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segunda-feira, janeiro 27, 2014

Arthur Doyle & Hamid Drake ‎– Your Spirit Is Calling (2004)

Corpo, alma e espírito de Arthur Doyle se despedem deste mundo neste último 25/01/2014. Pra variar, enquanto estava entre nós, pouquíssimas pessoas se importaram ou tomaram qualquer conhecimento deste músico, contemporâneo de outro que se foi, Kalaparusha Maurice McIntyre. O Sonorica já dedicava um espaço para pessoas como Doyle, Glenn Spearman, Arthur Rhames, Frank Wright, pessoas que contribuiram de forma muito especial e significativa para a música criativa universal. Enquanto muitos regorgitavam sobre nomes que já tem o seu mérito e reconhecimento, Doyle ainda contribuía com sua arte sendo ignorado até pelo público especializado que contradiz a própria música que consomem, desbravar novos horizontes. Até quando a "discoteca básica" (detesto este termo) do dito free jazz deste povo se resume à Coltrane, Sanders, Ornette e arriscando Taylor? Enfim...
Eu só posso mesmo é homenagear Doyle divulgando a sua arte e neste dia em especial, homenagear também e principalmente um grande músico que graças à Deus ainda está vivo e em plena atividade, o grande músico Hamid Drake, The Mighty Hamid!
Trane e Rashid não foram os primeiros, mas tornaram célebre esta configuração de duo, onde literalmente o menos quer dizer mais, um formato que exige muito de um músico em termos de criatividade e até fisicamente falando. Não há mérito nenhum reservado para o Sonorica, apesar do falecimento de Doyle, continua como antes, sempre que possível divulgando a sua arte, e se ele ainda estivesse entre nós, nada mudaria por aqui, vez ou outra haverá posts dedicados à sua arte, sua poesia, sua música.
É uma mistura de sentimentos começar este ano falando de Arthur Doyle nestas circunstâncias, mas o que importa é celebrar a sua música, apesar de tudo...
Nos comentários.

terça-feira, novembro 20, 2012

Pete La Roca (Peter Sims) 07/04/1938 - 19/11/2012


Peter Sims adotou o nome Pete La Roca quando tocava timbales nas chamadas latin bands. Entre 1957 e 1968 trabalhou com Sonny Rollins, Jackie McLean, Slide Hampton, John Coltrane, Marian McPartland, Art Farmer, Freddie Hubbard, Mose Allison, Charles Lloyd, Paul Bley, Steve Kuhn entre outros.
Sua primeira gravação como líder foi Basra (1965), pelo selo Blue Note, com Joe Henderson, Steve Swallow e Steve Kuhn. O segundo título com suas composições foi Turkish Women at the Bath (Douglas, 1967), que também foi lançado como Bliss! (Muse 1968), sob o nome de Chick Corea, que participou deste disco.
Por conta deste lançamento sem a sua autorização, Pete deixou a música para se tornar advogado e só retornou à música em 1979. Gravou um album como líder entitulado de Swingtime (Blue Note, 1997).
Clique aqui, para a discografia detalhada de Pete La Roca.

sábado, maio 05, 2012

Beastie Boys, Adam Yauch e MTV Get Off The Air

Como tinha dito anteriormente, a world wide web nos permite acessar dados simultaneamente com suas fontes de origem. Já começou a onda de choque sobre o falecimento de Adam Yauch ou MCA, do Beastie Boys. Desde as primeiras horas da manhã desta última sexta-feira vieram as notícias da imprensa norte americana sobre o fato. Foi estranho receber a notícia pois não tinha acompanhado mais qualquer assunto sobre o grupo. Nesta manhã de sábado, assisti algo no canal de UHF especializado em música, lí os comentários, imagens, videos na rede social e até então relutei em escrever algo sobre Beastie Boys e MCA.
Me lembro quando ouvi o Beastie Boys pela primeira vez no programa de videoclips da tv Gazeta, o Clip Trip. Era a música No Sleep Till Brooklyn. Achei o máximo! Eu já não era mais um B-Boy quando conheci o break em 1982 e estava engajado no heavy metal. Como não tinha deixado de gostar de hiphop, quando vi o Beastie Boys meio que misturar os dois estilos que eu gosto, (inclusive a música em si tem a participação do Kerry King, guitarrista do Slayer) curti na hora. Logo em seguida foi veiculado o video da música (You Gotta) Fight for Your Right (To Party), que era ainda mais crossover com o rock pesado. Não deu outra, fui atrás do disco nas lojinhas do bairro, o que era fácil tarefa, o meio dos anos 80 foi generoso com os lp's, dentro do possível na época, sem internet e defasagem de informação musical, se podia encontrar uma grande variedade de títulos, inclusive nomes obscuros para o mercado fonográfico brasileiro, como Laibach, 45 Grave, T.S.O.L., etc. Então comecei a desvendar os detalhes do Licenced To Ill. Era produzido por Rick Rubin, que tinha produzido LL Cool J, Run DMC, Public Enemy, The Cult e é claro, o disco Reign In Blood do Slayer. O disco já abria com a pesadíssima Rhymin & Stealin com o riff de guitarra da música Sweet Leaf do Black Sabbath e o sampler da bateria de John Bonham. Slow Ride continha sampler da música Low Rider do War (grupo de funk que viria a descobrir no início dos anos 90), Brass Monkey era bem familiar, como era o hiphop do inicio dos anos 80 e o beat clássico do estilo miami bass.
É engraçado como para um adolescente o tempo parece longo, mas já no final de 86 não achava mais sentido em ser um headbanger radical e o tal do estilo crossover vinculado ao hardcore me atraia. Isso implicava com a mudança da indumentária, sim, as roupas portavam uma ideologia além de mera estética. O uso de bonés de baseball, camisa xadrez de flanela, bermudas, skate faziam contraste com o preto, jeans, couro do headbanger tradicional.
Em 1989 é lançado o lp Paul's Boutique, simplesmente um dos tratados do hiphop, o livro mestre do sampling, assim como o 3 Feet High and Rising e De La Soul Is Dead. Paul's Boutique era a trilha sonora ideal para as skate sessions (o final dos anos 80 foi o ápice da 2ªonda do skate no Brasil) ao lado do hardcore. Paul's Boutique por incrível que pareça, passou batido quando foi lançado por aqui.
Então vieram os anos 90. O grunge, o manguebeat, a MTV. Um novo horizonte se abriu para a juventude ligada à música de forma mais contundente. Era possível acessar imagens dos artístas favoritos através dos videoclips e até shows captados e entrevistas. Programas especializados em gêneros, como o heavy metal, hiphop e música eletrônica. O engraçado é que a MTV dos anos 90 tinha um vínculo com a música independente no Brasil. Concorde ou não, o canal de tv UHF teve crucial participação na propagação do grunge e o manguebeat. Mas é claro que isso tudo ficou nos idos anos 90, pois a MTV teve que voltar às suas origens mais tenebrosas, ou seja, ser apenas uma vitrine da indústria fonográfica. Hoje em dia a MTV, é irrelevante e até alheia à música independente e realmente criativa feita neste país. Me lembro quando a tv teve que mudar sua diretriz radicalmente para não fechar o caixa no vermelho, quando passou a veicular videos do CIA do Pagode e É O Tchan. Meu Deus! A emissora que gozava de algo até meio cult, devido aos programas BUZZ, 120 Minutes, Lado B, Liquid Television, abria as suas pernas para ser arrombada pela porta da frente. Desde então a MTV não tem realmente mais nada haver com a música em sí.
Mas voltando um pouco antes do holocausto, em 92 é lançado o disco do Beastie Boys que mudaria grande parte parte da música jovem, o Check Your Head. Já contando com os primeiros passos da internet e a cobertura da MTV no Brasil, o Beastie Boys chegou transtornando o ambiente com os videos So Wat'cha Want e a versão hardcore de Time For Livin' do Sly And Family Stone, revelando a origem do Beastie Boys. De uma hora para outra o Beastie Boys se tornou unanimidade entra vários nichos da juventude dos anos 90, os grunges, os skatistas, indie-rockers, alguns headbangers... É feio mas é verdade: a classe média branca começou a curtir um hiphop. E vou te falar uma coisa, esse negócio de hiphop pertencer à periferia eu sempre achei equivocado, pois me lembro que muito "mano" e "função" nos anos 80 nem gostava de rap. Depois veio o Racionais debochando dos "playboys" e toda aquela contenda infrutífera que quase todo mundo já sabe...
Mas o caso é que Adam Yauch morreu de forma cruel, de câncer e não de forma estúpida como Tupac Shakur. Mas Easy-E também morreu doente. Acontece que Adam ou MCA foi instrumento de grandes mudanças e benefícios para a música através do Beastie Boys. Mas agora é tarde, MCA is dead, MCA is deaf... Precisamos seguir em frente como forma de respeito ao seu trabalho, assim como outros que ainda respiram boa música.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Jodie Christian (02/02/1932 – 13/02/2012)

Quando se fala na música mais ousada feita em Chicago, é impossível não falar da AACM, o coletivo de músicos criado em 1965 para o desenvolvimento da música de foma livre e criativa. O grupo Art Ensemble Of Chicago e Anthony Braxton são os nomes mais lembrados, mas a AACM é muito mais que isso. O pianista e compositor Muhal Richard Abrams é um dos pilares fundamentais do coletivo e co-fundador, assim como o pianista Jodie Chistian, que faleceu nesta última segunda-feira. Jodie nasceu em Chicago e aos 16 anos já era um pianista profissional. Após ter se apresentado no grupo de Coleman Hawkins em uma turnê e depois com Ira Sullivan, se associaou à Muhal Richard Abrams, Phil Cohran e Steve McCall para formar a AACM. Mesmo Jodie se considerando em suas próprias definições como um "bebop player", avançou para o experimetalismo e a música livre. Isto pode ser constatado no registro The Flow Of Things do Roscoe Mitchell Quartet gravado numa série de concertos em Chicago. Nos anos 70, direcionou-se no ensino musical, lecionando na Lyon & Healy music store's school e programas de ensino do jazz nas escolas públicas de Chicago. Ao longo de sua carreira, Jodie Christian tocou com Eddie Harris, Lester Young, Benny Carter, Johnny Griffin, Gene Ammons, Dexter Gordon, Yusef Lateef, James Moody, Sonny Stitt, Don Byas, Freddie Hubbard, Milt Jackson, Dewey Redman, Von Freeman, Stan Getz e Sonny Rollins.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Sam Rivers (25/09/1923 – 26/12/2011)

Eu realmente não sei qual era o significado do natal para Samuel Carthorne Rivers, nascido em Enid, Oklahoma, mas seu pai era um músico evangélico que lhe apresentou a música desde seus primeiros anos de vida e este foi seu último natal entre os vivos. Não importa quem seja, do anônimo ao famoso, do rico ao miserável, do mediocre ao talentoso, todos voltam ao pó da terra, sem acepção de pessoas. Agora seu saxofone e sua flauta não podem mais modular o ar e criar lindos sons, mesmo que para muitos fosse uma música estranha e que passou desapercebida, sua mente e seu coração não mais se fundem para criar belas músicas, pois para onde Sam Rivers foi, não há obras, não há bandas, orquestras, ele dorme e seu conhecimento desta terra se foi. Nos deixou muitos registros em diversos formatos de midia, a lembrança em vários níveis, dependendo do grau de relacionamento com ele, nos deixa saudades. Agora alguns veículos jornalísticos divulgam uma nota qualquer, outros prestam uma homenagem mais digna. Rivers passou quase incognito por estas últimas décadas e mediocremente é lembrado de sua breve associação com o controverso Miles Davis, que desaprovou sua arte naquele período. Poucos são os que se lembram e reconhecem seu mérito por ter lutado, resistido e sobrevivido nos duros anos 70 em que o tal do free jazz era considerado a escória do jazz, da música, tanto que a maioria dos músicos norte americanos do free jazz, se não se exilaram na Europa, onde houveram melhores e mais dignas condições de criarem sua música, passaram duros invernos tocando em sótãos e porões devido ao fechar das portas e oportunidades para o free jazz, avant-sei lá o que, bem, não importa. Sam Rivers e sua esposa Bea, mantiveram o Studio Rivbea no sótão de sua casa em Lower Manhattan, onde se tornou um dos principais focos de resistência da música livre, ousada e criativa e suas sessões se tornaram célebres e um de seus frutos está registrado na série Wildflowers, que depois de muitos anos, foi reeditado em formato digital.
Não vou me estender sobre sua trajetória, pois tudo não está registrado em publicações na world wide web, gravações, videos, livros e revistas? Basta ter um mínimo de interesse e poderá encontrar informação suficiente sobre Sam Rivers e sua música, basta querer...
Não há mais motivos para tristeza, Sam Rivers desfrutou de sua breve vida, mesmo que sejam longos 88 anos, o que são 88 anos perante a eternidade? Sam Rivers aproveitou todo seu fôlego de vida e fez com amor o que lhe foi dado por Deus, o talento musical. Não ficou inerte esperando que seu talento se manifestasse por sí só, trabalhou, plantou, cuidou e colheu seus doces frutos, com o suor de seu rosto. Não posso me despedir de Sam Rivers, pois ele não pode mais me ouvir, mas agradeço à Deus por Sam Rivers ter nascido 50 anos antes de mim e ter deixado sua música para meus ouvidos.

http://www.rivbea.com/

sábado, junho 11, 2011

Nós não precisamos falar de revolução e muito menos de televisioná-la... (Gilbert Scott-Heron, 01/04/1949 - 27/05/2011)

Fiquei sabendo da partida de Gil Scott-Heron na mesma noite, por conta da agilidade da rede mundial digital. Mas ainda precisava de um tempo para falar sobre ele. Não, definitivamente não queria redigir um texto passional e tolo, dizendo frases a esmo, citando sem o menor fundamento uma de suas mais famosas frases: "the revolution will not be televised", afirmando que era o pré-cursor do rap, que isso, que aquilo, como muitos "jornalistas musicais" de ocasião escrevem porque é pauta do trampo enfadonho deles. Não, definitivamente Gil Scott-Heron não merece ser espetáculo mórbido para pessoas que simplesmente o ignoraram durante tanto tempo.
Então que esses jornalistas procurem falar sobre Jalal Mansur Nuriddin (Alafia Pudim), Abiodun Oyewole, Umar Bin Hassan, Richard Dedeaux, Father Amde Hamilton (Anthony Hamilton) e Otis O'Solomon enquanto estão entre os vivos. Ora, só homenagens postumas?
Por esses dias conversei com um amigo e ele ficou muito sentido em especial pela morte de Gil Scott-Heron e comentamos do impacto de sua arte em nossas vidas. Qualquer sebo de São Paulo se encontrava a compilação em lp "The Revolution Will Not Be Televised" pela mísera quantia de R$1,00, ou a versão em cd com mais músicas, por até R$5,00. Não precisava ser um arqueólogo musical para encontrar Gil Scott-Heron. Sua inconfundível voz grave e elegante destilava belas palavras e, palavras duras ao mesmo tempo. O menestrel tinha muito mais impacto do que um par de coturnos e jaquetas de napa coroados com uma "crista" levantada à sabão (agora esse neymarismo que se vê até entre as crianças...). Sim, o poeta do gueto nos deu uma injeção de ânimo em um momento em que o punk caminhava para um lugar horrível, de plástico colorido, de qualidade extremamente duvidosa, como essas reedições de calçados esportivos de grifes famosas (modelos dunk, sneaker, essas bobagens).
Gil Scott ainda teve tempo de voltar a dizer algo, mesmo depois de um tempo de reclusão devido as abordoadas e armadilhas que este mundo moderno lhe desferiu, de racismo, intolerância, capitalismo, drogas, HIV. O pranto pode durar uma noite, mas o sorriso há de vir pela manhã e, Gil Scott-Heron, continuamos te amando do mesmo jeito. Pedaços de um homem...

p.s.: Será que Sylvester Stewart não vai se recuperar?

terça-feira, março 15, 2011

Joe Morello (17/07/1928 - 12/03/2011)

Joe Morello sempre será lembrado como baterista do pianista Dave Brubeck e Brubeck, ligado à composição Take Five, do saxofonista de seu quarteto, Paul Desmond. Take Five possui uma melodia suave e se tornou muito popular do grande público, até se enquadrando no rótulo comercial easy listening. Mas Take Five em sua sutileza, inseriu uma mudança muito significativa no chamado jazz: os andamentos ternários, junto de outras experimentações que se encontram no disco Time Out, onde se encontra e posteriormente no Time Further Out. Mais uma vez as grandes mudanças no jazz ocorreram no rítmo, mesmo que os bateristas não figurassem com tanto destaque pela mídia. Veja o caso do que se convencionou a chamar de bebop, onde o nome que mais se fala é o do saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie.
Muitos atribuem o posto de inovador dos compassos no jazz à Joe Morello, mas este tipo de acontecimento dificilmente se dá com um pioneiro em específico, pois há muitos músicos que não alcançaram destaque e registro de suas inovações. Mas os que se destacaram neste quesito de usar outros andamentos que eram pouquíssimo usados ou nunca antes usados no jazz, foram Morello e Max Roach, praticamente na mesma época.
Joe Morello começou a tocar bateria aos 15 anos de idade e seu primeiro professor foi Joe Sefcik, baterista atuante no teatro vaudeville na região de Springfield, Massachusetts. Depois de três ansos estudando com Sefcik, Morello vai para Boston, onde estuda com George Lawrence Stone (1886-1967), baterista e educador norte americano que foi autor dos livros Stick Control for the Snare Drummer (1935) e Accents and Rebounds for the Snare Drummer (1961), que são os fundamentos da bateria e considerados como as bíblias do instrumento. Stone foi professor também de Gene Krupa, Lionel Hampton, e Vic Firth (das famosas baquetas).

Stone foi essencial para a formação da técnica apurada de Morello, que dominou os rudimentos da bateria. Isso se pode constatar em suas gravações e apresentações, onde se ouve com nitidez a sua sonoridade cristalina e precisa. Em seus registros em video, esta qualidade fica mais evidente, onde podemos constatar a leveza, precisão e domínio no instrumento.
Com toda certeza Joe Morello deixa um capítulo importantíssimo na música, assinado pelo seu grande talento.

http://www.joemorello.net/

quinta-feira, julho 01, 2010

Rammellzee (?/?/1960 – 27/06/2010)




























Um artísta incrível, ao contrário da longevidade dos dois últimos que escreví neste blog, se foi apenas aos 49 anos de idade. Uma coluna da cultura hiphop e da arte de New York encerra sua trajetória. Se o graffiti que está tão em alta nestes tempos, foi Rammellzee quem o fundamentou na forma como o conhecemos e é um de seus pioneiros. Grafiteiro, rapper, estilista, não importa o "rótulo", e sim a sua arte extremamente criativa. Se quiser conhecer mais sobre o mentor do Gothic Futurism, acesse os links abaixo:


http://www.gothicfuturism.com/
http://www.myspace.com/rammellzee

sexta-feira, junho 25, 2010

Fred Anderson Lives in Our Memories and Hearts! by Jasmine Anderson-Sebaggala

"Hello Family and Friends!

My name is Jasmine Anderson-Sebaggala, I am Fred Anderson's grandaughter. I am writing on behalf of my family. We appreciate the support and prayers for my grandfather, Fred Anderson.
My Grandfather received visits and phone calls from more than 200 people.
People traveled from various cities to visit him.
Thanks for sharing great vibes, stories, food and love.
My grandfather died peacefully on Thursday June 24, 2010 at 3:10 a.m. He was in hospice at The Ark in Park Ridge, IL.
We will miss my grandfather's presence, and cherish our memories of him. He was a humble man that helped and inspired others and loved his family and friends.
The velvety smooth sounds blown from his horn remind me of his dedication, strength and courage.
We will always honor his legacy, work ethic and determination.
Funeral arrangements are pending.

In lieu of flowers, our family asks that donations be endorsed to AIRMW with a memo that it is for the Velvet Lounge Fund and sent to Asian Improv aRts Midwest, c/o JASC 4427 N. Clark St. Chicago, IL 60640.
All proceeds will go to support keeping the Velvet Lounge open and thriving into the future.


Condolence cards and greetings can be sent to:

Jasmine Anderson-Sebaggala
2117 West Howard Street Unit 3D
Evanston Illinois 60602


Sincerely,

Jasmine Anderson-Sebaggala"

Suntimes.com obituary article of Fred Anderson
Musicianguide.com biography of Fred Anderson
Myspace.com of Fred Anderson
The Velvet Lounge

Fred Anderson (22/03/1929 - 24/06/2010)



















sexta-feira, junho 18, 2010

Bill Dixon se retira...


Pois é, o Bill Dixon se foi... como se foram muitos outros. Chegou o seu tempo, não o que nós queremos, mas digamos(independente de questões religiosas), foi o tempo de Deus. William Robert Dixon se foi aos 84 anos de idade maneira serena com seus familiares, depois de lutar por 2 anos de uma enfermidade, segundo o obituário ofcial. Consequências da vida, não se vive para sempre, salvo alguns casos, que se vai um pouco mais longe, mas não para sempre, como o casal turco Abdullah e Elif que chegou até os 113 e 110 anos até o momento. Tiveram uma vida saudável em todos os sentidos. Fred Anderson também não goza de boa saúde, segundo a comunidade de Free Jazz de Chicago a qual recebo notícias diárias. É assim mesmo, o tempo passa, os corpos humanos se desgastam e chega um momento em que a vida carnal tem seu fim, é inevitável. De poucos anos pra cá tenho ouvido falar de Bill Dixon pelas novas gerações, talvez tenha ganho destaque por conta de sua recente gravação com a nova geração, como o também trompetista Rob Mazurek. Mas infelizmente as pessoas não estavam interessadas em pesquisar sobre Dixon, que não tem um material tão difícil de se encontrar. Enquanto o foco estava em outros ícones da música por conta de relançamentos em midia, como John Coltrane, Sun Ra, apresentações musicais como a volta do Art Ensemble Of Chicago, Dixon continuava sua trajetória desde os anos 60. As pessoas mais jovens ficam sentidas quando um veterano morre e muitas vezes é um sentimento um tanto quanto egoísta da pessoa, que quer estar mais próxima de alguma forma, e há uma sensação de perda em vários níveis. Os familiares e amigos naturalmente passam por isso, pois se perde muito mais que um nome ou um som, mas um pai, um amigo... Me lembro quando morreu o baterista Max Roach, o qual conhecí pessoalmente apenas em 2000, depois de começar a conhecer seu trabalho em meados dos anos 90. Ora, Max Roach estava na ativa desde os anos 40. Não fiquei triste com sua morte, pois soube que ele se foi de forma tranquila ao lado da família. Então me deu uma saudade, de ouvir novamente aquela bateria que "falava", de suas opiniões sobre a música em seus depoimentos e entrevistas. Coloquei suas gravações para tocar e apreciar sua arte. Contemplei toda sua obra e pensei comigo mesmo que ele tinha feito tudo que podia pela arte, e foi muita coisa. Deixou um legado, um importante registro na música e ainda ajudou a mudar o rumo dela. Max Roach cumpriu a missão e se foi em paz.
Creio que não foi diferente com Bill Dixon. Não vou aqui regorgitar o que já está publicado em vários tipos de mídia. A sua arte fala por sí só. Quem quiser que ouça o som de seu trompete ou as cores de suas pinturas. Dixon se foi em paz e também cumpriu a missão e deixou um legado. Como na foto acima, Bill abre passagem para outras gerações continuarem a passar pelos corredores e subir as escadas e chegar a outros lugares.

Quem quiser conhecê-lo: http://www.bill-dixon.com/


sábado, março 13, 2010

Geraldão, Geraldinho, Glauco, Raoni, a morte e a solicitude da vida

Sinceramente eu não escreveria nada sobre este fato porque todos os dias, os Joilsons, Josés, Marias e Jabersons tem sus vidas ceifadas neste mundo. Mas como Glauco tinha uma projeção nacional por conta de sua arte, virou notícia.
Fiquei sabendo da tragédia poucas horas após os homicídios terem se consumado, por conta da rede mundial de computadores. A primeira coisa que me veio ao coração foi um versículo da epístola do apóstolo de Jesus, Tiago, que diz assim:
"Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece."
Lembrei-me das poucas vezes que encontrei com o Raoni nas minhas andanças pelo bairro de Pinheiros e depois de alguns anos quando ele estava bem engajado em certo grupo espiritual. Um rapaz precoce, que eu pensava comigo: caramba o Glauco tem um filho desse tamanho... Também me encontrei algunas vezes com o filho do Angeli e inclusive quando eu tocava em uma banda, ensaiamos no estudio da casa dele com a presença do Sebastian, aquele notório performer dos comerciais da C&A com o slogan abuse use. Enfim, enquanto escrevo este post, também me lembrei de um trecho de uma música do Dorsal Atlântica: "
Viajando na estrada, um ruído seco

Dentro de um ônibus atiraram em um inocente por pura ignorância, ninguém esperava sentir como a vida é tão fugaz..."
O que dizer? Só resta pedir à Deus que console os corações dos que ficaram e sofrem estas perdas abruptas.
Sobre o trabalho do Glauco, ora, ele estava todos os dias no jornal bem conhecido da capital paulistana, no caderno cultural e as vezes no caderno especial infantil, onde o personagem inspirado em seu filho, Geraldinho, se divertia equilibrando refrigerante e guloseimas. Mas eu não vou ser unânime sobre sua arte só por conta do que ocorreu. Alguns trabalhos eu não gostava, tipo Ozetês, Faquinha e algumas tirinhas de célebres personagens.
Mas Glauco fez a sua história, deixou sua arte que nos divertiu e outras vezes nos fez parar para refletir em algo, importante ou não.
Também me lembrei de um provérbio escrito pelo rei Salomão no livro de Eclesiastes, no capítulo 7: "
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração."
Hoje é mais um momento para reflexão, mas isto só terá proveito se a sabedoria for colocada em prática.

sexta-feira, março 05, 2010

Jimi Hendrix, Johnny Alf...

Mais uma vez Jimi é enfoque do jornalismo musical. É sobre o lançamento de gravações póstumas inéditas. A estratégia de marketing das gravadoras não permite que tenhamos acesso rápido ao material, pois faz parte do jogo. Mais uma vez teremos o re-relançamento dos albuns do Experience, só que com ítens adicionados para justificar o preço e relançamento, como out takes, encartes, DVD, etc. Fazer o que? A indústria fonográfica tem de sobreviver. Veja o caso dos Beatles por exemplo, tentam extrair tudo quanto é possível para lançar no mercado, deixando os colecionadores em polvorosa. O ápice foi a discografia completa enclausurada em um pendrive (essa foi uma forma coerente, afinal estamos na era digital) em forma de maçã. O problema é que quando o material substancial se esgota, começam a colocar no mercado ítens dispensáveis. Porque o nome out takes? Ora, o artísta rejeitou o resultado de sua performance de gravação. Mas sabe como é fã, quer acreditar em qualquer coisa para ter mais um pouco de seu artista preferido, como um out take que tem apenas 3 segundos a mais de diferença do que a editada oficialmente.
Eu gosto muito do Jimi, só que quando eu atingi quase 30 lp's em minha coleção, eu percebi q
ue o negócio já estava pra lá de bom e passando disso já seria uma obssessão. Comprar um compacto, sendo que é a mesma versão do lp, isso é fetiche. Mas fora estas coisas de produtos, Jimi é um nome presente na música popular tão óbvio, que dispensa mais comentários. Quer um exemplo atual? Vernon Reid é um músico que se sente esta influência, mas não só de Jimi, mas também de Arthur Rhames. Uma das mais coerentes homengens em minha opinião pessoal são as gravações do P-Funk Guitar Army, no Tribute To Jimi Hendrix, em 2 volumes. Talvez seja um tanto quanto desconhecido para os típicos fãs radicais de rock, que geralmente ignoram e odeiam na ignorância outros nomes da música. Eddie Hazel que foi guitarrista do Funkadelic e Parliament é herdeiro direto de Hendrix, sua influência é 100% audível. Mas Hazel não sobreviveu tempo suficiente para participar desta homengem e ficou nas mãos de seus companheiros sucessores no mundo P-Funk, como Michael Hampton, Gary 'Mudbone' Cooper, Blackbyrd McKnight, etc.
Bem, porque Johnny Alf? Eu encontrei uma ligação entre ele e Jimi e isso não tem haver com a arte de cada um simplesmente por serem caminhos diferentes. A morte tem um ponto em comum, só que os casos são opostos. Jimi morreu no auge de sua carreira, muito jovem, nem completou 30 anos de idade. Johnny Alf morreu com 80 anos com uma longa carreira. Talvez Alf passe por um processo parecido com o de Hendrix, talvez relancem seus discos, artístas gravem um tributo, novos artístas e novo público "redescubra" sua obra. Mas é claro que não será da mesma forma que Jimi, que teve um impacto na arte mundial. Alf quase não é citado em seu próprio país, o Brasil. Não teve tanto efeito catalístico na música de uma forma geral, mas isso não tira seu mérito e talento. Eu gostei dele uma vez que o Paulinho da Viola o entrevistava e falavam sobre a influência dos músicos do chamado jazz. Paulinho tinha mais interesse por pianistas como Thelonioius Monk e Johnny já preferia algo mais tradicional, como Nat King Cole. Também gostei da sensação de uma pessoa amável tranquila que Alf me passou. Meu amigo estava de alguma forma envolvido com sua atividade musical no Japão, onde poucos mas fiéis admiradores extrapolaram as fronteiras do hemisfério Sul. Eu até assinei um cartão coletivo que seria entregue ao Johnny, junto ao nome de editores, apreciadores, amigos, críticos japoneses. Mas eu nunca fui muito chegado no trabalho de Johnny. Mesmo hoje em dia, que não fico mais só ouvindo Heavy Metal. Tem uma coisa e outra que eu gosto, mas a bossa não me diz muita coisa. Muitos dizem que a bossa é o supra sumo da música brasileira, mas isso é algo tão particular, que esse tipo de afirmação não reflete a verdade. Quando falam que os gringos "piraram" com a bossa, isso não quer dizer muita coisa. Veja o caso do Stan Gets, Archie Shepp. O jazz já não era uma unanimidade em seu próprio país de origem, o rock vindo da Inglaterra é que dominava em popularidade. A bossa ficou conhecida entre os músicos, pois o público americano, europeu, preferia outro tipo de música. Recentemente falam da suposta febre da bossa no Japão. É uma grande ilusão, pois o público japonês tem preferencia pela música local, como o JPop e o Pop norte americano. Há um nicho específico que gosta de bossa no Japãp, mas é bem restrito, como o público que aprecia jazz em São Paulo.
A verdade é que Johnny Alf estava meio que jogado para escanteio nestes últimos anos, queiram acreditar ou não. Ele quase não se apresentava, por falta de interesse mesmo. E gravar um disco então? Não recebia a atenção e destaque que tinha direito. Agora com sua morte vão falar uma coisa ou outra e tudo mais que eu escreví acima. Mas logo mais vai voltar à penumbra. Estou errado? Espero que sim, pois veja o caso do maestro Moacir Santos. Fizeram homengens,
relançaram gravações, mas não passou do terrritório restrito. O povo quer é ser "chicleteiro" mesmo.
Música como forma de arte é um artigo de luxo, um ítem dispensável na cesta básica. Hoje o momento é do entretenimento musical, que sempre é confundido com a arte musical. Hoje em dia não sobra muito espaço para o refinamento musical de Johnny Alf, talvez também não sobrasse para Jimi Hendrix se estivesse vivo.

Obrigado Jimi, obrigado Johnny, vocês fizeram música, apenas música.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Sirone (Norris Jones) 28/09/1940 - 21/10/2009

Sirone nasceu em Atlanta na Georgia, USA e tocou com artístas do R&B como Sam Cooke e Smokey Robinson. Depois mudou-se para New York nos anos 60 onde fundou com o pianista Dave Burrell o Untraditional Jazz Improvisational Team e tocou também com Ornette Coleman, Pharoah Sanders, Marion Brown, Gato Barbieri, Cecil Taylor, Dewey Redman, Charles Gayle, Frank Lowe, Billy Bang, James Blood Ulmer e seu grupo Phalanx e com o violinista Leroy Jenkins e Frank Clayton, depois substituído por Jerome Cooper fundaram o Revolutionary Ensemble em 1971. Sirone apareceu no filme Rising Tones Cross de Ebba Jahn em 1985, que é um documentário sobre o cenário do Free Jazz em New York.
A partir de 2000 começou a tocar guitarra como no disco Life Of The Party do saxofonista Joe Johnson, em 2005. A última gravação de Sirone está registrada como guitarrista no disco de Joe Johnson, The After Party de 2008.

clique no link abaixo:
discografia de Sirone
 
 
Studio Ghibli Brasil