segunda-feira, dezembro 29, 2008

Não retrospectiva 2008 e a música...

Aos 30 segundos do início de um programa de retrospectiva do ano, que é tradicional nos canais de tv, mudei de canal devido ao enfoque das tragédias ao longo de 2008. Lamentações e depois alguns momentos de alegrias para manipular os telespectadores. Logo teremos o "grand finale" com a contagem regressiva do fim de ano pela tv e muitos não aceitam o final do ano sem a contagem oficial do gorducho plin-plin.
Mas o assunto é a música. Não foi só em 2008, mas pelo menos nos últimos 3 anos muitas situações peculiares ocorreram neste campo artístico que trouxeram mudanças sociais. O chamado efêmero não é novidade à muito tempo, mas a duração das sensações ou hits de verão acompanham o rítmo dos equipamentos de informática. Hoje um pen-drive de R$15 tem o dobro de memória do meu computador que até pouco tempo era o top ten do momento.
Sábado passado estava numa feirinha que tinha uma barraquinha de cd's e na sessão de ofertas estava um cd duplo da V Recordings com Roni Size, Dillinja, Krust, Ed Rush, enfim a turma que "revolucionou", ou pelo menos disseram que iriam revolucionar a música. Aos poucos se tornou trilha sonora de propaganda de carros. Mas o cd duplo estava por apenas R$5, esquecido na sessão de ofertas. Isso me lembrou de um episódio do desenho animado Super Shock onde Virgil fala para seu amigo Richie: "Adam está num negócio difícil, hoje você é sucesso, amanhã está na prateleira de descontos...".
No seleto segmento dos modernos, o moderno é ser retrô. Samba da velha guarda, Sun Ra, John Coltrane, reggae, ska e dub. Mas há espaço para o chamado rap underground e o caluniado rock altenativo. Muito do rock alternativo também é retrô, usando artifícios da vanguarda do século passado.
Mas o Drum'n'bass e o Breakbeat não iriam mudar o mundo da música? Bem, pelo menos o mundo da música eletrônica acabou dando num, digamos, "electro vintage" meio capenga.
E quem manda é uma senhora de 50 anos à despeito de uma penca de cantoras de vinte e poucos anos que são tão genéricas quanto um refrigerante em oferta no supermercado.
Mas sempre foi assim, tanto que uma antiga banda de rock, o The Kinks, tinha uma música chamada Dedicated Follower Of Fashion, feita em 1966.
Quem se dedica a seguir as novidades e os hits de verão nunca se fartará. Sua sede nunca será saciada, correrá atrás do vento, sempre...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Madonna no Brasil

O grande momento histórico brazuca, a realização de um sonho para muitas pessoas (talvez nem tantas, você já viu o preço dos ingressos?). São nestas raras ocasiões que podemos testemunhar qual é a prioridade na vida de muitos, como a modelo brasileira radicada no exterior que volta à sua terrinha natal exclusivamente para prestigiar seu ídolo: Madonna. Madonna deixou de ser apenas uma cantora, uma artísta, já faz alguns bons anos, se tornou uma empresa, uma marca, um ídolo. A mídia brasileira dá mais destaque sobre sua boa forma física (mas ela não é cantora?) aos 50 anos, sua ligação com a kabbalah, etc. Ah é, tinha me esquecido, ela é uma celebridade e estes são os assuntos recorrentes da mídia, a música é apenas um mero detalhe. "Madonna é maravilhosa e poderosa!...". Esta afirmação não foi feita apenas por adolescentes fanáticas pela cantora, mas também por mulheres adultas. E este poder é tão presente que muitas destas mulheres elegeram Madonna como ídolo no sentido mais dogmático, chegando ao ponto de seguir seus passos (sim, pequeno gafanhoto, sim Daniel sam) na vida pessoal. Quando Madonna resolveu lutar boxe, muitas também o fizeram, quando resolveu partir para a "produção independente" (ter filhos independente de marido), também, quando ela se converteu ao judaismo, bem isso não é tão simples assim, não depende só do querer, adotar orfãos de países sub-desenvolvidos (esta também não é fácil) e agora a kabbalah (já saiu matéria em revista de mulher brazuca que está embarcando nessa).
Mas vamos falar de música. Hard Candy está longe de ser um trabalho ruim, muito pelo contrário, é bem produzido (aliás a produção se tornou o álibi de muitos artístas), as músicas são de qualidade como tem sido desde o disco Immaculate Collection. Em termos de meu gosto estritamente pessoal, eu parei no disco Like A Prayer. Mas deixando de lado as preferências pessoais, dalí em diante Madonna deixou algo muito precioso para trás, uma inocência e ingenuidade em seu jeito de se expressar cantando, não tem nada haver se ela buscou a ousadia em figurinos eróticos e letras ambíguas. A impressão que me dava, é que ela acreditava que sua música poderia mudar o mundo para um mundo melhor e este sentimento podia se notar quando cantava Holiday, Borderline, Into The Groove. Mesmo com amadurecimento de seu trabalho, algo desse sentimento estava em Like A Prayer, Spanish Eyes, provando que isto não se perde com tal amadurecimento, a não ser que a pessoa permita que isto aconteça. Madonna aprimorou seu produto artístico, sua voz, mas aí é que está a questão, ao evoluir deixou para trás não só apenas o visual que hoje consideram cafona, jaqueta jeans com desenho do Keith Haring, pulseiras de plástico colorido, deixou para trás aquele frescor de sonhadora descompromissada com o fardo de ser uma super estrela e isso era refletido no tom de sua voz. Como disse Ernesto: "É preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais...".

terça-feira, dezembro 09, 2008

Mongezi Feza

Mais um grande artísta injustiçado pelo esquecimento e falta de reconhecimento. Mongezi Feza nasceu em 1945 na Africa do Sul e se mudou para Europa em 1964, morando em London e Copenhagen. Entre suas influências estavam Clifford Brown e Don Cherry. Fez parte do grupo The Blue Notes, formado por Chris McGregor (piano), Dudu Pukwana (alto sax), Nikele Moyake (tenor sax), Johnny Dyani (baixo), Louis Moholo (bateria), participou do grupo de afro-rock Assagai. Também tocou com Robert Wyatt e o grupo Henry Cow, Evan Parker, John Surman, etc. Feza faleceu em 14 de Dezembro de 1975 aos 30 anos de idade, vítima de pneumonia e problemas psiquiátricos ignorados pelo serviço médico britânico, que muitos conhecidos dizem ter sido causa do agravamento da doença.

Ouça Mongezi Feza aqui.

domingo, dezembro 07, 2008

O Jazz se torna moribundo no Brasil

Este é um assunto recorrente simplesmente pelos fatos. Mesmo com a proximidade do fim da primeira década do séc.XXI, o gênero musical que se conhece como Jazz, que foi criado à praticamente um século, ainda é abordado por apreciadores brasileiros de forma um tanto peculiar. Muitos apreciadores, colecionadores, alguns músicos acabam se tornando uma espécie de críticos musicais, sendo que a grande maioria carece de uma formação realmente relevante para destilar seus textos, resenhas, críticas, análises na mídia. Com a democratização da mídia digital, que disponobiliza acesso livre, como sites pessoais, blogs, encontramos milhares de informações sobre música, sendo que parte considerável não é de fonte segura e precisa. Também grande parte dos textos não possuem uma análise empírica da obra e artísta, uma análise imparcial despida de paixões e opiniões pessoais, já que a proposta é compartilhar informações no sentido jornalístico. É impressionante como ainda persistem escrever sobre os chamados ícones do Jazz, como Miles Davis, John Coltrane, Thelonious Monk, Charles Mingus, Chet Baker, Billie Holiday, Charlie Parker, etc., sendo que todos esses grandes nomes do Jazz já estão suficientemente bem comentados com livros biográficos, documentários e sites oficiais competentes providos de fontes seguras e precisas, tanto nos E.U.A., Europa e Japão. A maioria dos títulos fonográficos foram relançados em formato digital, também foram lançados no mercado gravações inéditas, sendo que alguns títulos são dispensáveis por não ter um conteúdo realmente relevante a não ser apenas um ítem para colecionadores completistas.
A maioria dos críticos da era digital, principalmente os que escrevem nos diários digitais, os populares blogs, se baseiam em fontes imprecisas e escassas. Bastam uma dúzia de livros, algumas dezenas de gravações, leitura de liner notes de discos, alguma pesquisa na internet é claro. O problema é que não há uma pesquisa exaustiva que acabam por despejar uma pilha erros de dados que são publicados online, gerando lendas equivocadas, mitos, mentiras.
Não tem cabimento desautorizar a importância de Duke Ellington e Kenny Clarke por exemplo, mas até quando vai se falar do mesmo assunto? E ainda por cima de forma tão desprovida de consistência?

sexta-feira, novembro 28, 2008

Arthur Rhames e o colapso da arte

Antes que chegue o mês da redenção, mesmo que seja efêmero, mesmo que seja sobre compras, perús assados e frutas secas, mesmo que seja um mero protocólo social festivo desprovido de sua essência verdadeira, aproveitemos o momento.
Ontem me peguei ouvindo o disco do Arthur Rhames, que meu amigo Sieiro me apresentou ao longo deste ano. Entre tantas injustiças na arte, a que ocorreu com Rhames sem dúvida foi uma das mais tristes e cruéis. Morreu aos 32 anos de idade vítima da AIDS em 1989 esquecido e não reconhecido. Praticava saxofone, piano e guitarra 6 horas cada instrumento por dia, totalizando 18 horas de estudo diárias. Um talento único, precioso, como disseram, a ligação perdida entre John Coltrane e Charles Gayle. Reggie Workman disse que Deus escolheu Rhames para ser seu mensageiro.
Desde os tempos antigos a história se repete, o ser humano é o mesmo, não importa se hoje ele está na era digital. A civilização segue em passos apressados sem garantia de estar na melhor direção e não há tempo e espaço para pessoas como Arthur Rhames.
No aspecto geral a arte atual é o que é porque o artísta, o ser humano que está por trás dela(se bem que muitos artístas querem estar à frente dela por vaidade) se tornou o que é.
A estética se apropriou de um espaço indevido na prioridade, o conceito se adaptou a essa invasão de território da estética, a essência perdeu sua autonomia.
Boa parte das pessoas nega que isso esteja acontecendo, mas quem tem olhos, veja, quem tem ouvidos, ouça.
Já dizia a banda punk inglesa Discharge nos anos 80:
"Hear Nothing See Nothing Say Nothing"

Ouça Arthur Rhames aqui

terça-feira, novembro 25, 2008

The king of the hill: E-Pak-Sa!!!


Cabuloso, tem em todo lugar, em qualquer parte do mundo. Apreciem o medley do mestre do ponchak coreano, o incrível E-Pak-Sa...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Gylan Kain


Gylan Kain é um dos fundadores do grupo The Last Poets, junto de Felipe Luciano e David Nelson em 1968. Seu spoken word agressivo é acompanhado de tambores ou com músicos, como no caso do disco The Blue Guerrilla, onde o Jazz e o Freejazz estão presentes ao lado de sua poesia.
Atualmente novos artístas como Mike Ladd tem redescoberto esta combinação de spoken word e o Freejazz, como sua associação com o pianista Matthew Shipp.
Acima uma amostra sonora de Kain.

terça-feira, novembro 11, 2008

Skate Rock na rádio Sonorica

No segundo programa da rádio Sonorica, um especial com algumas bandas do Hardcore norte-americano que fizeram parte da trilha sonora do skate dos anos 80. Basta clicar no link do podcast que se encontra no lado direito da tela.

Gake no Ue no Ponyo (2008)


O tão aguardado filme de Hayao Miyazaki e Studio Ghibli estreou no Japão em meados de Julho deste ano. Ponyo começou a ser escrito em 2006, mesmo ano do filme dirigido por Goro Miyazaki, que alguns fãs mais radicais do Studio Ghibli, não receberam muito bem e também parte do público. Ponyo relembra em alguns aspectos o filme Tonari no Totoro, pelos protagonistas do filme serem crianças. A temática mística é forte neste belo filme, sendo que a mãe de Ponyo é semelhante a entidade mística que o brasileiro conhece. Com muita sutileza, há certos aspectos sombrios, como pacto de sangue. Mas o filme tem forte mensagem de amor e fé. Mais uma vez Hayao Miyazaki cativa.

sábado, outubro 25, 2008

Giuseppi Logan

Giuseppi Logan nasceu em 22/05/1935 na Philadelphia e aprendeu piano e bateria sozinho até os 12 anos de idade, quando mudou para os intrumentos de sopro. Aos 15 tocou com Earl Bostic e estudou no conservatório de New England. Em 1964 mudou-se para New York se integrando ao cenário do Free Jazz. Tocou com Archie Shepp, Pharoah Sanders, Bill Dixon, Byard Lancaster e Roswell Rudd. Formou seu grupo com Don Pullen no piano, Eddie Gomez no baixo e Milford Graves na bateria. Gravou apenas duas sessões sob o seu nome pela ESP disk: The Giuseppi Logan Quartet (1964) e More (1965). Desde o início dos anos 70 não se sabia o paradeiro de Logan ou se estava vivo ainda. Há muitas histórias tenebrosas sobre Logan, de que ele atacava pessoas nas ruas, envolvimento com drogas. Depois que sua esposa se separou levando seu filho, o qual tinha forte ligação, seu equilíbrio mental ficou seriamente abalado.
Bill Dixon sobre Logan:
"No verão de 64 Giuseppi Logan estava "estudando" comigo, queria saber certas coisas e eu precisa de alguém para tocar sax alto. Então ele tocou em todos os meu concertos e ocasionalmente tocávamos suas composições no grupo. Ele tinha grande dificuldade de encontrar pessoas capazes de executar sua música. Eu penso que naquela época eu era o único trompetista que podia tocar sua música e eu adorava tocá-la. Não havia ninguém que soava em um conjunto como Giuseppi. Ele posicionava a cabeça para trás abrindo totalmente a garganta e aumentava o volume de sopro, tocando acima da quarta oitava no sax alto. O que fazia ele diferente como improvisador, era o jeito que colocava as notas, o som que tinha e como os outros do grupo tocavam atrás dele. Giuseppi Logan tinha seus próprios pontos de vista sobre música."
Parece que Logan foi encontrado por uma missão cristã em New York neste ano de 2008
Ouça
The Giuseppi Logan Quartet:
Fonoteca Municipal de Lisboa

domingo, outubro 19, 2008

Talking about love...

Desde muito tempo se falou sobre o Amor. Mas especificamente neste séc.XXI as coisas tem evoluido para um quadro cada vez mais obscuro. Cada vez mais o Amor se tornou sinônimo de satisfação sexual em letras de pagode, axé, sertanejo, rap, entre outros, corações vermelhos, presentes como jóias, carros, roupas e caixas de bombons.
"Isso é questão de posse..." como dizia Luiz Melodia. A semana toda a mídia brasileira foi assolada pelo horror de um sequestro passional. O duro é que não é o primeiro e não será o último de muitos. Foi um reflexo do que o Amor se distorceu nesta sociedade perversa, uma questão de posse. O rapaz parece que entendia que o seu chamado "amor" era ter a posse de uma pessoa.
Quando eu era um delinquente juvenil e vândalo estudantil, pensei em levantar a mão para minha professora de física que me expulsara da sala de aula. Quando me dirigí em sua direção, algo me impediu(misericórdia de Deus) e apenas a ironizei e batí palmas para ela e me retirei da classe. Hoje em dia, os alunos adolescentes desferem socos e chutes para ferir pra valer os professores, crianças causam graves ferimentos nos professores, portam armas de fogo e atiram para matar os colegas de classe.
Em outro aspecto, o Amor também está em falta na sociedade. cada vez mais se ouvem frases como: " Que se dane, eu estou pagando! ", " Faço o que eu quero, ninguém paga as minhas contas! ". O egoísmo e individulismo são antíteses do Amor. As pessoas não querem dispor seu tempo por Amor, seja pela família, seja pelos amigos e muito menos à um desconhecido que precise de míseros minutos de atenção. Todos dizem que não tem tempo pra nada. Mas há horas disponíveis para suas rotinas de ócio, como em frente a TV ou qualquer outra distração.
Não há tempo para um simples telefonema para dizer um simples "oi, como você está?", e mais constrangedor ainda, mandar um e-mail, que leva menos de 1 minuto.
Tudo se faz caso haja um retorno de interesses pessoais. Já ouví nitidamente pessoas me dizerem que só encontram com amigos se tiver algo que interesse. A simples presença da pessoa e sua amizade não são suficientes para dispor de um tempo para se tomar um bom café e conversar sem pretenções.
O verdadeiro Amor é quando nos colocamos à disposição de qualquer pessoa sem esperar nada em troca. Amar é abdicar. A nossa recompensa é saber que pudemos ser úteis e ajudamos alguém que estava precisando e imaginarmos como este alguém se sentiu amparado e aliviado.
E muitos falam sobre o Amor...

quinta-feira, outubro 09, 2008

Reacionarismo da juventude

Carla Bley, pianista e compositora que se apresenta por estes tempos em São Paulo fez um comentário sobre o panorama geral do Jazz contemporâneo. Ela percebeu que está mais conservador, diferente dos anos 60, período que ela participou ativamente, uma época de avanços, experimentações, de mudanças em busca do novo. E isso vem de uma pessoa de cerca de 70 anos de idade...
Bem, vamos analisar o que acontece especificamente na cidade de São Paulo, lugar em que tenho residência e posso acompanhar mais de perto. Mesmo eu não sendo um ancião, presenciei a transição do analógico para o digital, o vinil para o cd, os PC's que usavam um gravador k7 acoplado, os disquetes flexíveis que não comportavam mais do que poucos kbytes até chegar aos minúsculos pendrives do tamanho de um chaveiro que comportam gigabytes, do console Atari 2600 aos Xbox e Wii.
Na música e sua cultura em volta, podemos ver dois segmentos distintos:
1. Os que aderiram completamente à urgência da tecnolgia digital, só ouvem música eletrônica feita por sintetizadores, samplers, geralmente em formato mp3, mp4. Decretaram a morte da música acústica ou a tratam como artefato de museu. Mas ironicamente os artístas que essas pessoas apreciam, cada vez mais buscam elementos do passado para comporem a música do futuro, seja com equipamentos "vintage" como orgãos que usam válvulas, toca-discos de vinil, gravadores de fita entre muitos outros equipamentos ultrapassados. Apesar desta negação extrema com o passado, (que chega a ser um tanto prejudicial, pois esta ligação é necessária, pois o passado é a estrutura do que somos, desde que isso não afete negativamente o contemporâneo) é mais coerente que o outro segmento;
2. Os que nasceram com a oportunidade de usufruir as comodidades da era digital, que puderam pelo menos jogar um videogame de 64 bits e não um aglomerado de pixels de baixa definição que representavam algum objeto ou personagem. Muitos deles sonham e idealizam uma época que não vivenciaram e até seus pais não tinham constituído família ou estavam na idade adulta. Quem quer reviver os anos 60 no Brasil? Repressão, carência de informação, etc. Podia até ser que antes era melhor por haver menos poluição, menos carros, menor população, mas a miséria, pobreza e violência existiam em suas devidas proporções, para os ricos é óbvio que sempre gozaram de situação melhor, mas pelas sua atitudes, o que plantaram ao seu redor, estão colhendo no séc.XXI os seus frutos: condomínios fechados com cercas eletrificadas, carros blindados, trânsito insuportável, clima alterado, etc. Mas muita coisa está visivelmente melhor que antes, temos acesso simultâneo com o que acontece no mundo inteiro, não é qualquer gripe que vai matar alguém, entre muitas outras melhorias.
Mas o grande problema não é um saudosismo de uma época em que não se vivenciou, mas o atrofiamento intelectual da juventude atual. Muitos destes jovens não querem ser surpreendidos em muitos aspectos, querem estar em alguma situação que seja até previsível, que tenham controle da situação e isso logo na música. Muitos perderam o senso de analisar a arte musical de maneira ampla. Criou-se o estigma de que se um artísta tem o pleno domínio de seu instrumento de expresão e suas idéias são expressas de forma mais complexa, isso significa que o artísta é um exibicionista. O virtusismo se distorceu em uma coisa nociva. Já ouví pessoas, inclusive músicos dizerem que solo é uma coisa ruim. Ora, estes mesmos músicos que disseram isso, gostam de John Coltrane e Cecil Taylor... Coltrane disse que quando começava a solar não conseguia parar e a música ultrapassava os 20 minutos, Cecil Taylor gravou vários discos solo. Roscoe Mitchell quando esteve em São Paulo anos atrás com o Art Ensemble Of Chicago, fez um solo com a técnica de respiração circular por cerca de 20 minutos, seria ele um exibicionista egocêntrico?
Seria mais sensato dizer que certos artístas usam o solo para se exibir e não integrá-lo à composição. Esse lance de julgar é complicado, pois cedo ou tarde, quem julga e muitas vezes julga erroneamente, acaba pecando, e não há quem se safe disto. Tem pessoas que adoram as batalhas de MC's, elogiam suas habilidades de rima, muitas destas batalhas carregam sim, exibicionismo e vaidade, mas se o Steve Vai fizer um mísero solo, ele é o mais exibido de todos... Mas há quem diga que é diferente...

quarta-feira, outubro 01, 2008

Koll Witz:17/10/2008 às19:00h no Espaço Impróprio

Rua Dona Antonia de Queiroz, #40, travessa da rua Augusta, São Paulo, R$ 7
Gig de Improvisação-livre: Leon Horacio Pollard (Londres), Koll Witz(Desterro)
Spíle i’long(Performance) e Orquestra de Improvisadores

segunda-feira, setembro 29, 2008

A volta dos discos de vinil? E o Jazz?

Já faz um bom tempo que se fala sobre a volta dos discos de vinil. Sem dúvida o seu consumo pela juventude aumentou muito, mas é uma parcela menor da juventude, que busca uma emulação de uma época. Há muitas argumentações sobre a preferência pelo vinil, como apreciação melhor da arte da capa e o encarte, o saudosismo, a sabor de descobrir as músicas do lado B, a durabilidade maior que o cd e a mais infundada de todas, a suposta qualidade superior sonora. Segundo um dos mestres das gravações, que era responsável por fazer as matrizes dos discos de vinil de maior qualidade de todos os tempos, os da gravadora de Jazz Blue Note, o engenheiro Rudy Van Gelder deu graças à tecnologia digital e depois a tecnologia de gravação de 25 bits eliminou qualquer possibilidade do cd ser inferior ao vinil. Ora, é que simplesmente a maioria dos tocadores de cd's domésticos e aparelhos de som disponíveis no mercado não é de boa qualidade e não conseguem reproduzir integralmente o registro do cd. Em muitas pesquisas científicas se constatou que apenas uma em dez pessoas conseguia distinguir a diferença entre vinil e cd e ainda que por conta do ruído dos sulcos dos vinil.
No campo específico do Jazz, algumas gravadoras tem relançado réplicas de seu catálogo para atender este segmento de mercado. Mas que gosta de Jazz contemporâneo, seja de novos artístas ou acompanha o trabalho atual dos poucos veteranos da era do vinil, dificilmente encontrará estas gravações em discos de vinil. E mesmo muitas grav
ações antigas foram relançadas em cd com extras que compensam o formato em cd. Existia também o problema das gravações que ultrapassavam a capacidade dos sulcos em uma face do vinil, resultando naqueles terríveis fade-outs no lado A e fade-in no lado B, como ocorreu em discos de Pharoah Sanders e John Coltrane. Alguns selos que se especializavam em Free Jazz não dispunham de qualidade de matéria prima, como o caso de ESP que muitas gravações ficavam com uma prensagem de baixa qualidade. Muitos relançamentos em vinil no famosos formato 180 gm, não garantem uma qualidade superior de gravação e prensagem, como ocorre com muios relançamentos por aí. A maioria dos discos em vinil lançados por Sun Ra eram de baixa qualidade para baratear os custos e hoje suas réplicas são vendidas à preços abusivos.
Mas quem gosta do fetiche do disco de vinil, gosta de ouvir música do passado(no melhor sentido), pode se alegrar com esse pequeno renovo sobre o vinil.
Embora o Jazz, principalmente o Free Jazz se mantém vivo e renovado, proporcionando grandes gravações em formato digital em mídia CD, via pequenos selos, como CIMP, Eremite, Okka Disk, Cadence Jazz, Emanem, HatHut, FMP, Tzadik, Silkheart, Ayler, etc.

domingo, setembro 28, 2008

ELEIÇÔES 2008...

Bem, não há mais o que dizer sobre estas eleições, todos nós vamos ver o que acontece em 2009.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Jaca, Schiavon e suas mitologias

Eis que esta semana foi aniversário de um bom amigo. Uma comemoração simples, do tipo que eu gosto. Como recomendou o apóstolo Paulo, "não seja pesado à ninguém", realmente o que me contentou foi desfrutar de uma boa conversa. Definitivamente a qualidade não é a quantidade, como muitas festas badaladas onde a música do Minutemen serve bem: "Shit You Hear At Parties", festas cheias de pessoas, os famosos "bicões", "os amigos dos amigos que trouxeram um amigo" e a festa de aniversário desvia seu foco para os alheios se divertirem às custas do aniversariante que muitas vezes nem são amigos.
Eis que se encontra o amigo de meu amigo aniversariante, o autor da arte acima, sim, o Jaca. Muito conhecido no meio dos quadrinhos, de leituras como a finada revista Animal, as publicações Tonto ou como muitos dizem, o mito dos quadrinhos underground. Até meu amigo recebeu esta denominação, por conta de suas personagens, como a Vesga, Morsa, Tomate Ladrão(o meu preferido).
O que me chamou a atenção sobre o Jaca, foi o qu
e escreveram à respeito dele recentemente, numa matéria generosa em uma boa revista inclinada a chamada arte. Sobre esta questão do que chamam de "dom artístico" e "injustiça do universo"(será que se refere ao bom e justo Deus?), vamos desmitificar: Thomas Alva Edison disse com autoridade e sabedoria uma frase que meu professor de desenho, pintura e história da arte na faculdade nos repassou: "Na arte, é 99% de esforço e 1% de talento".
Pois é, a arte produzida por M.C. Escher, Ornette Coleman, John Coltrane, Pablo PIcasso, Jaca, Schiavon, Hayao Miyazaki, Katsuhiro Otomo, Osamu Tesuka, são feitas para as pessoas apreciarem e também incentivarem, não para nutrirem um dos mais baixos sentimentos humanos como a inveja.
O que comprova a frase do inventor da lâmpada incandescente, era o que Trane fazia, praticava saxofone mais de 10 horas por dia, Otomo, Tesuka e Miyazaki debruçavam em suas pranchetas de manhã até a madrugada e por aí vai. Sei que a intenção era elogiar, mas isso não justifica nutrir, mesmo que sem intenção, tal sentimento abominável. Ora, a questão é simplesmente tomar vergonha na cara e se esforçar e mesmo que não se alcance o mesmo nível destes artístas, terá criado algo de valor. Exemplo? Ramones, muita gente fala que é música de retardado, que qualquer um pode fazer igual e blá, blá, blá... Os Ramones não se comparam ao que Mozart fez, mas fizeram história, influenciaram milhares de pessoas, sua música toca nas rádios e tv's até hoje e principalmente, emocionam!
Voltando ao Jaca, não posso dizer que o conheço, afinal poucas palavras em cerca de duas horas não dá pra conhecer ninguém de verdade. Mas a impressão que ficou foi de uma boa pessoa, agradável e simples, nada haver com o que escreveram sobre ele. Um cara que tem prazer em comer um simples bolo de boteco, sim aqueles que sempre ficam no balcão do bar e só os tiozinhos do povão comem, conversar sobre coisas comuns, como animais de estimação num bate papo sereno.
O mesmo posso dizer do meu amigo Schiavon. Muito escutei à seu respeito, talvez baseado em seus personagens cortando a cabeça de alguém ou ateando fogo em algo. Mudei completamente a impressão que me passaram, quando ele disse que gostava do personagem Nekobasu(o gato ônibus do filme Tonarino Totoro, de Miyazaki), quando em suas épocas difíceis, contou as parcas moedas e repartiu o pão de torresmo comigo. Pode parecer um exemplo sem importância, mas na verdade aí reside a verdadeira generosidade, repartir algo quando este algo faz falta. É muito fácil oferecer um rango quando a geladeira está cheia.
Os jornalistas pensam que estão prestando um bom serviço, deixando suas imaginações criarem textos romantizados sobre muitos fatos e pessoas e muitas vezes acham que é uma boa homenagem. Um artísta de bom caráter não quer se colocar em um nível superior, ele não acha que sua arte é mais importante que um pão francês de padaria. A sua arte é consequência de sua vida, seu cotidiano, mesmo que baseado em um mundo onírico. O bom artísta só quer compartilhar o fruto do seu trabalho, como se compartilha um pão de torresmo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Sonny Rollins vem ao Brasil

Sonny Rollins finalmente vem ao Brasil. Engraçado que de um tempo pra cá virou moda falar sobre ele. Mais engraçado que anos atrás ninguém dava bola para o que Sonny andou fazendo estes anos todos, pelo menos nos últimos 20 anos, justamente o compatível para essa juventude que o descobriu. Mesmo tendo a oportunidade de ter acesso à uma obra contemporânea de Sonny Rollins. Tudo bem, são muitos bons os seus trabalhos mais famosos do passado, como The Bridge, Sonny On Impulse!, Freedom Suite, Tenor Madness, Saxophone Colossus, Alfie, suas associações com Max Roach, Thelonious Monk, mas e o restante de seu trabalho? Decadas de 70, 80, 90 e esta, Sonny seguiu tocando e gravando. Aí fica esse burburinho por conta do velho, isso mesmo, o tratam como uma peça de museu, um dos últimos sobreviventes do Jazz... Engraçado é que muito pessoal mais velho, que já passou dos 40 é que acabam sendo mais coerentes, esperando assistir justamente o que Sonny tem feito últimamente. Engraçado também é que certo segmento jovem que fica idolatrando Sonny Rollins, terá a chance de ouvir o que ele tem feito últimamente, um Jazz de qualidade, mas convencional e muito similar aos músicos que eles negam e falam mal, é, os famosos young lyons do Jazz... Mas quem gosta do que chamam de "jazz mainstream"(isso não quer dizer que não há alta qualidade artística), como James Carter, Joe Lovano, Wynton Marsalis, Greg Osby em algumas gravações, Joshua Redman, Branford Marsalis por exemplo, vai gostar.


quarta-feira, setembro 17, 2008

Música, arte em São Paulo, que já tem Starbucks!

A tecnologia anda à passos largos e apressados, boas novas da Islândia ou Lýðveldið, que saiu na frente e já desenvolveu os automóveis movidos à hidrogênio. Um país que ganhou sua autonomia apenas em 1874. Ah, ficou mais conhecida para quem gosta de música através do grupo Sugarcubes e Björk.
E a nossa São Paulo, o orgulho de desenvolvimento brazuca, av.Paulista, rua Oscar Freire e suas outras "maravilhas", como a aberração desumana na rua Mercúrio, uma favela vertical, em frente a nova diversão da classe média, o mercado municipal e os famosos pastéis de bacalhau e sanduba de mortadela. Sim, o crack continua rolando pelas ruas. Mas isto é um assunto para os candidatos à prefeitura e vereadores que tem uma fórmula mágica para resolver tudo isso. Aqui o assunto é mais descartável: música contemporânea paulistana e tecnologia.
A bossa nova ainda é tratada como a última bolacha do pacote, como se o mundo tivesse mudado por conta dela. Caso algum brasileiro ainda não saiba, a música que mudou e tem mudado o mundo em grande escala, foi o chamado Jazz, o Rock'n'roll, o Rap e a House music. Aqui em São Paulo, mesmo que pareça, a coisa não evolui nos seus fundamentos, apenas em sua estética, temos tv's de plasma e apenas menos de 10 canais de tv abertos em VHF, com programas em formato criado à 50 anos. O paulistano ainda depende do que os estrangeiros fazem para que depois eles se "arrisquem". Eu já tinha abordado este assunto aqui antes, esse lance de "rap underground", isso é uma tremenda bobagem, pois o rap brasileiro não precisa deste rótulo, mesmo presente em jingles de comerciais, não tem o orçamento milionário dos norte-americanos, com seus carros de luxo, mansões e outras bobagens. Mesmo o Racionais, que é o mais famoso, tem dificuldades em se manter e ser respeitado pela indústria cultural. Os grupos de rock atuais podem até parecer com o que acontece no chamado primeiro mundo, mas é só estética, não tem fundamento, pode ser bem produzido, devido as facilidades tecnológicas que estão mais acessíveis, mas não tem consistência. Nos anos 80( por favor, sem saudosismo), os grupos de rock inspirados no pós-punk, tecno-pop americano e inglês, os grupos de punk rock e de heavy metal podiam até ser precários, instrumentos musicais ruins, roupas meio cafonas, gravações de baixa qualidade, muitas ingênuas, mas tinham um frescor e personalidade, mesmo que muito influenciadas pelos estrangeiros. Eles queriam fazer o som próprio deles, do jeito que eles podiam. Muita gente pode discordar, de que não era diferente de hoje em dia, só que hoje temos recursos. Não, se fizermos uma análise despida de conceitos pessoais, veremos que a verdade é outra. O conceito de influência foi distorcido, veja o caso de Jimi Hendrix, ele tinha influência de muitos bluesmen como Muddy Waters, Otis Rush, etc., mas o que ele fazia era bem diferente. John Coltrane tinha influência de Johnny Hodges, Charlie Parker, Sonny Rollins, depois Ornette, Ayler, mas depois criou algo diferente, com seus próprios conceitos. Os jovens de hoje em dia, muitas vezes querem reproduzir exatamente igual os seus ídolos e chamam isto de influência. Mais honesto seria dizer que são "covers". Capas, aparencias, uma simulação, estética. Aqui só se usa o termo cover quando um grupo toca as músicas de seus ídolos, como Beatles cover, U2 cover, Pink Floyd cover, etc. Aqui em São Paulo a maioria dos grupos de "jazz" se expõem ao ridículo de imitarem os solos dos músicos do passado, dizendo que estão improvisando. Como a maioria dos ouvintes carece de informação musical, não percebe isto e consomem uma arte cadaverizada como se fosse a cereja do bolo. E aqui o jazz parou nos anos 50! O brasileiro não entende que o jazz está na vida dos norte-americanos, existe uma tradição, não uma mumuficação. O New Orleans não é mais o mesmo, nem o Congo Square. Muita coisa é preservada por questão de documento histórico e turístico, mas o jazz continua caminhando, sempre em frente, seja com o Neo-Bop, o M-BASE, a Free improvisation, o Free jazz. Eles usam os elementos ditos tradicionais não por referência estética, mas porque são parte de sua essência e não soa como uma coisa de parque temático, como grupo de jazz "New Orleans" paulistano.
A chamada "street art". Muita gente fala mal, muita gente abraça.Tem coisas realmente interessantes, mas muitas a gente olha, depois vê uma revista importada de anos atrás e se sente enganado. Mas no saldo geral, até que vai bem, pois é muito enfadonho o feudo das artes pláticas que sempre existiu em São Paulo, cheio de conceitos que são do começo do século passado. Nas artes plásticas, o que importa é a pessoa olhar e gostar, causar um impacto, se não, é melhor comprar uma gravura impressa na tok&stock ou etna, que sai bem mais em conta...

quarta-feira, setembro 10, 2008

Soninha e o Brasil Chaos A.D.

Definitivamente este mundo está com seus dias contados, não há mais condições da justiça reinar sob a tutela da humanidade. A vereadora Claudete Alves(PT) foi gritar com Soninha na porta do banheiro da Câmara Municipal que afirmou o hábito da Casa aprovar projetos em troca de cargos, favores e até propina. Carlos Apolinário debochou da capacidade de Soninha ser vereadora por ser comentarista esportiva, jornalista(?!!!). A parte da população que não está anestesiada sabe da verdade, mesmo que não tenha acesso aos detalhes sórdidos dos bastidores da "Casa". Tempos atrás, diriam que uma mulher não teria capacidade de exercer o cargo. Se Soninha não tem capacidade de ser vereadora, então qual a diferença dela para estes:
-Ademir da Guia(PR) - professor de futebol;
-Aguinaldo Timóteo(PR) - artista(ô menino!);
-Carlos Apólinário(DEM) - advogado e empresário(lembrem-se que muitos advogados defendem causas de traficantes, golpistas(falaê, Dantas!) e outros tipos de criminosos. A maioria dos empresários não se importa com os interesses da população e sim do seu próprio negócio, mesmo que em detrimento da maioria da... população!);
-Wadih Mutran(PP) - bacharel em direito e corretor de imóveis(bem, o direito e as leis estão cheios de emendas e recursos para justificar atos ilegais e sabemos da especulação imobiliária que assola a cidade(salve para o pessoal da Prestes Maia!);
-Claudete Alves(PT) - pedagoga.
Confira os vereadores que elegemos neste link: http://www.camara.sp.gov.br/vereadores.asp
Confira a baixaria na "Casa" neste outro link: http://www.estadao.com.br/nacional/eleicoes2008/
Eu particularmente tenho minhas reservas à Soninha, simplesmente por não conhecê-la de fato, conversamos pouquíssimas vezes em mais de dez anos. Não votei nela para vereadora por ter dúvidas sobre o que ela realmente queria e podia fazer. Ah, só uma obervação sobre o que ela disse em telejornal sobre o problema do trânsito chaos a.d. de São Paulo: Ela usa moto, mas tem um problema nisso, a moto pode aliviar o congestionamento, mas a moto polui mais que um carro, simplesmente pelo fato do motor de uma moto ser 2 tempos e isso acarreta maior emissão de gás carbônico. Mas isso é só um detalhe fora do contexto deste post.
Mas eu gostaria de que a Soninha tivesse a chance de provar que pode tentar melhorar esta cidade caótica(não, isso não é um cliché, basta andar pela Avenida do Estado, Avenida Guarapiranga e constatar isso, pois São Paulo é muuuuuito mais que Rua Oscar Freire e Avenida Paulista). Provavelmente Soninha não será a nova prefeita, mas tem meu voto de confiança, mesmo que este meu voto seja insignificante.
Enquanto isso, as pessoas estão preocupadas com o show da Madonna e os cientístas do mundo inteiro em sua empáfia, acreditam que vão descobrir o segredo do universo com um acelerador de partículas de 9 bilhões de dólares(eita dinheirinho bem gasto não? Diz aê Africa!).

quinta-feira, setembro 04, 2008

Ode to Gravity: Shandar Records (May 23, 1973)



As of May 1973 when this program was recorded, Shandar Records of Paris had produced a series of 14 impressive record albums by avant-garde composers and performers including Terry Riley, Steve Reich, Karlheinz Stockhausen, La Monte Young, Pandit Pran Nath, Cecil Taylor, Albert Ayler, Sunny Murray, and Sun Ra. The owner of the company, Chantal d'Arcy talks in Paris with Philip Freriks, a reporter for VPRO/Amsterdam about the record company and her views on new music. Charles Amirkhanian also presents selections from Shandar Records, including a complete performance of “Four Organs” by Steve Reich.


http://www.archive.org/

sexta-feira, agosto 29, 2008

Kaoru Abe (03/05/1949 - 09/09/1978)



Kaoru Abe Website
Biografia por Eugene Chadbourne

Disposable Heroes of Jazz Music

As injustiças na música chamada Jazz, sempre existirão, nunca terão fim, isto é fato. Mas a questão aqui não é sobre injustiça, mas sobre o comodismo, a rotina, a falta de interesse em buscar novas experiências, principalmente entre os paulistanos. As capas dos discos acima são apenas uma milésima parte do que se passou e passa incógnito pelos ouvidos de muitos que até se especializam no dito Jazz. Se tratam de gravações de experiências de ruídos inaudíveis, como muitos depreciam o Free Jazz e Free Improvisation de artístas como Peter Brötzmann? Não. Os exemplos aqui, como Marvin Peterson, Ernest Dawkins, Maurice McIntyre e Ken McIntyre, são de artístas com obras palpáveis a qualquer pessoa que gosta de Jazz no seu sentido mais amplo, não chegam a ir além dos "limites" da abstração sonora, preservam com muito talento e personalidade as raízes de suas culturas ancestrais. Mas quem se interessa? É só conferir nas lojas de discos, conversar com os proprietários sobre a procura da clientela, é sempre a mesma coisa: John Coltrane, Sun Ra, Art Ensemble Of Chicago, Miles fase quinteto, de preferência as primeiras gravações, no caso específico de Sun Ra. Coltrane, se não é Blue Train em vinil, é A Love Supreme, Ascension. Pouco se fala de First Meditations, Live in Seattle, Om, além do que não há interesse no universo de músicos tão fantásticos quanto Trane, como: Albert Ayler, Charles Gayle, Frank Wright, Noah Howard, Oliver Lake, Julius Hemphill, Fred Anderson, David S. Ware, Charles Tyler, Charles Brackeen, etc, só entre os do chamado Free Jazz americano. Hora outra, um nome é escolhido para ser da moda, como Anthony Braxton, Bill Dixon, Han Bennink, Milford Graves e o próprio Brötzmann. Percussionistas, pouco se fala em Norman Connors, Newman Taylor Baker, Paul Lovens, Kahil El Zabar, entre tantos. Bill Dixon se tornou conhecido pela nova geração por sua associação com a Exploding Star Orchestra, apesar de estar na ativa desde os anos 60. Falando em trompetistas, o grande Malachi Thompsom teve cd lançado aqui no Brasil e passou batido, assim como o lp de Marvin Peterson que saiu pela Basf aqui. É triste, pois a música oferece um amplo campo de apreciação, mas parece que muitos preferem passar décadas escutando só A Love Supreme e Kind Of Blue... Pegue um cardápio de qualquer pizzaria de bairro que entrega à domicílio, tem mais de 30 tipos de combinações e não é nada que seja gritante ao paladar do brasileiro, como partes intestinais de animais e insetos, como na culinária chinesa, mas o sujeito sempre pede muzzarella, calabreza, catupiry ou portuguesa, uma coca ou guaraná... e os anos passam...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Eleições 2008 III (Pensem nas crianças!)

Eleições 2008 II (Agora é pra valer!)

Eleições 2008! (Vocês tão de brincadeira, né?)

Espada Olímpica!

Não, não, não se trata do sucessor do clã Togakuri do seriado Jiraya... É sobre a lei da espada que se refletiu em alguns atletas e torcedores brasileiros nestas Olimpíadas em Beijing. No futiba masculino, o bronze se tornou um castigo e desonra, até que se dê conta que não tem mais jeito e o prêmio de consolação vira um tudo no melhor que nada. Agora será que ainda é preciso comentar sobre um segundo propósito? Bem, não sei, mas tem o fato de servir de vitrine para o milionário mercado esportivo europeu... A maratona aquática foi prejudicada porque não importava representar a delegação do país e sim o brilho do nome próprio no podium. A própria atleta em sua humildade admitiu a cultura highlander do "só pode haver um!". Moro num país tropical, mas a ideologia vem da Escócia(highlands). A voz do povo não é a voz de Deus, graças à DEUS! Se não Deus tería uma voz contraditória que raramente mantém a palavra de acordo com seus interesses extremamente pessoais. Deus também não é brasileiro, pois segundo Ele mesmo, seu amor e justiça são para o mundo inteiro, amém!
- Lamento por muitos atletas que com quase sem recursos, conseguiram chegar a olimpíada, mas vamos acordar deste delírio nacionalista e sermos patriótas. O nosso Brasil está doente, pobre e cada vez mais injusto.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Genius Party Beyond (2008)


Genius Party Beyond - Studio 4°C (2008)
São 5 curtas dirigidos por: Koji Morimoto(Dimension Bomb), Mahiro Maeda(Gala), Tatsuyuki Tanaka(Tojin Kit), Shinya Ohira(Wanwa' the Puppy), Kazuto Nakazawa(Moondrive).

Tadashi Hiramatsu

Tadashi Hiramatsu, 17/03/1963, Toyokawa, Aichi, Japão. Animador, animador-chave e storyboard. Trabalhou nos filmes: Abenobashi, Robotech(Macross), Roujin Z, Mobile Suit Gundam F91, Neon Genesis Evangelion, Jin Roh, Neko No Ongaeshi(The Cat Returns), Ghost In The Shell II & III, Paranoia Agent, etc.

terça-feira, agosto 12, 2008

Ícones do Jazz, tabus, injustiças - bateristas

A história do Jazz é repleta de dados imprecisos e muitas injustiças são cometidas por inúmeros fatores. Aqui temos um ponto específico, o rítmo. Grandes mudanças no rumo do Jazz ocorreram neste campo e pouco se fala nos catalizadores destas mudanças, os bateristas. Vejam o caso do chamado "Bebop", muito se fala de Charlie Parker, mas sem descreditar a evidente importância de Bird, pouco se fala de Kenny Clarke, que fundamentou a bateria moderna no Jazz, que foi se libertando com seus antecessores: Big Sid Catlett, Warren "Baby" Dodds, "Papa" Joe Jones, etc. E um ponto crucial no Bebop é justamente a mudança rítmica. Mas vejamos o caso destes bateristas: Jack DeJohnette, que tocou com Charles Lloyd, Miles Davis, entre tantos, tem uma brilhante carreira, é um ícone pra muitos bateristas modernos, mas estagnou em termos de criatividade artística. Tony Williams, famoso companheiro de Miles e seu grupo Lifetime, exímio e talentoso músico, também de certa forma estagnou em seus últimos anos em termos de criatividade, mesmo tendo falecido precocemente. Jimmy Cobb, é um eficiente músico, também é um ícone, mas em termos de diferencial como baterista, isso não é o caso. O mesmo ocorre com Louis Hayes, também veterano do chamado Hardbop. No caso de Williams e DeJohnette, não deram continuidade em suas características inovadoras e personalíssimas, basta observar seus trabalhos dos anos 80 em diante. A questão técnica destes bateristas não está em questão. No caso de Cobb e Hayes, são execelentes bateristas de Jazz, mas não catalizaram mudanças na música e não possuem um diferencial tão significativo para a percussão. Agora vejamos o caso de Dannie Richmond, companheiro de Mingus. Seu estilo e técnica são derivados do Hardbop e muito de Max Roach, mas executar as complexas e exigentes composições de Mingus não é para qualquer um, tarefa que executou com louvor, mas pouco se fala dele, sempre à sombra de Mingus e outros bateristas. Rashied Ali, ficou famoso por ter sido o último baterista de Coltrane, mas existem detalhes que ficaram de fora. Sem dúvida, um músico extremamente criativo, mas ele deve muito à Sunny Murray, que foi o verdadeiro criador da bateria no Free Jazz e muitos lamentavelmente questionam sua técnica, chegando ao absurdo de afirmar que ele não sabe tocar Jazz. Se isso tivesse fundamento, Gil Evans, Jackie McLean por exemplo, não o chamariam para tocar com eles. Sunny foi chamado por Coltrane para substituir Elvin Jones, mas não aceitou porque temia perder a amizade com Elvin. Mas a saída de Elvin era inevitável, pois não supria as novas necessidades percussivas de Trane. Muhammad Ali, irmão de Rashied, é quase que inexistente para o mundo da bateria, o que é extremamente injusto, pois tem qualidade como seu irmão e um estilo incomum e diferenciado, basta averiguar suas gravações com Frank Wright e Noah Howard, por exemplo. Como foi um baterista estritamente de Free Jazz, ficou à margem da mídia especializada em Jazz. Alguns podem afirmar que há um cunho depreciativo no que citei, mas isso é errado, pois como disse, a questão aqui é justamente sobre o que cada músico como percussionista teve função ou não na mudança do instrumento na história música que conhecemos pelo nome de Jazz.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Eraserhead – David Lynch (1977)





Finalmente relançado em DVD o primeiro filme de David Lynch, Eraserhead, de 1977. Disponível oficialmente em 2006, também chega ao mercado brasileiro. Antes disso, circulavam escassas cópias de baixa qualidade em formato VHS.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Sun Ra & His Arkestra

Sun Ra é um dos pioneiros do "Do It Yourself". Para viabilizar os custos, a própria Arkestra confeccionava as capas dos discos e os rótulos. Isso causou uma confusão, pois a mesma gravação chega a ter diversas capas diferentes e algumas vezes os rótulos eram trocados, divergindo os títulos das faixas com o que estava nos sulcos do vinil. Aqui temos uma amostra da trampa da Arquestra nas artes gráficas...

John Coltrane & Cecil Taylor

Até hoje há uma confusão sobre a gravação de John Coltrane e Cecil Taylor, que muitos conhecem por Coltrane Time, que foi lançada pela Blue Note em 1962. Mas na verdade foi uma sessão de gravação liderada por Cecil Taylor em 13/10/1958 pela United Artists (UAL 4014) que, inclusive, consta na discografia de Trane com o nome original: Hard Driving Jazz. Esta sessão era composta por Kenny Dorham (trompete) John Coltrane (sax tenor) Cecil Taylor (piano) Chuck Israels (baixo) Louis Hayes (bateria). Taylor descreve como a gravadora determinou a escolha dos músicos na sessão: " I said 'Coltrane okay, but I want to use all the musicians that I want.' I wanted to use Ted Curson, who's a much more contemporary trumpet player than the trumpet player I ended up with, Kenny Dorham."

Cecil Taylor - Hard Driving Jazz (United Artists UAL 4014)

1. Shifting Down - 10:37
2. Just Friends - 6:13
3. Like Someone In Love - 8:07
4. Double Clutching - 8:18

terça-feira, agosto 05, 2008

Caetitu - Gibson, Weston, Mattos, Blume (2007)

















Yedo Gibson (tenor saxophone, Eb clarinet), Veryan Weston (piano), Marcio Mattos (double bass, electronics), Martin Blume (percussion).

1 - Flush and Harmonize - 18:36
2 - Membrance Source - 10:43
3 - No Repeats - 22:46

Digital concert recording at LOFT Cologne
by Christian Heck - 2007 August 24
Total time 52:16


sexta-feira, agosto 01, 2008

Um Oceano de plástico

Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.

Foto do vórtex

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.


Ocean Plastic

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.

sea-turtle-deformed.jpg Tartaruga deformada por aro de garrafa pet

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos
isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'.
Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão
em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave

Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.

Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.

Fontes:
The Independent, Greenpeace e Mindfully

Ver essas coisas sempre servem para que nós repensemos nossos valores e pricipalmente nosso papel frente ao meio ambiente, ou o ambiente em que vivemos.


Antes de Reciclar, reduza!

Fonte:
Jorge Ceranto, diretor Trecsson, coordenador Fundação Getúlio Vargas - FGV

quarta-feira, julho 30, 2008

Miles Davis

Bem, é óbvia a importância e valor deste músico para a arte, mas já escutei muitas vezes frases como: "Miles is god!". Para muitos pode até ser, mas para mim, que não sou politeísta só existe um Deus. Eu tenho muitas gravações de Miles, de diversas "fases", conheço o seu trabalho e boa parte de sua trajetória. Vamos esclarecer alguns fatos, todos nós seres humanos limitados e com defeitos, Miles não fugiu à sua natureza humana. Miles teve sérios problemas com as drogas que o prejudicaram na saúde e no seu trabalho. Graças à Teo Macero, seu produtor, sua carreira se manteve. Miles nos anos 60 não conseguia tocar um solo inteiro sequer e Macero pacientemente editava vários trechos de solos de inúmeros takes diferentes para montar um inteiro. Sim, Miles remix. Outro fato, Miles era conhecido pelo seu temperamento difícil e inflexível. Se não fosse Tony Williams, que se tornou o seu verdadeiro conselheiro musical, Miles estaría fadado ao ostracismo como Howard McGhee(brilhante trompetista do chamado bebop) e acreditem, Duke Ellington! Sim, Duke foi resgatado por Norman Granz com o selo Pablo nos anos 70, pois ninguém mais queria saber de gravar Duke! Tony incentivava Miles à modernizar sua música, mostrou o rock e outras formas musicais para Miles. Miles Dewey Davis III sacou que se ficasse no chamado purismo do Jazz, ficaría no esquecimento, pois apesar das aparências, o Jazz, mesmo influenciando a música do século XX como um todo, não tem devido valor na sua terra natal. O baixista alemão Peter Kowald constatou este fato com perplexidade quando foi para lá. Muitas das chamadas "Directions In Music" de Miles também tinham um grande cunho mercadológico. Não foi por meras questões artísticas que Miles gravou músicas de Michael Jackson e elementos do Hiphop nos anos 80, era o que o mercado consumia em massa. Sobre a famosa autobiografia de Miles escrita em conjunto com Quincy Troupe, uma vez seu amigo Max Roach lhe questionou porquê tinha publicado fatos de forma irreal. Miles disse que não fora ele, mas Roach repreendeu dizendo que ele tinha assinado em baixo, ou seja...
Enfim, Miles Davis foi realmente um grande artísta e muito importante para a música, mas veja lá quem se coloca no pedestal da idolatria...

Romanos 3:10: "...
Não há um justo, nem um sequer."

sexta-feira, julho 11, 2008

Kaiba


Série de animação dirigida por Masaaki Yuasa e Madhouse em 2008. Kaiba é o personagem sem memória, a não ser com a imagem de uma mulher desconhecida. Viaja pelo espaço conhecendo pessoas e recuperando sua memória numa época em que as memórias das pessoas podiam ser armazenadas em bancos de dados e transferidas para novos corpos, sendo comercializadas, mas também podiam ser roubadas e ilegalmente alteradas. Yuasa dirigiu Mind Game(2004), Kemonozume(2006), trabalhou também em Crayon Shin-chan(1992), Noiseman Sound Insect(1997), My Neighbours The Yamadas(1999), Cat Soup(2003), Samurai Champloo(2004).

quinta-feira, julho 10, 2008

UMA NOTA DE AGRADECIMENTO

Uma pausa para a cultura, as artes, que no momento é um ítem totalmente dispensável e supérfluo. Não vamos olhar o gramado do vizinho, vamos olhar para a nossa casa: BRASIL.
Obrigado à população que move este país, que vota e elege nossos líderes, as empresas, indústrias, crime organizado e desorganizado, enfim, todos os setores da sociedade brasileira. Ficam de fora os que estão no trabalho escravo, na mendicancia, miséria. Graças a nós todos que fazemos parte da sociedade em todos os níveis, teremos um futuro brilhante, sim, afinal os derivados de petróleo como o plástico, metais, materias inorgânicas, refletem bem o brilho sol. Beberemos bio-combustíveis e comeremos plásticos, metais, automóveis, etc. Quem sabe a minoria consiga comprar água engarrafada e alimentos importados. Obrigado à todos mesmo, pois o ser humano se tornou uma "coisa", descartável, um número. TV's de plasma maiores, pois assim não se enxerga a miséria nas ruas, nos cruzamentos de ruas e avenidas, nos bairros pobres e favelas, interior e capitais, norte, sul, leste e oeste.
Como disse antes, este é um mísero blog que poucas pessoas se interessam, e ainda por cima não tem cunho político, é direcionado ao supérfluo mundo artístico. Este post não surtirá efeito algum e não tem este objetivo, é apenas uma nota de agradecimento. Oremos pois, para que este quadro sombrio se reverta, para que o verdadeiro amor predomine em todos. Sim, o amor verdadeiro, que não é egoísta, que não espera recompensa ao se doar. Sem ironia, que Deus abençoe à todas as pessoas deste país, que tenham vida repleta de prosperidade, paz, amor e justiça, amém.

quarta-feira, julho 09, 2008

Sunny's Time Now

Antes tarde do que nunca. Enfim o reconhecimento mais do que merecido deste brilhante músico, Sunny Murray é o verdadeiro libertador da bateria no Jazz em conceitos mais amplos, o pai da bateria do Freejazz. Já no fim dos anos 50, junto de Cecil Taylor, participando inclusive de workshops de Varése, desenvolveram as bases e o conceito de Freejazz. Sunny desenvolveu o uso das frequências sonoras da percussão e pulsação no Jazz de forma realmente livre, abandonando as estruturas formais de compasso e rítmo. Deixou sua marca nas gravações com Albert Ayler e sería o próximo baterista de Coltrane em sua chamada última fase. Sunny vive atualmente na Europa, onde encontrou receptividade para sua arte e recentemente gravou com outro grande artísta marginalizado do Freejazz: Arhtur Doyle. As grandes mudanças desencadeadas no Jazz ocorreram principalmente no rítmo, não apenas nas estruturas melódicas, como muitos enxergam. Kenny Clarke, Max Roach e Sunny Murray ampliaram as possiblidades musicais da bateria no Jazz de forma única. Assim como Duke Ellington, Charlie Parker e John Lewis no campo harmônico e melódico. Infelizmente, ainda é um tanto difícil encontrar este dvd, mas aqui seguem os links:

http://www.ptd.lu/stn.htm


Paul Thiltges Distributions
45, boulevard Pierre Frieden
L-1543 Luxembourg
Tel: (352) 44 70 70 46 28 - Fax: (352) 25 03 94
info@ptd.lu

sábado, junho 28, 2008

Work Series: Musician - Ken Vandermark (2007)

Está disponível o documentário Musician da The Work Series sobre o músico e compositor de Chicago, Ken Vandermark, dirigido por Daniel Kraus em dvd. Aproximadamente 60 minutos mostra a vida deste brilhante artísta da nova geração do Freejazz. Vandermark participa de muitos projetos, desde duos até formações maiores, como o Chicago Tentet de Peter Brötzmann. Atualmente tem trabalhado no projeto Powerhouse Sound com o guitarrista do grupo Tortoise, Jeff Parker e duos com os bateristas Paal Nilsen-Love e Tim Daisy, baterista do seu principal projeto, o Vandermark 5.

quarta-feira, junho 25, 2008

Freejazz em São Paulo neste sábado, 28/06/2008

Sábado 28 de junho, das 19h à 1h
:::HISTÓRIA DO JAZZ - VOLUME 5:::
>>>>> FREEJAZZ <<<<<
Com Antônio Panda Gianfratti e Yedo Gibson


A CASA TEM LOTAÇÃO LIMITADA. Chegue cedo!
Rua João Moura, #1076, Pinheiros (travessa da Rua Cardeal Arcoverde)
- Fundos do estacionamento

sexta-feira, junho 20, 2008

Cultura oriental, Bossa Nova, azeite e vinagre

Calma, não tenho nada contra a Bossa Nova, é só uma simbologia para situar os desavisados sobre o nacionalismo fora de senso de nós brasileiros e nossa cultura ocidental.
Uma arrogante frase afirmava que a Europa é o centro da cultura e civilização da humanidade. Será mesmo? Bom, tem várias civilizações no norte africano e oriente médio, oriente extremo, parte das américas que já tinham um sistema funcional de cidades evoluído, enquanto a Europa vivia a barbárie. Bem, o sistema numérico que predomina no mundo é do oriente médio, os talheres como garfo, faca e colher vieram de lá também. O refinado consumo do chá vem do oriente, o macarrão foi criado lá. Calma, muitos benefícios e comodidades domésticas e logística produtiva foram geradas na Europa, porém muitas delas é que desencadearam a crise ambiental e a enfermidade do eco-sistema.
Agora devido a comemoração do centenário da imigração nipônica no Brasil, tenho deparado com afirmações descabidas tanto de brasileiros descendentes de japoneses, tanto de brasileiros descendentes de europeus. O oriente e o ocidente são como azeite e vinagre, não se misturam em uma poção homogênea, existe o bom senso do convívio e o respeito entre diferenças, mas jamais existirá um planeta 100% homogêneo. Muitos ocidentais caem no erro de afirmar que o Japão, por exemplo, se ocidentalizou. Isso não é verdade, pois o que aconteceu foi meramente a modernização de uma nação, pois a essência oriental está intacta. Mesmo que haja um bar de Bossa Nova em Shibuya, um rastafari japonês. Aliás sobre o mito do japonês adorar Bossa Nova, é para uma minoria, como apreciadores de Free Jazz em São Paulo. O Japão tem sua própria cultura musical, seja o J Pop da juventude, o Enka da velha guarda, ou o Rap, Reggae, música eletrônica para dançar, etc, que foram absorvidos estéticamente pelo povo japonês. O Japão pode ser considerado um povo pré-pós-modernista, pois já agiam como tais, antes deste conceito ser teorizado e criado. Os descendentes e os poucos japoneses restantes que imigraram para o Brasil, tentam preservar uma visão distorcida de um Japão que não existe mais nesta terra Macunaíma. Outra coisa, uma tradição nem sempre é traduzida como sabedoria e provedora de benefícios, muitas vezes ela se arrasta pelos séculos devido ao comodismo, gerando um costume por inércia. Para mim, as coisas mais importantes que devem ser tradição preservada no Japão ou em qualquer parte do hemisfério terrestre, são a Honra, o Respeito, a Disciplina no sentido de ser objetivo e correto em benefício pessoal e coletivo. A modernização de um país através da tecnologia e conforto na logística de uma cidade não descarta um aprimoramento moral, social e cultural que se aperfeiçoa através dos séculos. É aquela história, algum brazuca vai fazer curso de sushimen em Tokyo, que pode durar cerca de 10 anos, não chega na metade do curso e volta como rei da cocada preta, ou melhor, do sashimi de atum segunda linha. Ditadão popular brazuca: Em terra de cego, caolho é rei!

quarta-feira, junho 11, 2008

Freejazz, perseguição, o mesmo de sempre...

Um assunto que ainda persiste no meio cultural e seus segmentos específicos nesta capital paulista capenga, é sobre a reação negativa dos "desavisados" ao freejazz e música improvisada. Veio à tona novamente esta pauta após o concerto de Peter Brötzmann e o Full Blast. Os ditos apreciadores do freejazz e música improvisada que podem até correr o risco de se acharem especialistas, connoiseurs, experts e outras bobagens do gênero se deleitam ao falar da reação de quem não aguenta o barulho de um concerto de freejazz ou de ruídos estranhos numa sessão de improvisação livre e se retira do local. Eu também já perdí meu tempo reparando nisso, mas hoje vejo que isso é vergonhoso e inútil. É uma atitude arrogante, que pode não ser tão consciente, mas é perigosamente ligada ao fato de afirmar que a pessoa a qual não aprova do espetáculo, denuncia uma ignorância artística. Sim, pode até ser, mas o que isso importa? E o gosto não é uma coisa particular? Eu só lamento das pessoas que se retiraram das performances terem perdido a oportunidade de formar uma sólida opinião favorável ou não sobre o que presenciaram. Por exemplo, eu já ouví discos inteiros ou vídeos de muitos gêneros como New Metal, Gangsta Rap, Raggamuffin, Sertanejo(influenciado pelo Pop e Country Music dos EUA), Axé, Pagode, Forró, Grindcore, "Emo", para chegar a uma conclusão despida de pré-conceitos. Em todos os segmentos artísticos pude encontrar algum valor, mesmo que não faça parte da minha lista de apreciação. Por exemplo, o "Créu" tem uma função social, mesmo que de forma extremamente nociva à cultura, mas a massa popular adora. Eu não gosto, fazer o que? Não importa, seja a massa popular cantarolando refrões vulgares, seja meia dúzia numa sala do Sesc apreciando um concerto de freejazz ou improvisação livre com o queixo apoiado na mão, temos resultados danosos ao indivíduo.

quinta-feira, junho 05, 2008

Peter Brötzmann + Ivo Perelman trio em São Paulo



Nesta última terça e quarta, dias 3 e 4 de Junho, Ivo Perelman se apresentou com o contra-baixista Dominic Duval e a violinista Rosi Hertlein. No dia 3, foi no auditório do Masp às 12:30h, como um concerto de câmara, só com a acústica do local, onde os músicos improvisaram de forma mais lírica. Rosi usou a sua voz como elemento complementar de acordes e contra-pontos, Dominic usou o corpo do contra-baixo e o tablado como percussão, unindo ao som visual do saxofone de Ivo. Realmente tenho notado a influência da pintura na música de Ivo e últimamente tem criado mais paisagens sonoras que podem ter mais ênfase nas cores ou no gestual, como na técnica de pintura chamada de "dripping", desenvolvida por Jackson Pollock. Assim também foi na quarta-feira no Sesc Vila Mariana, só que havia captação por microfones, que proporcionou uma outra atmosfera no campo dos harmônicos extraídos dos instrumentos.
Então é chegada a hora, Peter Brötzmann entra com seu trio, formado por Marino Pliakas no contra-baixo elétrico e pedais de efeito e Michael Wertmüller na bateria. Brötz inícia com o sax alto que em suas mãos, soa com a força e o peso de um tenor, alternando momentos líricos(sim!) e torrentes sonoras violentas. Usou o tarogato, um instrumento de sopro húngaro semelhante ao clarinete e um clarinete de metal, onde muitas vezes suas abordagens se assemelhavam muito à música do Oriente Médio. No sax tenor, é o Brötz que conheço, onde os tons graves soam como uma erupção vulcânica e os harmônicos em velocidade cósmica. Marino criou uma sólida massa sonora com as distorções, lembrando muito o guitarrista Sonny Sharrock e Michael alternou velocidade, força e dinâmica com uma destreza cirúrgica e rítmos tribais. Em muito me lembrou o projeto Last Exit de Brötz com Sharrock, Bill Laswell(baixo) e Ronald Shannon Jackson(bateria), só que mais enxuto. Mas o que realmente mais vou lembrar, é da simpatia, gentileza, humildade e suavidade de Brötz, que tive o grande prazer de conversar um pouquinho num café da esquina, assim como Dominic e Rosi. O Ivo eu já tive o prazer de conhecer antes, mesmo nossos encontros sempre serem breves, é sempre agradável conversar com ele. Mais do que ter assistido grandes apresentações musicais, foi ter conhecido pessoas.
(Publicado no blog Farofa Moderna)
 
 
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