terça-feira, janeiro 11, 2011

In Yo' Face!: The Roots of Funk, Vol. 1/2 (1994)

Em plenos anos 90, ninguém queria saber de funk, era considerado uma coisa cafona e haviam centenas de lp's do gênero em sebos na cidade de São Paulo. Você podia encontrar um Maggot Brain do Funkadelic, Mothership Connection do Parliament por até R$1,00. Só alguns títulos tinham algum valor no comércio dos "baileiros", os dj's (nesta época ninguém queria ser dj) que davam uma trampa nos "bailes nostalgia", que rolavam pela cidade. Eu mesmo fiz minha coleção nesta época, sem gastar uma fortuna, como se viu por aí, pessoas pagando na média de R$50,00 por um disco.
Graças a uma reportagem que foi publicada num jornal sobre o lançamento do box, se não me engano de 5 cd's, In Yo' Face!, que dava um panorama geral do funk, este tipo de música foi introduzido em outras parcelas da população paulistana. Digamos que não era nada comum "gente branca" procurar por um disco de James Brown ou Sly Stone nessa época. Me lembro quando eu ia em algumas pequenas lojas de discos usados no centro, procurar coisas como Jimmy Castor Bunch e os proprietários, que na maioria discotecavam nesses bailes, como o Chic Show ou Black Mad, se surpreendiam comigo. "Mano, você curte esse som?!" Hoje em dia, é fácil você dançar na pista um Mandrill, num reduto do rock alternativo. Mas também você não encontra mais um disco do James Brown por menos de R$10,00 como antes, fora essa moda do vinil que rola nos guetos culturais da cidade.
Mas o In Yo' Face! foi de muita utilidade para mim e muitos por aí que curtem o funk dos anos 70 e o vol.1/2 eu particularmente acho que é o melhor de todos, pois mostra a transição da soul music e rhythm'n'blus na formação do funk. Lá estão clássicos como Tramp, de Lowell Fulson, Cissy Strut do The Meters, Soul Dance #3 de Wilson Pickett, etc, com aquela sonoridade robusta da época, que depois o funk perdeu no decorrer da década de 70, desbocando na disco music. In Yo' Face! é sem dúvida uma compilação bem feita e coerente, que vale a pena ouvir como material de pesquisa e referência. Clique na imagem para acessar o arquivo.

2 comentários:

Vagner Pitta disse...

Fala, irmão!!!

Também sou fascinado por Funk!!! E estive reparando, embora nos anos 90 ninguem quisesse mais saber de Funk, é preciso lembrar que nos anos 2000 ouve um considerável revival dos grooves funk na linhagem do mainstream contemporâneo: Joshua Redman, Roy Hargrove, Christian McBride e até músicos mais progressistas Ken Vandermark passaram a englobar batidas de funk em deus discos.


Em geral, acho que ouve uma banalização do funk por aqui, enquanto que lá fora a influência do funk foi justamente sofisticar e enriquecer a linhagem retrô-moderna (se é que me entende rs...)


Abração!

akirarw disse...

Fala meu irmão! Estamos de volta em 2011! Lá fora quase sempre o lance é diferente, o Funk lá sempre esteve presente, pois foi literalmente a base do hiphop, construido pelos samplers dos discos de Funk. O pessoal lá fora lida com a música de modo difente daqui, que é muito mais permeável às modas e sensações de verão. Até o acid jazz lá eles levaram mais à sério em termos musicais, aqui foi só o que chamamos de hype. Abração e nos vemos em breve.

 
 
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