segunda-feira, novembro 28, 2011

S.O.S. ARTESANATO DE SP (Feirinha da Teodoro Sampaio)

Um pequeno grupo de artesãos se instalou no quarteirão da R. Teodoro Sampaio, entre a Praça Benedito Calixto e Rua João Moura trazendo fôlego de vida numa importante via de acesso com calçadas estreitas e trânsito massivo e hostil. Está próxima a data em que completo 40 anos de residência nesta região e esta rua já foi muito mais amistosa ao transeunte pinheirense e paulistano. Tanto que na época natalina havia a ornamentação temática ao longo da via e até desfile de carnaval. Carros estacionavam na faixa direita da rua, permitindo um aceso mais agradável ao pedestre. Mas a população brazuca, sejam ricos ou pobres sucumbiram ao desejo insâno de preencherem seus vazios existenciais com ítens de consumo. É fácil averiguar isso em qualquer pesquisa ou nas ruas. A vida das pessoas praticamente se resume na compra de tv's, telefones celulares, computadores, vestimentas da moda e veículos motorizados. A pobre massa proletária sofre pagando cerca de 12 ou mais prestações por produtos que muitas vezes se esfarelam antes da quitação. Produtos que não são essenciais, são supérfluos, mas foram contaminados por essa ilusão, o desejo de fazer parte da sociedade, "eu tenho, eu compro, eu posso". Uma tentativa patética de elevar a auto estima para tentar ser incluído no modelo midiático social. Existem inúmeras questões que são profundas na configuração desta cidade, resumindo em sociedade como indivíduo, como sistema coletivo.
Isso faz parte do padrão arquitetado para as pessoas se confinarem em verdadeiros currais humanos, sejam shopping centers ou na própria residência, comendo a ração disponível para alimentarem a manjada máquina do sistema capitalista e proporcionar a vida suntuosa de um milésimo da população(no caso) paulistana.
A ausência de raízes e tradição do brasileiro em incluir a cultura, a arte em seu dia a dia, afeta diretamente o artesão, pois para o brasileiro contemporâneo de todas as classes, não há interesse real em consumir arte e produtos artesanais.
Para não me estender às raízes do problema, que iria em direção de patamares filosóficos e espirituais, temos um problema irreversível no âmbito político, social e econômico.
Já abordei a condição sinistra que envolve o cartel da associação dos "amigos" da Benedito. Aquilo é um caso perdido, ou melhor, um caso de polícia. Especificamente ao grupo de artesãos da Feirinha da Teodoro, além do que um dos articuladores fundamentais e artesão Vanderlei Prado tem exposto no seu blog Wanderart, existe uma pequena questão que eu gostaria de abordar aqui. Infelizmente no meio deste distinto grupo de artesãos dignos de seu ofício, se infiltraram alguns que deturpam a concepção do artesanato. Como? Vendem produtos industrializados e até os "piratas"(termo em voga no comércio). Com a justificativa de precisarem levar o pão à mesa, os filhos, o aluguel, a sobrevivência, praticam a contravenção. Também não vou dar espaço maior à esta questão, pois aqui não é a hora e nem lugar para isso, mas concluindo, os fins não justificam os meios. Outros mancham a imagem do artesão à um hippie sujo drogado com pouco interesse em ser útil e "levar a vida na flauta". Imagine um sábado com a família e você passa pela rua para apreciar o artesanato e comprá-lo e depara com expositores consumindo alcool sem bom senso (isto é, já se embriagando) na frente de crianças e alguns consumindo substâncias entorpecentes. Qual é a imagem que vai ficar? Não, nem pense em afirmar que sou um moralista equivocado, pois nem em Amsterdam onde é possível usufruir de certas liberdades, pois a maioria da população holandesa tem educação e bom senso para isso, se vê certas atitudes que ocorrem por aqui, onde é crime ou contravenção. A liberdade usada sem sabedoria se torna a corda da forca do indivíduo.
Este pequeno apêndice é mais uma arma que os interessados em exterminar a saudável pluraridade cultural da região usam à seu favor. Se faz necessário separar o joio do trigo, para que não haja brechas para o inimigo se infiltrar. É uma luta digna, mas permeada de injustiça e os artesãos são como o pequeno pássaro que leva água em seu bico para apagar o incêndio na floresta. Sei também que é extremamente tentador perder o controle e partir para o confronto, mas isso tem um alto custo que vale à pena parar, respirar e refletir, pois as contas e a despensa não são lá muito de esperar.
Como cidadão e morador do bairro, eu apoio os artesãos da Feirinha da Teodoro e peço perdão por não poder contribuir efetivamente nesta contenda. Como cristão convicto, peço que mantenham a perseverança pelo caminho justo, mesmo que tudo pareça sem uma solução justa. As vezes, o que parece perdido, na verdade é um passo para uma conquista muito melhor do que a almejada. Continuem a luta sempre seguindo o que é justo perante Deus e a sociedade e creio que poderão se alegrar com as novas conquistas e principalmente lembrar de que fizeram algo digno sem ter do que se envergonhar.

2 comentários:

MariaCareto disse...

Olá, sou a Maria Joao Careto, sou artesa portuguesa a lutar pelos meus direitos - tomei a liberdade de "levar" algumas das fotos que voce tem aqui para colocar no grupo.. serao devidamente creditadas e pode me checkar no facebook..

obrigada pelo seu texto...

MJ Careto

akirarw disse...

Maria, agradeço pela sua visita ao blog e as fotos estão disponíveis para serem divulgadas mesmo.
E os créditos das fotos devem ser atribuídos ao blog do Vanderlei, o Wanderart , que é o principal
responsável pela mobilização do movimento e também artesão. Eu sou apenas um amigo que contribuiu
com uma pequena fração em prol da cultura. Abs

 
 
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