sexta-feira, outubro 29, 2010

Interrompemos a nossa programação para o horário de propaganda política obrigatória

Propaganda: s.f. - 1. Conjunto de atos que têm por fim propagar uma ideia, opinião ou doutrina; 2. Associação que tem por fim a propagação de uma ideia ou doutrina. Ação ou efeito de propagar ou difundir, princípios, teorias etc. Vulgarização.

Até que enfim se encerra este período eleitoral ao qual, particularmente já estava aborrecido, não em relação à política, mas aos caminhos tenebrosos que ela sempre percorre.
Foi com muito pesar que cheguei a conclusão de que não tinha uma opção satisfatória em termos de candidatura. Já basta o tipo de afirmação do tipo: "escolher o menos pior" ou coisa parecida. Não, definitivamente não sou um alienado sobre política, apenas não sou um cientísta político, mas conheço os quesitos primordiais para se viver em sociedade, aliás, política deriva do termo grego polis (πολις), que significa cidade, entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos (no grego "politikos"), isto é, pelos homens nascidos no solo da cidade, livres e iguais. Ou seja, se vivo numa cidade, sou político.
Mais uma vez, como se era de esperar, as propagandas eleitorais se assemelham com as dos bancos privados, com uma narração em off ao pé de ouvido, em tom paternal, apelando explícitamente para o emocional, com imagens populistas, de um país em pleno progresso com oportunidade para todos. Os candidatos apelando para o nome de Deus sei lá porquê, pois a maioria nem compreende o que é Deus, quem é Deus ou sequer acredita que ele realmente exista. "Se Deus quiser", "Graças à Deus" se tornaram apenas expressões populares que até os ateístas e agnósticos pronunciam involuntariamente num país idólatra, cheio de crendices, superstições e pré-conceitos em relação à Deus. Quem realmente leu a Bíblia e realmente compreendeu o que alí está escrito? A maioria das pessoas criou a ilusão de que já leu por conta de versículos propagados de forma isolada, sem entender o contexto em que se encontra. Ou muitos tem na memória, os filmes bíblicos que costumam ser veiculados na tv nos feriados religiosos e de fim de ano, que ajudam a criar esta ilusão.
O que me decepciona, são os líderes de denominações cristãs se envolverem neste comércio político. Eles tem o direito de manisfestar sua postura política como cidadãos, mas eu já acho um tanto danoso usarem suas influências perante os membros das denominações as quais são líderes.

"Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." - João 18:36

Não sou contra estes líderes orientarem os membros das igrejas nas condutas sociais, afinal, todos nós estamos vivos e vivendo nesta terra e não podemos espiritualizar tudo em nossas vidas, pois existe a questão prática, do cotidiano, da cidadania. Mas o propósito das igrejas cristãs não deveria invadir outros territórios, pois como disse Jesus Cristo, o reino dele não é deste mundo, não é desta vida. Se uma igreja se diz ser do Reino de Deus ou evangélica, não deve adulterar a Água. Essa é apenas minha opinião particular e cada um tem o direito de pensar o que bem entender, inclusive ir à igreja para conseguir um carro ou uma casa como "benção".

"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento;" - Oséias 4:6
"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?" - Marcos 12:24
"...pois o povo que não tem entendimento será transtornado." - Oséias 4:14

2 comentários:

Vagner Pitta disse...

Concordo plenamente:

O templo não é para barganha política e nem deve ser uma a Assistencia Social. O templo é um lugar de culto e adoração ao nosso Deus, com o único intuíto de buscar uma espiritualidade cada vez mais avançada, numa marcha em prol do amor cristão: caridade, amor ao próximo, honestidade, felicidade, ser um ser humano cada vez melhor consigo mesmo e com os seus iguais.


No entanto, tentam resumir Deus como um assistente social. Ora Jesus não veio pra fins materiais: se ele multiplicou o pão não foi para dizer que ele seria o responsável de prover tudo, mas para dar um exemplo de fé e do seu poder alí naquele momento para os que o seguiam. Sim, ele é capaz de provêr nossas necessidades quando nós, por nossos meios, não conseguimos mais. Mas o real intuíto da fé cristá é praticar a fé com boas obras e apenas isso: quem quiser ter carro, comer, estudar...cada um corre atraz do seu prejuizo enquanto cidadão...bem... a política, o Estado, eles sim junto com cada cidadão são responsáveis pelas oportunidades a serem conferidas à sociedade. Deus é fé e amor.


Portanto Silas Malafaia, Bispo Macedo e tantos não fazem nada mais do que elevar a Palavra ao status de protudo, ou subproduto, de uma politicagem, um mercantilismo e uma banalização da fé cristã.

Minha opinião...

Obrigado, Akira, por nos trazer à reflexão!

akirarw disse...

Obrigado pela sua opinião exposta aqui, Pitta. Mas essas coisas infelizmente já estavam previstas. Oremos pela justiça. abs

 
 
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