domingo, março 29, 2009

Just A Pest... (um Festival de opções!)

Na maioria das vezes as formigas são uma peste, contaminam os alimentos depois que invadem a cozinha, danificam as paredes das casas, estragam os jardins e eventualmente nos mordem, algumas espécies podem te deixar de cama. Muita gente associa a formiga com um exemplo positivo, de organização e trabalho, mas isso não é bem assim. A formiga obedece um código genético e opera pelo instinto, a formiga não tem escolha. A fábula da formiga e a cigarra ajuda a reforçar o exemplo da boa formiga. Me lembro do anime Tekkonkinkreet, onde o personagem Kuro(Preto), lembra que seu parceiro Shiro(Branco) acha injusta a história, pois para ele a cigarra não queria fazer mal a ninguém, só queria cantar.
Mas o ser humano é diferenciado, ele tem o livre arbítrio, tem o poder de decisão, pode raciocinar, pode escolher, pode controlar seus instintos naturais.
Muitas pessoas escolhem se submeter a situações adversas para obter um prazer que se forem colocados na ponta do lápis tanto sentido material quanto espiritual, estão remotamente longe de uma boa opção custo-benefício.
Um bom exemplo são os grandes festivais de música promovidos por grandes corporações que seguem os padrões mais radicais dos valores capitalistas. Antes eu realmente me aborrecia se perdia a oportunidade de prestigiar um artísta por falta de condições financeiras, já que cada vez mais o preço dos ingressos subia e o formato adotado das apresentações se moldou de uma forma desvantajosa para o público específico, ou seja, ter que pagar mais para assistir seu artísta predileto por conta de outras atrações estarem incluídas na mesma noite. Quando eu perdí a última apresentação do Pharoah Sanders no Freejazz Festival, no fim dos anos 90 por falta de condições financeiras, fiquei chateado, pois é muito difícil prestigiar o Pharoah, pois o saxofonista norte-americano não faz tantas turnês mundiais que passam pelo Brasil e o Jazz aqui não é inserido no circuito mundial, como em muitos outros países. Ainda o fator da idade de Pharoah e outros músicos como Ornette Coleman, eles diminuem o número de apresentações durante o ano por conta do desgaste físico das viagens. Então eu pude perceber que isso realmente era uma situação extremamente insignificante perante a grande alegria de estar vivo e que isso não merecia tomar tanto tempo para murmurações. Também percebí que se em algum dia eu realmente tive uma identificação com a filsofia libertária do punk e do hardcore, eu não podia me sujeitar ao que as corporações capitalistas impunham para os consumidores. Pague 100 mangos para ver seu artísta preferido sem a certeza de ter uma boa qualidade de serviço, assista o show onde ficam os cavalos...(mas não é sempre no Jockey?)
É triste ver uma boa porção de pessoas que tem uma situação material privilegiada em relação à grande população deste país, depender de comprar momentos passageiros e se sujeitar a situações totalmente desnecessárias para serem felizes. Recentemente eu lí que uma pessoa só conseguiu resolver 13 anos de questionamentos(creio que sejam existenciais) vendo os gestos de um artísta do rock.

3 comentários:

nomeansno disse...

Se em toda midia existisse alguem com tamanha analise critica quanto vc o mundo seria realmente melhor e formaria boas cabeças pra não dar lucro a esses empresários que fazam dos shows fonte de ganhos absurdos de dinheiro! Mas cara vemos que realmente essas pessoas vão a shows mais por ibope pessoal que vai da 'pagação' de status ao modismo. Nem ao menos conhecem a atração mas ja compram o ingresso pra estar na festa em busca do sexo oposto e exibicionismo. Ingressos a 200 reais e como vc disse pra ver a banda que vc não quer ver inclusa no mesmo evento sempre nesses lugares grandes e sem estrutura, com filas pra banheiro sujo e até no bar com valores caros também. Estacionamento e stress para o transporte ao local. A cara de pau é tão grande que não tem sequer a preocupação de oferecer uma boa marca de bebida na maioria dos casos. Toda essa lambança e tumulto para estar inserido em um simples prazer momentaneo é como no sexo casual, depois do gozo as vezes o arrependimento ou esquecimento. Em tempos de crise talvez seja mesmo o remédio para o existencialismo e o vazio que se encontra o ser humano.

akirarw disse...

Pois é, tem muita gente que é assim mesmo, mas eu também conheço muita gente que fala sempre do ativismo, dos Sem Terra, do Noan Chomsky, da periferia, do Racionais, do Fela Kuti, do Che, do Fugazi e tudo é muito bonito. Mas a maioria não abre mãe de um conforto. A esquerda é tão virtual como um código HTML. Acho que é apenas uma coerência, praticar o que se fala. Muitas coisas deste mundo são realmente supérfluas e gosto de usufluí-las, mas quando chegam ao ponto delas serem cruciais para minha felicidade, é hora de colocá-las em seu devido lugar, ou seja, no último lugar da fila. Obrigado pelo comentário.

nomeansno disse...

Um dito 'revolucionario' andando pela av. paulista, v.madalena ou usp com seu marlboro, nike no pé, ipod e filosofando teorias que não são praticadas por ele próprio que tem o conforto do lar e ganha dinheiro de herança da familia é o que mais existe. Principalmente estudantes que frequentam esses tipos de evento, hoje em dia cada um faz a sua e que se dane, nenhuma causa é valida apenas o dinheiro no bolso. Nada contra a modernidade e evolução da espécie que vai se adaptando a padrões vindos de midias que agem igual a eles e ditam as regras de como viver. Os poucos que relutam em não dar lucro a isso ou não consomem bem material superfluo estão no escuro, mas também só resta analisar porque é como formiga mesmo, já contaminou geral.

 
 
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