A Mixmag teve como primeiro editor, Tony Price (DMC) e sua primeira edição foi em 1983 com o grupo Shalamar na capa. Quem acompanha de perto o mundo da dance music, sabe a relevância da publicação. E a Mixmag lançava gravações como esta de Doc Scott, que postei aqui a pouco tempo. Lost In Drum'n'Bass da Mixmag Live vol.22 traz uma sessão mixada pelo dj com faixas produzidas pelos nomes mais expressivos do estilo, como DJ Krust, Lemon D, Adam F, etc. Clique na imagem, acesse o arquivo e, bomb the bass on the dancefloor.
quarta-feira, junho 22, 2011
Doc Scott - Lost in Drum and Bass (1996)
A Mixmag teve como primeiro editor, Tony Price (DMC) e sua primeira edição foi em 1983 com o grupo Shalamar na capa. Quem acompanha de perto o mundo da dance music, sabe a relevância da publicação. E a Mixmag lançava gravações como esta de Doc Scott, que postei aqui a pouco tempo. Lost In Drum'n'Bass da Mixmag Live vol.22 traz uma sessão mixada pelo dj com faixas produzidas pelos nomes mais expressivos do estilo, como DJ Krust, Lemon D, Adam F, etc. Clique na imagem, acesse o arquivo e, bomb the bass on the dancefloor.
sábado, junho 11, 2011
Nós não precisamos falar de revolução e muito menos de televisioná-la... (Gilbert Scott-Heron, 01/04/1949 - 27/05/2011)
Fiquei sabendo da partida de Gil Scott-Heron na mesma noite, por conta da agilidade da rede mundial digital. Mas ainda precisava de um tempo para falar sobre ele. Não, definitivamente não queria redigir um texto passional e tolo, dizendo frases a esmo, citando sem o menor fundamento uma de suas mais famosas frases: "the revolution will not be televised", afirmando que era o pré-cursor do rap, que isso, que aquilo, como muitos "jornalistas musicais" de ocasião escrevem porque é pauta do trampo enfadonho deles. Não, definitivamente Gil Scott-Heron não merece ser espetáculo mórbido para pessoas que simplesmente o ignoraram durante tanto tempo.Então que esses jornalistas procurem falar sobre Jalal Mansur Nuriddin (Alafia Pudim), Abiodun Oyewole, Umar Bin Hassan, Richard Dedeaux, Father Amde Hamilton (Anthony Hamilton) e Otis O'Solomon enquanto estão entre os vivos. Ora, só homenagens postumas?
Por esses dias conversei com um amigo e ele ficou muito sentido em especial pela morte de Gil Scott-Heron e comentamos do impacto de sua arte em nossas vidas. Qualquer sebo de São Paulo se encontrava a compilação em lp "The Revolution Will Not Be Televised" pela mísera quantia de R$1,00, ou a versão em cd com mais músicas, por até R$5,00. Não precisava ser um arqueólogo musical para encontrar Gil Scott-Heron. Sua inconfundível voz grave e elegante destilava belas palavras e, palavras duras ao mesmo tempo. O menestrel tinha muito mais impacto do que um par de coturnos e jaquetas de napa coroados com uma "crista" levantada à sabão (agora esse neymarismo que se vê até entre as crianças...). Sim, o poeta do gueto nos deu uma injeção de ânimo em um momento em que o punk caminhava para um lugar horrível, de plástico colorido, de qualidade extremamente duvidosa, como essas reedições de calçados esportivos de grifes famosas (modelos dunk, sneaker, essas bobagens).
Gil Scott ainda teve tempo de voltar a dizer algo, mesmo depois de um tempo de reclusão devido as abordoadas e armadilhas que este mundo moderno lhe desferiu, de racismo, intolerância, capitalismo, drogas, HIV. O pranto pode durar uma noite, mas o sorriso há de vir pela manhã e, Gil Scott-Heron, continuamos te amando do mesmo jeito. Pedaços de um homem...
p.s.: Será que Sylvester Stewart não vai se recuperar?
segunda-feira, junho 06, 2011
Horace Tapscott - Thoughts Of Dar Es Salaam (1997)
A história da grande midia jornalística musical se repete perdendo tempo e negligenciando o que a arte tem a oferecer em qualidade. Enquanto até hoje há desgastantes matérias sobre o que todo mundo já sabe, dando a falsa impressão que apenas existiu um pequeno número de grandes artístas que contribuíram para a música, a realidade é outra. Quando se fala em pianistas, de grandes trios, quantos artigos já foram escritos sobre Bill Evans, Oscar Peterson, etc? Quantas vezes se escreveu sobre Horace Tapscott com o reconhecimento merecido? Infelizmente Tapscott faleceu no final de Fevereiro de 1999 e ainda estão falando de Bill Evans, principalmente aqui no Brasil. Por favor, não estou depreciando o talento de Evans, mas vamos mudar de assunto?Horace Elva Tapscott nasceu em 06/04/1934 na cidade de Houston, Texas e nos anos 40 se mudou para Los Angeles tendo a oportunidade de estar perto de nomes como Art Tatum, Charlie Parker, Coleman Hawkins, Dexter Gordon. estudou música com Dr. Samuel R. Browne e Lloyd Reese, tendo como colegas, Frank Morgan e Eric Dolphy, que mais tarde lhe apresentou à John Coltrane, quando esteve em New York trabalhando na The Hampton Big Band. Nos anos 60 se envolveu no que se convencionou a chamar de avantgarde da música afro americana e esteve envolvido nos ideais políticos, antiracismo, etc, tornando sua vida mais difícil, como vários que enveredaram por este caminho. Em meados dos anos 70 reorganizou a Pan-Afrikan Peoples Arkestra com novos talentos, trabalhou com grandes músicos, como o baterista Roy Haynes e o baixista Art Davis. No fim dos anos 80 realizou um grande concerto no Wilshire Ebell Theatre com os pianistas Andrew Hill e Randy Weston em um histórico concerto de piano solo. Nos seus últimos anos, teve o reconhecimento devido na Europa (como quase sempre aconteceu com os músicos afro americanos, que raramente são valorizados em seu próprio país), trabalhando com a P.A. Arkestra (que também contou com a colaboração de David Murray, Lawrence Butch Morris, entre outros), ao lado do saxofonista Arthur Blythe como sololista. Também merece destaque as sessões com o John Carter, Cecil McBee e Andrew Cyrille em 1989. Em Thoughts Of Dar Es Salaam, o trio é formado pelo baixista Ray Drummond e o baterista Billy Hart, que possui um refinamento musical incrível. Se você ainda não conhece a brilhante arte de Horace Tapscott, clique na imagem para acessar o arquivo e comprovar seu talento que merece mais reconhecimento.
sexta-feira, junho 03, 2011
Nasty Habits - Shadow Boxing / Prototyped (1996)
Me lembro quando trabalhei de vendedor em uma loja de discos no centro de São Paulo em 1998, no auge do chamado breakbeat e drum'n'bass, onde nomes como Goldie, Roni Size, Metalheadz, Prodigy, Chemical Brothers ecoavam entre os "modernos" e os maldosamente apelidados por estes, cybermanos, que eram o pessoal da periferia que acompanhara as batidas quebradas nas pistas de dança que se reformulavam do "hype" da house music, abandonado pela maioria, o que ocasionou o fechamento de muitas casas, como a famosa Up & Down, Area, Pool, etc.Muitos davam discursos inflamados profetizando o fim da música convencional e a grande revolução da música eletrônica. Claro que eu achava isso uma tremenda besteira, que a dancefloor music não extinguiria a música tocada por instrumentos musicais analógicos, o rock, etc, e provavelmente a música eletrônica de dança é que teria de se realimentar do rock, do funk, do jazz para se renovar. Bem, dito e feito. Não precisava ser nenhum Nostradamus ou coisa parecida para identificar isso e ambos os universos convivem em harmoniosa simbiose. E vão muito bem, obrigado.
Nasty Habits é um projeto do dj inglês Doc Scott (Scott McIIroy), lançado pelo seu próprio selo, 31 Records. Ele é o grande expoente do sub-estilo do drum'n'bass chamado de dark step. Scott também contribuiu na produção e remixagem do projeto de Bill Laswell, Panthalassa: The Remixes (The Music Of Miles Davis), uma escolha muito bem acertada. Shadow Boxing pode ser incluído entre os clássicos de pista no drum'n'bass, como Brown Paper Bag (Roni Size) e Inner City Life (Goldie). Clique na foto do selo para acessar o arquivo.
M'Boom - Collage (1984)
Max Roach sempre contribuiu com seu talento, técnica apurada, criatividade e principalmente senso desbravador na música, desde a década de 40 do século XX dentro do universo musical afro americano. Em 1970, formou um grupo composto apenas por percussionistas, entre eles, os bateristas Freddie Waits, Joe Chambers e Warren Smith entre os 10 membros que criaram composições com vibrafone, marimba, xilofone, congos, sinos, timpano (instrumento que Max aprendeu no colégio), entre outros instrumentos de percussão. Não são peças experimentais rítmicas, mas composições melodiosas e complexas. E há inclusive versões de clássicos como Epistrophy de Thelonious Monk e It's Time de Max Roach, que comprovam o quanto se pode criar dentro do espectro percussivo, alcançando esferas harmonico melódicas. Destaque para Street Dance, em que Roy Brooks executa seu solo com uma serra. Na época da gravação de Collage, Max já saiu novamente desbravando novos territórios, se associando ao início do hiphop, ao lado do pioneiro Fab 5 Freddy. Clique na imagem para comprovar a grande contribuição do M'Boom para a música.*P.S.: Este post vai para meu precioso amigo e eventual parceiro musical, Antonio Panda Gianfratti.
quinta-feira, junho 02, 2011
Improviso n° 4 - Antônio "Panda" Gianfratti, John Edwards & Ricardo Tejero
Apresentação do trio no Festival Abaetetuba - Encontro Internacional de Improvisação em Música, realizado no dia 14 de Novembro de 2010, no Espaço Cênico Ademar Guerra - Centro Cultural São Paulo.
Improviso nº4:
Antônio "Panda" Gianfratti (Brasil) - percussão
John Edwards (UK) - contrabaixo
Ricardo Tejero (Espanha) - saxofone tenor
Célio Barros: master do áudio e video
terça-feira, maio 31, 2011
Archie Shepp, jornalecos e revistas lidas enquanto se usa o vaso sanitário...
Bem, desta vez eu não me interessei em ver e ouvir Archie Shepp pelo fato de ultimamente não concordar com a política adotada pelo SESC no preço dos ingressos cobrados ultimamente em suas unidades em São Paulo, principalmente nas atrações musicais internacionais e outros motivos que escreverei logo a frente. Muitos irão me argumentar que se levar em conta os festivais notórios de "jazz" e música patrocinados por grandes empresas, o SESC cobra um preço bem modesto. A instituição tem o cunho assistencial, como a sigla indica, ou seja, Serviço Social do Comércio. Mas não é tão acessível pagar R$32,00 por um show para a maioria da população. Tá, vão me dizer que se fosse um festival patrocinado por um cartel de bebidas alcoólicas ou um cartel de telecomunicações, seria provavelmente o triplo deste "irrisório" e "modesto" valor. Ora, isso parece propaganda de bancos privados, com aquela conversinha de "sustentabilidade", propaganda na midia onde uma voz com tom paternal em off diz que tal banco foi feito para você... Sai fora! Todo cidadão minimamente informado sabe que estas instituições financeiras arrancam o couro de seus clientes com uma avalanche de taxas abusivas para lucrar absurdamente. E o comércio não é diferente. "Ah, mas o governo impõe impostos abusivos e abundantes aos empresários e blá, blá, blá...". Sempre a mesma ladainha, mas o problema é que o setor do comércio não oferece serviços e produtos que justifiquem o repasse desses encargos no bolso do pobre consumidor. Não? Qualquer jornaleco ou noticiário relata reclamações do setor aos montes. E o setor Terciário, também conhecido como serviços, no contexto da economia, envolve a comercialização de produtos em geral, e o oferecimento de serviços comerciais, pessoais ou comunitários, a terceiros, é o que mais cresce e lucra na economia de um país. Creio que qualquer pessoa que tenha prestado atenção nas aulas de Geografia e História no colegial tenha aprendido sobre isto. Enfim, a associação tem plenas condições de cobrar um valor mais acessível para estas atrações e aqui encerro esta questão.Fora que já é notório que os ingressos no SESC sempre esgotam rápido, não só pelo fato de uma atração internacional por um preço "atraente" ter grande interesse do público, mas porque uma considerável fração de ingressos já é reservada de antemão para convidados, digamos, "diferenciados" (um salve pra rapa de Higienópolis, in full effect, yo!)
Agora sobre Shepp, eu não fui por realmente não ter muito interesse em sua faze atual, onde ele se dedica mais ao chamado blues, a sua pequena limitação física por problemas de embocadura ao saxofone (e isso não sugere que é decadente), pois ele tem uma bela voz, também o grupo que o acompanhou não é dos meus prediletos em termos de gosto pessoal. Uma coisa que me incomoda quando os jornalistas brasileiros abordam Shepp e Pharoah Sanders também, é a mesma conversinha de associação com John Coltrane. Deixem o defunto em paz! Tanto Shepp e Sanders já caminham por conta própria à décadas e esse tipo de associação é muito débil. Caramba, depois do advento da web, o que não falta é informação para o pessoal escrever um artigo com um mínimo de qualidade. "Ah, mas isso se faz necessário para introduzir o leigo e blá, blá, blá..." Não, não! Essa não cola, pois há inúmeras maneiras de redigir um texto para leigos sem usar deste degradado, gasto e pobre recurso, para informar de forma simples e eficaz. Esses jornalistas e pseudo pesquisadores de música podem dar as mãos com o MEC e caminharem juntos em direção às trevas da ignorância lendo os livro...
Enquanto isso, só resta à Archie Shepp cantar o blues, não mais o lamento nos campos de algodão e na segregação racial, mas blues sobre a esculhambação da arte.
*P.S.: Uma empresa paulistana que fornece material para forrar gaiola de passarinho, embrulhar bananas, que também publica uma revista periódica com a intenção de ser "fina" Será fina(?), publicou mais dois artigos medonhos sobre Miles Davis. Coitado do Miles, que não pode protagonizar o lendário boxeador Jack Johnson e dar um upper cut neles e levá-los à lona ou miles away...
segunda-feira, maio 30, 2011
Oficina de Improvisação Livre com Antônio Panda Gianfratti
Se você está interessado em conhecer o amplo universo da improvisação livre, esta é uma ótima oportunidade de aprender com este criativo percussionista e improvisador. Panda é pioneiro no desenvolvimento no campo da improvisação livre no Brasil, com o grupo Abaetetuba, que conta com Thomas Rohrer (Suiça) e os membros radicados na Europa, Rodrigo Montoya (London Improvisers Orchestra/UK), Yedo Gibson e Renato Ferreira (Royal Improvisers Orchestra/Holanda).Aula introdutória:
Dia 10 de Junho, sexta-feira das 18 às 22h.
Oficinas:
Dias 11, 12, 18 e 19 de Junho, aos sábados e domingos das 13 às 17h.
Local:
Espaço Musical - Rua Paulistânia, 339 - Vila Madalena
São Paulo/SP 05440.000
prox. à estação Vila Madalena do metrô
Contato: contato@espacomusical.com.br
tel: (11) 3813-2955
http://www.espacomusical.com.br/
Weasel Walter - Cellular Chaos - Demo Live 5/12/11
sexta-feira, maio 27, 2011
sábado, maio 21, 2011
Homofobia: Muita calma nessa hora
Em tempos de intolerância em contraponto ao avanço tecnológico e científico da humanidade, nos deparamos com a manifestação dos mais cruéis sentimentos e comportamentos do dito ser humano civilizado. Pois é, não se trata de hordas de bárbaros oriundos dos confins da Terra que não tiveram a menor noção de como se deve viver em sociedade e pertencer a civilização. Ainda há conflitos étnicos, territoriais, político e religiosos ao redor do mundo, mas não vou abordar estas questões, como também não vou abordar os conflitos entre grupos sociais, como de facções ligadas a estilos musicais (?!), como muitos que vivem em São Paulo desde o início dos anos 80, por exemplo, conhecem.
A questão aqui é a homofobia, que ultrapassou as fronteiras do comportamento civilizado chegando ao ponto da violência moral e física. Antes, o que acontecia infelizmente de forma comum, era a zombaria, piadas de mau gosto contra os homossexuais. Agora se tornou comum o ato de agressão física e homicídio. Por conta do avanço desenfreado de atos abomináveis ao próximo, aos nossos semelhantes, (sim, pois tanto homens e mulheres heterossexuais, homossexuais, transgêneros são seres humanos) foi elaborado o PROJETO DE LEI 5003/2001 (PLC 122/2006), mas há um grande problema neste projeto. Se você clicar no link, poderá constatar uma arbitrariedade unilateral que diferencia e dá ao homossexual privilégios em relação aos heterossexuais e isso contradiz o discurso de igualdade que tanto se defende. Minha pergunta é: Se por exemplo uma empresa composta de maioria homossexual começar a hostilizar (conheço um caso assim em que o empregado foi demitido sem justa causa) um heterossexual a ponto de demití-lo, a PLC 122 também funcionará como instrumento de punição ao homossexual? Se um homossexual discrimar um heterossexual também será punido segundo proposto este projeto de lei? Aí é que está a questão. Eu sou cristão protestante, não me importo se sou alvo de piadinhas sobre a minha fé em Jesus Cristo, mas não consordo em ser prejudicado socialmente por outra pessoa que não concorde ou não aceite minha escolha de fé ou se preferirem dizer, de "religião". Não sou um "crente", "evangélico" intolerante, como muitos são por aí, pois tenho amigos homossexuais, entre os denominados, gays, lésbicas e transgêneros, não aceito piadinhas contra essas pessoas, pois para mim isso é abominável,
temos que respeitar todas as pessoas, pois somos todos iguais perante Deus. Não sou como muitos hipócritas pseudo-militantes e "liberais de esquerda", que criticam os homofóbicos, mas não tem nenhum amigo homossexual e ainda deixam escapar uma piadinha pré-conceituosa sobre gays, em suas rodas de conversa. Para Jesus, eu, a Rogéria, a Roberta Close, a Nanny People, o deputado Jean Wyllys, a Lacraia, somos todos iguais, ele nos ama de forma igual e eu concordo 100%. É deprimente e abominável o tipo de declaração que o deputado Jair Messias Bolsonaro vem fazendo em detrimento aos homossexuais. Bolsonaro, cale-se por favor!
quarta-feira, maio 18, 2011
Front 242 - Politics Of Pressure (1985)
O Front 242 tornou a música eletrônica feita na Bélgica conhecida no mundo todo como Electronic Body Music. Bem, neste momento peculiar em que estamos vivendo, é propício relembrar este ep gravado em 1985 com um título extremamente atual e basta dizer que além do hit Don't Crash, temos a oportuna música entitulada de Funkahdafi... Clique na imagem e acesse o arquivo.
Andrew Cyrille Quintet - Ode To The Living Tree-African Love Supreme (1994)
Andrew Cyrille é conhecido pela sua associação com Cecil Taylor, mas este músico nascido em 1939 no Brooklyn de descendência haitiana, também é um baterista que figura entre os percussionistas que são criativos compositores. Participou de projetos importantíssimos para o seu instrumento, como o Dialogue With Drums, ao lado de Milford Graves e Rashied Ali, a gravação Pieces Of Time, com Graves, Famoudou Don Moye e Kenny Clarke. Sua sonoridade tem complexidade, refinamento e energia que foram se aperfeiçoando muito em parte na sua parceria com Cecil Taylor. Ode To The Living Tree foi gravado durante a primeira viagem de Cyrille ao continente africano, onde participou de um festival de música em Ghana. A gravação ocorreu num estúdio em Dakar, Senegal, onde é pouco comum um músico do chamado free jazz realizar uma sessão. Cyrille contou com a colaboração de ilustres companheiros, da chamada segunda geração do free jazz norte americano: os saxofonistas Oliver Lake e David Murray, o baixista Fred Hopkins e o pianista Adegoke Steve Colson, membros atuantes da AACM. As composições desta gravação tem como característica, o chamado post-bop, onde a melodia tem mais espaço que a desconstrução radical do free jazz. Midnight Samba autoria de Colson, tem a nítida influência da sonoridade brasileira. Ode To The Living Tree tem o subtítulo de African Love Supreme, pelas versões das 2 primeiras partes da suíte de John Coltrane, além da conhecida Mr. P.C. Clique na imagem para acessar o arquivo.
segunda-feira, maio 16, 2011
Kahil El'Zabar & David Murray/We Is >> Live At The Bop Shop (2004)
Gravado em 2000 na The Bop Shop record store em Rochester, N.Y., Zabar e Murray revisitam o duo sopro e percussão, mostrando que este formato não se esgotou e proporciona criativas direções sonoras. David Murray tem a sonoridade dos antigos saxofonistas, com muita espiritualidade, assim como Kahil El'Zabar, que transcende os limites entre o ancestral e o contemporâneo, onde ambos criam uma atmosfera musical atemporal exuberante. Murray também é um compositor extremamente criativo e trabalha nas mais variadas configurações, também se destaca seu timbre único no clarinete baixo que jamais soa derivativo do grande desbravador do instrumento no jazz, Eric Dolphy. Zabar possui uma linguagem muito criativa e original, tanto na bateria quanto nos tambores e instrumentos de percussão. Sem a menor sombra de dúvida, mais um grande encontro de artístas criativos que nos conduz a mais uma bela jornada musical. Clique na imagem para acessar o arquivo.
sexta-feira, maio 13, 2011
Archie Shepp - Black Gipsy (1969)
Me lembro quando pude prestigiar Archie Shepp a alguns anos atrás num festival patrocinado por uma marca de bebida. Confesso que tive uma certa decepção pelo fato de Shepp não ter soprado seu saxofone tenor com aquela potência notória de suas gravações, pelo fato de estar debilitado em sua embocadura e cantou mais do que tocou. Sim, foi emocionante sua interpretação de Mama Rose, Revolution com sua bela voz, mas queria ter ouvido mais de seu saxofone. Shepp também teve uma carreira um tanto irregular, principalmente na década de 80, onde gravou standards, composições mais acessíveis ao chamado jazz tradicional, em detrimento dos apreciadores da "fire music". Isso até provocou comentários de Cecil Taylor e Amiri Baraka(Leroy Jones) que o acusaram de traidor e aproveitador do ideal político dos artístas do free jazz. Eu pessoalmente tenho minhas dúvidas em relação aos comentários de Cecil e Baraka, embora eu ache algumas gravações de Shepp um tanto sem expressão e criatividade, mesmo tendo um foco mais tradicional. Mesmo o In The Tradition de Arthur Blythe por exemplo, é bem interessante. Mas vamos ao Black Gipsy que conta com a participação de Chicago Beauchamp (Lincoln T. Beauchamp Jr.), vocalista, gaitista e autor que já tocou com Memphis Slim, Billy Cobham, Art Ensemble of Chicago, Cal Massey, Anthony Braxton, Sunny Maurry, Pinetop Perkins, Jimmy Dawkins, Johnny Shines, Billy Boy Arnold, Fontella Bass, Habib Koite, James Carter, Lester Bowie, Philly Joe Jones, Famoudou Don Moye, Jeanne Lee, Deitra Farr, Willie Kent, E. Parker McDougal, Amina Claudine Meyers, Amakhono We Sinto Choir of South Africa, Frank Zappa, Sunnyland Slim, entre outros. Nesta gravação Shepp se concentra no saxofone soprano. Clique na imagem para acessar o arquivo.*PS: Como a conta do mediafire foi bloqueada, caso queira saber mais desta gravação, entre em contato com o Sonorica, Será um prazer compartilhar conhecimento.
terça-feira, maio 03, 2011
Osama bin Laden morto? Isso é motivo de alegria?
"Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar;
Para que, vendo-o Senhor Deus, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira.
Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos ímpios,
Porque o homem maligno não terá galardão, e a lâmpada dos ímpios se apagará." - Provérbios 24:17-20
"Não digas: Como ele me fez a mim, assim o farei eu a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra." - Provérbios 24:29
"Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" - Ezequiel 18:23
"Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, e vivei." - Ezequiel 18:32
"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos" - Ezequiel 33:11
Sem dúvida esta questão gera polêmica e posicionamentos extremos. Antes de qualquer coisa, este post está alinhado com a minha convicção pessoal que vai de encontro com os textos acima, que são a palavra de Deus, de Jesus Cristo, sobre o verdadeiro amor, a misericórdia, o perdão. Se você se alegrou com a notícia da morte de Osama Bin Laden, lhe causou uma satisfação e sensação de justiça feita, sim, tem toda a liberdade de nutrir este sentimento. Mas este não é o melhor espaço para expressar sua opinião. Sim, respeito a sua opinião em se alegrar com a notícia, mas discórdo em haver alegria para isso. O sentimento de vingança para o ser humano tece uma armadilha muito sutíl, em que a pessoa corre o risco de se enveredar justamente para a injustiça, pois o ser humano está longe da perfeição e da verdadeira justiça. A história da humanidade mostra isso claramente e infindáveis são os exemplos de injustiça praticada pelo homem.
"Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus." - Tiago 1:20
Infelizmente Osama escolheu um caminho que lhe trouxe consequências. Jesus diz que se alguém escolher o caminho da violência, inevitavelmente terá um resultado, consequência de violência. Não vejo motivo em me alegrar com a morte de Osama, como não ví motivo de me alegrar com o enforcamento de Saddam Hussein, pois mesmo que muitos afirmem que são "monstros", independente de opiniões pessoais ou da maioria, ainda são seres humanos. Qual será a próxima comemoração, a possível morte de Muʿammar al-Qaḏḏāfī? Para mim é motivo de tristeza o ser humano chegar à esse ponto, tanto em se alegrar com a morte de alguém, como o final trágico de uma pessoa que escolheu o caminho do erro, da injustiça, do ódio, da violência, do mal. Antes as incontáveis pessoas tivessem se arrependido de suas escolhas perversas, mesmo tendo que responder pelos seus atos, recebecem o verdadeiro amor em seus corações.
Não tenho o direito de julgar os atos de Osama e Husseim, pois eu não sei que sentimento lhe tomou o coração ao ver seus semelhantes massacrados não só pela violência das armas, mas também pela diretriz político-econômica regida pelo capitalismo mundial, mesmo em países que tem regime comunista, imperialista, etc, afinal o mundo gira em torno do dinheiro, do capital, não importa se é em New York o
u Kabul.
Alguém pode me dizer que estou sendo demagogo, que se acontecer algo ruim à uma pessoa querida ou a mim mesmo, eu lançaria ao vento o meu discurso de compaixão. Provavelmente eu me defrontaria com a tentação de alimentar o ódio e a vingança, mas é possível não sucumbir a isso. Como? É um árduo exercício e vigilância contínuo. Sim, não é uma tarefa simples e fácil, mas não é impossível ao que crê.
"E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes." - Lucas 23:34
"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." - Mateus 6:14,15
sexta-feira, abril 29, 2011
Apresentação dos participantes da Oficina de improvisação livre no CCSP (24/04/2011)
sábado, abril 23, 2011
Páscoa, Pessach, feriado prolongado, coelhinho ou chocolate?

"E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR.
E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.
E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel. E ao primeiro dia haverá santa convocação; também ao sétimo dia tereis santa convocação; nenhuma obra se fará neles, senão o que cada alma houver de comer; isso somente aprontareis para vós. Guardai pois a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até vinte e um do mês à tarde. Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, aquela alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães ázimos. Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.
Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre. E acontecerá que, quando entrardes na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, guardareis este culto.
E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?
Então direis: Este é o sacrifício da páscoa (do hebraico פסח - pessach ou seja, passagem) ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.
quarta-feira, abril 13, 2011
Grachan Moncur III - New Africa (1969)
Grachan Moncur III nasceu em New York 03/06/1937, vindo de uma família de músicos, como seu tio Al Cooper, líder do The Savoy Sultans, e seu pai foi baixista no Savoy Sultans além de tocar com Billie Holiday, Teddy Wilson, entre outros. No início dos anos 60 inicou uma parceria com o saxofonista Jackie McLean e gravaram trabalhos históricos para o jazz: One Step Beyond, Evolution, Destination Out e Some Other Stuff. Mesmo assim, Moncur ainda é um nome pouco lembrado entre os ícones do seu instrumento. Quando Moncur se associou no fim da década de 60 em Paris com músicos do free jazz, produziram os trabalhos mais engajados do movimento, sob o selo BYG pela série da revista Actuel, onde encontraram um veículo propulsor destes ideais, apesar de até hoje haver fatos não bem esclarecidos sobre problemas de direitos fonográficos entre o selo e os músicos. New Africa não é das gravações mais radicais deste núcleo de músicos, como o Echo de Dave Burrell ou Luna Surface de Alan Silva, mas é composto de composições exuberantes em beleza lírica do jazz contemporâneo. Clique na imagem para acessar o arquivo.
segunda-feira, abril 11, 2011
Linton Kwesi Johnson - Dread Beat An' Blood (1977)
Linton Kwesi Johnson nasceu em 24/08/1952, Chapelton, Jamaica, mudou-se para a Inglaterra e se graduou em sociologia na Goldsmiths College em New Cross, London em 1973. Se integrou ao British Black Panther Movement e organizou workshops de poesia no movimento, com o grupo de poetas e percussionistas Rasta Love.A poesia de LKJ aborda os conflitos raciais na Inglaterra e Dread Beat An' Blood antecede os conflitos em Brixton (1981).

Linton Kwesi Johnson tem uma extrema sintonia com o movimento punk, pelo teor politizadoem seus poemas e esta gravação é contemporânea coincide ao nascimento do punk rock. Considero pessoalmente LKJ o melhor de todos dentro da música jamaicana, até mais que os consagrados nomes de sua terra natal. Clique na imagem para acessar o arquivo que é um clássico.
sábado, abril 09, 2011
Kahil El'Zabar's Ritual Trio - Renaissance Of The Resistance (1993)

Em Renaissance Of The Resistance, Kahil El' Zabar se une à dois grandes músicos da música livre ligada com as tradições da cultura afro americana. Membros importantes da AACM que contribuiram ativamente para o avanço da criatividade musical de Chicago e consequentemente da música universal. O saudoso baixista Malachi Favors construiu sua sólida reputação no mais ilustre grupo oriundo do cenário. o Art Ensemble Of Chicago. Ari Brown e Kahil El' Zabar continuam seus respectivos trabalhos. Esta gravação do Ritual Trio em alguns momentos se assemelha ao Ethnic Heritage Ensemble, quando Zabar os tambores africanos e kalimba. As composições em que está na bateria, onde fica evidente a sua versatilidade e maestria, o trio se manifesta mais na tradição do chamado jazz. Para quem está mais familiarizado com as características de Ari Brown, sabe que mesmo em momentos mais intensos seu saxophone exala suavidade, se integrando à firmeza, criatividade e profundidade de Favors. Clique na imagem para acessar o arquivo e constatar que a música fala por sí só.
sexta-feira, abril 08, 2011
School days, school's out... as amizades nos tempos de escola.
Antes de tudo, não é um post sobre o conhecido disco de Stanley Clarke, School Days (1976). Muita gente detesta Stan, que ficou estigmatizado como um exibicionista do baixo elétrico, como acontece com os guitarristas. Mas ele está além disso, é um brilhante músico e compositor, que participou de um clássico de Pharoah Sanders, o Black Unity (1971), do Moon Germs de Joe Farrell (1972) e do grupo Return To Forever. Só coloquei a foto porque gosto da capa (do disco também) e serviu para ilustrar o assunto que meditei nesta manhã.
Tempos de escola. Indiretamente tem ligação ao que ocorreu no Rio de Janeiro, mas não é sobre bullying, armamentos, ou coisa parecida. Veio à memória meus tempos de escola, onde havia o complemento da rede social da maioria das pessoas, que começa pela família, depois os vizinhos e a escola, onde boa parte de nossa infância e adolescência passamos. Complementando com os amigos da vizinhança, os da escola muitas vezes moram em outros bairros, mas convivemos de forma intensa, se assim o desejamos. Acontece de integrarmos os amigos da escola com os das ruas do bairro, e até ambos estão nos dois lugares. No meu caso tive amigos de escola que eram vizinhos de bairro.
Bem, gostaria de falar especificamente sobre os últimos três anos letivos que compunham o chamado colegial do currículo das escolas estaduais. Estavamos crescendo e deixando aos poucos a fase mais turbulenta que é a adolescencia, dos 15 aos 17 anos de idade. Misturam-se os sentimentos e o turbilhão de informações em nós, que estávamos no meio do caminho, não querendo ser mais crianças, e sermos levados à sério, mas não possuindo a experiência, capacidade e maturidade de um adulto (aliás, muitos adultos ainda não as tem). As meninas confundem sua "maturidade" por conta da acelerada mudança corporal em relação aos meninos, que lidam com seus conflitos, o receio ou não do serviço militar obrigatório, a virilidade, a habilitação de motorista e ambos em relação à faculdade. Enfim, muitos artigos, livros e teses redigidos com mais competencia por profissionais de comportamento explicam sobre isso.
Lembrei do forte vínculo que estabelecí com um grupo de amigos, pois estudamos na mesma classe por três anos consecutivos. Duas meninas, três meninos e mais alguns de outras classes de forma menos intensa. Creio que um grupo que girava em torno de 10 amigos. Compartilhamos sonhos, vandalismo, estudo, paixões, conflitos, um micro mundo, um esboço social para cada indivíduo que possuía personalidade distinta uma da outra, mas que conseguia conviver harmoniosamente. Sim, às vezes nos desentendíamos, mas isso não passava de um dia de aula ou um fim de semana. Alguns já pensavam no lado mais prático da vida futura, em ganhar dinheiro, em ser bem sucedido de acordo com o padrão capitalista, outros no romantismo do amor à profissão ou ideal filosófico e artístico, outros já direcionavam seus barcos à deriva, na ilusão de que seriam jovens para sempre, que bastava colar na prova e estava tudo certo, que chegariam sempre em casa com roupa lavada, comida feita e contas pagas pelos pais. Os que deixaram de orientar o leme de suas vidas no bravio mar da sociedade impessoal, foram tragados pelas marés, mas estes em sua maioria, foram os amigos de bairro. A maioria dos meus amigos de bairro não deram continuidade nos estudos, alguns foram para caminhos tristemente medíocres e tortuosos. E outros encontraram o crime, a prisão, a violência e a morte.
Mas os meus amigos do grupo da escola, todos se estabeleceram dentro dos padrões da sociedade, alcançaram grande parte de seus objetivos, a maioria constituiu família, renda, etc. Tentamos nos reunir em alguma ocasião, mas nunca conseguímos reunir o grupo todo. Questões geográficas, do cotidiano tornaram isso inviável, além do fato mais triste: a falta de interesse. O conceito de amizade é relativo para cada pessoa, cada um determina o seu. Outro fator é que cada um não quer abrir mão, nem que seja uma vez, de sua rotina. Me lembro que fui em uma reunião de ex-alunos da escola e até certo ponto foi divertido rever muitas pessoas. Mas também foi um choque social, pois meus amigos em sua maioria se tornaram os "caretas adultos" aos quais criticavamos em nossa adolescência. A maioria abandonou seus sonhos e ideais e apenas se ajustaram à maquina da sociedade onde o indivíduo gera renda e consumo, sem questionamentos. E em seus medos, angústias, conflitos e anseios as pessoas se defendem no bunker do egoísmo, ignorando que entraram em uma armadilha feita por sí próprias.
"E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará." - Mateus 24:12
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." - Romanos 12:2
terça-feira, abril 05, 2011
The Ethnic Heritage Ensemble - Impressions (1982)
Gravado em Junho de 1981 na cidade de Bologna, Itália, Impressions é dividido em duas partes. Kahil El'Zabar contou com a colaboração de Ed Wilkerson e Henry 'Light' Huff nos sopros nesta configuração do Ethnic Heritage Ensemble. Edward L. Wilkerson Jr. nasceu 27/07/1953 - Terre haute, Indiana, é saxofonista e clarinetista, compositor, arranjador e educador membro da AACM onde leciona na escola de música da associação. Foi premiado pela Illinois Arts Council, the National Endowment for the Arts, Meet the Composer, the Community Arts Assistance Program, entre inúmeros outros títulos. Além de ter partcipado do Ethnic Heritage Ensemble, seus trabalhos incluem 8 Bold Souls, Shadow Vignettes, tocou com a AACM Big Band, Roscoe Mitchell, Douglas Ewart, the Temptations, Chico Freeman, Geri Allen, the Lyric Opera of Chicago, Muhal Richard Abrams, Aretha Franklin, e George Lewis. Infelizmente não pude obter informações sobre Henry 'Light' Huff, que faleceu no início dos anos 90, mas ele é um nome extremamente respeitado entre os músicos, e isso pode facilmente comprovado em seus dois registros como membro do Ethnic Heritage Ensemble. Na primeira parte de Impressions se destaca seu clarinete baixo ao lado de Wilkerson. Espero que venha à luz o reconhecimento de Henry 'Light' Huff no avanço da criatividade da música livre. Clique na imagem para acessar o arquivo e comprovar a riqueza artística destes grandes músicos.
sexta-feira, abril 01, 2011
Ernest Dawkins' New Horizons Ensemble - The Prairie Prophet (2011)
Apesar de Ernest Dawkins ainda não ser um nome tão conhecido até entre os apreciadores do chamado jazz, é um dos principais músicos e compositores que contribuem para o avanço da música criativa e ousada, ligada às tradições ancestrais da música e cultura afro-americana. Dawkins se une a novos talentos do cenário ousado de Chicago, com os trompetistas Marquis Hill e Shaun Johnson, o guitarrista Jeff Parker. Também fazem parte do New Horizons Ensemble, o baixista Junius Paul, Steve Berry no trombone e Isaiah Spencer na bateria.The Prairie Prophet é dedicado ao mentor de Dawkins, Fred Anderson, também conhecido como proprietário do lendário Velvet Lounge, o epicentro de propulsão do free jazz de Chicago.
Clique no link abaixo para ouvir uma pequena amostra do disco:
http://www.amazon.com/theprairieprophet /
terça-feira, março 29, 2011
Condomínios fechados, a nova onda do mercado imobiliário
Saindo do foco mais direcionado deste blog, este post é sobre os novos empreendimentos imobiliários que nós temos visto se multiplicarem ao redor da cidade de São Paulo e seus anúncios se multiplicam vertiginosamente em todas as midias: os lotes de condomínios fechados. Pois é, antes o condomínio Alphaville, situado na região de Barueri, era algo inatingível para a maioria da população, sendo notória moradia de ricos, alguns artístas. Afastado do centro urbano, oferece segurança, tranquilidade, privacidade, área verde, despreocupação em estacionar o carro, de trancar a porta de casa, etc. Uma utopia para uma cidade esculhambada que é São Paulo. Agora a classe média também pode sonhar com essa possibilidade, pois as imobiliárias investem pesado neste setor, arredando áreas que não tinham interesse no mercado, por estarem distantes do centro da capital e não eram mais atrativas para parques industriais. Isso também é reflexo do que é bombardeado através de filmes, seriados, onde as famílias norte americanas de classe média vivem pacatamente nos chamados subúrbios, onde o pai faz seu estranho churrasco com carne de hamburguer no quintal com piscina, apara a grama verde e não há altas grades separando o jardim frontal da casa com a calçada da rua. As crianças (kids?!) brincam de bicicleta e o notório carrinho de mão vermelho, jogam baseball com tranquilidade.
Bem, como nossa cultura é esfacelada e macunaíma, estas imagens vem fermentando no imaginário brazuca por anos à fio.Para o Oeste! Ou para o norte, sul, leste, enfim, rumo aos condomínios fechados! Compre sua fatia de felicidade em suaves prestações e financiamento bancário, escolhe seu lote, siga o padrão e construa seu castelo! Não, não se importe com o impacto ambiental do desmatamento desenfreado que estes lotes estão causando na natureza, afinal, são apenas casas, não é mesmo? Quem precisa de mato é bicho. E bicho suja, pica e faz sujeira.
Mas quer saber, vão meus queridos, deixem a cidade para nós! Nós que gostamos de viver amontoados entre concreto, carros e multidão. Isso pode ajudar no paisagismo da cidade, que está forrada de grades, seguranças de terno preto, carros blindados com vidro escuro, paranóia, frieza, comportamento individualista, etc.
Quem sabe, possa ocorrer como em New York pós depressão, onde ninguém queria ficar, dando oportunidade para a arte, a chamada contra-cultura e seus artístas, estabelecerem studios, lofts, galpões, nightclubs, como o CBGB'S, e a grande maçã podre exalou arte como ninguém. Mesmo agora, quando a coisa melhorou e houve a tal da política de tolerancia zero e higienização sócio-econômica nos anos 80, New York ainda é o que é, um centro democrático propulsor de arte, apesar de tudo.
Por tudo isso, classe média, ricos, vão meus queridos, deixem a cidade...

segunda-feira, março 28, 2011
Arthur Doyle Quartet: Live @ The Cooler (1995)
Arthur Doyle ainda soa um nome obscuro no cenário músical, mesmo sendo homenageado na música "Kim Gordon and the Arthur Doyle Hand Cream" no disco Sonic Nurse (2004) do Sonic Youth e as frequentes declarações de Thurston Moore sobre a influência do free jazz e Doyle na sua trajetória musical. Doyle nasceu em Birmingham, Alabama, 25/06/1944, tocou em grupos de R&B, participou do importantíssimo registro do free jazz, o disco Black Ark de Noah Howard, como também seu próprio registro sob seu nome, o Alabama Feeling. Passou longos 5 anos preso por falsas acusações, onde compos cerca de 300 peças, sem poder usar seu instrumento musical. O resultado está em Songbook (1992), Songwriter (1994), e Do the Breakdown (1997). Arthur Doyle tem uma afinade com guitarristas, como se pode constatar em suas parcerias com Keiji Haino, Thurston Moore e seu velho parceiro Rudolph Grey, com quem desenvolveu o grupo The Blue Humans, ligado ao cenário No Wave de New York.No Live at The Cooler, o quarteto de Doyle, que conta com Wilbur Morris no baixo e Tom Surgal na bateria, executa 3 peças onde predomina uma paisagem de ambiência sonora com destaque nas texturas criadas pela guitarra de Rudolph Grey e até em Flute Song, Doyle extrai uma sonoridade mais aspera e agressiva. Clique na imagem para acessar o arquivo e adentrar na atmosfera surpreendente e criativa de Arthur Doyle.
sexta-feira, março 25, 2011
Front 242 - Headhunter (1988)

Não posso afirmar com precisão, mas um amigo músico especializado em música eletrônica me disse que a introdução de Headhunter é um sampler de algum instrumento de sopro primitivo, com tratamento digital e a limitação dos equipamentos da época que acabaram por produzir um dos mais emblemáticos sons das pistas de dança. Infelizmente esse timbre é lembrado atualmente pelo sampler surrupiado pelo detrito chamado Bonde do Tigrão, que segundo corre rumores, um notório personagem do cenário underground paulistano, o Luizinho, ligou para os membros do Front 242 e denunciou o grupo, que teve que pagar os direitos de uso do sampler. Mas eu prefiro ficar com a lembrança de que a introdução de Headhunter era usada na vinheta do programa Novas Tendências, apresentado por José Roberto Mahr na rádio 89 FM, um dos melhores programas de rádio que tivemos nos anos 80, que era possível ouvir as novidades da música mundial sem tanta defasagem de tempo. No mesmo programa, se ouvia a nova geração do hiphop da época, encabeçada pelo De La Soul, A Tribe Called Quest, a cena de Manchester dos Stone Roses e Charlatans, os mais obscuros projetos da dark wave, o EBM, o New Beat belga, etc.
O single Headhunter foi lançado em 1988 extraído do lp Front By Front e também continha outro hit, Welcome To Paradise. Clique na imagem para acessar o arquivo.
quinta-feira, março 24, 2011
Obama, Obamis, Oba-Oba, você ainda acredita que este país tem jeito?
Yes, they can! E a tal da irreverência e descontração brazuca mais uma vez cumpre a sua função e vocação para servir o opressor. Eu me lembro nitidamente de pessoas que convergem com os ideais utópicos de Karl Marx, o socialismo, a esquerda revolucionária, o coletivismo, anarquismo, bandas punk, ideologias coletivas, passeatas pró-cannabis, rap, periferia (mas preferem estabelecer em bairros notórios de classe média), afrobeat, que apoiaram a eleição de Barack Obama. Pessoas de etnia caucasiana que parecem nutrir uma culpa ancestral com nossos irmãos descendentes africanos e apoiam eles em tudo, não importando que exemplo de vida eles representem. Snoopy Doggy Dog, Fifty Cent, Mike Tyson são aclamados, não importando suas atitudes péssimas como seres humanos. Só faltava essa gente apoiar o Baby Doc, O.J. Simpson, Ben Johnson... Aí ficam panfletando uma causa que não lhes diz respeito, pois só porque frequentam o Cooperifa, um eventual show de rap e tem alguns colegas que moram na "quebrada", acham que são "manos" também. Na hora que falta água numa temperatura escaldante de 30 graus, que falta luz, que falta ônibus, que falta vaga na escola pública de ensino péssimo, que rola chacina no boteco, tráfico de drogas e poder paralelo dos criminosos, adolescentes grávidas, falta de vaga em creche, preferem morar em bairros de classe média da zona oeste da cidade, onde tem delivery, 24 horas, galerias de street art, e claro, trabalhar em midias bancadas pelo nefasto universo publicitário, disfarçado pelo style de rua, gangueiro, etc. O que estes pretensos "revolucionários" parecem esquecer é que Obama é o presidente dos Estados Unidos da América do Norte, ícone do neo-liberalismo, do partido democrata que avança com suas garras no mercado exterior e o destroi, principalmente o do Terceiro Mundo (que somos nós brazucas, mesmo com tablets, iPhones). Aí partcipam de um ato do Greenpeace, bicicleta (por favor, não distorça os fatos, pois sou pró-transporte não poluente), ficam descendo a lenha em quem tem carro, sendo que a maioria da população da periferia quer ter um automóvel, apoiam a liberação da maconha, como se isso fosse resolver os problemas da violência e do crime, depois vão para suas casas ouvir Fela e Kanye West...Estes mesmos apoiaram a Dilma e o prostituido PT, aquela conversinha de que são anti-machistas, que uma mulher na presidência é o melhor para o Brasil (por favor riot girls, não distorçam o que falo), mas a nossa presidenta permitiu mais um capítulo no histórico de humilhação brazuca em que os ministros de nosso "grandioso" país fossem tratados como foram pela segurança da águia de cabeça branca. A nossa querida Dilma ficou cheia de lisonjas para o dito presidente, que em nossa própria terra, outorgou ação de guerra, jogando na nossa cara que se nós não sucumbirmos mais ainda ao seu poderio, podemos amargar uma Tripoli da vida. Pré Sal? O petróleo é nosso? Hahaha, "How will i laugh tomorrow, when i can't even smile today?" (Suicidal Tendencies). Já que citei uma música do pessoal de Venice, aqui vai mais uma: "The Joke's On You" (Excel).
quinta-feira, março 17, 2011
Vince Guaraldi - Oh, Good Grief! (1968)

Vincent Anthony "Vince" Guaraldi (17/07/1928 – 06/02/1976), foi o pianista e compositor ítalo americano nascido em San Francisco, CA que ficou conhecido pela trilha sonora do desenho animado das histórias em quadrinhos criadas por Chales M. Schulz, Peanuts, que tem como principais personagens, o garoto Charlie Brown e seu cão beagle de estimação, Snoopy. Mas Vince também atuou no cenário do chamado West Coast do jazz, tocando com Cal Tjader, Willie Bobo, Stan Getz, Monty Budwig, Frank Rosolino, Sonny Criss, Ben Webster, etc. Também gravou com o guitarrista brasileiro Bola Sete (Djalma de Andrade) e a bossa teve certa influência em parte de sua carreira. A música mais conhecida de Guaraldi da trilha sonora de Peanuts é o tema para os irmãos Linus e Lucy. Linus é o grande amigo de Charlie Brown, que não se separa de seu cobertor e sua irmã Lucy, de gênio forte, não deixa de importunar a vida de Charlie Brown. Estéticamente Peanuts pode parecer um desenho infantil, mas trata com profundidade o cotidiano das crianças e até questões humanas de uma maneira universal, de um modo leve e claro, muito bem humorado e refinado. Um desenho animado para toda a família se divertir.
Vince Guaraldi captou com maestria a atmosfera da animação e a trilha jamais soa como algo feito a parte. Um clássico da música popular, dos tempos em que a maioria das pessoas ainda se interessavam pela música instrumental mais elaborada, mas acessível. Clique na imagem para acessar o arquivo.
D.I. - Horse Bites Dog Cries (1985)
O D.I. se formou em 1982 por ex-membros dos grupos Adolescents e Social Distortion, na região de Orange County, CA. O vocalista Casey Royer era baterista do Adolescents e é o único membro do D.I. que permaneceu desde o início da banda até hoje. Fizeram parte também os irmãos Agnew, Alfie e Rikk como guitarristas. O interessante é que ainda fazia parte do Adolescents, outro guitarrista e membro da família Agnew: Frank. Eles imprimiram uma personalidade original como guitarristas e uma sonoridade bem característica. O uso de acordes com a nota dominante seguida de sua oitava marcaram o estilo das bandas. A sonoridade característica do punk rock feito na costa oeste dos EUA se tornou a trilha sonora ideal para as skate sessions nas ensolaradas ruas, pistas e piscinas esvaziadas da California. Assim como seus contemporâneos do Circle Jerks e Dead Kennedy's, a temática das letras sempre teve cunho crítico sobre política e sociedade, só que numa abordagem humorística ácida e irônica. Um clássico dos anos 80 do que se chamou de skate rock.Lembrando que minha conta no mediafire foi bloqueada por violação de direitos autorais, mas no final de tudo se trata do vil dinheiro, como se o Sonorica estivesse lucrando com isso. Quem tiver interesse, mande uma mensagem, podemos refazer o link, obrigado
Remembering that my account was blocked by mediafire copyright infringement, but in the end it's all about the vile money, as if the Sonorica was profiting from it. Those interested, send a message, we can redo the link, hank you
quarta-feira, março 16, 2011
Ethnic Heritage Ensemble - Papa's Bounce (1998)

Kahil' El' Zabar é um dos mais criativos percussionistas da atualidade e seu grupo, o Ethnic Heritage Ensemble, desenvolve também um dos trabalhos mais interessantes da música afro-americana. Zabar nasceu em Chicago, 11/11/1953 e aos 18 anos ingressou à AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians). Em 1973 estudou música na universidade de Ghana em 1975, se tornou presidente da AACM.
Ernest Dawkins nasceu em 02/11/1953, é saxofonista e educador membro da AACM. Durante sua infância, foi vizinho de Anthony Braxton no mesmo bairro, iniciando no contra-baixo e congas. Aos 19 mudou para o saxofone, sendo autodidata até ter suas primeiras aulas com membros da AACM. Também é membro fundador do grupo New Horizons Ensemble. Sua profunda pesquisa da cultura africana é bem nítida em seu trabalho musical. Joseph Bowie nasceu em 17/10/1953, é trombonista e fundador do Defunkt, que mescla dentro do jazz, o funk e o punk rock. Iniciou sua carreira musical no Black Artists Group e fez parte do Human Arts ensemble, liderado pelo baterista Charles "Bobo" Shaw e também participou de projetos com James Chance, do cenário No Wave de New York. É irmão do famoso trompetista Lester Bowie, do Art Ensemble Of Chicago, o mais conhecido grupo da música mais ousada de Chicago.
Não é só de Art Ensemble Of Chicago, que Chicago vive em termos de música criativa. O Ethnic Heritage Ensemble desenvolve um brilhante trabalho unindo a cultura musical ancestral africana, graças a intensa pesquisa de seus membros ao que se convencionou a chamar de música de vanguarda. O resultado é uma obra atemporal, em que o contemporâneo caminha com o ancestral em perfeita comunhão e criatividade. Uma situação que define isto muito bem, é o depoimento de Dawkins sobre uma turnê do Ethnic Heritage Ensemble no continente africano, em que ele comenta o interessante fato de sua música ser considerada de vanguarda e em uma de suas apresentações a platéia composta de nativos de tribos africanas, se integraram completamente à sonoridade do grupo norte americano, chegando a dançarem até em cima das mesas. Bem, depois de uma afirmação como esta, não resta muito a dizer e apenas clicar na imagem para acessar o arquivo e conferir.
terça-feira, março 15, 2011
Joe Morello (17/07/1928 - 12/03/2011)
e Further Out. Mais uma vez as grandes mudanças no jazz ocorreram no rítmo, mesmo que os bateristas não figurassem com tanto destaque pela mídia. Veja o caso do que se convencionou a chamar de bebop, onde o nome que mais se fala é o do saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie.Muitos atribuem o posto de inovador dos compassos no jazz à Joe Morello, mas este tipo de acontecimento dificilmente se dá com um pioneiro em específico, pois há muitos músicos que não alcançaram destaque e registro de suas inovações. Mas os que se destacaram neste quesito de usar outros andamentos que eram pouquíssimo usados ou nunca antes usados no jazz, foram Morello e Max Roach, praticamente na mesma época.
Joe Morello começou a tocar bateria aos 15 anos de idade e seu primeiro professor foi Joe Sefcik, baterista atuante no teatro vaudeville na região de Springfield, Massachusetts. Depois de três ansos estudando com Sefcik, Morello vai para Boston, onde estuda com George Lawrence Stone (1886-1967), baterista e educador norte americano que foi autor dos livros Stick Control for the Snare Drummer (1935) e Accents and Rebounds for the Snare Drummer (1961), que são os fundamentos da bateria e considerados como as bíblias do instrumento. Stone foi professor também de Gene Krupa, Lionel Hampton, e Vic Firth (das famosas baquetas).
Stone foi essencial para a formação da técnica apurada de Morello, que dominou os rudimentos da bateria. Isso se pode constatar em suas gravações e apresentações, onde se ouve com nitidez a sua sonoridade cristalina e precisa. Em seus registros em video, esta qualidade fica mais evidente, onde podemos constatar a leveza, precisão e domínio no instrumento.
Com toda certeza Joe Morello deixa um capítulo importantíssimo na música, assinado pelo seu grande talento.
http://www.joemorello.net/
segunda-feira, março 14, 2011
Joe McPhee - Nation Time (1970)

Joe McPhee é um dos grandes músicos em atividade no cenário mais ousado da música. Não que seja algo tão extraordinário, mas é um dos poucos instrumentistas que se destaca em mais de um instrumento musical. Geralmente os saxofonistas são "estigmatizados" em suas ferramentas sonoras, sendo rotulados como tenoristas, sopranos, etc, e é mais raro quando o músico domina 2 espécies diferentes de instrumento, como é o caso de Jeb Bishop (Chicago,IL), que atua no trombone e guitarra. No caso de McPhee, mesmo se tratando de 2 intrumentos de sopro, a abordagem técnica é bem diferente, sendo o trompete e o saxofone. Detalhes técnicos a parte, é um brilhante compositor e improvisador que atua no cenário desde a época mais difícil e Nation Time é um marco daquela época, em que este tipo de música tinha um vínculo politizado muito mais evidente do que hoje em dia. Atualmenete os músicos se sentem um pouco mais confortáveis em tratar da música mais pelo lado da beleza artística. Em Shakey Jake está a influência do funk, como ocorreu em gravações de outros músicos, como Archie Shepp e Albert Ayler. Uma característica natural, um reflexo da sociedade afro-americana neste período. As duas outras composições do disco, Nation Time e Scorpio's Dance, tem aquela estética característica do free jazz influenciado pelas pesquisas das origens musicais africanas, aliadas às novas experimetações sonoras e libertárias do estilo. Joe McPhee é um nome essencial para a música, mesmo que não seja tão conhecido como outros. Uma pequena amostra de sua importância é que a sua gravação Tenor(1977) influenciou de forma vital, o músico Ken Vandermark, que é um dos maiores expoentes da música livre da atualidade. Clique na imagem para acessar o arquivo. Sem decepções.
terça-feira, março 08, 2011
Sun Ra and his Arkestra - Music from Tomorrow's World (1960)

Muito se fala da extensa obra de Sun Ra, que se tornou um personagem mítico na história da música afro-americana. Ainda há muitos que classificam erroneamente o som da Arkestra como free jazz. Algumas gravações de Sun Ra possuem aspectos estéticos similares ao estilo, mas o que predomina em sua quase incontável discografia, é o formato de orquestra, de big band, seguindo estruturalmente o modelo de Duke Ellington, Fletcher Henderson, Count Basie, Billy Eckstine, etc. Em vários momentos Sun Ra flertou com outros estilos musicais contemporâneos da cultura popular afro-americna, como o funk e até o rap. Sim, Herman Blount tinha a preocupação em distribuir cultura e conhecimento para os descendentes da diáspora africana nos Estados Unidos da América do Norte, que sofreram uma opressão racial violenta. Então Sun Ra sabia que não poderia se cristalizar em estilos se quisesse sobreviver e alcançar novas audiências. Afinal o que lhe interessava não era somente a música e sim, também passar uma mensagem, como foi em seu filme Space Is The Place, numa estética metafórica da alienação da comunidade afro-descendente perante ao poder político e econômico concentrado nas mãos da etnia euro-caucasiana que colonizou o continente.
O Music from Tomorrow's World registra o período em que a Arkestra fixou base na cidade de Chicago, na década de 60, em duas sessões: Uma gravação ao vivo no Wonder Inn e a sessão de estúdio no Majestic Hall e conta com uma das clássicas formações do grupos, contando com Marshall Allen, John Gilmore, Ronnie Boykins, Phil Cohran, Robert Barry, etc. São executados também, alguns dos clássicos do vasto repertório da Arkestra, como Angels & Demons at Play, China Gate, Tapestry from an Asteroid, A Call for All Demons e Interstellar Low Ways. Estas gravações permaneceram fora de catálogo por décadas, até que ganharam um reedição em formato digital. Clique na imagem para acessar o arquivo.
sexta-feira, março 04, 2011
Chaos U.K. - Chaos U.K. LP (1983)

Se você detesta samba e carnaval só significa um feriado, aqui vai uma alternativa musical que combina com sua indignação.
O Chaos U.K. é uma banda punk inglesa formada em 1979 e ao lado de nomes como Charged G.B.H., Discharge, Disorder, Exploited, etc, se tornou um ícone do hardcore punk europeu. Inicialmente contava com Simon nos vocais e posteriormente o baixista Chaos se tornou vocalista até a entrada de Mower para assumir o microfone. Chaos foi o único membro original que permaneceu. Assim como seus conterrâneos britânicos, o Chaos U.K. tem como característica a sonoridade rápida e agressiva do estilo hardcore. O lp auto entitulado é um clássico do gênero e como dizem os aficcionados, é um ítem de discoteca básica do punk. Não há muito o que dizer sobre esta banda que simplesmente influenciou o cenário punk mundial e fz escola até hoje. Para quem ainda não conhece e gosta de hardcore, este disco é essencial. Para quem já conhece até de longa data, vale recordar este clássico, clicando na imagem da capa do disco e acessando o arquivo.







