quinta-feira, abril 01, 2010

O retrato da cultura do paulistano, do brasileiro

Nesta última terça me encontrei com um amigo que está de mudança para Curitiba. Ele me convidou para tomar um café na rede Starbucks. Sempre que aparece este tipo de coisa, fico um tanto quanto arisco, pois aqui nesta cidade, uma coisa corriqueira se torna fonte de status. E lá fomos ao Starbucks localizado no cruzamento da Alameda Campinas e Alameda Santos, um endereço "nobre"(blergh!) de sampa. Primeiro o lado bom, o local é agradável, ar condicionado um tanto quanto frio, mas os produtos são bons. Tomamos um café com baunilha acompanhado de pão de queijo e muffin de blueberry. Tudo com um ótimo sabor, tamanho satisfatório, o café foi servido naqueles copos grandes com tampa, como se vê nos filmes norte americanos e o muffin era de massa úmida e boa quantidade de fruta como recheio e o pão de queijo crocante por fora e macio por dentro. Não é como boa parte de lugares em São Paulo que servem estas iguarias com preço alto e o muffin parece um bolinho da Seven Boys com prazo de validade vencido e o pão de queijo como aqueles instantâneos de supermercado.
Bem, vamos ao assunto do post. Algumas pessoas agem de modo mais saudável, estão desfrutando apenas de um serviço gastronômico de boa qualidade, apenas isso. Mas a maioria se deixa levar pelas suas própias ambições e acreditam que estão se elevando socialmente. Querem ser vistas nestes locais e se sentirem especiais, mais nobres. Mas numa rede fastfood? Isso ocorre na loja de alfajores Havana, Häagen-Dasz, Burguer King. Como se este tipo de atitude pudesse proporcionar um upgrade intelectual e de status. Passamos na loja da Fnac, que tinha como intuito inicial, ser um megastore mais voltado à cultura. Mas o povo vai lá é para folear semanário e paquerar produtos eletrônicos. A variedade de cd's caiu mais de 65% e deu lugar a prateleiras forradas de dvd's da Ivete, Claudia e etc. Livros? Costuma ser o carro chefe da Fnac, mas a maioria dos exemplares são livros são de um tipo de literatura um tanto quanto, o que posso dizer, Paulo Coelho? Dan Brown? Crime e Castigo? Ora, Dostoievski eu encontro numa maquina de livros pocket na estação de metrô.
Aí fomos ao outro extremo. Descemos a rua Augusta, onde a modernidade jovem voltou a habitar, junto das casas de strip tease degradantes. Um fim de feira livre tem uma aparência mais digna. Vistamos amigos, isso já ao lado do edifício Copan e fomos numa churrascaria com sistema de rodízio, que fica na praça da República. A Trilha Gaúcha, é o oposto do Starbucks. Quem está na churrasqueira é o "Ceará", o piso está sempre seboso, as carnes nem sempre estão no ponto, as vezes salgadas demais, as vezes queimadas e endurecidas. Mas as pessoas que frequentam o Trilha não ligam pra isso, o negócio é a quantidade. O sistema de rodízio lhes permitem se empanturrar de carne, pois não podem gastar tanto dinheiro com carne em seus lares. Ou se come uma costela em casa ou deixa de pagar umas das 20 pretações da tv de lcd comprada nas Casas Bahia.
Isso tudo já não é novidade, pois em São Paulo, sempre foi assim. Então se torna um tanto quanto alienígena escrever sobre jazz, afrobeat, volta dos discos de vinil para colecionadores. Ainda bem que isto aqui é só um blog.

2 comentários:

Marcus Diniz disse...

Eu particularmente adoro contrastes em minha vida.
Tomo-me, desde criança, como uma pessoa difícil de se definir, adoro um Jazz mas continuo escutando música eletrônica (eu sei, eu sei..).
Sem contar que, aqui em Curitiba, não existe tanta diversidade e 'contraste' como em São Paulo, nos vemos na frente de uma casa de strip-tease aonde a cerveja é de péssima qualidade e cara, e, 800 metros adentro, nos vemos em um clube high-class aonde o pessoal considerado 'cult-cool' da sociedade deslumbra uma cerveja irlandesa de R$ 17,00 por long neck.
É uma coisa estupidamente linda, confesso. Reclamo, mas, São Paulo, te amo.

akirarw disse...

Também gosto daqui, pois muitas pessoas fazem tudo isso se tornar um bom lugar para se morar.

 
 
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