terça-feira, janeiro 16, 2007

Deixem o HipHop em paz!

Lembrei da mania brazuca no futebol. Tá cheio de técnico que tem a solução, a fórmula da vitória para seu time ou a seleção. Esse contingente numeroso de técnicos em potencial está em todos os lugares, nos bares, farmácias, filas de banco, etc. Enquanto isso, os times e a CBF gastando rios de dinheiro com salários absurdos para alguns técnicos que parecem almejar o estrelato como celebridade. Puxa vida, com tanto técnico "melhor" dando sopa no balcão de um boteco qualquer...
O achismo é um grande mal da humanidade, pois gera arrogância, equívoco, injustiça, etc. Nunca foi tão grande o crescimento do achismo como ultimamente. Falando especificamente na arte, na música. Sua parte jornalística, teórica, documental, decaiu vertiginosamente em termos de qualidade, seriedade. Tá cheio de "experts" por ai escrevendo e falando qualquer coisa. Estudiosos do Google, que não se dão ao trabalho de averiguar as fontes. Esses casos são lamentáveis mesmo, pois divulgam dados errados sobre muita coisa. Mas também tem outra categoria, dos que têm o mínimo de bom senso e pesquisam mais à fundo. Que escutam muita música para aprender sobre o assunto, aliado à livros, artigos de revistas especializadas, entrevistas, etc. Só que tem um porém nisso tudo. Nem tudo vai se aprender pelos caminhos teóricos e intelectuais. Muitas coisas precisam ser vividas, presenciadas, pois dizem à sentimentos. O envolvimento é que realmente vai mostrar e ensinar o sentido de muitas coisas na arte, na música. Como o HipHop é a bola da vez no consumo mundial, temos toda a sorte de pessoas ligadas ao assunto. Dos que sempre fizeram parte, que ajudaram a criar, dos bem intencionados que ajudam e participam, dos que lidam com isso apenas como consumo, sem envolvimento, dos oportunistas, bem ou mal intencionados, dos indiferentes. Por ser a bola da vez em termos de novidade para a juventude(pois o rock tem 4 décadas de vantagem), o HipHop tem sua importância em vários níveis e tipos. Roupas, comportamento e entretenimento. Mas também por ter nas origens muito cunho social e comunitário, vai além de conduta individual. Enfim, é um assunto amplo. O que me levou a escrever sobre o assunto foi o crescente número de artigos específicos sobre o Rap. Jornais, TV, revistas, internet. Pena que o que fica em evidência é justamente a parte menos proveitosa no sentido construtivo positivo. O que é chamado "mainstream" do Rap, que só existe de fato no exterior, propaga o consumismo, sexismo, vaidade e até crime e violência. Como o brasileiro tem dificuldade em filtrar as coisas que vêm de fora, acabamos presenciando pessoas que mal completaram seus estudos querendo por diamante no dente. Mas esta parte não é a que me causa mais indignação. O que é deprimente, é a classe média que se acha no direito de se apropriar de um conjunto de manifestações coletivas e artísticas, por se acharem melhores que a grande maioria da população carente. Tá cheio de músico, jornalista dando "aulinha" de cultura HipHop por ai. Tem músico que até gosta da parada, mas antes não dava o devido valor, tratava como coisa menor, por não ter instrumentistas. Agora que a parada dá grana e fama, chegam querendo pagar de autoridade. Os que são da ala jornalística, que arrogância! Uma analogia disso, por exemplo, quem é que realmente faz um bom pão, a pessoa que é filho de padeiro e aprendeu na prática desde pequeno, ou o aluno número um do curso de padaria do Senac? O grande problema é que esses jornalístas estão tão preocupados com a promoção de seus egos e pelos seus direitos de liberade de expressão, que acabam por contaminar as pessoas que estão em busca de informação e não possuem tantas ferramentas para tal. Eu já falei sobre o assunto por aqui, num post sobre o "rap underground". A classe média que consome cultura importou este termo para se diferenciar dos outros. Isso é que é nojento dessas pessoas, só querem estar com o povão na hora da festa, na hora da enchente e deslizamento,a maioria faz que não viu, que não conhece. Mais uma coisa que lembrei fazendo analogia com o futebol: imagine uma torcida de um time qualquer, tá todo mundo lá, um do lado do outro com a mesma camisa. Tem gente de todo tipo, o fanático, o violento, o que não olha o jogo, o que fica só escutando no rádinho, rico, pobre. Mas todo mundo trinca com o time. Já pensou se cada tipo resolve-se subdividir a torcida? "Nossa ala tem o grito de torcida melhor..." "Nossas bandeiras são melhores que a deles" "Aqui é só os jovens, pois véio não sabe torcer direito..." A torcida que faz a diferença para o time que está em campo, é aquela que é uma coisa só, que vibra em unissono e ecoa por todo o estádio.

6 comentários:

nicolas disse...

mais uma vez o preconceito camuflado mostra a sua cara, eh dificil vc ver alguem criticando as letras do white stripes, do yeah yeah yeahs ou de qualquer outra merda ai, mas preto nao pode falar merda neh

nicolas disse...

eh foda mesmo rubinho, mas o rap eh muito questionado e porque sera neh.

nicolas disse...

o turbo negro falar q tomar baque no cu nao tem porblema, mas o jay z tomar champagne no iate dele eh treta

akirarw disse...

Sobre as bandas de rock que vc disse, muda-se o cenário, atores e diretor da peça, mas o texto é o mesmo. Há muito tempo o rock se tornou ícone da rebeldia sem causa. Depois se tornou um produto de mercado. A maioria das bandas de rock que estão em evidência dizem coisas que são pouco proveitosas. No post há um dos porquês do motivo do questionamento do Rap, é a bola da vez. Quanto ao Turbo Negro e Jay-Z, são livres para falarem o que acharem melhor, cada um cada um, minha opinião é irrelevante sobre o que eles dizem.

nicolas disse...

eu sei, eu nao to falando de vc, mas dos jornalistas que criticam qualquer ousadia de um rapper e ignoram e/ou acham bonito as merdas q os rockeiros falam

akirarw disse...

Ah, entendi. Mas isso dos jornalistas paulistanos em geral não tem muito remédio, o que cai no gosto popular eles falam mau, mesmo eles tendo gostado antes de ficar famoso. Fora a síndrome provinciana à qual o pessoal não se libertou, que perdura desde o tempo do império portuga. Mas a questão q vc levantou é triste mesmo, o preconceito social aqui em SP é forte e covarde, pois não se assume. Tem um trecho de uma música do Tom Zé que diz: "...o pobre quando está quieto, está fazendo pirraça, quando está fazendo festa é o efeito da cachaça..."

 
 
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