Informação sobre arte e cultura (About art and culture info with a personal point of view)
*Por se tratar de um weblog pessoal, as opiniões emitidas são apenas uma visão estritamente particular de cada assunto abordado, sem a pretensão de ser documento jornalistico oficial.
Não, definitivamente não me importo com o esporte que chega a dominar a vida de muitos brasileiros. Mas também não me dedico ao ataque contrário ao mundo do futebol, pois o tempo é curto. À cerca de uma semana, por acaso assistí um programa sobre futebol na tv aberta onde um ex-jogador muito famoso falava sobre o destino dos jogadores que encerravam suas carreiras e também os seus testemunhos de vida enquanto estavam em evidência, no curto período de "estrelato". O ex-jogador é conhecido como o "doutor", ou seja, Sócrates. Também se faziam presentes outros dois jogadores famosos, como o Müller e outro que não me recordo o nome, mas que atuaram nos gramados no fim dos anos 80. Ontem também assistí outra matéria sobre o assunto, com uma matéria sobre o jogador Ezequiel(nome de profeta israelita), que passa por um momento extremamente difícil de sua vida e se não me falha a memória, seu filho está na prisão. Ezequiel jogou no Corinthians e já foi aclamado pela grande torcida, mas agora está jogando no time do esquecimento e miséria. Parece que os exemplos do passado não serviram de exemplo, talvez porque muitos se iludam com o volume espantoso de dinheiro que agora circula no mundo do futebol. Nunca se viu falar em milhões de dolares como se fala hoje em dia, passes de jugadores que chegam a ultrapassar orçamentos de pequenas cidades brasileiras. Jogadores que são contratados por times no Oriente Médio e recebem mansões como moradia, carros caríssimos, além de salários que despertam inveja de muitos políticos brasileiros, que precisam fazer de forma ilegal para tentar se equiparar. No programa deste domingo que passou, o assunto era o mesmo da semana passada, com outros ex-jogadores que se tornaram técnicos de futebol, o que é exceção. Não é todo jogador que tem talento para isso e também não são todos que se preparam para isso. A carreira de um jogador de futebol é curta e se ele não se preparar para a breve aposentadoria, terá o mesmo destino de Ezequiel e tantos outros. Mas é óbvio que a maioria das pessoas, principalmente os que gostam de futebol, vão colocar a culpa nos clubes, no governo deste país que não dá a a retaguarda aos seus ídolos dos gramados, depois que eles encerram carreira. Em parte, o governo tem culpa, mas isso não é só para jogadores de futebol, e sim para qualquer trabalhador deste país, vide o caso sem fim dos aposentados. Os clubes são empresas, acabou o tempo de serviço, os devidos direitos trabalhistas são recebidos, adeus e boa sorte. Os clubes não tem que ficar sustentando estes ex-jogadores, esta coisa de que o clube deve o talento que o jogador prestou ao time, não é verdade, pois o jogador recebeu seu salário. Se ele não pensou no futuro, gastou toda sua renda em baladas, carros importados e não se preparou para outra atividade profissional enquanto podia contar com o respaldo do futebol, que suporte as consequências de seus atos. Veja o caso do Romário. E o que isso tem haver com a cultura? Tudo. Aqui no Brasil o futebol obviamente ultrapassa os muros dos estádios e telas de tv e faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, chegando a ocupar 100% de suas vidas. E como diz a letra de uma música bem conhecida, quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Uma multidão de crianças sonham em ser o próximo "fenômeno" da seleção brasileira, mas menos de 1% chegarão lá. Infelizmente uma parcela considerável desenvolverá a habilidade de catar latas de alumínio, pedir esmola no cruzamento das ruas ou o pior, habilidade de embalar capsulas de cocaína e manejar uma metralhadora AR-15. Aí entra a declaração de Sócrates no programa de tv. Por conta da degradação educacional que começa na família, a cultura é negligenciada e não estou falando de coisas menores e sem importância, como alguém conhecer a obra de Stockhausen e Rothko. A cultura da ostentação material, a cultura do consumo tomou o lugar da maioria dos jogadores de futebol. Poucos se importam em obter conhecimento, cultura e consequentemente, sabedoria. Não precisa estudar, basta jogar bola e ser contratado por um time europeu e ficar rico. Mas mesmo que isso aconteça, se não houver sabedoria, a fortuna se vai num piscar de olhos. Sócrates fala da responsabilidade que o jogador de futebol deveria ter para uma nação que respira futebol, como eles servem de exemplo para milhares de futuros cidadãos e trabalhadores brasileiros. Milhares de crianças do Brasil querem ser como seus ídolos dos gramados. E o exemplo não está só no drible desconcertante e no gol de placa, mas também está nas declarações à imprensa, com a dificuldade de expressão devido a baixa escolaridade, a ostentação material por conta do nível educacional e cultural que gere a meta de vida do jogador. Sem contar com certas condutas questionáveis, como problemas na justiça por dividas, falta de pagamento de pensão alimentícia, paternidades não assumidas, homicídios culposos por conduzir veículos em estado de embriaguez, atos de vandalismo, brigas, etc. Olha, o futuro deste país economicamente falando, se projeta para um resultado razoável, levando em conta a precariedade da estrutura social. Todos terão seu celular de última geração, mas para assistir "pegadinhas" no Youtube. Todos terão tv de plasma ultra slim, mas para assistir Faustão ou Gugu...
Neste última quarta-feira o baterista Rashied Ali faleceu aos 74 anos de idade após uma parada cardíaca, em Manhattan, New York. Rasheid Ali se tornou conhecido como o baterista de John Coltrane em sua chamada última fase, a mais radical. Este período foi de 1965 até a morte de Trane em 1967. Rashied coompartilhou a sessão rítmica de Trane ao lado de Elvin Jones na gravação do disco Meditations (1965) e depois substituiu Elvin definitivamente até 1967. Seu estilo se encaixou às novas idéias de Trane, que se aprofundavam numa dimensão mais ampla. Rashied teve grande influência de Sunny Murray no estilo mais livre, no conceito de Free Jazz de abandono da rigidez de condução rítmica, harmônica. Também era irmão de Muhammad Ali, grande baterista do Free Jazz, que tocou com Frank Wright, Albert Ayler, etc. Rashied também tocou com inúmeros músicos, como John Zorn, Charles Gayle, Marilyn Crispell, Bill Laswell, Alice Coltrane, Henry Grimes, etc.
The destiny of Tomoe Shiro, a formidable racer with a very promising career, experiments an U-turn when a serious accident puts his life at stake. He recovers miraculously, though, when his heart is replaced with the engine of his own racing car. However, because of that very reason, race regulations demote him to the category of a mere mechanical part of the vehicle and is deprived from the right to participate as a pilot in regular races. Only in a far away colonial planet, along with a multitude of other charismatic pilots also vetoed from participating in regular competitions, he will be given the opportunity to race for his pride and the money of the prize. And so this exciting rally starts!
Filme produzido pelo estudio de animação japonês Production I.G., escrito e dirigido por Mamoru Oshii, usando uma técnica chamada de "Superlivemation", que consiste na animação digital de personagens como bonecos de papel e cenários baseados em fotografias reais. Foram mais de 30 mil fotografias processadas 20 vezes para chegar ao resultado final. Oshii trabalhou em muitos filmes, como Patlabor 01 e 02, Ghost In The Shell 01 e 02, Sky Crawlers, etc. Production I.G.
Ah, o mr. T, também conhecido como B.A. do seriado Esquadrão Classe A. Também foi adversário do nosso amigo Rocky Balboa em Rocky III. Pela foto dá pra ver que o lance de mr. T não era sutileza mesmo, assim como a sua versão loira, o sr. Hogan. Hogan até tentou se livrar da imagem de lutador de telecatch, em filmes humorísticos para crianças e o resultado foi tão bizarro quanto o governador Schwarzenegger em filmes como professor do jardim da infância ou homem grávido. Eis que buscando alternativas à TV VHF aberta, em um canal UHF, passava o famoso programa de televendas, sim, o Polishop, que já vendeu facas que cortam tudo e fez escola, vide o Juarez empurrando a roubada da câmera TecPix. No programa o produto da vez era uma aparelho de cozimento muito interessante o qual não vem ao caso entrar em detalhes. Mas quem estava para atestar a qualidade das refeições era o nosso querido mr. T! Ele continua com o cabelo bunito, e teve uma entrada em grande estilo: ele entra no cenário de cozinha do programa, derrubando a porta, atendendo rapidamente o convite da apresentadora, afinal não é coisa de mr. T recusar uma xepa.
É, infelizmente estamos num país que de certa forma o consumo de cultura e a arte chega a ser um desperdício, uma extravagância. Pode existir a argumentação sobre a relevância da arte popular, de massa, mas no saldo geral era melhor que certas coisas nem viessem a existência e olha que não estou falando de elitizar, pois também há o lado enfadonho da arte que é considerada de alto nível intelectual. E que isso não seja munição para os espertinhos que se vangloriam na ignorância, que preferem manter suas mentes nas trevas da dita cuja ignorância, tentando justificar sua preguiça em buscar mais estímulo edificante para seu cérebro, através de uma falsa humildade, apenas consumindo entretenimento comercial volátil, como uma trilha sonora de novela com música indiana. Não estamos aqui embarcando numa barca fria de pessimismo, mas todo mundo sabe a realizade, só não vê quem não está afins mesmo. Grande parte da produção cultural que tem o seu "selo" de qualidade do Inmetro da arte, é produzida e consumida por uma parte da população que é minoria, que é até uma aberração no meio de um imenso país que não consegue resolver seus "pobrema" e graças à uma filosofia pra lá de duvidosa disseminada por um jogador de futebol em uma propaganda de um produto mais duvidoso ainda, cada um fica com seus "pobrema"(espero que o Marcelo Médici tenha captado a mensagem). Bem, eu até lavo a "calçada" com mangueira, mas por questão de mera consciência, lavo só uma vez por semana e não fico empurrando folha seca por folha seca com a água e sei que isso não é mérito nenhum, é o mínimo que devo fazer por coerência. Isto de não ser correto lavar a calçada aconteceu, porque quase todo mundo resolveu lavar a calçada todo dia e a torneira aberta no máximo sem se preocupar com o amanhã que é hoje. Isso me fez lembrar uma história da bíblia, onde o sucessor de Moisés na liderança do povo israelita e seu companheiro, tiveram que esperar 45 anos para entrar numa terra(é, aquela tal que emana leite e mel...) que fora prometida a eles, por culpa dos outros.
Gary Lucas esteve por aqui fazendo a trilha sonora ao vivo do filme Der Golem (1920), de Paul Wegener. Este filme talvez seja um velho conhecido das sessões de cinema no canal de tv Cultura, ao lado de Gabinete do Dr. Calligari, Fausto e Nosferatu. Der Golem é um filme mudo que narra a lenda judaica de uma criatura feita de barro que ganha vida através da magia cabalística executada por um rabino, afim de proteger seu povoado. Gary Lucas tocou colaborou e tocou com Leonard Bernstein, Captain Beefheart, Jeff Buckley, Chris Cornell, Lou Reed, John Cale, Nick Cave, David Johansen. Também trabalhou com Mary Margaret O'Hara, Onetwo, Peter Stampfel, Fred Schneider (The B-52's), Bob Neuwirth, Geoff Muldaur, John Sebastian, John Zorn, Bryan Ferry, Patti Smith, Kate e Anna McGarrigle, Matthew Sweet, DJ Spooky, Damo Suzuki, Iggy Pop, Dr. John, Allen Ginsberg, Graham Parker, The Dark Poets, Future Sound of London, Van Dyke Parks, Adrian Sherwood, Richard Barone, Bob Weir, Warren Haynes (Allman Brothers, Gov't Mule), Kristin Diable, etc. No Jazz colaborou com Roswell Rudd, Steve Swallow, Joe Lovano, Dave Liebman, e Billy Bang. Mas a sua colaboração com Beefheart é a mais emblemática de sua carreira.
Meu amigo esteve presente na sessão de cinema e conversou com Gary Lucas, levando o lp Ice Cream For Crow(um dos meu preferidos) do Captain Beefheart and The Magic Band para autografar. Acima o video promocional de Ice Cream For Crow com Gary Lucas e o baterista Cliff R. Martinez, que tocou com Lydia Lunch e The Red Hot Chilli Peppers. Claro que o grande destaque do vídeo é o nosso querido Don Van Vliet com sua música e suas pinturas.
The ResidentsDisfigured Night, PopKomm music festival 1997 em Köln, Alemanha, filmado pela VIVA TV alemã e patrocinada pela marca Marlboro. É claro que a imagem de Mr. Skull não ajudaria em nada na promoção da empresa patrocinadora e então resolveram por tirar a imagem do nosso amigo caveira dos materiais promocionais do evento. Os Residents também não ficaram felizes com estes procedimentos, mas já era tarde demais para protestarem ou cancelarem a apresentação. Disfigured Night conta a história do personagem Silly Billy que pode relembrar suas mais dolorosas lembranças. O video acima mostra a cena final com uma versão de We Are The World. * Esta vai para Michael.
Aidan Hughes nasceu em Merseyside, Inglaterra em 1956. Aprendeu arte com seu pai que era pintor. Nos anos 80 passou a usar o pseudônimo Brute e suas influências no seu trabalho são Jack Kirby, Steve Ditko e Jim Steranko desenhistas de histórias em quadrinhos, construtivismo russo, futurismo italiano e o trabalho no entalhe de madeira dos artistas Frans Masereel and Lynd Ward.No início dos anos 80, Hughes publicou Rage!, vendida em Bristol, que ilustrava a tensão naquele tempo:
Também iniciou uma longa parceria com o grupo de rock industrial e música eletrônica KMFDM, no qual produziu a arte de capa dos discos do grupo e alguns vídeos, como o de Son Of Gun:
Também trabalhou na arte e concepção do video game fps(first person shooter) ZPC - Zero Population Count em 1996, usando o engine do game Marathon 2.
Michio Mihara desenhista e animador, trabalhou em filmes como Neko No Ongaeshi, Mononoke Hime, Jin-Roh, Paprika, Roujin Z, Naruto the movie, Agent Paranoia, etc.
Até ontem, Michael Jackson era tema de piadinhas maldosas, sobre pedofilia, etc. Para muita gente, era um assunto constrangedor e ignorado. Agora, todo mundo falando de Michael, de quanto gostavam de sua música e tudo mais. Eu mesmo já tinha me desligado de Michael Jackson quando ele lançava o disco Bad. Eu até gostava da música Black Or White(do disco posterior ao Bad, o Dangerous), mas não foi o suficiente para eu comprar o disco. Hoje eu lamento a sua morte, pois me parece que ele ainda tinha algo à realizar em sua breve vida. Também pelo fato de que ainda não parecia ter encontrado sua felicidade, diante de tantos fatos expostos pela imprensa. Mas a parcela popular está isenta de qualquer hipocrisia, pois eles nunca abandonaram Michael, mesmo com os ditos escândalos e muito menos pela sua estética musical. E sem contar com os fãs incondicionais, que o seguiriam independentemente se fosse Heavy Metal sua nova abordagem. Aí vem aquela conversinha de sempre, dos intelectuais da música, a turma do "bom gosto", que começa a arrumar justificativas mais elegantes pelo gosto ao artísta. Da importância da produção de Quincy Jones, como se esta maioria estivesse consciente do trabalho de Quincy no disco. Outros falam do Off The Wall, sendo que a maioria nem ligava para Michael nesta época, mas como se tornou algo "cult" na nostalgia que assolou os novos clubes da cidade, todo mundo fala que gosta. Depois tem uma parcela mais crônica, que nem havia nascido ou era apenas bebê, que só considera a fase do Jackson 5, dando um ar "vintage". Agora começaram os depoimentos de vários artístas mais "descolados", "cool", alegando a importância de Michael em sua música, sendo que grande parte à tempos atrás, tinha vergonha de confessar que no auge do modismo, comprou o disco Thriller de Michael. Me lembro que em 1985, junto com meus amigos metaleiros do bairro, quebramos nossos discos de Thriller, num ritual de abominação à música pop. Não me arrependo, pois lembro que me divertí com aquela arruaça. Espero que Michael estivesse em paz em seus últimos momentos e esteja em paz agora. Beat it ainda é uma das minhas músicas preferidas.
Ainda me lembro dos longinquos anos 80, precisamente no ano de 1982, o ano que estraguei meus dentes comprando chicletes para completar o album de figurinhas da respectiva copa mundial, onde a seleção canarinho foi abatida e me desliguei do assunto futebol para sempre, mas não porque a seleção perdeu, mas porque achei que estava perdendo tempo me dedicando ao futebol. Também começou com a morte de Elis Regina logo em Janeiro, lembrava dela na tv e de suas músicas que sempre estavam nas rádios. Não compreendi a sua morte, este assunto era muito confuso para um menino de 9 anos de idade. Logo um ano depois estive com meu amigo na padaria que Elis costumava frequentar, que ficava na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, para tomar um refrigerante durante um passeio de bicicleta, mas foi por acaso, nem imaginava que antes poderia ter encontrado ela por lá. Também foi o ano em que comprei meu primeiro lp e sem autorização dos meus pais. Fui em uma loja que ficava perto do colégio onde eu cursava o primário com o dinheiro que meu avô me deu e pedí o disco Hey Jude, dos Beatles. Eu nem alcançava a prateleira, também não sei porquê gostei da capa do disco, com aqueles quatro sujeitos estranhos parados em frente uma porta. Também assistí o Yellow Submarine na sessão da tarde e gostei mais ainda. Os Beatles me acompanharam por todos os momentos da música, sempre na discoteca, independente do que eu estivesse ouvindo mais na época, seja no Breakdance, Heavy Metal, Acid House, Hardcore, etc. Com o tempo, selecionei melhor o repertório dos quatro de Liverpool e descartei a época mais yeah, yeah, yeah que a meu ver era uma espécie de Menudo da época. Sem dúvida eu me concentrei mais na época do Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, Yellow Submarine e Magical Mistery Tour, que foram as mais criativas para mim. Muitos falam do White Album, que é o melhor de todos, mas eu não acho, as experiências sonoras alí sempre me soaram um tanto enfadonhas. O Let It Be, mesmo contendo faixas lindas como a própria título, achava um disco deprimente, com o clima de ruptura da banda. De vez em quando eu ainda ouço uma coisa ou outra, mas não como antes, ainda gosto dos Beatles, mas eu já assimilei sua arte, está na minha memória. Confesso que um pouco do brilho se ofuscou depois que tive contato com o Pet Sounds e Smile dos Beach Boys, numa comparação mais próxima entre gêneros. Também gosto de um pouco da carreira dos ex-integrantes, como a música de natal de John Lennon e a parceria de Paul McCartney com Stevie Wonder. Hoje em dia os Beatles são bem mais uma mercadoria do que outra coisa, chegando ao ponto de fazerem um video game de última geração os usando como tema. As discussões em meios de comunicação chegam em níveis de qualidade altamente suspeitos em termos de qualidade, como futilidades sobre numeração de discos, fora as eventuais "fofocas". O problema aqui é o absolutismo em torno dos Beatles, numa equivocada atribuição de mérito em muitos fatores da música e a indústria. Lí recentemente em uma publicação uma jovem pessoa atribuir o pioneirismo do formato videoclip à eles. Se a pessoa se auto denomina jornalista, deveria rever seus conceitos ao publicar uma afirmação destas. Pais, donos de lojas de discos, editores de revistas, livros e fanzines, devem ser mais coerentes e não ficar impondo suas paixões à juventude, que estão mais certos gostarem de artístas contemporâneos, mesmo que sejam de qualidade "inferior", afinal, os Beatles já foram os Jonas Brothers de sua época.
Poderiamos perder grande tempo numa tentativa em vão de teorizar o que leva certas pessoas produzirem sua arte. Muitas vezes o próprio artísta não consegue definir suas razões. Teóricos apelam para pseudo-ensaios sobre psicanálise tentando justificar sua análise sobre as obras de arte e seus artístas criadores, mas quase sempre são declarações suspeitas, muito passivas de enganos e desperdício de tempo e vaidade do intelecto. Mas o intrigante aqui é a proximidade da estética e talvez até no conceitos nestes dois indivíduos que são contemporâneos, mas tem realidades completamente distintas, ainda com uma distância de hemisfério que os separa em um dia de vôo de avião: Takashi Nemoto e Carlos Marçal. Nemoto é um conhecido do mangá no Japão, seu estilo é bem agressivo e totalmente oposto ao que a maioria das pessoas entendem por histórias em quadrinhos japonesas, como Naruto, Clamp, etc. Seus contemporâneos no Japão são Suehiro Maruo e o americano Gary Panter, numa linguagem que se convencionou de chamar underground, contra-cultura, subversiva. Carlos Marçal não tem um nome ou curículo nos quadrinhos brasileiros, é amigo do Schiavon que já publicou várias obras em quadrinhos no Brasil quando tomou uma certa forma o quadrinho underground brasileiro no fim dos anos 80. Talvez Marçal tenha se influenciado na produção gráfica de seu amigo que o encorajou a continuar desenhando.
É muito interessante como duas pessoas que nunca se viram e pelo menos até agora que eu saiba, também nunca viram um o trabalho do outro, mas suas estéticas e talvez até em algum conceito se assemelhem tanto. Blog de Carlos Marçal: http://mestrismo.blogspot.com/ Site de Takashi Nemoto: http://www011.upp.so-net.ne.jp/
Mais uma vez este assunto está em pauta. Ontem mesmo havia um programa de debate em um conhecido canal de UHF que é direcionado ao mercado do produto musical. A grade de programação é dedicada em grande parte na promoção destes produtos no formato conhecido como video clip. Existem programas que pretenciosamente são ditos como culturais, mas qualquer pessoa que tenha uma real noção do que um dia foi denominado cultura, como livros, artes em geral, sabe que o conceito se deteriorou. Mas voltando ao foco sobre a tentativa da indústria fonográfica de recuperar a grande margem de lucros através de um formato de mídia ultrapassado, muitas pessoas supostamente especialistas tem dado declarações que meramente são opiniões pessoais sem nenhum fundamento sólido. Recentemente também foi publicado uma matéria em um jornal provinciano paulistano, um artigo com ares de pesquisa científica sobre a suposta qualidade superior do disco de vinil em relação as atuais midias digitais. Produtores de música eletrônica, músicos de rock e dj's que foram e são expostos à uma quantidade abusiva de decibéis que um aparelho auditivo humano pode suportar, foram usados como referência para constatar esta diferença. Você confiaria na opinião de alguém assim? Levando em conta que o ser humano já começa perder gradativamente sua precisão auditiva desde o seu nascimento sem contar com a exposição de decibéis abusiva. A tabela ao lado mostra os níveis e limites de exposição. Bem, então é óbvio que estas pessoas não poderão detectar com precisão a diferença nos cortes de frequência no processo digital de gravação. 90% das pessoas que se submeteram aos testes de diferenças entre o cd e o lp só notaram a diferença por conta do ruído do atrito da agulha do toca-discos nos sulcos do vinil. Não vou me alongar nesta questão técnica, uma pequena parte já tinha comentado num post anterior e a maioria das pessoas acaba se influenciando por este tipo de comentário que na maioria das vezes não tem fundamento seguro em termos científicos. Então chegamos em outro ponto: a preferência pessoal que supera a apreciação da obra artística principal: a música. Muitos defensores do vinil alegam também que perdem o prazer de desfrutar da capa, do encarte, num típico sintoma da cultura material, do tamanho. A maioria dos projetos gráficos não exige um formato de 12 polegadas para apreciar os detalhes da capa. Existe a questão da limitação de duração das faixas que já tinha comentado sobre os horríveis fade-in e fade-out nos discos de John Coltrane e Pharoah Sanders. Mas tudo isso é uma questão inútil, um enfado, pois as pessoas querem acreditar em suas próprias opiniões, mesmo que algum dia elas se arrependam de certas decisões tomadas de forma radical, como tatuar o nome de uma pessoa que se apostou num relacionamento duradouro, mas não durou mais que 3 meses. Ainda bem que a cirurgia estética à laser está aí, imagine se fosse vinil...
*foto acima: c/Han Benninck no Zaal 100 em Amsterdan, 2009 OFICINA DE BATERIA NA IMPROVISAÇÃO LIVRE Com o percussionista e baterista conhecido como panda, com ampla atuação no cenário da improvisação livre. A oficina é aberta não apenas a bateristas e percussionistas, mas a interessados nas possibilidades de interação com esses instrumentos. Serão abordadas técnicas extendidas, transições timbrísticas, desenhos e rituais, fraseado ritmico e ligaduras (utilizadas no Free Jazz ), idéias de composição de sets, técnica de dois bumbos e interação com os outros instrumentos.
Dias 27 e 28 de junho (sábado e domingo), das 15h às 18h.
Investimento:R$50,00. Carga horária: 6h.
Inscrições: mandar e-mail para ibrasotope@gmail.com com o assunto "inscrição oficina de bateria". O e-mail deve ter as seguintes informações: nome completo, contato e pequeno texto sobre o que motivou a fazer a oficina. Detalhes de pagamento serão informados.
Antônio Panda Gianfratti- Baterista e percussionista contemporâneo
01. The Silver Strings: Vencedor do primeiro concurso de Rock Instrumental Brasileiro, organizado pelo radialista Miguel Vaccaronetto, da radio Record. 02. The Beatnicks: Grupo oficial da Jovem Guarda, responsável pelo acompanhamento de Roberto Carlos, Wanderléia, Erasmo Carlos e outros artistas deste movimento. 03. Triferente: Trio de Jazz e Bossa Nova, queacompanhava em shows artistas como: Paulinho Nogueira, Vera Brasil, Jorge Ben, Taiguara, Simonal, Altemar Dutra, e outros. * Curso de percussão afro-jazz pela University South Florida, na cidade de Tampa Bay – Flórida em 1969. Depois de concluir o curso viaja para New York, onde vive por um tempo estudando e tocando jazz com músicos americanos. Regressando ao Brasil, começa a atuar na noite musical, trabalhando com diversos cantores de renome tais como: Amelinha do Recife, Sargentelli, Roberto Luna e outros. 04. Jazz Acoustic: Projeto que se utiliza de formações de trios, quartetos e quintetos. Onde participam grandes músicos como: Samuel Khuri Jr, Arnaldo Haickel, Lani Gordon, Cleiber, Vinicius Dorin, Boccato, Felipe Lamoglia (cubano), Pepe Cisneros, Zohio, Itamar Colaço, Chico Pinheiro, Pichú, Victor Campbell e muitos outros. 05. Billy Hart: Projeto no qual participa em duas faixas de disco produzido nos EUA, grava a bateria no Brasil no estúdio A Máquina do Som. Primeira faixa: Ralph’s Piano Waltz by John Abercrombie (guitar), Rufus Reid (bass), Antonio Panda Gianfratti (drums). Segunda faixa Day & Night Theme based on Cole Porter song’s - Night and Day, Bill Dobbins (piano), Ron McClure (bass), David Liebman (sax soprano), Louis Smith (flugelhorn), Antonio Panda Gianfratti (drums). 06. Em 2006 funda o Trio Kyodushin: Grupo que faz releitura atual de grandes musicas, mas utilizando cores timbristicas das mais variadas matizes, organicidade e tempos construidos de maneira improvisativa , quase sempre surpreendentes e tudo isso mantendo a essência e características da música , neste projeto tem prestados serviços ao Hotel Intercontinental de SP eventos especiais e musicalização de ambientes, como também para o Clube Paineiras do Morumby no qual foi eleito o melhor grupo instrumental de 2008 , e outros importantes clientes como Hospital Nove de Julho, Laboratórios Torrent do Brasil e Unifesp. 07. Improvisação Livre: A partir de 1999 resolve dedicar-se inteiramente à música improvisada, juntamente com seu parceiro, o jovem saxofonista Yedo Gibson. Gravou alguns CDs com músicos internacionais. 08. Fundou o grupo de Improvisação Livre ABAETETUBA em 2003 , com o qual vem se apresentando dentro e fora do Brasil e inserindo este genero musical no cenário nacional e internacional.
CDs Produzidos
01. Liberdade – Duo Antonio Panda Gianfratti e Yedo Gibson – 2003; 02. Vulcano – Trio formado por: Stephan Bleier (doublé bass – Germany), Yedo Gibson (tenor e soprano sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004; 03. Contra Mão – Trio formado por: Ruben Ferrero (piano – Argentina), Yedo Gibson (tenor sax), Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004; 04. Antonio Panda Gianfratti – SOLO – Times, Timbres e Textures – 2004; 05. Abaetetuba vol.01 – Sexteto formado por: Renato Ferreira (bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax), Luiz Gabriel Gubeissi (bass), Fabio Bizarria (tenor, soprano sax e flauta), Yedo Gibson (tenor sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums, vibraphone e pianica) – Lançamento do CD no “Teatro Garagem” juntamente com a apresentação da atriz Anette Naiman em junho/2005; 06. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.01 – Thomas (rabeca e soprano sax) e Panda (small percussion e eletronics). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005; 07. Abaetetuba vol.02 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, vibraphone, cymbalophone, berimbaphone e trumpet), Renato Ferreira (clarinets, bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax, trombolone). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005; 08. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.02 – Thomas (rabeca e sax soprano), Panda (percussion, cymbalophone, berimbaphone e recotronic) – 2006; 09. Abaetetuba vol.03 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, cymbalophone, berimbaphone, bells), Renato Ferreira (tenor saxofone, doublé bass), Rodrigo Montoya (violão e sax soprano). Participação especial na faixa 01 Thomas Rohrer (rabeca e sax soprano) Lançamento do CD no projeto “Sexta-Básica” na Casa das Rosas – 2006. Weston, Mattos, Gianfratti, Gibson – Quarteto - Gravado em Welvyn Garden City (Inglaterra). Veryan Weston (piano), Marcio Mattos (double bass and eletronics), Antonio Panda Gianfratti (small percussion), Yedo Gibson (saxes and clarinets) – 2006; 10. Abaetetuba / Thomas Rohrer / Marcio Mattos Antonio Panda Gianfratti (percussão contemporânea), Renato Ferreira (saxofone tenor, clarinete e contrabaixo-acústico), Rodrigo Montoya (violão e shamisen), Luiz Gabriel Gubeissi (voz), Thomas Rohrer (sax soprano e rabeca), Marcio Mattos (violoncello). Out-2006. *Previsão de lançamento do CD no período de 2007 e 2008 no Brasil e em Londres. 11. DUO: Rohrer & Gianfratti, gravado no início de 2007. Thomas Rohrer - sax soprano e rabeca, Antonio Panda Gianfratti – percussão contemporânea e vibrafone.
Peças de percussão contemporânea criadas e desenvolvidas originalmente por Antonio Panda Gianfratti: Cymbalophone, Berimbaphone, Bambuphone, Recotronic, Zyncophone, Panatronic, Cabacello.
Muitas pessoas vão dizer que é radicalismo, mas se pararem para refletir sobre este assunto, talvez encontrem sentido para este ponto de vista. A imagem acima é de um filme de animação em 3D que esteve pelo circuito de cinema e até já foi veiculado na tv aberta. Muita gente gostou do filme, tem todos aqueles apelos para cativar as crianças e os adultos, para aprovarem o consumo pelos seus filhos. Mas existe aí uma mensagem inclusa que não é lá muito saudável: o gosto demasiado pelos carros. Não é de hoje que isso acontece, nem existia a animação 3D mas tinha um fusca que só faltava falar. Desenhos animados com corridas de carros e outros carros personagens que foram produzidos por uma cultura do automóvel. Não se pode afirmar categoricamente que estas produções foram encomendadas pela indústria automobilística, já para "educar" os futuros consumidores de seus produtos, mas esta suposição não seria absurdamente surreal. Eles já tinham este valor cultural no que era só um meio de transporte, as cidades giram em torno do culto aos automóveis, chegando ao ponto de existir uma cidade com o apelido de Cidade do Motor. E os pais não deixam por menos ensinando estes valores aos filhos, valores machistas e consumistas que podem formar um adulto extremamente problemático no futuro. Como se não fosse o suficiente as armadilhas e lavagem cerebral do aparato das indústrias, com os mecanismos publicitários. O pai ensina o filho a gostar do carro como se fosse um ente querido, passando boa parte de uma manhã de fim de semana lavando e embelezando o carro, batizando até com um nome como se fosse um ser vivo. Incentiva a criança a gostar de assistir corridas de F1, stock car, ao invés de buscar outras atividades (isto também acontece com o futebol, que deixa de ser um simples esporte e se torna uma seita religiosa). Já ví pela tv pai e filho que vão a diversos lugares para admirar, tirar fotos de carros feitos pela Ferrari. Você acredita mesmo que esta admiração não causa nenhum dano? O sujeito vai passar a vida toda se conformando em olhar, tirar fotos, quando em especial vai no salão do automóvel e consegue sentar ao volante no stand de exposição e vai se conformar com isso? Pior é que vai, pois a esmagadora maioria das pessoas não possui pelo menos U$ 400.000,00 para comprar o brinquedinho. E isso gera uma frustração interior e um conformismo por não ter outra solução, já que não dá pra ficar milionário num piscar de olhos. E a triste realidade para estas pessoas e também seus filhos, muitas vezes é se muito, possuírem um carro como o das fotos abaixo: O mundo do consumo não tem misericórdia de ninguém, ou você tem ou não tem e ainda classifica você em uma escala de A à E, não importando quem você seja de fato. Um objeto que era para ser um benefício, para facilitar a vida de uma pessoa, acaba se tornando sua fonte de frustação e infelicidade e isso que não estou levando em conta que um veículo motorizado nas mãos erradas e despreparadas, pode se tornar tão eficiente quanto uma metralhadora AR-15 ou Kalashnikov 47. Os mesmos que reclamam do trânsito em São Paulo, muitas vezes compram 3 carros para burlar o rodízio de veículos e incentivaram seus filhos a cultuarem os carros. E depois falam de sustentabilidade, qualidade de vida...
Na metade dos anos 80 os videos promocionais, conhecidos como videoclips, não eram veiculados com tanta frequência como hoje em dia. Hoje temos mais de uma opção em programações televisivas especializadas em videoclips, além da pioneira MTV, inaugurada em 01/08/1981 como canal de tv à cabo em New York e chegou ao Brasil uma década depois de sua criação. Em 1986 o clip da música Money For Nothing (Dire Straits) foi eleito "Video of the Year" pelo MTV Music Awards e foi um dos primeiros a usar a computação gráfica. Ian Pearson e Gavin Blair criaram a animação usando um Bosch FGS-4000 CGI system, no estúdio Rushes. Me lembrei do grupo inglês de synthpop formado em Sheffield, 1977 e seu video clip feito em 1983 com a música (keep feeling) Fascination. Por mais de 20 anos não me saiu da memória a qualidade deste clip, que era desprovido das facilidades da computação gráfica de hoje em dia. Mas é claro que o video era um complemento do mais importante: a música. Fascination é uma bela música e também não contava com tantos recursos de produção. A música do Human League era fruto de criatividade artística e talento musical. Quanto clip de Fascination, assista e veja os detalhes de produção, levando em conta que não há computação gráfica e foi realizado em 1983. Hoje em dia temos uma multidão de videoclips impressionantes em termos de produção visual e musical, mas a maior parte deles chegam ao esquecimento com facilidade por serem extremamente genéricos e obviamente as músicas sofrem deste mal. Há uma superprodução e a supervalorização dos produtores musicais em detrimento da criatividade artística e talento musical. São como as embalagens de alimentos industrializados, coloridos, ótima apresentação visual, mas na hora que se consome, vem o sabor insípido.
Kang Tae Hwan toca saxofone alto, nasceu em 1944 e montou seu primeiro conjunto, um trio formado pelo trompetista Choi Sun Bae e o baterista Kim Dae Hwan, que era seu primo(faleceu em 01/03/2004). Kang Tae Hwan ficou conhecido no Japão depois do Tokyo Meeting em 1985 de Toshinori Kondo. Já gravou com músicos como Otomo Yoshihide, Ned Rothenberg e Evan Parker.
Alexandra Grimal (nascimento: Cairo, Egito 1980) estudou piano clássico dos cinco aos doze anos. Começou a tocar saxofone e jazz aos quinze anos, em Paris. Obteve o grau de mestrado no Conservatório Real da Haia, na Holanda, em 2005, na classe de John Ruocco, estudou também no Conservatório Superior de Música de Paris (CNSM) e na Academia Sibelius, em Helsinki, na Finlândia, como bolsista do Programa Sócrates. Participou, em 2007, no Banff Workshop in Jazz and Creative Music, no Canada (com Dave Douglas como diretor artístico) e em 2008, no "SIM" a New York. ouça:
Peter Brötzmann nasceu em 06/03/1941, Remscheid, Alemanha e se interessou por pintura, frequentando a academia de arte de Wuppertal, mas se decepcionou com a situação da arte no quesito de exposições e galerias de arte, mas continuou na pintura e encontrou maior realização no meio musical semi-profissional tocando swing e bebop, sendo autodidata nos clarinetes e saxofones. Em 1962 conheceu o baixista Peter Kowald iniciando uma parceria que gerou trabalhos com músicos americanos como o trompetista Don Cherry e o saxofonista Steve Lacy e também os europeus Alexander Von Schlippenbach(piano), Manfred Schoof(trompete). Brötzmann e Kowald iniciaram o trio com o baterista Sven-Ake Johansson entre 1965/66 e em Junho de 1967 gravaram seu primeiro disco de forma independente, pelo selo BRO, com a capa feita em silkscreen por Brötzmann e os rótulos estampados à mão. For Adolphe Sax, em homenagem ao inventor do saxofone foi relançado pelo selo FMP e posteriormente em cd, incluindo uma faixa extra, gravada em 15/09/1967 na Radio Bremen, com Fred Van Hove no piano. Sem dúvida um essencial documento do que há de melhor na improvisação livre que surgiu na Europa e seus melhores artístas, que continuam a oferecer um trabalho de alta qualidade. Confira. Clique no título do post para o link de arquivo
Ab Baars - sax tenor, clarinete, shakuhachi; Wilbert de Joode - baixo; Martin van Duynhoven - bateria; Ken Vandermark - sax tenor, clarinete
Ab Baars nasceu em 1955 e é um compositor holandês que toca saxofone tenor, clarinete e Shakuhachi, tendo foco em seus trio, duo e também participa da ICP(Instant Composers Pool) Orchestra, fundada pelo pianista e compositor Misha Mengelberg e o percussionista Han Bennink. Iniciou no saxofone aos 15 anos de idade e em 1989 estudou clarinete com John Carter em Los Angeles, E.U.A. e trabalhou com improvisadores como: Jaap Blonk, Alberto Braida, Anthony Braxton, John Carter, The Ex, Cor Fuhler, Ben Goldberg, Tristan Honsinger, François Houle, George Lewis, Michael Moore, Sunny Murray, Sonic Youth, Fabrizio Spera, Cecil Taylor, Roger Turner, Veryan Weston, Wolter Wierbos, Michiyo Yagi, poets H.C. ten Berge e Diane Régimbald, dançarinos Beppie Blankert, Hisako Horikawa, Masako Noguchi e Katie Duck’s Magpie Company.
Dirigido por Seong-kang Lee, CJ Entertainment, baseado na lenda coreana Gumiho, sobre uma raposa que procura roubar a alma de um jovem. Produzido na Coreia do Sul.
Eu até alimentei uma expectativa em relação a adaptação cinematográfica da história em quadrinhos Watchmen escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Quando foi lançada no Brasil no fim dos anos 80, saiu em 12 edições mensais gerando um suspense quanto ao desfecho da história. Para os aficcionados dos quadrinhos, Watchmen é um marco ou até alguns dizem ser a melhor história de heróis(ou anti-heróis) de todos os tempos. Assim como nos rankings de música, cinema e outros, isso é estritamente pessoal e não há verdade absoluta em relação ao posicionamento no podium, cada um elege o seu número um. Num dia corriqueiro me encontrei conversando com alguns aficcionados de quadrinhos e obviamente o assunto em pauta era o filme Watchmen que a pouco entrara em cartaz nos cinemas da cidade. Com a ressalva defensiva de que é uma adaptação de uma história um tanto extensa para um filme de ação compactado em pouco mais de 2 horas e 40 minutos, todos entraram no veredicto de que quadrinho é quadrinho, filme é filme(óbvio...). Logo de antemão, mesmo para os que viram apenas um trailer ou teaser do longa metragem, por estéticamente ser fiel ao desenho original, já houve uma empatia. A crítica especializada em cinema ao dizer que o filme carece de dose certa de ação, já despertou a discordia e o contra-ataque dos aficcionados, que não toleram nada que não seja para exaltar seus gostos pessoais. Frases do tipo: "Ah, estes críticos metidos a intelectuais só gostam de filmes iranianos porcarias que ninguém assiste...", são sintoma de um pensamento gravemente limitado e unilateral que imposibilita a pessoa enxargar a sua própria incoerência. Afinal quem leu a história Watchmen sabe muito bem que ela é extremamente focada no intelectual, chegando até ser um tanto cansativo em sua narrativa. Me lembro que à muitos anos atrás passou na tv aberta um filme iraniano(hein, mais hein?) o qual eu gostei muito, acho que o nome era Bashu, sobre um menino que tinha perdido sua família e tinha muita dificuldade de se comunicar e ficava tocando um tambor. Um filme sobre coisas simples do ser humano, sobre a existência, mas nada que uma pessoa comum não possa compreender. Enquanto Alan Moore tenta criar uma intrincada história com muitos artifícios de linguagem que impressionam só quem não tem o hábito de ler livros no campo da literatura(não vale o mago hein?). Antes que eu seja alvo de ataques da seita DC/Marvel, já digo que gostei de Watchmen e espero assistir o filme também, para me divertir, pois não vai ser este filme que vai me causar uma epifania sobre a existência humana. Calma, é apenas entretenimento...
*uma citação ao título do disco do grupo Descendents
Na maioria das vezes as formigas são uma peste, contaminam os alimentos depois que invadem a cozinha, danificam as paredes das casas, estragam os jardins e eventualmente nos mordem, algumas espécies podem te deixar de cama. Muita gente associa a formiga com um exemplo positivo, de organização e trabalho, mas isso não é bem assim. A formiga obedece um código genético e opera pelo instinto, a formiga não tem escolha. A fábula da formiga e a cigarra ajuda a reforçar o exemplo da boa formiga. Me lembro do anime Tekkonkinkreet, onde o personagem Kuro(Preto), lembra que seu parceiro Shiro(Branco) acha injusta a história, pois para ele a cigarra não queria fazer mal a ninguém, só queria cantar. Mas o ser humano é diferenciado, ele tem o livre arbítrio, tem o poder de decisão, pode raciocinar, pode escolher, pode controlar seus instintos naturais. Muitas pessoas escolhem se submeter a situações adversas para obter um prazer que se forem colocados na ponta do lápis tanto sentido material quanto espiritual, estão remotamente longe de uma boa opção custo-benefício. Um bom exemplo são os grandes festivais de música promovidos por grandes corporações que seguem os padrões mais radicais dos valores capitalistas. Antes eu realmente me aborrecia se perdia a oportunidade de prestigiar um artísta por falta de condições financeiras, já que cada vez mais o preço dos ingressos subia e o formato adotado das apresentações se moldou de uma forma desvantajosa para o público específico, ou seja, ter que pagar mais para assistir seu artísta predileto por conta de outras atrações estarem incluídas na mesma noite. Quando eu perdí a última apresentação do Pharoah Sanders no Freejazz Festival, no fim dos anos 90 por falta de condições financeiras, fiquei chateado, pois é muito difícil prestigiar o Pharoah, pois o saxofonista norte-americano não faz tantas turnês mundiais que passam pelo Brasil e o Jazz aqui não é inserido no circuito mundial, como em muitos outros países. Ainda o fator da idade de Pharoah e outros músicos como Ornette Coleman, eles diminuem o número de apresentações durante o ano por conta do desgaste físico das viagens. Então eu pude perceber que isso realmente era uma situação extremamente insignificante perante a grande alegria de estar vivo e que isso não merecia tomar tanto tempo para murmurações. Também percebí que se em algum dia eu realmente tive uma identificação com a filsofia libertária do punk e do hardcore, eu não podia me sujeitar ao que as corporações capitalistas impunham para os consumidores. Pague 100 mangos para ver seu artísta preferido sem a certeza de ter uma boa qualidade de serviço, assista o show onde ficam os cavalos...(mas não é sempre no Jockey?) É triste ver uma boa porção de pessoas que tem uma situação material privilegiada em relação à grande população deste país, depender de comprar momentos passageiros e se sujeitar a situações totalmente desnecessárias para serem felizes. Recentemente eu lí que uma pessoa só conseguiu resolver 13 anos de questionamentos(creio que sejam existenciais) vendo os gestos de um artísta do rock.
Sobre a chamada Contra-cultura, isso me soa um assunto já antigo, me lembro do Burroughs, etc. Hoje o que se chama Street Art também já existe a algum tempo, já que esta denominação está ligada diretamente ao graffiti. Outros também consideram Street Art as ilustrações, desenhos de cartazes e panfletos ligados aos shows de bandas punks no fim dos anos 70. Temos uma variação que se chama Toy Art, a versão em formato de "escultura" da Street Art. As ilustrações nos produtos ligados ao skate também fazem parte desta estrutura. É pertinente lembrar das teorias e afirmações de Andy Warhol sobre a arte e produto, mas aqui o espaço é muito reduzido para ser tratado com relevância digna. Seria um grande equívoco não reconhecer a legitimidade artística de muitos que se enquadram na Street Art, realmente muitos artístas se libertaram do mero aspecto ilustrativo, que muitas vezes só tinham uma função decorativa, para funções políticas e outras dentro do universo artístico. Mas vamos analisar em termos de grandes cidades do Brasil, onde pessoas tem acesso a informação globalizada, que sofrem com a crise de identidade, divididas entre a realidade de pais sub-desenvolvido e a identificação com a cultura do chamado primeiro mundo. Como acontece em qualquer parte do mundo, pois o ser humano é o mesmo, independente de sua cultura, nacionalidade, sistema político-econômico, o modus-operandi, as questões existenciais são basicamente as mesmas. Levando em conta que existem os pontos positivos da Street Art, que é um segmento muito novo aqui no Brasil, no aspecto deste segmento se reconhecer como Street Art e começar a criar aos poucos sua própria identidade, há muitos pontos negativos, que são reflexo do comportamento em larga escala da juventude. O que me chamou a atenção foi uma sessão de fotos de uma recente exposição de Street Art no Rio de Janeiro, que bem poderia ser em São Paulo. A esmagadora maioria do que compõe este universo, é extremamente genérico e previsível. Mesmo os artístas de ponta da Street Art no Brasil soam com um "delay" do que é feito nos E.U.A., Europa e Japão. Tanto o público quanto os artístas da Street Art carecem de uma identidade, de uma originalidade. Roupas, lugares, gírias são incorporadas de forma sintética, simultaneamente os gostos pessoais de cada um não foge muito ao gosto coletivo. Isto se reflete na arte criada, muitas vezes comprometendo o valor criativo da obra, se tornando apenas um produto de função estética impessoal, como se fosse fabricado em série. Talvez os bonecos de Toy Art tenham a intenção de romper isso, sendo personalizados pelo artísta ou o consumidor em contraponto dos bonecos serem fabricados em série. No geral, a Street Art se tornou apenas mais um segmento de mercado. Os que fazem parte deste segmento podem argumentar e não aceitar isso, mas o que acontece demonstra que sim, é apenas mais um nicho de consumo. Mesmo que se usem ícones libertários e revolucionários, façam a chamada intervenção urbana que intenta em ser uma função catalizadora de mudança na sociedade. A última revolução da semana foi televisionada: portabilidade...
No dia 17 de Fevereiro de 2009, Giuseppi Logan voltou à ativa, se apresentou no Bowery Poetry Club em New York, desfazendo os boatos de que já havia partido deste mundo.
Em um artigo publicado neste domingo no jornal, Marcelo Tas considera a Galeria da rua 24 de Maio que tem entrada pela av. São João, como um "museu" vivo da cultura de rua. O prédio do Shopping Grandes Galerias, criado em 1963 por Alfredo Mathias se tornou a Galeria do Rock nos anos 80. Não haviam tantas lojas e não eram muitas pessoas que frequentavam o local, pois naquela época era muito arriscado ir ao centro de São Paulo, quando as calçadas eram tomadas pelo comércio ambulante e os notórios "trombadinhas". Dentro da galeria ainda havia o perigo de conflito com os grupos de headbangers(metaleiros), punks e skinheads(carecas). Mas onde se dava a concentração de headbangers era na frente da Woodstock discos, situada na r. Dr. Falcão, ao lado do metrô Anhangabaú, onde aos sábados, dezenas de headbangers se encontravam para conversar, trocar recortes de materias de revistas especializadas, fitas k7, comprar discos e adereços de heavy metal, assistir videos em vhs na pequena tv que tinha instalada no interior da pequena loja. Já na metade dos anos 80 começaram a abrir lojas especializadas em heavy metal e punk com maior número na Galeria 24 de Maio e o público que frequentava a Woodstock também foi para lá. Só que não eram exclusivos do local, tendo que dividir espaço com os punks e skinheads, gerando tensão no local e confrontos, que em algumas vezes acabava até em homicídio. Com a chegada do Grunge, que impulsionou a parte financeira e reativou o mercado do rock pesado, isto levou ao surgimento de novos investidores de olho nesta fatia do mercado que até então era desprezada. O número de lojas triplicou e levou a administração das Grandes Galerias investir em melhorias no imóvel que estava em péssimo estado de conservação. De uma hora para outra havia iluminação nos corredores, escadas rolantes funcionando e seguranças e até piso encerado. O público que era composto só por membros de "tribos" e gangues, começou a dar espaço a pais acompanhando seus filhos que ingressavam no universo underground do rock. Hoje em dia, com as facilidades da internet e os downloads de mp3 e vídeos, os preços abusivos da indústria fonográfica e é claro, o tiro no pé da própria comunidade underground que se recusou a sustentar a sí própria, junto da crise financeira, causou o fechamento de muitas lojas que não tinham como arcar com o aluguel abusivo que a administração da galeria impunha aos lojistas, querendo se aproveitar do "status" da galeria. Outra medida que derrubou a frequencia do público na galeria do rock, foi a proibição do público usufruir do espaço de convivência do imóvel, ou seja, era proibido ficar conversando, se reunindo nos corredores largos da galeria, só era permitido ficar dentro das lojas. Consequentemente isso afugentou o público, pois os lojistas não queriam também que as pessoas ficassem na loja, que já tem um espaço reduzido, sem comprar nada e atrapalhar uma possível venda. Então outros tipos de comércio tomaram força e foram preenchendo espaço. Me lembro que eu e meus amigos quando frequentávamos a galeria, brincávamos dizendo que alí era a Meca do Rock, pois pessoas de vários estados e até países vizinhos ìam pelo menos uma vez para lá. Ainda bem que os rockeiros não chegaram ao ponto extremo como grupos religiosos. Imagine proibirem o pessoal de ir à Meca ou ao Muro das Lamentações... Eu não creio que o termo "museu vivo" seja o mais adequado, pois a Galeria do Rock de hoje em dia o que sobrou, foi uma fotocópia desbotada e pouco nítida de uma era que se foi. Se o conceito usado se refere ao que muitos museus eram e outros ainda são aqui no Brasil, aí eu concordo, onde as peças, obras, documentos arquivos estão deteriorando, muitos já se perderam, não há uma manutenção, jogados ao descaso.