segunda-feira, janeiro 19, 2009

Como se dizia antes, não está na hora de virar o lado do disco?

Já tem gente começando o ano de 2009 com o pé na cova... Mas isso é no sentido figurado em relação à música e em São Paulo particularmente. São sites, blogs, comunidades do orkut, etc., abordando o assunto Miles Davis. Como recentemente foi publicado o livro sobre a gravação do disco Kind Of Blue, o assunto voltou com mais frequência do que já é costume. Para os fãs de Miles e os que acham que ele é mais que um mero ser humano, já explico que não odeio ele, inclusive tenho uma boa parte de sua discografia, reconheço seu talento e realmente aprecio muitas de suas composições, mas não tenho uma imagem idealizada e romantizada de um Miles Davis is god, como muitos afirmam. Também já abordei o tema em sí e este não é o momento e nem a minha vontade retomar um assunto tão bem digerido, bem publicado, bem documentado, bem registrado, como é Miles Davis, desde fascículos de banca de jornal, dvd's e luxuosas box set's com gravações inéditas.
O que me levou a falar sobre isso foi ter visto justamente o que escreví no começo do post, nem começou o ano direito e já estão falando do ilustre de novo, só que sem nada que possa acrescentar algo realmente relevante e substancial. Tudo bem, é o livre arbítrio, pois cada um escolhe no que gasta seu curto espaço de tempo em carne e osso neste planeta. Tem pessoas que só ouvem a música de Johnny Mathis, outros só Beatles, etc e etc.
Só creio que seja um desperdício de oportunidade. Se privar de descobrir coisas novas e isso nem sempre quer dizer que se tenha obrigação de só ir atrás de no caso especificamente, trompetistas de Free Jazz ou Neo-Bop. Até o bem conhecido Lee Morgan desperta pouco interesse, talvez por ignorância e principalmente em sua melhor fase, no fim dos anos 60 e início dos 70. Mas também podemos descobrir trabalhos preciosos, como o realmente desconhecido trompetista Dupree Bolton, que gravou nos anos 50 e o blog Farofa Moderna colocou em pauta.
Nem sempre não se mexe em time que está "ganhando", pois pode ser que só não está perdendo...

Um comentário:

Marco disse...

Ídolos clássicos não passam de referência para iniciados em música, mas tem gente bem velhinha que ta nessa ainda, é incrível a falta de bom senso!
Eternamente será assim: as mesmas figuras representativas de cada rótulo musical em cena que vem junto com a falta de bom gosto da massa, o medo do desconhecido e falta de originalidade, além do primor por ignorar músicos que vem por trás da grande estrela dos holofotes.
Onde existe o público para as vertentes do subterraneo e bandas injustiçadas ? Quem se importou e quem se importa com isso desde que música é música ?
Sempre foi assim, exemplo moderno seria o das revistas, casas de show e boates insistindo sempre no mesmo, no hype, hits ordinários atrasados e sons que imitam mal as obras do subterrâneo de outra década, o medo do dj tocar o desconhecido e esvaziar a pistinha. E quem se importa com a arte e com o desconhecido?
E não é por falta de meios, porque quem quiser tudo de graça consegue, é só correr atrás. Enquanto isso blogs divulgam bandas raras e coisas que quem curte de verdade está vivendo a época de ouro em quesito de adquirir obras que sempre quis ter e nunca teve acesso. É bom comprar discos, mas quando nao se tem dinheiro e nem acesso é o mp3 salvando. Moral da história: música verdadeira é pra poucos, porque pra maioria é como uma escola assombrada, intocável, um tabu eterno como sempre foi. Enquanto isso a gente continua a vibrar e pesquisar no escuro os grupos e músicos injustiçados que vivem na sombra do esquecimento da massa burra.

 
 
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