sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Arthur Doyle Electro-Acoustic Ensemble ‎– National Conspiracy (2004)

O Electro-Acoustic Ensemble é mais um projeto de Arthur Doyle e National Conspiracy é um registro de performances de 2004 no Tonic e Fun Fest no North Six, ambos localizados no Brooklyn, N.Y. São duas peças improvisadas que são executadas ao vivo com o uso de material pré gravado. Faz parte do processo de Doyle o uso de gravador em suas composições, seja nos seus trabalhos solo como em conjuntos.
Não há informações sobre os membros presentes do EAE nesta gravação, pois o grupo varia entre quarteto e sexteto, sendo que alguns integrantes se revezam. Os mais constantes nos registros do EAE são Ed Wilcox na percussão, Leslie Q no baixo e guitarra, Vinnie Paternostro nos sintetizadores e eletrônicos e Tim Poland nos teclados. National Conspiracy foi editado em CD-R em edição limitada de 80 cópias com a capa pintada à mão e silk-sreen.
Esta é uma realidade para muitos músicos que acreditam e fazem a música de forma livre, criativa, com personalidade, de forma independente da indústria fonográfica. A conspiração está nos comentários do post.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Zbigniew Seifert, John Coltrane e o violino no jazz

Até hoje existe a idealização limitada sobre instrumentos musicais no estilo musical chamado de jazz. Até o popular saxofone soprano era aceito com dificuldade nos anos 50. Mas independente das opiniões de crítica especializada e público, os músicos não se preocupavam com essas bobagens e apenas enxergam outros instrumentos como ferramentas para seu trabalho. O reflexo deste pré-conceito é refletido no baixo contingente de músicos que usam instrumentos diferentes dos saxofones, trompetes, trombones, guitarras, piano, bateria, etc. O violino é uma dessas ferramentas pouco usadas no dito jazz até hoje. Sim, existem alguns músicos extremamente criativos que fizeram uso do violino no jazz e da música criativa, como Leroy Jenkins, Billy Bang entre os que se enquadram no free jazz, assim como o próprio Ornette Coleman. Talvez o violino seja mais lembrado pelo nome de Jean Luc Ponty e suas participações com o compositor Frank Zappa, ou talvez Didier Lockwood. Mas existiu um artísta que pode ser considerado um pioneiro do violino no jazz:
Zbigniew Seifert nasceu no dia 06/06/1946 em Kraków, Polônia e iniciou sua carreira no saxofone alto, muito influenciado por John Coltrane. Zbigniew fez parte ativa do cenário polonês do jazz, partcipou do grupo de Tomasz Stanko, trompetista e improvisador. Também tocou com Albert Mangelsdorf, Palle Danielsson, Joachin Kuhm, Charlie Mariano, Billy Hart, etc. Seifert segundo suas próprias palavras, tocava o violino, como se estivesse tocando um saxofone sob grande influência de John Coltrane e não tocando seu instrumento de forma usual.
Man Of The Light foi o primeiro disco sob seu nome e contou com o baterista Billy Hart e o contra-baixista Cecil McBee. Segundo Zbigniew, foi o disco em que desejou colocar todos os seus sonhos e desejos. Como sempre, segue nos comentários, o acesso ao homem da luz.

ps.: Para meu amigo Vagner Pitta e Wozzeck! Mag

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Arthur Doyle's Free Jazz Soul Orchestra ‎– Bushman Yoga (2007)

Ano novo, vida nova, nova hospedagem e assim segue a esperança de continuar a divulgar arte em forma de música sem obstruções corporativas.
Arthur Doyle é um dos prediletos da casa com sua arte única e está entre os sobreviventes da luta pela música criativa e livre de classificações e normas convencionais. Sua trajetória de vida passa por momentos difíceis, como seu injusto encarceramento, que nas entrelinhas se encontra o racismo. Hank Mobley passou por situação semelhante, gerou frutos: o album Slice Of The Top. Doyle compôs The Songwriter e centenas de composições quando esteve até privado de tocar seu saxofone.
Doyle não se limitou ao rótulo free jazz e transitou no solo fértil do manifesto artístico chamado de No Wave e fez parceria com o músico Rudolph Grey no grupo The Blue Humans. Apesar do nome Arthur Doyle até hoje ser de certa forma desprezado pela mídia musical, segue no árduo trabalho de fazer música e um de seus projetos, foi o Arthur Doyle's Free Jazz Soul Orchestra. Free Jazz Soul não quer dizer que você irá deparar com um free jazz e o groove da soul music. Estas três palavras são empregadas por Doyle de maneira fundamental, não como denominações estilísticas musicais. São cerca de 72 minutos divididos em 12 peças improvisadas numa jornada sonora onde são exploradas de maneira única, sopros, vozes, sons eletrônicos e percussivos. Quem conseguiu a tempo compartilhar dos dois compactos de Doyle que postei aqui (antes de ter minha conta do MediaFire suspensa), pode esperar o mesmo alto nível da arte de Doyle. Segue nos comentários do post o acesso ao Bushman Yoga.
Enfim, quem aprecia a arte de Arthur Doyle e tiver condições financeiras e amor à música, pode contribuir com Doyle comprando seus discos que estão disponíveis nos catálogos das gravadoras, lembrando que Doyle é um legítimo músico underground e outsider, logo, a venda de um simples CD sob seu nome, é uma contribuição em tanto!

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Piranha - Big Fucking Teeth demo tape (1988)

"É um peixe voraz, de São Francisco, não, não, perdão, Amazonas..."*
Na verdade a banda de thrash metal se formou em Berkeley, California em 1987 por Paul Baloff, que foi vocalista de uma das mais importantes e influentes bandas dos anos 80. Gravou apenas um disco em estúdio, o Bonded By Blood, gravado  em Julho de 1984 e lançado em 25/04/1985 pela Torrid/Combat Records. O guitarrista Kirk Hammett (Metallica) que fez parte do Exodus, teve participação na composição de algumas músicas do primeiro album do Exodus que anteriormente teria o título de A Lesson In Violence. Paul Baloff era conhecido por ter problemas de alcoolismo que foi obstáculo para estar à frente de uma banda que estava em evidência, pois Bonded By Blood se tornou um clássico instantâneo. Então ele entrou em desacordo com seus colegas de banda e deixou o Exodus e logo em 1987 formou o grupo Piranha, composto por Ron Shipes: guitarrra, Al Voltage: guitarra, Erick Wong: baixo e Fred Cotton: bateria. O Piranha gravou apenas duas demo tapes com Paul Baloff que ainda em 1988 se tornou vocalista da banda Heathen. Baloff retornou ao Exodus e esteve na banda em 1993, entre 1997-98 e finalmente entre 2001-02, quando faleceu no dia 02/02/2002. Ainda em 1997 lançou um disco ao vivo com o Exodus, o Another Lesson In Violence, gravado em um show do dia 08/03/1997 no Trocadero em San Francisco,CA, uma casa de shows que foi inaugurada em 1892.
Me lembro quando ouvi o Exodus pela primeira vez, em 1986 na Woodstock Discos, centro de São Paulo. Foi um grande impacto imediato, assim como a introdução da música de abertura, Bonded By Blood que começa com o som de um avião à jato. Pedi pro Walcyr (proprietário da loja), me gravar uma fita k-7 do lp importado, que seria lançado no Brasil ainda no mesmo ano pelo selo Cogumelo Records, que começou como uma loja de discos em Belo Horizonte, MG, assim como a Woodstock Discos se tornou um selo. O Exodus foi tão importante para mim, que se tornou grande influência pessoal quando me juntei com amigos de infância para montar uma banda de thrash metal, o Megaforce, que inclusive o logotipo foi inspirado no do Exodus e o nome da banda, na gravadora do Metallica, pois nossas bandas preferidas da época eram Slayer, Metallica e Exodus.
Bem, talvez para a maioria dos que acompanham o Sonorica seja um tanto quanto estranho eu abordar este estilo de música, mas para mim, o Exodus me emociona tanto quanto o Art Ensemble Of Chicago ou New Order. Se deixarmos de lado todos os supérfluos e todos os conceitos, fica a essência da música, o sentimento, e então, um universo sem fronteiras se abre. Nos comentários o acesso para este pequeno registro de Paul Baloff.

*Uma citação de uma canção de Alypyo Martins

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Linha 702U-21, um conto urbano.

No final da manhã do dia 22 de Janeiro de 2013, me encontrava na região do Parque Dom Pedro II, centro de São Paulo. Conhecida como zona cerealista, onde se encontram alimentos vendidos em grande quantidade e preços mais justos, lá estava eu com 2 kilos de cereal matinal que comprara para meu pai. Sob o viaduto em frente ao Museu Catavento, instalado no Palácio das Indústrias e antiga sede da prefeitura, se encontra uma parada de ônibus, onde passa o 702U-21(Pinheiros/Pq. Dom Pedro II). Esta linha tem uma peculiaridade, pois seu itinerário de volta ao ponto inicial em Pinheiros, passa pela rua Arthur de Azevedo, uma das principais do bairro, mas que não possui um tráfego intenso de ônibus. Se não me engano, só duas linhas passam nesta rua que possui 5 paradas. É um ônibus que sempre causa "problemas" aos usuários, mas por culpa deles mesmos. Sempre que faço uso desta linha encontro passageiros que ignoram o itinerário que está exposto no para-brisa dianteiro e ao lado da porta de embarque, que indicam o trajeto pela Arthur de Azevedo e também não perguntam aos funcionários do ônibus, qual é o trajeto.
Quando ainda me encontrava na avenida Senador Queiroz, embarcaram mãe e filho, a mãe era descendente de japoneses e o filho deveria ter menos de 10 anos de idade. O menino era alegre e se maravilhou com o veículo de piso rebaixado na parte dianteira, pois nunca tinha embarcado neste tipo de veículo e disse para a mãe que queria viajar de novo. Sua mãe e alguns passageiros (inclusive eu), acharam engraçado a empolgação do menino com uma coisa tão simples. A pureza de uma criança.
Havia uma senhora nordestina vestida com elegância que desejava ir à avenida Angélica, que é paralela à avenida Consolação, parte do trajeto do 702U-21. Por falta de atenção, ela não desembarcou na parada desejada, no corredor de ônibus em frente ao cemitério da Consolação. Então ela quase entrou em pânico, já buscando culpar alguém e vários passageiros tentaram lhe confortar informando que ainda havia uma parada no final da avenida Paulista, que lhe deixaria em frente da avenida Angélica. Mas a senhora relutava em aceitar a recomendação coletiva e também não compreendia a informação, pois não estava disposta a tal, queria de qualquer maneira fazer a sua vontade. Disse várias vezes que era para descer no ponto do cemitério, e eis que o menino perguntou: "Quem morreu?". A senhora já muito nervosa disse: "Eu nunca mais pego essa peste!", se referindo ao 702U-21. Então ela desceu na parada da avenida Paulista e muitos passageiros disseram para ela descer ali mesmo, pois a avenida Angélica estava quase a sua frente. Ela desembarcou contrariada mas não seguiu a recomendação dos passageiros e seguiu em direção contrária.
A peculiaridade do 702U-21, é justamente sua trajetória pela rua Arthur de Azevedo pelo bairro de Pinheiros, e não pela rua Cardeal Arcoverde, via principal dos ônibus na região. O 702U-21 percorre apenas por duas das oito paradas desta rua. Quando o 702U-21 passa pelas duas paradas, faz uma conversão para a rua Henrique Schaumann para seguir pela rua Arthur de Azevedo. É neste momento que os passageiros desavisados ficam aflitos, nervosos, indignados e até furiosos, enfim...
Então havia uma outra senhora no 702U-21, que provavelmente já estava irritada com a empolgação do menino e não contava com a trajetória do ônibus, que aumentou sua irritação. Enquanto a mãe do menino se dirigiu rapidamente ao cobrador para tirar suas dúvidas, a senhora irritada rapidamente foi ao assento onde se encontravam o menino e a mãe e pediu para o menino retirar a bolsa da mãe pois queria sentar-se ali. O menino explicou que o assento estava ocupado e a senhora se irou com o menino e de forma grosseira disse que não tinha ninguém ali e ordenou que retirasse os pertences de sua mãe para ela se sentar, queria sentar mais perto da porta pois iria desembarcar em breve. Mas havia outro assento vago logo à frente, inclusive mais perto da porta. A mãe do menino logo retornou ao seu lugar e de forma gentil explicou que tinha apenas se dirigido ao cobrador para tirar uma dúvida e ainda indicou o assento vago para ela. Mas a senhora repetiu a atitude com a mãe do menino e seguiu praguejando até desembarcar do ônibus. O detalhe é que o incidente durou cerca de um minuto, pois a senhora iniciou a contenda à cerca de 100 metros do seu ponto de desembarque.
Durante o trajeto do 702U-21, permaneci calado observando os acontecimentos dentro do ônibus, e no meio de conversas que em sua maioria são de pessoas falando mau de outras, reclamações em geral, fofocas, semblantes insatisfeitos, havia uma menino muito feliz.
Antes do meu desembarque, ouço a mãe do menino dizer: "Hoje aconteceu de tudo nesse ônubus".

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Frank Wright Quartet - Live In New York City Summer 1973


Frank Wright nasceu no dia 9 de Julho de 1935 na cidade de Grenade, Mississipi, tocou baixo elétrico em sua juventude, tocou em grupos de R&B em Memphis e Cleveland (cidade natal de Albert Ayler, onde o conheceu). Ayler o inspirou a mudar para o saxofone tenor e Wright mudou-se para New York no começo da década de 60 e ingressou no cenário do chamado free jazz e tocou com Larry Young, Noah Howard, Sunny Murray e brevemente com John Coltrane e Cecil Taylor. Sua primeira gravação foi em 1965 com seu trio composto por Henry Grimes no contra-baixo e Tom Price na bateria pelo selo ESP. No fim dos anos 60 mudou-se para a França onde tocou com Noah Howard, Bobby Few, Art Taylor, Alan Silva, Muhammad Ali e entre os anos 70 e 80 trabalhou na Europa e América do Norte, gravou em pequenos selos na Europa com Peter Brötzmann e Marvin "Hannibal" Peterson. Em 1988 participou de um concerto com o Art Eensemble Of Chicago no Petrillo Bandshell em Chicago,IL. Suas últimas gravações foram entre 1989-90 com um trio composto por Frank Wollny no contra-baixo e o artísta plástico alemão A.R. Penck na bateria.
Frank Wright definitivamente foi um músico do underground, jamais gravou por uma grande gravadora e seu nome é praticamente conhecido apenas no gueto do free jazz. Mas seu estilo e sua música de certa forma foram influência para outros músicos, como Glenn Spearman, Sabir Mateen, Charles Gayle, e Thomas Borgmann por exemplo. Sem dúvida o estilo de Ayler teve influência, mas Wright desenvolveu seu próprio estilo no saxofone tenor. Coltrane e Ayler são referência de espiritualidade no jazz, inclusive isto é exposto diretamente em suas gravações, mas Wright também faz parte desta ala de músicos, tanto que era conhecido como Reverend Frank Wright e para quem não se desligou do seu lado espiritual, pode sentir isso em sua música. Digo isso pelo fato de muitas pessoas que procuram racionalizar este tipo de música, sendo pelo lado horrível de análise teórica musical, como um manual técnico de química, matemática e física ou como uma palestra de pós-graduação em história da arte e estética. Ora, por esses motivos que me abstenho de várias conversas sobre música, um tempo gasto numa ode à vaidade do acumulo de dados de conhecimento que apenas levam à centenas de artigos e livros que são substituídos por sessões de audição (cá entre nós, é bem mais agradável), sem contar que muitos aspectos jamais poderão ser descritos, literalmente falando. Afinal, são sentimentos...
Bem, o outro motivo deste post é sobre esta gravação do quarteto de Frank Wright composto por Bobby Few: piano e voz, Alan Silva: contra-baixo e voz e Harold E. Smith: bateria e voz. São duas peças de improvisação com cerca de 40 minutos cada e sem título, captadas durante o New York Musicians Festival no verão de 1973. Nos comentários do post.

Obs.: Não posso aceitar a arbitrariedade equivocada dos orgãos que lidam com direitos autorais e fonográficos (na real esse lance todo, é sobre o vil dinheiro) e sigo tentando divulgar a arte de pessoas que na minha simples e particular opinião, merecem ser reconhecidas. Espero que as cabeças de granito finalmente entendam que este weblog não quer lucrar um centavo sequer às custas da arte alheia. Se outras pessoas usaram os arquivos que eu disponibilizei, de forma inapropriada, me isento com a consciência limpa de tais fatos. No mais, vamos celebrar a música de Frank Wright!

PS.: Esta gravação é um bootleg, logo, deixem-me em paz. (orgãos de direitos fonográficos, etc)

quinta-feira, janeiro 17, 2013

MediaFire, ganância, direitos fonográficos e falta de entendimento

AMIGOS DO SONORICA, INFELIZMENTE INFORMO QUE TODOS OS LINKS FORAM BLOQUEADOS E MINHA CONTA DO MEDIAFIRE FOI SUSPENSA POR CONTA DOS ORGÃOS RESPONSÁVEIS POR DIREITOS AUTORAIS E FONOGRÁFICOS DOS TRABALHOS QUE DIVULGUEI NESTE ESPAÇO.
POR MAIS QUE EU EXPLICASSE A SITUAÇÃO DO BLOG, QUE TEM VISITANTES EM SUA MAIORIA AQUI EM SÃO PAULO, QUE É UM NÚMERO IRRISÓRIO DE ACESSOS, QUE ABORDA QUASE SEMPRE A DIVULGAÇÃO DE ARTÍSTAS DESCONHECIDOS, DE GÊNEROS MUSICAIS QUE DESPERTAM POUQUÍSSIMO INTERESSE, QUE TEM OBRAS PRATICAMENTE INDISPONÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO E QUE NEM TODOS TEM CONDIÇÕES DE COMPRAR PELA INTERNET, QUE MUITOS SEQUER PODEM POSSUIR UM CARTÃO DE CRÉDITO INTERNACIONAL, QUE NÃO PODEM COMPRAR UM PRODUTO FONOGRÁFICO COM AS TAXAS E IMPOSTOS EXTRAS INCLUÍDOS, NUNCA TEVE O INTERESSE DE LUCRAR SOBRE A OBRA ARTÍSTICA DE NINGUÉM.
AOS INTERESSADOS NOS REGISTROS PUBLICADOS NO SONORICA, O QUE POSSO FAZER, É ATRAVÉS DE UM PEDIDO PARTICULAR DE CADA LEITOR, PROVIDENCIAR O QUE FOR NECESSÁRIO DE FORMA PARTICULAR.

FRIENDS OF SONORICA, INFORM UNFORTUNATELY THAT ALL LINKS ARE BLOCKED AND MY ACCOUNT WAS SUSPENDED BY MEDIAFIRE ACCOUNT OF BODIES RESPONSIBLE FOR COPYRIGHT AND PHONOGRAPHIC OF WORK SPACE DISCLOSED IN THIS. FOR MORE I EXPLAINED THE SITUATION'S BLOG THAT HAS VISITORS IN YOUR MOST HERE IN SAO PAULO, WHICH IS A NUMBER OF WHIMSY ACCESS, WHICH EVER RELEASES FOR UNKNOWN ARTISTS, MUSICAL GENRES THAT AROUSE LITTLE INTEREST, WHICH HAS ALMOST UNAVAILABLE IN WORKS BRAZILIAN MARKET AND CONDITIONS THAT NOT EVERYONE HAS TO BUY THE INTERNET THAT MANY MAY EVEN HAVE A CREDIT CARD INTERNATIONAL, WHICH CAN NOT BUY A PRODUCT WITH PHONOGRAPHIC  FEES AND TAXES INCLUDED EXTRAS NEVER HAD THE INTEREST OF PROFIT ON THE WORK OF ARTISTIC NOBODY.INTERESTED IN RECORDS TO PUBLISHED IN SONORICA, WHAT CAN I DO, IT IS THROUGH A REQUEST FOR EACH PARTICULAR PLAYER, WHAT IS NECESSARY TO PROVIDE FOR PARTICULAR WAY.

http://www.mediafire.com/policy_violation/account_suspension.php

terça-feira, janeiro 15, 2013

terça-feira, janeiro 08, 2013

Feliz ano novo! rá!

Sim! Feliz ano novo para todos. Depois de pensar bem à respeito do primeiro post de 2013, optei por não escrever sobre música. Aos que acompanham regularmente o Sonorica, creio que já saibam da minha relutância de abordar certos assuntos em relação à música. Muitas outras mídias já abordam o assunto e cada vez mais na minha opinião pessoal, algumas áreas da música eu vejo o quão é desnecessário falar.
Bem, o fato é que o ano de 2012 foi generoso para a música criativa em São Paulo, como foi relatado no Free Form, Free Jazz, autoria de Fabricio Vieira. Tivemos apresentações, workshops e devo ressaltar o importante fato do início da mobilização dos improvisadores que se reuniram em São Paulo e hoje trabalham para construir o que se convencionou a se chamar de Circuito de Improvisação Livre (SPImpro), articulando diversas apresentações em várias datas ao longo do ano e esporádicas reuniões para desenvolvimento musical.
Agora quero relatar a chegada de alguns amigos no mês de setembro, amigos que fiz em outras terras no ano de 2011. O mais chegado de todos, fez 70 anos recentemente e continua com sua energia e alegria e foi maravilhoso reencontrá-lo. A minha amiga que me hospedou em sua casa, infelizmente não pode vir. Conheci novos amigos e dois deles, eu pude conviver um pouco mais. Depois do workshop que participei, Joe Williamson perguntou se alguém queria tomar uma cerveja mais tarde. Apenas eu e o Marcio fomos nos encontrar com Joe. O hotel era bem perto da rua Augusta e sugeri que fizessemos um pequeno passeio para conhecer a cidade. Fomos a pé até a praça da República e já era quase meia noite. O centrão da cidade fica mais bonito à noite, mas lá estava o cheiro de esgoto e mendigos nos calçadões. Joe é um cara sem frescuras, um canadense que mora na Suécia e tem um senso de humor bem peculiar. Conversamos sobre diversos assuntos num boteco pé sujo e para mim é um tanto quanto estranho só pelo fato de que eu não bebo, mas o que importa é estar com os amigos. No dia seguinte, combinamos de almoçar, mas o Marcio não pode comparecer. Aí apareceu o Tobias Delius, um inglês que mora na Alemanha e é bem parecido com o Joe, um cara sem frescuras. Fomos a pé até o bar restaurante Estadão comer um virado à paulista e eles gostaram muito do prato típico. De barriga cheia fomos passear pelo Vale do Anhangabaú e Centro Velho, parando para um café dentro do metrô São Bento. Tobias precisava descansar um pouco e eu e Joe seguimos com o passeio, passando pelo Pátio do Colégio, Sé e pelo bairro da Liberdade. Joe pediu para tomar uma cerveja e paramos num boteco qualquer na rua da Glória. Ficamos um bom tempo por lá pois caiu uma chuva bem forte. Chegamos no fim de tarde no hotel e encontramos os outros integrantes da orquestra no bar ao lado e ficamos alí conversando por um bom tempo. Uma coisa muito legal que aconteceu foi que o Han Bennink pegou o telefone e ligou para a minha amiga que não pode vir, a Susanna, e me colocou para falar com ela. E mais uma vez, como foi naqueles dias na Holanda, quase não conversamos sobre música. Mary Oliver tinha detestado a rua Oscar Freire e suas madames com os cachorrinhos e aquela arrogância toda. Pude conhecer um pouco melhor o Michael Moore, que virou fã do frango à passarinho. Ao longo da semana ocorreram as apresentações, pude conversar um pouco mais com alguns e menos com outros e combinei com Tobias, uma feijoada no sábado, como despedida. E lá fomos eu e o Tobias para o Largo do Parí, num lugar extremamente simples, onde os caminhoneiros que abastecem um entreposto agrílcola, almoçam. Basicamente o local é quase uma tenda, com mesas de metal, que as marcas de cerveja oferecem aos bares e uma lona transparente que separa o restaurante dos corredores apertados onde circulam as mercadorias (basicamente predomina o aroma de coentro no local). O legal de lá é que você mesmo se serve e pode repetir. Depois, com a barriga explodindo, Tobias pediu para andarmos pelas ruas da região, na zona cerealista, av. do Estado, Pq. Dom Pedro e ele gostou muito e disse que gosta de conhecer o lado verdadeiro das cidades, onde o povo circula. Me disse que não gostou do Mercado Municipal, achou que era coisa para turistas (isso comprova minha opinião de que não se leva os gringos para os "cartões postais" de sampa). Descobri que o Ab Baars também não tem frescura com essas coisas, que ele encarava bares pé sujo e restaurantes "feios" desde que ofereça boa refeição. Eu pensava que ele não curtiria um rolê desses, pois o homem sempre se veste com muita elegância. Tá vendo como as aparências enganam? Vivendo e aprendendo...
Com certeza estes momentos são os que mais lembrarei com saudades da passagem da ICP Orchestra em São Paulo.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Lowell Davidson Trio (1965)

 Lowell Skinner Davidson nasceu no dia 20/11/41 em Boston, Massachusetts. Tocava orgão e dirigia o coral na igreja de seus pais, a Emanuel Episcopal Church e tocou tuba no colégio. Estudou na Boston Latin School e bio-química em Harvard. Ao piano teve influências de Thelonious Monk e Herbie Nichols e quando se mudou para New York, tocou com Ornette Coleman, Gary Peacock, Milford Graves, Paul Motian, Eddie Gomez, Lawrence Cooke e foi baterista do New York Art Quartet antes de Milford Graves.
O seu trio composto por Peacock e Graves foi o único registro fonográfico e infelizmente há pouca informação à seu respeito. Faleceu em 1990 aos 49 anos por conta da tuberculose. Lowell Davidson Trio nos comentários deste post.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Worshippers Come Nigh (1989)

Completando a série para divulgar a arte de Charles Brackeen, Worshippers Come Nigh conta novamente com a colaboração do baixista Fred Hopkins, Andrew Cyrille, um dos mais criativos percussionistas da música afro-americana ainda em atividade e Olu Dara no cornet.
Chalres Jones III (Olu Dara) nasceu em 12/01/1941, trabalhou com Dirty Dozen Brass Band, Julius Hemphill, Brother Jack McDuff, David Murray, James Newton, Don Pullen, Henry Threadgill, James Blood Ulmer, Cassandra Wilson, ente outros. Além do cornet e trompete, toca guitarra, é vocalista e compositor. Olu Dara, que significa "Deus é bom", além de sua carreira no jazz, também se dedica ao Blues. Uma curiosidade é que Olu Dara é pai do rapper Nasir "Nas" Jones e participou de alguns albuns de Nas.
Que a música e a arte de Charles Brackeen seja reconhecida e apesar de poucos registros sob seu nome são obras de muita relevância para o avanço da música criativa. Que estas gravações sejam mantidas em catálogo e disponíveis para o público. Worshippers Come Nigh nos comentários deste post.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Arthur Doyle with Rudolph Grey ‎– Ghosts II 7" (1980)

Arthur Doyle continua na ativa e continua obscuro mesmo entre os apreciadores do errôneo rótulo free jazz. Contemporâneo de nomes mais conhecidos, é injustamente ignorado até hoje, enquanto midias em geral insistem em revisitar obras póstumas, artístas que ficaram para posteridade, enquanto Doyle prossegue produzindo boa música. Ainda bem que Arthur Doyle conta com o apoio de "jovens" como Thurston Moore, que para a maioria dos fãs de seu grupo de rock, é desconhecido o seu apreço pelo free jazz. E pouquíssimos fãs de sua banda desconhecem as origens da juventude sônica de Thurston, que não veio só do rock, do punk, mas da música erudita contemporânea, da chamada música experimental ou até do chamado No Wave. Rudolph Grey é um guitarrista notório do cenário No Wave, com seu grupo The Blue Humans, que contou com a colaboração de Doyle e o brilhante percussionista do free jazz, Beaver Harris. Este compacto é mais uma parceria de duas gerações e segmentos diferentes da música produzida na América do Norte, mas que em sua mais profunda essência, vieram do mesmo lugar. Quer ouvir? Nos comentários, por favor.

*ps: Mais uma vez digo aos detentores de direitos autorais e órgãos que lidam com direitos autorais, que este weblog não lucra 1 centavo sequer com a divulgação da obra musical dos artistas aqui publicados. Este irrisório espaço virtual apenas divulga o trabalho musical para um pequeno grupo de apreciadores que não tem acesso à esses registros e se tivessem, comprariam os discos com prazer.

terça-feira, novembro 20, 2012

Pete La Roca (Peter Sims) 07/04/1938 - 19/11/2012


Peter Sims adotou o nome Pete La Roca quando tocava timbales nas chamadas latin bands. Entre 1957 e 1968 trabalhou com Sonny Rollins, Jackie McLean, Slide Hampton, John Coltrane, Marian McPartland, Art Farmer, Freddie Hubbard, Mose Allison, Charles Lloyd, Paul Bley, Steve Kuhn entre outros.
Sua primeira gravação como líder foi Basra (1965), pelo selo Blue Note, com Joe Henderson, Steve Swallow e Steve Kuhn. O segundo título com suas composições foi Turkish Women at the Bath (Douglas, 1967), que também foi lançado como Bliss! (Muse 1968), sob o nome de Chick Corea, que participou deste disco.
Por conta deste lançamento sem a sua autorização, Pete deixou a música para se tornar advogado e só retornou à música em 1979. Gravou um album como líder entitulado de Swingtime (Blue Note, 1997).
Clique aqui, para a discografia detalhada de Pete La Roca.

Arfante – Música para Instrumento de Sopro Solo V/A (2012)

 V/A - ARFANTE - MÚSICA PARA INSTRUMENTO DE SOPRO SOLO - MSRCD 020

RELEASE: 19/11/2012

A ideia deste projeto foi de convidar alguns improvisadores do Brasil e um de Portugal (Chagas), para gravar uma faixa utilizando instrumento de sopro solo. Eletrônicos não foram utilizados. O tempo máximo era de oito minutos para cada faixa. Os insturmentos poderiam ser preparados, mas nenhuma edição posterior deveria ser feita.
Agradecemos a todos os músicos envolvidos.

Gravado em Setembro de 2012, em diversos estúdios no Brasil.
Arte da capa e design: Gustavo Bode.

Faixas:

01 - Rubens Akira - Urgency [Clarone/Bass Clarinet]
02 - Rômulo Alexis - Migalhas [Trompete/Trumpet]
03 - Marcelo Armani - Rudimentar [Trompete Preparado com Objetos/Prepared Trumpet with Objects]
04 - Gustavo Bode - Chuva e Gastroenterite Aguda [Trompete/Trumpet]
05 - Daniel Carrera - Enquadro [Trombone]
06 - Paulo Chagas - Incêndio nas Cezaredas [Oboé/Oboe]
07 - Diego Dias - Expectorante [Saxofone Soprano/Soprano Saxophone]
08 - Matias Viola Fischer - Cães [Trompa/French Horn]
09 - Leila Monsegur - Divagações sobre um Plano Inclinado [Clarinete/Clarinet]
10 - Rodrigo Olivério - Blumas em Frequência* 

*Instrumentos de fabricação própria/Hand made instruments: Helicopterom, Saxsofonil.
Outros Instrumentos/Other Instruments: Hulusi, Saxofone Alto/Alto Saxophone.

* Para ouvir, clique, aqui

quinta-feira, novembro 08, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Bannar (1987)

Dando continuidade a divulgação da arte do saxofonista e compositor Charles Brackeen, a sessão gravada em fevereiro de 1987 contou com Malachi Favors, contra-baixista que ficou conhecido por fazer parte do Art Ensemble Of Chicago, o trompetista Denis Gonzalez e o baterista Alvin Fielder.
O baterista e compositor Alvin Leroy Fielder Jr. nasceu no dia 23/11/1935 em Meridian, Mississipi. Seu pai, Alvin Fielder Sr., estudou cornet, sua mãe tocava piano e violino, sua avó também tocava piano, seu tio por parte de mãe estudou clarinete e seu irmão William é director de estudos de Jazz, trompetista e professor do instrumento na Rutgers Universit. Alvin começou seus estudos musicais aos 13 anos de idade na banda de seu pai sob a liderança de Carlia “Duke” Otis, dando continuidade nos estudos com Ed Blackwell, enquanto cursava farmácia na Xavier University.
De 1959 à 1968, Alvin esteve ativo em Chicago trabalhando com Sun Ra Arkestra (1960-61), Muhal Richard Abrams (1962-63), Roscoe Mitchell (1963-66), Eddie Harris e Kalaparusha (1965), cooperando em um trio com trio Fred Anderson e Lester Lashley (1967-69), também trabalhou com John Stubblefield, Jack DeJohnette, “Scotty” Holt, Joseph Jarman, e outros músicos de jazz de Chicago. Alvin é membro fundador da AACM junto com Muhal Richard Abrams, Roscoe Mitchell, Fred Anderson, Jodie Christian, Steve McCall, Phil Cohran, Thurman Barker, Ajaramu, Charles Clark, Christopher Gaddy, Freddy Berry, etc. Nos comentários do post se encontra o link para acessar o arquivo.

terça-feira, outubro 23, 2012

Sonny Simmons ‎– American Jungle (1997)

  E lá vamos nós correr o risco de ser interpretado de forma equivocada neste insignificante weblog divulgando um tipo de arte que é ignorado no Brasil. Espero que os detentores de direitos autorais tomem consciência de que este tipo de divulgação não acarretará um rombo de orçamento na indústria fonográfica e danos aos direitos autorais. Quem gostar realmente do trabalho de Sonny Simmons, compre o disco original, sei lá, dá um jeito, tem a Amazon, e-Bay, etc (afinal muitos acabam gastando muito mais com algo que vai ser expelido pelo corpo logo em seguida).
Sonny Simmons nasceu no dia 04 de Agosto de 1933, Sicily Island, Louisiana e cresceu em Oakland, California. Iniciou na música tocando o english horn, da família do oboé e aos 16 anos de idade, mudou para o saxofone alto. Logo convergeu para o lado mais ousado da música afro-americana e estreou ao lado de Prince Lasha nos discos The Cry! (1962) e Firebirds! (1967). Participou das sessões de Illumination! (1964) do sexteto de Elvin Jones e Jimmy Garrison, Conversations e Iron Man, ambos de 1963 sob a liderança de Eric Dolphy. Casou-se com a trompetista Barbara Donald e gravou dois títulos pelo selo ESP: Staying on the Watcha e Music From the Spheres. Logo depois por conta de problemas pessoais que resultaram em divórcio e falta de moradia, causou um grande abalo em sua carreira musical. Tocou pelas ruas até retomar sua carreira no início dos anos 90.
American Jungle foi gravado em Dezembro de 1995 e contém uma bela versão da valsa My Favorite Things de Rogers e Hammerstein para o musical The Sound Of Music, popularizado pela versão de John Coltrane.
O quarteto de Simmons para esta gravação contou com o baixista Reggie Workman, o pianista Travis Shook e na bateria, alguém especial...
Nos comentários do post se encontra o link para acessar o arquivo.

site oficial de Sonny Simmons:

terça-feira, outubro 16, 2012

Living Death - demo tape 1983

Sim! O Sonorica tem espaço para um dos gêneros musicais mais populares e difamados ao redor mundo. Quantas vezes eu ouvi pessoas falarem que o heavy metal é música de adolescente retardado, uma barulheira dos infernos, coisa de alienado, sem criatividade(?!), deturpação do rock (???!!!), lixo musical, etc. (ah, a relatividade das coisas, dejeto para uns, adubo para outros...o que é boa música então, o que está no hit parade? o que as celebridades gostam?)
Mas como através dos anos comecei a compreender algumas coisas sobre a vida e a música, pude filtrar as informações com mais eficiência e aprimorar meu conhecimento chegando ao ponto de identificar música de qualidade livre de categorias, formas estéticas e até opinião pessoal.
O grupo Living Death se formou em Velbert na Alemanha em 1980 pelos irmãos Reiner e Dieter Kelch e Frank Fricke. No ano seguinte se juntaram ao grupo o baterista Frank Schubring e o vocalista Thorsten "Toto" Bergmann. Em 1984 lançaram seu primeiro lp, Vengeance Of Hell e mesmo com uma baixa qualidade de gravação, teve uma ótima aceitação no circuito independente (vai ver que é por isso que acham que metaleiro ouve qualquer porcaria...).
O Living Death tinha como característica o andamento mais acelerado do que as bandas de heavy metal da época e à gosto do universo headbanger, criou-se o rótulo de speed metal. Também havia uma característica muito peculiar no timbre de voz de Thorsten, uma voz esganiçada que até mesmo eu me divertia com isso. Mas o Living Death desfrutou de uma época de descobertas e inovações no gênero e se tornou um grupo criativo e original.
O início está registrado já na primeira demonstration tape (é, meus amados irmãos em Cristo, quando se fala em demo tape, é isso, não é coisa do capiroto) de 1983.
E cumprindo a tarefa do Sonorica em apenas divulgar a arte sem fins lucrativos ou outras bobagens, basta dar um click na imagem para acessar o link de arquivo.

sábado, outubro 13, 2012

Charles Brackeen Quartet ‎– Attainment (1987)



Últimamente tem se tornado difícil divulgar música neste espaço. Segundo os estatutos de direitos autorais que tem agido com mais vigor na world wide web, já tive dois links removidos aqui. O que os detentores dos direitos parecem não compreender, é que não há um comércio fonográfico digital neste weblog, mas apenas um espaço de divulgação musical para um número pequeno de pessoas, num país onde não se encontram lojas que ofereçam os respectivos "produtos" (está em aspas pelo respeito ao conteúdo, independente do formato) para consumo. É uma discussão muito extensa e desgastante, vem daqueles tempos em que já se questionava a legalidade ou ilegalidade do simples ato de alguém gravar um LP em fita k7 de um amigo. As obras que costumo divulgar no Sonorica, são de pouca repercussão mercadológica, muitas atravessaram décadas e viraram o século com mesmo baixo índice de interesse. Mesmo aqui em São Paulo, as pessoas vão encontrar dificuldades até para tentar encomendar os títulos. Presumo que os detentores dos direitos comerciais irão argumentar que atualmente é viável comprar pela internet. Não é tão simples assim. Mas é claro que eles não se importam com as dificuldades e incertezas das compras online. Você quer? Se vira!
Bem, como disse agora pouco, procuro divulgar artistas que quase não tem reconhecimento tanto das midias quanto do público, apenas são notórios para um pequeno grupo de pessoas espalhadas pelo globo terrestre. Não é este mísero weblog que vai alavancar uma avalanche de downloads a ponto de causar um assombroso rombo nos cofres de uma gravadora, levar os artístas e autores à miséria, causar a proliferação de discos piratas pelas ruas da cidade, etc. Não, na maioria das vezes os que entram em contato com a música destes artístas, vão se interessar em comprar os originais e deparar com as barreiras do comércio de produtos importados, das taxas, longos prazos de encomendas, incertaeza de disponibilidade de catálogo, etc e etc.
Veja o caso do saxofonista Charles Brackeen. Quantos aqui no Brasil conhecem ele? Quais albuns de Brackeen foram lançados no mercado brasileiro? Que composição de Brackeen foi executada nas rádios brasileiras? Youtube? Faça-me o favor, não há mais que meia dúzia de faixas postadas dee forma independente por admiradores de sua arte.
Charles Brackeen nasceu em Oklahoma no dia 13 de março de 1940, estudou violino e piano, mudando para o saxofone tenor e soprano. Tocou com membros do quarteto de Ornette Coeman em 1968 (Don Cherry, Charlie Hadden e Ed Blackwell), na Jazz Composer's Orchestra, organizada por Michael Mantler e Carla Bley, que teve origem na Jazz Composers Guild, organização fundada por Bill Dixon. Tocou com Paul Motian, Ahmed Abdullah, Ronald Shannon Jackson, Dennis Gonzáles e Don Cherry. Lançou quatro albuns sob o seu nome sendo que a última gravação foi registrada em 1987.
Attainment foi gravado no Texas em 1987 e contou com Olu Dara no cornet e berimbau na faixa título do disco, Fred Hopkins no baixo, vozes, percussão e Andrew Cyrille na bateria e congas.
Por isso estou divulgando a obra de Charles Brackeen para os amigos que ocasionalmente visitam este pequeno espaço virtual. Espero que esta divulgação resulte em um pouco mais de reconhecimento da arte de Charles Brackeen e desperte o interesse de mais pessoas à prestigiarem o fruto de seu trabalho, comprando os cd's, mesmo que seja um tanto quanto burocrático e dispendioso fazê-lo. O músico agradece. Clique nos comentários para acessar o link.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Ah... o conhecimento!

A cada dia que se passa tenho deparado e comprovado os efeitos na geração pós internet. Sim, apesar de eu estar prestes a completar apenas 4 décadas de existência nesta terra (não, não se trata da suposta crise dos 40, rá!) e ainda tendo um longo caminho de aprendizado a cumprir, presenciei o nascimento da era digital, a transição do lp, k7 e vhs para o cd, dvd e mp3, cartas manuscritas e seladas para os e-mails, entre tantas outras mudanças na transição do século XX para o século XXI.
Uma das grandes mudanças que gostaria de abordar aqui neste simplório espaço virtual, é sobre a relevante quantidade de experts, connoisseurs, peritos, especialistas, etc, em várias áreas do conhecimento humano já em sua tenra idade. Meu Deus, se em minha fase de pós adolescência e início da fase adulta, tanto eu quanto meus contemporâneos tivessem uma pequena fração do conhecimento que a nova geração possui, quem sabe algumas coisas teriam iniciado um processo um pouco melhor para a formação de uma sociedade melhor? Claro, isso teria que ter iniciado já a pelo menos 2 gerações anteriores à minha, para florescer algo hoje em dia. Mas isso foi inviável devido a má formação de uma nação desde seu início extremamente recente. Bem, águas passadas, quem vive olhando para trás vai inevitavelmente levar um grande tropeço hoje e nos dias que virão.
Como tenho relatado aqui em diversas ocasiões, até de forma exaustiva, sobre a facilidade ao acesso de informações por conta da world wide web, que tem ajudado em muito o acesso ao conhecimento, também é acompanhado dos efeitos colaterais desta overdose de informação. É mais do que óbvio e necessário o ato de analisar, filtrar, confrontar, questionar as informações que estão a disposição de quem as acessa.
Além do mais, dados, informação até uma máquina pode possuir, inclusive com mais precisão que um ser humano pensante. Mas o que fazer para processar essa avalanche de dados e informação para transformar em conhecimento útil? E digo mais, o conhecimento desprovido da sabedoria, pouco proveito se tem, se torna apenas vaidade. A sabedoria não se adquire com um processador de 4 núcleos, memória RAM de 10GB. Não importa quantos Terabytes se possa armazenar no hd orgânico (cérebro), sem a sabedoria, nada disso tem proveito, é apenas vaidade.

E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. Eclesiastes 12:12

Em minha ignorância começo a compreender o que os mais velhos sempre dizem, com suas cabeças ornamentadas por corôas brancas ou grisalhas sobre sabedoria e experiência. A sabedoria se adquire pela experiência de vida, com o tempo, mas não apenas o tempo cronológico em si, mas com o volume de experiências e percepções sobre elas e seu entendimento.
Sim, eu já fui um jovenzinho mais impetuoso e arrogante em relação aos "corôas" e os tinha como ultrapassados que não "flagravam a parada" entre outros pensamentos típicos da imaturidade. Quão conflitante é a adolescência, o período em que não somos mais crianças e não somos adultos ainda e não somos levados à sério na maioria das vezes. Claro, na adolescência somos inconstantes mesmo, mudamos de idéias num simples toque no touch screen do smartphone, não é mesmo?
E o início da fase adulta então? 18 anos, carteira de habilitação, vestibular, faculdade, etc. Muitos jovens adultos no alto de seus vinte e poucos anos já acham que sabem de quase tudo sobre a vida e ainda mais hoje, com acesso a uma infinita biblioteca em pdf, acervos intermináveis em mp3, mp4, avi, mkv, flac, mpeg, etc.
Numa noite comum nas ruas desta cidade de São Paulo, onde a balada está em toda extensão das ruas e não apenas em locais específicos, tive uma breve conversa sobre música, aliás não foi só uma vez que isso aconteceu, mas várias vezes. Profundos debates sobre conceitos sobre música numa mera calçada da cidade, confronto de idéias, de opiniões, enfim. Em um certo momento perguntei se a pessoa praticava música. Ela disse que não e se não me falha a memória, fazia discotecagem (se bem que alguns eu tenho certeza que assim afirmaram sua relação com a música não apenas como ouvinte). Ah sim, hoje também dizem que os dj's são músicos, mas há dj's e dj's. Outros tinham uma relação mais de pesquisa, alguns se formando teóricos, jornalistas ou críticos.
Geralmente este tipo de conversa pouco proveito se tira, ainda mais se a pessoa está apenas desejando um ouvinte passivo que concorde com suas idéias. Na maioria das vezes eu sou presenteado com uma palestra a qual eu não me inscrevi, mas como tenho consciência da minha defasagem de informações em relação à nova geração de apreciadores de música e músicos, eu me coloco a participar deste tipo de conversa e tento aprender alguma coisa. Claro que nem sempre há lá muito o que se aproveitar, pois por incrível que pareça, mesmo havendo um verdadeiro universo de informações, parece que as pessoas vão às mesmas fontes, sendo que algumas delas são um tanto quanto questionáveis.
Nesta última segunda feira, depois de ter passado à tarde passeando pelo centro da cidade com o saxofonista Tobias Delius e o baixista Joe Williamson, fui tomar um chá com alguns integrantes da ICP no bar ao lado do hotel. Han Bennink me disse que após Sunny Murray ter imigrado para Paris, se tornou um sujeito digamos, um tanto falastrão e que muito do que anda dizendo por aí é questionável. Viu só? Até com os mais experientes acontece este tipo de situação, quanto mais com os mais jovens.
Toda vez que tenho oportunidade de conversar com grandes músicos experientes, quase não conversamos sobre música como os que tenho encontrado eventualmente. Benkyou, benkyou, vivendo e aprendendo, em minha limitada inteligência, tenho procurado falar menos e dar espaço ao ouvir para aprender mais sobre a vida e adquirir sabedoria. Os ouvidos não trabalham muito bem se as cordas vocais estão trabalhando o tempo todo...

sábado, setembro 15, 2012

Wuthering Heights, o rádio e a infância

Pois é, graças a um simples post sobre esta canção composta e interpretada por Kate Bush, que um amigo publicou no facebook, me veio a tona um sentimento de muito tempo atrás, de minha infância.
Wuthering Heights foi baseada no livro de Emily Brontë, escrito entre Outubro de 1845 e Junho de 1846, sobre o trágico romance entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, um pequeno orfão adotado pelo patriarca da família Earnshaw.
Na canção de Kate Bush, ela interpreta Catherine ou o fantasma de Cathy, que chama por Heathcliff e pede para deixá-la entrar pela janela de sua casa. O video feito no fim dos anos 70 evidentemente não dispunha dos infindáveis recursos digitais de hoje em dia mas é melhor do que dezenas de videos super produzidos atualmente. Isso pelo fato da música ser consistente, bela e a interpretação de Kate é impecável, não é uma coreografia que tem mais cunho estético, que não diz muita coisa, como são os videos de Beyoncé, Britney Spears e Lady Gaga, onde há uma coreografia extremamente precisa e profissional.
Wuthering Heights foi sucesso na minha infância e por isso era executada nas rádios fm muitas vezes durante a programação.
O sentimento do qual eu disse no início, era de quando eu não tinha alcance aos lp's e k7's, só viria a comprar meu primeiro lp (Hey Jude - The Beatles) em 1983, aos 9 anos de idade. Então eu escutava o rádio e não havia também um programa de videoclips na época, já que a MTV foi ao ar em uma canal de tv à cabo em New York no dia 1º de Agosto de 1981.
O rádio era um mundo mágico onde as músicas despertavam muito a minha imaginação, pois não sabia de quem eram as vozes e o que eram os instrumentos que produziam aqueles sons. Cada música era um momento único e especial, pois não sabia se voltaria a ouvi-las novamente, então estava sempre atento para captar cada momento e guardar em minha memória. Eu escutava o rádio no carro do meu pai e muitas audições se davam quando íamos visitar minhas primas, na zona leste de São Paulo, perto do ABC e também na região da rodovia Raposo Tavares. Ora, para uma criança, esses trajetos eram uma grande viagem, uma aventura em que se contemplava cenários longe do alcance, afinal naquela idade, não podia nem andar até o extremo do meu próprio bairro. E as músicas do rádio eram a trilha sonora dessas minhas viagens.
Até mesmo depois, no meio dos anos 80, quando eu era um pivete headbanger de 13 anos, que já me aventurava em ir de ônibus ao centro de São Paulo, para ir à Woodstock discos e Grandes Galerias, era ouvinte dos programas de heavy metal e punk da época. Também escutava com atenção cada música, pois também não sabia se as ouviria novamente e se teria acesso ao lp. Então meu pai comprou um rádio gravador portátil para mim e meu irmão e deu início a minha vida de pesquisa musical. Gravava as músicas do rádio e compilava seleções em fitas k7 virgem. Gravava discos de amigos e outras fitas também. No centro da cidade se faziam gravações dos discos importados e a maioria dos títulos até hoje não foram lançados no mercado brasileiro.
Fui crescendo e até tive a oportunidade de assistir ao vivo o que só podia ouvir em casa. Outros tive até algo mais inesperado, como conhecer pessoalmente o baterista e compositor Max Roach. E depois muito mais do que poderia imaginar, tocar ao lado de Han Bennink e Sabu Toyozumi.
Até outro dia, não me interessava pela música de Kate Bush, só tinha em minha memória, uma cantora do fim dos anos 70 com uma voz bem aguda.
Mas depois do post do meu amigo no facebook, escutei com atenção a música e assisti novamente o video de Wuthering Heights, que me tornaram a sentir aquelas impressões de minha infância e descobri uma linda música. Não o rádio não é mais o que era e nem voltará a ser. Também o Youtube, Vimeo, Soundcloud, etc, não produzem aqueles sentimentos, hoje, aqueles sentimentos tocam apenas em meu coração. But, the song remains the same

quinta-feira, setembro 06, 2012

Dutch Week In São Paulo (de 22 à 30 de setembro)




Se você tem interesse pela música como forma de arte e não apenas um mero entretenimento, um pano de fundo sonoro para outras atividades, no mês de setembro esta cidade caótica oferece uma maravilhosa oportunidade de apreciar música criativa de qualidade sem esfolar o seu bolso. Sim, você não está nas mãos de estabelecimentos e instituições pseudo-sociais que usam de critérios duvidosos para oferecer à população, a dita arte e cultura.
O Centro Cultural São Paulo, localizado na r. Vergueiro #1000, SP, oferece várias atividades culturais para o público em geral de forma acessível e proporcionou na última semana do mês de semtembro, apresentações gratuitas dos projetos musicais holandeses que representam o que há de mais criativo na música sem fronteiras da atualidade.

ICP - Instant Composers Pool
Mistura de banda de jazz e grupo de câmara, a ICP é uma orquestra formada em 1967 pelo baterista Han Bennink e pelo pianista Misha Mengelberg. No palco, o espaço entre o piano e a bateria é ocupado por um trio de cordas - viola, violoncelo e contrabaixo - e, juntamente com eles, cinco metais. A música é repleta de surpresas, reviravoltas, agilidade e erupções inusitadas.
Sábado 22/09, às 20:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares

ps.: O Circuito de Improvisação Livre em São Paulo organizou para terça-feira dia  25/9 na Trackers, Rua Dom José de Barros, 337 - 2º andar, Centro e quarta-feira dia 26/09, um encontro da ICP com a união de músicos paulistanos no Espaço Puxadinho da Praça na Rua Belmiro Braga, 216 – Vila Madalena tel.(11) 2597-0055.                                                                                                    


Shackle
Anne La Berge (flauta e eletrônicos) e Robert van Heumen (laptop)
O duo trabalha com um sistema de comunicação computadorizado que propõe vários elementos de composição para cada instrumentista - tempo, textura, dinâmica e outros parâmetros musicais.
Quinta-feira 27/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares

Corkestra
Cor Fuhler (clarinete, orgão/sintetizador, piano, composições), Anne La Berge (flauta e eletrônicos), Ab Baars (clarinete e saxofone tenor), Tobias Delius (saxofone tenor e clarinete), Nora Mulder (cimbalom), Michael Vatcher (percussão, singing saw), Tony Buck (percussão) e Wilbert de Joode (contrabaixo) Punk e música eletrônica se combinam neste grupo que reúne oito expoentes da improvisação. O ponto de partida são os riffs e as linhas melódicas e de baixo escritas por Cornelius Fuhler, sobre as quais os outros integrantes tocam suas próprias criações de maneira orgânica, formando novas peças no momento da apresentação.
Sexta-feira 28/09, às 21:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Praça Mário Chamie (Bibliotecas) - 170 lugares


The Ex
Desde seu início, em 1979, o The Ex tem desenvolvido um caldeirão de diferentes estilos musicais: noise, rock, jazz, improvisação e música étnica. Guitarras altamente rítmicas, a bateria em um estilo quase africano e a intensa entrega das letras, muitas vezes irônicas, dão à música do grupo seu caráter especial.
Domingo 30/09, às 17:00h
Entrada franca - sem necessidade de retirada de ingressos
Jardim Suspenso (fachada Vergueiro) - 250 lugares

quinta-feira, agosto 16, 2012

A utilidade da música inútil

Ainda são intermináveis as discussões sobre o que é boa música e música ruim. Na verdade não existe música ruim, a não ser para o gosto pessoal de cada indivíduo. Por exemplo, eu posso determinar para mim que o funk carioca é horrível, mas por quase todos os lugares que eu passo, alguém está apreciando este gênero musical em alto volume. Se eu colocar uma gravação do Peter Brötzmann no mesmo volume sonoro, muitas pessoas certamente vão protestar e dizer que isso nem música é. Eu acredito com uma certeza consciente de que diversos tipos de música são ruins mesmo, independente de ser uma opinião pessoal de minha parte, mas e daí? As vezes, entre amigos, até brinco e falo sobre esse assunto, mas isso não tem relevância, é apenas um bate papo informal. Seria uma enorme perda de tempo e desgaste eu usar este espaço para bombardear e denegrir o funk carioca, axé music, forró e sertanejo universitário, Restart...
E tem mais, a Bossa Nova, diversos conjuntos de Bossa Jazz, Brazilian Jazz (aê mr. Loverman, morte ao jazz brazuca feião...rá!), Tom Jobim, eu não gosto tanto quanto o Rebolation. Se eu gosto de Peter Brötzmann, Anthony Braxton e Stockhausen, e daí, grande porcaria. Le Cordon Bleu ou Habib's?
Então me parece nítido o proveito deste tipo de debate. Os gêneros e artistas que produzem a música que não soam bem aos meus pobres ouvidos, procuro colocá-los em outro planeta, outra órbita. Mesmo que eu tenha que conviver de forma involuntária com essa música. O que vou fazer toda vez que me deparar com algum entusiasta de sertanejo, pedir para trocar de música? Abaixar o volume? Dizer para ele que essa música é ruim? Quebrar-lhe o aparelho de som? De maneira alguma! Todo mundo quer ser livre, mas a maioria esquece que a nossa liberdade tem um limite e este limite chega é quando começam os direitos dos outros. Infelizmente boa parte das pessoas prefere omitir esta questão e compartilhar aos quatro ventos a sua música "gramurosa". Como disse a Narcisa Tamborindeguy, "whatever..."

quarta-feira, julho 18, 2012

Indigo Jam Unit - Roots (2010)

Em tempos de touch screen ainda deparamos com certos tipos de afirmações demonstrando que a evolução não atinge todos os indivíduos se cada um não se dispor a evoluir. Ninguém evolui por osmose e passividade. Mesmo o Funkadelic dizendo em 1978 que a música é universal, com a canção "Who Says a Funk Band Can't Play Rock?!", provando que cada estilo musical não está restrito a etnias, ainda tivemos o Bad Brains como um dos melhores grupos de hardcore punk, o Living Colour e ainda o filme documentário Afro Punk, mostrando que tal estilo é universal. Ainda se escuta por aí alguém proferindo a frase, "samba de alemão", ou "samba de japonês", para ilustrar o ritmo sendo mau executado, com ausência de swing, groove, etc. Hoje em dia temos mulheres oriundas da terra do sol nascente faturando primeiros lugares em concursos de dancehall na Jamaica e de passista no Rio de Janeiro.

O Indigo Jam Unit se formou no ano de 2005 em Osaka, com Yoshichika Tarue (piano), Katsuhiko Sasai (contra-baixo), Isao Wasano (percussão e bateria) e Takehiro Shimizu (bateria). Yoshichika Tarue nasceu em 1974 e começou a tocar piano clássico aos 20 anos de idade e posteriormente iniciou seu quarteto de jazz com influência latina. Katsuhiko Sasai nasceu em 1976 iniciando no sintetizador até os 14 anos e foi para o baixo elétrico um ano depois. Trabalhou na cena Funk e fusion japonesa e começou a tocar baixo-acústico com o Indigo Jam Unit. Isao Wasano nasceu em 1979 e iniciou-se na percussão ainda na banda do colégio e assumiu a bateria quando entrou no Indigo Jam Unit. Takehiro Shimizu nasceu em 1983 e começou a tocar bateria aos 12 anos se dedicando ao formato das big bands de jazz. Trabalhou com Sadao Watanabe, Terumasa Hino, Hitomi Nakayama, Naoko Sakata, Jukka Eskola entre outros. Recebeu diversos premios de baterista de jazz, divide seu tempo entre New York e o Indigo Jam Unit em Osaka, Japão. O Indigo Jam Unit sempre grava seu material ao vivo no estúdio com uma pequena pós-produção e alguns efeitos se possível. Não há edição ou overdubs em suas gravações. Clique aqui para acessar o arquivo e constatar do que estamos falando.

sexta-feira, julho 13, 2012

Jodie Christian - Blues Holiday (1994)

O trio composto de piano, contra-baixo acústico e bateria é conhecido como a formação clássica das pequenas configurações de conjuntos do que se convencionou chamar de jazz. Alguns destes trios se tornaram símbolos do jazz, como o Bill Evans trio, Art Tatum trio, Ahmad Jamal trio e um dos mais expressivos que não se efetivou como um grupo fixo, o trio formado por Duke Ellington, Charles Mingus e Max Roach, que podem ser considerados como parte fundamental dos pilares do chamado jazz moderno e gravaram o disco Money Jungle. Jodie Christian foi um membro importante na formação da AACM de Chicago, que trouxe novas mudanças na música criativa na América do Norte e esta gravação contém a essencia da música afro-americana que todos conhecem por jazz. Não importa o quanto se avance em novas abordagens linguísticas e experimentações músicais das mais radicais, se algo ainda tem a palavra jazz no meio, seja free, avant ou o nome que seja, o blues lá estará. Clique aqui para acessar o arquivo para apreciar clássicos como Take The A Train de Billy Strayhorn e uma versão de certo compositor brasileiro.

quinta-feira, julho 12, 2012

Concrete Sox / Heresy split LP (1987)


Em Nottingham, 1983 nas jam sessions com Gabba (Chaos U.K./F.U.K.), Kalv (Heresy/Geriatric Unit) e vários amigos, se formou com Vic Croll e Les Duly o Concrete Sox que inicialmente se chamou Concrete Evidence. É considerado o pioneiro do crossover, junto com os grupos Sacrilege, Onslaught, Deviated Instinct entre outros e um dos mais influentes do hardcore/crust punk britânico. O Heresy nasceu na mesma cidade do Concrete Sox em 1985 por Reevsy (guitarra, voz), Kalvin "Kalv" Piper (baixo) e Steve Charlesworth (bateria). Seu primeiro registro foi um flexi-disc de 6 faixas pela Earache records. Seu primeiro LP foi o split album com o Concrete Sox, também pela Earache em 1987, que se tornou um clássico do hardcore punk. Clique aqui para acessar o arquivo deste registro indispensável do hardcore punk.

quarta-feira, julho 11, 2012

Anglican Scrape Attic 7'' - Various Artists (1985)

Um clássico do hardcore punk e do crossover, o compacto Anglican Scrape Attic foi lançado em formato flexi disc na Inglaterra em 1985, com duas bandas pioneiras no estilo crossover (heavy metal e hardcore punk), o Hirax e o Sacrilege, as duas bandas de hardcore japonês Execute e Lip Cream e a banda inglesa Concrete Sox com o seu clássico, Eminent Scum. Foi uma das minhas primeiras aquisições, quando comprei na Rainbow, a loja do Nunes, localizada na galeria do rock. Isso foi em 1986 e custou U$ 1,00. Clique aqui para acessar o arquivo.

quarta-feira, julho 04, 2012

Antes tinha, agora não tem! - Prefeitura de São Paulo e cidadãos paulistanos

 
Creio que assim continuarão as queixas via redes sociais digitais, sendo que vez ou outra algo se concretiza em atitudes positivas e negativas. Tenho evitado me envolver em questões político ideológicas pelo simples fato de minha opinião estritamente pessoal não vislumbrar alguma eficácia neste tipo de debate, conversa, que em muitas vezes são apenas monólogos proferidos ao mesmo tempo em um mesmo ambiente e talvez não se trate exatamente de uma conversa, diálogo, debate como está especificado em qualquer dicionário.
Claro, a liberdade de cada um não deve ser podada e assim eu desfruto também da minha liberdade de opinião.
Vivemos mais um período de eleições dos servidores públicos deste amontoado de pessoas no mesmo território físico denominado cidade. Quando eu era criança me lembro que existia uma grande expectativa (pelo menos de minha parte e de alguns) de uma grande mudança em nossas vidas. Mesmo na adolescência e parte do início da chamada fase adulta (pelo fato de ter requisitado meu título de eleitor aos 16 anos) esta expectativa ainda perdurou. Hoje em dia este sentimento vem sendo soterrado por uma avalanche de muito mais fatos (como se não bastasse os fatos do passado) que desbotam as cores da esperança de uma cidade melhor. Temos algumas calçadas de concreto armado, luminárias de LED, alguns metrôs operados por computador, mas é claro, só na sala de estar do barraco. Para quem usufrui da cidade como um todo, que utiliza os três principais meios de transporte coletivo sabe muito bem que este slogan da prefeitura de São Paulo: "Antes não tinha, agora tem", na verdade está exatamente ao contrário. Explico.
Deveria ser: "Antes tinha, agora não tem!" Antes tinha a desculpa de termos limitações tecnológicas e econômicas, a ditadura militar, o sub-desenvolvimento latente de terceiro mundo, o recente direito de voto da população, entre tantas precariedades da era analógica. Hoje a indústria, comércio e setor financeiro infla seu peito anabolizado e diz aos quatro ventos que o Brasil é a 8ª economia do mundo, que somos detentores de diversas tecnologias de ponta, que temos reservas naturais exclusivas e invejadas por todas as nações (opa, tão vendendo tudo debaixo de nossas fuças), que somos uma nação alegre (quem me vê sorrindo pensa que estou alegre - Cartola).
Será que vamos votar em qualquer um pois não faz diferença? Será que devemos votar em branco ou anular o voto como ato de protesto ou fingida atitude de omissão? Será que nossa cidadania acaba quando apertamos a tecla verde da urna eletrônica e pegamos nosso comprovante de voto? Será que não temos o dever de fiscalizar a administração de nossos servidores ao longo de seu mandato? Será que não temos nada haver com isso porque votamos nulo ou nosso candidato não foi eleito? Será que é só problema do seu vizinho? O seu voto faz a diferença, junto de sua atitude continua como cidadão pós eleições, no dia-a-dia?
Numa noite dessas eu voltava do Belenzinho após um workshop de música e não passava das 22:00h quando meu amigo me deixou na esquina de casa. A menos de 10 metros minha vizinha estava à minha frente indo para o nosso prédio. havia uma movimentação razoável nas ruas bem iluminadas do bairro que é relativamente seguro em proporção do que é esta cidade. Ela olhou rapidamente para trás para ver quem seguia logo depois dela e começou a aumentar o ritmo de suas passadas. Percebi e me compadeci daquela situação triste, do chamado cidadão de classe média paulistano, que perdeu o tato das ruas, que vive enclausurado em seus guetos sociais. Quando chegamos ao nosso prédio, ela já tinha ultrapassado o segundo portão (que mais parece grade de segurança, bem, você sabe...) e deu mais uma olhada para trás e vi nitidamente seu rosto apreensivo. Estávamos a menos de 4 metros de distância com uma boa iluminação do prédio e quando eu também ultrapassei o segundo portão ela deu aquele arranque de reta final de São Silvestre e adentrou na última porta. Eu estava certo de que ela como cortesia comum entre os condôminos, estaria me aguardando com a porta aberta, para eu não ter que reabri-la com minha chave. Então a tranca estralou junto com a porta em minha face. Falei comigo, "puxa vida", num misto de decepção e surpresa e abri a porta. Então logo no corredor, fiz questão de balançar o chaveiro para ela se certificar de que a porta não tinha sido arrombada. Então ela já na metade do primeiro lance de escadas, me olhou constrangida e me pediu desculpas alegando que não tinha me reconhecido e subiu apressadamente, sendo que seu apartamento é ao lado do meu. Bem, eu coloquei a música New York Is Full Of Lonely People, composta pelo Lester Bowie para ilustrar a situação. Seu filho não teve o prazer de brincar na nossa rua que era repleta de crianças...
Isso tudo tem haver com o que esta cidade está se tornando cada vez mais. 

sexta-feira, junho 22, 2012

Sun Ra – Disco 3000 (1978)

Ultimamente tenho procurado resumir o máximo possível os comentários de gravações postadas neste blog pelo fato de muitos discos já possuirem um número considerável de textos à seu respeito, alguns bons, outros, bem, você sabe... No caso do post anterior que se trata de gravações do Joy Division, senti que era desnecessário qualquer comentário. Ora, é o Joy Division e creio que qualquer pessoa que tem uma pequena porção de interesse por música em geral deve conhecer o grupo que originou o New Order e o vocalista Ian Curtis. Além do que a world wide web proporciona um amplo espectro de informações e dados sobre música e temos ferramentas de busca ao nosso dispor para nos aprofundar com facilidade sobre vários assuntos. Claro, devo relembrar que é prudente verificar a integridade das fontes e fazer comparação de dados com pelo menos três referências diferentes.
No caso deste post, é importante ressaltar esta gravação de Sun Ra, que faz parte do seu período em que esteve na Itália com sua Arkestra reduzida à um quarteto que o acompanhou em suas novas descobertas no campo dos sintetizadores que dava seus primeiros passos. Nosso amigo Herman Poole Blount ou Le Sony'r Ra, conheceu os sintetizadores Crumar que eram contemporâneos do célebre Moog e gravou este controverso Disco 3000 (no mesmo período também foi gravado o Media Dreams). A maioria dos aficcionados do senhor mistério que conheço, elege o Space Is The Place como seus discos favoritos e apenas um grande amigo meu que tem um sólido conhecimento da obra do homem de saturno, tem como o Disco 3000 como um dos melhores da vasta e confusa discografia da Arkestra. A composição Disco 3000 passeia pelas explorações timbrísticas que o sintetizador ofercia para Sun Ra e ela faz uso de padrões rítmicos presentes nos presets do novo instrumento. Há um momento que Sun Ra faz uma espécie de auto-sampler, usando trechos de suas composições e mesmo que muitos ainda insistam que Sun Ra e sua Arkestra são um grupo de free jazz, as suas composições são bem mais objetivas em termos de estrutura. É muito interessante o resgistro de Sun Ra com um grupo pequeno para expor sua arte musical, pois suas gravações predominam sua Arkestra que já teve três bateristas além de outros percussionistas na sessão rítmica. Assim como o Media Dreams, é a efetivação do trompestista Michael Ray no grupo. Disco 3000 como vários discos de Sun Ra, foi editado de forma independente e confusa, com mais de uma capa e por vezes com versões diferentes. Só depois de décadas foi reeditado no formato digital em dois cd's com praticamente todos os registros da sessão. Há composições conhecidas do repertório da Arkestra, como We Travel Spaceways e Friendly Galaxy, mas com arranjo para quarteto.
Clique no comentário para os links de arquivo.

sábado, junho 09, 2012

S.O.B. - Dub Grind ep (1999)

Algum tempo atrás tive um problema com uma gravadora sei lá de onde que reclamou de um disco do Warsaw (Joy Division) que publiquei aqui e minha conta no MerdiaFire foi bloqueada, mesmo sendo um blog tão pequeno e desconhecido. Infelizmente não tive tempo de atualizar todos os links para realmente divulgar artistas que mal fazem "sucesso" aqui no Brasil e não vão fazer mesmo, como é o caso do S.O.B.
Dub Grind foi o único album gravado em estúdio com o vocalista Naoto e particularmenee diferente dos outros trabalhos do S.O.B. com mais efeitos sonoros e uma sonoridade "menos" agressiva.
Atualizando, como de costume, nos comentários.
 
 
Studio Ghibli Brasil