quinta-feira, dezembro 30, 2010

Combat Tour Live: The Ultimate Revenge (1985)





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Sem dúvida este foi um dos presentes mais agradáveis deste ano de 2010. Sinceramente não tinha muitas esperanças de rever este homevideo que foi lançado originalmente em VHS, que era o formato disponível da época, em meados dos anos 80. Me trouxe à memória as tardes que eu passava na mítica mureta na ladeira da rua Dr. Falcão, em frente ao metrô Anhangabaú, no centro de São Paulo. Esta mureta ficava em frente da famosa loja especializada em heavy metal, a Woodstock Discos, do Walcir, que logo depois apresentou o progama de rádio Comando Metal, na 89fm. A Woodstock Discos era o grande ponto de encontro dos headbangers e dividiu esta posição com a Galeria do Rock. Lá eu fiz muitas amizadades, comprei fitas k7 de gravações dos discos importados, camisetas, os primeiros lançamentos pelo selo Woodstock. Me lembro quando tinha chegado o primeiro lote do split album do Sepultura/Overdose e lá estava o Toninho para me indicar o primeiro disco da então desconhecida banda de BH. O pessoal trocava material, como recortes de revistas e gravações, pois naquele tempo, não tinha a net e o acesso aos cd's e lp's, que vinham de fora. Era mais difícil obter material, quanto mais material em video. Quem imaginaria poder acessar um youtube e ver um videoclip em casa ou numa lan house nos anos 80? Então a Woodstock promovia sessões de video na própria loja, com uma tv de 20 polegadas no alto da pequena loja e um aparelho de video cassete. A loja ficava abarrotada de metaleiros se apertando para prestigiar os escassos videos que passavam na telinha.
Foi então que chegou a fita em VHS Combat Tour, registrando as bandas mais significativas do thrash metal da época: Venom, Slayer e Exodus. Era o auge destas bandas e era um sonho poder ver qualquer imagem delas em ação, já que era impossível assistir um show ao vivo, coisa que já ocorreu hoje em dia com estas três bandas aqui no Brasil. O máximo que ocorreu foi o show do Venom no ginásio do Corinthians ainda nos anos 80, mas foi uma grande decepção, pois o som estava péssimo, não era a formação original, enfim, quem estava lá sabe do que estou falando.
Posso dizer que Combat Tour teve o mesmo impacto de quando eu assistí pela primeira vez John Coltrane em video, tocando Impressions com Eric Dolphy. Eu não sei quem fez o rip do VHS e disponibilizou, mas eu e muitos, com toda certeza agradecemos por ter acesso à este material, depois de tanto tempo e posso dizer que o impacto é o mesmo daquela época.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Koji Morimoto: Extra - Ken Ishii music video (1995)

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Koji Morimoto é um dos prediletos da casa, sempre bom ver seu trabalho.

Feed Your Head - Stargazer (1989?)

Esta incomum banda punk de Manchester, UK, formada em 1986 gravou 3 fitas demo, 2 singles e 2 lp's, tocou com inúmeras bandas como Visions of Change, Hex, Scream, Instigators, Oi Polloi, Amebix, Chumbawamba, Civilised Society, Government Issue, Thatcher on Acid, Dan, Mottek, Anti-sect, White Flag, Culture Shock, UK Subs, The Stupids,The Varukers, Electro Hippies, etc. Pouco se sabe sobre o Feed Your Head, como outras bandas que não dispunham da net para divulgar seu trabalho. O FYH era uma banda totalmente independente, tanto que o lp Stargazer foi lançado por eles mesmos sob o selo Crucial Climate, de forma artesanal, com preço desenhado na capa e endereço para correspondência.
A primeira vez que ouví o FYH foi através do Ronaldo (que por um breve período tocamos juntos no Energy Induction com o Marcos) que trabalhava perto da minha casa numa oficina de motos. Isso foi em 1989, creio que o ano de lançamento do Stargazer. O disco tinha vindo pelo correio através dos intercâmbios de Ronaldo. Foi uma das coisas mais bonitas que já ouví no punk e tinha um elemento incomum, violino. Sim o FYH incluiu este instrumento em suas canções e ele é bem executado, não é um mero enfeite, pois dá um acabamento todo especial nas músicas em que se faz presente. Já que sou incapaz de poder ajudar tantas bandas que deixaram singelos registros em sua curta trajetória e não tiveram algum reconhecimento e muitas pessoas não tiveram acesso, eu presto minha pequena e pessoal homenagem ao Feed Your Head, que deixou lindas canções e espero que alguém coloque oficialmente à disposição das pessoas envolvidas com o punk rock e também deixem um registro mais detalhado, pois com certeza o FYH merece um capítulo na história da música independente. Nos comentários.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

(ainda em tempo) ai ai ai ui ui ui!

Feliz aniversário, seu véio doido.

E finalmente Ken Vandermark passou por aqui!

Eu poderia falar de outras pessoas também, mas não pude comparecer na apresentação de Han Bennink e Phil Minton no dia seguinte ao trio Vandermark, Ex e Sanders. Phil Minton eu já tinha me encontrado tempos antes e até demos um passeio pelo centro de São Paulo, junto dos meus queridos Lauro, Tiago e Thomas que providenciaram tudo. Bennink eu só fui apresentado pelo Marcio, mas tive que sair rapidamente por outros compromissos. Para quem gosta de jetset, estava um banquete farto, grandes improvisadores alí, bem pertinho e acessíveis. É isso que as pessoas tem que começar a ver, esta comunidade mundial musical não dá espaço a escalões, nomes, celebridades e fama. Aqui no Brasil não, é tudo na base de: "Quem é você? Com quem você tocou? Você é amigo de quem?" Aí veja e ouça o que acontece por aí, um bom número de músicos que nem sempre tem a técnica que tanto exaltam e não tem um mínimo de criatividade. Lá fora não, é: "Você é criativo, vamos tocar" e só, não importa de que toca tenha saído.
Não vou comentar sobre a apresentação em sí, a não ser que foi a primeira e muito esperada vinda de Ken por aqui e sua primeira performance com Luc. Mark e Luc já se sentem à vontade em São Paulo. Três improvisadores experientes e criativos que estavam em sintonia para partir do nada naquele palco fizeram o que me parecia óbvio e simplesmente se confirmou, um maravilhoso encontro musical.
O engraçado é que eu olhava para o Ken alí tão perto extraindo o seu melhor no saxofone e não conseguia fazer analogia com o Vandermark que ví na Jazz Times, Wire, nos videos do YouTube, do V5, do Chicago Tentet, nomeado MacArthur Fellowship, etc. Parecia que eu fui ver um amigo das antigas tocar e agora mora em outra cidade e não encontrei mais. Ken Vandermark é o que você vê na foto, o mesmo sujeito de camisa xadrez, calmo e gentil, daqueles que não dava trabalho na escola, amigo de todo mundo, mas reservado. A música? Ora, ela foi absorvida e ficará na memória, não nota por nota, mas como Monet, ficará a impressão daquela noite.
Aqui deixo as palavras que o próprio postou no facebook:

Ken Vandermark
‎12/10: 1st concert in Brazil, Sao Paulo w/Mark Sanders and Luc Ex. Hard work but we got results- Luc had his bag lost by the airline, all of his pedals were in it, so he was struggling w/the bass sound, and I felt like I was struggling with my tenor all night. Fantastic audience, standing ovation and encore.
Ken Vandermark Hi Rubens- Great to meet in person finally, and very happy you and your friends enjoyed the concert in Sao Paulo- it was amazing to be there! Porto Allegre was fantastic too; I hope that I can get back to Brazil soon!
Aliás o que eu lembrarei também, é que foi um dia que encontrei muitos amigos, até tive tempo de bater um papo com o Gastão e o Massari na lanchonete, sobre Iron Maiden, Chris Cutler, John Zorn... É! Rock não é inferior ao free jazz e free improvisation (o jazz foi foi libertado e qualquer um é livre para improvisar).


sábado, dezembro 04, 2010

Ken Vandermark: entrevista

Esta entrevista foi elaborada por mim à cerca de 4 ou 5 anos atrás, por e-mail, quando iniciei meu contato com Vandermark, onde descobrí uma pessoa antenciosa, simpática e simples. Eu já tinha publicado esta entrevista no blog Farofa Moderna, mas não ainda neste blog. Em tempo de sua primeira (que seja a primeira de muitas) vinda ao Brasil, republico-a para quem quiser conhecer mais um pouco deste talentoso artísta:




1. Quando você começou a tocar já pensava em fazer esse tipo de música que faz agora?
Eu cresci ouvindo todos os tipos de música, meu pai em particular sempre deixava o estéreo ligado quando estava em casa – na maior parte do tempo jazz mainstream (Monk, Ellington, Miles Davis, etc.), e música clássica (Stravinsky, Bach), alguma coisa da Mototwn, bossa, Frank Sinatra e Sly & the Family Stone. Depois de trabalhar no trompete por alguns anos eu percebi que não conseguiria tocá-lo bem o suficiente pra fazer algo sério e mudei pro saxofone tenor aos 16 anos. De primeira tentei compor minhas próprias músicas e tocá-las com um grupo que eu organizei com meus colegas na banda do colégio. Mas a coisa começou a andar quando meu pai me apresentou o álbum "Tenor" do Joe McPhee. Nessa época (eu tinha uns 17) seu interesse em jazz estava avançando pra fora do mainstream, meu pai estava escutando mais free jazz dos anos 60 (Ornette, Shepp) e assistindo mais shows de grupos contemporâneos em Boston (Joe Morris, The Fringe -com George Garzone, Bob Guilotti, John Lockwood; Shock Exchange, liderado por Dave Bryant), assim como a música mais ousada que vinha pra cidade (Don Cherry, Shepp, The Art Ensemble of Chicago, Sam Rivers). Como sempre fazia, meu pai me levava aos concertos, mas eu tinha problemas em assimilar as idéias desses artistas mais ousados, até que ouvi "Tenor". De alguma maneira aquele álbum colocava os sons mais abstratos da música improvisada em uma construção melódica que eu conseguia seguir – foi uma epifania. Assim que ouvi a música de McPhee eu disse pra mim mesmo: é isso que eu quero fazer.
2. Quando e como você formou seu primeiro grupo? Entre os muitos grupos dos quais você participa atualmente, algum recebe atenção especial?
Meu primeiro grupo sério foi organizado enquanto eu estava em Montreal estudando Cinema e Comunicação na Universidade McGill. Era um trio chamado Fourth Stream, meio que moldado no trabalho de Ornette Coleman e Albert Ayler. Hoje em dia, ao contrário do que muita gente possa pensar, todos os grupos com quais eu trabalho tem peso igual quando eu estou envolvido. Por muitos anos o Vandermark 5 foi o mais ativo e um centro crucial pro meu desenvolvimento como improvisador e compositor, mas o trabalho que fiz com outros conjuntos, usem eles composições ou pura improvisação são igualmente importantes pra mim. Cada um me apresenta uma série de parâmetros e personalidades diferentes, me impulsionando a desenvolver diferentes aspectos da minha música. Eu não conseguiria me dedicar a só uma banda, existem muitas idéias aí fora pra serem exploradas, e trabalhar com especialistas em seus campos específicos é a melhor maneira de aprender. Além do que, por exemplo, tocar com Paul Lytton e Paul Lovens teve a mesma importância que tocar com Hamid Drake e Paal Nilssen-Love, mesmo eles sendo todos bateristas muito diferentes entre si.
3. No Vandermark 5 cada música é dedicada a alguém. Você inventou isso ao mesmo tempo em que começou o grupo? Como é processo de composição?
Eu venho tentando reconhecer o impacto de outros músicos, artistas, cineastas, escritores e amigos por muitos anos. Dedicar as peças a eles é um jeito de mandar uma carta de agradecimento, mais do que indicar que a peça é baseada em compor no estilo musical deles.Meu enfoque na hora de compor é tentar e encontrar a identidade específica de cada peça baseada nos materiais que eu crio e nos músicos que estarão interpretando. Eu espero que cada peça seja singular, usando diferentes técnicas quando necessárias pra chegar na música pronta. Eu componho pros indivíduos que estarão trabalhando em um conjunto específico. Então, por exemplo, a música da Territory Band é escrita pros onze ou mais músicos que naquele grupo – eu não poderia pegar essas partituras e dá-las pra nenhum outro instrumentista e esperar que a música funcionasse corretamente.
4. Você segue algum tipo de filosofia pra fazer sua música? Você concorda que o artista deva catalizar alguma mudança dentro da sociedade?
Se tiver uma filosofia é que eu quero que minha música seja permitida ser livre, deixá-la trabalhar com parâmetros abertos pra que eu possa usar quaisquer fontes que eu sinta serem apropriadas pra levar a música a um espaço de improvisação e composição que é independente e original. Isso significa que é aceitável que alguns ouvintes não irão gostar de todo meu trabalho, preferindo um grupo ou sensibilidade no meu jeito de tocar em tal formação. Mas eu me recuso a ser colocado em uma série de caixas ditando o que eu posso ou não fazer de um ponto de vista musical. Gosto é uma coisa, mas a necessidade da busca e o processo da arte são outras. Eu acho que artistas criam mudanças na sociedade, mas essa é uma revolução que acontece em uma pessoa de cada vez. Sendo expostos a idéias criativas, seja através de música, pintura, literatura, etc., as pessoas estão convidadas a ter experiências da realidade de maneiras diferentes, a considerarem outras possibilidades além das apresentadas a eles todos os dias na mídia de massa. Se eles abraçam essas considerações é quase impossível que seu enfoque cultural em relação à política e com sua sociedade não seja afetado. Essa mudança pode ser lenta, mas é verdadeira pro indivíduo e sua experiência.
5. Existe alguma diferença entre o Ken Vandermark artista e o Ken Vandermark cidadão? Se isso acontece, como um influencia o outro?
Eu não tenho como fazer essa separação. Minha vida informa minha música, e minha música informa minha vida. Sem meu trabalho eu não conheceria o mundo como conheço hoje, e essas experiências mudaram completamente a maneira que eu enxergo o que toco. A música pôs meu pé na estrada, e as coisas que vejo e ouço quando estou viajando, experiências musicais ou não, me levaram a novas maneiras de pensar sobre o que faço. Minhas experiências com e através da música me obrigam a re-investigar meu mundo constantemente, artística e socialmente.
6. Você acredita que ainda há algo novo a ser feito na música, ou nós vamos sempre estar descobrindo algo do passado?
Sem dúvida: sempre há algo novo a ser criado nas artes. Eu acho que a chave pra isso é ser verdadeiro em relação ao seu período cultural. Tudo que é feito hoje em dia é influenciado pelos desenvolvimentos do passado, isso é impossível de evitar, e fingir que você pode permanecer inalterado pelo impacto da história é uma construção psicológica artificial. Porém é necessário enquanto artista fazer mais do que recriar o passado, isso é inútil criativamente. É preciso construir algo individual de seus recursos, e cada pessoa tem uma série de experiências diferentes que são integradas por suas histórias pessoais: um passado cultural, sua situação social presente, suas observações artísticas, etc. Às vezes a percepção e expressão individual é revolucionária, como no caso de Ornette Coleman ou Picasso, às vezes é simplesmente pessoal, como no caso de Stan Getz ou Max Beckmann.
7. Você acredita que a música de improvisação completou sua evolução ou isso é algo infinito, como um alfabeto, que possibilita novos sentidos para as letras que nós já temos?
Pros meus ouvidos e mente as possibilidades de improvisação são infinitas. Eu não acho que jazz ou música improvisada sejam estilos, eu acredito que é um método. Esse método tem uma coleção de ferramentas internacionais, linguagens e idéias que têm sido desenvolvidas ao longo do século XX e agora no século XXI. E quanto mais ferramentas um indivíduo desenvolve, mais ele pode se expressar espontaneamente através de música improvisada.
8. Você concorda com John Zorn quando ele declara que free jazz, improv e outras vanguardas musicais em geral não vão alcançar o grande público, mas que seu público se renova a cada geração mantendo mais ou menos o mesmo número de pessoas envolvidas?
Eu penso que os assuntos enfrentados pelos músicos de jazz e improvisação são múltiplos. Primeiro, eu acredito que a mídia mainstream especializada em jazz colocou a forma artística em um gueto musical elitista, ajudando a removê-la da percepção ou interesse da população em geral. Em segundo lugar, a maior parte dessa música é desafiadora para os músicos e, portanto, pro público. A maioria da população não é interessada de verdade em música, eles estão interessados em um papel de parede sonoro – algo bom pra ter por perto desde que não interrompa seu ambiente ou desafie suas expectativas. Estou interessado em encontrar uma maneira de quebrar a noção pré-concebida, desenvolvida pela mídia e por muitos músicos que é impossível que a música improvisada encontre um lugar real na sociedade contemporânea. A questão é encontrar fãs de música. Esse é o público que vai aos meus shows na América do Norte e na Europa, pessoas entre 20 e 40 anos que ouvem todo tipo de música: jazz, rock, reggae, funk, hip hop, música erudita, etc. e são essas pessoas que os músicos de improvisação precisam encontrar e tocar para, não para o fã elitista de jazz que já tem uma definição de como a arte pode ou não ser.
9. Quando você tem tempo, o que costuma ouvir?
Praticamente tudo em que consigo por minhas mãos. Eu tenho milhares de cds na minha coleção. Tem de tudo, de Albert Ayler a Hank Williams. Se estiver numa festa eu gosto de escutar funk antigo, reggae e rock (James Brown, Charles Wright, Stax, Funkadelic, Curtis Mayfield, Sly & the Family Stone, Lee Perry, King Tubby, Jackie Mitto, Studio One, The Ex, Shellac, Wire, Public Enemy, Fugazi); se eu estou fazendo uma audição é bem variado (Mississippi Fred Mc Dowell, Morton Feldman, Miles Davis, Duke Ellington, Iannis Xenakis, Peter Brotzmann, Evan Parker, Ornette Coleman, J.S. Bach, Albert Ayler, Anthony Braxton, música étnica do mundo todo, Charles Mingus…).
10. A pergunta inevitável. Você conhece alguma coisa de música brasileira? O que?
Meu conhecimento de música brasileira é muito limitado infelizmente. Mas alguns de meus discos favoritos de seu país são: o disco de João Gilberto que leva seu nome, "África Brasil" de Jorge Ben, "Domingo" de Gal Costa e Caetano Veloso, "Tropicália ou Panis Et Circensis".Por favor, faça algumas sugestões!
Entrevista por Rubens Akira, tradução por André Maleronka

Ken Vandermark, Mark Sanders, Luc Ex em São Paulo dia 10 de Dezembro

Nesta semana, temos oportunidade de prestigiar pela primeira vez no Brasil, um dos artístas mais expressivos da atualidade, que tem suas raízes no que se condicionou a chamar de jazz. Ken Vandermark vem do tradicional reduto onde este tipo de música avançou por campos mais ousados, que é a cidade de Chicago. Um dos seus maiores representantes era o grande saxofonista Fred Anderson e seu bar Velvet Lounge, que abrigou a mais ousada música de Chicago durante muitos anos.
Vandermark cresceu ouvindo o jazz tradicional e o mais ousado através de seu pai, que o levava às apresentações e sempre deixava o estéreo ligado em sua casa. Vandermark iniciou no trompete, mas logo decidiu pelo saxofone tenor e o disco Tenor de Joe McPhee teve importância crucial em sua decisão por fazer uma música mais livre. Vandermark desenvolve dezenas de projetos simultâneos, sendo que o Vandermark 5 é o principal deles. Faz o intercâmbio com os improvisadores da Europa constantemente, tendo constantes parceiros, músicos como Peter Brötzmann, Paal Nilssen-Love, Mats Gustafson, entre tantos. Nos últimos anos, adicionou o
saxofone barítono ao lado do tenor, clarinete em Bb e clarinete baixo. Vandermark tem uma característica única, que dialoga com a música popular contemporânea, como pode ser constatada nos seus projetos Spaceways Inc. e Powerhouse Sound, que exploram os territórios do rock, funk, hiphop e reggae.
Mark Sanders é um percussionista que tem papel essencial no cenário da improvisação livre e colaborou com os mais criativos imnprovisadores da Europa, como Evan Parker, John Butcher, entre tantos outros. Já esteve por aqui se apresentando com o pianista Veryan Weston e Luc Ex, ao lado do grande pioneiro na improvisação livre no Brasil, o percussionista Antonio Panda Gianfratti, que além de ser um artísta de expressão e criatividade, é um amigo especial.
Luc Ex fez parte de um dos mais expressivos grupos do underground, o holandês The Ex, que saiu de suas raízes do chamado anarco-punk para explorar o território livre da improvisação. Participou de projetos com Tom Cora, Phil Minton, Veryan Weston, etc.

Ken Vandermark, Mark Sanders, Luc Ex
- Centro Cultural São Paulo dia 10 de Dezembro às 19:00h

Rua Vergueiro, 1000 - Metrô Vergueiro - São Paulo, SP
Entrada franca (retirada de ingressos: duas horas antes da sessão)
- Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)


Para saber mais sobre os músicos, acesse:

http://www.kenvandermark.com/

http://www.marksanders.me.uk/

http://www.lucex.nl/



 
 
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