e falta de moradia, causou um grande abalo em sua carreira musical. Tocou pelas ruas até retomar sua carreira no início dos anos 90.
American Jungle foi gravado em Dezembro de 1995 e contém uma bela versão da valsa My Favorite Things de Rogers e Hammerstein para o musical The Sound Of Music, popularizado pela versão de John Coltrane.
O quarteto de Simmons para esta gravação contou com o baixista Reggie Workman, o pianista Travis Shook e na bateria, alguém especial...
Nos comentários do post se encontra o link para acessar o arquivo.

site oficial de Sonny Simmons:

terça-feira, outubro 16, 2012

Living Death - demo tape 1983

Sim! O Sonorica tem espaço para um dos gêneros musicais mais populares e difamados ao redor mundo. Quantas vezes eu ouvi pessoas falarem que o heavy metal é música de adolescente retardado, uma barulheira dos infernos, coisa de alienado, sem criatividade(?!), deturpação do rock (???!!!), lixo musical, etc. (ah, a relatividade das coisas, dejeto para uns, adubo para outros...o que é boa música então, o que está no hit parade? o que as celebridades gostam?)
Mas como através dos anos comecei a compreender algumas coisas sobre a vida e a música, pude filtrar as informações com mais eficiência e aprimorar meu conhecimento chegando ao ponto de identificar música de qualidade livre de categorias, formas estéticas e até opinião pessoal.
O grupo Living Death se formou em Velbert na Alemanha em 1980 pelos irmãos Reiner e Dieter Kelch e Frank Fricke. No ano seguinte se juntaram ao grupo o baterista Frank Schubring e o vocalista Thorsten "Toto" Bergmann. Em 1984 lançaram seu primeiro lp, Vengeance Of Hell e mesmo com uma baixa qualidade de gravação, teve uma ótima aceitação no circuito independente (vai ver que é por isso que acham que metaleiro ouve qualquer porcaria...).
O Living Death tinha como característica o andamento mais acelerado do que as bandas de heavy metal da época e à gosto do universo headbanger, criou-se o rótulo de speed metal. Também havia uma característica muito peculiar no timbre de voz de Thorsten, uma voz esganiçada que até mesmo eu me divertia com isso. Mas o Living Death desfrutou de uma época de descobertas e inovações no gênero e se tornou um grupo criativo e original.
O início está registrado já na primeira demonstration tape (é, meus amados irmãos em Cristo, quando se fala em demo tape, é isso, não é coisa do capiroto) de 1983.
E cumprindo a tarefa do Sonorica em apenas divulgar a arte sem fins lucrativos ou outras bobagens, basta dar um click na imagem para acessar o link de arquivo.

sábado, outubro 13, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Attainment (1987)



Últimamente tem se tornado difícil divulgar música neste espaço. Segundo os estatutos de direitos autorais que tem agido com mais vigor na world wide web, já tive dois links removidos aqui. O que os detentores dos direitos parecem não compreender, é que não há um comércio fonográfico digital neste weblog, mas apenas um espaço de divulgação musical para um número pequeno de pessoas, num país onde não se encontram lojas que ofereçam os respectivos "produtos" (está em aspas pelo respeito ao conteúdo, independente do formato) para consumo. É uma discussão muito extensa e desgastante, vem daqueles tempos em que já se questionava a legalidade ou ilegalidade do simples ato de alguém gravar um LP em fita k7 de um amigo. As obras que costumo divulgar no Sonorica, são de pouca repercussão mercadológica, muitas atravessaram décadas e viraram o século com mesmo baixo índice de interesse. Mesmo aqui em São Paulo, as pessoas vão encontrar dificuldades até para tentar encomendar os títulos. Presumo que os detentores dos direitos comerciais irão argumentar que atualmente é viável comprar pela internet. Não é tão simples assim. Mas é claro que eles não se importam com as dificuldades e incertezas das compras online. Você quer? Se vira!
Bem, como disse agora pouco, procuro divulgar artistas que quase não tem reconhecimento tanto das midias quanto do público, apenas são notórios para um pequeno grupo de pessoas espalhadas pelo globo terrestre. Não é este mísero weblog que vai alavancar uma avalanche de downloads a ponto de causar um assombroso rombo nos cofres de uma gravadora, levar os artístas e autores à miséria, causar a proliferação de discos piratas pelas ruas da cidade, etc. Não, na maioria das vezes os que entram em contato com a música destes artístas, vão se interessar em comprar os originais e deparar com as barreiras do comércio de produtos importados, das taxas, longos prazos de encomendas, incertaeza de disponibilidade de catálogo, etc e etc.
Veja o caso do saxofonista Charles Brackeen. Quantos aqui no Brasil conhecem ele? Quais albuns de Brackeen foram lançados no mercado brasileiro? Que composição de Brackeen foi executada nas rádios brasileiras? Youtube? Faça-me o favor, não há mais que meia dúzia de faixas postadas dee forma independente por admiradores de sua arte.
Charles Brackeen nasceu em Oklahoma no dia 13 de março de 1940, estudou violino e piano, mudando para o saxofone tenor e soprano. Tocou com membros do quarteto de Ornette Coeman em 1968 (Don Cherry, Charlie Hadden e Ed Blackwell), na Jazz Composer's Orchestra, organizada por Michael Mantler e Carla Bley, que teve origem na Jazz Composers Guild, organização fundada por Bill Dixon. Tocou com Paul Motian, Ahmed Abdullah, Ronald Shannon Jackson, Dennis Gonzáles e Don Cherry. Lançou quatro albuns sob o seu nome sendo que a última gravação foi registrada em 1987.
Attainment foi gravado no Texas em 1987 e contou com Olu Dara no cornet e berimbau na faixa título do disco, Fred Hopkins no baixo, vozes, percussão e Andrew Cyrille na bateria e congas.
Por isso estou divulgando a obra de Charles Brackeen para os amigos que ocasionalmente visitam este pequeno espaço virtual. Espero que esta divulgação resulte em um pouco mais de reconhecimento da arte de Charles Brackeen e desperte o interesse de mais pessoas à prestigiarem o fruto de seu trabalho, comprando os cd's, mesmo que seja um tanto quanto burocrático e dispendioso fazê-lo. O músico agradece. Clique nos comentários para acessar o link.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Ah... o conhecimento!

A cada dia que se passa tenho deparado e comprovado os efeitos na geração pós internet. Sim, apesar de eu estar prestes a completar apenas 4 décadas de existência nesta terra (não, não se trata da suposta crise dos 40, rá!) e ainda tendo um longo caminho de aprendizado a cumprir, presenciei o nascimento da era digital, a transição do lp, k7 e vhs para o cd, dvd e mp3, cartas manuscritas e seladas para os e-mails, entre tantas outras mudanças na transição do século XX para o século XXI.
Uma das grandes mudanças que gostaria de abordar aqui neste simplório espaço virtual, é sobre a relevante quantidade de experts, connoisseurs, peritos, especialistas, etc, em várias áreas do conhecimento humano já em sua tenra idade. Meu Deus, se em minha fase de pós adolescência e início da fase adulta, tanto eu quanto meus contemporâneos tivessem uma pequena fração do conhecimento que a nova geração possui, quem sabe algumas coisas teriam iniciado um processo um pouco melhor para a formação de uma sociedade melhor? Claro, isso teria que ter iniciado já a pelo menos 2 gerações anteriores à minha, para florescer algo hoje em dia. Mas isso foi inviável devido a má formação de uma nação desde seu início extremamente recente. Bem, águas passadas, quem vive olhando para trás vai inevitavelmente levar um grande tropeço hoje e nos dias que virão.
Como tenho relatado aqui em diversas ocasiões, até de forma exaustiva, sobre a facilidade ao acesso de informações por conta da world wide web, que tem ajudado em muito o acesso ao conhecimento, também é acompanhado dos efeitos colaterais desta overdose de informação. É mais do que óbvio e necessário o ato de analisar, filtrar, confrontar, questionar as informações que estão a disposição de quem as acessa.
Além do mais, dados, informação até uma máquina pode possuir, inclusive com mais precisão que um ser humano pensante. Mas o que fazer para processar essa avalanche de dados e informação para transformar em conhecimento útil? E digo mais, o conhecimento desprovido da sabedoria, pouco proveito se tem, se torna apenas vaidade. A sabedoria não se adquire com um processador de 4 núcleos, memória RAM de 10GB. Não importa quantos Terabytes se possa armazenar no hd orgânico (cérebro), sem a sabedoria, nada disso tem proveito, é apenas vaidade.

E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. Eclesiastes 12:12

Em minha ignorância começo a compreender o que os mais velhos sempre dizem, com suas cabeças ornamentadas por corôas brancas ou grisalhas sobre sabedoria e experiência. A sabedoria se adquire pela experiência de vida, com o tempo, mas não apenas o tempo cronológico em si, mas com o volume de experiências e percepções sobre elas e seu entendimento.
Sim, eu já fui um jovenzinho mais impetuoso e arrogante em relação aos "corôas" e os tinha como ultrapassados que não "flagravam a parada" entre outros pensamentos típicos da imaturidade. Quão conflitante é a adolescência, o período em que não somos mais crianças e não somos adultos ainda e não somos levados à sério na maioria das vezes. Claro, na adolescência somos inconstantes mesmo, mudamos de idéias num simples toque no touch screen do smartphone, não é mesmo?
E o início da fase adulta então? 18 anos, carteira de habilitação, vestibular, faculdade, etc. Muitos jovens adultos no alto de seus vinte e poucos anos já acham que sabem de quase tudo sobre a vida e ainda mais hoje, com acesso a uma infinita biblioteca em pdf, acervos intermináveis em mp3, mp4, avi, mkv, flac, mpeg, etc.
Numa noite comum nas ruas desta cidade de São Paulo, onde a balada está em toda extensão das ruas e não apenas em locais específicos, tive uma breve conversa sobre música, aliás não foi só uma vez que isso aconteceu, mas várias vezes. Profundos debates sobre conceitos sobre música numa mera calçada da cidade, confronto de idéias, de opiniões, enfim. Em um certo momento perguntei se a pessoa praticava música. Ela disse que não e se não me falha a memória, fazia discotecagem (se bem que alguns eu tenho certeza que assim afirmaram sua relação com a música não apenas como ouvinte). Ah sim, hoje também dizem que os dj's são músicos, mas há dj's e dj's. Outros tinham uma relação mais de pesquisa, alguns se formando teóricos, jornalistas ou críticos.
Geralmente este tipo de conversa pouco proveito se tira, ainda mais se a pessoa está apenas desejando um ouvinte passivo que concorde com suas idéias. Na maioria das vezes eu sou presenteado com uma palestra a qual eu não me inscrevi, mas como tenho consciência da minha defasagem de informações em relação à nova geração de apreciadores de música e músicos, eu me coloco a participar deste tipo de conversa e tento aprender alguma coisa. Claro que nem sempre há lá muito o que se aproveitar, pois por incrível que pareça, mesmo havendo um verdadeiro universo de informações, parece que as pessoas vão às mesmas fontes, sendo que algumas delas são um tanto quanto questionáveis.
Nesta última segunda feira, depois de ter passado à tarde passeando pelo centro da cidade com o saxofonista Tobias Delius e o baixista Joe Williamson, fui tomar um chá com alguns integrantes da ICP no bar ao lado do hotel. Han Bennink me disse que após Sunny Murray ter imigrado para Paris, se tornou um sujeito digamos, um tanto falastrão e que muito do que anda dizendo por aí é questionável. Viu só? Até com os mais experientes acontece este tipo de situação, quanto mais com os mais jovens.
Toda vez que tenho oportunidade de conversar com grandes músicos experientes, quase não conversamos sobre música como os que tenho encontrado eventualmente. Benkyou, benkyou, vivendo e aprendendo, em minha limitada inteligência, tenho procurado falar menos e dar espaço ao ouvir para aprender mais sobre a vida e adquirir sabedoria. Os ouvidos não trabalham muito bem se as cordas vocais estão trabalhando o tempo todo...

sábado, setembro 15, 2012

Wuthering Heights, o rádio e a infância

Pois é, graças a um simples post sobre esta canção composta e interpretada por Kate Bush, que um amigo publicou no facebook, me veio a tona um sentimento de muito tempo atrás, de minha infância.
Wuthering Heights foi baseada no livro de Emily Brontë, escrito entre Outubro de 1845 e Junho de 1846, sobre o trágico romance entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, um pequeno orfão adotado pelo patriarca da família Earnshaw.
Na canção de Kate Bush, ela interpreta Catherine ou o fantasma de Cathy, que chama por Heathcliff e pede para deixá-la entrar pela janela de sua casa. O video feito no fim dos anos 70 evidentemente não dispunha dos infindáveis recursos digitais de hoje em dia mas é melhor do que dezenas de videos super produzidos atualmente. Isso pelo fato da música ser consistente, bela e a interpretação de Kate é impecável, não é uma coreografia que tem mais cunho estético, que não diz muita coisa, como são os videos de Beyoncé, Britney Spears e Lady Gaga, onde há uma coreografia extremamente precisa e profissional.
Wuthering Heights foi sucesso na minha infância e por isso era executada nas rádios fm muitas vezes durante a programação.
O sentimento do qual eu disse no início, era de quando eu não tinha alcance aos lp's e k7's, só viria a comprar meu primeiro lp (Hey Jude - The Beatles) em 1983, aos 9 anos de idade. Então eu escutava o rádio e não havia também um programa de videoclips na época, já que a MTV foi ao ar em uma canal de tv à cabo em New York no dia 1º de Agosto de 1981.
O rádio era um mundo mágico onde as músicas despertavam muito a minha imaginação, pois não sabia de quem eram as vozes e o que eram os instrumentos que produziam aqueles sons. Cada música era um momento único e especial, pois não sabia se voltaria a ouvi-las novamente, então estava sempre atento para captar cada momento e guardar em minha memória. Eu escutava o rádio no carro do meu pai e muitas audições se davam quando íamos visitar minhas primas, na zona leste de São Paulo, perto do ABC e também na região da rodovia Raposo Tavares. Ora, para uma criança, esses trajetos eram uma grande viagem, uma aventura em que se contemplava cenários longe do alcance, afinal naquela idade, não podia nem andar até o extremo do meu próprio bairro. E as músicas do rádio eram a trilha sonora dessas minhas viagens.
Até mesmo depois, no meio dos anos 80, quando eu era um pivete headbanger de 13 anos, que já me aventurava em ir de ônibus ao centro de São Paulo, para ir à Woodstock discos e Grandes Galerias, era ouvinte dos programas de heavy metal e punk da época. Também escutava com atenção cada música, pois também não sabia se as ouviria novamente e se teria acesso ao lp. Então meu pai comprou um rádio gravador portátil para mim e meu irmão e deu início a minha vida de pesquisa musical. Gravava as músicas do rádio e compilava seleções em fitas k7 virgem. Gravava discos de amigos e outras fitas também. No centro da cidade se faziam gravações dos discos importados e a maioria dos títulos até hoje não foram lançados no mercado brasileiro.
Fui crescendo e até tive a oportunidade de assistir ao vivo o que só podia ouvir em casa. Outros tive até algo mais inesperado, como conhecer pessoalmente o baterista e compositor Max Roach. E depois muito mais do que poderia imaginar, tocar ao lado de Han Bennink e Sabu Toyozumi.
Até outro dia, não me interessava pela música de Kate Bush, só tinha em minha memória, uma cantora do fim dos anos 70 com uma voz bem aguda.
Mas depois do post do meu amigo no facebook, escutei com atenção a música e assisti novamente o video de Wuthering Heights, que me tornaram a sentir aquelas impressões de minha infância e descobri uma linda música. Não o rádio não é mais o que era e nem voltará a ser. Também o Youtube, Vimeo, Soundcloud, etc, não produzem aqueles sentimentos, hoje, aqueles sentimentos tocam apenas em meu coração. But, the song remains the same

quinta-feira, setembro 06, 2012

Dutch Week In São Paulo (de 22 à 30 de setembro)




Se você tem interesse pela música como forma de arte e não apenas um mero entretenimento, um pano de fundo sonoro para outras atividades, no mês de setembro esta cidade caótica oferece uma maravilhosa oportunidade de apreciar música criativa de qualidade sem esfolar o seu bolso. Sim, você não está nas mãos de estabelecimentos e instituições pseudo-sociais que usam de critérios duvidosos para oferecer à população, a dita arte e cultura.
O Centro Cultural São Paulo, localizado na r. Vergueiro #1000, SP, oferece várias atividades culturais para o público em geral de forma acessível e proporcionou na última semana do mês de semtembro, apresentações gratuitas dos projetos musicais holandeses que representam o que há de mais criativo na música sem fronteiras da atualidade.

ICP - Instant Composers Pool
Mistura de banda de jazz e grupo de câmara, a ICP é uma orquestra formada em 1967 pelo baterista Han Bennink e pelo pianista Misha Mengelberg. No palco, o espaço entre o piano e a bateria é ocupado por um trio de cordas - viola, violoncelo e contrabaixo - e, juntamente com eles, cinco metais. A música é repleta de surpresas, reviravoltas, agilidade e erupções inusitadas.
Sábado 22/09, às 20:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares

ps.: O Circuito de Improvisação Livre em São Paulo organizou para terça-feira dia  25/9 na Trackers, Rua Dom José de Barros, 337 - 2º andar, Centro e quarta-feira dia 26/09, um encontro da ICP com a união de músicos paulistanos no Espaço Puxadinho da Praça na Rua Belmiro Braga, 216 – Vila Madalena tel.(11) 2597-0055.                                                                                                    


Shackle
Anne La Berge (flauta e eletrônicos) e Robert van Heumen (laptop)
O duo trabalha com um sistema de comunicação computadorizado que propõe vários elementos de composição para cada instrumentista - tempo, textura, dinâmica e outros parâmetros musicais.
Quinta-feira 27/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares

Corkestra
Cor Fuhler (clarinete, orgão/sintetizador, piano, composições), Anne La Berge (flauta e eletrônicos), Ab Baars (clarinete e saxofone tenor), Tobias Delius (saxofone tenor e clarinete), Nora Mulder (cimbalom), Michael Vatcher (percussão, singing saw), Tony Buck (percussão) e Wilbert de Joode (contrabaixo) Punk e música eletrônica se combinam neste grupo que reúne oito expoentes da improvisação. O ponto de partida são os riffs e as linhas melódicas e de baixo escritas por Cornelius Fuhler, sobre as quais os outros integrantes tocam suas próprias criações de maneira orgânica, formando novas peças no momento da apresentação.
Sexta-feira 28/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares


The Ex
Desde seu início, em 1979, o The Ex tem desenvolvido um caldeirão de diferentes estilos musicais: noise, rock, jazz, improvisação e música étnica. Guitarras altamente rítmicas, a bateria em um estilo quase africano e a intensa entrega das letras, muitas vezes irônicas, dão à música do grupo seu caráter especial.
Domingo 30/09, às 17:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Jardim Suspenso (fachada Vergueiro) - 250 lugares

quinta-feira, agosto 16, 2012

A utilidade da música inútil

Ainda são intermináveis as discussões sobre o que é boa música e música ruim. Na verdade não existe música ruim, a não ser para o gosto pessoal de cada indivíduo. Por exemplo, eu posso determinar para mim que o funk carioca é horrível, mas por quase todos os lugares que eu passo, alguém está apreciando este gênero musical em alto volume. Se eu colocar uma gravação do Peter Brötzmann no mesmo volume sonoro, muitas pessoas certamente vão protestar e dizer que isso nem música é. Eu acredito com uma certeza consciente de que diversos tipos de música são ruins mesmo, independente de ser uma opinião pessoal de minha parte, mas e daí? As vezes, entre amigos, até brinco e falo sobre esse assunto, mas isso não tem relevância, é apenas um bate papo informal. Seria uma enorme perda de tempo e desgaste eu usar este espaço para bombardear e denegrir o funk carioca, axé music, forró e sertanejo universitário, Restart...
E tem mais, a Bossa Nova, diversos conjuntos de Bossa Jazz, Brazilian Jazz (aê mr. Loverman, morte ao jazz brazuca feião...rá!), Tom Jobim, eu não gosto tanto quanto o Rebolation. Se eu gosto de Peter Brötzmann, Anthony Braxton e Stockhausen, e daí, grande porcaria. Le Cordon Bleu ou Habib's?
Então me parece nítido o proveito deste tipo de debate. Os gêneros e artistas que produzem a música que não soam bem aos meus pobres ouvidos, procuro colocá-los em outro planeta, outra órbita. Mesmo que eu tenha que conviver de forma involuntária com essa música. O que vou fazer toda vez que me deparar com algum entusiasta de sertanejo, pedir para trocar de música? Abaixar o volume? Dizer para ele que essa música é ruim? Quebrar-lhe o aparelho de som? De maneira alguma! Todo mundo quer ser livre, mas a maioria esquece que a nossa liberdade tem um limite e este limite chega é quando começam os direitos dos outros. Infelizmente boa parte das pessoas prefere omitir esta questão e compartilhar aos quatro ventos a sua música "gramurosa". Como disse a Narcisa Tamborindeguy, "whatever..."

quarta-feira, julho 18, 2012

Indigo Jam Unit - Roots (2010)

Em tempos de touch screen ainda deparamos com certos tipos de afirmações demonstrando que a evolução não atinge todos os indivíduos se cada um não se dispor a evoluir. Ninguém evolui por osmose e passividade. Mesmo o Funkadelic dizendo em 1978 que a música é universal, com a canção "Who Says a Funk Band Can't Play Rock?!", provando que cada estilo musical não está restrito a etnias, ainda tivemos o Bad Brains como um dos melhores grupos de hardcore punk, o Living Colour e ainda o filme documentário Afro Punk, mostrando que tal estilo é universal. Ainda se escuta por aí alguém proferindo a frase, "samba de alemão", ou "samba de japonês", para ilustrar o ritmo sendo mau executado, com ausência de swing, groove, etc. Hoje em dia temos mulheres oriundas da terra do sol nascente faturando primeiros lugares em concursos de dancehall na Jamaica e de passista no Rio de Janeiro.

O Indigo Jam Unit se formou no ano de 2005 em Osaka, com Yoshichika Tarue (piano), Katsuhiko Sasai (contra-baixo), Isao Wasano (percussão e bateria) e Takehiro Shimizu (bateria). Yoshichika Tarue nasceu em 1974 e começou a tocar piano clássico aos 20 anos de idade e posteriormente iniciou seu quarteto de jazz com influência latina. Katsuhiko Sasai nasceu em 1976 iniciando no sintetizador até os 14 anos e foi para o baixo elétrico um ano depois. Trabalhou na cena Funk e fusion japonesa e começou a tocar baixo-acústico com o Indigo Jam Unit. Isao Wasano nasceu em 1979 e iniciou-se na percussão ainda na banda do colégio e assumiu a bateria quando entrou no Indigo Jam Unit. Takehiro Shimizu nasceu em 1983 e começou a tocar bateria aos 12 anos se dedicando ao formato das big bands de jazz. Trabalhou com Sadao Watanabe, Terumasa Hino, Hitomi Nakayama, Naoko Sakata, Jukka Eskola entre outros. Recebeu diversos premios de baterista de jazz, divide seu tempo entre New York e o Indigo Jam Unit em Osaka, Japão. O Indigo Jam Unit sempre grava seu material ao vivo no estúdio com uma pequena pós-produção e alguns efeitos se possível. Não há edição ou overdubs em suas gravações. Clique aqui para acessar o arquivo e constatar do que estamos falando.

sexta-feira, julho 13, 2012

Jodie Christian - Blues Holiday (1994)

O trio composto de piano, contra-baixo acústico e bateria é conhecido como a formação clássica das pequenas configurações de conjuntos do que se convencionou chamar de jazz. Alguns destes trios se tornaram símbolos do jazz, como o Bill Evans trio, Art Tatum trio, Ahmad Jamal trio e um dos mais expressivos que não se efetivou como um grupo fixo, o trio formado por Duke Ellington, Charles Mingus e Max Roach, que podem ser considerados como parte fundamental dos pilares do chamado jazz moderno e gravaram o disco Money Jungle. Jodie Christian foi um membro importante na formação da AACM de Chicago, que trouxe novas mudanças na música criativa na América do Norte e esta gravação contém a essencia da música afro-americana que todos conhecem por jazz. Não importa o quanto se avance em novas abordagens linguísticas e experimentações músicais das mais radicais, se algo ainda tem a palavra jazz no meio, seja free, avant ou o nome que seja, o blues lá estará. Clique aqui para acessar o arquivo para apreciar clássicos como Take The A Train de Billy Strayhorn e uma versão de certo compositor brasileiro.

quinta-feira, julho 12, 2012

Concrete Sox / Heresy split LP (1987)


Em Nottingham, 1983 nas jam sessions com Gabba (Chaos U.K./F.U.K.), Kalv (Heresy/Geriatric Unit) e vários amigos, se formou com Vic Croll e Les Duly o Concrete Sox que inicialmente se chamou Concrete Evidence. É considerado o pioneiro do crossover, junto com os grupos Sacrilege, Onslaught, Deviated Instinct entre outros e um dos mais influentes do hardcore/crust punk britânico. O Heresy nasceu na mesma cidade do Concrete Sox em 1985 por Reevsy (guitarra, voz), Kalvin "Kalv" Piper (baixo) e Steve Charlesworth (bateria). Seu primeiro registro foi um flexi-disc de 6 faixas pela Earache records. Seu primeiro LP foi o split album com o Concrete Sox, também pela Earache em 1987, que se tornou um clássico do hardcore punk. Clique aqui para acessar o arquivo deste registro indispensável do hardcore punk.

quarta-feira, julho 11, 2012

Anglican Scrape Attic 7'' - Various Artists (1985)

Um clássico do hardcore punk e do crossover, o compacto Anglican Scrape Attic foi lançado em formato flexi disc na Inglaterra em 1985, com duas bandas pioneiras no estilo crossover (heavy metal e hardcore punk), o Hirax e o Sacrilege, as duas bandas de hardcore japonês Execute e Lip Cream e a banda inglesa Concrete Sox com o seu clássico, Eminent Scum. Foi uma das minhas primeiras aquisições, quando comprei na Rainbow, a loja do Nunes, localizada na galeria do rock. Isso foi em 1986 e custou U$ 1,00. Clique aqui para acessar o arquivo.

quarta-feira, julho 04, 2012

Antes tinha, agora não tem! - Prefeitura de São Paulo e cidadãos paulistanos

video 
Creio que assim continuarão as queixas via redes sociais digitais, sendo que vez ou outra algo se concretiza em atitudes positivas e negativas. Tenho evitado me envolver em questões político ideológicas pelo simples fato de minha opinião estritamente pessoal não vislumbrar alguma eficácia neste tipo de debate, conversa, que em muitas vezes são apenas monólogos proferidos ao mesmo tempo em um mesmo ambiente e talvez não se trate exatamente de uma conversa, diálogo, debate como está especificado em qualquer dicionário.
Claro, a liberdade de cada um não deve ser podada e assim eu desfruto também da minha liberdade de opinião.
Vivemos mais um período de eleições dos servidores públicos deste amontoado de pessoas no mesmo território físico denominado cidade. Quando eu era criança me lembro que existia uma grande expectativa (pelo menos de minha parte e de alguns) de uma grande mudança em nossas vidas. Mesmo na adolescência e parte do início da chamada fase adulta (pelo fato de ter requisitado meu título de eleitor aos 16 anos) esta expectativa ainda perdurou. Hoje em dia este sentimento vem sendo soterrado por uma avalanche de muito mais fatos (como se não bastasse os fatos do passado) que desbotam as cores da esperança de uma cidade melhor. Temos algumas calçadas de concreto armado, luminárias de LED, alguns metrôs operados por computador, mas é claro, só na sala de estar do barraco. Para quem usufrui da cidade como um todo, que utiliza os três principais meios de transporte coletivo sabe muito bem que este slogan da prefeitura de São Paulo: "Antes não tinha, agora tem", na verdade está exatamente ao contrário. Explico.
Deveria ser: "Antes tinha, agora não tem!" Antes tinha a desculpa de termos limitações tecnológicas e econômicas, a ditadura militar, o sub-desenvolvimento latente de terceiro mundo, o recente direito de voto da população, entre tantas precariedades da era analógica. Hoje a indústria, comércio e setor financeiro infla seu peito anabolizado e diz aos quatro ventos que o Brasil é a 8ª economia do mundo, que somos detentores de diversas tecnologias de ponta, que temos reservas naturais exclusivas e invejadas por todas as nações (opa, tão vendendo tudo debaixo de nossas fuças), que somos uma nação alegre (quem me vê sorrindo pensa que estou alegre - Cartola).
Será que vamos votar em qualquer um pois não faz diferença? Será que devemos votar em branco ou anular o voto como ato de protesto ou fingida atitude de omissão? Será que nossa cidadania acaba quando apertamos a tecla verde da urna eletrônica e pegamos nosso comprovante de voto? Será que não temos o dever de fiscalizar a administração de nossos servidores ao longo de seu mandato? Será que não temos nada haver com isso porque votamos nulo ou nosso candidato não foi eleito? Será que é só problema do seu vizinho? O seu voto faz a diferença, junto de sua atitude continua como cidadão pós eleições, no dia-a-dia?
Numa noite dessas eu voltava do Belenzinho após um workshop de música e não passava das 22:00h quando meu amigo me deixou na esquina de casa. A menos de 10 metros minha vizinha estava à minha frente indo para o nosso prédio. havia uma movimentação razoável nas ruas bem iluminadas do bairro que é relativamente seguro em proporção do que é esta cidade. Ela olhou rapidamente para trás para ver quem seguia logo depois dela e começou a aumentar o ritmo de suas passadas. Percebi e me compadeci daquela situação triste, do chamado cidadão de classe média paulistano, que perdeu o tato das ruas, que vive enclausurado em seus guetos sociais. Quando chegamos ao nosso prédio, ela já tinha ultrapassado o segundo portão (que mais parece grade de segurança, bem, você sabe...) e deu mais uma olhada para trás e vi nitidamente seu rosto apreensivo. Estávamos a menos de 4 metros de distância com uma boa iluminação do prédio e quando eu também ultrapassei o segundo portão ela deu aquele arranque de reta final de São Silvestre e adentrou na última porta. Eu estava certo de que ela como cortesia comum entre os condôminos, estaria me aguardando com a porta aberta, para eu não ter que reabri-la com minha chave. Então a tranca estralou junto com a porta em minha face. Falei comigo, "puxa vida", num misto de decepção e surpresa e abri a porta. Então logo no corredor, fiz questão de balançar o chaveiro para ela se certificar de que a porta não tinha sido arrombada. Então ela já na metade do primeiro lance de escadas, me olhou constrangida e me pediu desculpas alegando que não tinha me reconhecido e subiu apressadamente, sendo que seu apartamento é ao lado do meu. Bem, eu coloquei a música New York Is Full Of Lonely People, composta pelo Lester Bowie para ilustrar a situação. Seu filho não teve o prazer de brincar na nossa rua que era repleta de crianças...
Isso tudo tem haver com o que esta cidade está se tornando cada vez mais. 

sexta-feira, junho 22, 2012

Sun Ra – Disco 3000 (1978)

Ultimamente tenho procurado resumir o máximo possível os comentários de gravações postadas neste blog pelo fato de muitos discos já possuirem um número considerável de textos à seu respeito, alguns bons, outros, bem, você sabe... No caso do post anterior que se trata de gravações do Joy Division, senti que era desnecessário qualquer comentário. Ora, é o Joy Division e creio que qualquer pessoa que tem uma pequena porção de interesse por música em geral deve conhecer o grupo que originou o New Order e o vocalista Ian Curtis. Além do que a world wide web proporciona um amplo espectro de informações e dados sobre música e temos ferramentas de busca ao nosso dispor para nos aprofundar com facilidade sobre vários assuntos. Claro, devo relembrar que é prudente verificar a integridade das fontes e fazer comparação de dados com pelo menos três referências diferentes.
No caso deste post, é importante ressaltar esta gravação de Sun Ra, que faz parte do seu período em que esteve na Itália com sua Arkestra reduzida à um quarteto que o acompanhou em suas novas descobertas no campo dos sintetizadores que dava seus primeiros passos. Nosso amigo Herman Poole Blount ou Le Sony'r Ra, conheceu os sintetizadores Crumar que eram contemporâneos do célebre Moog e gravou este controverso Disco 3000 (no mesmo período também foi gravado o Media Dreams). A maioria dos aficcionados do senhor mistério que conheço, elege o Space Is The Place como seus discos favoritos e apenas um grande amigo meu que tem um sólido conhecimento da obra do homem de saturno, tem como o Disco 3000 como um dos melhores da vasta e confusa discografia da Arkestra. A composição Disco 3000 passeia pelas explorações timbrísticas que o sintetizador ofercia para Sun Ra e ela faz uso de padrões rítmicos presentes nos presets do novo instrumento. Há um momento que Sun Ra faz uma espécie de auto-sampler, usando trechos de suas composições e mesmo que muitos ainda insistam que Sun Ra e sua Arkestra são um grupo de free jazz, as suas composições são bem mais objetivas em termos de estrutura. É muito interessante o resgistro de Sun Ra com um grupo pequeno para expor sua arte musical, pois suas gravações predominam sua Arkestra que já teve três bateristas além de outros percussionistas na sessão rítmica. Assim como o Media Dreams, é a efetivação do trompestista Michael Ray no grupo. Disco 3000 como vários discos de Sun Ra, foi editado de forma independente e confusa, com mais de uma capa e por vezes com versões diferentes. Só depois de décadas foi reeditado no formato digital em dois cd's com praticamente todos os registros da sessão. Há composições conhecidas do repertório da Arkestra, como We Travel Spaceways e Friendly Galaxy, mas com arranjo para quarteto.
Clique no comentário para os links de arquivo.

sábado, junho 09, 2012

S.O.B. - Dub Grind ep (1999)

Algum tempo atrás tive um problema com uma gravadora sei lá de onde que reclamou de um disco do Warsaw (Joy Division) que publiquei aqui e minha conta no MerdiaFire foi bloqueada, mesmo sendo um blog tão pequeno e desconhecido. Infelizmente não tive tempo de atualizar todos os links para realmente divulgar artistas que mal fazem "sucesso" aqui no Brasil e não vão fazer mesmo, como é o caso do S.O.B.
Dub Grind foi o único album gravado em estúdio com o vocalista Naoto e particularmenee diferente dos outros trabalhos do S.O.B. com mais efeitos sonoros e uma sonoridade "menos" agressiva.
Atualizando, como de costume, nos comentários.

quinta-feira, maio 31, 2012

Sun Ra - Media Dreams (1978)

Pela última vez, Sun Ra e sua Arkestra não são free jazz! Da mesma forma que a música Salt Peanuts não é bebop, Holy Ghost não é free jazz. Não devemos justificar este erro por uma questão meramente mercadológica. Não se sustenta a afirmação para definir uma estética de forma teórica, pois a música não é sobre notas, mas sobre sentimentos. Duke Ellington advertiu Dizzy ao batizar seu estilo de tocar como bebop. Be Bop era apenas o nome de uma composição de Dizzy, assim como Free Jazz apenas o título do disco de Ornette. Quando perguntaram à Max Roach se ele ouvia jazz, ele disse que apenas ouvia música. Críticos musicais, escritores de resenhas de discos e alguns que redigiram as famosas liner notes dos discos infelizmente acabam causando grandes problemas para a música, por seus próprios equívocos e principalmente a interpretação e entendimento equivocado do leitor. Mas este assunto não deve se prolongar e quem quiser continuar a fazer o uso de rótulos e tentar enquadrar nomes em nichos na tentaiva de definir a música, está livre para fazê-lo.
O interessante aqui é esta gravação de Herman Blount em sua temporada na Itália apenas com um quarteto composto por John Gilmore, Luqman Ali e Michael Ray. Embora nesta gravação não esteja presente, June Tyson também fez parte desta temporada italiana e participou do notório e controverso (não sei porque) Disco 3000. Esta visita de Sun Ra ao planeta Itália teve muita importância em sua música, pois teve contato com a Crumar, de Mario Crucianelli, que construia sintetizadores e ficou conhecida nos anos 60 por produzir o que chamaram de bons "hammond clones". Os sintetizadores Crumar também eram contemporâneos e comparáveis aos sintetizadores Moog.
Media Dreams registra novas experiências de Sun Ra com a nova tecnologia da época, com o uso de padrões de rítmo que os equipamentos ofereciam e os novos timbres que se identificavam com a temática estética de nosso amigo de saturno. Claro que este tipo de inovação não foi bem aceito para quem já tinha cristalizado em sua mente que Sun Ra e sua Arkestra tinha que soar como um grupo de jazz. Ainda continuam os inúteis debates sobre os supostos danos causados à música pela nova tecnologia. Ora, já passou o tempo de se entender que os equipamentos não são culpados e sim o suposto artísta.
É bem provável que Sun Ra não pode contar com sua Arkestra na integra por meras questões financeiras, pois a banda de saturno, por ser de outro mundo, sempre passou dificuldades no planeta Terra. Vale destacar a presença de John Gilmore, fiel companheiro de Sun Ra, que por várias vezes recusou outros trabalhos ligados ao chamado jazz por sua fidelidade à Arkestra. Só me vem à memória uma exceção quando participou por um breve período do Jazz Messengers de Art Blakey. Também a entrada de Michael Ray ao universo de Sun Ra, se tornando grande colaborador, depois de ter trabalhado com Patti LaBelle, The Delfonics, Stylistics e Kool & The Gang. Dados sobre música, músicos, gravações, etc, são apenas informações, apenas isso. A música fala por si só. Clique aqui para acessar o arquivo.

segunda-feira, maio 14, 2012

A virada cultural embrulhou o estômago...

Mais uma vez volto a afirmar que certos procedimentos nas redes sociais digitais tem seus efeitos colaterais e um dos piores é a má interpretação de uma frase, um texto, uma afirmação, por estar desprovida de todos os detalhes importantes que um diálogo ao vivo possui, como a entonação das palavras, expressão facial, etc e principalmente tempo hábil para desenvolver o assunto. Ainda no início da madrugada de domingo desta última virada cultural promovida no centro de São Paulo, quando já estava em casa, por perceber e já ter previsto que após certo horário as coisas caminhariam para o oposto do bom senso, respeito, cidadania, o melhor e mais sensato a fazer era bater em retirada para preservar a integridade física e mental. O termômetro que usei para identificar o momento certo de cair fora era o número de garrafas PET de cor verde, copos descartáveis e latas de cerveja espalhadas pelo chão. Bem, quem persistiu pela madrugada e estava atento, sabe do que estou falando. Quanto ao assunto do facebook que é a rede social digital a qual me referi no início, foi que escrevi uma breve mensagem ao chegar em casa, dizendo que as apresentações de McCoy Tyner e Lou Donaldson tinham sido "OK", ou seja, que eu tinha apreciado mas não esperava lá grandes coisas por estar relativamente ao par das atividades de Tyner e mesmo ter me surpreendido por Donaldson ainda estar em plena atividade, não esperava que ele apresentasse algo diferente do que andou fazendo por mais de 50 anos ,de carreira. Foi então que um colega respondeu brincando comigo, pela surpresa de eu ter presenciado o vovô McCoy, pois se não me falha a memória, anteriormente já tinha manifestado que o pianista não figurava entre os meus favoritos e que ultimamente não me agradara o que Tyner havia feito nos últimos 20 anos. Foi então que também resolvi brincar e disse que seria melhor se fosse uma apresentação paga. Depois disso se desenrolou um debate por conta da má interpretação da minha frase, que levou ao questionamento de minha posição ideológica, social, política e civil. Eis que foram textos explicando os motivos da afirmação, que abordaram mais profundamente o assunto. Há uma certa conduta abominável de não se valorizar o que é concedido gratuitamente, um problema crônico do ser humano em sua maioria, pois tende-se a valorizar só o que é fruto do suor do seu trabalho e o que pesa na sua carteira. Não vou colocar aqui a interminável lista de exemplos sobre isso pois não haveria espaço.
Durante as apresentações, não houve muito espaço para a audição concentrada por conta das constantes interrupções causadas por ambulantes vendendo bebidas de forma ilegal no meio do público e por várias vezes estes se estacionavam a minha frente e ofereciam sua mercadoria aos berros com uma enorme caixa de isopor obstruindo meu campo de visão do palco. Parte do público que simplesmente não se importava com o que estava acontecendo no palco não parava de falar em alto volume e transitar freneticamente atrapalhando quem estava prestando atenção ao concerto. Esclareci que esta porção do público não fazia parte da injustiçada parcela da sociedade, mas pessoas que tiveram acesso à educação, tanto institucional quanto familiar, tinham um poder aquisitivo que lhes permitia acessar informação com certa facilidade, mas se portavam como crianças mimadas que fazem o que bem entendem. Foi aí que entrou a questão dos shows pagos, pois quando o indivíduo coloca a mão no bolso e paga, ele não vai querer perder seu investimento. Então outros colegas alegaram que isso acontece nas apresentações pagas também. Claro, mas há de concordar que o número de interrupções desta natureza diminuem drasticamente, principalmente em shows de jazz e por experiência própria, depois de dezenas de shows de jazz que estive presente, pude constatar isso.
Em um post anterior eu fiz minha defesa apologética sobre os ataques generalizados às instituições religiosas evangélicas e mais uma vez fui mau interpretado, como se eu estivesse irado ao redigir o texto. Ora, qualquer pessoa que ler o texto com bom senso e atentamente, pode constatar que não há em nenhum momento, alguma palavra colérica. Se alguma pessoa tiver a oportunidade de conversar sobre este assunto pessoalmente comigo, não terá dúvidas de que trato disso tranquilamente. Mas enfim, na maioria das vezes é a própria pessoa que está incomodada com o assunto e cria a sua versão a ponto de afirmar categoricamente o sentimento de quem redigiu o texto. Alguns textos deixam de forma óbvia e clara o sentimento do autor e até dispõem de mecanismos gramáticos como acentuações para evidenciar tal estado e não se faz necessário nenhuma habilidade paranormal para identificar isso. Mas enfim...

sexta-feira, maio 11, 2012

Thopa duo no Otto bistrot 15/05/2012

 E se foram oito anos quando Antonio Panda Gianfratti e Thomas Rohrer se uniram neste projeto para desenvolver música criativa livre de rótulos e limitações estilísticas. Como citei anteriormente, Panda é co-fundador do primeiro projeto de improvisação livre brasileiro, o grupo Abaetetuba e Thomas se tornou membro deste projeto. O duo comemora mais um ano de atividades juntamente com o Otto bistrot, que também está comemorando seu quinto aniversário com sua arte culinária e nós comemoramos a arte em suas duas formas, uma obviamente através da música e outra através do que convencionou a se chamar de gastronomia.

Otto bistrot: Rua Pedro Taques, # 129 - Consolação  São Paulo
aberto de segunda à sexta das 12:00 às 15:00 e 20:00 às 24:00h
aos sábados das 20:00 às 24h
apresentação do duo Thopa às 21:00h
quanto? R$ 5,00


quinta-feira, maio 10, 2012

Albert Ayler - The First Recordings (1962)

E na sessão "Eu disse que não iria mais falar sobre isso", senti no coração de falar um pouco sobre Albert Ayler. A estas alturas do campeonato se ainda persistem as questões em debalde sobre quem é o pioneiro do sei lá o que ou de quem inventou a roda, lembremos que praticamente todos os músicos de uma época que estavam envolvidos em novos rumos para sua música no final da década de 50 em diante, não dão a mínima importância sobre os rótulos free jazz, new thing, etc. Ultimamente os termos "pré" e "proto" tem sido usados para tentar definir parâmetros para vários estilos musicais e suas origens. Há uma corrente que defende o nascimento do tal do free jazz num suposto pré ou proto free jazz com as gravações de Lennie Tristano no disco Intuition ou nas gravações de Jimmy Giuffre. O fato é que Cecil Taylor e Ornette Coleman deram a forma definitiva para o que se convencionou a se chamar de free jazz e esse termo se tornou um rótulo para este tipo de música depois da gravação do disco Free Jazz com o duplo quarteto de Ornette. A informação em sí deve ser averiguada, questionada e geralmente se pode fazer um bom uso, principalmente para ajudar a compreender o desenvolvimento da música. O que realmente causa um tremendo enfado são as intermináveis discussões com abordagens completamente inúteis. Bem, como disse Frank Zappa em um título de uma de suas gravações, shut up and play guitar. Dificilmente se aprende alguma coisa quando só se fala.
Como eu tinha feito uma analogia entre S.O.B. e Napalm Death, Albert Ayler e John Coltrane no post anterior, aqui está o registro que comprovam os dados da troca de informação, conhecimento e influência entre os músicos, além do registro do depoimento de ambos os músicos a respeito da questão. As primeiras gravações de Ayler em lp sob seu nome se deram em 25 de Outubro de 1962 no Main Hall Of Academy Of Music de Stockholm, Suécia. Ayler executa um standard, I'll Remember April, uma composição de Miles Davis e outra de Sonny Rollins. E por último uma de sua autoria com sugestivo título de Free. Clique aqui para acessar o arquivo de suas primeiras gravações.

terça-feira, maio 08, 2012

S.O.B.- Leave Me Alone ep (1986)/Don`t Be Swindle (1987)



Como disse antes, juntamente com os pioneiros ingleses do Napalm Death, o S.O.B. de Osaka consolidou o estilo grindcore e se tornou referência e influência para muitos grupos do gênero. O ep Leave Me Alone é o primeiro registro fonográfico do grupo e assim como o lp Don't Be Swindle, o S.O.B. ainda tinha uma sonoridade mais voltada ao hardcore punk, mas com as características do estilo grindcore. Nestas gravações se encontram clássicos da banda, como: Thrash Night e Raging In Hell.
Vale lembrar da influência do S.O.B. sobre o Napalm Death e aqui também posso fazer uma analogia com John Coltrane e Albert Ayler. Mas hein?! Pois é, em ambos os casos aconteceu a troca de informações e inspiração musical. John Coltrane quando se tornara um nome importante para os saxofonistas do estilo chamado Bebop e post-bop (detesto este rótulo de "post"), influenciou Albert Ayler no fim doas anos 50. Já no início dos anos 60 Ayler desenvolvera um estilo mais livre de tocar e em sua gravação de 1962 já possuía as características que o consagraram como grande nome do chamado free jazz. Neste meio tempo John Coltrane ainda estava desenvolvendo sua música para um horizonte mais amplo e seu célebre quarteto ainda utilizava estruturas mais definidas. Neste momento de pesquisa e transição, Coltrane ouviu a sonoridade extremamente livre de Ayler e isso foi decisivo para a grande mudança de sua música, tanto que de 1964 em diante, Coltrane jamais soaria o mesmo. O mesmo tipo de troca aconteceu entre o S.O.B. e o Napalm Death. Os ingleses pioneiros do grindcore influenciaram os japoneses de Osaka e depois, na época da gravação do disco From Enslavement To Obliteration de 1988, a música do S.O.B. teve grande influência em sua concepção. Segundo o vocalista Lee Dorrian, muitos riffs das músicas do disco foram baseadas na sonoridade do S.O.B.. Clique aqui para acessar o arquivo.

Weide Morazi e Ricardo Berti Duo: Improvisação # 1



http://weidemorazi.blogspot.com.br/

sábado, maio 05, 2012

Beastie Boys, Adam Yauch e MTV Get Off The Air

Como tinha dito anteriormente, a world wide web nos permite acessar dados simultaneamente com suas fontes de origem. Já começou a onda de choque sobre o falecimento de Adam Yauch ou MCA, do Beastie Boys. Desde as primeiras horas da manhã desta última sexta-feira vieram as notícias da imprensa norte americana sobre o fato. Foi estranho receber a notícia pois não tinha acompanhado mais qualquer assunto sobre o grupo. Nesta manhã de sábado, assisti algo no canal de UHF especializado em música, lí os comentários, imagens, videos na rede social e até então relutei em escrever algo sobre Beastie Boys e MCA.
Me lembro quando ouvi o Beastie Boys pela primeira vez no programa de videoclips da tv Gazeta, o Clip Trip. Era a música No Sleep Till Brooklyn. Achei o máximo! Eu já não era mais um B-Boy quando conheci o break em 1982 e estava engajado no heavy metal. Como não tinha deixado de gostar de hiphop, quando vi o Beastie Boys meio que misturar os dois estilos que eu gosto, (inclusive a música em si tem a participação do Kerry King, guitarrista do Slayer) curti na hora. Logo em seguida foi veiculado o video da música (You Gotta) Fight for Your Right (To Party), que era ainda mais crossover com o rock pesado. Não deu outra, fui atrás do disco nas lojinhas do bairro, o que era fácil tarefa, o meio dos anos 80 foi generoso com os lp's, dentro do possível na época, sem internet e defasagem de informação musical, se podia encontrar uma grande variedade de títulos, inclusive nomes obscuros para o mercado fonográfico brasileiro, como Laibach, 45 Grave, T.S.O.L., etc. Então comecei a desvendar os detalhes do Licenced To Ill. Era produzido por Rick Rubin, que tinha produzido LL Cool J, Run DMC, Public Enemy, The Cult e é claro, o disco Reign In Blood do Slayer. O disco já abria com a pesadíssima Rhymin & Stealin com o riff de guitarra da música Sweet Leaf do Black Sabbath e o sampler da bateria de John Bonham. Slow Ride continha sampler da música Low Rider do War (grupo de funk que viria a descobrir no início dos anos 90), Brass Monkey era bem familiar, como era o hiphop do inicio dos anos 80 e o beat clássico do estilo miami bass.
É engraçado como para um adolescente o tempo parece longo, mas já no final de 86 não achava mais sentido em ser um headbanger radical e o tal do estilo crossover vinculado ao hardcore me atraia. Isso implicava com a mudança da indumentária, sim, as roupas portavam uma ideologia além de mera estética. O uso de bonés de baseball, camisa xadrez de flanela, bermudas, skate faziam contraste com o preto, jeans, couro do headbanger tradicional.
Em 1989 é lançado o lp Paul's Boutique, simplesmente um dos tratados do hiphop, o livro mestre do sampling, assim como o 3 Feet High and Rising e De La Soul Is Dead. Paul's Boutique era a trilha sonora ideal para as skate sessions (o final dos anos 80 foi o ápice da 2ªonda do skate no Brasil) ao lado do hardcore. Paul's Boutique por incrível que pareça, passou batido quando foi lançado por aqui.
Então vieram os anos 90. O grunge, o manguebeat, a MTV. Um novo horizonte se abriu para a juventude ligada à música de forma mais contundente. Era possível acessar imagens dos artístas favoritos através dos videoclips e até shows captados e entrevistas. Programas especializados em gêneros, como o heavy metal, hiphop e música eletrônica. O engraçado é que a MTV dos anos 90 tinha um vínculo com a música independente no Brasil. Concorde ou não, o canal de tv UHF teve crucial participação na propagação do grunge e o manguebeat. Mas é claro que isso tudo ficou nos idos anos 90, pois a MTV teve que voltar às suas origens mais tenebrosas, ou seja, ser apenas uma vitrine da indústria fonográfica. Hoje em dia a MTV, é irrelevante e até alheia à música independente e realmente criativa feita neste país. Me lembro quando a tv teve que mudar sua diretriz radicalmente para não fechar o caixa no vermelho, quando passou a veicular videos do CIA do Pagode e É O Tchan. Meu Deus! A emissora que gozava de algo até meio cult, devido aos programas BUZZ, 120 Minutes, Lado B, Liquid Television, abria as suas pernas para ser arrombada pela porta da frente. Desde então a MTV não tem realmente mais nada haver com a música em sí.
Mas voltando um pouco antes do holocausto, em 92 é lançado o disco do Beastie Boys que mudaria grande parte parte da música jovem, o Check Your Head. Já contando com os primeiros passos da internet e a cobertura da MTV no Brasil, o Beastie Boys chegou transtornando o ambiente com os videos So Wat'cha Want e a versão hardcore de Time For Livin' do Sly And Family Stone, revelando a origem do Beastie Boys. De uma hora para outra o Beastie Boys se tornou unanimidade entra vários nichos da juventude dos anos 90, os grunges, os skatistas, indie-rockers, alguns headbangers... É feio mas é verdade: a classe média branca começou a curtir um hiphop. E vou te falar uma coisa, esse negócio de hiphop pertencer à periferia eu sempre achei equivocado, pois me lembro que muito "mano" e "função" nos anos 80 nem gostava de rap. Depois veio o Racionais debochando dos "playboys" e toda aquela contenda infrutífera que quase todo mundo já sabe...
Mas o caso é que Adam Yauch morreu de forma cruel, de câncer e não de forma estúpida como Tupac Shakur. Mas Easy-E também morreu doente. Acontece que Adam ou MCA foi instrumento de grandes mudanças e benefícios para a música através do Beastie Boys. Mas agora é tarde, MCA is dead, MCA is deaf... Precisamos seguir em frente como forma de respeito ao seu trabalho, assim como outros que ainda respiram boa música.

domingo, abril 29, 2012

Kalaparusha Maurice McIntyre talks about jazz

É por isso que sempre afirmo  que devemos parar de falar sobre John Coltrane e Miles Davis, pelo menos parar de falar sobre eles o tempo todo, como se o que se convencionou a se chamar de jazz somente fosse Miles e Trane. Eles já se foram. Já receberam e ainda recebem o reconhecimento e não podem ver ou ouvir as homenagens póstumas que recebem até hoje. Seus nomes e suas obras já estão devidamente consagrados na história da música.
Nestes últimos tempos, noticias me alegraram o coração ao saber que o saxofonista e compositor Giuseppi Logan foi resgatado do injusto esquecimento e que o baterista Muhammad Ali (irmão de Rashid), recentemente tocou com o saxofonista David S. Ware, segundo relatou meu amigo de New York, Michael Foster, o qual conheci em Amsterdam no ano passado, na semana em que estivemos com a Dutch Impro Academy.
Agora mais uma boa notícia me alegra o coração ao receber notícias de Kalaparusha Maurice McIntyre, que nasceu em 24/03/1936 - Clarksville, no estado de Arkansas e cresceu em Chicago tocando bateria aos 7 anos de idade e logo mudando para o saxofone. Estudou no Chicago College Of  Music e durante os anos 60 começou a tocar com Malachi Favors, Muhal Richard Abrams e Roscoe Mitchell. Se tornou membro da AACM e Ethnic Heritage Ensemble. Sua primeira gravação sob seu nome foi Humility In The Light Of Creator de 1969 pelo selo Delmark. Nos anos 70 mudou-se para New York e participou das famosas loft sessions no Studio Rivbea de Sam Rivers. Depois de 1981, McIntyre gravou muito pouco, em algumas gravações do final dos anos 90 e início da década de 2000. Assim como Charles Gayle, sobreviveu tocando nas ruas e no metrô de New York.
Closeness é um curta metragem documentário dirigido por Danilo Parra, filmado logo após a gravação de Closeness em Janeiro de 2010, com Warren Smith: bateria, Michael Logan e Radhu Williams: contra-baixo, que é dedicado à companheira de Maurice McIntyre.
Bem, não sei quanto à você mas meu coração chorou ao ver o saxofone oxidado e mecanismos presos por elásticos e sua caminhada ao metrô...

sexta-feira, abril 27, 2012

Joe McPhee and John Snyder - Pieces Of Light (1974)


Antes de um breve comentário sobre esta gravação de Joe McPhee e John Snyder, aproveito este momento para salientar que o Sonorica sempre divulgará o trabalho de músicos criativos no intuito de ampliar a rede de informações sobre artístas que nem sempre recebem a devida atenção. Mas também este weblog não é apenas um espaço para postar discos e muito menos um espaço especializado em jazz, free jazz, improvisação e afins, tanto que o próprio blog demonstra isso. O asterisco explicando o objetivo do Sonorica também ajuda a esclarecer que se trata apenas de um diário virtual pessoal que não tem a pretensão e sequer a obrigação de ser um orgão jornalístico, mas é claro que os dados aqui postados não serão jamais distorcidos em relação a integridade de suas fontes. Sobre arte e cultura. No caso do ítem cultura, o termo abrange muito mais assuntos do que o estereótipo equivocado que se tem sobre o significado da palavra cultura. Cultura abrange vários aspectos da sociedade, vai mais além do que ir numa megastore. Por isso, assuntos como o post anterior a este se farão presentes no blog quando houver relevância.
Joe McPhee nasceu em 03/11/1939, Miami e começou a tocar trompete aos 8 anos e mais tarde tocou na banda do exército onde teve contato com o chamado jazz tradicional. Sua primeira gravação foi em 1967 no disco de Clifford Thornton, Freedom and Unity. Em 1968 começou a tocar saxofone e outros instrumentos, como o trompete portátil, trombone de válvula e piano, associados ao envolvimento com a música acústica e eletrônica. Atualmente McPhee faz parte de um dos mais interessantes conjuntos de música criativa, o Chicago Tentet de Peter Brötzmann. *Um detalhe é que seu disco solo, Tenor (1976), foi decisivo para Ken Vandermark escolher o saxofone tenor como seu principal instrumento.
John Snyder é fundador da Artists House Music, fundação educacional para apoio e formação de músicos. Atuou mais como produtor e exerceu cargos importantes em gravadoras como a CTI, Atlantic e A&M records. Pieces Of Light consiste em duas peças onde McPhee faz uso do trompete, flugelhorn, saxofone tenor, flauta, harpa de Nagoya modificada, carrilhão (ceramica, bamboo) e voz, com Snyder no sintetizador. Clique aqui para acessar o arquivo.

quarta-feira, abril 25, 2012

Intolerância

A ferramenta de relacionamento virtual Facebook tem sido palco de inúmeras questões, desde simples posts entre amigos e familiares, trabalho, mobilizações politicas e sociais, negócios, etc. Realmente o Facebook tem até substituído de maneira grotesca os relacionamentos da sociedade como um todo. Claro, já estou escutando as justificativas da falta de tempo impostas por este sistema econômico que pressiona a sociedade a nunca ter tempo para um bate papo informal ao vivo, de amigos que se encontram em posições geográficas que inviabilizam um breve encontro para um cafezinho. Salvas estas situações de pessoas que se encontram em lugares distantes, é um tanto quanto constrangedor o caso de pessoas que se encontram próximas num mínimo  raio de kilometros ou até metros de distância um do outro. E conectado à isso, aumenta o número de sociopatas que se enclausuram em seu micro-cosmos de seus smartphones, notebooks, tablets o tempo todo nos transportes coletivos, nas vias públicas, estabelecimentos comerciais, etc, sendo que na maioria das vezes é completamente desnecessário fazer uso dos aparelhos. Assim elas fazem uso de um bode expiatório virtual para não interagir com seu habitat real.
Nem tudo está perdido! Ainda há alguns bairros, lugares e pessoas que ainda conversam coisas inofensivas, como: "Hoje parece que vai chover, não?", "O ônibus chegou atrasado hoje..., bom dia, como o céu está bonito hoje...". Num dia destes da semana, com a metrópole à todo vapor, entrei num ônibus lá no centro da cidade e a cobradora me saldou com um bom dia tão efusivo que mesmo se o ônibus estivesse lotado num engarrafamento, certeiramente minha viagem seria agradável. Bem, estou divagando sobre essas coisas mas o assunto que quero tratar sobre o Facebook é mais específico.
Acho que de uma outra maneira abordei sobre os relacionamentos via Facebook e os prós e contras desta ferramenta digital. São os "add's". Principalmente como o site optou por oferecer o serviço. Add a friend... Sacou? Amigo... olha, eu sou da "velha guarda", mesmo apenas prestes a completar quatro décadas de vida nesta terra, neste planeta. Para mim, amigo é um título que exige um padrão elevado de cumplicidade, amor, tolerância, confiança, tempo de estrada e convívio. Não é porque a sociedade resolveu informalizar tudo baseada numa argumentação desprovida de sustentação, que eu também deva considerar e nomear qualquer pessoa de amigo. Quanto à isso, é meu direito e não invade as fronteiras dos direitos de ninguém e de maneira alguma me autoriza a tratar com frieza e rispidez, pessoas que eu não desenvolvi um relacionamento de amizade como eu adotei como padrão básico.
E como eu tinha falado em outra ocasião, o dispositivo share do Facebook, possibilita que a minha página pessoal receba posts de pessoas que não tenho relacionamento e  que sequer as conheça, pelo fato delas estarem ligadas à pessoas que estão ligadas à pessoas que conheço e outro que simplesmente aceitei o add por hospitalidade e estar receptivo a conhecer pessoas novas e diferentes.
Mas existe uma parte considerável destas pessoas que até agora eu não entendi porque pediram para eu aceitá-las na sua lista de friends (vai ver que o termo friends também muda de significado no Facebook) e sequer me direcionaram um simples "olá", apenas postam suas mensagens, imagens o tempo todo, sem uma palavra.
Ultimamente eu andei deparando com posts avacalhando com as igrejas evangélicas, Deus, Jesus Cristo.
Em primeiro lugar, se eu não deixei claro, eu sou evangélico e isso não significa que sou parte de uma massa irracional de manobra que é manipulada, que não sabe o que acontece no mundo, na política, na economia, sociedade, na cultura, etc. A minha função como evangélico é anunciar as Boas Novas do amor de Cristo. A palavra evangelho vem do grego ευαγγέλιον, euangelion, que significa boa mensagem, boa notícia ou boas-novas. Pela minha fé e os preceitos que acredito, me impedem de agir com pré-conceito e muito menos intolerância. Coisa que ninguém verá de minha parte tanto no mundo virtual como no mundo real, é esculachar com a crença de alguém. Mesmo que alguém se torne adepto daquelas religiões que tem procedimentos dos mais questionáveis quanto a sua integridade ou até aquela seita em que os membros se prostravam perante uma estátua com um computador na sua parte interna e pregava sua doutrina. Várias pessoas que não tenho uma verdadeira amizade simplesmente por falta de oportunidade, tem exposto suas crenças de acordo com suas religiões e filosofias e jamais protestei contra elas. Jamais postei algo condenando e muito menos zombando de nenhuma religião e assim será até a minha morte.
Em determinado momento, senti que deveria e tinha o direito de fazer um comentário, que foi feito no dia 19 deste mês:


"Toda semana é a mesma coisa, eu tenho que deparar com declarações contra Deus, bíblia, Jesus Cristo, evangélicos, cristãos... Coisa que eu não perco tempo, é criticar o ateísmo, agnosticismo, satanismo, catolicismo, GLBT's, etc. Todos estes tem o direito de crerem e não crerem no que quiserem, sem serem condenados pelas pessoas. O interessante é que na maioria são pessoas com um bom nível cultural e razoável poder aquisitivo, ao contrário de meus amados irmãos de fé que mau sabem distinguir a diferença entre a mão esquerda e a direita. Eu detestava esse troço de religião e tudo mais, mas lá fui eu ler o livrão pra ver qual era a de Cristo, Deus e tudo mais. Deus não vai ficar e nunca ficou noiando quem não trinca com sua filosofia de vida, quem quiser estar com ele, esteja e naturalmente agirá com bom senso, não julgando os outros. Deus não se responsabiliza pelas prezepadas que fazem por aí em nome dele, pois cada um que assuma as consequências de suas atitudes. É tudo muito simples. A vida é bela e curta, se algo não me agrada ou acho que não presta, pra quê eu vou gastar tempo falando mau? Amém. PS: Se eu fosse tão bem esclarecido, porquê eu iria me rebaixar atacando um monte de gente ignorante que acredita numa fábula escrita sabe-se lá por quem à mais de dois mil anos? "Ah, mas alguém tem que denunciar esses picaretas que exploram as pessoas e fazem lavagem cerebral no povão...". Sinceramente? Praticar uma boa ação todos os dias, na miúda, sem ficar se achando bom por conta disso, é a arma mais eficaz contra a injustiça e mentiras, do que qualquer dedo na cara e ativismo pau mole de facebook."


Enfim, as pessoas pedem o fim da intolerância, a garantia de seus direitos, sua liberdade. Eu estou longe de ser uma pessoa que não falha, muito pelo contrário, sou um pecador que se esforça em ser uma pessoa melhor. Não me considero superior a ninguém, minha vida vale tanto quanto a de um nóia da crackolândia. Vou seguir respeitando todas as pessoas e suas opiniões e crenças e ficaria imensamente grato se assim o fizessem comigo apenas porque sou um ser humano se esforçando em praticar o bem, porque é meu dever.
 
 
Studio Ghibli Brasil