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sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Max Roach ‎- Chattahoochee Red (1981)

Logo após duas postagens abordando assuntos que geram conflito, justamente por estarmos numa época incoerentemente mais intolerante, faço uma pausa e este espaço prossegue trazendo a lembrança de um grande ser humano, Max Roach. Sim, ele se foi em 2007, mas a sua arte vive até hoje, desde o início dos anos 40 do séc.XX, até hoje...
Providencialmente e coincidentemente (Deus sabe disso), escolhi relembrar esta sessão gravada em 1981, onde se iniciava a colaboração entre músicos que duraria mais de 20 anos. Mas porque providencialmente? Chattahoochee Red abre com a faixa The Dream/It's Time, um solo de Max Roach intercalado com a gravação do discurso de Martin Luther King, originalmente conhecido com o título de "I Have A Dream". Max Roach, como muitos já sabem, não foi apenas um baterista de jazz. Além de compositor, era um cidadão consciente dos direitos civis e sua música em muitos momentos refletia isso. Logo em seguida é executada It's Time, um clássico entre as composições de Max. Temos uma releitura de Lonesome Lover, originalmente gravada com a voz de Abbey Lincoln e coral, assim como It's Time. Também 'Round Midnight e Giant Steps são revisitadas de modo especial. Destaque para o solo final de Six Bits Blues, onde Bridgewater apenas usa o bocal do trompete. Como sempre não é necessário muitas palavras ou até nenhuma se faça necessária para descrever a música de Max Roach. Nos comentários como de costume. Sempre é uma boa ocasião para celebrar com música, e também refletir sobre os dias de hoje. Eu tenho um sonho...

sábado, outubro 10, 2015

Max Roach Double Quartet ‎- Bright Moments (1987)

Dando sequência à homenagem ao meu mestre dos pratos e tambores, sempre relembrando e celebrando sua música que em breve, se o mundo não se acabar com a loucura humana, completará 1 século de existência. Bright Moments é o terceiro registro do quarteto de Max Roach formado por Odean Pope, Cecil Bridgewater e Tyrone Brown ao lado do Uptown Quartet formado por: Diane Monroe (violino), Lesa Terry (violin), Maxine Roach (viola) e Zela Terry (cello).
Lembrando que Bright Moments foi composta por Roland Kirk e há também o clássico de Randy Weston, Hi Fly. Momentos brilhantes nos comentários

sábado, setembro 26, 2015

Max Roach Double Quartet ‎– Easy Winners (1985)

O quarteto que Max Roach desenvolveu um trabalho por décadas antes de sua despedida, se uniu ao quarteto de cordas no qual sua filha Maxine faz parte está registrado também em Easy Winners, de 1985. Bem, não há realmente nada mais o que dizer sobre Max e sua obra musical, seria uma repetição inútil do que a maioria das pessoas interessadas em música já sabem. Então a música continua falando por si só e este é um momento para relembrar este grande artista que contribuiu para uma grande mudança na música, sim, não só para o que se convencionou a ser chamado de jazz, ou música afro americana, mas simplesmente música. Atualmente retornou-se aos rudimentos das antigas discussões étnicas que sempre geram um saldo bem negativo, o qual realmente não quero jamais de nenhuma forma contribuir. Lembro-me sempre de uma entrevista em que perguntaram à Max Roach se ele escutava jazz, sobre novos bateristas de jazz, etc e ele apenas respondeu que não ouvia jazz, mas simplesmente música...
E como eu disse antes, não me recordo se registrei aqui mesmo no Sonorica, mas na dúvida novamente digo que as discussões sobre música, gêneros musicais, etc e etc são um enfado do espírito, uma satisfação de vaidades do intelecto humano que não tem nenhum proveito edificante.
Então minha sugestão é apenas deixar a música falar ao nosso coração.
Nos comentários, sem necessidade de qualquer palavra...

domingo, agosto 02, 2015

Max Roach - Live at the Funkhaus Hamburg (1984)

O tempo passa muito rápido, entramos no mês de Agosto e já são 2/3 do ano de 2015. Então sem perder mais um segundo sequer, não podia deixar passar este momento registrado em 1984, onde aconteceu um encontro muito especial, o quarteto que Max Roach desenvolveu um grandioso trabalho por décadas, num formato robusto, contou com a presença de Sam Rivers. Sim! Ele mesmo, graças à ele e sua esposa, Bea, tiveram papel fundamental na sobrevivência da música desbravadora que enfrentou muitas dificuldades nos anos 70. Estou falando do Studio Rivbea que praticamente era um refúgio para a música que destoava do grande mercado de consumo.
Não há a menor necessidade de usar este pequeno espaço para falar à respeito de Max Roach, Sam Rivers, Rivbea, há muita informação disponível por aí com extrema facilidade de acesso, não se limite aos primeiros links no resultado de busca, há um mundo de informação disponível, mas sempre verificando as fontes de dados. Nesta gravação captada por transmissão FM, o quinteto revisita o clássico tema Now's The Time, eternizado por Charlie Parker e aqui com a presença da flauta de Rivers. Outra surpresa é a releitura de Giant Steps, numa versão audaciosa. Bem, já falei demais, se passar disso pecarei em não ter palavras precisas para descrever o que aconteceu no dia 19 de Janeiro de 1984. Nos comentários, como de costume. Ah, sobre Max Roach? Nada a declarar, apenas que foi um dos responsáveis em uma grande mudança na música do séc. XX e no instrumento musical chamado bateria.

quarta-feira, junho 29, 2011

Max Roach & Abdullah Ibrahim - Streams of Consciousness (1977)

Mesmo com grandes expoentes da percussão contemporânea, como Paul Lovens, Hamid Drake, Andrew Cyrille, etc, Max Roach ainda soa inspirador e atemporal no set de tambores e pratos. Uma configuração que Max gostava de explorar, era o formato de duos, sendo consagradas as gravações com os saxofonistas Anthony Braxton e Archie Shepp e o com o pianista Cecil Taylor. Também executou um duo com o pianista Randy Weston nos últimos anos.
Adolph Johannes Brand nasceu em 09/09/1934 em Cape Town na África do Sul e mudou-se para Europa no início dos anos 60. Ficou conhecido pelo nome de Dollar Brand e seu estilo tem as influências de Thelonious Monk e Duke Ellington. Suas parcerias incluem artístas como Hugh Masekela, Carlos Ward (que também fez parte do grupo de funk B.T. Express), Elvin Jones, etc. Ao converter-se ao Islam, mudou seu nome para Abdullah Ibrahim, e em meados dos anos 70 no seu breve retorno à África do Sul, voltou para New York devido à opressão política de sua terra natal. Escreveu trilhas sonoras para filmes como Chocolat e No Fear, No Die e nos anos 90 retornou à África do Sul onde participou na orquestra nas comemorações de Nelson Mandela na presidência do país. Em Streams of Consciousness, dois músicos que expressam através da arte seu ativismo político de forma exuberante. Clique na imagem para acessar o arquivo.

sexta-feira, junho 03, 2011

M'Boom - Collage (1984)

Max Roach sempre contribuiu com seu talento, técnica apurada, criatividade e principalmente senso desbravador na música, desde a década de 40 do século XX dentro do universo musical afro americano. Em 1970, formou um grupo composto apenas por percussionistas, entre eles, os bateristas Freddie Waits, Joe Chambers e Warren Smith entre os 10 membros que criaram composições com vibrafone, marimba, xilofone, congos, sinos, timpano (instrumento que Max aprendeu no colégio), entre outros instrumentos de percussão. Não são peças experimentais rítmicas, mas composições melodiosas e complexas. E há inclusive versões de clássicos como Epistrophy de Thelonious Monk e It's Time de Max Roach, que comprovam o quanto se pode criar dentro do espectro percussivo, alcançando esferas harmonico melódicas. Destaque para Street Dance, em que Roy Brooks executa seu solo com uma serra. Na época da gravação de Collage, Max já saiu novamente desbravando novos territórios, se associando ao início do hiphop, ao lado do pioneiro Fab 5 Freddy. Clique na imagem para comprovar a grande contribuição do M'Boom para a música.

*P.S.: Este post vai para meu precioso amigo e eventual parceiro musical, Antonio Panda Gianfratti.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Max Roach Quartet - Live In Amsterdam (1977)

É sempre um grande prazer falar deste grande músico, o qual me fundamentou no meu instrumento musical, a bateria. A história e importância de Max Roach na música e na bateria está muito bem documentada, dispensando novas dissertações.
Live In Amsterdam foi gravado em 17/09/1977 com o tipo de formação que Max manteve até o final de sua carreira: um saxofonista, um trompetista e um baixista, ou seja, um quarteto com sonoridade bem compacta e robusta, mas jamais carente de criatividade e abundância sonora. Alguns críticos musicais ainda perdem tempo com a bobagem de dizer que usar um quarteto no jazz com a ausência de um piano é algo ousado, pois isso talvez tivesse algum sentido à 70 anos atrás, sem exagero. Desta configuração, o trompetista Cecil Bridgewater permaneceu até o fim, tanto que ele esteve presente no Brasil em 2000, ao lado do sax tenor de Odean Pope e o baixo de Tyrone Brown. Nesta gravação em Bimhuis, conta com uma importante associação entre Max e Billy Harper, brilhante saxofonista e compositor. Inclusive um clássico lhe pertence a autoria que é a peça Capra Black. Outro ilustre artísta é o contrabaixista Reggie Workman, com seu currículo kilométrico no meio do jazz, muito conhecido (me cansa dizer isso) por tocar no quarteto de John Coltrane. Workman continua em plena atividade, se associando aos improvisadores e o cenário mais livre de New York, ao lado de William Parker, etc e ter participado da reunião do New York Art Quartet de Roswell Rudd. Live In Amsterdam é uma torrente sonora com duas longas peças, dando amplo espaço para cada músico expor suas idéias e It's Time, uma das mais clássicas e conhecidas composições de Max Roach, é uma delas. O som de Max Roach e sua bateria se tornaram emblemáticos no atravessar das décadas, desde os tempos de sua parceria com Charlie Parker e Dizzy Gillespie, mas sempre se manteve contemporâneo, jamais cristalizando sua arte ou a tornando datada. Basta conferir isso clicar na imagem, acessar o arquivo e comprovar com os ouvidos, o que estou vos escrevendo aqui neste simples espaço virtual.

quinta-feira, julho 08, 2010

Max Roach - The Loadstar (1977)

Creio que já se falou tudo quanto é possível sobre Max Roach, e além do mais, a sua arte e seu instrumento falam até hoje através de seu legado. Esta formação com Billy Harper no sax tenor, Cecil Bridgewater no trompete e Reggie Workman na bateria, foi o formato que o acompanhou por cerca de 30 anos. Bridgewater foi o mais constante e hoje leciona em diversas escolas e faculdades nos EUA. Harper, apesar de não ser tão comentado como seus contemporâneos, se enquadra na geração chamada pós-Coltrane e é um brilhante compositor além de seu estilo virtuoso e vigoroso no saxofone. Sua composição mais conhecida é um clássico, se chama Capra Black, e se encontra na última gravação de Lee Morgan, além do seu disco homônimo como lider. Workman está na ativa até hoje e faz parte do free jazz de New York, ao lado de William Parker e Henry Grimes no cenário local. Ficou conhecido por sua parceria com John Coltrane no início dos anos 60, precedendo Jimmy Garrison.
The Matyr é uma releitura para Praise For A Martyr, gravada em 1961 no disco Percussion Bitter Sweet, que contava com
Booker Little, Julian Priester, Eric Dolphy, Clifford Jordan, Mal Waldron, Art Davis, Carlos Valdez, Carlos Eugenio e Abbey Lincoln, coma mesma urgência e vigor, compactada no formato de quarteto. Six Bit Blues tem um belíssimo solo de Bridgewater profundamente arraizado nas tradições da música afro-americana. Ambas as músicas tem o compasso ternário que caracterizou grandes mudanças rítmicas no jazz, que ficaram muito conhecidas por Max Roach e Joe Morello. Clique no link para acessar o arquivo: http://www.mediafire.com/?zjmhthmajzf

sábado, fevereiro 27, 2010

Max Roach With The J.C. White Singers - Lift Every Voice And Sing

Max Roach é sempre motivo de assunto quando se trata de música. Sempre lembrado por participar em grandes mudanças como foi nos anos 40 quando batizaram a nova forma de tocar com o nome de uma composição de Dizzy Gillespie: Bebop. E esta mudança teve como núcleo, o ritmo. Mas Max Roach não parou de buscar novas linguagens em sua trajetória pela arte, chegando a ser criticado por companheiros músicos e midia especializada quando se envolveu com a juventude das ruas de New York no início dos anos 80, quando nascia o chamado Hiphop. Lá estava Max com sua bateria "falante" ao lado do pioneiro Fab Five Freddy e B-Boys no mesmo palco. Bem, são tantas histórias que não cabem neste simples blog.
Particularmente Max Roach tem um lugar especial em minha vida, pois o que me motivou a tocar bateria, foi sua influência, que não foi direta em primeira instância, pois o que me despertou foi o jeito de tocar, a sonoridade de Mitch Mitchell, o parceiro de Jimi Hendrix. Mitch não tocava apenas rock, tinha algo a mais ali e esse algo era sua fonte de inspiração. Com o tempo e muita audição de gravações comecei perceber a influência de Max em Mitch e também a influência de Elvin Jones. Iniciei uma pesquisa sobre a bateria, a música e trajetória de Max Roach descobrindo muito mais do que um exímio baterista de jazz. Descobrí um artísta de grande talento, brilhante compositor e líder, pesquisador, desbravador de novos territórios na arte sonora.
E aqui está uma de muitas descobertas sobre Max Roach: Lift Every Voice and Sing com o coral The J.C. White Singers. Também fazem parte desta obra o brilhante sax tenor de Billy Harper, que mesmo não tendo seu nome em evidência, faz parte do seleto grupo que alguns musicólogos chamam de primeira geração "pós-Coltrane", ao lado de Gary Bartz, Odean Pope, David Murray, entre outros. Também participa o trompetista e educador musical Cecil Bridgewater, que acompanhou Max ao lado de Odean Pope e Harper nas últimas decadas finais de sua carreira. O pianista George Cables, o baixista Eddie Mathias (que emprega o baixo elétrico à exemplo de Jymie Merrit nos anso 60) e o percussionista Ralph McDonald são nomes consagrados no meio musical por conta de seus talentos singulares. O coral formado por Ruby McClure, J.C. White, Dorothy White faz a diferença nesta gravação. É inevitável não se emocionar com o poder destas vozes entoando o hino tradicional evangélico Motherless Child e a composição dedicada aos pais Garden Of Prayer. As vozes tocam no profundo da alma. Outro destaque é o solo de Cecil Bridgewater em Let Thy People Go. Outra característica de Max Roach em sua arte é que ele sempre que possível, usou-a como veículo de expressão política, dedicando as músicas a pessoas como Marcus Garvey, Patrice E. Lumumba, Malcom X, Rev. Martin Luther King, etc.
Mesmo não tendo tanto destaque até no meio especializado, Lift Every Voice and Sing pode tranquilamente estar ao lado de A Love Supreme. Clique na foto da capa ou no título do post, que são o link de acesso ao arquivo.

sábado, outubro 24, 2009

Max Roach Quartet - Live In Tokyo (1977)

O que podemos dizer sobre Max Roach além do que já foi dito? Ele é uma instituição da música, é um capítulo fundamental dela. Max fez música até onde pode chegar em sua condição de ser humano. Foi o último que resistiu ao tempo de sua geração, aquela que mudou o rumo não só do Jazz, mas da música como um todo. A geração que ficou conhecida pelas inovações musicais nos distantes anos 40 do séc.XX, conhecida sob o nome de uma composição do trompetista Dizzy Gillespie: Bebop.
Mas Max sempre foi um artísta que entendia o processo artístico e se recusava a estagnar e ir contra sua natureza criativa. Nos anos 80, já tendo experimentado muitas combinações e novas influências para seu trabalho, ignorou a critica especializada no gênero e buscou novas experiências com a juventude pobre das ruas: o Hiphop.
Sobre aqueles tempos ao lado de Dizzy, Miles Davis e Monk, recordava com saudade e satisfação e gratidão em ter participado daqueles grandes momentos da música, mas não queria saber de repetir aquilo novamente. Para Max não fazia sentido entrar num revival, preferiu seguir em frente, criar e viver coisas novas. E foi assim até sua despedida desta terra.
Bem, vamos ao motivo deste post, compartilhar de um dos muitos grandes momentos da carreira de Max Roach. Esta época é pouco comentada e conhecida, mas é um de seus melhores grupos, um tipo de formação que manteve por muito tempo. Nesta gravação conta com o brilhante saxofonista Billy Harper, que também tocou com o Art Blakey e os Jazz Messengers, numa fase mais ousada. Harper é conhecido por sua composição que é um clássico: Capra Black. Cecil Bridgewater é um grande trompetista e esteve com Max aqui no Brasil, em 2000 e acompanha Max de longa data. Reggie Workman também é outra instituição da música, tocou com os grandes nomes do Jazz, como John Coltrane e está em plena atividade no circuito de Freejazz. Esta apresentação gravada no Japão em 1977, abre com calvary, uma das mais belas composições de Max. Mr. Papa Jo é o famoso solo de chimbau de Max em homenagem ao grande mestre da bateria. Round Midnight ganha uma nova versão com o quarteto e conta com a famosa It's Time que podemos dizer que é umas das preferidas como MyFavourite Things era para Trane em seu repertório.

01 Calvary
02 Mr. Papa Jo
03 Round Midnight
04 It's time

Max Roach - bateria
Billy Harper - saxofone tenor
Cecil Bridgewater - trompete
Reggie Workman - baixo

Gravado no Yubin Chokin Hall, Tokyo - Japão em 21/01/1977

clique no link abaixo para o arquivo:
http://www.mediafire.com/?zymvwwqx1jj

 
 
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