sexta-feira, abril 30, 2010

Hardware - Third Eye Open (1992)

Você gosta de hard rock? Talvez venha em sua mente aquelas bandas dos anos 70 com um bando de cabeludos e barbudos empunhando suas guitarras. Esqueça. Hardware foi um projeto de Bill Laswell com nomes inusitados para o hard rock, como Bootsy Collins, que foi baixista do JB's de James Brown e Parliament de George Clinton. Buddy Miles é um velho conhecido do rock, afinal foi membro do primeiro trio de rock negro, o Band of Gypsys, ao lado de Billy Cox e Jimi Hendrix. Steve Salas se tornou um dos principais guitarristas de George Clinton e trabalhou com Rod Stewart, Stevie Vai, além de Bootsy.
Digamos que o projeto Hardware é funk rock, black rock, dando continuidade à série criada por Laswell, a Black Arc. Conta com a participação de George Clinton, Gary 'Mudbone' Cooper, ex companheiros de Bootsy no P-Funk e Bernard Fowler, que participou de inúmeros projetos, com Rolling Stones, Herbie Hancock, Material, James Blood Ulmer, Duran Duran, Yoko Ono, entre muitos outros.
Clique na foto da capa para acessar o arquivo.

quarta-feira, abril 28, 2010

Albert Ayler Quintet - Truth Is Marching In (01/05/1966)

Alguns anos se passaram após um certo destaque da mídia especializada sobre o saxofonista Albert Ayler. O lançamento de uma caixa de cd's com muitas gravações inéditas e principalmente a gravação de Ayler tocando no funeral de John Coltrane. Depois o lançamento de um documentário em video de Ayler, que conta com raríssimas imagens de Ayler também colocaram-no em evidência.
Pouco se comenta que Ayler foi grande influência no direcionamento musical de John Coltrane em sua chamada última fase, de 1965 à 1967, assim como a gravação Ascencion foi inspirada na gravação Free Jazz de Ornette Coleman. Mas Ayler também foi influenciado por Trane, numa fase anterior, quando Trane se destacava no hardbop. Mas logo no início dos anos 60, Ayler já começava a solidificar seu próprio estilo, como pode ser constatado em sua primeira gravação como líder em 1962.
Quando se trata de jazz spiritual, sempre vem a tona a suite A Love Supreme de Coltrane. Sim, é uma belíssima obra que foi dedicada como um louvor à Deus. Mas Ayler manteve o foco nesta espiritualidade, enquanto Trane foi para campos místicos, como se pode notar em títulos como Om, Interstellar Spaces, etc.
A maioria das composições de Ayler tem títulos ligados ao Espírito Santo, Deus, Jesus, etc. Inclusive Ayler gravou o disco Goin' Home, só com versões de hinos das igrejas protestantes cristãs e mais tarde seu discípulo, o saxofonista David Murray gravou o disco Spirituals, da mesma maneira.
Uma forte característica na música de Ayler são os temas que tem a sonoridade das marchas militares, talvez tenha sido influência de seus tempos na banda da escola e no serviço militar, como Ghosts, Bells e Spirits por exemplo.
Albert Ayler é um nome fundamental na história do free jazz e sempre é válido comentar sobre sua arte, que continua contemporânea e emocionante. Clique na imagem acima para acessar o arquivo.

terça-feira, abril 27, 2010

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento

A frase acima é um trecho do livro do profeta Oséias, no Antigo Testamento. O texto especificamente fala sobre o povo israelita que rejeitou a lei de Deus e ficaram à sua própria sorte, tendo que arcar com a consequência de seus atos e sua cidade foi destruída por outros povos.
A manipulação da palavra causa muitos males e a ignorância mais ainda. A religião fundada pelo profeta Mohammed, não se baseia em homens-bomba, violência e fanatismo, fala de paz. A maioria dos praticantes que entram nestas questões radicais, são manipuladas pelos seus lideres que não tornam acessível o conhecimento das palavras contidas em seu livro sagrado. Só divulgam de forma isolada algumas frases que são o suficiente para causar graves danos. O Vaticano fez a mesma coisa com a Bíblia, tudo era em latim(língua morta e complexa), que só os líderes tinham domínio. As missas também eram conduzidas da mesma forma, o povo ficava a mercê dos padres, bispos e papa. Foi instaurado um clima de medo e obscuridade, de castigo, etc. Promoveram massacres a outros povos que não compartilhavam de sua opinião religiosa, como fizeram com os muçulmanos. Mas a questão não é essa.
Podemos usar esta frase em nosso cotidiano, livre de questões religiosas. O conhecimento é um ítem que realmente tem a capacidade de nos poupar de situações adversas. Por exemplo, se tivermos o conhecimento básico aprendido numa escola pública, ao comprarmos algum produto no mercado e lermos as especificações no rótulo, saberemos se poderemos consumí-lo sem nos causar dano. Minhas aulas de química não eram das melhores(estudei em escola pública, em meio a muitas greves), mas o pouco que aprendi me ajuda no dia a dia, ao comprar alimentos, produtos de limpeza, etc. Compreender as clausulas de um contrato ou um documento evitam problemas posteriores, tanto que existe um dito popular: "Escreveu e não leu, o pau comeu".
O que me motivou a escrever este post, foi o uso indevido da palavra apocalipse em muitos textos e frases que tenho lido e escutado por aí. E isso não vem de pessoas que foram privadas do ensino básico, muito pelo contrário, tiveram acesso ao chamado nível superior de ensino, como USP, PUC, etc. Alguns deles trabalham no jornalismo, onde é essencial um certo domínio do conhecimento das palavras. Afinal publicam textos tanto via impressa como virtual para o público. São pessoas que leram muito mais livros que eu lí, escrevem a muito mais tempo do que eu. Eu apenas gostava de fazer redações na escola e depois de muito tempo, comecei a escrever neste blog.
Vamos lá:
Apocalipse(
αποκάλυψις): palavra de origem grega que significa revelação.
Como se pode perceber, há uma enorme diferença entre o verdadeiro significado e o que as pessoas supõem que signifique. Apocalipse não significa o fim do mundo. Talvez por não ter se traduzido o título do último livro da Bíblia(em grego, conjunto de livros), tenha gerado esta distorção do significado. Sim, o conteúdo de Apocalipse trata sobre o fim do mundo, mas não é só sobre isso. Talvez por pré-conceito, ignorância, preguiça ou outros motivos, as pessoas reproduzem uma informação sem averiguar realmente do que elas falam(E olha que no jornalismo é regra examinar as fontes de informação).
Mas em tempos de escrever palavras como: "vc", "naum", "aki", "xego", "flei", que importância tem? Deixe a forma correta de escrita da língua portuguesa para os fósseis da Academia Brasileira de Letras...
Oséias 4.14: "...pois o povo que não tem entendimento será transtornado."

ps.: Diz aê professor Pasquale!

quarta-feira, abril 21, 2010

Token Entry - From Beneath The Streets (1987)

Entre 1989 e 1990 meu amigo recebeu pelo correio um lp do Token Entry, se tratava de Jaybird, o segundo album do grupo de New York que havia sido lançado recentemente. Produzido por Dr.Know, guitarrista do Bad Brains, deu uma sonoridade mais pesada, mais heavy metal. Token Entry fazia parte do cenário do chamado NYHC, que estava em plena ebulição, com bandas como Agnostic Front, Gorilla Biscuits, o surgimento do estilo straightedge com o Youth Of Today, Bold, etc. O Token tinha uma grande afinidade com o que se chamou de Skate Rock, que era o título das compilações que a revista Thrasher Skate Magazine lançava periodicamente, com a maioria das bandas do estilo punk hardcore. Era a trilha ideal para as sessions nas ruas e skateparks, som rápido, radical e cheio de adrenalina. O Token Entry se tornou uma de minhas bandas preferidas logo na primeira audição do Jaybird na casa de meu amigo, em seu pequeno quarto em um conjunto habitacional na zonal sul e mais 4 amigos se apertando entre o armário a cama e o aparelho de som. Foi contagiante.
Eu tinha postado aqui sobre o primeiro compacto ainda com o vocalista que foi para o Killing Time(outro nome conhecido do NYHC) e agora, este é o primeiro lp, com o vocalista Tim Chunks, que se tornou o definitivo. Lançado pela Positive Force Recs em grande estilo, com a capa sempre feita pelo baterista Ernie, com a linguagem do graffiti estilo hihop e a banda na contra-capa na estação de metrô Times Square(os Warriors tinha que passar por ali), já preparava o conteúdo musical. Revelation, Antidote e Latent Images são inesquecíveis, clássicos do skate rock. A gravação é um tanto peculiar, mas em nada compromete. Digo isso por conta da diferença entre From Beneath e Jaybird. Parece que o grave estava mais baixo no Beneath e foi aumentado no Jay. É a mão pesada de Dr. Know que fez a diferença, dando mais densidade na gravação, principalmente nas guitarras. Token Entry é um capítulo importante do hardcore dos anos 80. Clique na imagem acima para acessar o arquivo.
"...grab your board try again its not just a game

ollie to tail totally insane all that I wanna do is skate, skate!
"

sábado, abril 17, 2010

John Coltrane - Jupiter Variation

Sinceramente tenho evitado postar algo sobre John Coltrane para evitar a redundância sobre o assunto. Existem bons livros biográficos sobre o músico, pelo menos dois bons videos que são o World According John Coltrane e Coltrane Legacy. Mais recentemente a edição em língua portuguesa sob o foco das gravações de A Love Supreme recolocou Trane nas publicações brasileiras. Como todo ícone artístico, cria-se uma mitologia, para o bem e para o mal. Um dado precioso sobre Trane é o depoimento de um membro de sua família que afirma com autoridade que ele foi uma pessoa simples como muitas outras, não teve acontecimentos extraordinários em sua infância como personagens de fabulas infantis. Mesmo em sua trajetória musical, encontrou barreiras, desafios e dificuldades. A sua técnica que foi batizada de "sheets of sound" foi desenvolvida pela necessidade de superar limitações técnicas em contraponto de suas concepções musicais que se desenvolviam cada vez mais. Em sua chamada última fase, onde sua música ia em direção a total liberdade das convenções de estilo (vide as últimas versões de My Favourite Things), teve fundamental influência de Albert Ayler, que anteriormente foi influenciado por Trane na década anterior, quando Trane ainda passeava pelo hardbop. Ornette Coleman e sua gravação Free Jazz foi a matriz inspiradora do consagrado Ascension. Enfim, como diz o Sonore, No One Ever Works Alone.
Jupiter Variation como o título sugere, é composto de out takes, material que não foi publicado na sua época, no caso o Interstellar Space. Também foram incluidas as inéditas Number One e Peace On Earth, que foram gravadas em sessões na costa oeste dos E.U.A. e posteriormente em 1972, Charlie Haden e Alice Coltrane refizeram as partes de piano e baixo. Clique na imagem acima para acessar o arquivo.

Frank Lowe - Fresh (1975) * refazendo o link

Eu tinha postado no ano passado sobre esta gravação de Frank Lowe e houve um problema com o link de acesso. Por isso, se você aprecia o trabalho de Lowe ou ainda não conhece, é uma gravação essencial do free jazz e inclusive fez parte da serie de gravações criada pelo selo Arista, a Arista Freedom Series.
Clique aqui neste link para acessar o post onde se encontra o acesso ao arquivo:
http://sonorica.blogspot.com/2009/11/frank-lowe-fresh-1975.html

sexta-feira, abril 16, 2010

Charles Gayle Quartet - Always Born (1988)

Charles Gayle tem sido para mim uma fonte de inspiração ao lado de Giuseppi Logan, que tem resistido e sobrevivido aos duros anos no obscuro caminho do free jazz. Gayle mesmo sendo contemporâneo de grandes nomes da música livre, só teve registro fonográfico no fim dos anos 80. Durante muitos anos se alojou em prédio abandonados em New York e segundo ele, o que o manteve vivo foi a Bíblia e a pratica do seu saxofone. Foram tempos difíceis, longos e frios invernos. Mas finalmente Gayle tem um lar, assim como Logan também agora possui e principalmente, retornaram ao cenário musical. Gayle tem tocado na Europa e Logan acaba de lançar um cd depois de décadas de inatividade e anonimato.
Gayle tem uma forte personalidade musical, uma torrente sonora é lançada ao ar pelo seu saxofone. A maioria de suas músicas, que tem como tema as escrituras sagradas e o cotidiano, deixam fluir a linguagem do espírito de forma ininteligível às linguas criadas pelo homem, mas universalmente compreendido pela linguagem espiritual da música.
Always Born conta com a colaboração de John Tchicai nos saxes soprano e tenor. Tchicai participou da gravação de Ascension e foi membro de um dos grupos mais desafiadores da música livre, o New York Art Quartet. O baixista Sirone (Norris Jones) veio de uma longa carreira musical, já trabalhou com Sam Cooke e Smokey Robinson, Ornette Coleman, Sun Ra, Pharoah Sanders, Albert Ayler, entre muitos outros, além de de ser co-fundador do grupo Revolutionary ENsemble, ao lado de Leroy Jenkins e Jerome Cooper. O baterista Reggie Johnson é de Chicago e logo se tornou membro da AACM, desenvolvendo parcerias com Anthony Braxton, Muhal Richard Abrams, Butch Morris, Roy Campbell, entre outros. São 6 músicas sendo que Coming Together são da autoria de Sirone e Nicholson e as demais de Gayle. Em comparação aos registros posteriores, como Repent, Shout!, Precious Soul, etc, Always Born possui uma atmosfera mais serena, mas é claro, não deixando de ter a intensidade do sopro de Gayle. Sem dúvida, uma bela estréia e um registro essencial do free jazz.
Clique na imagem para acessar o arquivo.

quarta-feira, abril 14, 2010

Zillatron - Lord Of The Harvest (1994)

Já faz um bom tempo que o músico e produtor Bill Laswell lançou uma série entitulada de Black Arc Series, que criou uma nova dimensão para o funk com a participação de grandes músicos do gênero, como alguns membros dos grupos Parliament, Funkadelic e JB's como é o caso do multi-instrumentista Bootsy Collins. Segundo o release da gravadora, o projeto Zillatron é o funk desbravando os territórios da ambient music, techno, hardcore e além. Uma mistura de Funkadelic com Napalm Death. Bootsy tem uma personalidade musical marcante e algumas músicas lembram algo de sua Rubber Band, só que futuristica ou como dizem, cyberfunk. Outras como Exterminate e Bootsy And The Beast são a fusão do metal com o funk de fato, não da forma que ficou conhecida sob o famigerado nome de funk'o'metal. Aliás o tal do funk'o'metal apenas se limitou à tecnica de slap no baixo elétrico e vocais com a métrica do rap. Em Lord Of The Harvest, que foi dedicado ao velho companheiro, o guitarrista Eddie Hazel, que faleceu poucos meses antes da gravação, Bootsy conta com a participação do velho parceiro de P-Funk, o tecladista Bernie Worrell, além do guitarrista Buckethead, Bill Laswell e Umar Bin Hassan do Last Poets. Zillatron não é para fundamentalistas do funk e do metal e sim para ouvidos abertos à novas dimensões da música.
Clique na foto da capa para acessar o arquivo.

sábado, abril 10, 2010

Cenário independente paulistano... dividir e conquistar! the vikings are coming!

A coletânea de bandas punk da escandinavia não tem nada haver com o post, mas esta capa é tão emblemática que a usei para ilustrar a situação. Dividir e conquistar é a tática do império romano e outros impérios para expandir seus domínios. Veja o que aconteceu com as nações da Africa, se fragmentou pela mão do pessoal da pesada que se encontra no continente acima, a Europa. A Europa se auto-proclamou como o centro do mundo e até como berço da civilização... tá bom...
Enquanto o pessoal "selvagem" do Oriente Médio já usava o sistema numérico que usamos e comia com talheres, o "velho mundo" se consumia em peste bubônica e outras mazelas nos seus chamados burgos.
Bem, vamos ao assunto em sí. Apesar de haver uma revitalização do cenário cultural, principalmente o musical independente em São Paulo, depois do grunge, que não podemos negar, causou uma boa movimentação, criando novas bandas e gravadoras, inspirado na pequena Sub Pop, que era apenas uma sala num prédio comercial em Seattle, cidade portuária longe dos centros culturais na California e New York. Até o consagrado grupo Titãs se aventurou nessa barca, convidando o produtor Jack Endino e cada membro se arriscando em projetos paralelos ("Será que isso o que eu necessito?!" - nome da música do disco Titanomaquia).
Mesmo o setor de música comercial se encontra numa situação não muito diferente do meio da música autoral independente. E as bandas que tocam covers, bandas intérpretes, de tributo, etc, adotaram uma técnica de sobrevivência no escasso mercado de bares, casas noturnas e happy hours da cidade. Elas fecham o cerco, limitam as opções às outras bandas, porque se não for desta maneira, fica sem trabalho. Ainda mais neste meio, onde sempre aparece alguém melhor e muitas vezes que cobra menos pelo trabalho e isso também gera uma degradação ao real valor do músico. O proprietário não está nem aí com essa qualidade, ele quer seu estabelecimento cheio e consumindo muito, mesmo que o som não seja feito lá com muito esmero (se for com criatividade e sentimento, esquece!). Se fazem as "panelinhas", que são tão fechadas e resistentes de fazer inveja a Panex, Rochedo e Clock. Mas o meio autoral não deveria ter este tipo de comportamento, pois vale é justamente a característica individual de cada artísta. A diversidade é extremamente benéfica ao meio artístico autoral.
Vamos fechar mais o foco. No caso do chamado cenário punk/hardcore, onde o brasileiro em sua maioria não entendeu que tudo era mais o conceito do que o estilo e sonoridade, acabou limitando tudo nos famosos "one, two, three, four" e 3 acordes. Não há muito o que fazer se o padrão musical foi limitado. Poeticamente, não é diferente, usar de ironia e revolta político social, mais ligada ao relacionamento entre população e orgãos políticos e ideologias. Isso migrou para o hiphop, com o tal do rap denúncia, que narra a injutiça social. Mas a maioria fica só reclamando e não tem uma atitude de efeito contra este mal. E pior quando algum artísta membro da periferia consegue alguma notoriedade e upgrade financeiro, passa a agir como seus opressores burgueses. Tá aí essa cultura do ouro, do "bling", numa atitude exibicionista de "provar" que venceu na vida. Mas na verdade se prostituiu e perdeu seus valores, se é que teve em algum momento.
Com o tempo, o hardcore também se enveredou por outros caminhos além do que era uma alternativa à cultura do consumo descartável. Muitos deste meio estão preocupados em estar "style", tênis tal, guitarra tal(e isso as vezes nem tem haver com a qualidade do instrumento), de serem vistos em lugares de prestígio do cenário, de estar com tal fulano, etc. O cenário musical do punk era estruturado na coletividade e união. Ainda bem que tudo não homogêneo e existem pessoas que fazem pela arte, pelo ideal. Mas coisa poderia ser bem melhor.
Vamos ajustar o microscópio no foco mais fechado: o free jazz e improvisação livre. Aí a coisa fica muito mais difícil. É um tipo de música que não agrada a maioria, pois está oposta ao modelo geral de música como forma de entretenimento. É um tipo de música desafiadora, que o ouvinte tem de parar suas atividades costumeiras para apreciar um terreno que ele não tem controle. O músico Ken Vandermark me disse que as pessoas preferem um papel de parede musical, uma música que seja apenas pano de fundo para suas atividades diárias e não querem ser desafiadas e surpreendidas pela música. E o número de músicos dispostos a se aventurar em um terreno destes, que conta com um reduzido número de apreciadores, também causa uma falta de contingente. Existe até a visão errônea e pré-conceituosa de quem faz este tipo de música, é porque não sabe tocar direito. Mas aí nem se perde tempo com este tipo de pensamento.
Em São Paulo quase não existem músicos que tocam free jazz e improvisação livre, e muito menos lugares para se prestigiar. Ainda bem que SP, seguiu a tendência internacional e este tipo de música encontra espaço em lugares como centros culturais, galerias de arte. Mas o pensamento provinciano coloca em xeque o crescimento deste setor musical. Nestes poucos anos em que surgiram poucas manifestações da música mais radical, já ocorreu a setorização do minúsculo meio. Houveram dois eventos coletivos de improvisação que não foram capazes de criar uma orquestra de improvisação, como é a tendência nos países consolidados no estilo. E isso não tem haver com o número de músicos. Os interesses pessoais, vaidade, ego, sempre prevalecem e emperram o progresso, a evolução musical. No curto espaço de tempo, escutei uma série de falácias neste reduzido meio. Um tal de um não falar com outro, de depreciar as habilidades alheias. Teve caso de parecer que se reinvindicavam um título de pioneiro do free jazz ou coisa parecida. Eu me descuidei e me encontrei no meio desta sujeira, mas pela misericórdia de Deus, rapei fora. A música é importante para mim, mas não ocupa o primeiro lugar em minha vida. Não adiantou muita coisa o Phil Minton, Veryan Weston e Peter Brötzmann tocarem por aqui. Se tornou apenas um evento social, não um aprendizado de humildade e respeito ao próximo. No caso do Brötzmann, o qual conversei rapidamente da vez que esteve aqui, me passou muita serenidade, simpatia e humildade, em contraste à sua arte, que é audaz, selvagem e em alto volume. Se deveria tomar como exemplo a se praticar, o título da gravação do Sonore, trio formado por Peter Brötzmann, Mats Gustafson e Ken Vandermark:
No One Ever Works Alone.
E assim as coisas por aqui caminham com uma dificuldade um tanto quanto desnecessária. E olha que tem gente falando em "energia positiva", "luz", "muito amor"...

"Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os hipócritas também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os
hipócritas também assim?"

Evangelho de Mateus capítulo 5, versos de 44 a 47.

sexta-feira, abril 09, 2010

David S. Ware está de volta

Em Janeiro de 2009 o compositor e saxofonista David S. Ware se encontrava em um delicado estado de saúde, precisando urgentemente de um transplante de rim.
Mas as boas novas chegaram e ele está de volta:

"I’m Back !The expression is flying !The practice has the serpent’s tongue.The dexterity is effortless. I’ll perform as much as
karma allows. There may even be some timely surprises. So keep those third ears wide open.
Being a son of Arjuna I continuously contemplate “Be Without the 3 gunas” Yes there’s much action to be engaged in. Father time marches on. Namaste"

David Spencer Ware

quinta-feira, abril 08, 2010

Bomb The Bass - Beat Dis (1988)

Bomb The Bass é o trabalho do músico e produtor inglês Tim Simenon, filho de imigrantes da Malasia. No final dos anos 80 o acid house, um sub-gênero da house music de Chicago, se espalhou pelas pistas de dança e rádios com vários artístas e um deles que emplacou um hit foi o Bomb The Bass com Beat Dis. Beat Dis se tornou um ícone do acid house assim como "Pump Up The Volume" do M.A.R.R.S.
Aqui no Brasil o Bomb The Bass chegou quase que simultaneamente por conta de dj's de pequenas casas noturnas. Eu e meus amigos de bairro nos divertimos muito ao som de Beat Dis, Megablast e Don't Make Me Wait na pista da falecida Phoenix, que ficava na Av. Henrique Schaumann e o logotipo da casa era declaradamente acid house, com o símbolo "smile". Lá era um lugar onde se encontravam muitos amigos e o som era bem variado, onde tocava EBM e hiphop. Inclusive um dos pioneiros do hiphop, o falecido Jr. Blow do Stylo Selvagem, chegou a se apresentar por lá.
Beat Dis foi um sucesso instantaneo não só nas pistas de dança, mas também nas skate sessions nas pistas de skate e ruas de São Paulo.
O single de Beat Dis em vinil se tornou um ítem disputado entre os novos dj's depois do advento do breakbeat no fim dos anos 90. Originalmente são 3 versões diferentes das 2 que estão no lp Into The Dragon, uma versão extendida, uma dub (praticamente a base sem os samplers de voz) e outra remixada.
Clique na foto da capa para acessar o arquivo que além do single original, possui a versão Beat Dat, que está no lp Into The Dragon e a Radio Edit.

quinta-feira, abril 01, 2010

O retrato da cultura do paulistano, do brasileiro

Nesta última terça me encontrei com um amigo que está de mudança para Curitiba. Ele me convidou para tomar um café na rede Starbucks. Sempre que aparece este tipo de coisa, fico um tanto quanto arisco, pois aqui nesta cidade, uma coisa corriqueira se torna fonte de status. E lá fomos ao Starbucks localizado no cruzamento da Alameda Campinas e Alameda Santos, um endereço "nobre"(blergh!) de sampa. Primeiro o lado bom, o local é agradável, ar condicionado um tanto quanto frio, mas os produtos são bons. Tomamos um café com baunilha acompanhado de pão de queijo e muffin de blueberry. Tudo com um ótimo sabor, tamanho satisfatório, o café foi servido naqueles copos grandes com tampa, como se vê nos filmes norte americanos e o muffin era de massa úmida e boa quantidade de fruta como recheio e o pão de queijo crocante por fora e macio por dentro. Não é como boa parte de lugares em São Paulo que servem estas iguarias com preço alto e o muffin parece um bolinho da Seven Boys com prazo de validade vencido e o pão de queijo como aqueles instantâneos de supermercado.
Bem, vamos ao assunto do post. Algumas pessoas agem de modo mais saudável, estão desfrutando apenas de um serviço gastronômico de boa qualidade, apenas isso. Mas a maioria se deixa levar pelas suas própias ambições e acreditam que estão se elevando socialmente. Querem ser vistas nestes locais e se sentirem especiais, mais nobres. Mas numa rede fastfood? Isso ocorre na loja de alfajores Havana, Häagen-Dasz, Burguer King. Como se este tipo de atitude pudesse proporcionar um upgrade intelectual e de status. Passamos na loja da Fnac, que tinha como intuito inicial, ser um megastore mais voltado à cultura. Mas o povo vai lá é para folear semanário e paquerar produtos eletrônicos. A variedade de cd's caiu mais de 65% e deu lugar a prateleiras forradas de dvd's da Ivete, Claudia e etc. Livros? Costuma ser o carro chefe da Fnac, mas a maioria dos exemplares são livros são de um tipo de literatura um tanto quanto, o que posso dizer, Paulo Coelho? Dan Brown? Crime e Castigo? Ora, Dostoievski eu encontro numa maquina de livros pocket na estação de metrô.
Aí fomos ao outro extremo. Descemos a rua Augusta, onde a modernidade jovem voltou a habitar, junto das casas de strip tease degradantes. Um fim de feira livre tem uma aparência mais digna. Vistamos amigos, isso já ao lado do edifício Copan e fomos numa churrascaria com sistema de rodízio, que fica na praça da República. A Trilha Gaúcha, é o oposto do Starbucks. Quem está na churrasqueira é o "Ceará", o piso está sempre seboso, as carnes nem sempre estão no ponto, as vezes salgadas demais, as vezes queimadas e endurecidas. Mas as pessoas que frequentam o Trilha não ligam pra isso, o negócio é a quantidade. O sistema de rodízio lhes permitem se empanturrar de carne, pois não podem gastar tanto dinheiro com carne em seus lares. Ou se come uma costela em casa ou deixa de pagar umas das 20 pretações da tv de lcd comprada nas Casas Bahia.
Isso tudo já não é novidade, pois em São Paulo, sempre foi assim. Então se torna um tanto quanto alienígena escrever sobre jazz, afrobeat, volta dos discos de vinil para colecionadores. Ainda bem que isto aqui é só um blog.

domingo, março 28, 2010

Giuseppi Logan Quintet (2009)

Finalmente o multi-instrumentista e compositor Giuseppi Logan está de volta. Chegou a ser dado como morto, provavelmente sepultado como indigente. Chegou a se tornar um tipo de lenda urbana do free jazz de New York, que andou desprovido de sanidade, que chegou a atacar pessoas na rua. O percussionista Milford Graves tentou reencontrá-lo, mas isso é muito complicado se tratando de uma das maiores metrópoles do mundo. Mas sentia que ele estava vivo em algum lugar da grande maçã.
Mas graças à Deus e um grupo missionário protestante, Logan foi resgatado e lhe foi devolvida sua dignidade como indivíduo, como artísta. Providenciaram-lhe uma moradia, próxima ao Tompkins Square Park e de amigos, instrumentos musicais, como uma flauta transversal e um clarinete baixo. Aos poucos Logan volta a ativa, em algumas apresentações ao vivo e agora com a gravação deste disco, ao lado de velhos companheiros dos anos 60, que são o pianista Dave Burrell e o percussionista Warren Smith.
Enfim, no meio de tantas adversidades nestes dias de hoje, surge uma boa nova para alegrar mais ainda meu coração, de alguém que estava "morto" e reviveu. Que Deus continue te abençoando, Giuseppi Logan.

Para conhecer o som de Giuseppi Logan, clique aqui:
Giuseppi Logan on last.fm

sábado, março 27, 2010

Frank Wright - Church Number Nine

Eis aqui um dos mais importantes livros da bíblia da música livre: Church Number Nine de Frank Wright.
Não é por acaso que o saxofonista nascido no Mississipi em 1935 era chamado de reverendo. Sua música mesmo tendo a forma livre que se denominou free jazz, sempre teve forte ligação, influência do gospel, a música cantada e tocada nas igrejas protestantes na América do Norte. Dentro do gospel, estão os elementos do blues e o que chamam de spiritual. Wright deu continuidade ao que foi iniciado com Ayler e Trane, até deixar este mundo em 1990, exilado de sua terra natal.
Church Number Nine é dividido em 2 partes, onde os músicos deixam o espírito fluir com total liberdade e intensidade que se pode sentir desde a primeira nota e batida. Wright está acompanhado do saxofonista Noah(Noé) Howard, que também possui uma sólida carreira no obscuro meio do free jazz dos anos 70, assim como o pianista Bobby Few. Agora como baterista, tenho que ressaltar a presença de Mohamed Ali, irmão de Rashied. Com certeza Mohamed seguiu as diretrizes lançadas pelo pioneiro Sunny Murray, além dos grandes veteranos de outras fases da música instrumental americana. Eu particularmente lamento a injustiça cometida em Mohamed, coisa que seu irmão não passou por conta de ter acompanhado Coltrane em sua última fase. Sem querer desmerecer o grande talento de Rashied, Mohamed ofereceu uma sonoridade mais interessante e intensa, em minha particular opinião. Um ouvinte mais atento poderá perceber este algo a mais em Mohamed, que não está só ressoando nas peles e pratos, a atmosfera que ele cria na música.
Voltando as atenções em Frank Wright, é notória a sua força no saxofone, digamos que Wright é a versão mais espiritual e ligada à Deus, de Peter Brötzmann. Brötz é a força da criação artística e Frank da espiritual, ambos com a mesma liberdade, intensidade sonora.
Enquanto Brötz continua sua jornada sonora na arte livre, Frank deixou seu legado, seus salmos, crônicas, testamento muiscal, alguns poucos com palavras e grande parte com gemidos inexprimíveis.
Clique na foto da capa para acessar o arquivo.

quinta-feira, março 18, 2010

Melvins - Lysol (1992)

Me lembro quando comprava lp's pelo correio e veio o catálogo da Boner Records com muitas bandas interessantes, a maioria eram hardcore. Tinha ouvido falar que o Melvins influenciara em muito o Nirvana dos tempos do album "Bleach" e que o baixista do Mudhoney gravou o primeiro disco. O curto release falava sobre a sonoridade letárgica, algo como Black Sabbath, só que muito mais lento e pesado. Me interessei pelo Melvins, a capa do disco que tinha sido lançado era o Bullhead, com uma salada de frutas desenhada na capa e títulos de músicas como "If I Had An Exorcism", "Your Blessened" e "Cow" me chamaram a atenção. Ora, resolvi encomendar, pois não passava de U$12,00 contando as despesas postais. Passados 20 e tantos dias, chega o aviso para retirar na agência. Toda aquela expectativa e romantismo de pegar o pacote, como uma carta de amor. As vezes, dependendo do transporte, empenava o vinil, como aconteceu com um lp do grupo Fastbacks, que depois eu ofereci depresente ao Carlos Alberto Dias, vinha numa capa de plástico transparente e vinil vermelho.
Quando eu ouvi, entendi o que se falava sobre o Melvins e Nirvana. Só que King Buzzo fazia a parada com muito mais autoridade, não desmerecendo os méritos que o Bleach do Nirvana possui. Gostei muito do Melvins, uma espécie de doom metal só que sem aquela perda de tempo com caveiras e temáticas satânicas, mas com bom humor. Depois inventarm o rótulo de stoner rock, mas isso é tão estranho como a reedição do tênis de basquete da Nike, o Air Jordan, que não merece lá muita atenção. E de quebra fiquei sabendo depois de muitos anos, que a baixista Lorax era filha da atriz mirim Shirley Temple (aqui nós temos um genérico, a Maisa, do Sábado Animado) e foi despedida da banda, pois Buzz é um cara exig
ente e sério com música.
Lysol foi lançado em 1992 e teve problemas com o nome, pois é um produto desinfectante, produzido pela Reckittt Benckiser, que não liberou o nome para o título do disco. Então a gravadora colocou um adesivo preto em cima do nome e lançou.
As faixas "Second Coming" e "Ballad Of Dwight Fry" são de Alice Cooper e Sacrifice do grupo Flipper.

Clique na foto da capa do disco para acessar o arquivo.

*Lysol é a combinação das palavras lysosome e solvent, em inglês. O princípio ativo é o Clorato de
Benzalkonium.

domingo, março 14, 2010

Fórmula Indy e Feira Country em São Paulo... Nunca fomos tão brasileiros!













Estamos bem representados neste país em termos de cultura. Bossa nova, samba? Que nada sô! Olha aí a feira country, coisa legítima do sertão brasileiro. Lembro de uma reportagem sobre os chapéus de palha que os costumeiros jeca tatus da vida usavam, com o capim na boca. Os artesãos do interior reclamavam que seu negócio estava falindo porque o pessoal só comprava chapéu do tipo norte americano, dos cowboys dos filmes de John Wayne. Mas o country não é do Brasil? Se a calça jeans fosse criação de brasileiro, não teria um nome em lingua portuguesa? Ah, mas isso é a globalização, pós modernismo e etc.

E a formula indy(ota)? E o povo abraça este engodo, um esporte para ricos, o máximo que acontece é alguém enforcar o orçamento e comprar um ingresso onde só se vê os carros passando de relance. E a massa fica confinada a ver a corrida pela tv. É que nem os esportes nauticos onde os maiores expoentes do esporte são brasileiros com nomes como Torben Grael. Falaí seu Zé, produto 100% nacional!

sábado, março 13, 2010

Geraldão, Geraldinho, Glauco, Raoni, a morte e a solicitude da vida

Sinceramente eu não escreveria nada sobre este fato porque todos os dias, os Joilsons, Josés, Marias e Jabersons tem sus vidas ceifadas neste mundo. Mas como Glauco tinha uma projeção nacional por conta de sua arte, virou notícia.
Fiquei sabendo da tragédia poucas horas após os homicídios terem se consumado, por conta da rede mundial de computadores. A primeira coisa que me veio ao coração foi um versículo da epístola do apóstolo de Jesus, Tiago, que diz assim:
"Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece."
Lembrei-me das poucas vezes que encontrei com o Raoni nas minhas andanças pelo bairro de Pinheiros e depois de alguns anos quando ele estava bem engajado em certo grupo espiritual. Um rapaz precoce, que eu pensava comigo: caramba o Glauco tem um filho desse tamanho... Também me encontrei algunas vezes com o filho do Angeli e inclusive quando eu tocava em uma banda, ensaiamos no estudio da casa dele com a presença do Sebastian, aquele notório performer dos comerciais da C&A com o slogan abuse use. Enfim, enquanto escrevo este post, também me lembrei de um trecho de uma música do Dorsal Atlântica: "
Viajando na estrada, um ruído seco

Dentro de um ônibus atiraram em um inocente por pura ignorância, ninguém esperava sentir como a vida é tão fugaz..."
O que dizer? Só resta pedir à Deus que console os corações dos que ficaram e sofrem estas perdas abruptas.
Sobre o trabalho do Glauco, ora, ele estava todos os dias no jornal bem conhecido da capital paulistana, no caderno cultural e as vezes no caderno especial infantil, onde o personagem inspirado em seu filho, Geraldinho, se divertia equilibrando refrigerante e guloseimas. Mas eu não vou ser unânime sobre sua arte só por conta do que ocorreu. Alguns trabalhos eu não gostava, tipo Ozetês, Faquinha e algumas tirinhas de célebres personagens.
Mas Glauco fez a sua história, deixou sua arte que nos divertiu e outras vezes nos fez parar para refletir em algo, importante ou não.
Também me lembrei de um provérbio escrito pelo rei Salomão no livro de Eclesiastes, no capítulo 7: "
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração."
Hoje é mais um momento para reflexão, mas isto só terá proveito se a sabedoria for colocada em prática.

sexta-feira, março 05, 2010

P-Funk Guitar Army - Tributes to Jimi Hendrix Vol.2 [1995] Return of the Gypsy

Este tributo quase não comentado é uma bela homenagem à Jimi Hendrix pelos músicos que participaram do P-Funk, por isso o nome do projeto é P-Funk Guitar Army.
Andre Foxxe, Johnny Graham, Gary 'mudbone' Cooper, Dee Dee 'dirty Mugg' James, Bootsy Collins, Darryl Plummer Band, Ras Kente e Menace prestam homenagem com composições originais e muito interessantes.
Andre Foxxe e Johnny Graham tem uma abordagem mais rock e blues, mas com uma sonoridade mais atual. Menace já faz seu tributo dentro da linguagem do P-Funk. Ras Kente mostra o lado do rock pesado, com extenso solo.
Clique na foto da capa ou no título do post para acessar o arquivo.

Jimi Hendrix, Johnny Alf...

Mais uma vez Jimi é enfoque do jornalismo musical. É sobre o lançamento de gravações póstumas inéditas. A estratégia de marketing das gravadoras não permite que tenhamos acesso rápido ao material, pois faz parte do jogo. Mais uma vez teremos o re-relançamento dos albuns do Experience, só que com ítens adicionados para justificar o preço e relançamento, como out takes, encartes, DVD, etc. Fazer o que? A indústria fonográfica tem de sobreviver. Veja o caso dos Beatles por exemplo, tentam extrair tudo quanto é possível para lançar no mercado, deixando os colecionadores em polvorosa. O ápice foi a discografia completa enclausurada em um pendrive (essa foi uma forma coerente, afinal estamos na era digital) em forma de maçã. O problema é que quando o material substancial se esgota, começam a colocar no mercado ítens dispensáveis. Porque o nome out takes? Ora, o artísta rejeitou o resultado de sua performance de gravação. Mas sabe como é fã, quer acreditar em qualquer coisa para ter mais um pouco de seu artista preferido, como um out take que tem apenas 3 segundos a mais de diferença do que a editada oficialmente.
Eu gosto muito do Jimi, só que quando eu atingi quase 30 lp's em minha coleção, eu percebi q
ue o negócio já estava pra lá de bom e passando disso já seria uma obssessão. Comprar um compacto, sendo que é a mesma versão do lp, isso é fetiche. Mas fora estas coisas de produtos, Jimi é um nome presente na música popular tão óbvio, que dispensa mais comentários. Quer um exemplo atual? Vernon Reid é um músico que se sente esta influência, mas não só de Jimi, mas também de Arthur Rhames. Uma das mais coerentes homengens em minha opinião pessoal são as gravações do P-Funk Guitar Army, no Tribute To Jimi Hendrix, em 2 volumes. Talvez seja um tanto quanto desconhecido para os típicos fãs radicais de rock, que geralmente ignoram e odeiam na ignorância outros nomes da música. Eddie Hazel que foi guitarrista do Funkadelic e Parliament é herdeiro direto de Hendrix, sua influência é 100% audível. Mas Hazel não sobreviveu tempo suficiente para participar desta homengem e ficou nas mãos de seus companheiros sucessores no mundo P-Funk, como Michael Hampton, Gary 'Mudbone' Cooper, Blackbyrd McKnight, etc.
Bem, porque Johnny Alf? Eu encontrei uma ligação entre ele e Jimi e isso não tem haver com a arte de cada um simplesmente por serem caminhos diferentes. A morte tem um ponto em comum, só que os casos são opostos. Jimi morreu no auge de sua carreira, muito jovem, nem completou 30 anos de idade. Johnny Alf morreu com 80 anos com uma longa carreira. Talvez Alf passe por um processo parecido com o de Hendrix, talvez relancem seus discos, artístas gravem um tributo, novos artístas e novo público "redescubra" sua obra. Mas é claro que não será da mesma forma que Jimi, que teve um impacto na arte mundial. Alf quase não é citado em seu próprio país, o Brasil. Não teve tanto efeito catalístico na música de uma forma geral, mas isso não tira seu mérito e talento. Eu gostei dele uma vez que o Paulinho da Viola o entrevistava e falavam sobre a influência dos músicos do chamado jazz. Paulinho tinha mais interesse por pianistas como Thelonioius Monk e Johnny já preferia algo mais tradicional, como Nat King Cole. Também gostei da sensação de uma pessoa amável tranquila que Alf me passou. Meu amigo estava de alguma forma envolvido com sua atividade musical no Japão, onde poucos mas fiéis admiradores extrapolaram as fronteiras do hemisfério Sul. Eu até assinei um cartão coletivo que seria entregue ao Johnny, junto ao nome de editores, apreciadores, amigos, críticos japoneses. Mas eu nunca fui muito chegado no trabalho de Johnny. Mesmo hoje em dia, que não fico mais só ouvindo Heavy Metal. Tem uma coisa e outra que eu gosto, mas a bossa não me diz muita coisa. Muitos dizem que a bossa é o supra sumo da música brasileira, mas isso é algo tão particular, que esse tipo de afirmação não reflete a verdade. Quando falam que os gringos "piraram" com a bossa, isso não quer dizer muita coisa. Veja o caso do Stan Gets, Archie Shepp. O jazz já não era uma unanimidade em seu próprio país de origem, o rock vindo da Inglaterra é que dominava em popularidade. A bossa ficou conhecida entre os músicos, pois o público americano, europeu, preferia outro tipo de música. Recentemente falam da suposta febre da bossa no Japão. É uma grande ilusão, pois o público japonês tem preferencia pela música local, como o JPop e o Pop norte americano. Há um nicho específico que gosta de bossa no Japãp, mas é bem restrito, como o público que aprecia jazz em São Paulo.
A verdade é que Johnny Alf estava meio que jogado para escanteio nestes últimos anos, queiram acreditar ou não. Ele quase não se apresentava, por falta de interesse mesmo. E gravar um disco então? Não recebia a atenção e destaque que tinha direito. Agora com sua morte vão falar uma coisa ou outra e tudo mais que eu escreví acima. Mas logo mais vai voltar à penumbra. Estou errado? Espero que sim, pois veja o caso do maestro Moacir Santos. Fizeram homengens,
relançaram gravações, mas não passou do terrritório restrito. O povo quer é ser "chicleteiro" mesmo.
Música como forma de arte é um artigo de luxo, um ítem dispensável na cesta básica. Hoje o momento é do entretenimento musical, que sempre é confundido com a arte musical. Hoje em dia não sobra muito espaço para o refinamento musical de Johnny Alf, talvez também não sobrasse para Jimi Hendrix se estivesse vivo.

Obrigado Jimi, obrigado Johnny, vocês fizeram música, apenas música.

sábado, fevereiro 27, 2010

Max Roach With The J.C. White Singers - Lift Every Voice And Sing

Max Roach é sempre motivo de assunto quando se trata de música. Sempre lembrado por participar em grandes mudanças como foi nos anos 40 quando batizaram a nova forma de tocar com o nome de uma composição de Dizzy Gillespie: Bebop. E esta mudança teve como núcleo, o ritmo. Mas Max Roach não parou de buscar novas linguagens em sua trajetória pela arte, chegando a ser criticado por companheiros músicos e midia especializada quando se envolveu com a juventude das ruas de New York no início dos anos 80, quando nascia o chamado Hiphop. Lá estava Max com sua bateria "falante" ao lado do pioneiro Fab Five Freddy e B-Boys no mesmo palco. Bem, são tantas histórias que não cabem neste simples blog.
Particularmente Max Roach tem um lugar especial em minha vida, pois o que me motivou a tocar bateria, foi sua influência, que não foi direta em primeira instância, pois o que me despertou foi o jeito de tocar, a sonoridade de Mitch Mitchell, o parceiro de Jimi Hendrix. Mitch não tocava apenas rock, tinha algo a mais ali e esse algo era sua fonte de inspiração. Com o tempo e muita audição de gravações comecei perceber a influência de Max em Mitch e também a influência de Elvin Jones. Iniciei uma pesquisa sobre a bateria, a música e trajetória de Max Roach descobrindo muito mais do que um exímio baterista de jazz. Descobrí um artísta de grande talento, brilhante compositor e líder, pesquisador, desbravador de novos territórios na arte sonora.
E aqui está uma de muitas descobertas sobre Max Roach: Lift Every Voice and Sing com o coral The J.C. White Singers. Também fazem parte desta obra o brilhante sax tenor de Billy Harper, que mesmo não tendo seu nome em evidência, faz parte do seleto grupo que alguns musicólogos chamam de primeira geração "pós-Coltrane", ao lado de Gary Bartz, Odean Pope, David Murray, entre outros. Também participa o trompetista e educador musical Cecil Bridgewater, que acompanhou Max ao lado de Odean Pope e Harper nas últimas decadas finais de sua carreira. O pianista George Cables, o baixista Eddie Mathias (que emprega o baixo elétrico à exemplo de Jymie Merrit nos anso 60) e o percussionista Ralph McDonald são nomes consagrados no meio musical por conta de seus talentos singulares. O coral formado por Ruby McClure, J.C. White, Dorothy White faz a diferença nesta gravação. É inevitável não se emocionar com o poder destas vozes entoando o hino tradicional evangélico Motherless Child e a composição dedicada aos pais Garden Of Prayer. As vozes tocam no profundo da alma. Outro destaque é o solo de Cecil Bridgewater em Let Thy People Go. Outra característica de Max Roach em sua arte é que ele sempre que possível, usou-a como veículo de expressão política, dedicando as músicas a pessoas como Marcus Garvey, Patrice E. Lumumba, Malcom X, Rev. Martin Luther King, etc.
Mesmo não tendo tanto destaque até no meio especializado, Lift Every Voice and Sing pode tranquilamente estar ao lado de A Love Supreme. Clique na foto da capa ou no título do post, que são o link de acesso ao arquivo.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Murilo Antunes Alves (São Paulo, 24/08/1919 - São Paulo, 15/02/2010)

Me lembro da minha infância um programa de jornalismo que só o meu pai assistia, o Record em Notícias. Pudera, eu era uma garoto e não me atraia em nada aquela bancada de homens de terno e cabelos grisalhos falando sobre assuntos que não englobavam desenhos animados e outras coisas de criança. Fui crescendo e ouvia falar que aquele era o jornal dos dinossauros, jornal da tosse, por conta dos participantes serem veteranos do jornalismo brasileiro. O mais engraçado é que eu comecei assistir o jornal, junto com meu pai e independente de eu começar a ter alguma postura política e alguma noção disso, eu gostava do programa. Me soava coerente, tratava as notícias como um jornal deveria ser, com seriedade e exposição dos fatos sem enveredar nas opiniões pessoais de forma a prejudicar a informação. Bem, não me lembro se o negócio era direita, conservador ou coisa do gênero, que soa uma caricatura em roda de punks e "ativistas" políticos, rodas de cerveja com universitários, só me lembro que para mim era um bom programa de tv. Alguns anos atrás fiquei feliz em saber que o Murilo estava vivo e na ativa, ainda na mesma emissora. Sei lá, não tem explicação, eu sempre tive uma simpatia pelo Murilo, pô, o cara entrevistou o Bill Halley em 1958!
Murillo Antunes Alves nasceu em Itapetininga,
Formou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1943. Teve escritório de advocacia até 1961, em Brasília, especializando-se em direito esportivo. Integrou o Tribunal de Justiça Desportivo, e foi por mais de 40 anos, assessor jurídico da Federação Paulista de Futebol. Contratado pela Rádio São Paulo, em 1938, onde ficou por 4 anos. Inicialmente como locutor e depois, como comentarista esportivo, em parceria com Geraldo José de Almeida. Seu primeiro programa foi o Broadway Melody, de música americana. Em 1946 foi para a Rádio Bandeirantes, sendo o primeiro locutor esportivo da emissora. Posteriormente, trabalhou nas rádios Cultura, Gazeta e Tupi. Em 1946 foi contratado pela Rádio Bandeirantes como repórter, passando depois, para a Rádio Record ,em 1947, onde fez várias reportagens inclusive no exterior, e entrevistas com auditores e personalidades como:os políticos Adhemar de Barros,, Getúlio Vargas, e Janio Quadros, entre outros. E jornalistas, como Samuel Weiner. Cobriu acontecimentos importantes como as eleições italianas em 1948, o Ano Santo em 1949, no Vaticano, as eleições nos Estados Unidos em 1952, etc. Ganhou por sete vezes o prêmio Roquette Pinto, como melhor repórter do rádio. Começou sua carreira na TV Record, no dia 23 de setembro de1953, que foi o primeiro dia no ar, da TV Record, como encarregado da parte política do jornal da emissora, o “Última Edição”. Depois, o jornal "Record em Notícias", como editor chefe e diretor em 1989. Em 1953 foi o primeiro Chefe do Cerimonial da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde se aposentou em 1985, como Diretor do Cerimonial e Relações Públicas. Em 1961 foi nomeado Oficial do Gabinete da Presidência da República, pelo presidente Janio Quadros. Entre 1971 e 1974 foi Chefe do Cerimonial do Governo do Estado de São Paulo, gestão de Laudo Natel. Exerceu mandado de vereador por São Paulo, até 31 de dezembro de1996, por dois anos e meio. E depois foi Chefe do Cerimonial da Câmara Municipal de São Paulo.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Iceburn Collective

Eu tinha postado sobre o Iceburn no Farofa Moderna em 2008 e recentemente pediram para reativar o link. Creio que o Polar Bear Suite se encontra com facilidade na web, mas em todo caso fica aqui a republicação do post sobre o Iceburn e o título do post é o novo link de aceso ao arquivo.
O grupo Iceburn teve inicio em 1991 em Salt Lake City, Utah, Estados Unidos com o guitarrista, vocalista e compositor Gentry Densley. Se enquadrou no rótulo de math-rock (é o que dizem de bandas que se influenciaram no prog. do King Crimsom, com estruturas mais complexas que o rock independente oriundo do punk-rock e hardcore contemporâneo, com o mínimo ou sem vocais e letras). Acho um rótulo um tanto quanto vago, pois ao se fazer música, matemática está presente, quer queira ou não. Com o passar do tempo, o grupo que fundiu o punk, heavy metal, jazz e música erudita, se aproximou cada vez mais da improvisação do freejazz e incorporou mais membros ao chamado grupo, além do baixo elétrico, bateria e guitarras, como o contra-baixo acústico, clarinete-baixo, saxofone, percussão e fagote. O que me chamou a atenção ao Iceburn, foi ter sido lançado discos por uma gravadora de hardcore que tinha como evidência, bandas do segmento straightedge, uma filosofia radical contra as drogas e até a maioria aderiu ao vegetarianismo e veganismo. A maioria desses grupos tinha uma sonoridade simples, músicas rápidas, curtas e agressivas, como a maioria do conceito hardcore. O Iceburn até hoje não foi bem digerido pelo público de rock em geral, talvez por não se enquadrar facilmente a qualquer rótulo convencional, dividindo suas músicas em longas suites, incluindo poesia concreta na arte de cada cd, tornando o ilustrador e diagramador um membro do grupo. Na música no âmbito mais amplo, isso não é novidade, mas no meio do rock independente foi um grande diferencial que infelizmente passou quase desapercebido. Sonoramente falando, quem teve ouvidos mais atentos e despidos de pré-concepção de rock, pode desfrutar de momentos muito interessantes, criativos e prazerosos com a trajetória deste grupo. Enfim, o grupo se desfez em 2000 sob o nome de Iceburn Collective, sendo um dos mais criativos da chamada cena independente, onde figuram o Fugazi e Shellac.
O Iceburn Collective vinha desenvolvendo um interessante trabalho como foi registrado em uma de suas últimas gravações que foi publicado pelo seu próprio selo, o Iceburn Double Trio, que infelizmente está fora de catálogo.

sábado, janeiro 23, 2010

Bad Brains - demotape (1978)

O Bad Brains se tornou um ícone da música punk, principalmente por uma característica: era formado por quatro jamaicanos radicados em Washington DC e não abriam mão de incluir o reggae em meio ao som violento. Também era característica a performance do vocalista HR que podemos comparar com alguns momentos de Jello Biafra nos palcos. Depois de seu início com o característico som barranqueira, o Bad Brains evolui e até se assimilou mais com o thrash metal. Esta demotape tem um som horrível por conta da qualidade de gravação, mas já contém os grandes clássicos da banda como Supertouch e Regulator. O Bad Brains interrompeu suas atividades algumas vezes por conta do comportamento instável de HR, mas estão em plena atividade com sua famosa formação com HR, Dr. Know, Darryl Jenifer e Earl Hudson.
Mais informações no site oficial:

http://www.badbrains.com/
Clique no logo do Bad Brains ou no título do post para acessar o arquivo.

sábado, janeiro 16, 2010

Otomo Yoshihide's New Jazz Orchestra - Out To Lunch

Otomo Yoshihide é um grande talento no cenário da musica experimental, assim como a New Jazz Orchestra sob sua direção. Nasceu na cidade de Yokohama, Japão em 1959 e teve influências de seu pai que era engenheiro, começando a construir aparelhos eletrônicos, como rádio, oscilador de frequência e posteriormente a manipular o som com gravadores de fita magnética. Como guitarrista, tocou em grupos de rock e jazz e ouvia muito a música de Ornette Coleman, Erick Dolphy e Derek Bailey. Sob a influência do saxofonista Kaoru Abe e o guitarrista Masayuki Takayanagi, optou pelo free jazz. Nos anos 90 fundou o conjunto Ground Zero, que se enquadra como noise rock experimental, onde Yoshihide fez muito uso dos samplers. No fim dos anos 90 formou a Otomo Yoshihide's New Jazz Orchestra com bases no jazz tradicional, mas com as características do trabalho de Yoshihide. Entre os membros da OYNJO, se encontram grandes improvisadores como o trompetista Alex Dörner, o pianista Cor Fuhler e os saxfonistas Alfred Harth e Mats Gustafsson. Esta releitura da grande obra de Eric Dolphy, o Out To Lunch, a OYNJO foi muito feliz em sua execução e Yoshihide acrescentou sua própria composição no final da peça, entitulada de "Will Be Back", provavelmente se referindo a foto da capa original do disco de Dolphy, que é um close na porta de uma barbearia com o aviso numa placa.
Clique na foto da capa acima para acessar o arquivo, ou no título do post.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

The Return Of The Living Dead Vinyl... Mas o assunto é outro!

Mais uma vez esta conversa sobre a volta da bolacha preta, uma gravadora que está reativando a única fábrica de lp's do Brasil e etc... Alguns disqueiros que se agrupam em sebos e lojas especializadas se iludem com a remota possibilidade do mercado de vinil voltar aos aureos tempos. Só Jesus Cristo para ressuscitar os mortos, mas creio que ele não está nem um pouco interessado neste tipo de moribundo. Calma, não tenho nada contra se o fetiche se focaliza agora nos discos, as pessoas tem o direito de se divertir com isso. Mas como eu já escreví antes aqui, só não me venham com as furadíssimas argumentações da suposta qualidade superior de gravação.
Este é um ponto ao qual eu quero me referir: O que está por trás destas questões? Não estou falando sobre detalhes tecnológicos e saudosismo, mas sobre a polêmica, a discussão em torno desses objetos.
Poucos são os que assumem a questão material mesmo do fetiche, de manusear o disco, contemplar a arte da capa(que nem sempre é lá grandes coisas), sempre tem alguém se auto-afirmando um audiófilo e dando desculpas constrangedoras sobre detalhes técnicos sobre amplitude, acústica e etc. Estas questões se repetem em vários ítens de consumo porque o ser humano continua o mesmo.
Existem pessoas que acumulam pilhas de dvd's de filmes, seriados, etc num ato compulsivo e nem percebem isso, muitos desses dvd's nem foram assistidos por completo. Muitas vezes são apenas um adjetivo de quantidade, do tipo: "Eu tenho a série ou temporada completa de tal coisa...", e nem percebem no que se tornaram, tanto que estas pessoas encontraram nos colecionadores de vinil o perfeito bode expiatório para se justificarem de seus problemas de consumo, dizendo que os colecionadores de vinil só pensam no dito cujo e que não gostam realmente de música e só querem se exibir com suas coleções. Algo parece familiar?
Tudo isso é um problema dos primórdios da humanidade. Para quem acha que e o tal do casal Adão e Eva são apenas uma ficção, então pelo menos usemos eles como exemplo prático de duas pessoas que erraram e se justificaram colocando a culpa no outro. Adão culpou Eva, que culpou o capeta em forma de serpente.
Outras pessoas tomam atitudes radicais como na bíblia, quando Jesus fala para arrancar o seu olho esquerdo se este o induz ao erro, pois é melhor perder um membro do corpo do que ele inteiro. Claro que isso é simbólico, se a pessoa não sabe beber e se descontrola e faz um monte de presepada, que não dê o primeiro trago. Jesus também conta uma parábola sobre um jovem rico que quer seguí-lo. Então Jesus pergunta sobre alguns ítens aos quais o jovem já pratica. Por fim ele diz ao jovem para pegar sua fortuna inteira e doe aos pobres e o siga. O jovem se entristeceu com a parada e parece que ficou por alí mesmo com sua bufunfa. Mais uma vez a simbologia entra em ação: Jesus não disse para ele fazer isso literalmente e sim que ele não desse mais tamanha importância ao dinheiro em sua vida, que fosse mais generoso, caridoso e desapegado aos bens materiais.
Agora falo apenas por mim: Meu crescimento espiritual e transformação não depende do fato de eu desfazer da minha coleção de discos de vinil, pois eu não pretendo fazê-lo, simplesmente porque a minha coleção ocupa apenas um armário e principalmente os últimos lugares da vasta lista de prioridades em minha breve vida nesta terra.

ps.: como diz o ditado popular, não é o habito que faz o monge(ou, não é u terno que faz um evangélico), isto é, tudo depende da mudança interior.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gabriel Orozco

Título: Four Bicycles (There Is Always One Direction) - 1994
* mais informações aqui

terça-feira, janeiro 05, 2010

David Murray Octet

Aqui temos alguns dos melhores músicos de uma geração da música ousada, conhecida pela Associação para o avanço de músicos criativos (AACM), que tem como nomes bem conhecidos, os membros do Art Ensemble Of Chicago e Anthony Braxton, entre tantos. David Murray é o que podemos chamar de herdeiro da geração de Coltrane e Ayler, com suas raízes fundamentadas no rhythm'n'blues, spirituals e gospel music. Murray também participou de um dos melhores grupos de música ao lado do ROVA saxophone quartet, o World Saxophone Quartet, com Julius Hemphill, Hamiet Bluiett e Oliver Lake em sua foramação original em 1977. Ajudou a manter em atividade a continuação dos caminhos abertos por Cecil Taylor, Ornette, Trane e Ayler nos tempos difíceis dos anos 70, onde não havia lugares para os músicos mais ousados se apresentarem, a não ser os porões e sótãos, como o estúdio Rivbea de Sam Rivers.
Na gravação do disco Ming, Murray conta com a participação de Henry Threadgill no saxofone alto, que é um grande compositor e arranjador em plena atividade; Olu Dara no trompete também tem trabalho direcionado ao blues; Lawrence "Butch" Morris no cornet é maestro condutor, arranjador, compositor e aqui ele mostra seu talento como instrumentista; George Lewis no trombone é um dos maiores improvisadores de seu instrumento e continua inovando em sua arte; Anthony Davis no piano é compositor ligado a AACM e está ligado a area de ensino, como a YALE University e a University of California San Diego; Wilbur Morris no baixo foi um dos principais entre os músicos como Pharoah Sanders, Sonny Simmons, Alan Silva, Joe McPhee, Horace Tapscott, Butch Morris, Arthur Blythe, Charles Gayle, William Parker, etc e Steve McCall na bateria foi um dos fundadores da AACM, fez parte do trio AIR ao lado de Threadgill e o baixista Fred Hopkins. clique na foto acima ou o título do post para acessar o link.

Flauta subcontrabaixo



Por enquanto, este video acima mostra a maior flauta do mundo, fabricada por Kotato & Fukushima e tocada por Stefan Keller no Hara Museum of Contemporary Art, Tokyo, Japão.
 
 
Studio Ghibli Brasil