segunda-feira, outubro 30, 2006

Maestro Rogério Duprat

Bem, a mídia nacional e internacional prestam suas homenagens ao maestro que foi elemento fundamental na estrutura musical da chamada Tropicália. Seguem-se os depoimentos de célebres artístas que foram afortunados com os arranjos do maestro. Mas novamente a história se repete. Só após o seu falecimento é que recebeu atenção digna, como a maioria que parte desta pra melhor. Outro maestro, o Moacir Santos teve a sorte de ser homenageado ainda em vida. Mas é provável que se ele não estivesse no exterior, sua situação seria diferente, de descaso até. O caso de Duprat foi clássico, pois o maestro não gozava lá de muito prestígio nestas últimas décadas, enquanto artístas que praticamente dependeram de Duprat para serem o sucesso que são hoje, vivem uma vida de luxo enquanto o grande maestro levava uma vida quase anônima e austéra. Talvez por opção do próprio? Pouco provável. Agora adianta o "pessoal" ficar lamentando, escrevendo sobre esta perda? Duprat já estava perdido e quase esquecido à tempos.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Os fariseus e os documentários

"Your worst enemy could be your best friend..." Este dito popular que Bob Marley cita, continua valendo. A coisa mais fácil de se fazer é repudiar o errado, o mal, quando ele é evidente, explícito. Seja o Bush, Hitler e etc.
Tem um fato que poucas pessoas reparam ou comentam: os aliados da segunda guerra liderados pelos EUA e Inglaterra também fizeram das suas. Não é o mesmo grau de crueldade dos nazistas que intensificaram o extermínio de judeus e minorias mesmo com sua evidente derrota, terem lançado 2 bombas atômicas no Japão mesmo com sua rendição? Não vou prolongar esta parte porquê a lista de incursões do tio Sam por ai afora é notória.
O que reparei nestes últimos anos, foi o crescimento de documentários sobre a situação humilhante das minorias, da maioria pobre, etc. Tá, são documentários bem produzidos, realmente denunciam um país que existe de verdade, longe dos noticiários de grandes emissoras de TV e jornais de grande circulação.
Mas pra que serve isso na questão prática? Pra nada? Também não. Aí é vêm a parte que me enoja. Na maioria dos casos, esses documentários é feita por filhos da burguesia, classe média com consciência pesada, que não tem assunto realmente interessante e de impacto para dizer algo. Aí eles masturbam seus egos sentindo que com seus "documentários denúncia", estão fazendo a sua parte como cidadãos...
Pro inferno com isso! Captam verba pública direta ou indiretamente(pois se a verba vêm de empresas, isso será descontando dos impostos), vivem suas fantasias de cineastas e ganham prestígio com a exibição nos seus respectivos feudos. Geralmente esses documentários só passam em salas de cinema especiais que a maioria da população não terá dinheiro pra pagar o ingresso. E o público na sua maioria, são pessoas que nada farão à respeito das injustiças documentadas, que só terão vistas para detalhes técnicos e estéticos do filme. Geralmente as festas de estréia são em lugares luxuosos com portaria selecionada, regadas de vinho caro, queijo importado e etc. Se tiver alguma pessoa que foi documentada, será exibida como uma atração circense. Claro que toda a equipe ou parte dela nunca mais mais visitará o local que eles parasitaram para promover a sua "arte". Talvez no máximo voltem com uma telinha vagabunda pra mostrar aos nativos "como ficou bonito". E depois? Adiantou alguma coisa? Não está tudo a mesma porcaria? "Ah, mas nós fizemos a nossa parte denunciando algo que estava longe da vista das pessoas. E depois isso é uma obrigação do governo." Irônico é a questão: mas não foram vocês que elegeram o tal governo? Quantos vão a câmara averiguar os projetos e propostas de eleição? Quantos vão lá no Congresso cobrar o prometido. O que a maioria faz é ir em algum orgão público de cultura para sugar mais dinheiro para fazer mais desses "documentários denúncia".

domingo, outubro 15, 2006

Improvisação em SP


Dia 19 de Outubro, quinta feira, às 21h no MIS(Museu da Imagem e do Som), na av Europa #158, bairro dos Jardins. Ingresso: R$ 6 (R$ 3 meia entrada).Marcio Mattos se apresenta com o grupo Abaetetuba, formado por Antonio "Panda" Gianfratti na percussão, Rodrigo "Kouve" Montoya no violão e shamisen, Renato "Meganha" Ferreira no contrabaixo acústico, saxofone e clarinete e Luiz Gabriel Gubeissi na voz. Thomas Rohrer, saxofone soprano e rabeca, faz participação neste concerto de improvisação livre.

domingo, outubro 08, 2006

Melvins e Shirley Temple

Hahaha! Que estranha conexão! Esses dias, aproveitando as maravilhas do sistema rapidshare, fiz download do terceiro disco do Melvins, o "Ozma" de 1989. Nem imagimava a ligação com o Nirvana, que na época, havia acabado de lançar o "Bleach" pela SubPop. Então descobrí como o mundo é pequeno, o baixista original do Mudhoney, Matt Lukin, gravou no primeiro disco do Melvins. Me interessei pelo Melvins, pois tinha escutado uma coletânea da gravadora Boner, onde havia bandas de hardcore que gostava, o Fearless Iranians From Hell e Boneless Ones. Como falavam metaforicamente sobre o som pesado da banda, me interessei e comprei pelo correio o único album disponível, o "Bullhead". Nossa, que som pesado, letárgico! E o Nirvana de começo, tinha uma considerável influência do som de King Buzzo(cabelo bunito!). Aproveitando o lapso de 15 anos até conseguir finalmente o "Ozma", comecei a pesquisar o paradeiro do Melvins. Encontrei alguns sites e os discos que mais gosto, eram com a baixista Lorax, que chegou até gravar algumas faixas do disco "Houdini" que projetou o Melvins em maior escala. Esse disco já era diferente do início, puxando mais a influência do Kiss. Aí eu fui querer saber da Lorax. Foi então que descobrí que Lori "Lorax" Black, é filha de Shirley Temple! Umas das mais famosas artistas infantis de Hollywood, que iniciou sua carreira nos anos 30. Chegou a ser personagem desenhada em produções da Disney. Inclusive me lembro de um episódio do desenho do Pato Donald, em que o pato é um caçador de autógrafos que tenta de todas as maneiras entrar no estúdio de TV para conseguir aumentar sua coleção. E lá ele contracena com Shirley Temple, transformada em desenho animado. Clique no título do post para o site do Melvins

quinta-feira, outubro 05, 2006

Ivo Perelman no programa do jô

Quem pôde assistir na última segunda-feira dia 2 de outubro, o programa do jô, presenciou um breve momento da música livre. Ivo Perelman se apresentou com os músicos Antonio "Panda" Gianfratti e Jimmy nos sets de percussão. Foi uma performance didática, com a versão de Escravos de Jó, velha conhecida do repertório de Ivo e de nossa infância. Na comunidade do orkut houve uma discussão sobre isso. Falei que o jô não gosta deste tipo de música e por isso foi tão curto, não teve entrevista. O resto do programa foi com a chatice do livro sobre um boêmio qualquer do Rio que a irmã estava lançando. E do ator Otávio Augusto, que até é bacana, mas tô a pampa desse rolê. Ai se vê a apatia classe média. Disseram que foi positivo a pequena brecha dada a improvisação na tv de merda com um símbolo redondo. É se contentar com pouco mesmo, tipo uma esmola. Só o fato do Ivo ter tocado com um mundo de grandes artístas lá fora, inclusive o baterista Rashied Ali que tocou nos últimos anos de John Coltrane, já valeria uma entrevista, sem contar com suas qualidades como músico, pintor e como pessoa! Me disseram que o jô é assim mesmo, gosta de brincar, fazer ironias... É assim mesmo que nada! É esse tipo de pensamento que torna possível as piadinhas racistas. O estilo de vida daquele apresentador é um ataque à população de baixa renda. Depois falaram que o Ivo alfinetou a platéia com seu "free". Que papo é esse? O Ivo não tá nessas bobagens, muito pelo contrário, ele fez de um jeito muito didático, pois sabe como é obscuro o cenário de improvisação no mundo. Sabe que não é lucrativo se fechar num gueto, que dá para criar um meio termo, sem se vender e abrir mão de sua arte. Bem, a música fala por si só. Clique no título do post que é o link para assistir o Ivo no programa de tv

segunda-feira, outubro 02, 2006

Um momento para indignação

Num momento crucial de um país, uma generosa fatia das regiões sudeste e sul do Brasil mostra sua postura burguesa nas urnas eleitorais. É isso ae paulistada classe mérdia e ricaços! Acabem com o meio ambiente com seus projetos imobiliários pela cidade, se fechem em condomínios fechados e carros blindados. Vivam com o medo de serem assaltados ou sequestrados! Respirarão o mesmo ar podre que o resto da população pobre respira. E não adianta fugir, pois os cretinos que vocês veneram, estão cuidando de liquidar com o eco-sistema global.

sábado, setembro 23, 2006

Ivo Perelman em SP

Em tempo: Nesta segunda-feira, dia 25 de Setembro, o músico, compositor e pintor brasileiro Ivo Perelman se apresenta com o violoncelista holandês Ernst Reijseger no Tom Jazz. Uma rara chance de apreciar música livre intensa por aqui. Espero ter mais oportunidade de prestigiar seu trabalho. Além de ser um grande músico e compositor, é um ótimo pintor. E além de tudo isso, é um cara muito gente boa o qual tive o prazer de conhecer pessoalmente. Para obter mais informações sobre o Ivo, é só acessar o seu site e para saber mais sobre a apresentação, acesse a sua comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3974744

Tom Jazz
Av. Angélica, 2331, Higienópolis, tel.: 3255 3655

Clique no título do post que é o link para o site oficial de Ivo Perelman

sexta-feira, setembro 22, 2006

Freejazz, pintura e criançada

Bom, na última quarta-feira, dia 20, fui ensaiar com o grupo de improvisação que participo. Meus amigos Ana e Kazi, respectivamente trompete, cornet, flügelhorn e saxofone tenor e clarinete em Bb. Cerca de um mês atrás, meu velho amigo Léo ingressou no conjunto com saxofone tenor e flauta. Ana não pode comparecer ao ensaio no estúdio por conta de viagem à trabalho. Então o Léo chamou um trompetista que é amigo dele, o Leandro. Foi muito bom o ensaio, seguindo a minha proposta inicial, de improvisação total, muita intensidade sonora e uma ótima integração com o Leandro.
Outro fator diferencial, foi o horário, pois avançamos até 1:20h da manhã por conta do remanejamento de horários no estúdio. Nada demais se não fosse a nobre tarefa que me comprometí a realizar às 6:30h da manhã no dia seguinte! E pra ajudar, ainda tomei um chá com o Léo e ficamos conversando no café até quase 3:00h da manhã! Ou seja, o galo canta e eu, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz de sono...
O que fazer? Descançar um pouco e me preparar para o batente. Meu amigo Cassiano, me propôs a participar da semana de artes da escola na qual ele leciona. Ele preparou o terreno para a criançada formada de pré-adolescentes, onde eu e ele falaríamos sobre a analogia do freejazz e a pintura, especificamente da action painting e dripping de Jackson Pollock.
Então logo de manhã, Cláudia, minha amiga e esposa de Cassiano passam em minha casa para me buscar. Separei capas de discos do Ornette Coleman, Ivo Perelman, capas da gravadora ECM, alguns DVD's para auxiliar o trabalho e, parte de minha bateria! Sim, a proposta era eu tocar enquanto a criançada pintava. Chegamos em Cotia, município de SP, onde se localiza a escola, num ambiente muito agradável, esquema sítio. Cassiano começou falando mais da pintura abstrata, preparando o terreno para a analogia com a música, falando da influência e amizade entre músicos e pintores, poetas, artístas em geral. Falei de como essa integração vai além das capas de disco, que músicos também pintavam e até faziam as próprias capas de disco, como Peter Brötzmann e Ivo Perelman, da ligação entre a abstração visual e a sonora. Incrível como a criançada escutou atentamente sobre o assunto. Um grande momento, passei um video do baterista holandês, o Han Bennink, onde ele improvisa sozinho com parte de um kit de bateria, caixa de papelão e outras quinquilharias e instrumentos. O véio que tocou com Eric Dolphy e The Ex é bem loco "joe", mostrando sua casa, suas pinturas desenhos e esculturas. A criançada adorou, assistindo com silencio e atenção! E o Bennink ajudou muito, pois é um cara muito divertido e hilário. Depois colocamos placas de papelão no chão, tinta acrílica de parede, pigmentos líquidos, pincéis e copos plásticos. Montei meu set que dispunha de um bumbo, caixa, prato e chimbal, o qual tinha esquecido a presilha e não poderia acionar o mecanismo dele. Mostrei pra eles o procedimento, furando o copo com tinta, como Pollock, e como usar os pincéis. Falei pra eles que enquanto eu estivesse tocando, eles pintariam de acordo com o som, o rítmo. Se dividiram em quatro grupos, respectivamente as quatro placas usadas como suporte da pintura. Praticamente eu pintei com a bateria e eles tocaram com as tintas. Foi muito divertido, eu fazendo uma barulheira e a criançada mandando ver nas tintas! No final, todo mundo sujo de tinta e quatro pinturas que ficaram muito bonitas(Espero poder postar as fotos das pinturas em breve).
Outra parada que foi muito bem, é que a criançada teve um contato real com as artes, com o freejazz de um jeito mais natural, não como uma chata conversa de jazzófilos e pseudo-intelectuais. Eles estavam receptivos e tiraram de letra. E mais uma vez a bela história se repete, fui ensinar uma coisa e acabei aprendendo outras... que alegria!

sexta-feira, setembro 15, 2006

A arte de Don Van Vliet


Don Van Vilet é um grande pintor como podem conferir nas fotos de algumas de suas obras. A primeira se chama "Lion Coloured Fish" da coleção de 1991 e a outra, "Tigerboat" de 1987. Não vou comentar sua obra em termos técnicos e analíticos, pois a arte fala por sí só. É só o simples ato de apreciar o que se vê. Don Van Vliet pode ser um nome não muito popular, mas é um velho conhecido no universo musical, se trata do nosso amigo Captain Beefheart, célebre pela associação com Frank Zappa nos discos "Hot Rats" de 1969 onde canta na faixa "Willie the pimp", o famoso "Bongo Fury" de 1975, no disco "Zoot Allures" de 1975, tocando gaita na faixa "Find her finer", no disco "One size fits all" de 1975 sob o nome de Bloodshot Rollin' Red na faixa "San Ber'dino" e seu famoso disco, o "Trout Mask Replica" de 1969, aquele com a capa que tem um estranho fita com cara de peixe.
Clique no título do post que é um link para o site oficial do Captain Beefheart
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domingo, setembro 03, 2006

Dewey Redman 1931-2006


A música acaba de perder mais um grandioso artísta. Dewey Redman faleceu neste sábado dia 2 de Setembro aos 75 anos em decorrência de problemas no fígado.
Cresceu em Ft. Worth, Texas nos anos 30. Iniciou-se no trompete mas logo mudou para o clarinete com 13 anos. Tocou na mesma banda de colégio que Ornette Coleman. Em 1959 mudou-se para Califórnia, onde trabalhou com Pharoah Sanders e Wes Montgomery. Em meados dos anos 60, se mudou para New York onde reencontrou seu velho colega de escola, Ornette. Dewey tinha um talento especial de se adaptar a uma grande variedade de estilos, tocando com Don Cherry, Ed Blackwell e Charlie Haden no grupo Old and New Dreams, Carlay Bley, Liberation Orchestra, Pat Metheny e seus próprios conjuntos.
Dewey nos deixa um legado musical de rara beleza, como sua colaboração na obra de Ornette, na Liberation Orchestra, nas gravações com Keith Jarret, Old and New Dreams, Ed Blackwell Trio, etc. Costumava a se auto denominar um "sobrevivente": Sobreviveu aos críticos na época do chamado "avant-garde", um câncer na próstata nos anos 90.
Frases de Redman: "Eu gosto de pensar que sou original, que tenho meu som característico. Isso não é fácil e tenho trabalhado nisso por muitos anos. Mas eu gosto de pensar que meu som parace com Dewey Redman". "A primeira coisa que busco alcançar quando toco, é o som. Técnica, talvez, mas a técnica está no som". Aqui fica minha humilde homenagem a este grande artísta, muito obrigado por ter nos presenteado com sua arte Dewey Redman.

segunda-feira, agosto 28, 2006

O underground paulista sempre adorou MPB... tá bom

Depois que a indústria abandonou a barca furada do Grunge, deixando à deriva o contingente de sonhos do underground paulista, ocorreu a migração para outras terras, seja o Rap, Reggae, Jazz, Hardcore, etc e a MPB. É sempre saudável quando o colapso de uma sensação acarreta um amadurecimento ou coisa parecida. Mas é engraçado ouvir dos meus contemporâneos, essa valorização repentina da MPB. Num passado nem um pouco distante, tinha gente que achava que se eu estivesse curtindo MPB, me transformaria num bicho-grilo vendedor de artesanato. Parte de uma geração que cresceu na década de 80 sem o menor apego a arte nacional, influenciada pela mídia que bombardeou a juventude com basicamente rock estrangeiro. Até aí tudo bem, liberdade de expressão e é um saco os nacionalistas de ocasião. Agora é muito fácil dizer que sempre curtiu MPB. O exemplo mais básico, é de novos artístas que dizem sempre ter curtido MPB, seja nos velhos discos dos pais, que ouviam Cartola pra ninar, etc.
Poderia até ser visto de um ângulo positivo esse tardio resgate de valores, mas no geral, isso não é nada bom. Pois o que temos é uma jovem elite cultural ditando regras e se apropriando do que não lhes pertence. E ainda por cima essa elite decide o que é bom e o que é "real". Então de uma hora pra outra, decidem que Jorge Aragão, Fundo de Quintal e Raça Negra, não é samba de verdade(?!), que samba de verdade é igual da velha guarda da Portela e blá, blá, blá... Outros(turminha do samba-rock), dizem que samba paulista não existe!(então de onde era o Geraldo Filme, Adoniran e Germano Mathias?).
Mas pra que brigar por isso não é? Justo agora que tá tudo lindo, na santa paz, todo mundo nasce com o privilégio de curtir música boa. Que geração abençoada a qual pertenço, ninguém curtiu produtos de mercado de qualidade duvidosa, como White Zombie, Lenny Kravitz, Jamiroquai...
Engraçado que se 10 anos atrás eu falasse bem do Caetano Veloso, minha masculinidade seria colocada em dúvida...

quarta-feira, agosto 09, 2006

A revolução não será televisionada simplesmente porque ela não ocorreu

No saldo geral, a geração da dita contra-cultura, que praguejou contra a "alienação" hippie, a indiferença e pessimismo da "geração X", também deu com os burros n'água.
Ao analisar alguns segmentos mais representativos em contingente juvenil, é fácil detectar como seus ideais de origem, perderam sua força de ação, ironicamente, de atitude. Claro que existem os minúsculos focos de resistência, que por romantismo, não abrem mão dos ideais coletivos, mesmo que custando caro para suas vidas particulares. Agora a grande maioria, não vai adimitir que está mergulhada na filosofia neo-liberal, do não me venha contar seus problemas, que está na busca alucinada por conforto material, e isso não quer dizer o desejo por Audi's A3, bolsas Louis Vuitton, tv de plasma, i-pod's. Pois os que almejam ítens assim, já nasceram corrompidos, tem nojo dos pobres, etc e etc.
O caso mais grave é dos indivíduos que se apossaram dos ideais derivados do anarquismo e socialismo, que se julgam "cidadãos conscientes", simplesmente por conhecer bandas estrangeiras de contra-cultura, fanzines e revistas, serem ecológicamente corretos(sendo que boa parte possui automóvel), boicotarem o McDonald's, e outras coisas menores. O que adianta um belo discurso inflamado num bar da rua Augusta ou Vila Madalena, ou numa casa noturna ou chopperia do Sesc, se no dia seguinte, o indivíduo falta com ética e solidariedade à seus próximos, inclusive os ditos amigos?
" Cada um com seus problemas". Pois é, uma frase pra lá de constante no unido underground paulista. Uma associação de 12 donas de casa tem muito mais poder de ação e união do que uma multidão de jovens que se dizem adimiradores de Che Guevara.
Uma coisa a ser reparada, é que as pessoas que tem condições de ajudar, só ajudam se tiver tempo ocioso para gastar ou que a ajuda não cause despesas. E ainda por cima usam a situação para promover mérito pessoal e aliviar um pouco a consciência. É, todo mundo quer ser herói de HQ, com super poderes, uma bela garota e final feliz. Mas quem quer ser herói de verdade? No sentido da mitologia grega, onde o herói tem que estar preparado para o sacrifício supremo.
Bem, mas voltando ao título do post, não haverá revolução, pelo menos por um tempo, até a próxima geração ter autonomia de ação civil e mudar este quadro, pois as gerações anteriores, a mais recente com indivíduos orbitando na faixa etária de 20 à 30 anos aproximadamente, está nesta busca do "El dorado" de consumo, seja DVD do Fela, Minutemen, livro do Noam Chomsky, etc.

quinta-feira, julho 27, 2006

The Minutemen


Esta semana, está em cartaz no MIS, em SP, o documentário
sobre o The Minutemen, grupo que mudou os conceitos de punk rock e hardcore. Um trio que fez sua música de uma maneira extremamente original, sem a visão limitada que costuma predominar no cenário underground. Uma banda que tinha sua mente aberta para todo tipo de música, desde o country, rock'n'roll, Funkadelic, até JOhn Coltrane e Ornette Coleman. A dupla Mike Watt e D. Boon era de uma empatia fora do comum, como John Coltrane e Elvin Jones, Bill Evans e Scott LaFaro. E George Hurley, um baterista brilhante, que pode tocar qualquer espécie de ritmo. No documentário há depoismentos de gente conhecida, como Ian MacKaye(Fugazi), Henry Rollins(Black Flag), Thurston Moore(Sonic Youth). O mais precioso do documentário, são as imagens de shows e depoimentos da banda. O Minutemen só não foi mais adiante, por conta do falecimento de D.Boon num acidente automobilístico. Mas Watt, Hurley voltaram com tudo, quando encontraram Ed Fromohio, surgindo o Firehose. Mas isso é uma outra história...
Clique no título do post que é um link para o site oficial do Minutemen.

terça-feira, julho 18, 2006

Malachi Thompson 1949 - 2006

A música acaba de perder mais um grande artísta. Neste último domingo, 16 de Julho de 2006,
o trompetista e compositor Malachi Thompson sucumbiu ao câncer. Tinha 56 anos.
Nasceu em Princetown, Kentucky e se mudou para Chicago ainda criança. Aos 11 anos sua mãe o levou para assistir a banda de Count Basie e ele se apaixonou pelo som do trompete e decidiu tocar.
Em 1968 ingressou para a AACM e no começo dos anos 70, mudou para New York, tendo tocado com Joe Henderson, Jackie McLean e Lester Bowie. Também formou uma das primeiras bandas de metais modernas, a Brass Proud. Em 1989 recebe o diagnóstico de câncer e que tería apenas mais um ano de vida. Isso trouxe uma profunda mudança em sua arte e vida. "Eu tinha que começar a fazer coisas antes que fosse tarde demais" disse Thompson na época do lançamento do seu disco "Lift Every Voice" (Delmark recs) de 1993, onde faz uma profunda pesquisa nas raízes da cultura musical negra.
Após o tratamento por radiação, Thompson viajou para o Egito e tocou seu trompete em uma ilha no Rio Nilo, prestando uma homenagem à Buddy Bolden, que provavelmente foi o primeiro trompetista do Jazz, que tocou seu instrumento ás margens do rio Mississipi. Conseguiu trazer música ao The Sutherland Hotel, na 47th Street com Drexel Boulevard, onde Miles Davis e Louis Armstrong tocaram. Foi uma época próspera, pois por conta do racismo, o capital se acumulou na comidade negra da região. Está registrado em disco, o "47th Street"(Delmark recs), que inclusive tem uma edição nacional.
Depoimento de Fred Anderson, grande saxofonista do Free Jazz em Chicago: "Ele era um grande músico, estava na tradição, era louco por Miles e Coltrane. Sempre empurrando a música para novas direções". De Bill Brimfield, trompetista e um dos mentores de Thompson nos anos 60: "Seus ouvidos eram abertos, sua mente era aberta. Ele escutava coisas que estavam além dele. Sempre pesquisando, sempre se arriscando enquanto tocava". De Orbert Davis, trompetista de Chicago: "Ele tinha uma visão para a comunidade".

sexta-feira, julho 14, 2006

Roger "Syd" Barret


É com pesar que recebo a notícia do falecimento de Syd Barret, em 11 de Julho de 2006, em decorrência de diabetes. Creio que haverá sites e blogs que possuem mais informações e poderão fazer uma homenagem mais à altura deste grande artísta. Me limito a dizer como a descoberta do disco do Pink Floyd, o "Piper at the gates of dawn", mudou literalmente minha vida, além das concepções sobre música. Foi um período de muitas descobertas, tendo como trilha sonora principal, músicas como,"Interstellar overdrive", "Astronomy dominé", etc. Até então eu achava o Pink Floyd uma banda meio "careta", pois estavam em evidência, discos como "The Wall", "Dark side of the moon". Mas desde o início da minha descoberta da primeira fase do Pink Floyd, já tive o conhecimento do estado atual de Syd, como também tive contato com seus discos solo, os quais, mesmo tendo brilhantes composições, denunciavam seu estado debilitado. Sempre ficava triste quando escutava "Madcap laughs", "Opel" e "Barret", imaginando a dificuldade de Syd, que em muitas canções era perceptível. Fique em paz Syd, obrigado por tudo, Shine on crazy diamond!
Clique no título que é um link para o site oficial de Syd Barret

segunda-feira, junho 26, 2006

Um momento de lazer...


Aqui temos mais uma produção do grande conglomerado Cabeça de Bagre, do diretor presidente acionista majoritário Schiavon. Clique no jogo pra ter mais detalhes.

terça-feira, junho 13, 2006

György Ligeti



Nesta segunda-feira, 12 de Junho de 2006, faleceu aos 83 anos, o compositor György Ligeti, autor da ópera "Le Grand Macabre" e a trilha sonora do filme de Stanley Kubrick, "2001- Uma Odisséia Espacial". Filho de hungaros na Romenia, região da Transylanavia, nasceu em 1923. Em 1941 estudou música com Ferenc Farkas no conservatório de Cluj, Romenia, depois em Budapest. Mas em 1943, foi preso como judeu e forçado a trabalhar nos campos de concentração até o final da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, continuou seus estudos com Farkas e Sandor Veress na Franz Lizt Academy em Budapest. Em 1949 fez estudos de música folclórica romena e retornou à academia como professor de harmonia, contraponto e análise formal em música. Seus primeiros trabalhos foram censurados pelo regime opressor da Hungria. Mas quando chegou à Viena em 1956, novos caminhos se abriram, tendo contato com músicos do movimento de vanguarda da Europa, como Karlheinz Stockhausen, Gottfried Michael Koenig e Herbert Eimert, sendo convidado para participar em um estúdio de música eletrônica numa rádio estatal em Cologne, antiga Alemanha Ocidental, em 1957. Em 1958, aclamado pela crítica por sua composição eletrônica "Artikulation" e a orquestral "Apparitions". Ficou conhecido por sua técnica que chamou de "micropolifonia", onde juntava cor e textura musical em caminhos que transcendiam os limites tradicionais de harmonia, melodia e rítmo.Trechos de "Atmospheres" e "Lux Aeterna" foram usados na trilha de "2001" - Uma Odiséia no Espaço". Em 1999 Kubrick usou "Musica Ricercata II" (Mesto, rigido e cerimoniale), de Ligeti, como tema do que viria a ser seu último filme, "Eyes Wide Shut" (De Olhos Bem Fechados). Também compôs a sua famosa peça, que escreveu para ser executada por 100 metrônomos(aparelho com mecanisno similar ao de um relógio analógico, usado para determinar o andamento musical). Clique no título para acessar o site sobre o compositor

segunda-feira, junho 12, 2006

Por uma mitologia melhor

Feito pelo grande amigo Schiavon, publicado na revista F. Um grande momento da mitologia, onde temos o Morsa Shiva, Drogado Brahma, Mãos Vishnu e Vesga Kali. Clique na imagem para ver com mais detalhe.

domingo, junho 11, 2006

Pete Wooley


É com pesar que informo o falecimento no dia 12 de Maio, de Pete Wooley, baixista de Jazz e Blues, em Angra dos Reis(RJ), aos 66 anos. Era conhecido no meio artístico pela banda de Blues que tocava, Paulo Meyer & Burning Bush, sem contar com sua carreira no Jazz nos anos 70 e 80. Tocou com o baterista Tutti Moreno, entre outros grandes músicos brasileiros. Gravou um cd chamado "Brazilian Jazz", que contou com Cacá Malaquias no saxofone e o grande e saudoso Pedrinho Batera, que fazia parte do grupo Som Nosso de Cada Dia, junto com Manito e Pedrão. Também ficou conhecido por atuar no clip do Rappa, "O que sobrou do céu", do disco "Lado B lado A"(1999), onde fez o papel do sequestrado.
Conhecí Pete pelo meu irmão que tocava junto com ele na banda de Blues do gaitista Paulo Meyer. Quase participei num projeto com ele e a filha dele, onde eu seria o baterista. Tivemos poucos encontros, mas sempre foi muito gentil e atencioso. A última vez que falei com ele foi aproximadamente 2 anos, quando ele veio em casa para falar com meu irmão, e conversamos sobre o Ornette, pois eu estava escutando o disco "Free Jazz - a collective improvisation". Falei sobre eu estar tocando clarinete-baixo e marcamos num futuro indefinido, de tocarmos algo juntos. Aqui fica minha humilde homenagem.

sexta-feira, maio 26, 2006

Tim Maia Racional


A gravadora Trama coloca no mercado pela segunda vez em cd o famoso disco Tim Maia Racional vol. 1.
Existiu um lançamento extra-oficial em cd só que com um detalhe, os dois volumes em 2 LP´s em um só cd. A Trama dividiu em 2 e não convém analisar o porquê disso. Criou-se um mito em cima destes discos, muitos deles por conta de gente querendo faturar em cima, poucas cópias editadas, recolhimento pelo rompimento de Tim com a Cultura Racional, etc. Também criou-se o mito de que eram os melhores trabalhos de Tim. Quem conhece realmente a obra de Tim Maia, sabe que não é bem assim, "Azul da cor do mar", "Padre Cícero", "Ela partiu", não são do Racional. Tive a sorte de adquirir os dois volumes do Racional em LP antes de atingirem os absurdos valores que vão de R$100 à R$500!!! Bem, os discos são muito bons, algumas composições já tinham sido compostas e até gravadas, como é o caso de "Que beleza", e as letras foram adaptadas para a Cultura Racional. Fala-se da riqueza dos arranjos e instrumental, a interpretação de Maia. Como disse seu filho, Leo Maia, Tim estava em estado de plenitude espiritual, cantando mais ainda com a alma, como sempre fez. Então sua interpretação é fascinante, emociona, apesar da pregação em todas as canções. É claro que o instrumental tem qualidade, todos os músicos se doaram, fora a notória linha dura a lá James Brown de Tim com a banda. Mas tudo aquilo era apenas pano de fundo para sua mensagem, pois muitos arranjos eram baseados em arranjos de bandas de funk americanas, como War, Mandrill, JB´s, etc. É só conferir as datas anteriores dos gringos e o Racional. Estava mais do que na hora colocar estes discos no mercado.
Trepudiando em cima de quem não está aqui para se defender
Também é muito provável que se Tim estivesse entre nós, não poderíamos adiquirir este cd. Um dos motivos de até agora não ter sido relançado, era o próprio Tim. Já se falou muito sobre isso por aí, suas entrevistas quando lhe perguntaram à respeito, seu desencanto com aquele universo envolto de goma e resina. Agora que ele está em um lugar melhor, pode-se deitar e rolar em nome dele. Artístas que estavam numa sopa morna, regravando porcamente suas canções de pregação, gravadora lucrando com o suor alheio. Só discordo do Tim na questão de não liberar o relançamento pelo simples fato de ser boa música. Mas entendo completamente o porquê disso e respeito. Ele poderia ter refeito a poética das músicas, lançado um grande disco. Mas como Tim era um grande ARTÍSTA, não tinha apego as suas criações a ponto de se expor ao ridículo e contradizer a si próprio.
Agora me aparece a banda que toca o Racional em homenagem à Tim Maia... Até seu filho entrou nessa! Como diz a expressão popular, "Tim deve estar rolando no caixão". Para as pessoas de plástico ou da "sala de jantar", pode ser um momento de alto nível da música brasileira. Mas é aquela coisa, teremos um produto bem acabado, de qualidade, mas... sem alma. Aquilo não pertence a nenhum músico envolvido, nem pro Carlos Dafé que participou da Cultura Racional. Aquilo é bom simplesmente porque é uma pessoa cantando com todo seu sentimento, acreditando em cada palavra cantada. Dos membros alí presentes para esse revival, quem por acaso dormiu na rua, quem pediu ajuda? Talvez continuem a fazer coisas erradas.

quinta-feira, maio 18, 2006

Rap do dia das mães

Domingão do dia das mães típico. Aquele friozinho de outono, mas com um belo céu azul e sol. Encontrei meus amigos do grupo de HipHop, o Julgados Culpados uma semana antes, perto da Pça Benedito Calixto em Pinheiros, zona oeste, SP. O lugar é notório pela feira de antiguidades e o comércio hippie em volta. Hoje é um ponto de encontro do pessoal mais sintonizado com a cultura em geral. Eles me convidaram para o evento das mães no domingo, lá no Jd. Nakamura, zona sul. Peguei o ônibus até o Terminal Sto.Amaro, de onde sai uma lotação em direção a represa de Guarapiranga, onde fica o Jd. Nakamura. Fui a casa de meu amigo de infância, o Serginho, que mora no Riviera, ao lado do Nakamura. Fomos a pé até lá, passando pela comunidade local e procurando amigos para nos acompanharem. Pra quem acha que favela é só no "Cidade de Deus", lá na zona sul de SP, passei pelas vielas agora cimentadas da favela, onde a luz do dia, crianças brincam, donas de casa conversam na porta de casa, trabalhadores se descontraem no boteco, no churrasco ou com o jogo na tv. O mesmo lugar que na calada da noite, ocorreram atos brutais. As periferias são muito parecidas em muitas partes do país, casas com engenharia ousada que beira ao perigo, o tijolinho baiano à mostra, as lajes, as rabiólas de pipa presas nos fios elétricos, etc. Mas tem uma coisa muito característica mesmo: o calor humano. A maioria te cumprimenta, mesmo sem te conhecer, se vc é amigo de alguém de lá, já é bem vindo em lares que nunca esteve, te oferecem o pouco que têm com a maior generosidade. Um fato engraçado, mesmo o bairro tendo um nome japonês, eu em certos momentos fui visto como uma curiosidade, pois sou descendente de japoneses. Mesmo tendo meus pais nascidos aqui e eu também, em certas situações não sou visto como um simples brasileiro. Mas o pessoal mais humilde é mais descolado mesmo, te perguntam pra ver se eu sou daqui mesmo, e quando eu falo que gosto de feijão de corda, fica tudo em casa. No meio do caminho, numa rua estava rolando um forró, mas daqueles mais modernos, só com teclados. Não conseguí chegar ao evento desde o início, pois é quase 2 horas da minha casa. Mas conseguí ver boa parte do show do Julgados Culpados, que tem muito talento, misturando elementos da música brasileira e jamaicana de uma forma natural e interessante. Com muito pouco se fez a alegria da juventude da periferia. Artístas querendo fazer bonito para os presentes, sem a pompa de casas noturnas, etc. Tudo que é bom dura pouco, precisava ir embora. Meu amigo estranhou de não haver ronda na area, pois rola o tráfico geral. E para quem acha que isso só tem haver com bandido, gente armada, tem uma parte que foi pega pelo vício e falta de perspectiva, gente que é pai de família, mãe, que trabalha na obra e gasta com vício. Quando cheguei em casa, ví o q tinha acontecido na TV. E olha que na volta ainda esperei o ônibus dentro do Terminal Sto Amaro. Não fiquei surpreso. Já esperava por coisas assim. A burguesia causou isso literalmente, sei que é um discurso gasto, mas é a pura realidade. Falando em coisas gastas, vai o ditado, quem planta colhe. E enquanto o caos rolava no estado inteiro, a periferia estava em paz.

quinta-feira, maio 04, 2006

Uma tarde com o tio Phil

Não, não é o pai do Carlton(Não podia perder a piada). Beleza, chega de hahahas e vamos ao post.
Eis que na manhã de terça feira, 2 de Maio, o Tiago me liga perguntando se eu estaría afim de fazer um rolê no centro da cidade com o Phil Minton, Thomas Rohrer e o Lauro, com a intenção de fazer um som com crianças de rua, desempregados, moradores de rua, músicos de rua. Vixi doido, nem pensei nada, batí a xepa, catei um trompete, um pífano de plástico e caí pro centrão e encontrei eles no metrô Anhangabaú. Feitas as apresentações, fomos à um kilo na 7 de Abril para eles almoçarem. Phil falava das impressões sobre SP, que não esperava encontrar algo tão similar às cidades européias e como SP é populosa. Primeira parada foi no Vale do Anhangabaú, estavamos indecisos se tentaríamos primeiro com as crianças ou com os adultos. Bem, com os adultos, só conseguimos bater um papo e ouvir alguns cantarem, pois eles não estavam no barato de participarem da fita, queriam chapar de cachaça mesmo. Com as crianças, mesmo sendo muito difícil por estarem entorpecidas por solventes, rolou uma interação, que não durou muito, pois logo elas perderam o interesse. Fomos a pé em rumo a Praça da Sé. No caminho, nas ruas do centro velho, Phil deu algumas moedas à um sanfoneiro cego que estava na rua. Na praça, não encontramos ninguém que estivesse receptivo ou algum músico. O ambiente lá é tenso e triste. Sugerí o Parque da Luz, pois lá é bem mais tranquilo. Foi muito legal, pois encontramos alguns adultos que foram muito receptivos e conseguímos fazer um som com eles. Bem, no saldo geral, foi bem divertido. Foi um passeio muito instrutivo, inclusive aprendí que o interior da igreja do Largo São Bento serve de negociata para celulares roubados. Mas o principal foi que a cidade está triste, carente, muito mais do que parece.

quinta-feira, abril 27, 2006

Direto de PiEi

Bom, para quem não sabe, "PiEi" é o apelido para Pouso Alegre, MG, cidade natal dos meus amigos Lauro e Tiago. Lauro, guitarrista do Space Invaders, conhecí quando eu trabalhava de vendedor na Bizarre, na R.24 de Maio. O Tiago também, pois frequentava a loja. Muitos pontos em comum, afinidades, renderam boas conversas sobre arte, com concordâncias e discordâncias, como um bom diálogo deve ser. Como o mundo é pequeno, na minha adolescência, passei um tempo em piei na casa de familiares de um amigo, onde fui a uma festa junina de rua, fui ao único cinema da cidade, que na época estava passando o horrível filme "A Prometida", com Sting. Também rolou um baile ao estilo do interior da época, perto da praça, no clube social da cidade. Nem imaginava que iria conhecer o Lauro e o Tiago quase 20 anos depois. Quanto ao "Direto de PiEi" do Lauro, teremos só a ganhar com sua publicação. Clique no título do post que é o link para o blog ou na lista de links do Sonorica

segunda-feira, abril 24, 2006

Phil Minton no Brasil 2


Aí vai a programação:
Música na MariAntonia - Extra com Phil Minton
Dia 03 de Maio, às 20:30h
Centro Universitário Maria Antonia da USP
R. Maria Antonia, 294, Vila Buarque
tel: 11 3255 7182
Entrada gratuita;
Workshop na União dos Movimentos de Moradia (UMM)
Dia 04 de Maio, às 18h

R. João de Barros, 76, Barra Funda.
Tel: 11 3825 5725.
Entrada gratuita;
Workshop no CEU Inácio Monteiro, organizado pelo Mutirão Paulo Freire
Dia 06 de Maio, às 9h

R. Barão Barroso do Amazonas, 50, Cidade Tiradentes
tel: 11 6556 9970 Entrada Gratuita
O cantor é um nome de destaque no cenário de improvisação inglesa, conhecido por seus trabalhos com John Zorn, Tom Cora, Fred Frith e Albert Harth, entre outros, como também com o diretor de teatro Mike Figgs. Em 1988 recebeu da International Jazz Forum, o prêmio de melhor cantor europeu. Em 1991, recebeu o prêmio Cornelius Cardew de composição.

quinta-feira, abril 20, 2006

Joe Harriot



Joe Harriot(1928-1973), nasceu na Jamaica e estudou na famosa
The Alpha Boys School em South Camp Road, Kingston, com Dizzy Reece, Manuel "Rico" Rodriguez entre outros. Imigrou para Inglaterra em 1951. Seu estilo muito influenciado por Charlie Parker evoluiu paralelamente similar ao de Ornette Coleman, sendo até injustamente criticado por isso, sendo que tinham uma diferença distinta. Foram relançados os discos "Southern Horizons"(1959), "Free Form"(1960), "Abstract"(1961), "Indo Jazz Fusions"(1966) com John Mayer-Joe Harriot double quintet, "Indo Jazz Suite"(1966), "Swings High"(1967).
Vale a pena conferir o disco "Straight Lines" do Vandermark Quartet que regravou as composições de Harriot, dos discos "Abstract" e "Free Form", dando uma textura diferente, já que não há piano e trompete da formação gravada por Harriot.

quinta-feira, abril 13, 2006

Takashi Nemoto

Takashi Nemoto nasceu em Tokyo, 1958. Em 1981 se tornou desenhista de mangá na mais famosa revista underground de quadrinhos no Japão, a revista "Garo", que produziu inúmeros talentos como Yoshiharu Tsuge e Suehiro Maruo(O Vampiro que Rí, ilustrações para discos do Naked City de John Zorn). Nemoto também é profundo conhecedor e colecionador de música, tendo suas histórias publicadas até em uma revista especializada em Hip Hop. A imagem acima é da família de seu principal personagem, Toukishi Murata, uma versão mais pesada dos Simpsons onde o sr. Murata sofre a pior sorte de absurdos. Clique no título para o site em inglês de Nemoto.

terça-feira, abril 11, 2006

Phil Minton no Brasil

O cantor e improvisador inglês estará no Brasil na primeira semana de Maio para concertos e workshops. No dia 3 de Maio se apresenta no teatro do CEUMA às 20h. No dia 6 workshop no CEU próximo ao Mutirão Paulo Freire, zona leste de São Paulo.
O evento tem o apoio do British Council, Centro Universitário Maria Antônia(CEUMA), União dos Movimentos de Moradia(UMM) e o Conservatório Estadual de Música Jucelino Kubitscheck de Pouso Alegre, MG. Clique no título para ouvir o trabalho de Minton

IRÈNE SCHWEIZER

IRÈNE SCHWEIZER
a film by Gitta Gsell

Escrito e dirigido por Gitta Gsell
Produção : Reck Filmproduction Zürich
Co-produção : Intakt Records
Música por : Irène Schweizer, Louis Moholo, Maggie Nicols, Joëlle Leandre, Pierre Frave,
Co Streiff, Han Bennink, Fred Anderson,
Hamid Drake, La Lupa, Jürg Wickihalder.
75 minutos PAL
Legendas em alemão, inglês, francês e espanhol
2006

Filme sobre a pianista suiça que tem como raízes o Jazz e a música de improvisação. Uma visão da vida de um grande artísta, onde a amizade e relacionamento tem segundo lugar em relação a música, desviados entre turnês e ensaios, entre inspiração e criação.
Especiais de Irène Schweizer com Fred Anderson e Hamid Drake no Jazzfestival de Willisau em 2004(22 minutos) e com Han Bennink no Moods Zürich 2003(34 minutos)

sábado, abril 01, 2006

Jackie McLean

John Lenwood McLean faleceu nesta sexta-feira, 31 de Março aos 73 anos. Nasceu em New York, 17 de Maio de 1932. Passou a adolescência com vizinhos como Coleman Hawkins, Duke Ellington, Miles Davis e Thelonious Monk. Começou a tocar alto saxofone aos 15 anos e junto com seu amigo Sonny Rollins, frequentavam a casa de Bud Powell que muito lhes ensinou. Conheceu Charlie Parker que foi sua maior influência. Em 1951 aos 19 anos, gravou sua primeira sessão com Miles davis para a Prestige. Tocou com Art Blakey and The Jazz Messengers entre 1956 e 1958. Tocou também com Charles Mingus. Seu primeiro album como líder, "Jackie's Bag" foi uma revelação tanto para o grande público, como a "ponte" entre o Hard Bop e o Free Jazz. Atualmente foi diretor artístico da Hartt School of University of Hartford African American Music Department. Em 1970 com sua esposa Dollie McLean, fundaram a The Artists Collective. Clique no título do post que é um link para o site do Artists Collective.

quinta-feira, março 30, 2006

Rising Tones Cross

Filmado em 16mm em 1984, este belíssimo filme mostra o cenário novaiorquino do chamado "avant-garde" do Jazz. Teve sua premiere no Festival Anual de Cinema de Berlin. Raríssimos depoimentos de Charles Gayle, que até então residia em um prédio abandonado em New York, onde estudava, praticava e lutava por sua sobrevivência e fortalecia sua fé. Gayle exibe sua arte seja solitário nas ruas, trio e conjuntos maiores. Peter Kowald expõe suas opiniões sobre música e sociedade. Frank Wright, Don Cherry, William Parker, Peter Brötzmann, Jeanne Lee, Rashied Ali, Charles Tyler entre outros em performances únicas no Sound Unity Festival de 1984, que foi pré-cursor do Annual Vision Festival, organizado atualmente por William Parker. Belas imagens de uma New York desconhecida para muitos, longe da Times Square ou 5th Avenue.

sábado, março 25, 2006

Morton Feldman


Nasceu em 12/01/1926 em New York. Aos 12 anos de idade estudou piano com Madame Maurina-Press que foi aluna de Busoni. Nesta época Feldman compôs curtas peças com influência de Scriabin, até iniciar estudo de composição com Wallingford Riegger. Três anos depois foi aluno de Stefan Wolpe, mas passaram mais tempo juntos conversando sobre música.
Então em 1949 conheceu John Cage, um encontro que foi muito importante para a música nos E.U.A. nos anos 50. Cage incentivou Feldman a confiar em seus instintos, resultando em composições totalmente intuitivas. Tornou-se amigo dos compositores Earle Brown e Christian Wolff, os pintores Mark Rothko, Philip Guston, Franz Kline, Jackson Pollock, Robert Rauschenberg e o pianista David Tudor. Os pintores em particular influenciaram Feldman a buscar o seu próprio mundo sonoro, mais físico e imediato do que havia antes, resultando na experimentação de notação gráfica. "Projection 2" foi uma de suas primeiras peças neste idioma, em que os músicos selecionavam suas notas de uma estrutura de tempo e registro. Mas o processo jogava o músico a total improvisação que deixou feldman desconfortável com essa liberdade e abandonou a notação gráfica entre 1953 e 1958. Nas peças "Atlantis" de 1958 e "Out of Last Pieces" de 1960, voltou a usar o sitema gráfico. Logo depois na série de trabalhos instrumentais intitulada de "Durations", as notas tocadas simultaneamente eram escritas com precisão, mas a duração era de livre escolha no tempo dado.
Apartir de 1970, tornou-se professor da Universidade de New York em Buffalo. Suas composições passaram a expandir seu tempo de duração, com mais de 20 minutos.
Em Junho de 1987 se casa com a compositora Barbara Monk. Morre em sua casa em Buffalo, aos 61 anos, em 03/09/1987. Clique no título do post que é um link para o site de Morton Feldman.

quinta-feira, março 23, 2006

Fred Frith


Compositor, improvisador e multi-instrumentista. Co-fundador da banda underground inglesa Henry Cow(1968-78), tocou com John Zorn, Bill Laswell, Tom Cora, Zeena Parkins, Bob Ostertag entre muitos outros. São célebres seus registros com os grupos Naked City, Massacre, Art Bears, Skeleton Crew. Mais conhecido como guitarrista de improvisação, também toca outros instrumentos, como baixo, e violino, além de compor peças para o Rova Saxofone Quartet por exemplo. Frith além de todos os predicados como artísta, é muito gente fina, humilde, que dá extrema importância ao público, que para ele, tem participação fundamental na improvisação, mesmo que seja apenas uma pessoa. Muito de sua pessoa e artísta está registrado no premiado filme documentário Steps Across The Border de Nicolas Humbert e Werner Penzel, que inclusive foi exibido na mostra de cinema em São Paulo, poucos anos atrás. Vale a pena entrar em contato com sua música, uma experiencia única e gratificante. Clique no título do post que é um link para o site oficial de Fred Frith.

quarta-feira, março 22, 2006

Charles Gayle

Nascido em 28/02/1939, Buffalo, New York, E.U.A.. Participou do chamado cenário Free Jazz da década
de 60 e começo de 70. Até meados da década de 80,
Gayle não tinha casa para morar, nem merecido reconhecimento, restando-lhe tocar seu saxofone tenor por 20 anos nas ruas de New York. Isso lhe rendeu dedicação aos estudos, perseverança, fé, vontade de viver. Tocando debaixo de viadutos e morando em prédios abandonados, segundo suas palavras, não tinha certeza se sobrevivería a cada inverno novairoquino. Recentemente voltou a tocar seu primeiro instrumento,
o piano. Também experimentou o clarinete-baixo, bateria e viola, registrados em alguns de seus discos.Tocou e gravou com Cecil Taylor, Sunny Murray, John Tchicai, Henry Grimes e Rashied Ali. Como também Henry Rollins e Thurston Moore.
O som e poder de seu saxofone é conhecido no meio artístico. Composições longas e vigorosas, com temas que falam de simples coisas do cotidiano ou sobre Deus. Aliás Gayle trata sua questão de fé de um modo estritamente particular, sem impor uma pregação religiosa. segundo suas palavras, Deus é uma coisa tão natural pra ele, como respirar.
Somente depois da metade da década de 80 Gayle conseguiu registrar sua música em discos. A Knitting Factory foi fundamental para Gayle, proporcionando-lhe condições para se apresentar e gravar. Atualmente Gayle está em plena atividade, feliz e agradecido por finalmente ter um lugar para morar, um humilde apartamento no centro de New York.
Infelizmente, há poucas informações registradas sobre Gayle, apenas a superfície de sua vasta obra musical. Mas vale a pena pesquisar e ter contato com sua música.

terça-feira, março 21, 2006

Dossiê Hardcore em SP nos anos 90 pt.3

A nossa falta de preocupação com o lado profissional de ter uma banda, nos levou a atitudes nada sensatas. Nosso primeiro show, eu Carlos e André, estávamos alterados antes de subir no palco. Nossas baladas nos bares do bairro de Pinheiros e casas noturnas do Centro, eram acompanhadas de cola de sapateiro, anfetaminas, alcool, etc. Eu e André acreditávamos numa suposta ampliação mental pelo uso de substâncias que alteravam a percepção. Literatura Beatnik levada ao pé da letra não dá coisa boa, ou Punk, como a letra dos Ramones falando sobre cheirar cola ou inúmeras falando de encher a cara, como Gang Green.
Não pode dar pala pro baterista!
É... as coisas tavam indo muito bem e como o Marcelo não era amigo de infância ou de bairro, não sabiámos como ele reagiría a nossa conduta cavalo doido. Tinhamos medo dele sair da banda por achar a gente uns drogados de merda. E achar gente que tocasse esse tipo de som era quase impossível. Num dia após um ensaio, convidamos nosso baterista pra curtir com a gente na casa de um amigo, ao lado do estúdio, onde ficaríamos a noite toda escutando um som e... ingerindo drogas! Estávamos alterados de novo e estávamos preocupados com a reação do Marcelo. Nosso amigo de bairro Fran, gostava de cheirar cola e cantar em castelaño, se jogar no chão. Aí falamos pra ele se comportar e não dar pala pro baterista.Nós tentando controlar a euforia e o Fran aparece na frente do Marcelo, com um saco de cola na mão dizendo: "Eu só sei que não pode dar pala pro baterista!" Como a reação do Marcelo foi achar tudo muito engraçado, relaxamos e contínuamos juntos, mesmo com atitudes absurdas do Carlos e André(cabeças de bagre...), que cheiraram dentro do estúdio para rebater a ressaca da noitada anterior. Ainda bem que pecerbemos que esse negócio de drogas era perda de tempo, que não traria nada de bom para nós, como não traz coisas boas para ninguém. Isso tudo era um mero reflexo da nossa atitude de desprezar a hierarquização presente no underground, queríamos sempre desafiar as coisas, desde tocar covers inusitados até avacalhar apresentadores notórios de rádio, como na festa do Rock Report no teatro Mars, onde o André pesou na do Tatola(ex-Não Religião).
Sem querer agradar ninguém, chegamos bem além de nossas aspirações. É claro que isso gerou inveja de gente pobre de espírito, pois o que conseguímos, não era nada demais. Tanto que uma vez que tocamos em Curitiba, só tinha umas dez pessoas e tocamos felizes.
Facada nas costas
Bom, fatos são fatos, as testemunhas estão aí pra confirmar. Coisas boas estavam pra acontecer com a gente em termos profissionais, mas a mesquinharia estava à nossa volta e nem percebemos. Afinal o capitalismo estava apostando no underground e muita gente queria se dar bem, ganhar algum dinheiro e principalmente um status de merda. A nova volta do skate estava rolando, só que com bases muito mais sólidas, marcas e estrutura feita pelos próprios skatistas, não por empresários de merda como no final dos anos 80. Nosso patrocinador a Dirty Money, tinha dois sócios, os skatistas Testa e Alê Viana. O vocalista do Garage Fuzz ficou amigo do Alê nessa época. A Dirty Money estava no auge, tanto que lançaríam um video de skate. Fomos naturalmente chamados pra ter uma música nossa na trilha sonora. Tínhamos uma única fita demo muito bem gravada em sistema digital, que gravamos no estúdio do R.H. Jackson. E não é que o vocalista do Garage Fuzz fez a cabeça do Alê Viana para tirar a nossa música alegando baixa qualidade de gravação?! Nem é preciso adivinhar quem entrou no nosso lugar. O mais irônico, foi o boicote do João Gordo em nós na coletânea de Hardcore de SP, ao ponto de chamar uma banda que já tinha acabado por falta de bandas do gênero. João Gordo fez isso porquê eramos amigos do vocalista do Garage Fuzz, o qual ele tinha sérias desavenças pessoais. Não para por aí. Um amigo do Carlos estava inaugurando um selo independente que só lançaría compactos e queria que o Tube Screamers fosse lançado junto com o Pin Ups. Nessa época, o tal do Grunge estava em baixa, todos nós estávamos atentos a redescoberta do Funk americano que era promovido por alguns jornais. Então uma banda de Surf music se juntou com conhecidos nossos, e se transformou em banda de Funk. Um dos vocalistas fez a cabeça do dono do selo, dizendo que o nosso som Hardcore já era, que não iria vender nada e que o Funk é que tava pegando no momento. Resultado é que essa banda de Funk entrou em nosso lugar e até o dono do selo entrou pra banda de Funk. Agora me pergunta se o selo prosperou...
E como não para por aí, a banda do primo do André, o Muzzarellas, fez das suas. O baixista da banda fez a cabeça do dono da Dirty Money pra não mais investir tanto em nós porquê supostamente não tinhamos público. Que o Muzzarellas era mais famoso, banda que até o momento, não dava a mínima pro skate. Então o Testa cortou nossa verba de ensaio que era o mais importante porquê não tinhamos muita grana. Como roupa e status não nos interessávamos, caímos fora, não bastasse a palhaçada do vídeo de skate.
Uma vez o Carlos teve que viajar e tínhamos show marcado e era muito importante. Então chamei um amigo pra fazer o baixo e eu na guitarra. Foi muito legal. Todo mundo veio elogiar e ironicamente pessoas que eram "amigas" do Carlos, disseram q estava melhor sem ele. Depois um dos integrantes do Pin Ups começou a trabalhar na RoadRunner do Brasil e disse que se tirássemos o baterista, assinaríamos um contrato. Só pra constar, por dar valor a amizade, perdemos oportunidades concretas da banda se dar bem. Ironicamente hoje em dia, os que defendemos não consideram minha amizade e a do André. Isso me refiro ao episódio Dirty Money. Tenho muitas testemunhas para comprovar tudo que escreví até aqui. Não quero honra ao mérito nem nada. Tanto que caí fora dessa tal "cena Hardcore" em 1995. Só quero registrar que não há muita coisa a se orgulhar nesse rolê todo, que há muita gente falsa que continua mentindo em favor de mérito pessoal. Muita gente que desprezava o Skate, o Hardcore e o Rap, que agora depende deles pra ser alguém hoje em dia. Se conseguiram transformar D. Pedro I em herói, é dois palito pro que tá rolando ai, rapper que não sabe rimar, skatista que não anda de skate, gente que se diz das ruas e não sabe pegar um busão direito, etc. Mas tá beleza, os impostores podem enganar os trôxas, mas quando chegam em casa e põem suas pesadas cabeças nos sujos travesseiros, sabem da verdade, de coisas que não há dinheiro que compre
 
 
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