Início da noite de 16 de Agosto de 2015. Fazia um tempo consideravelmente longo que não prestigiava uma apresentação musical deste gênero e nestas circunstâncias. Ah, os festivais internacionais de jazz em São Paulo... Os mais notórios tinham nome de empresas e produtos que causam grandes males à saúde e de um certo modo, à humanidade. Ainda existe um ou outro festival com essa estratégia de marketing, vendendo um produto para um público alvo classificado como sofisticado.
O SESC à seu modo, tenta incluir o grande público em nichos da arte que naturalmente são segregados por motivos sócio-econômicos que obviamente refletem culturalmente, afinal, quase todo mundo sabe que cultura não é só entretenimento, arte, museus, etc e etc. Então o festival Jazz Na Fábrica chega ser um dever cívico desta instituição do setor privado.
Os festivais anteriores até tentaram "ousar" nas atrações, mas ao longo dos anos, por questões mercadológicas, essa ousadia praticamente definhou. Por que? Essa questão de mercado é mais importante do que a tal da cultura obviamente. Status não aumenta o saldo do caixa. Imagine uma programação apenas com Peter Brötzmann, Roscoe Mitchell, Ken Vandermark, Mats Gustafsson, Evan Parker. Haveria público para preencher um espaço de um ginásio de esportes?
Os festivais de jazz patrocinados por grandes empresas sempre tiveram esse foco insólito de público "A", mas também suponho que a maioria sabe que a opulência nunca garantiu um refinamento e alto nível cultural, ainda mais no Brasil, onde foi adotada uma modalidade do sistema capitalista em sua forma mais agressiva. Isso vem desde os primórdios, pois também a esta altura do campeonato quase todos sabem que categoria de cidadãos oriundos da península ibérica vieram parar nestas terras "selvagens" para dominar (coxa de frango no bolso).
Bem, vamos ao assunto em questão, isto foi apenas um breve rascunho introdutório como base.
Por um lado que o SESC foi criado para atender culturalmente o proletariado do setor de comércio, seja com arte, esporte e lazer, isso de maneira alguma resultou em uma estrutura de 2ª categoria, visto que existe um pensamento elitista e abominável de que o dito "povão" não precisa de coisas de qualidade superior, qualquer banqueta de "prástico" já está de bom tamanho (?!).
Em alguns termos relativos, sim, infelizmente chega a ser verdade, mas isso foi condicionado à população de baixo poder aquisitivo. Pergunte à um pobre se ele gosta de morar num barraco na favela. Pois é...
Mas o SESC sempre proporcionou uma estrutura de alta qualidade e à muito tempo, tanto que me lembro quando meu pai trabalhava no setor comerciário e na minha infância desfrutávamos desta estrutura de ótima qualidade.
Hoje em dia, a maioria dos artistas que não fazem parte do varejão do entretenimento, almejam ser "assalariados" desta instituição, que lhes proporciona uma estrutura quase irrepreensível, que garante até um mínimo de público que por seus próprios meios não o teriam.
Só que da mesma forma que aconteceu com a USP, a burguesia "esperrrta" colocou suas garras no SESC. Tá, mas a instituição não é do setor privado do comércio? Sim, mas o intuito era fomentar a demanda de cultura e lazer do proletariado, assim como a USP para o ensino superior.
Quanto mais se tem, mais se quer. Por outro lado também há a situação de alguns pobres que continuam pobres, pois querem compartilhar.
Eu particularmente tive esta experiência inúmeras vezes. As pessoas que conheci que eram de maior poder aquisitivo, eram as mais individualistas e egoístas, no estilo cada um no seu quadrado, cada um paga o seu, mas se oferecerem, aceitam sem necessidade, porque é de graça.
Com o tempo o público que frequenta o SESC foi mudando, só não foi dominado pela burguesia pois o comerciário ainda tem seu espaço resguardado, se não, a instituição deturparia completamente seu fundamento.
Nossa, e o que tudo isso que estou falando tem haver com o Jazz Na Fábrica afinal de contas? Tudo bem, vamos direto ao assunto de fato, sem rodeios.
Eu optei objetivamente por prestigiar o quarteto do multi-instrumentista William Parker que acompanho à mais de dez anos. Assim como os trabalhos paralelos do percussionista Hamid Drake. Era uma oportunidade única, além de poder comprar o ingresso por 1/3 do preço em relação ao público não comerciário. Isso proporcionou comprar mais 2 ingressos para meus amigos também poderem prestigiar.
*Não vou comentar nada sobre a apresentação, minhas palavras poderiam empobrecer o que ocorreu em forma musical, quem ouviu pôde sentir. Seria totalmente descartável falar à respeito ou até vaidade tentar descrever.
Antes da apresentação dar início, o público adentrava no teatro do SESC Fábrica Pompéia aos poucos e atrás de mim estavam um pequeno grupo de jovens adultos, de nível universitário de instrução, girando em torno dos 20 e poucos anos de idade. Então chegaram algumas senhoras da chamada 3ª idade no recinto. Então umas das mulheres que estava no grupo disse:
"Ah, velha não! Esse povo que não entende nada de música! Esses comerciários, etc e etc..."
Naquele momento me vieram dois tipos distintos de sentimento. Tristeza e raiva. Me abateu o espírito aquela afirmação inflada de perversidade.
Mas graças a crença classificada como ignorância por grande parte das pessoas ditas mais instruídas e cultas desta sociedade, que é a minha crença em Deus, contive minha raiva para não entristecer esta "entidade imaginária".
De forma premeditada ficou por um fio de cabelo eu me virar para eles e dizer:
"Eu sou comerciário, algum problema? Depois a gente troca ideia lá fora, certo?"
Rapidamente a minha indignação e raiva deu lugar à uma angústia em minha alma, quase uma dor causada por aquelas palavras impiedosas. Depois deu pena, por estas pessoas estarem num lodo sujo de valores distorcidos, não enxergando um palmo à frente dos olhos.
Mesmo que algumas destas pessoas da terceira idade que se retiraram um pouco depois da metade do espetáculo, outras tantas permaneceram até o encerramento.
Não foi por acaso uma oportunidade para as reles pessoas do setor comerciário terem a chance de conhecer algo novo, algo de qualidade?
Será mesmo que não houve a menor possibilidade de alguém que "não entende nada de música" ter passado a entender um pouquinho que seja agora?
Me perdoem, eu teria outras questões para abordar sobre este fato, mas isso já foi o suficiente para de certa forma consolar meu coração. Por essas e outras que chego a abrir mão de um prazer de ir à certos eventos por conta destas situações que quase sempre acontecem. Sim, posso abrir mão de ver e ouvir um grande artista por conta de um ambiente hostil, sem arrependimentos.
E só para registrar, o grupo arrogante deixou o recinto durante a apresentação...
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sábado, agosto 22, 2015
quinta-feira, setembro 06, 2012
Dutch Week In São Paulo (de 22 à 30 de setembro)
Se você tem interesse pela música como forma de arte e não apenas um mero entretenimento, um pano de fundo sonoro para outras atividades, no mês de setembro esta cidade caótica oferece uma maravilhosa oportunidade de apreciar música criativa de qualidade sem esfolar o seu bolso. Sim, você não está nas mãos de estabelecimentos e instituições pseudo-sociais que usam de critérios duvidosos para oferecer à população, a dita arte e cultura.
O Centro Cultural São Paulo, localizado na r. Vergueiro #1000, SP, oferece várias atividades culturais para o público em geral de forma acessível e proporcionou na última semana do mês de semtembro, apresentações gratuitas dos projetos musicais holandeses que representam o que há de mais criativo na música sem fronteiras da atualidade.
ICP - Instant Composers Pool
Mistura de banda de jazz e grupo de câmara, a ICP é uma orquestra formada em 1967 pelo baterista Han Bennink e pelo pianista Misha Mengelberg. No palco, o espaço entre o piano e a bateria é ocupado por um trio de cordas - viola, violoncelo e contrabaixo - e, juntamente com eles, cinco metais. A música é repleta de surpresas, reviravoltas, agilidade e erupções inusitadas.
Sábado 22/09, às 20:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares
ps.: O Circuito de Improvisação Livre em São Paulo organizou para terça-feira dia 25/9 na Trackers, Rua Dom José de Barros, 337 - 2º andar, Centro e quarta-feira dia 26/09, um encontro da ICP com a união de músicos paulistanos no Espaço Puxadinho da Praça na Rua Belmiro Braga, 216 – Vila Madalena tel.(11) 2597-0055.
Shackle
Anne La Berge (flauta e eletrônicos) e Robert van Heumen (laptop)
O duo trabalha com um sistema de comunicação computadorizado que propõe vários elementos de composição para cada instrumentista - tempo, textura, dinâmica e outros parâmetros musicais.
Quinta-feira 27/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares
Corkestra
Cor Fuhler (clarinete, orgão/sintetizador, piano, composições), Anne La Berge (flauta e eletrônicos), Ab Baars (clarinete e saxofone tenor), Tobias Delius (saxofone tenor e clarinete), Nora Mulder (cimbalom), Michael Vatcher (percussão, singing saw), Tony Buck (percussão) e Wilbert de Joode (contrabaixo) Punk e música eletrônica se combinam neste grupo que reúne oito expoentes da improvisação. O ponto de partida são os riffs e as linhas melódicas e de baixo escritas por Cornelius Fuhler, sobre as quais os outros integrantes tocam suas próprias criações de maneira orgânica, formando novas peças no momento da apresentação.
Sexta-feira 28/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares
The Ex
Desde seu início, em 1979, o The Ex tem desenvolvido um caldeirão de diferentes estilos musicais: noise, rock, jazz, improvisação e música étnica. Guitarras altamente rítmicas, a bateria em um estilo quase africano e a intensa entrega das letras, muitas vezes irônicas, dão à música do grupo seu caráter especial.
Domingo 30/09, às 17:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Jardim Suspenso (fachada Vergueiro) - 250 lugares
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segunda-feira, maio 14, 2012
A virada cultural embrulhou o estômago...
Mais uma vez volto a afirmar que certos procedimentos nas redes sociais digitais tem seus efeitos colaterais e um dos piores é a má interpretação de uma frase, um texto, uma afirmação, por estar desprovida de todos os detalhes importantes que um diálogo ao vivo possui, como a entonação das palavras, expressão facial, etc e principalmente tempo hábil para desenvolver o assunto. Ainda no início da madrugada de domingo desta última virada cultural promovida no centro de São Paulo, quando já estava em casa, por perceber e já ter previsto que após certo horário as coisas caminhariam para o oposto do bom senso, respeito, cidadania, o melhor e mais sensato a fazer era bater em retirada para preservar a integridade física e mental. O termômetro que usei para identificar o momento certo de cair fora era o número de garrafas PET de cor verde, copos descartáveis e latas de cerveja espalhadas pelo chão. Bem, quem persistiu pela madrugada e estava atento, sabe do que estou falando. Quanto ao assunto do facebook que é a rede social digital a qual me referi no início, foi que escrevi uma breve mensagem ao chegar em casa, dizendo que as apresentações de McCoy Tyner e Lou Donaldson tinham sido "OK", ou seja, que eu tinha apreciado mas não esperava lá grandes coisas por estar relativamente ao par das atividades de Tyner e mesmo ter me surpreendido por Donaldson ainda estar em plena atividade, não esperava que ele apresentasse algo diferente do que andou fazendo por mais de 50 anos ,de carreira. Foi então que um colega respondeu brincando comigo, pela surpresa de eu ter presenciado o vovô McCoy, pois se não me falha a memória, anteriormente já tinha manifestado que o pianista não figurava entre os meus favoritos e que ultimamente não me agradara o que Tyner havia feito nos últimos 20 anos. Foi então que também resolvi brincar e disse que seria melhor se fosse uma apresentação paga. Depois disso se desenrolou um debate por conta da má interpretação da minha frase, que levou ao questionamento de minha posição ideológica, social, política e civil. Eis que foram textos explicando os motivos da afirmação, que abordaram mais profundamente o assunto. Há uma certa conduta abominável de não se valorizar o que é concedido gratuitamente, um problema crônico do ser humano em sua maioria, pois tende-se a valorizar só o que é fruto do suor do seu trabalho e o que pesa na sua carteira. Não vou colocar aqui a interminável lista de exemplos sobre isso pois não haveria espaço.
Durante as apresentações, não houve muito espaço para a audição concentrada por conta das constantes interrupções causadas por ambulantes vendendo bebidas de forma ilegal no meio do público e por várias vezes estes se estacionavam a minha frente e ofereciam sua mercadoria aos berros com uma enorme caixa de isopor obstruindo meu campo de visão do palco. Parte do público que simplesmente não se importava com o que estava acontecendo no palco não parava de falar em alto volume e transitar freneticamente atrapalhando quem estava prestando atenção ao concerto. Esclareci que esta porção do público não fazia parte da injustiçada parcela da sociedade, mas pessoas que tiveram acesso à educação, tanto institucional quanto familiar, tinham um poder aquisitivo que lhes permitia acessar informação com certa facilidade, mas se portavam como crianças mimadas que fazem o que bem entendem. Foi aí que entrou a questão dos shows pagos, pois quando o indivíduo coloca a mão no bolso e paga, ele não vai querer perder seu investimento. Então outros colegas alegaram que isso acontece nas apresentações pagas também. Claro, mas há de concordar que o número de interrupções desta natureza diminuem drasticamente, principalmente em shows de jazz e por experiência própria, depois de dezenas de shows de jazz que estive presente, pude constatar isso.
Em um post anterior eu fiz minha defesa apologética sobre os ataques generalizados às instituições religiosas evangélicas e mais uma vez fui mau interpretado, como se eu estivesse irado ao redigir o texto. Ora, qualquer pessoa que ler o texto com bom senso e atentamente, pode constatar que não há em nenhum momento, alguma palavra colérica. Se alguma pessoa tiver a oportunidade de conversar sobre este assunto pessoalmente comigo, não terá dúvidas de que trato disso tranquilamente. Mas enfim, na maioria das vezes é a própria pessoa que está incomodada com o assunto e cria a sua versão a ponto de afirmar categoricamente o sentimento de quem redigiu o texto. Alguns textos deixam de forma óbvia e clara o sentimento do autor e até dispõem de mecanismos gramáticos como acentuações para evidenciar tal estado e não se faz necessário nenhuma habilidade paranormal para identificar isso. Mas enfim...
Durante as apresentações, não houve muito espaço para a audição concentrada por conta das constantes interrupções causadas por ambulantes vendendo bebidas de forma ilegal no meio do público e por várias vezes estes se estacionavam a minha frente e ofereciam sua mercadoria aos berros com uma enorme caixa de isopor obstruindo meu campo de visão do palco. Parte do público que simplesmente não se importava com o que estava acontecendo no palco não parava de falar em alto volume e transitar freneticamente atrapalhando quem estava prestando atenção ao concerto. Esclareci que esta porção do público não fazia parte da injustiçada parcela da sociedade, mas pessoas que tiveram acesso à educação, tanto institucional quanto familiar, tinham um poder aquisitivo que lhes permitia acessar informação com certa facilidade, mas se portavam como crianças mimadas que fazem o que bem entendem. Foi aí que entrou a questão dos shows pagos, pois quando o indivíduo coloca a mão no bolso e paga, ele não vai querer perder seu investimento. Então outros colegas alegaram que isso acontece nas apresentações pagas também. Claro, mas há de concordar que o número de interrupções desta natureza diminuem drasticamente, principalmente em shows de jazz e por experiência própria, depois de dezenas de shows de jazz que estive presente, pude constatar isso.
Em um post anterior eu fiz minha defesa apologética sobre os ataques generalizados às instituições religiosas evangélicas e mais uma vez fui mau interpretado, como se eu estivesse irado ao redigir o texto. Ora, qualquer pessoa que ler o texto com bom senso e atentamente, pode constatar que não há em nenhum momento, alguma palavra colérica. Se alguma pessoa tiver a oportunidade de conversar sobre este assunto pessoalmente comigo, não terá dúvidas de que trato disso tranquilamente. Mas enfim, na maioria das vezes é a própria pessoa que está incomodada com o assunto e cria a sua versão a ponto de afirmar categoricamente o sentimento de quem redigiu o texto. Alguns textos deixam de forma óbvia e clara o sentimento do autor e até dispõem de mecanismos gramáticos como acentuações para evidenciar tal estado e não se faz necessário nenhuma habilidade paranormal para identificar isso. Mas enfim...
sexta-feira, maio 11, 2012
Thopa duo no Otto bistrot 15/05/2012
E se foram oito anos quando Antonio Panda Gianfratti e Thomas Rohrer se uniram neste projeto para desenvolver música criativa livre de rótulos e limitações estilísticas. Como citei anteriormente, Panda é co-fundador do primeiro projeto de improvisação livre brasileiro, o grupo Abaetetuba e Thomas se tornou membro deste projeto. O duo comemora mais um ano de atividades juntamente com o Otto bistrot, que também está comemorando seu quinto aniversário com sua arte culinária e nós comemoramos a arte em suas duas formas, uma obviamente através da música e outra através do que convencionou a se chamar de gastronomia.
Otto bistrot: Rua Pedro Taques, # 129 - Consolação São Paulo
aberto de segunda à sexta das 12:00 às 15:00 e 20:00 às 24:00h
aos sábados das 20:00 às 24h
apresentação do duo Thopa às 21:00h
quanto? R$ 5,00
terça-feira, março 20, 2012
Masada e John Zorn em São Paulo: John Zorn, você é malvado!
Eu já tinha me pronunciado à respeito da apresentação do Masada no estabelecimento de entretenimento em São Paulo, sua taxa de serviços, a configuração em que se deu tudo isso e agora, a saliva se torna a vedete de uma noite enfadonha na capital mais equivocada do hemisfério sul do planeta.Ao longo do último fim de semana, desde à sexta-feira, venho captando diversas opiniões, comentários sobre o nosso querido odiado John Zorn. Pobremente e equivocadamente conhecido como o saxofonista judeu de jazz que ouve rock e faz muito barulho, agora ganha destaque nas rodas de conversas do micro-cosmo cultural de São Paulo. Como sempre acontece, certos artistas ganham uma notoriedade efêmera sempre que se apresentam por aqui, apesar de Zorn ter se apresentado em São Paulo em 1989. O curioso é que o público supostamente culto ou bem informado, que tem um acesso acima da média em relação a informação cultural geral, acaba agindo como um povoado de um vilarejo nos confins da terra que fazem uma festa, um banquete, para recepcionar o forasteiro, mesmo que ele seja apenas um simples viajante só de passagem. Aí diante de todas as honrarias e procedimentos hospitaleiros, os nativos atentam para qualquer informação do mundo exterior em uma grande conferência, como se fosse uma assembléia geral da cidade e aguardam contos grandiosos da grande cidade ou seja lá onde for, como as crianças que se juntam para ouvir as estórias do vovô.
Antes de tudo, no domingo à noite, quando estava voltando da igreja de minha noiva, em Guarulhos, ainda no ônibus, um bom amigo me telefonou e queria me relatar sobre a apresentação do Masada no dia anterior. Como estava perto de sua casa, desci do micro ônibus antes e fui até lá. Esse meu amigo é confiável em todos os sentidos e ainda mais nestas questões sobre música, pois possui um amplo conhecimento e sempre aplica uma análise empírica sobre qualquer assunto, jamais deixando sua opinião pessoal interferir ao relatar um fato ou transmitir algum tipo de informação. Ele me contou que a apresentação foi boa, que foi mais energética do que a que tinha presenciado em Tokyo à alguns anos atrás. Comentou sobre o costumeiro "unifome" de Zorn, calça militar camuflada, que Dave Douglas tinha envelhecido bastante desde a última vez que o viu e que o Joey Baron por ser careca, não mudou muito. Gostou das variações dos temas do Masada e questionou que possivelmente os incidentes com a organização e parte do público influenciaram Zorn a tocar furiosamente seu já costumeiro incendiário saxofone alto.
Mesmo o Masada ter vindo de uma estafante série de apresentações na américa do sul quase sem pausas, no estilo Do It Yourself (Zorn cuidou pessoalmente do managing do grupo), isso não interferiu na performance do Masada, que ofereceu o seu melhor.
Mas o motivo deste post foi a série de comentários á respeito dos incidentes e principalmente alguns comentários em particular que estão no post do weblog Free Form, Free Jazz de Fabrício Vieira. Chamaram o Fabrício de elitista, que exigia um protocolo, etiqueta e procedimentos extremamente rígidos, descabíveis para o público do local. Ora, francamente, quem tem 100 mangos para bancar uma "balada"(isso mesmo, pra muitos era apenas uma balada), teve acesso à educação e sabe ou deveria se comportar de forma coerente. A apresentação do Masada não é um show do Spinal Tap, nem sempre todo show é "rockenrrou", latas de cerveja amassadas na testa e as entoadas guturais da platéia. Às vezes nos sentamos para contemplar, ouvir música, pelo fato de tal tipo de música necessitar um grau diferente de atenção.
No mais, como Zorn tem apenas o compromisso de fazer o seu melhor em relação a arte e não paparicou e nem fez média com o brazilian people (precisamos erradicar essa visão de que o brasileiro é um povo especial e que merece um tratamento diferenciado dos gringos, pois somos todos iguais) e ainda por cima escarrou no "pobre" espectador e ganhou o apodo de esnobe e antipático. Misericórdia, se o gringo que vier ao Brasil não falar "i love samba, Pelé, Brazil!", não visitar um ensaio de escola de samba e tomar uma caipirinha, ele se torna uma persona non grata...
Bem, como senti a necessidade de falar sobre isso, não vou me estender mais do que isso, só lamento pela mentalidade das pessoas, que se tornam cada vez mais cruéis, irresponsáveis, incoerentes e intransigentes. Em resumo, o brasileiro em geral assemelha-se à uma criança mimada e mal educada, que gosta de hostilizar e fazer chacota de todo mundo, mas quando alguém faz qualquer observação, esperneia e diz que está sendo alvo de discriminação, preconceito, injustiça. etc.
No mais deixo o link do post sobra o Zorn no weblog do Fabricio Vieira e friso uma atenção aos comentários do leitor no post em específico:
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sábado, fevereiro 11, 2012
Sorry John Zorn, i can't see you soon...
People say: Ho! Bring the noise! Estou ouvindo um ruído sobre a vinda de John Zorn ao Brasil. Me lembro quando ele veio pela primeira vez no final dos anos 80 e só ouvia falar de um saxofonista de jazz que tocava com a camiseta do Napalm Death. Aquilo me agradou muito, pois a imagem do jazz por aqui naquela época era de um bando de coroas esnobes bebendo whisky e se sentindo no topo do mundo. Naquela época eu era um adolescente que já estava contaminado pelo underground e vibrei com a "afronta" do desconhecido Zorn (para mim), diante dos coroas do jazz. Mas para um moleque era inviável ir à um festival caro patrocinado por uma marca de insalubridade.Passaram os anos e hoje compreendo a obra musical de John Zorn e ela é relativamente acessível no mundo virtual. Sim, seria um prazer presenciar Zorn em uma apresentação ao vivo. Mas como em boa parte dos casos, existe um considerável porém.
Primeiro lugar, o preço: R$100,00. Muita gente vai me argumentar que no caso é o Zorn, que é uma oportunidade a qual seja possível não ter novamente e blá, blá, blá... Não vem ao caso questionar a qualidade de sua arte, pois é ridiculamente óbvia. O porém reside na confecção desta "grande oportunidade", ou melhor, de oportunismo. O lance nem é de grana, pois Zorn não esbanja simpatia no mercado fonográfico no mundo inteiro. Sim, mesmo no Japão, onde é comum e sólido o circuito de música não convencional, meu amigo sempre consegue comprar discos de Zorn e seu selo Tzadik numa espécie de baciada, a preço de banana. As condições da vinda de Zorn me soam muito mal mesmo, envolve um exclusivismo abominável na noite dita underground paulistana. Alguém vai me dizer que se lasque o local, as pessoas que estão agenciando e o que importa é que Zorn está vindo! Pois é, acho que deixei-me influenciar demais por certas ideologias quando estava mais ativo nos segmentos underground, como heavy metal e hardcore, que impossibilitam-me de abstrair-me de certos poréns e usufruir de certos prazeres. Ainda mais vivendo em um mundo cercado de capitalismo por todos os lados, muitas ideologias, como a do punk, acabam se tornando um tiro no pé.
Mas fazer o que? Na minha escolha pessoal, eu não vou abrir uma exceção. Numa ilustração mais dramática, eu não vou meter os canos pra pipar uma pedra. É isso mesmo, soa radical demais, não? Eu abro mão. Os straight-edgers preferem não beber, assim como a maioria dos evangélicos, que além disso, abrem mão do desejo por um breve momento e só desfrutam dos prazeres do sexo com uma única pessoa que escolheram para amar até o fim. A vida nos oferece sempre escolhas e muitas vezes elas são cruciais e não há meio termo.
Posso viver sem isso e continuar a ser feliz? Sim! Sem dúvida nenhuma! E outra, creio que possa surgir uma outra oportunidade de ver um show do John Zorn sem ter que compactuar com algo que vai contra minha ideologia, da mesma forma que acabei tocando com Han Bennink e Sabu Toyozumi sem vislumbrar uma possibilidade de isto acontecer e ainda sem ter que deixar de lado minhas convicções sócio-políticas e morais.
Olha só, uma coisa eu concordo com que uma pessoa disse sobre punk e hardcore (mas isso independe de estilo ), que se alguém um dia curtiu punk e hardcore e hoje em dia não curte mais, é porque nunca foi.
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domingo, janeiro 22, 2012
Sabu Toyozumi, Rodrigo Montoya e Thomas Rohrer no Otto Bistrot (30/01/2012)
Na última segunda-feira do mês de Janeiro teremos novamente o prazer da presença de Sabu Toyozumi, que se apresentou por aqui no mês de Dezembro de 2011. Toyozumi se apresentará com um trio formado pelos integrantes do pioneiro projeto grupo de Improvisação Livre brasileiro, que são Rodrigo Montoya, violão e shamisen e Thomas Rohrer, rabeca e saxofone. Sabu também toca o erhu, instrumento de corda tocado com arco, de origem chinesa. Com certeza será uma apresentação com música livre e criativa sem decepções, pois os três músicos possuem uma identidade própria e um trabalho consistente. E como se não fosse suficiente esses motivos para prestigiá-los, o concerto será realizado em um local agradável, acessível tanto fisicamente (bem perto do metrô Paulista), às 21:ooh, como financeiramente (apenas R$5,00). Se você tem interesse e prazer de ouvir música criativa, ousada, compromissada apenas com a arte, já começou o ano de 2012 ganhando esse presente.local: Otto Bistrot - Rua Pedro Taques, #129;
horário: 21:00h
preço: R$5,00
segunda-feira, janeiro 09, 2012
Abaetetuba na Galeria Coletivo
Nesta última sexta-feira dia 6 de Janeiro de 2012 aconteceu a reunião de todos os membros do grupo pioneiro de improvisação livre no Brasil, o Abaetetuba, que contou com Antonio "Panda" Gianfratti (percussão), até então o único que permaneceu no Brasil da formação original, Rodrigo Montoya (shamisen, violão), que retorna a São Paulo após um período na Inglaterra, Yedo Gibson (saxofones) e Renato Ferreira (saxofone e contra-baixo), que residem atualmente na Holanda, Thomas Rohrer (rabeca), que também reside em São Paulo e Luiz Gubeissi (contra-baixo), que recentemente retomou sua trajetória musical junto ao grupo. Faziam bons anos que o Abaetetuba não se apresentava com todos os seus integrantes por aqui. Foi um belo presente para mim em particular, poder prestigiar música extremamente criativa, feita por amigos e ainda a três quadras de minha casa. Também participaram da apresentação, Alfredo Genovesi (guitarra) e Sandra Pujols (voz), que são membros da Royal Improvisers Orchestra, fundada por Yedo na Holanda, que se apresentou pela primeira vez no Brasil, no Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Juventude e Espaço Serralheria.Nada mais estimulante e justo como ter o Abaetetuba abrindo o ano de 2012 para a improvisação livre no Brasil, que está no início de uma longa caminhada para se consolidar como voz ativa no cenário musical brasileiro, que necessita urgentemente expandir seus horizontes, romper inclusive com os novos clichés do distorcido e recente cenário underground ou independente nacional, que tem o triste histórico de sabotar a si próprio. Que a improvisação livre possa existir e se estabelecer por si só e podendo contar com a colaboração de outras áreas, para que a improvisação livre soe livremente, mas não com uma estrutura improvisada.
terça-feira, dezembro 13, 2011
Sabu Toyozumi e Abaetetuba (17/12/2011)
Sábado dia 17/12 às 17:00h no b_arco centro culturalSabu Toyozumi: bateria (Japão) se apresenta com membros do coletivo ABAETETUBA:
Rodrigo Montoya: shamisen,violão
Thomas Rohrer: rabeca,sax
Panda Gianfratti: percussão
Luiz Gubeissi: baixo acústico
b_arco | RUA DR. VIRGÍLIO DE CARVALHO PINTO, 426 - tel.:(11) 3081-6986
(entre Teodoro Sampaio e Arthur de Azevedo)
Entrada R$10,00.
Obs.: o concerto começa no horário marcado.
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segunda-feira, dezembro 05, 2011
Amsterdam invade São Paulo (13,14,16,17/12/2011)
Royal Improvisers Orchestra – Holanda, sob a direção do saxofonista brasileiro radicado em Amsterdam, Yedo Gibson, se apresenta pela primeira vez em São Paulo no Centro Cultural São Paulo para lançar um disco gravado ao vivo na Bimhuis de Amsterdam, com participação do baterista holandês Han Bennink (que participou do último grupo de Eric Dolphy, além de outros grandes músicos do jazz norte americano e do cenário de improvisação livre e free jazz europeu), fechando o Festival Internacional de Improvisação realizado este ano. Também se apresentará no Centro Cultural da Juventude e no Espaço Serralheria com concertos em diferentes formações trios, quartetos e quintetos formados com improvisadores brasileiros.
A Royal Improvisers Orchestra conta com 13 músicos oriundos de diferentes países e gêneros musicais, como o jazz, o punk e a música barroca, e é atualmente um dos mais representativos da nova geração de improvisadores dos Paí
ses Baixos.
Dia 13/12 (terça-feira), a partir das das 19:00h
#1
Marcos Baggiani (bateria)
Rubens Akira (clarinete baixo)
#2
Luiz Eduardo Galvão (guitarra)
Felicity Provan (trompete)
Renato Ferreira (baixo acustico)
Sandra Pujols (voz)
#3
Yedo Gibson (sax)
Panda (bateria)
Mikael Szafirowski (guitarra)
Dia 14/12 (quarta-feira), a partir das das 19:00h
#1
Marie Guilleray (voz)
Thomas Rohrer (rabeca e sax)
Marcio Gibson (bateria)
Renato Ferreira (baixo acustico)
#2
Rodrigo Kouve (shamisen)
Romulo Alexis (trompete)
Oscar Jan Hoogland (clavicorde elétrico)
Marcos Baggiani (bateria)
#3
Onno Govaert (bateria)
Flávio Lazzarin (bateria)
Andre Calixto (sax)
John Dikeman (sax)
Local:
Espaço Serralheria: Rua Guaicurus, #857 - Lapa, São Paulo
entrada: R$10,00
Dia 16/12 (sexta-feira)
Local:
Centro Cultural da Juventude (CCJ)
Av. Deputado Emílio Carlos, #3.641 - Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo
entrada: grátis
Dia 17/12 (sábado) | às 19:00h
Local:
Centro Cultural São Paulo (CCSP): Rua Vergueiro #1000 - Paraíso, São Paulo
entrada: grátis
Info:
Improvisação Livre na Serralheria (09/12/2011)
Fazendo parte da vinda de Sabu Toyozumi e membros da Royal Improvisers Orchestra, Yedo Gibson e Michael Swafirowski, para oficinas e apresentações no Centro Cultural São Paulo, também participarão desta sessão de improvisação livre com músicos brasileiros.Local:
Espaço Serralheria
Rua Guaicurus, #857 - Lapa, São Paulo às 23:00h
Rua Guaicurus, #857 - Lapa, São Paulo às 23:00h
R$15,00.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Série de Encontros de Improvisação Livre - 26/11/2011
O músico e improvisador Antonio Panda Gianfratti junto de seu projeto Abaetetuba inicia uma série de encontros musicais de improvisação livre em São Paulo no Teatro da Garagem, craido pela atriz Anete Naiman, que apresentará uma peça de sua autoria, Os Imprestáveis com o ator Jose Trassi.Sábado, dia 26/11 às 19h
Teatro da Garagem
Rua Silveira Rodrigues, #331 - Lapa, São Paulo, SP
tel.: 9122 8696
-Apresentação da peça teatral às 19:00h - ingresso R$10,00;
sexta-feira, abril 29, 2011
Apresentação dos participantes da Oficina de improvisação livre no CCSP (24/04/2011)
Oficina de improvisação livre em música com a regência de Chefa Alonso (sax soprano e percussão). Além de atuar em festivais internacionais de improvisação por toda a Europa, a instrumentista espanhola desenvolve uma intensa atividade didática, ministrando oficinas e workshops. Com duração de quatro dias e uma apresentação dos alunos ao final, esta oficina visou proporcionar aos participantes a experiência de tocar improvisação em uma formação orquestral, na qual se possa trabalhar não apenas técnicas do instrumento, mas também noções de regência. Chefa Alonso é integrante da LIO (London Improvisers Orchestra), FOCO (Orquesta de Improvisadores de Madri) e OMEGA (Orquesta de Música Espontânea da Galícia), sendo ainda cofundadora e diretora da Orquestra Entenguerengue, com músicos improvisadores da Andaluzia. A apresentação do resultado dos quatro dias de oficina ocorreu no domingo, 24/4, às 21h na Sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo.
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segunda-feira, dezembro 13, 2010
E finalmente Ken Vandermark passou por aqui!
Eu poderia falar de outras pessoas também, mas não pude comparecer na apresentação de Han Bennink e Phil Minton no dia seguinte ao trio Vandermark, Ex e Sanders. Phil Minton eu já tinha me encontrado tempos antes e até demos um passeio pelo centro de São Paulo, junto dos meus queridos Lauro, Tiago e Thomas que providenciaram tudo. Bennink eu só fui apresentado pelo Marcio, mas tive que sair rapidamente por outros compromissos. Para quem gosta de jetset, estava um banquete farto, grandes improvisadores alí, bem pertinho e acessíveis. É isso que as pessoas tem que começar a ver, esta comunidade mundial musical não dá espaço a escalões, nomes, celebridades e fama. Aqui no Brasil não, é tudo na base de: "Quem é você? Com quem você tocou? Você é amigo de quem?" Aí veja e ouça o que acontece por aí, um bom número de músicos que nem sempre tem a técnica que tanto exaltam e não tem um mínimo de criatividade. Lá fora não, é: "Você é criativo, vamos tocar" e só, não importa de que toca tenha saído.Não vou comentar sobre a apresentação em sí, a não ser que foi a primeira e muito esperada vinda de Ken por aqui e sua primeira performance com Luc. Mark e Luc já se sentem à vontade em São Paulo. Três improvisadores experientes e criativos que estavam em sintonia para partir do nada naquele palco fizeram o que me parecia óbvio e simplesmente se confirmou, um maravilhoso encontro musical.
O engraçado é que eu olhava para o Ken alí tão perto extraindo o seu melhor no saxofone e não conseguia fazer analogia com o Vandermark que ví na Jazz Times, Wire, nos videos do YouTube, do V5, do Chicago Tentet, nomeado MacArthur Fellowship, etc. Parecia que eu fui ver um amigo das antigas tocar e agora mora em outra cidade e não encontrei mais. Ken Vandermark é o que você vê na foto, o mesmo sujeito de camisa xadrez, calmo e gentil, daqueles que não dava trabalho na escola, amigo de todo mundo, mas reservado. A música? Ora, ela foi absorvida e ficará na memória, não nota por nota, mas como Monet, ficará a impressão daquela noite.
Aqui deixo as palavras que o próprio postou no facebook:
Ken Vandermark
12/10: 1st concert in Brazil, Sao Paulo w/Mark Sanders and Luc Ex. Hard work but we got results- Luc had his bag lost by the airline, all of his pedals were in it, so he was struggling w/the bass sound, and I felt like I was struggling with my tenor all night. Fantastic audience, standing ovation and encore.
Ken Vandermark Hi Rubens- Great to meet in person finally, and very happy you and your friends enjoyed the concert in Sao Paulo- it was amazing to be there! Porto Allegre was fantastic too; I hope that I can get back to Brazil soon!
Aliás o que eu lembrarei também, é que foi um dia que encontrei muitos amigos, até tive tempo de bater um papo com o Gastão e o Massari na lanchonete, sobre Iron Maiden, Chris Cutler, John Zorn... É! Rock não é inferior ao free jazz e free improvisation (o jazz foi foi libertado e qualquer um é livre para improvisar).
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sábado, dezembro 04, 2010
Ken Vandermark, Mark Sanders, Luc Ex em São Paulo dia 10 de Dezembro
Nesta semana, temos oportunidade de prestigiar pela primeira vez no Brasil, um dos artístas mais expressivos da atualidade, que tem suas raízes no que se condicionou a chamar de jazz. Ken Vandermark vem do tradicional reduto onde este tipo de música avançou por campos mais ousados, que é a cidade de Chicago. Um dos seus maiores representantes era o grande saxofonista Fred Anderson e seu bar Velvet Lounge, que abrigou a mais ousada música de Chicago durante muitos anos.Vandermark cresceu ouvindo o jazz tradicional e o mais ousado através de seu pai, que o levava às apresentações e sempre deixava o estéreo ligado em sua casa. Vandermark iniciou no trompete, mas logo decidiu pelo saxofone tenor e o disco Tenor de Joe McPhee teve importância crucial em sua decisão por fazer uma música mais livre. Vandermark desenvolve dezenas de projetos simultâneos, sendo que o Vandermark 5 é o principal deles. Faz o intercâmbio com os improvisadores da Europa constantemente, tendo constantes parceiros, músicos como Peter Brötzmann, Paal Nilssen-Love, Mats Gustafson, entre tantos. Nos últimos anos, adicionou o
saxofone barítono ao lado do tenor, clarinete em Bb e clarinete baixo. Vandermark tem uma característica única, que dialoga com a música popular contemporânea, como pode ser constatada nos seus projetos Spaceways Inc. e Powerhouse Sound, que exploram os territórios do rock, funk, hiphop e reggae.Mark Sanders é um percussionista que tem papel essencial no cenário da improvisação livre e colaborou com os mais criativos imnprovisadores da Europa, como Evan Parker, John Butcher, entre tantos outros. Já esteve por aqui se apresentando com o pianista Veryan Weston e Luc Ex, ao lado do grande pioneiro na improvisação livre no Brasil, o percussionista Antonio Panda Gianfratti, que além de ser um artísta de expressão e criatividade, é um amigo especial.
Luc Ex fez parte de um dos mais expressivos grupos do underground, o holandês The Ex, que saiu de suas raízes do chamado anarco-punk para explorar o território livre da improvisação. Participou de projetos com Tom Cora, Phil Minton, Veryan Weston, etc.
Ken Vandermark, Mark Sanders, Luc Ex
- Centro Cultural São Paulo dia 10 de Dezembro às 19:00h
Rua Vergueiro, 1000 - Metrô Vergueiro - São Paulo, SP
Entrada franca (retirada de ingressos: duas horas antes da sessão)
- Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)
Para saber mais sobre os músicos, acesse:
http://www.kenvandermark.com/
http://www.marksanders.me.uk/
http://www.lucex.nl/
sexta-feira, novembro 19, 2010
Todo mundo ama o Ornette
Neste último domingo do mês de Novembro o quarteto de Ornette Coleman se apresentou no Sesc Pinheiros num final de tarde quente e ensolarada.Não pude deixar de observar a mudança ocorrida na rua Paes Leme que hoje abriga o Sesc. Antes, à vinte anos atrás, neste mesmo local e na mesma hora, a rua estaria tomada de outro público, que frequentava o extinto salão Asa Branca, onde rolavam os bailes. Os termos eram diferentes, os bailes, que eram funk, não tinham nada haver com o que se hoje fala do baile funk. Não tinha esse negócio de "baile black" e "manos" e o tal do funk carioca. Vários jovens eram chamados de "função", trajavam camisa polo (ou as famosas camisas de vôlei azul do time Pirelli com gola), calça jeans com a barra alargada com uma tira de couro (as famosas "pizzas") e o cabelo escovinha (corte com máquina bem baixinho e se fazia um vinco no lado esquerdo ou direito no topo, como se fosse uma divisão no cabelo). O pessoal não era tão chegado em rap, no máximo curtiam um Zapp, Kurtis Blow, Whodini. Se o público do Sesc estivesse alí naquele tempo, teriam saído correndo temendo um arrastão. Neste domingo, era um desfile de smartphones, tênis importados e predominância de pessoas "brancas", de classe média.
Bem, vamos ao Ornette. Confesso que não tenho mais aquele frenesi por conta de um show internacional, tanto que já estava tranquilo de não ver o Ornette porquê não tinha dinheiro para comprar o ingresso, que se esgotou rapidamente bem antes. Mas fui abençoado com um par de ingressos e fui com minha amada. Cheguei na hora marcada, afim de não ficar naquela "sala de estar" deste tipo de evento, onde todo mundo "ama" o Ornette. Sim, pois a maioria do público nem dava bola para o que o Ornette andou fazendo nestes últimos anos e se falavam alguma coisa, era de seu passado, do quarteto com Don Cherry, Charlie Hadden e Billy Higgins ou Ed Blackwell, de Lonely Woman ou Free Jazz. Eu não estava afim de ver o mito, o ícone e sim, apenas boa música (This Is Our Music)...
O auditório estava cheio e animado, parecia um público de show de rock, com gritos, palmas e assovios inflamados. Num momento, alguém gritou: "Ornette eterno!!!". Alguns ignoram seu valor artístico e apenas enxergam um velhinho negro americano do jazz e suprem suas carências de entretenimento.
Ornette executou várias composições conhecidas de sua carreira, mas de forma diferente do formato original, tornando-as vívidas, vibrantes, emocionantes, com o frescor de sua criação. Bem diferente de ver o Paul cantando Sg. Peppers. Não tinha este aspecto museológico, definitivamente. Ornette continua o mesmo agora com um saxofone alto de qualidade, pois aquele famoso de plástico branco, era por conta da falta de dinheiro para comprar um melhor. Não perdeu sua técnica pelo avanço e limitações físicas da idade, seu som soa tão bom quanto naqueles tempos. Denardo, seu filho, que estreou ao lado com 10 anos de idade na gravação Empty Foxhole e está também em exelente forma e técnica na bateria. Ouve um momento em que acabou a luz na região e eles tocaram Lonely Woman no escuro e sem amplificação, até voltar a energia elétrica. O público foi ao delírio. No final o quarteto ficou um bom tempo recebendo o público à beira do palco.
Mas o que mais me emocionou foi presenciar pai e filho partilhando música com o público, não importava se eram Ornette e Denardo Coleman.
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quarta-feira, novembro 10, 2010
FIIL 2010 FESTIVAL INTERNACIONAL ABAETETUBA DE IMPROVISAÇÃO LIVRE
Dias 13 e 14 de Novembro no CCSP sala Ademar Guerra, entrada franca:John Edwards - contrabaixo (Inglaterra);
Saadet Türköz - voz (Turquia);
Raymond MacDonald - saxofone (Escócia);
Ricardo Tejero - clarinete e saxofone (Espanha);
Michelle Agnes - piano (Brasil);
Thomas Rohrer - rabeca/saxofone (Suiça/Brasil);
Panda Gianfratti - percussão (Brasil).
Apresentações:
Sábado: às 20:00h;
Domingo: às 19:00h.
Oficinas:
Sábado: dia 13, às 12:00h com Ricardo Tejero e às 15:00h com Saadet Türköz;
Domingo: dia 14, ás 12:00h com Raymond MacDonald e ás 15:00h com John Edwards
Clique no Link http://fiil2010.blogspot.com/ e confira todas as informações, releases dos músicos participantes, fotos, videos e textos, ou consulte a programação de novembro do Centro Cultural de São Paulo.

quinta-feira, setembro 30, 2010
Encontro Musical de Free Improvisation Internacional - 01/10/2010
segunda-feira, setembro 06, 2010
Improvisação Livre Musical com Luo Chao-Yun, Michelle Agnes, Thomas Rohrer e Panda Gianfratti no CCSP nesta sexta feira dia 10/09/2010
Convite para concerto de Improvisação Livre Musical: A musicista taiwanesa Luo Chao-Yun que toca pipa, tradicional instrumento de cordas chinês vem se juntar ao Trio com Thomas Rohrer (sax e rabeca) , Michelle Agnes (cravo) e Antonio Panda Gianfratti (percussão).As peças serão compostas expontaneamente no instante da apresentação, e a relação entre os instrumentos terá um carater inédito. O espaço foi arquitetado pela sua ambientação sonora, e o som será absolutamente acústico, com a presença próxima do publico, gerando uma atmosfera de intimismo.
Apresentação:
Dia 10/9 - sexta às 21h Entrada franca (retirada de ingressos: duas horas antes de cada sessão) - Espaço Cênico Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo, metrô Vergueiro.
sábado, setembro 04, 2010
Ivo Perelman Quartet em São Paulo dias 9, 10 e 11 de Setembro

Bem, desta vez eu não fazer nenhum post, apenas vou republicar o que o Fabricio Vieira escreveu em seu blog Free Form, Free Jazz:
Ignorar um quarteto excepcional: um crime (inafiançável) contra os ouvidos e a alma
Esse quarteto, recém-reunido, faz sua estreia mundial em SP: nem norte-americanos nem europeus já viram esses caras juntos. E, percorrendo sites, blogs, twitters e afins, o que parece é que nada acontece. Com solitárias exceções, como a do antenado Vagner Pitta, do Farofa Moderna, nada tem sido dito.
A recente passagem de Pharoah Sanders gerou muito alvoroço dentre os que dizem s e interessar pelas alas mais radicais, experimentais e inventivas do jazz. Mas isso não surpreende: como tanto disseram por aí, Pharoah foi um dos últimos parceiros de Coltrane (então, vamos vê-lo! Simples assim, como se esse fosse seu único e grande mérito...). E esses caras? Tocaram com quem?
Esse quarteto-fantástico fará dois shows no Sesc das proximidades (Pompéia e Osasco) e mais um no interior (Bauru). E quem tem comentado? O problema deve ser de ignorância mesmo: ignora-se quem seja Matthew Shipp ou Joe Morris: simplesmente dois dos maiores criadores de sons vivos, que deveriam estar fazendo a apresentação principal de qualquer um desses ‘festivaizinhos de jazz’ que pipocam Brasil afora, estimulados apenas porquê “é fino ouvir e falar de jazz” e não devido à relevância das criações musicais brotadas nessa seara. O mais lamentável é que verba não é problema: afinal, todo ano Diana Krall, Madeleine Peyroux e John Pizzarelli estão tocando nas redondezas _e duvido que seus cachês sejam menores que os dos protagonistas dessa gig inacreditável que teremos a oportunidade de ver... Então, tudo resume-se à ignorância de muitos de nosso produtores, inconscientes do que ocorre no mundo contemporâneo do jazz _se estiver fora do âmbito (da lista de melhores) da Down Beat então... E quando alguma abençoada alma resolve trazer o que realmente importa, poucos notam.
Não estamos aqui falando de Brotz e seu “Full Blast” ou de Mats e o “The Thing”, com seus pesos roqueiros que, fatalmente, espantam o público médio. Pensemos em Matthew Shipp e a abrangência de seu trabalho. Sempre com genialidade e gosto apurado, Shipp tem se tornado um dos nomes do jazz mais abertos a novas sonoridades: gravou com os rappers do Antipop Consortium, os campos eletrônicos do DJ Spooky e o psy-guitar de J.Spaceman (sim, Jason Pierce, do Spacemen 3). Além disso, há o seu ‘NuBop’, grupo altamente moderno e sedutor. Neste ano, por exemplo, Shipp tem conduzido uma turnê em piano solo. Quero dizer: um cara como ele poderia já ter desembarcado por aqui em diferentes contextos, protagonizando festivais diversos. E quando chega a hora de o vermos, parece que apenas mais um pianista está para tocar em mais um show semanal do Sesc...
Sobre o Ivo Perelman, já falei mais extensamente por aqui (o post de abertura desse espaço foi dedicado à obra dele). Como que o mais importante nome do sax, do jazz, do free jazz, da improvised music já nascido no país NUNCA foi convidado para tocar em um desses ‘festivaizinhos’? Ia espantar o público com sua ruidosidade? Não valia à pena correr um risco desses? Mas Arte é risco! Música é risco! Jazz é risco! Sem isso, tanto esforço criacional não faz sentido. Quem quer o mesmo, que pague (até) R$ 720 (!!) para ver o Irvin Mayfield tocar sua ‘homaggio’ a Basie e Duke: não tenho dúvidas de que irá esgotar. Afinal, se custa US$ 400 não pode ser ruim...
Para quem a ficha ainda não caiu, sobram ingressos para as apresentações de quinta (09), (10) e sábado (11), por apenas R$ 12 e R$ 16 (meia, a R$ 6 e R$ 8). Nossos ‘produtores’ deveriam ir também, sentir um pouco do que está acontecendo no jazz atual e, quem sabe, descobrirem que existem figuras como William Parker, Ken Vandermark, Susie Ibarra, Assif Tsahar, Evan Parker, Anthony Braxton, David S. Ware, Hamid Drake, Joe McPhee, Marilyn Crispell, que fazem a música permanecer viva e jamais pisaram por essas terras.
Apresentações:
09/09 | SESC Pompéia 21h;
10/09 | SESC Bauru 20h;
11/09 | SESC Osasco 20h.
R$ 12,00 (inteira);
R$ 6,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante);
R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
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