segunda-feira, junho 22, 2009

O desenho de Takashi Nemoto e Carlos Marçal

Poderiamos perder grande tempo numa tentativa em vão de teorizar o que leva certas pessoas produzirem sua arte. Muitas vezes o próprio artísta não consegue definir suas razões. Teóricos apelam para pseudo-ensaios sobre psicanálise tentando justificar sua análise sobre as obras de arte e seus artístas criadores, mas quase sempre são declarações suspeitas, muito passivas de enganos e desperdício de tempo e vaidade do intelecto.
Mas o intrigante aqui é a proximidade da estética e talvez até no conceitos nestes dois indivíduos que são contemporâneos, mas tem realidades completamente distintas, ainda com uma distância de hemisfério que os separa em um dia de vôo de avião: Takashi Nemoto e Carlos Marçal.
Nemoto é um conhecido do mangá no Japão, seu estilo é bem agressivo e totalmente oposto ao que a maioria das pessoas entendem por histórias em quadrinhos japonesas, como Naruto, Clamp, etc. Seus contemporâneos no Japão são Suehiro Maruo e o americano Gary Panter, numa linguagem que se convencionou de chamar underground, contra-cultura, subversiva.
Carlos Marçal não tem um nome ou curículo nos quadrinhos brasileiros, é amigo do Schiavon que já publicou várias obras em quadrinhos no Brasil quando tomou uma certa forma o quadrinho underground brasileiro no fim dos anos 80. Talvez Marçal tenha se influenciado na produção gráfica de seu amigo que o encorajou a continuar desenhando.

É muito interessante como duas pessoas que nunca se viram e pelo menos até agora que eu saiba, também nunca viram um o trabalho do outro, mas suas estéticas e talvez até em algum conceito se assemelhem tanto.
Blog de Carlos Marçal: http://mestrismo.blogspot.com/
Site de Takashi Nemoto: http://www011.upp.so-net.ne.jp/

2 comentários:

Vagner Pitta disse...

Muito legal akira!

Eu já curti muito quadrinhos: dos manjados HQs e DC Comics americanos aos mais velhos dos chamados mangás como o Akira, por exemplo, que eu adorava

pra mim esses tipos não é uma arte não de teor artístico, mas sim entretenimento (se é que vc me entende rsrs)

Agora esses tipos mais artísticos que vc indicou eu curto pacas, apesar de ser leigo!

Talvez se eu tivesse mais tempo de correr atrás desses outros tipos de artes...ah como gostaria...rs...mas o tempo é escasso...pena!


Abraços!

akirarw disse...

Valeu pelo comentário, Pitta. Olha, esse tempo para conhecer seria insuficiente, mesmo que fosse integral. Meu amigo japonês que vai para Tokyo pelo menos uma vez ao ano, sempre volta com caixas de mangás deste tipo, de diversos autores e sua coleção, é uma parede de exemplares. É como querer acompanhar os lançamentos de Free Jazz e Improvisação. Mesmo o mais famoso que é o Osamu Tesuka, que teve obras lançadas e veiculadas por aqui, como a história do Buda e o anime A Princesa e o Cavaleiro nos anos 80, não temos acesso à sua vasta obra, com temáticas que são bem distintas de personagens como Astro Boy. Katsuhiro Otomo também tem seu lado mais artístico em ilustrações e animações. O jeito é tentar pincelar um pouco de cada. abs!

 
 
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