quinta-feira, março 29, 2007

Cada um por sí e Deus por todos

Três mosqueteiros? Qua qua qua! Só fábula mesmo. Claro que tem um mínimo ainda fazendo o que é certo senão, o mundo já tería acabado. Como diz um bom amigo meu, "...as pessoas como eu, que gostam e compram discos de John Zorn e The Residents, deveríamos morrer nas mãos da população revoltada! Morrer eu não quero, mas se inevitável, morreria feliz pelo povo ter reagido..."
Mas a preocupação individual está tão enraizada, que a primeira reação é reclamar dos direitos que não estão sendo respeitados. E os deveres? "Poxa, a culpa é do governo...", "Eu trabalho a semana inteira e não posso ter o direito de comprar um cd, ir ao cinema, ir na balada?", "Ficar só pensando em problema, já não bastam os meus? Já tá ruim, deixa eu me divertir um pouco!". E assim vai...
Quem quer saber da ultima novidade do FreeJazz, do Rock, do Rap, da Street Art, do Dub, das Artes Plásticas, do Cinema, do Teatro? Meus irmãos, é só meia-dúzia. Milhões e milhões de pessoas iguais a nós querem saber de ter água, luz, comida, casa, escola, emprego e se der, um churrasquinho de domingo. Muita gente sabe que a cultura é essencial na vida do ser humano, que gera benefícios e etc. Mas no momento, é a coisa que menos importa. Como se raciocina de barriga vazia? Não tem como. O instinto fala muito mais alto. É óbvio que temos aqui uma questão de prioridades. Primeiro se arruma a casa, depois se faz a festa. Ou se esconde a sujeira nos fundos e faz a festa assim mesmo, achando que tá lindo, como sempre se fez. Só que não tem mais onde esconder tanta sujeira, que ela já está chegando na sala de estar.
"Eu faço a minha parte". Tá bom... Quantas pessoas você conhece e a sí mesmo se encaixa numa atitude de ir ao shopping comprar algo para sí e lembrar de comprar a mesma coisa também para alguém que não pode? A maioria das pessoas só fazem caridade de coisas que elas não precisam, como roupas velhas, livros que ocupam espaço, moedinhas de troco que estão incomodando. Só doam coisas que não lhe fazem falta, que estão sobrando. É muito fácil pagar um almoço para alguém se você tem o seu garantido, mas dividir quando se tem só aquele, sem previsão de ter outro? A maioria das pessoas só faz algo pela barganha, seja material seja por aliviar a consciência, seja para receber agradecimento.
É meus irmãos, este blog de nada vale, pois não tem a menor importância saber do último disco do Vandermark 5, do documentário do Albert Ayler, da nova geração do Freejazz. Como também se o King Tubby vai tocar, o novo disco do Beans, a volta do Pere Ubu ou as novas do Rap Underground.
Mas ânimo!!! Vamos continuar a fazer o que é certo. O nosso caneco de água não vai evitar o incêndio na floresta, mas é o melhor que podemos fazer!

quarta-feira, março 21, 2007

Dizer hoje, antes que seja tarde

É, ele tem o dom... mãos longas e finas que possuem rítmo refinado. Não, não fez escola, conservatório. Mau teve instrumento próprio à sua altura para expressar sua arte. Não nasceu no morro nem na favela, muito menos no berço do samba. Forró? Tem o pai, de coração enorme, mas logo enveredou por outros caminhos, sim, Heavy Metal, Hardcore, Blues, Rock'n'Roll e por aí vai. Até comprou uma guitarra mas Johnny Be Good não vingou. Não foi como Raul, baiano loco que rock tocou. Mas sua arte aflorou ritmicamente de suas origens. Com um pandeiro simples ou qualquer superfície percussiva sai música.
Mesmo sem saber, com um par de baquetas, soava como um Sunny Murray em estado bruto. "Freejazz Naïf"? Sim! Quem diria?!
Tudo isso aliado a uma humildade até prejudicialmente excessiva, muitas vezes se colocando apenas como um ouvinte, apreciador. Não há como negar, boas oportunidades surgiram, mas em certo momento a frieza da grande metrópole lhe roubou a garra. Não é brincadeira, pois seu amigo e meu também, de sangue paraíba, parou de desenhar. Mas este se fortaleceu nesta dificuldade, pois toca uma família com muita dignidade. Mesmo lhe faltando a calorosa proteção paterna desde o berço, como nosso amigo tem, de origem potiguar.
O tempo passa, não espera ninguém, aqui não tem Michael J. Fox pra dar um jeito. A cidade avança e esmaga os justos. O grande pai veio com a cara e a coragem enfrentar a grande cidade, mas esta lhe empurrou pra lá do córrego Pirajussara. Mesmo assim se manteve firme e forte. Mas a terra lhe chamou de volta pelo coração, lugar de lindo nome, Natal. Meu amigo já tem esta promíscua cidade em seu coração, São Paulo, ame ou odeie. Não quería ir, mas não há escolha e não tem força e fé de Davi para encarar o desafio. Foi tudo muito rápido, não tive tempo de dar-lhe um abraço de irmão e boa sorte. Meu desejo é que volte algum dia com a força e a fé para tomar posse do que sempre foi seu.
Quanto a meu amigo e irmão de sangue paraíba, não me importa quando e onde mas nós, junto com o magrão jogaremos nossa partida de dominó.

segunda-feira, março 19, 2007

Ken Vandermark - (((Powerhouse Sound)))

foto: Nancy J. Parisi

O (((Powerhouse Sound))) formado em 2005, é mais um dos muitos conjuntos que Ken Vandermark faz parte. Segundo ele, a idéia do grupo é juntar as idéias de Dub de Lee Perry, as idéias rítimicas de James Brown e as idéias de colagem sonora do Public Enemy. Conta com a participação dos membros do grupo Tortoise e Isotope, Jeff Parker e John Herndon.
Mantendo sua característica de homenagear artístas em suas composições, como no seu principal grupo, o Vandermark 5, temos homenageados: Miles Davis, Lee Perry, Coxsonne Dodd(Studio One), Burning Spear, The Stooges, King Tubby, Bernie Worrell (Parliament/Funkadelic) e Hank Shocklee.
Aqui dá pra ouvir uma amostra do som:
www.cduniverse.com

sexta-feira, março 09, 2007

Bush, "potrestos" e um drink de etanol...

Tudo bem, não vejo coisa boa nessa visita. O homem está aqui de olho no nosso "ouro". É claro como a água mineral que se vende nos semáforos que ele está preocupado e quer também desarticular o Mercosul, como também que o mercado do petróleo está se estreitando devido a muitos fatores e o mais grave é o impacto ambiental e a pressão em cima disso. Afinal ele não quer que Manhatan desapareça por conta o aquecimento global, a união européia pegue mal com seu conjunto de estados unidos. Também é bom pra eles o tal do biocombustível, pois eles também são um dos grandes produtores. No final, é a grana e o poder que contam mesmo, dão uma canja aí pra questão ambiental pra não pegar mal, mas não é a preocupação com a "qualidade de vida" que a classe média e alta brazuca adora enfatizar.
Qualquer pessoa que tem o mínimo de interesse em informação de conjuntura mundial sabe dessas coisas. Agora tão querendo bombar o tal do "etanol é nosso!" ou coisa parecida, numa tentativa de resgatar o orgulho nacional. Sendo que muitas pesquisas de outras alternativas de combustível são feitas no Brasil, bem mais eficientes e com menos impactos ambientais que o etanol, que não deixa de ser uma fonte de energia à combustão, que já é prejudicial ao meio ambiente. Aí nessas de que a exportação do "nosso alcool" vai ser bom pro Brasil... Bom pra quem, cara pálida? Todo mundo tem usina e é dona de grandes latifundios? Vamos voltar a monocultura? Vamos viver só de cana de açucar? Isso é preocupação com o meio ambiente, sendo que não é uma vegetação natural deste país?
Mas o motivo deste post foi ter presenciado o equívoco dos protestos no Rio de Janeiro e São Paulo.
O que adianta depredar o consulado dos EUA? O que adianta apanhar da polícia na rua, depredar banca de jornal, prejudicar um monte de gente do povo que precisa trabalhar, bloqueando o trânsito na av. Paulista? Tinha gente precisando chegar no hospital com urgencia, gente do povo que poderia no mínimo tomar uma comida de rabo do patrão, perder cliente por conta do atraso. Mas aí vão me dizer que se tem o direito de protestar e mostrar a indignação perante o MAL que representa Bush por aqui. Aí é que está o Mal, nessas horas só se pensa nos direitos muito mais ideológicos do que os deveres de cidadania. Se este tipo de atitude tivesse efeito, justificaria, mas não! De fachada é muito bonito protestar em público contra Bush, Alca e qualquer um desses lixos enquanto o que não se vê continua apodrecendo por dentro, a estrutura social do país. Porquê ninguém fez nada em relação aos salários dos deputados e magistrados, que afetam diretamente estes manifestantes? E a treta do metrô que tá saindo uma meia muzzarela meia 4 queijos? Não foi a tua casa que ruiu e nem um parente seu que morreu, não? Ironicamente a justiça dos EUA, é, do Bush, tá fazendo algo certo, indiciando o Paulo Maluf! Tá na hora dos ditos ativistas começarem a crescer e agir como gente grande! Ficar de pirraça na rua, mostrando sua "indignação" como um fariseu, não surte efeito contra o grande Mal que combatem. Exercer a cidadania e não dar discurso em boteco perto da faculdade. Vamos cuidar de nós antes de qualquer coisa, depois vemos o resto.

quarta-feira, março 07, 2007

Colorir + Constantina


Duas bandas novas: Colorir de Florianópolis, SC e Constantina de Belo Horizonte, MG.
Bom, no começo dos anos 90, o dito cenário independente do rock vêm passando por mudanças, não que isso seja novidade, pois muita coisa ocorreu nos anos 60, longe dos olhos da grande mídia, que fixou mais na psicodelia e o "It's only rock'n'roll", por exemplo.
Com o advento do grupo Tortoise, no início dos anos 90, recebeu o rótulo de "post-rock" com ares de vanguarda. Mas não é tão vanguarda assim, pois como disse, muita coisa já havia sido feita e experimentada nos 60 e 70. Alguns, ao escutar o trabalho destes dois grupos, podem associar ao rótulo de "post-rock".
Mas ambos os grupos se definem de outra forma, mais como música livre. Em alguns artigos se fala da influência e tenho notado que muita gente confunde Free Jazz com Improvisação. É fato de que a improvisação está presente no Free Jazz, mas não ao contrário. Estéticamente, alguns elementos são parecidos e equivalentes, como a textura sonora extraída dos instrumentos, ruídos, atonalidade, etc.
Se você escutar o trabalho de Ornette Coleman, Cecil Taylor, por exemplo, mesmo nos momentos mais "caóticos" e "aleatórios", está presente as raízes do Jazz. Mas isso é outra história...
Enfim, são dois bons grupos que estão surgindo e em termos de Brasil, realmente é algo novo, pois o rock no Brasil ainda sofre o lema ortodoxo do rock. À exemplo do grupo Hurtmold, trilham por caminhos pouco percorridos do cenário independente, onde a música e os sons falam por si só, ou seja, música instrumental. Pra quem curte esse tipo de som, é só conferir:
http://www.myspace.com/colorir
http://www.myspace.com/bandaconstantina

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Leroy Jenkins, 11/03/1932 - 24/02/2007

foto de Larry Fink, 2005 para o The New York Times

Aos 74 anos, Leroy Jenkins sucumbe ao câncer. Conhecido pelo grupo Revolutionary Ensemble
e sua associação com a AACM e Creative Construction Company. Nos links, mais informações.
Obrigado Leroy Jenkins, por ter nos presenteado com sua arte.

http://www.nytimes.com/200702/26/arts/music/26jenkins.html?
http://aacmchicago.org/members/Leroy.html

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Bonde do Rolê e CSS, o Brazil tá bem representado!

Em um caderno de cultura do jornal de grande circulação na maior capital da ex(ou não) província portuguesa(ah é... teve aquela fita do D.Pedro I no Ipiranga!), tinha saído como matéria de capa, o fenômeno do êxito do grupo Cansei de Ser Sexy. Agora saiu sobre o grupo Bonde do Rolê. Em primeiro lugar, não estou aqui para atacar ou por em dúvida a qualidade musical desses grupos. Definitivamente eles tem o pleno direito de fazer o que fazem e ter sucesso com seus produtos. Afinal, a liberdade de expressão está na Constituição. Aquela fita, se você não gosta, vai ficar ouvindo? Deixa pra lá, deixa viver! Agora, o que acho patético é a sociedade ter como parâmetro de superioridade cultural, o jornal Folha de São Paulo. Aí você vê uma propaganda na TV da Folha, só "gente bonita" e " descolada é que lê. Tá bom que você verá um negro da perifa lendo o caderno +mais!, ou o Raimundo da portaria do condomínio lendo o caderno de ciência na propaganda da folha. Então toma aí pra vocês que se acham superiores por ler este jornal, é o Bonde do Rolê que é bom pra sua cultura! Que Jobim que nada, Villa Lobos, Stravinsky, Sinfônica do Estado, Orquestra Mantiqueira, bah, que nada, o que tá pegando é o Bonde! Se os gringo tão pirando na fita deve ser bom. Afinal se saiu no The New York Times e Rolling Stone, tem que ser bom.
Em termos de cultura musical, a Ilustrada é "altamente gabaritada", pois uns anos atrás, na matéria de capa, um jornalista afirmava que o Stockhausen era pai da dodecafonia?! PUMP UP THE BASS!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Magnus Broo

foto de Jukka Piiroinen 2005

Não há mui
tas informações sobre este trompetista sueco, mas seu site possui pequenos samples de seu trabalho. Infelizmente o site é sueco e não tem versão em inglês. Vale a pena conferir.
Clique no título do post que é o link para o site de Magnus Broo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Fim de um ranço da ditadura

Em tempos terríveis de enchentes, desatinos do prefeito, sequestros, uma boa notícia.
No início deste mês de Fevereiro, o governo do estado de São Paulo aprovou o projeto de lei de autoria do deputado Turco Louco que dispensa a obrigatoriedade da apresentação da carteira famigerada OMB(Ordem dos Músicos do Brasil), para apresentações musicais. Esta é uma batalha antiga, a OMB é uma instituição que foi criada na época da ditadura militar tendo o mesmo presidente que se diz eleito pela maioria dos votos dos músicos, sendo que a maioria odeia o presidente, e nunca se sabe quando ocorre a votação. Muito pouco se faz pelos músicos e cobram taxas abusivas. Só era visto alguma ação quando os fiscais da OMB saiam à la Inquisição do santo ofício atrás de músicos que se apresentavam sem a tal da carteira, ao absurdo que quererem confiscar os instrumentos de quem não tivesse o número da besta. Todos sabem como o músico tem a vida de sacrifícios, ganha mau pacas, principalmente o que toca na noite, nos bares e restaurantes. Aí vem os soldados da cruzada para lhe arrancarem a cabeça. Mas isso me lembrou um fato, conhecidos e amigos fizeram campanha para certo candidato e tentaram me convencer a votar por ser jovem, "conhecer" música, esporte, arte, cultura e tal, que iría fazer coisas boas no poder. O que se faz de diferente ter o Dia do Jovem? Nem no calendário aparece. Aí me vêm o Turco Loco que todo mundo chama de pilantra, filiado ao partido que ajudou a ferrar o país, e cumpre com o seu dever. É... como dizem por aí, Deus escreve certo por linhas tortas(tortas até de mais).

sábado, janeiro 27, 2007

The Real Godfathers of Punk


Muitas vezes eu ouví falar que o Freejazz é som de músico virtuoso, que só é bom pra quem está tocando, barulheira sem sentido, etc. Não que uma pessoa vinculada ao Punk e Hardcore deva gostar de Freejazz, mas é legal saber como os dois estão estreitamente ligados. Um dos pontos em comum entre os dois, é que ambos sofreram duras críticas em nome da liberdade na música como arte. De um lado músicos altamente capacitados técnicamente mandando às favas os rígidos padrões da música em sua época, de outro, músicos amadores provando que se pode fazer música com o mínimo de técnica(pois sem técnica, a qual possibilita a pessoa manusear um instrumento musical, não sai música, mesmo o Grindcore mais barranqueiro). Ambos abordaram sobre política, racismo, injustiça social, imperialismo, etc. Enfim, temas da sociedade que são muito atribuídos só ao Punk e Hardcore. No Freejazz também repousa o grande princípio do Anarquismo que é ter liberdade para fazer o que se tem vontade e não prejudicar a liberdade, os direitos do próximo, e Socialismo, onde cada um contribui com uma parte para o bem do coletivo.
O título do post, é emprestado do texto de Billy Bob Hargus de Julho de 1996 para o web-zine Perfect Sound Forever. Billy fala da influência musical nas raízes do Punk, como a notória influência de Sun Ra, Coltrane e Freejazz nos grupos MC5 e Stooges, considerados pais do Punk ou bandas pré-Punks. E isso se estendeu na segunda geração, como o Black Flag, Minutemen, por exemplo. Clique no título do post que é um link para o texto de Billy Bob Hargus no web-zine Perfect Sound Forever.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Volcano Suns


Aqui vai um pouco de rock. O Volcano Suns é um trio formado pelo baterista original do Mission Of Burma, Peter Prescott, Bob Weston, baixista do grupo Shellac(Steve Albini, Big Black) e David Kleiler.
Clique no título do post que é um link para o site da gravadora 1/4 Stick/Touch and Go, onde se pode escutar a música do Volcano Suns.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Deixem o HipHop em paz!

Lembrei da mania brazuca no futebol. Tá cheio de técnico que tem a solução, a fórmula da vitória para seu time ou a seleção. Esse contingente numeroso de técnicos em potencial está em todos os lugares, nos bares, farmácias, filas de banco, etc. Enquanto isso, os times e a CBF gastando rios de dinheiro com salários absurdos para alguns técnicos que parecem almejar o estrelato como celebridade. Puxa vida, com tanto técnico "melhor" dando sopa no balcão de um boteco qualquer...
O achismo é um grande mal da humanidade, pois gera arrogância, equívoco, injustiça, etc. Nunca foi tão grande o crescimento do achismo como ultimamente. Falando especificamente na arte, na música. Sua parte jornalística, teórica, documental, decaiu vertiginosamente em termos de qualidade, seriedade. Tá cheio de "experts" por ai escrevendo e falando qualquer coisa. Estudiosos do Google, que não se dão ao trabalho de averiguar as fontes. Esses casos são lamentáveis mesmo, pois divulgam dados errados sobre muita coisa. Mas também tem outra categoria, dos que têm o mínimo de bom senso e pesquisam mais à fundo. Que escutam muita música para aprender sobre o assunto, aliado à livros, artigos de revistas especializadas, entrevistas, etc. Só que tem um porém nisso tudo. Nem tudo vai se aprender pelos caminhos teóricos e intelectuais. Muitas coisas precisam ser vividas, presenciadas, pois dizem à sentimentos. O envolvimento é que realmente vai mostrar e ensinar o sentido de muitas coisas na arte, na música. Como o HipHop é a bola da vez no consumo mundial, temos toda a sorte de pessoas ligadas ao assunto. Dos que sempre fizeram parte, que ajudaram a criar, dos bem intencionados que ajudam e participam, dos que lidam com isso apenas como consumo, sem envolvimento, dos oportunistas, bem ou mal intencionados, dos indiferentes. Por ser a bola da vez em termos de novidade para a juventude(pois o rock tem 4 décadas de vantagem), o HipHop tem sua importância em vários níveis e tipos. Roupas, comportamento e entretenimento. Mas também por ter nas origens muito cunho social e comunitário, vai além de conduta individual. Enfim, é um assunto amplo. O que me levou a escrever sobre o assunto foi o crescente número de artigos específicos sobre o Rap. Jornais, TV, revistas, internet. Pena que o que fica em evidência é justamente a parte menos proveitosa no sentido construtivo positivo. O que é chamado "mainstream" do Rap, que só existe de fato no exterior, propaga o consumismo, sexismo, vaidade e até crime e violência. Como o brasileiro tem dificuldade em filtrar as coisas que vêm de fora, acabamos presenciando pessoas que mal completaram seus estudos querendo por diamante no dente. Mas esta parte não é a que me causa mais indignação. O que é deprimente, é a classe média que se acha no direito de se apropriar de um conjunto de manifestações coletivas e artísticas, por se acharem melhores que a grande maioria da população carente. Tá cheio de músico, jornalista dando "aulinha" de cultura HipHop por ai. Tem músico que até gosta da parada, mas antes não dava o devido valor, tratava como coisa menor, por não ter instrumentistas. Agora que a parada dá grana e fama, chegam querendo pagar de autoridade. Os que são da ala jornalística, que arrogância! Uma analogia disso, por exemplo, quem é que realmente faz um bom pão, a pessoa que é filho de padeiro e aprendeu na prática desde pequeno, ou o aluno número um do curso de padaria do Senac? O grande problema é que esses jornalístas estão tão preocupados com a promoção de seus egos e pelos seus direitos de liberade de expressão, que acabam por contaminar as pessoas que estão em busca de informação e não possuem tantas ferramentas para tal. Eu já falei sobre o assunto por aqui, num post sobre o "rap underground". A classe média que consome cultura importou este termo para se diferenciar dos outros. Isso é que é nojento dessas pessoas, só querem estar com o povão na hora da festa, na hora da enchente e deslizamento,a maioria faz que não viu, que não conhece. Mais uma coisa que lembrei fazendo analogia com o futebol: imagine uma torcida de um time qualquer, tá todo mundo lá, um do lado do outro com a mesma camisa. Tem gente de todo tipo, o fanático, o violento, o que não olha o jogo, o que fica só escutando no rádinho, rico, pobre. Mas todo mundo trinca com o time. Já pensou se cada tipo resolve-se subdividir a torcida? "Nossa ala tem o grito de torcida melhor..." "Nossas bandeiras são melhores que a deles" "Aqui é só os jovens, pois véio não sabe torcer direito..." A torcida que faz a diferença para o time que está em campo, é aquela que é uma coisa só, que vibra em unissono e ecoa por todo o estádio.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Alice Coltrane

foto de Jeff Dunnas para Impulse records

Alice Coltrane faleceu nesta última sexta-feira dia 12 de Janeiro aos 69 anos por insuficiencia respiratória, em Los Angeles. Alice McLeod nasceu em Detroit no dia 27 de Agosto de 1937.
Sua mãe, Ann, cantava e tocava piano no coral de uma igreja batista. Tocou com Yussef Latif, Kenny Burrell e Terry Gibbs. Conhece John Coltrane em New York no ano de 1963. Em 1966 ingressa no conjunto de Coltrane, substituindo McCoy Tyner.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Ken Vandermark

Trecho do documentário "Musician" de Daniel Kraus, sobre o músico e compositor de Chicago, Ken Vandermark.

sábado, janeiro 06, 2007

Jazz no Brasil? Ih... não sei não...

Hoje em dia, com as facilidades tecnológicas, a conjuntura mundial, etc., não temos aquela defasagem colonial que durou até o fim dos anos 80. Sempre tivemos bons músicos, mas faltava material de estudo, ferramentas. Não sei o que acontece, mas aqui no Brasil, se tem o péssimo costume de importar cultura, hábitos, filosofias e fazermos à nossa maneira. É como montar um kit de aeromodelo sem ler o manual. Não que tudo tenha manual. Mas dificilmente se obtém o resultado esperado. As vezes acontece de aparecer um resultado positivo, se criando algo original que funciona bem. Mas muitos e muitos casos são de aberrações culturais que causam danos. É só lembrar dos grupos de jovens ligados à música, como Heavy Metal, Punk, HipHop, etc. Todos eles sem exceção distorceram seus princípios originais e vemos um cenário de muitos grupos fragmentados, competindo entre sí e obtendo poucos resultados, pois, já dizia o velho ditado, a união faz a força. Mas o que tudo isso tem haver com o Jazz no Brasil?
Devido a ingrata herança colonial neste país, a música em termos mais amplos foi confinada à uma elite arrogante e de certa forma ignorante. Criou-se uma falsa aura de sofisticação em torno do Jazz. Pessoas que simplesmente tinham dinheiro para comprar discos, livros e instrumentos, se tornaram autoridades no assunto. Meros colecionadores que não tem conhecimento suficiente escrevendo textos em jornais, revistas e até livros. O que temos hoje é um bizarro panorama onde predominam cantoras de música pop camufladas pela "sofisticação" do "Jazz". Um pouco fora dos holofotes, em pequenas casas noturnas, temos algo mais próximo do Jazz, mas um tanto mórbido. Músicos e apreciadores que determinaram o congelamento criogênico do chamado Jazz ao Hard Bop no máximo. A sua evolução natural apartir do fim dos anos 50 não é considerado Jazz. E ainda temos mais um caso, das chamadas bandas de Jazz tradicional, tão bizarras e artificiais como um pavilhão sobre a Amazônia no Epcot Center na Disney. Mas boa parte dos músicos brasileiros não tiveram escolha, estudaram em conservatórios musicais. Como o nome já diz, está alí para preservar. E o Jazz é bem diferente disso, convive com suas tradições criando algo novo sempre. O jazz diz muito mais à maneira que se faz música, não tem haver com um estilo musical que se encaixa num padrão. Quantas vezes ouví a bobagem de que se o músico não soubesse tocar Stella By Starlight, não saberia o que é o Jazz? Esta é uma canção popular norte americana, que os músicos resolveram tocar à sua maneira. Alí não reside a essência do chamado Jazz. Ornette Coleman é um ótimo exemplo do que quero dizer sobre a maneira de fazer música, de fazer Jazz. Mesmo com sua estética similar à música erudita de vanguarda, com o rock, mesmo com guitarras distorcidas de efeitos eletrônicos, com DJ's, sintetizadores, alì está presente suas raízes que repousam nas águas do Mississipi, das ruas de New Orleans, do Texas, sua terra natal. Quando o músico brasileiro entender isso de verdade, teremos boas surpresas por aqui. Como disse uma vez B.B. King, não é necessário trabalhar de escravo numa plantação de algodão para ter capacidade de fazer um Blues.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Ano Novo... sim, Ano Novo!

Enfim chega o ano de 2007. Muitas esperanças, metas, promessas de fazer regime, de melhorar, parar de fumar e beber, ganhar mais dinheiro, de um mundo melhor. Ficarei mais feliz se pelo menos metade destas metas se mantenham quando Agosto chegar, pois até lá, o duro cotidiano de São Paulo já terá judiado e testado a fé de muitos, após o carnaval. Na prática, é só mais uma convenção social, como as pessoas que falam "Deus me livre!" e nem acreditam nele. A pessoa que desejou muita paz em 2007, talvez em Março, esteja xingando alguém no trânsito ou desejando a pena de morte porquê foi assaltada. Assistindo a tv outro dia, pouco antes do Natal, um rapaz perguntou com certa indignação sobre a hipocrisia de muitas pessoas, que passam o ano inteiro brigando e mau tratando uns aos outros e depois, se reunem nas festas de fim de ano, todos amáveis. Eu também tinha esta indignação, até escutar sabias palavras à respeito disso. Ainda bem que pelo menos uma vez por ano essas pessoas fazem isso, imagine se fosse o ano inteiro de negatividade! E quem sabe alguém acaba mudando sua conduta e se torne uma pessoa melhor? Este ano de 2006 terminou tranquilamente para mim, em casa, com meu pai e meu irmão, assistindo os Blues Brothers pela enésima vez e com muito sono no final, pois às 7h da manhã do último dia do ano, já estava de pé. Não ví a contagem regressiva, queima de fogos, só o barulho deles embalando meu sono. O meu Reveillon já havia acontecido. Não, não foi Ano novo Chinês, Árabe ou Judaico. Já no início do último mês de 2006, já tinha tomado decisões importantes em minha vida. Não esperei as simbologias e convenções sociais para tomar atitude. Sabemos que muitas metas e promessas se vão como as bolhas do champagne e os fogos de artifício. Mas não percamos a nossa esperança, se uma pessoa manter suas metas positivas e coletivas até o fim deste ano, já é uma vitória. Desejo de coração que todos tenham um ano de boas novidades e alegria em suas vidas, que o espírito de coletividade, amizade e benevolência esteja cada vez mais presente.

domingo, dezembro 17, 2006

Apocalipse 2006

Não, nada haver com a besta de 7 cabeças, trombetas e o fim dos tempos. O título do post apenas pelo significado da palavra: revelação. Sim, este ano que se encerra foi de muitas revelações.
Nada de misticismos, mas muitas questões práticas do mundo social do ser humano. O ano de 2006 marca o fim de um longo período de estudos específicos, de análises, experiências e transição.
Entre 2004 e 2006, foi um período em que voltei a prestar mais atenção ao que acontecia em termos de novidades no universo musical em termos mais comerciais, seja no âmbito mais popular, seja nos guetos culturais. Enquanto as más línguas decretavam a minha "insanidade" e isolamento no estranho mundo do "freejazz", observava atentamente o cotidiano, enquanto apurava meu aprendizado. Sim, tivemos grandes mudanças, a música para dançar imperou em muitos setores sociais. Muitos decretaram a morte da música orgânica, sendo que irônicamente os criadores da música eletrônica foram buscar inspiração no malhado Rock'n'Roll e seus derivados. Um fato bem peculiar foi a migração da classe média para costumes ditos do povão. Pessoas que antes queriam se diferenciar da massa, agora em festas de rua, como as de dub que proliferaram na zona centro-oeste de SP. O Ragamuffin, quando surgiu, foi ignorado e banido dos meios descolados da juventude paulista. Hoje é muito "cool". O caso do HipHop é o mais notório, à ponto da classe média querer usurpar o "direito" legítimo de propriedade. Como aconteceu com o samba, o choro, forró entre outros.
Em contrapartida, a juventude popular redescobriu coisas que a elite já não mais se interessava. Graças a Internet e barateamento da tecnologia, quebrou-se a muralha de exclusão econômica, onde só tinha informação contemporânea com o resto do mundo, se tivesse grana para comprar revistas, zines, cd's importados ou viajar para o exterior. Também houve uma grande onda de saudosismo, seja de décadas passadas, estilos, bandas, tendências. É só conferir o grande número de bandas do passado que voltaram à ativa, seja qual for o motivo. Ah, quase me esquecí, quem diria que um dos últimos focos de resistência do consumismo iria parar nas prateleiras de megastores e vinhetas de novela? Sim, o dito "hardcore" agora é ítem de consumo.
Mas na questão das ditas novidades, tenho que recorrer a desgastada analogia com os produtos do fast food. Tudo é muito atrativo, aromas artificiais instigam nosso apetite, muito apelo visual, propagandas agressivas, etc. Daí você consome e 1 hora depois já está com fome. Nem parece que comeu um sanduíche de dois andares, uma generosa porção de batatas e meio litro de refrigerante. Foi a sensação que tive com o tal drum'n'bass, grime, neo-electro, disco-punk, post-rock e muitos ítens que surgiram neste início de século XXI. Mas isso não é novidade, pois mudam-se o cenário e alguns atores e diretores, mas o texto continua o mesmo.
Me lembro dos primeiros posts deste simplório blog, nos quais eu quis questionar as versões oficiais do mundo artístico. E isso chegou a gerar problemas, à ponto de receber atitudes nada amistosas, desde "amigos" que viraram as costas até coisas de baixo nível. Então o que me foi revelado é desejar o melhor justamente para quem me destrata, sem ironias, de coração mesmo. Não estou tentando parecer bonzinho perante a vista dos humanos, pois Deus conhece meu coração. Que essas pessoas que conhecí e que não conheço, encontrem o que procuram em suas vidas e sejam realmente felizes.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Outra vez a morte da tal da "Arte"...

Da mesma forma que a fatídica frase decreta o óbito do Rock'n'Roll, temos o equivalente na arte em geral. Terminamos mais um ano nesta capital brazuca com aspirações de metrópole cosmopolita. Mas São Paulo na verdade parece mais um imundo burgo europeu pós idade média, sem saneamento básico, ratos pelas ruas juntos com lixo e esgoto à céu aberto. O pior é a mentalidade paulistana, sobretudo da elite e classe média, uma horda de pessoas que não têm cacife para serem do "primeiro mundo". Tudo é estritamente superficial, onde agora brota um contingente de enólogos, baristas, jazzófilos etc e etc. Só que é tudo meia boca, como são os "alfajores" vendidos por ai, como o "yakissoba" de rua, a "esfiha" do Habib's... Ultimamente a nova palhaçada burguesa paulistana, é querer ser simples, frequentar "botecos", comer petiscos, curtir um samba de raiz, comer pastel de bacalhau e sanduíche de mortadela no mercado municipal. Ora, e o que isso tudo tem haver com a suposta morte da arte? Quase tudo! Os setores da sociedade que deveriam alavancar a produção artística, estimular, quando tem condições para isso, simplesmente fecham os olhos para a realidade e se trancam em seus feudos feitos de ego, vaidade e é claro, ignorância. Muitos talentos ficam à margem das mínimas condições dignas de existirem como artístas enquanto os herdeiros da burguesia brincam de serem artístas, nos presenteando com uma penca de trabalhos inexpressivos, desprovidos de talento, mas com uma ótima estrutura material, estética. É a maioria avassaladora que está em evidência na mídia especializada. Mas e a tal da morte anunciada da arte? Ela vai sobreviver, com roupas baratas, se alimentando de churrasco grego, "dogão" à R$1,00, aproveitando a baldeação do bilhete único.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Dewey Redman - Tarik

Independente do fato que o selo BYG/Actuel lucrar às custas dos artístas, não pagar direitos autorais e até ameaçar com violência Steve Lacy e Sunny Murray, a coleção Actuel é de valor artístico inestimável. Aqui temos a capa de um grande disco de Dewey, Tarik, gravado em 01/10/1969 em Paris.
É um trio que conta com Malachi Favors no baixo e Ed Blackwell na bateria. Bem, a música fala por sí só. Então eu coloquei um link para o site da Amazon onde é possível ouvir as músicas deste maravilhoso trabalho. Clique no título do post para o link

domingo, novembro 12, 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

My Name Is Albert Ayler

Em breve estará disponível em DVD o documentário do cineasta sueco Kasper Collin sobre Albert Ayler de 2005. O filme contém detalhados depoimentos do pai de Ayler, Edward Ayler, e de seu irmão, Donald Ayler. Também as únicas e raríssimas imagens do conjunto de Ayler filmadas na França e Suécia. Clique no título do post que é um link para o site oficial do documentário.

quinta-feira, novembro 02, 2006

VAIDADE

Vaidade. S. f. 1. Qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro. 2. Desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens. 3. V. vanglória. 4. Presunção, fatuidade. 5. Coisa fútil ou insignificante; frivolidade, futilidade, tolice.
Vaidoso (ô). Adj. Que tem ou denota vaidade; presunçoso, jactancioso, fátuo, vão.
Vanglória. S. f. Presunção infundada; jactância, bazófia, vaidade. (Cf. vangloria, do v. vangloriar)
Vangloriar. V. t. d. 1. Inspirar vanglória ou desvanecimento a; tornar vaidoso; envaidecer, desvanecer. P. 2. Tornar-se vaidoso; ufanar-se em demasia e/ou sem razão; envaidecer-se, desvanecer-se (Pres. ind.: vanglorio, vanglorias, vangloria, etc. Cf. vanglória, s. f. e Vanglória, top.)

segunda-feira, outubro 30, 2006

Maestro Rogério Duprat

Bem, a mídia nacional e internacional prestam suas homenagens ao maestro que foi elemento fundamental na estrutura musical da chamada Tropicália. Seguem-se os depoimentos de célebres artístas que foram afortunados com os arranjos do maestro. Mas novamente a história se repete. Só após o seu falecimento é que recebeu atenção digna, como a maioria que parte desta pra melhor. Outro maestro, o Moacir Santos teve a sorte de ser homenageado ainda em vida. Mas é provável que se ele não estivesse no exterior, sua situação seria diferente, de descaso até. O caso de Duprat foi clássico, pois o maestro não gozava lá de muito prestígio nestas últimas décadas, enquanto artístas que praticamente dependeram de Duprat para serem o sucesso que são hoje, vivem uma vida de luxo enquanto o grande maestro levava uma vida quase anônima e austéra. Talvez por opção do próprio? Pouco provável. Agora adianta o "pessoal" ficar lamentando, escrevendo sobre esta perda? Duprat já estava perdido e quase esquecido à tempos.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Os fariseus e os documentários

"Your worst enemy could be your best friend..." Este dito popular que Bob Marley cita, continua valendo. A coisa mais fácil de se fazer é repudiar o errado, o mal, quando ele é evidente, explícito. Seja o Bush, Hitler e etc.
Tem um fato que poucas pessoas reparam ou comentam: os aliados da segunda guerra liderados pelos EUA e Inglaterra também fizeram das suas. Não é o mesmo grau de crueldade dos nazistas que intensificaram o extermínio de judeus e minorias mesmo com sua evidente derrota, terem lançado 2 bombas atômicas no Japão mesmo com sua rendição? Não vou prolongar esta parte porquê a lista de incursões do tio Sam por ai afora é notória.
O que reparei nestes últimos anos, foi o crescimento de documentários sobre a situação humilhante das minorias, da maioria pobre, etc. Tá, são documentários bem produzidos, realmente denunciam um país que existe de verdade, longe dos noticiários de grandes emissoras de TV e jornais de grande circulação.
Mas pra que serve isso na questão prática? Pra nada? Também não. Aí é vêm a parte que me enoja. Na maioria dos casos, esses documentários é feita por filhos da burguesia, classe média com consciência pesada, que não tem assunto realmente interessante e de impacto para dizer algo. Aí eles masturbam seus egos sentindo que com seus "documentários denúncia", estão fazendo a sua parte como cidadãos...
Pro inferno com isso! Captam verba pública direta ou indiretamente(pois se a verba vêm de empresas, isso será descontando dos impostos), vivem suas fantasias de cineastas e ganham prestígio com a exibição nos seus respectivos feudos. Geralmente esses documentários só passam em salas de cinema especiais que a maioria da população não terá dinheiro pra pagar o ingresso. E o público na sua maioria, são pessoas que nada farão à respeito das injustiças documentadas, que só terão vistas para detalhes técnicos e estéticos do filme. Geralmente as festas de estréia são em lugares luxuosos com portaria selecionada, regadas de vinho caro, queijo importado e etc. Se tiver alguma pessoa que foi documentada, será exibida como uma atração circense. Claro que toda a equipe ou parte dela nunca mais mais visitará o local que eles parasitaram para promover a sua "arte". Talvez no máximo voltem com uma telinha vagabunda pra mostrar aos nativos "como ficou bonito". E depois? Adiantou alguma coisa? Não está tudo a mesma porcaria? "Ah, mas nós fizemos a nossa parte denunciando algo que estava longe da vista das pessoas. E depois isso é uma obrigação do governo." Irônico é a questão: mas não foram vocês que elegeram o tal governo? Quantos vão a câmara averiguar os projetos e propostas de eleição? Quantos vão lá no Congresso cobrar o prometido. O que a maioria faz é ir em algum orgão público de cultura para sugar mais dinheiro para fazer mais desses "documentários denúncia".

domingo, outubro 15, 2006

Improvisação em SP


Dia 19 de Outubro, quinta feira, às 21h no MIS(Museu da Imagem e do Som), na av Europa #158, bairro dos Jardins. Ingresso: R$ 6 (R$ 3 meia entrada).Marcio Mattos se apresenta com o grupo Abaetetuba, formado por Antonio "Panda" Gianfratti na percussão, Rodrigo "Kouve" Montoya no violão e shamisen, Renato "Meganha" Ferreira no contrabaixo acústico, saxofone e clarinete e Luiz Gabriel Gubeissi na voz. Thomas Rohrer, saxofone soprano e rabeca, faz participação neste concerto de improvisação livre.

domingo, outubro 08, 2006

Melvins e Shirley Temple

Hahaha! Que estranha conexão! Esses dias, aproveitando as maravilhas do sistema rapidshare, fiz download do terceiro disco do Melvins, o "Ozma" de 1989. Nem imagimava a ligação com o Nirvana, que na época, havia acabado de lançar o "Bleach" pela SubPop. Então descobrí como o mundo é pequeno, o baixista original do Mudhoney, Matt Lukin, gravou no primeiro disco do Melvins. Me interessei pelo Melvins, pois tinha escutado uma coletânea da gravadora Boner, onde havia bandas de hardcore que gostava, o Fearless Iranians From Hell e Boneless Ones. Como falavam metaforicamente sobre o som pesado da banda, me interessei e comprei pelo correio o único album disponível, o "Bullhead". Nossa, que som pesado, letárgico! E o Nirvana de começo, tinha uma considerável influência do som de King Buzzo(cabelo bunito!). Aproveitando o lapso de 15 anos até conseguir finalmente o "Ozma", comecei a pesquisar o paradeiro do Melvins. Encontrei alguns sites e os discos que mais gosto, eram com a baixista Lorax, que chegou até gravar algumas faixas do disco "Houdini" que projetou o Melvins em maior escala. Esse disco já era diferente do início, puxando mais a influência do Kiss. Aí eu fui querer saber da Lorax. Foi então que descobrí que Lori "Lorax" Black, é filha de Shirley Temple! Umas das mais famosas artistas infantis de Hollywood, que iniciou sua carreira nos anos 30. Chegou a ser personagem desenhada em produções da Disney. Inclusive me lembro de um episódio do desenho do Pato Donald, em que o pato é um caçador de autógrafos que tenta de todas as maneiras entrar no estúdio de TV para conseguir aumentar sua coleção. E lá ele contracena com Shirley Temple, transformada em desenho animado. Clique no título do post para o site do Melvins

quinta-feira, outubro 05, 2006

Ivo Perelman no programa do jô

Quem pôde assistir na última segunda-feira dia 2 de outubro, o programa do jô, presenciou um breve momento da música livre. Ivo Perelman se apresentou com os músicos Antonio "Panda" Gianfratti e Jimmy nos sets de percussão. Foi uma performance didática, com a versão de Escravos de Jó, velha conhecida do repertório de Ivo e de nossa infância. Na comunidade do orkut houve uma discussão sobre isso. Falei que o jô não gosta deste tipo de música e por isso foi tão curto, não teve entrevista. O resto do programa foi com a chatice do livro sobre um boêmio qualquer do Rio que a irmã estava lançando. E do ator Otávio Augusto, que até é bacana, mas tô a pampa desse rolê. Ai se vê a apatia classe média. Disseram que foi positivo a pequena brecha dada a improvisação na tv de merda com um símbolo redondo. É se contentar com pouco mesmo, tipo uma esmola. Só o fato do Ivo ter tocado com um mundo de grandes artístas lá fora, inclusive o baterista Rashied Ali que tocou nos últimos anos de John Coltrane, já valeria uma entrevista, sem contar com suas qualidades como músico, pintor e como pessoa! Me disseram que o jô é assim mesmo, gosta de brincar, fazer ironias... É assim mesmo que nada! É esse tipo de pensamento que torna possível as piadinhas racistas. O estilo de vida daquele apresentador é um ataque à população de baixa renda. Depois falaram que o Ivo alfinetou a platéia com seu "free". Que papo é esse? O Ivo não tá nessas bobagens, muito pelo contrário, ele fez de um jeito muito didático, pois sabe como é obscuro o cenário de improvisação no mundo. Sabe que não é lucrativo se fechar num gueto, que dá para criar um meio termo, sem se vender e abrir mão de sua arte. Bem, a música fala por si só. Clique no título do post que é o link para assistir o Ivo no programa de tv

segunda-feira, outubro 02, 2006

Um momento para indignação

Num momento crucial de um país, uma generosa fatia das regiões sudeste e sul do Brasil mostra sua postura burguesa nas urnas eleitorais. É isso ae paulistada classe mérdia e ricaços! Acabem com o meio ambiente com seus projetos imobiliários pela cidade, se fechem em condomínios fechados e carros blindados. Vivam com o medo de serem assaltados ou sequestrados! Respirarão o mesmo ar podre que o resto da população pobre respira. E não adianta fugir, pois os cretinos que vocês veneram, estão cuidando de liquidar com o eco-sistema global.

sábado, setembro 23, 2006

Ivo Perelman em SP

Em tempo: Nesta segunda-feira, dia 25 de Setembro, o músico, compositor e pintor brasileiro Ivo Perelman se apresenta com o violoncelista holandês Ernst Reijseger no Tom Jazz. Uma rara chance de apreciar música livre intensa por aqui. Espero ter mais oportunidade de prestigiar seu trabalho. Além de ser um grande músico e compositor, é um ótimo pintor. E além de tudo isso, é um cara muito gente boa o qual tive o prazer de conhecer pessoalmente. Para obter mais informações sobre o Ivo, é só acessar o seu site e para saber mais sobre a apresentação, acesse a sua comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3974744

Tom Jazz
Av. Angélica, 2331, Higienópolis, tel.: 3255 3655

Clique no título do post que é o link para o site oficial de Ivo Perelman

sexta-feira, setembro 22, 2006

Freejazz, pintura e criançada

Bom, na última quarta-feira, dia 20, fui ensaiar com o grupo de improvisação que participo. Meus amigos Ana e Kazi, respectivamente trompete, cornet, flügelhorn e saxofone tenor e clarinete em Bb. Cerca de um mês atrás, meu velho amigo Léo ingressou no conjunto com saxofone tenor e flauta. Ana não pode comparecer ao ensaio no estúdio por conta de viagem à trabalho. Então o Léo chamou um trompetista que é amigo dele, o Leandro. Foi muito bom o ensaio, seguindo a minha proposta inicial, de improvisação total, muita intensidade sonora e uma ótima integração com o Leandro.
Outro fator diferencial, foi o horário, pois avançamos até 1:20h da manhã por conta do remanejamento de horários no estúdio. Nada demais se não fosse a nobre tarefa que me comprometí a realizar às 6:30h da manhã no dia seguinte! E pra ajudar, ainda tomei um chá com o Léo e ficamos conversando no café até quase 3:00h da manhã! Ou seja, o galo canta e eu, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz de sono...
O que fazer? Descançar um pouco e me preparar para o batente. Meu amigo Cassiano, me propôs a participar da semana de artes da escola na qual ele leciona. Ele preparou o terreno para a criançada formada de pré-adolescentes, onde eu e ele falaríamos sobre a analogia do freejazz e a pintura, especificamente da action painting e dripping de Jackson Pollock.
Então logo de manhã, Cláudia, minha amiga e esposa de Cassiano passam em minha casa para me buscar. Separei capas de discos do Ornette Coleman, Ivo Perelman, capas da gravadora ECM, alguns DVD's para auxiliar o trabalho e, parte de minha bateria! Sim, a proposta era eu tocar enquanto a criançada pintava. Chegamos em Cotia, município de SP, onde se localiza a escola, num ambiente muito agradável, esquema sítio. Cassiano começou falando mais da pintura abstrata, preparando o terreno para a analogia com a música, falando da influência e amizade entre músicos e pintores, poetas, artístas em geral. Falei de como essa integração vai além das capas de disco, que músicos também pintavam e até faziam as próprias capas de disco, como Peter Brötzmann e Ivo Perelman, da ligação entre a abstração visual e a sonora. Incrível como a criançada escutou atentamente sobre o assunto. Um grande momento, passei um video do baterista holandês, o Han Bennink, onde ele improvisa sozinho com parte de um kit de bateria, caixa de papelão e outras quinquilharias e instrumentos. O véio que tocou com Eric Dolphy e The Ex é bem loco "joe", mostrando sua casa, suas pinturas desenhos e esculturas. A criançada adorou, assistindo com silencio e atenção! E o Bennink ajudou muito, pois é um cara muito divertido e hilário. Depois colocamos placas de papelão no chão, tinta acrílica de parede, pigmentos líquidos, pincéis e copos plásticos. Montei meu set que dispunha de um bumbo, caixa, prato e chimbal, o qual tinha esquecido a presilha e não poderia acionar o mecanismo dele. Mostrei pra eles o procedimento, furando o copo com tinta, como Pollock, e como usar os pincéis. Falei pra eles que enquanto eu estivesse tocando, eles pintariam de acordo com o som, o rítmo. Se dividiram em quatro grupos, respectivamente as quatro placas usadas como suporte da pintura. Praticamente eu pintei com a bateria e eles tocaram com as tintas. Foi muito divertido, eu fazendo uma barulheira e a criançada mandando ver nas tintas! No final, todo mundo sujo de tinta e quatro pinturas que ficaram muito bonitas(Espero poder postar as fotos das pinturas em breve).
Outra parada que foi muito bem, é que a criançada teve um contato real com as artes, com o freejazz de um jeito mais natural, não como uma chata conversa de jazzófilos e pseudo-intelectuais. Eles estavam receptivos e tiraram de letra. E mais uma vez a bela história se repete, fui ensinar uma coisa e acabei aprendendo outras... que alegria!

sexta-feira, setembro 15, 2006

A arte de Don Van Vliet


Don Van Vilet é um grande pintor como podem conferir nas fotos de algumas de suas obras. A primeira se chama "Lion Coloured Fish" da coleção de 1991 e a outra, "Tigerboat" de 1987. Não vou comentar sua obra em termos técnicos e analíticos, pois a arte fala por sí só. É só o simples ato de apreciar o que se vê. Don Van Vliet pode ser um nome não muito popular, mas é um velho conhecido no universo musical, se trata do nosso amigo Captain Beefheart, célebre pela associação com Frank Zappa nos discos "Hot Rats" de 1969 onde canta na faixa "Willie the pimp", o famoso "Bongo Fury" de 1975, no disco "Zoot Allures" de 1975, tocando gaita na faixa "Find her finer", no disco "One size fits all" de 1975 sob o nome de Bloodshot Rollin' Red na faixa "San Ber'dino" e seu famoso disco, o "Trout Mask Replica" de 1969, aquele com a capa que tem um estranho fita com cara de peixe.
Clique no título do post que é um link para o site oficial do Captain Beefheart
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domingo, setembro 03, 2006

Dewey Redman 1931-2006


A música acaba de perder mais um grandioso artísta. Dewey Redman faleceu neste sábado dia 2 de Setembro aos 75 anos em decorrência de problemas no fígado.
Cresceu em Ft. Worth, Texas nos anos 30. Iniciou-se no trompete mas logo mudou para o clarinete com 13 anos. Tocou na mesma banda de colégio que Ornette Coleman. Em 1959 mudou-se para Califórnia, onde trabalhou com Pharoah Sanders e Wes Montgomery. Em meados dos anos 60, se mudou para New York onde reencontrou seu velho colega de escola, Ornette. Dewey tinha um talento especial de se adaptar a uma grande variedade de estilos, tocando com Don Cherry, Ed Blackwell e Charlie Haden no grupo Old and New Dreams, Carlay Bley, Liberation Orchestra, Pat Metheny e seus próprios conjuntos.
Dewey nos deixa um legado musical de rara beleza, como sua colaboração na obra de Ornette, na Liberation Orchestra, nas gravações com Keith Jarret, Old and New Dreams, Ed Blackwell Trio, etc. Costumava a se auto denominar um "sobrevivente": Sobreviveu aos críticos na época do chamado "avant-garde", um câncer na próstata nos anos 90.
Frases de Redman: "Eu gosto de pensar que sou original, que tenho meu som característico. Isso não é fácil e tenho trabalhado nisso por muitos anos. Mas eu gosto de pensar que meu som parace com Dewey Redman". "A primeira coisa que busco alcançar quando toco, é o som. Técnica, talvez, mas a técnica está no som". Aqui fica minha humilde homenagem a este grande artísta, muito obrigado por ter nos presenteado com sua arte Dewey Redman.

segunda-feira, agosto 28, 2006

O underground paulista sempre adorou MPB... tá bom

Depois que a indústria abandonou a barca furada do Grunge, deixando à deriva o contingente de sonhos do underground paulista, ocorreu a migração para outras terras, seja o Rap, Reggae, Jazz, Hardcore, etc e a MPB. É sempre saudável quando o colapso de uma sensação acarreta um amadurecimento ou coisa parecida. Mas é engraçado ouvir dos meus contemporâneos, essa valorização repentina da MPB. Num passado nem um pouco distante, tinha gente que achava que se eu estivesse curtindo MPB, me transformaria num bicho-grilo vendedor de artesanato. Parte de uma geração que cresceu na década de 80 sem o menor apego a arte nacional, influenciada pela mídia que bombardeou a juventude com basicamente rock estrangeiro. Até aí tudo bem, liberdade de expressão e é um saco os nacionalistas de ocasião. Agora é muito fácil dizer que sempre curtiu MPB. O exemplo mais básico, é de novos artístas que dizem sempre ter curtido MPB, seja nos velhos discos dos pais, que ouviam Cartola pra ninar, etc.
Poderia até ser visto de um ângulo positivo esse tardio resgate de valores, mas no geral, isso não é nada bom. Pois o que temos é uma jovem elite cultural ditando regras e se apropriando do que não lhes pertence. E ainda por cima essa elite decide o que é bom e o que é "real". Então de uma hora pra outra, decidem que Jorge Aragão, Fundo de Quintal e Raça Negra, não é samba de verdade(?!), que samba de verdade é igual da velha guarda da Portela e blá, blá, blá... Outros(turminha do samba-rock), dizem que samba paulista não existe!(então de onde era o Geraldo Filme, Adoniran e Germano Mathias?).
Mas pra que brigar por isso não é? Justo agora que tá tudo lindo, na santa paz, todo mundo nasce com o privilégio de curtir música boa. Que geração abençoada a qual pertenço, ninguém curtiu produtos de mercado de qualidade duvidosa, como White Zombie, Lenny Kravitz, Jamiroquai...
Engraçado que se 10 anos atrás eu falasse bem do Caetano Veloso, minha masculinidade seria colocada em dúvida...

quarta-feira, agosto 09, 2006

A revolução não será televisionada simplesmente porque ela não ocorreu

No saldo geral, a geração da dita contra-cultura, que praguejou contra a "alienação" hippie, a indiferença e pessimismo da "geração X", também deu com os burros n'água.
Ao analisar alguns segmentos mais representativos em contingente juvenil, é fácil detectar como seus ideais de origem, perderam sua força de ação, ironicamente, de atitude. Claro que existem os minúsculos focos de resistência, que por romantismo, não abrem mão dos ideais coletivos, mesmo que custando caro para suas vidas particulares. Agora a grande maioria, não vai adimitir que está mergulhada na filosofia neo-liberal, do não me venha contar seus problemas, que está na busca alucinada por conforto material, e isso não quer dizer o desejo por Audi's A3, bolsas Louis Vuitton, tv de plasma, i-pod's. Pois os que almejam ítens assim, já nasceram corrompidos, tem nojo dos pobres, etc e etc.
O caso mais grave é dos indivíduos que se apossaram dos ideais derivados do anarquismo e socialismo, que se julgam "cidadãos conscientes", simplesmente por conhecer bandas estrangeiras de contra-cultura, fanzines e revistas, serem ecológicamente corretos(sendo que boa parte possui automóvel), boicotarem o McDonald's, e outras coisas menores. O que adianta um belo discurso inflamado num bar da rua Augusta ou Vila Madalena, ou numa casa noturna ou chopperia do Sesc, se no dia seguinte, o indivíduo falta com ética e solidariedade à seus próximos, inclusive os ditos amigos?
" Cada um com seus problemas". Pois é, uma frase pra lá de constante no unido underground paulista. Uma associação de 12 donas de casa tem muito mais poder de ação e união do que uma multidão de jovens que se dizem adimiradores de Che Guevara.
Uma coisa a ser reparada, é que as pessoas que tem condições de ajudar, só ajudam se tiver tempo ocioso para gastar ou que a ajuda não cause despesas. E ainda por cima usam a situação para promover mérito pessoal e aliviar um pouco a consciência. É, todo mundo quer ser herói de HQ, com super poderes, uma bela garota e final feliz. Mas quem quer ser herói de verdade? No sentido da mitologia grega, onde o herói tem que estar preparado para o sacrifício supremo.
Bem, mas voltando ao título do post, não haverá revolução, pelo menos por um tempo, até a próxima geração ter autonomia de ação civil e mudar este quadro, pois as gerações anteriores, a mais recente com indivíduos orbitando na faixa etária de 20 à 30 anos aproximadamente, está nesta busca do "El dorado" de consumo, seja DVD do Fela, Minutemen, livro do Noam Chomsky, etc.
 
 
Studio Ghibli Brasil