quinta-feira, junho 25, 2009

Beatles "forévis"?

Ainda me lembro dos longinquos anos 80, precisamente no ano de 1982, o ano que estraguei meus dentes comprando chicletes para completar o album de figurinhas da respectiva copa mundial, onde a seleção canarinho foi abatida e me desliguei do assunto futebol para sempre, mas não porque a seleção perdeu, mas porque achei que estava perdendo tempo me dedicando ao futebol. Também começou com a morte de Elis Regina logo em Janeiro, lembrava dela na tv e de suas músicas que sempre estavam nas rádios. Não compreendi a sua morte, este assunto era muito confuso para um menino de 9 anos de idade. Logo um ano depois estive com meu amigo na padaria que Elis costumava frequentar, que ficava na esquina da rua Augusta com Estados Unidos, para tomar um refrigerante durante um passeio de bicicleta, mas foi por acaso, nem imaginava que antes poderia ter encontrado ela por lá.
Também foi o ano em que comprei meu primeiro lp e sem autorização dos meus pais. Fui em uma loja que ficava perto do colégio onde eu cursava
o primário com o dinheiro que meu avô me deu e pedí o disco Hey Jude, dos Beatles. Eu nem alcançava a prateleira, também não sei porquê gostei da capa do disco, com aqueles quatro sujeitos estranhos parados em frente uma porta. Também assistí o Yellow Submarine na sessão da tarde e gostei mais ainda. Os Beatles me acompanharam por todos os momentos da música, sempre na discoteca, independente do que eu estivesse ouvindo mais na época, seja no Breakdance, Heavy Metal, Acid House, Hardcore, etc. Com o tempo, selecionei melhor o repertório dos quatro de Liverpool e descartei a época mais yeah, yeah, yeah que a meu ver era uma espécie de Menudo da época. Sem dúvida eu me concentrei mais na época do Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, Yellow Submarine e Magical Mistery Tour, que foram as mais criativas para mim. Muitos falam do White Album, que é o melhor de todos, mas eu não acho, as experiências sonoras alí sempre me soaram um tanto enfadonhas. O Let It Be, mesmo contendo faixas lindas como a própria título, achava um disco deprimente, com o clima de ruptura da banda. De vez em quando eu ainda ouço uma coisa ou outra, mas não como antes, ainda gosto dos Beatles, mas eu já assimilei sua arte, está na minha memória. Confesso que um pouco do brilho se ofuscou depois que tive contato com o Pet Sounds e Smile dos Beach Boys, numa comparação mais próxima entre gêneros. Também gosto de um pouco da carreira dos ex-integrantes, como a música de natal de John Lennon e a parceria de Paul McCartney com Stevie Wonder.
Hoje em dia os Beatles são bem mais uma mercadoria do
que outra coisa, chegando ao ponto de fazerem um video game de última geração os usando como tema. As discussões em meios de comunicação chegam em níveis de qualidade altamente suspeitos em termos de qualidade, como futilidades sobre numeração de discos, fora as eventuais "fofocas".
O problema aqui é o absolutismo em torno dos Beatles, numa equivocada atribuição de mérito em muitos fatores da música e a indústria. Lí recentemente em uma publicação uma jovem pessoa atribuir o pioneirismo do formato videoclip à eles. Se a pessoa se auto denomina jornalista, deveria rever seus conceitos ao publicar uma afirmação destas. Pais, donos de lojas de discos, editores de revistas, livros e fanzines, devem ser mais coerentes e não ficar impondo suas paixões à juventude, que estão mais certos gostarem de artístas contemporâneos, mesmo que sejam de qualidade "inferior", afinal, os Beatles já foram os Jonas Brothers de sua época.

segunda-feira, junho 22, 2009

O desenho de Takashi Nemoto e Carlos Marçal

Poderiamos perder grande tempo numa tentativa em vão de teorizar o que leva certas pessoas produzirem sua arte. Muitas vezes o próprio artísta não consegue definir suas razões. Teóricos apelam para pseudo-ensaios sobre psicanálise tentando justificar sua análise sobre as obras de arte e seus artístas criadores, mas quase sempre são declarações suspeitas, muito passivas de enganos e desperdício de tempo e vaidade do intelecto.
Mas o intrigante aqui é a proximidade da estética e talvez até no conceitos nestes dois indivíduos que são contemporâneos, mas tem realidades completamente distintas, ainda com uma distância de hemisfério que os separa em um dia de vôo de avião: Takashi Nemoto e Carlos Marçal.
Nemoto é um conhecido do mangá no Japão, seu estilo é bem agressivo e totalmente oposto ao que a maioria das pessoas entendem por histórias em quadrinhos japonesas, como Naruto, Clamp, etc. Seus contemporâneos no Japão são Suehiro Maruo e o americano Gary Panter, numa linguagem que se convencionou de chamar underground, contra-cultura, subversiva.
Carlos Marçal não tem um nome ou curículo nos quadrinhos brasileiros, é amigo do Schiavon que já publicou várias obras em quadrinhos no Brasil quando tomou uma certa forma o quadrinho underground brasileiro no fim dos anos 80. Talvez Marçal tenha se influenciado na produção gráfica de seu amigo que o encorajou a continuar desenhando.

É muito interessante como duas pessoas que nunca se viram e pelo menos até agora que eu saiba, também nunca viram um o trabalho do outro, mas suas estéticas e talvez até em algum conceito se assemelhem tanto.
Blog de Carlos Marçal: http://mestrismo.blogspot.com/
Site de Takashi Nemoto: http://www011.upp.so-net.ne.jp/

sexta-feira, junho 19, 2009

Disco de vinil: o culto à anti-cultura

Mais uma vez este assunto está em pauta. Ontem mesmo havia um programa de debate em um conhecido canal de UHF que é direcionado ao mercado do produto musical. A grade de programação é dedicada em grande parte na promoção destes produtos no formato conhecido como video clip. Existem programas que pretenciosamente são ditos como culturais, mas qualquer pessoa que tenha uma real noção do que um dia foi denominado cultura, como livros, artes em geral, sabe que o conceito se deteriorou.
Mas voltando ao foco sobre a tentativa da indústria fonográfica de recuperar a grande margem de lucros através de um formato de mídia ultrapassado, muitas pessoas supostamente
especialistas tem dado declarações que meramente são opiniões pessoais sem nenhum fundamento sólido.
Recentemente também foi publicado uma matéria em um jornal provinciano paulistano, um artigo com ares de pesquisa científica sobre a suposta qualidade superior do disco de vinil em relação as atuais midias digitais. Produtores de música eletrônica, músicos de rock e dj's que foram e são expostos à uma quantidade abusiva de decibéis que um aparelho auditivo humano pode suportar, foram usados como referência para constatar esta diferença. Você confiaria na opinião de alguém assim? Levando em conta que o ser humano já começa perder gradativamente sua precisão auditiva desde o seu nascimento sem contar com a exposição de decibéis abusiva.

A tabela ao lado mostra os níveis e limites de exposição.
Bem, então é óbvio que estas pessoas não poderão detectar com precisão a diferença nos cortes de frequência no processo digital de gravação. 90% das pessoas que se submeteram aos testes de diferenças entre o cd e o lp só notaram a diferença por conta do ruído do atrito da agulha do toca-discos nos sulcos do vinil. Não vou me alongar nesta questão técnica, uma pequena parte já tinha comentado num post anterior e a maioria das pessoas acaba se influenciando por este tipo de comentário que na maioria das vezes não tem fundamento seguro em termos científicos.
Então chegamos em outro ponto: a preferência pessoal que supera a apreciação da obra artística principal: a música. Muitos defensores do vinil alegam também que perdem o prazer de desfrutar da capa, do encarte, num típico sintoma da cultura material, do tamanho. A maioria dos projetos gráficos não exige um formato de 12 polegadas para apreciar os detalhes da capa. Existe a questão da limitação de duração das faixas que já tinha comentado sobre os horríveis fade-in e fade-out nos discos de John Coltrane e Pharoah Sanders.
Mas tudo isso é uma questão inútil, um enfado, pois as pessoas querem acreditar em suas próprias opiniões, mesmo que algum dia elas se arrependam de certas decisões tomadas de forma radical, como tatuar o nome de uma pessoa que se apostou num relacionamento duradouro, mas não durou mais que 3 meses. Ainda bem que a cirurgia estética à laser está aí, imagine se fosse vinil...

sexta-feira, junho 12, 2009

Oficina de bateria na Improvisação Livre com Antônio Panda Gianfratti (27 e 28/06/2009)

* foto acima: c/ Han Benninck no Zaal 100 em Amsterdan, 2009
OFICINA DE BATERIA NA IMPROVISAÇÃO LIVRE

Com o percussionista e baterista conhecido como panda, com ampla atuação no cenário da improvisação livre. A oficina é aberta não apenas a bateristas e percussionistas, mas a interessados nas possibilidades de interação com esses instrumentos.
Serão abordadas técnicas extendidas, transições timbrísticas, desenhos e rituais, fraseado ritmico e ligaduras (utilizadas no Free Jazz ), idéias de composição de sets, técnica de dois bumbos e interação com os outros instrumentos.

Dias 27 e 28 de junho (sábado e domingo), das 15h às 18h.

Investimento: R$50,00.
Carga horária: 6h.

Inscrições: mandar e-mail para ibrasotope@gmail.com com o assunto "inscrição oficina de bateria". O e-mail deve ter as seguintes informações: nome completo, contato e pequeno texto sobre o que motivou a fazer a oficina. Detalhes de pagamento serão informados.

Antônio Panda Gianfratti - Baterista e percussionista contemporâneo

01. The Silver Strings: Vencedor do primeiro concurso de Rock Instrumental Brasileiro, organizado pelo radialista Miguel Vaccaronetto, da radio Record.
02. The Beatnicks: Grupo oficial da Jovem Guarda, responsável pelo acompanhamento de Roberto Carlos, Wanderléia, Erasmo Carlos e outros artistas deste movimento.
03. Triferente: Trio de Jazz e Bossa Nova, queacompanhava em shows artistas como: Paulinho Nogueira, Vera Brasil, Jorge Ben, Taiguara, Simonal, Altemar Dutra, e outros.
* Curso de percussão afro-jazz pela University South Florida, na cidade de Tampa Bay – Flórida em 1969. Depois de concluir o curso viaja para New York, onde vive por um tempo estudando e tocando jazz com músicos americanos. Regressando ao Brasil, começa a atuar na noite musical, trabalhando com diversos cantores de renome tais como: Amelinha do Recife, Sargentelli, Roberto Luna e outros.
04. Jazz Acoustic: Projeto que se utiliza de formações de trios, quartetos e quintetos. Onde participam grandes músicos como: Samuel Khuri Jr, Arnaldo Haickel, Lani Gordon, Cleiber, Vinicius Dorin, Boccato, Felipe Lamoglia (cubano), Pepe Cisneros, Zohio, Itamar Colaço, Chico Pinheiro, Pichú, Victor Campbell e muitos outros.
05. Billy Hart: Projeto no qual participa em duas faixas de disco produzido nos EUA, grava a bateria no Brasil no estúdio A Máquina do Som. Primeira faixa: Ralph’s Piano Waltz by John Abercrombie (guitar), Rufus Reid (bass), Antonio Panda Gianfratti (drums). Segunda faixa Day & Night Theme based on Cole Porter song’s - Night and Day,
Bill Dobbins (piano), Ron McClure (bass), David Liebman (sax soprano), Louis Smith (flugelhorn), Antonio Panda Gianfratti (drums).
06. Em 2006 funda o Trio Kyodushin: Grupo que faz releitura atual de grandes musicas, mas utilizando cores timbristicas das mais variadas matizes, organicidade e tempos construidos de maneira improvisativa , quase sempre surpreendentes e tudo isso mantendo a essência e características da música , neste projeto tem prestados serviços ao Hotel Intercontinental de SP eventos especiais e musicalização de ambientes, como também para o Clube Paineiras do Morumby no qual foi eleito o melhor grupo instrumental de 2008 , e outros importantes clientes como Hospital Nove de Julho, Laboratórios Torrent do Brasil e Unifesp.
07. Improvisação Livre: A partir de 1999 resolve dedicar-se inteiramente à música improvisada, juntamente com seu parceiro, o jovem saxofonista Yedo Gibson. Gravou alguns CDs com músicos internacionais.
08. Fundou o grupo de Improvisação Livre ABAETETUBA em 2003 , com o qual vem se apresentando
dentro e fora do Brasil e inserindo este genero musical no cenário nacional e internacional.

CDs Produzidos

01. Liberdade – Duo Antonio Panda Gianfratti e Yedo Gibson – 2003;
02. Vulcano – Trio formado por: Stephan Bleier (doublé bass – Germany), Yedo Gibson (tenor e soprano sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004;
03. Contra Mão – Trio formado por: Ruben Ferrero (piano – Argentina), Yedo Gibson (tenor sax), Antonio Panda Gianfratti (drums) – 2004;
04. Antonio Panda Gianfratti – SOLO – Times, Timbres e Textures – 2004;
05. Abaetetuba vol.01 – Sexteto formado por: Renato Ferreira (bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax), Luiz Gabriel Gubeissi (bass), Fabio Bizarria (tenor, soprano sax e flauta), Yedo Gibson (tenor sax) e Antonio Panda Gianfratti (drums, vibraphone e pianica) – Lançamento do CD no “Teatro Garagem” juntamente com a apresentação da atriz Anette Naiman em junho/2005;
06. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.01 – Thomas (rabeca e soprano sax) e Panda (small percussion e eletronics). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005;
07. Abaetetuba vol.02 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, vibraphone, cymbalophone, berimbaphone e trumpet), Renato Ferreira (clarinets, bass e tenor sax), Rodrigo Montoya (soprano sax, trombolone). Lançamento do CD e gravação de DVD no MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) – 2005;
08. DUO Thomas Rohrer & Antonio Panda Gianfratti vol.02 – Thomas (rabeca e sax soprano), Panda (percussion, cymbalophone, berimbaphone e recotronic) – 2006;
09. Abaetetuba vol.03 – Trio formado por: Antonio Panda Gianfratti (percussion, cymbalophone, berimbaphone, bells), Renato Ferreira (tenor saxofone, doublé bass), Rodrigo Montoya (violão e sax soprano). Participação especial na faixa 01 Thomas Rohrer (rabeca e sax soprano) Lançamento do CD no projeto “Sexta-Básica” na Casa das Rosas – 2006.
Weston, Mattos, Gianfratti, Gibson – Quarteto - Gravado em Welvyn Garden City (Inglaterra). Veryan Weston (piano), Marcio Mattos (double bass and eletronics), Antonio Panda Gianfratti (small percussion), Yedo Gibson (saxes and clarinets) – 2006;
10. Abaetetuba / Thomas Rohrer / Marcio Mattos Antonio Panda Gianfratti (percussão contemporânea), Renato Ferreira (saxofone tenor, clarinete e contrabaixo-acústico), Rodrigo Montoya (violão e shamisen), Luiz Gabriel Gubeissi (voz), Thomas Rohrer (sax soprano e rabeca), Marcio Mattos (violoncello). Out-2006. *Previsão de lançamento do CD no período de 2007 e 2008 no Brasil e em Londres.
11. DUO: Rohrer & Gianfratti, gravado no início de 2007. Thomas Rohrer - sax soprano e rabeca, Antonio Panda Gianfratti – percussão contemporânea e vibrafone.

Peças de percussão contemporânea criadas e desenvolvidas originalmente por Antonio Panda Gianfratti:
Cymbalophone, Berimbaphone, Bambuphone, Recotronic, Zyncophone, Panatronic, Cabacello.

quinta-feira, junho 11, 2009

A cultura automobilística no Brasil (estão ensinando bem a criançada...)

Muitas pessoas vão dizer que é radicalismo, mas se pararem para refletir sobre este assunto, talvez encontrem sentido para este ponto de vista. A imagem acima é de um filme de animação em 3D que esteve pelo circuito de cinema e até já foi veiculado na tv aberta. Muita gente gostou do filme, tem todos aqueles apelos para cativar as crianças e os adultos, para aprovarem o consumo pelos seus filhos. Mas existe aí uma mensagem inclusa que não é lá muito saudável: o gosto demasiado pelos carros. Não é de hoje que isso acontece, nem existia a animação 3D mas tinha um fusca que só faltava falar. Desenhos animados com corridas de carros e outros carros personagens que foram produzidos por uma cultura do automóvel. Não se pode afirmar categoricamente que estas produções foram encomendadas pela indústria automobilística, já para "educar" os futuros consumidores de seus produtos, mas esta suposição não seria absurdamente surreal. Eles já tinham este valor cultural no que era só um meio de transporte, as cidades giram em torno do culto aos automóveis, chegando ao ponto de existir uma cidade com o apelido de Cidade do Motor.
E os pais não deixam por menos ensinando estes valores aos filhos, valores machistas e consumistas que podem formar um adulto extremamente problemático no futuro. Como se não fosse o suficiente as armadilhas e lavagem cerebral do aparato das indústrias, com os mecanismos publicitários. O pai ensina o filho a gostar do carro como se fosse um ente querido, passando boa parte de uma manhã de fim de semana lavando e embelezando o carro, batizando até com um nome como se fosse um ser vivo. Incentiva a criança a gostar de assistir corridas de F1, stock car, ao invés de buscar outras atividades (isto também acontece com o futebol, que deixa de ser um simples esporte e se torna uma seita religiosa). Já ví pela tv pai e filho que vão a diversos lugares para admirar, tirar fotos de carros feitos pela Ferrari. Você acredita mesmo que esta admiração não causa nenhum dano? O sujeito vai passar a vida toda se conformando em olhar, tirar fotos, quando em especial vai no salão do automóvel e consegue sentar ao volante no stand de exposição e vai se conformar com isso? Pior é que vai, pois a esmagadora maioria das pessoas não possui pelo menos U$ 400.000,00 para comprar o brinquedinho. E isso gera uma frustração interior e um conformismo por não ter outra solução, já que não dá pra ficar milionário num piscar de olhos.

E a triste realidade para estas pessoas e também seus filhos, muitas vezes é se muito, possuírem um carro como o das fotos abaixo:

O mundo do consumo não tem misericórdia de ninguém, ou você tem ou não tem e ainda classifica você em uma escala de A à E, não importando quem você seja de fato. Um objeto que era para ser um benefício, para facilitar a vida de uma pessoa, acaba se tornando sua fonte de frustação e infelicidade e isso que não estou levando em conta que um veículo motorizado nas mãos erradas e despreparadas, pode se tornar tão eficiente quanto uma metralhadora AR-15 ou Kalashnikov 47.
Os mesmos que reclamam do trânsito em São Paulo, muitas vezes compram 3 carros para burlar o rodízio de veículos e incentivaram seus filhos a cultuarem os carros. E depois falam de sustentabilidade, qualidade de vida...

segunda-feira, maio 11, 2009

Sunny Murray's Untouchable Factor - Apple Cores

Gravado em New York, EUA, no Blank Tapes Studio, 01/01/1978

1.Apple Cores

2.Past Perfect Tense
3.One Up, One Down
4.New York Maze
5.Applebuff

Sunny Murray: drums
Frank Foster: soprano sax (tracks 01 to 03)
Oliver Lake: alto sax (track 02)
Jimmy Vass: alto sax (tracks 01, 03)
Don Pullen: piano (tracks 01 to 03)
Monnette Sudler: guitar (tracks 01 to 04)
Cecil McBee: bass (tracks 01 to 03)
Fred Hopkins: bass (track 04)
Hamiet Bluiett: baritone sax (track 04)
Arthur Blythe: alto sax (track 04)
Abdul Zahir Batin: flute, whistles, percussion (track 05)
Youseff Yancy: trumpet, flugelhorn, theremin, various electro-acoustical sound manipulating devices
(tracks 01, 03 to 05)

Sonny Brown: drums (track 05)

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quinta-feira, maio 07, 2009

The Human League - (keep feeling) Fascination - 1983 e a arte do videoclip


Na metade dos anos 80 os videos promocionais, conhecidos como videoclips, não eram veiculados com tanta frequência como hoje em dia. Hoje temos mais de uma opção em programações televisivas especializadas em videoclips, além da pioneira MTV, inaugurada em 01/08/1981 como canal de tv à cabo em New York e chegou ao Brasil uma década depois de sua criação.
Em 1986 o clip da música Money For Nothing (Dire Straits) foi eleito
"Video of the Year" pelo MTV Music Awards e foi um dos primeiros a usar a computação gráfica. Ian Pearson e Gavin Blair criaram a animação usando um Bosch FGS-4000 CGI system, no estúdio Rushes.
Me lembrei do grupo inglês de synthpop formado em Sheffield, 1977 e seu video clip feito em 1983 com a música (keep feeling) Fascination. Por mais de 20 anos não me saiu da memória a qualidade deste clip, que era desprovido das facilidades da computação gráfica de hoje em dia. Mas é claro que o video era um complemento do mais importante: a música. Fascination é uma bela música e também não contava com tantos recursos de produção. A música do Human League era fruto de criatividade artística e talento musical. Quanto clip de Fascination, assista e veja os detalhes de produção, levando em conta que não há computação gráfica e foi realizado em 1983.
Hoje em dia temos uma multidão de videoclips impressionantes em termos de produção visual e musical, mas a maior parte deles chegam ao esquecimento com facilidade por serem extremamente genéricos e obviamente as músicas sofrem deste mal. Há uma superprodução e a supervalorização dos produtores musicais em detrimento da criatividade artística e talento musical. São como as embalagens de alimentos industrializados, coloridos, ótima apresentação visual, mas na hora que se consome, vem o sabor insípido.

quarta-feira, maio 06, 2009

Kang Tae Hwan - Korean Free Improvisation

Kang Tae Hwan toca saxofone alto, nasceu em 1944 e montou seu primeiro conjunto, um trio formado pelo trompetista Choi Sun Bae e o baterista Kim Dae Hwan, que era seu primo(faleceu em 01/03/2004). Kang Tae Hwan ficou conhecido no Japão depois do Tokyo Meeting em 1985 de Toshinori Kondo. Já gravou com músicos como Otomo Yoshihide, Ned Rothenberg e Evan Parker.

terça-feira, maio 05, 2009

Alexandra Grimal


Alexandra Grimal (nascimento: Cairo, Egito 1980) estudou piano clássico dos cinco aos doze anos. Começou a tocar saxofone e jazz aos quinze anos, em Paris. Obteve o grau de mestrado no Conservatório Real da Haia, na Holanda, em 2005, na classe de John Ruocco, estudou também no Conservatório Superior de Música de Paris (CNSM) e na Academia Sibelius, em Helsinki, na Finlândia, como bolsista do Programa Sócrates. Participou, em 2007, no Banff Workshop in Jazz and Creative Music, no Canada (com Dave Douglas como diretor artístico) e em 2008, no "SIM" a New York.
ouça:





quinta-feira, abril 30, 2009

Peter Brötzmann / Fred Van Hove / Han Bennink - Balls (1970)

Han Bennink: bateria, percussão (Gachi, concha), voz;
Fred Van Hove: piano

Peter Brötzmann: tenor saxophone, arte gráfica
Gravado em 17/08/1970

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The Peter Brötzmann Trio - For Adolphe Sax (1967)

Peter Brötzmann nasceu em 06/03/1941, Remscheid, Alemanha e se interessou por pintura, frequentando a academia de arte de Wuppertal, mas se decepcionou com a situação da arte no quesito de exposições e galerias de arte, mas continuou na pintura e encontrou maior realização no meio musical semi-profissional tocando swing e bebop, sendo autodidata nos clarinetes e saxofones. Em 1962 conheceu o baixista Peter Kowald iniciando uma parceria que gerou trabalhos com músicos americanos como o trompetista Don Cherry e o saxofonista Steve Lacy e também os europeus Alexander Von Schlippenbach(piano), Manfred Schoof(trompete).
Brötzmann e Kowald iniciaram o trio com o baterista Sven-Ake Johansson entre 1965/66 e em Junho de 1967 gravaram seu primeiro disco de forma independente, pelo selo BRO, com a capa feita em silkscreen por Brötzmann e os rótulos estampados à mão. For Adolphe Sax, em homenagem ao inventor do saxofone foi relançado pelo selo FMP e posteriormente em cd, incluindo uma faixa extra, gravada em 15/09/1967 na Radio Bremen, com Fred Van Hove no piano. Sem dúvida um essencial documento do que há de melhor na improvisação livre que surgiu na Europa e seus melhores artístas, que continuam a oferecer um trabalho de alta qualidade. Confira.

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domingo, abril 19, 2009

Ab Baars



Gallery 701, Columbia, SC - 16/04/2009

Ab Baars - sax tenor, clarinete, shakuhachi
;
Wilbert de Joode - baixo;
Martin van Duynhoven - bateria;
Ken Vandermark - sax tenor, clarinete

Ab Baars nasceu em 1955 e é um compositor holandês que toca saxofone tenor, clarinete e Shakuhachi, tendo foco em seus trio, duo e também participa da ICP(Instant Composers Pool) Orchestra, fundada pelo pianista e compositor Misha Mengelberg e o percussionista Han Bennink. Iniciou no saxofone aos 15 anos de idade e em 1989 estudou clarinete com John Carter em Los Angeles, E.U.A. e trabalhou com improvisadores como: Jaap Blonk, Alberto Braida, Anthony Braxton, John Carter, The Ex, Cor Fuhler, Ben Goldberg, Tristan Honsinger, François Houle, George Lewis, Michael Moore, Sunny Murray, Sonic Youth, Fabrizio Spera, Cecil Taylor, Roger Turner, Veryan Weston, Wolter Wierbos, Michiyo Yagi, poets H.C. ten Berge e Diane Régimbald, dançarinos Beppie Blankert, Hisako Horikawa, Masako Noguchi e Katie Duck’s Magpie Company.

Ab Baars
ICP Orchestra

sexta-feira, abril 17, 2009

Yeu Woo Bi - (2007)


Dirigido por Seong-kang Lee, CJ Entertainment, baseado na lenda coreana Gumiho, sobre uma raposa que procura roubar a alma de um jovem. Produzido na Coreia do Sul.

http://www.yeuwoobi.co.kr

sábado, abril 04, 2009

Watchmen... I don't want to grow up?*

Eu até alimentei uma expectativa em relação a adaptação cinematográfica da história em quadrinhos Watchmen escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Quando foi lançada no Brasil no fim dos anos 80, saiu em 12 edições mensais gerando um suspense quanto ao desfecho da história. Para os aficcionados dos quadrinhos, Watchmen é um marco ou até alguns dizem ser a melhor história de heróis(ou anti-heróis) de todos os tempos. Assim como nos rankings de música, cinema e outros, isso é estritamente pessoal e não há verdade absoluta em relação ao posicionamento no podium, cada um elege o seu número um.
Num dia corriqueiro me encontrei conversando com alguns aficcionados de quadrinhos e obviamente o assunto em pauta era o filme Watchmen que a pouco entrara em cartaz nos cinemas da cidade. Com a ressalva defensiva de que é uma adaptação de uma história um tanto extensa para um filme de ação compactado em pouco mais de 2 horas e 40 minutos, todos entraram no veredicto de que quadrinho é quadrinho, filme é filme(óbvio...). Logo de antemão, mesmo para os que viram apenas um trailer ou teaser do longa metragem, por estéticamente ser fiel ao desenho original, já houve uma empatia. A crítica especializada em cinema ao dizer que o filme carece de dose certa de ação, já despertou a discordia e o contra-ataque dos aficcionados, que não toleram nada que não seja para exaltar seus gostos pessoais. Frases do tipo: "Ah, estes críticos metidos a intelectuais só gostam de filmes iranianos porcarias que ninguém assiste...", são sintoma de um pensamento gravemente limitado e unilateral que imposibilita a pessoa enxargar a sua própria incoerência. Afinal quem leu a história Watchmen sabe muito bem que ela é extremamente focada no intelectual, chegando até ser um tanto cansativo em sua narrativa. Me lembro que à muitos anos atrás passou na tv aberta um filme iraniano(hein, mais hein?) o qual eu gostei muito, acho que o nome era Bashu, sobre um menino que tinha perdido sua família e tinha muita dificuldade de se comunicar e ficava tocando um tambor. Um filme sobre coisas simples do ser humano, sobre a existência, mas nada que uma pessoa comum não possa compreender. Enquanto Alan Moore tenta criar uma intrincada história com muitos artifícios de linguagem que impressionam só quem não tem o hábito de ler livros no campo da literatura(não vale o mago hein?).
Antes que eu seja alvo de ataques da seita DC/Marvel, já digo que gostei de Watchmen e espero assistir o filme também, para me divertir, pois não vai ser este filme que vai me causar uma epifania sobre a existência humana. Calma, é apenas entretenimento...

*uma citação ao título do disco do grupo Descendents

domingo, março 29, 2009

Just A Pest... (um Festival de opções!)

Na maioria das vezes as formigas são uma peste, contaminam os alimentos depois que invadem a cozinha, danificam as paredes das casas, estragam os jardins e eventualmente nos mordem, algumas espécies podem te deixar de cama. Muita gente associa a formiga com um exemplo positivo, de organização e trabalho, mas isso não é bem assim. A formiga obedece um código genético e opera pelo instinto, a formiga não tem escolha. A fábula da formiga e a cigarra ajuda a reforçar o exemplo da boa formiga. Me lembro do anime Tekkonkinkreet, onde o personagem Kuro(Preto), lembra que seu parceiro Shiro(Branco) acha injusta a história, pois para ele a cigarra não queria fazer mal a ninguém, só queria cantar.
Mas o ser humano é diferenciado, ele tem o livre arbítrio, tem o poder de decisão, pode raciocinar, pode escolher, pode controlar seus instintos naturais.
Muitas pessoas escolhem se submeter a situações adversas para obter um prazer que se forem colocados na ponta do lápis tanto sentido material quanto espiritual, estão remotamente longe de uma boa opção custo-benefício.
Um bom exemplo são os grandes festivais de música promovidos por grandes corporações que seguem os padrões mais radicais dos valores capitalistas. Antes eu realmente me aborrecia se perdia a oportunidade de prestigiar um artísta por falta de condições financeiras, já que cada vez mais o preço dos ingressos subia e o formato adotado das apresentações se moldou de uma forma desvantajosa para o público específico, ou seja, ter que pagar mais para assistir seu artísta predileto por conta de outras atrações estarem incluídas na mesma noite. Quando eu perdí a última apresentação do Pharoah Sanders no Freejazz Festival, no fim dos anos 90 por falta de condições financeiras, fiquei chateado, pois é muito difícil prestigiar o Pharoah, pois o saxofonista norte-americano não faz tantas turnês mundiais que passam pelo Brasil e o Jazz aqui não é inserido no circuito mundial, como em muitos outros países. Ainda o fator da idade de Pharoah e outros músicos como Ornette Coleman, eles diminuem o número de apresentações durante o ano por conta do desgaste físico das viagens. Então eu pude perceber que isso realmente era uma situação extremamente insignificante perante a grande alegria de estar vivo e que isso não merecia tomar tanto tempo para murmurações. Também percebí que se em algum dia eu realmente tive uma identificação com a filsofia libertária do punk e do hardcore, eu não podia me sujeitar ao que as corporações capitalistas impunham para os consumidores. Pague 100 mangos para ver seu artísta preferido sem a certeza de ter uma boa qualidade de serviço, assista o show onde ficam os cavalos...(mas não é sempre no Jockey?)
É triste ver uma boa porção de pessoas que tem uma situação material privilegiada em relação à grande população deste país, depender de comprar momentos passageiros e se sujeitar a situações totalmente desnecessárias para serem felizes. Recentemente eu lí que uma pessoa só conseguiu resolver 13 anos de questionamentos(creio que sejam existenciais) vendo os gestos de um artísta do rock.

segunda-feira, março 16, 2009

Peter Brötzmann Quartet (1974)


Jazz Jamboree 1974 - Warsaw, Poland.

Peter Brötzmann: t. sax
Alexander Von Schlippenbach: piano
Peter Kowald: bass
Paul Lovens: drums

quinta-feira, março 05, 2009

Street Art X Arte, Contracultura X Cultura, quem ganha, quem perde?

Sobre a chamada Contra-cultura, isso me soa um assunto já antigo, me lembro do Burroughs, etc. Hoje o que se chama Street Art também já existe a algum tempo, já que esta denominação está ligada diretamente ao graffiti. Outros também consideram Street Art as ilustrações, desenhos de cartazes e panfletos ligados aos shows de bandas punks no fim dos anos 70. Temos uma variação que se chama Toy Art, a versão em formato de "escultura" da Street Art. As ilustrações nos produtos ligados ao skate também fazem parte desta estrutura. É pertinente lembrar das teorias e afirmações de Andy Warhol sobre a arte e produto, mas aqui o espaço é muito reduzido para ser tratado com relevância digna.
Seria um grande equívoco não reconhecer a legitimidade artística de muitos que se enquadram na Street Art, realmente muitos artístas se libertaram do mero aspecto ilustrativo, que muitas vezes só tinham uma função decorativa, para funções políticas e outras dentro do universo artístico.
Mas vamos analisar em termos de grandes cidades do Brasil, onde pessoas tem acesso a informação globalizada, que sofrem com a crise de identidade, divididas entre a realidade de pais sub-desenvolvido e a identificação com a cultura do chamado primeiro mundo. Como acontece em qualquer parte do mundo, pois o ser humano é o mesmo, independente de sua cultura, nacionalidade, sistema político-econômico, o modus-operandi, as questões existenciais são basicamente as mesmas. Levando em conta que existem os pontos positivos da Street Art, que é um segmento muito novo aqui no Brasil, no aspecto deste segmento se reconhecer como Street Art e começar a criar aos poucos sua própria identidade, há muitos pontos negativos, que são reflexo do comportamento em larga escala da juventude.
O que me chamou a atenção foi uma sessão de fotos de uma recente exposição de Street Art no Rio de Janeiro, que bem poderia ser em São Paulo. A esmagadora maioria do que compõe este universo, é extremamente genérico e previsível. Mesmo os artístas de ponta da Street Art no Brasil soam com um "delay" do que é feito nos E.U.A., Europa e Japão. Tanto o público quanto os artístas da Street Art carecem de uma identidade, de uma originalidade. Roupas, lugares, gírias são incorporadas de forma sintética, simultaneamente os gostos pessoais de cada um não foge muito ao gosto coletivo. Isto se reflete na arte criada, muitas vezes comprometendo o valor criativo da obra, se tornando apenas um produto de função estética impessoal, como se fosse fabricado em série. Talvez os bonecos de Toy Art tenham a intenção de romper isso, sendo personalizados pelo artísta ou o consumidor em contraponto dos bonecos serem fabricados em série.
No geral, a Street Art se tornou apenas mais um segmento de mercado. Os que fazem parte deste segmento podem argumentar e não aceitar isso, mas o que acontece demonstra que sim, é apenas mais um nicho de consumo. Mesmo que se usem ícones libertários e revolucionários, façam a chamada intervenção urbana que intenta em ser uma função catalizadora de mudança na sociedade. A última revolução da semana foi televisionada: portabilidade...

segunda-feira, março 02, 2009

Giuseppi Logan está de volta!


No dia 17 de Fevereiro de 2009, Giuseppi Logan voltou à ativa, se apresentou no Bowery Poetry Club em New York, desfazendo os boatos de que já havia partido deste mundo.

domingo, março 01, 2009

Galeria do Rock, templos mortos


Em um artigo publicado neste domingo no jornal, Marcelo Tas considera a Galeria da rua 24 de Maio que tem entrada pela av. São João, como um "museu" vivo da cultura de rua. O prédio do Shopping Grandes Galerias, criado em 1963 por Alfredo Mathias se tornou a Galeria do Rock nos anos 80. Não haviam tantas lojas e não eram muitas pessoas que frequentavam o local, pois naquela época era muito arriscado ir ao centro de São Paulo, quando as calçadas eram tomadas pelo comércio ambulante e os notórios "trombadinhas". Dentro da galeria ainda havia o perigo de conflito com os grupos de headbangers(metaleiros), punks e skinheads(carecas). Mas onde se dava a concentração de headbangers era na frente da Woodstock discos, situada na r. Dr. Falcão, ao lado do metrô Anhangabaú, onde aos sábados, dezenas de headbangers se encontravam para conversar, trocar recortes de materias de revistas especializadas, fitas k7, comprar discos e adereços de heavy metal, assistir videos em vhs na pequena tv que tinha instalada no interior da pequena loja. Já na metade dos anos 80 começaram a abrir lojas especializadas em heavy metal e punk com maior número na Galeria 24 de Maio e o público que frequentava a Woodstock também foi para lá. Só que não eram exclusivos do local, tendo que dividir espaço com os punks e skinheads, gerando tensão no local e confrontos, que em algumas vezes acabava até em homicídio. Com a chegada do Grunge, que impulsionou a parte financeira e reativou o mercado do rock pesado, isto levou ao surgimento de novos investidores de olho nesta fatia do mercado que até então era desprezada. O número de lojas triplicou e levou a administração das Grandes Galerias investir em melhorias no imóvel que estava em péssimo estado de conservação. De uma hora para outra havia iluminação nos corredores, escadas rolantes funcionando e seguranças e até piso encerado. O público que era composto só por membros de "tribos" e gangues, começou a dar espaço a pais acompanhando seus filhos que ingressavam no universo underground do rock.
Hoje em dia, com as facilidades da internet e os downloads de mp3 e vídeos, os preços abusivos da indústria fonográfica e é claro, o tiro no pé da própria comunidade underground que se recusou a sustentar a sí própria, junto da crise financeira, causou o fechamento de muitas lojas que não tinham como arcar com o aluguel abusivo que a administração da galeria impunha aos lojistas, querendo se aproveitar do "status" da galeria. Outra medida que derrubou a frequencia do público na galeria do rock, foi a proibição do público usufruir do espaço de convivência do imóvel, ou seja, era proibido ficar conversando, se reunindo nos corredores largos da galeria, só era permitido ficar dentro das lojas. Consequentemente isso afugentou o público, pois os lojistas não queriam também que as pessoas ficassem na loja, que já tem um espaço reduzido, sem comprar nada e atrapalhar uma possível venda. Então outros tipos de comércio tomaram força e foram preenchendo espaço.
Me lembro que eu e meus amigos quando frequentávamos a galeria, brincávamos dizendo que alí era a Meca do Rock, pois pessoas de vários estados e até países vizinhos ìam pelo menos uma vez para lá. Ainda bem que os rockeiros não chegaram ao ponto extremo como grupos religiosos. Imagine proibirem o pessoal de ir à Meca ou ao Muro das Lamentações...
Eu não creio que o termo "museu vivo" seja o mais adequado, pois a Galeria do Rock de hoje em dia o que sobrou, foi uma fotocópia desbotada e pouco nítida de uma era que se foi. Se o conceito usado se refere ao que muitos museus eram e outros ainda são aqui no Brasil, aí eu concordo, onde as peças, obras, documentos arquivos estão deteriorando, muitos já se perderam, não há uma manutenção, jogados ao descaso.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Equívoco das Indias e os dejetos da rede grobo

Novela já não é de longe a melhor opção de lazer, mas muita gente deixa de fazer coisas importantes para acompanhar os melodramas. Um sintoma grave da alienação eu mesmo pude presenciar, pessoas acreditando que novelas de época são o retrato fiel de um país naquele período que foi usado como tema, como se fosse um documento histórico. Muita gente acha que a imigração no Brasil foi como na novela das 20h... (?!).
Agora a nova polêmica é sobre esta nova novela que é ambientada na India. Eu ví uns trailers e já achei engraçado os indianos com sotaque carioca, valeu? Depois o que me chamou a atenção foi a matéria publicada no Jornal Da Tarde falando do equívoco cometido pela autora, Glória Perez.
"Os dalits não são mais pessoas discriminadas na Índia. A autora precisa atualizar essa novela, tudo o que vejo lá é de, pelo menos, 60 anos atrás. Nós indianos ficamos aflitos em ouvir as gírias erradas. 'Badi', por exemplo, que é usada em referência ao pai, está errada. 'Badi significa balde, 'Babadi' que significa pai", patrulha Dinesh Rajput, de 36 anos, que vive no Brasil há 11 anos
.
"Eu acabei de chegar da Índia, e as coisas não são como é mostrado na novela. É tudo muito desatualizado.", segundo Kiran Patil, sobrinho de Bianca Shiva Nandini, monja e presidente da Associação Cultural Brasil Índia.
Bhuvana Mohandas, 63 anos, que viveu 11 anos como monge na Índia, reforça que toda novela é um exagero da realidade. "Não dá para julgar a Índia por uma novela, assim como não dá para julgar o Brasil a partir de Cidade de Deus. A novela oferece a primeira impressão da Índia e mostra uma abordagem superficial do país e de sua cultura. Existem muitos caminhos para as Índias."
Pra variar a "humildade" brazuca:
Glória Perez, por sua vez, insiste em que a pesquisa feita por ela e sua equipe, em sites de relacionamento e blogs, é fiel à realidade atual do país.

É isso aí pessoal, este é o nível de pesquisa que nós temos aqui...

PS.: Na boa é bem melhor ler um livro, dar um passeio do que ficar assistindo novela, mas como disse um amigo, pra quem é tá bom demais. Isso é muito triste, me ajuda aê Datena, pô!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Vandermark 5, Elastic Arts Foundation 25/01/2009


Ken Vandermark (bar, ts, cl)
Dave Rempis (ts, as)
Fred Lonberg-Holm (clo)
Kent Kessler (b)
Tim Daisy (d)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Milford Graves

Até pouco tempo atrás, este nome era desconhecido no Brasil e inclusive no mundo. Lembro-me que à 10 anos atrás, só ouvia falar de Graves em publicações especializadas estrangeiras, de suas gravações com Albert Ayler e o lendário New York Art Quartet. Dentro do contexto de uma sessão de improvisação de Free Jazz ou uma composição, não identificava tantas diferenças nos aspectos percussivos da bateria para cada músico. Mesmo músicos que possuem personalidades bem distintas, como o pioneiro Sunny Murray, Andrew Cyrille, Denis Charles ou Steve McCall, existia um, digamos, certo "padrão" em seu melhor sentido, nas gravações e performances do Free Jazz norte americano nos anos 60. Talvez de um modo bem simplório poderíamos detectar pelo menos no timbre uma diferença mais destacada no som de Graves, uma sonoridade mais fragmentada do que a maioria dos bateristas, mesmo em comparação à Sunny Murray, a ausência do som da esteira na caixa, o timbre mais seco, pois Graves não utiliza pele de retorno em toda sua bateria. Percebe-se que alí não está diretamente ligado às tradições da bateria no Jazz. Tem muito mais ligação com os tambores tocados com as mãos, outros instrumentos de percussão, padrões rítmicos fora do Jazz. Graves acabara de lançar seu disco solo pela Tzadik, o Grand Unification e uma entrevista sua que fora publicada numa revista específica para bateria e ele falava sobre esta gravação. Fiquei interessado nas suas concepções sobre percussão, mesmo que algumas me parececem absurdas, como cura pelo som dos tambores e física quântica. O Grand Unification ele dizia ser a junção de todas essas teorias e conceitos sintetizadas nesta gravação. Por oportunidade lá estava o cd de Graves jogado na prateleira da Fnac, com um preço bem alto e um nome desconhecido. Como já ouvia falar do talento espantoso de Graves, não temí comprar o disco e não sentí a necessidade de ouvir antes de comprar. Realmente foi um grande impacto, pois Graves é um verdadeiro artísta e se doa à música e isso se reverte em um trabalho extremamente tocante. Sua capacidade é surpreendente, que não parece que ele está fazendo tudo aquilo sozinho. Graves tocando seus tambores e pratos parece uma tempestade, uma avalanche. Alí eu percebí suas raízes, das quais ele dissera em sua entrevista: a música cubana. Milford Graves tocava congas e timbales, em sua juventude tocava em uma banda de salsa com Chick Corea, gravou com Montego Joe. Em suas gravações se percebe a utilização dos padrões rítmicos cubanos e consequentemente africanos mesmo em uma peça tão "abstrata". Graves também disse que não se interessava pela bateria no Jazz por achar monótono o jeito de tocá-la, até que ouviu Elvin Jones com Trane, tocando My Favourite Things, onde descobriu mais liberdade rítmica, pois esta composição é uma valsa em 5/4, com as divisões modernas que tomaram forma com Kenny Clarke. Posteriormente a cultura oriental teve grande influência na vida de Graves, estudou tabla em 1965 com Wasantha Singh, se tornou mestre em artes marciais, herbalista, acumputurista. E lógicamente isso refletiu em sua maneira de fazer música, tanto que isso está evidente na gravação Grand Unification. Essa mudança é nítida se compararmos suas gravações com Ayler e New York Art Quartet como também sua Percussion Ensemble com Sunny Morgan e o Dialogue Of The Drums, com Andrew Cyrille. Sem dúvida Milford Graves é um talento único na percussão.

Ouça Milford Graves com o New York Art Quartet

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A Jeannie é que é um gênio!

Polêmica Zorn:
"Para começar, esta historia de genio multifacetado não existe, não passa de um mito.
Unico, historico e ultimo genio multifacetado q conheço é Da Vince. Até o Picasso, considerado o genio da pintura seculo 20, vá ver as esculturas dele. não passa de lixo. Exemplos mais proximos, vá ver os moveis do Oscar Niemayer, lixo. Atualmente em exposição no Rio, pinturas e tapeçarias do Burle Max, considerado genio do paisagismo. Concordo, mas as pinturas, tapeçarias e paineis do B Max não passam de lixo, chega a ser constrangedor olhar os trabalhos, do tipo qq professor primario daria 0 nos trabalhos. Acho q qq artista deveria ter um minimo de senso critico. Gravou uma experimentação, não ficou bom, guarda como registro pessoal. Não quero, e não tenho saco para ficar ouvindo 50 gravações de um determinado musico para garimpar alguma coisa q preste. Esta tarefa é do musico. Quando baixo qq material do Parker, Powel, C Brown, Coltrane, McLean, H Silver, Monk, M Davis, Mingus, A Shepp tenho a certeza da qualidade do "selo", no mínimo é bom, podendo ser genial. O sujeito, no minimo, precisa de humildade para dicernir. E não lançar qq merda achando q a gente vai engulir aquela porra."

Perdão, essa não podia deixar escapar, como eu disse no post anterior sobre os anos 80, precisei refletir sobre estas declarações acima, que estão numa comunidade de discussão sobre Jazz no orkut. Ainda bem que certas coisas só circulam como opiniões pessoais periféricas na vasta rede digital, pois se isso vira ítem até de wikipedia (que é imprecisa), algum desinformado vai acreditar que é verdade.
1. É um tanto descabido comparar o Da Vinci neste contexto, pois o que está sendo debatido é sobre a genialidade(chega desse troço de gênio, por misericórdia!) multifacetada dentro dos músicos de jazz, sim independente de opiniões estritamente pessoais, Zorn tem formação no jazz, ele pode tocar o chamado "straight-ahead jazz" com emoção e maestria se ele quiser. Sobre Picasso, o objetivo de muitas de suas esculturas, não é o aspecto formal, como a cabeça de touro com peças de bicicleta, o ready-made. Seria enfadonho só existirem obras renascentistas. Sobre o arquiteto de Brasília, se observarmos a arquitetura no espectro mundial, ele está longe de ser a cereja do bolo. Quanto ao Burle Marx, pode ser lixo para muitos e outros tantos podem achar bom, isso é uma questão de gosto pessoal;
2. Onde está a liberdade de expressão? Quem disse que a experiência não ficou boa? Só porque alguém não apreciou o resultado, isso não quer dizer que o objetivo não foi alcançado. E outra, o Zorn gravou suas experimentações pela sua própria gravadora e não ameaçou ninguém com uma metralhadora israelita Uzi a ninguém consumí-las.
3. Mesmo grandes artístas do Jazz, como Bud Powell gravaram material dispensável, por questões contratuais. Vejam o caso de Archie Shepp, que gravou pela Denon discos que são fracos em comparação a sua obra. O aclamado Ballads de Coltrane e o disco com Johnny Hartman foram gravados por obrigação contratual e não por vontade de Trane e isso não quer dizer que sejam discos ruins. Mas no contexto artístico, da criação, são dispensáveis e não expressam o melhor do artísta. Miles Davis então, mesmo sendo ótimos discos, muitos deles não há uma sessão que não tenha sido editada por Teo Macero, por conta da debilitação técnica de Miles por conta das drogas, muitos solos inteiros são uma colagem de várias sessões diferentes. Fora que nos anos 80 Miles gravou discos fracos em relação a sua obra, pois precisava se manter no mercado.
4. A verdadeira humildade para dicernir é respeitar a obra, principalmente se a pessoa nem tem a capacidade de fazer algo tão bom ou ruim quanto. Eu me coloco como um mero exemplo disso, o próprio Zorn tem muita coisa que eu acho chato mesmo, mas por meu gosto estritamente pessoal e não acho que seja um lixo, simplesmente não gosto. Milhares de pessoas acham a Ivete Sangalo o máximo e até genial (...), mas eu não vou perder o tempo tentando denegrir o talento da cantora, simplesmente é um universo paralelo para mim.
5. Se a comunidade é focalizada no estudo e crítica do Jazz, no mínimo a pessoa deveria ter mais paciência para fazer uma pesquisa mais profunda, principalmente se fizer uma crítica negativa. É necessário ter uma sólida argumentação para afirmar categoricamente sua análise. Se não fica uma coisa infantil (que um professor primário daria nota zero) do tipo: "Eu não gosto, é feio!". Eu não vou me envolver num debate sobre Javon Jackson enquanto não houver algo no trabalho dele que me desperte interesse. Mesmo quando um debate me leva a pesquisar sobre um artísta que não conheço, como a Anat Cohen, não vou depois sair dizendo que é um lixo, pois isso não é verdade, o mesmo vale para o Frank Aguiar. Eu simplesmente não gosto e o tempo que eu gastaria pensando e falando mau de algo eu uso anunciando as boas novas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Saudosa maloca, cuidado com a nostalgia!

É inevitável, mas toda vez que ouço uma declaração enfática que tenta definir fatos de maneira tão conclusiva, isso me inspira uma reflexão. O artísta Edgar Scandurra afirmou que se precisa passar 20 anos para reconhecer a genialidade (mais hein, outra vez esse troço de gênio?) na produção musical dos períodos antecessores. Bem, se as pessoas que não vivenciaram a época por mera questão de compatibilidade cronológica, isso acontece mesmo, e existem pessoas que simplesmente ignoram o que veio antes e preferem consumir a música contemporânea. Já faz um tempo que se fala dos anos 80, desde o início dos anos 90. Criou-se até artifícios para desfrutar da produção dos anos 80 de forma que tenha um certo glamour, status ou qualquer coisa dispensável como estas. É o chamado "trash" ou "cult", dentro do "revival". Até perto da minha residência existe uma casa noturna dedicada aos anos 80, onde moças e mancebos que já passaram dos 30 podem se deleitar na pista de dança ao som dos hits dos anos 80, sem culpa, pois até Menudo e Xuxa entram na fita. Isso acontece desta forma como em uma festa do clube dos "easyriders" brazucas, onde os durões na resistem ao refrão do Village People, com direito a coreografia. Mas tem muita coisa que era odiada simplesmente porque não era de qualidade e hoje muitos procuram resgatar, como filmes, desenhos animados, seriados, além da música. E é aí que a coisa fica estreita, pois muitos perdem suas referências por saudosismo. Eu particularmente aprecio a música o filme, etc, simplesmente pela obra em sí, não como um mecanismo de nostalgia, não é porque foi de uma boa época, é que vou gostar.
O que vejo de interessante nos anos 80 na música, é diretamente ligado à tecnologia. Os artístas estavam experimentando ferramentas realmente novas para criação, os equipamentos eletrônicos, digitais, como os sintetizadores e novos processos de gravação e produção. O sintético refletiu não só na música, mas em tudo, como nas roupas. Muita coisa eu achava feia mesmo em sua época, como penteados melecados com o tal do New Wave Glitter Gel, blazers com cores cítricas, a Eletric Band do Chick Corea...
O engraçado é que no jetset sempre é necessário um compendio teórico para justificar os gostos pessoais de cada um, sempre há uma análise semiótica para justificar uma pessoa que comprou o disco do Kajagoogoo na Benedito Calixto.
PS:
Este post foi escrito ao som de Bauhaus, Tony Macalpine, Byrds, Helloween e The Human League.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

John Zorn ou Mallu Magalhães, quem me concede três desejos?

Nos últimos dias numa pequena comunidade sobre Jazz no orkut, o questionamento sobre a genialidade do saxofonista, improvisador e compositor John Zorn me chamou a atenção. Assim também sobre o que lí e ouvi à respeito da Mallu Magalhães, a qual realmente não sabia nada sobre seu trabalho musical. Estes dois artístas que pertencem a universos tão distantes um do outro partilham do mesmo questionamento: Afinal, são ou não são genios?
Em tempos mais rígidos, este título era atribuído a pessoas como Franz Lizt, Mozart, Edgar Varese, Pierre Boulez, Frank Zappa, Jimi Hendrix, etc.
Mesmo recebendo premiações de instituições como a MacArthur Foundation, que contempla poucos músicos em meio de cientistas(os quais são os estereótipos de gênio), educadores, Zorn não passa de um desconhecido para a maioria das pessoas ou apenas um nerd do underground com fama de chato e barulhento. Mas nos abstendo do que dizem por aí, é fato que Zorn é um artísta criativo e extremamente inteligente. Sua produção artística é assustadoramente abundante e rica, mas isso não o isenta de produzir trabalhos chatos. Sua precisão e destreza no saxofone proporciona-lhe total liberdade de expressão. É dotado de conceitos bem desenvolvidos e coerentes na sua obra, mesmo que 99% das pessoas o ignorem e achem uma bela porcaria.
A Mallu Magalhães ainda é uma menina, com 16 anos ganhou a fama e tomei conhecimento dela pelo costumeiro bombardeio de baixo nível da mídia sobre sua vida pessoal. Depois descobrí que sua música era trilha sonora de algum produto vendido pelos anúncios na tv. Aí tem esse lance da redescoberta da folk music norte americana, inventaram um troço que chamam de "indie folk"(mais hein?!). Realmente fiquei intrigado sobre as declarações sobre esta moça de 16 anos que dizem ser um gênio, extremamente madura, que fala, pensa e age com mais maturidade do que muitos que passaram dos 30...
Então eu assistí uma entrevista com Mallu e me pareceu uma pessoa simpática e sincera. Bem, sua música eu particularmente não ví nada de genial, também não achei ruim. Suas melodias são muito familiares se você tiver um bom repertório musical na memória. Muitos adoram a Mallu e outros tantos a odeiam. Sei lá viu, deixa ela fazer a arte dela, para mim é um mundo distante da minha realidade.
Mas é uma discussão que não vai acabar hoje, muito menos amanhã, nunca haverá uma lâmpada para esfregar e receber os tais dos três desejos e não há Zorn ou Mallu que possam realizá-los.
Uma "apóstrofe": " ...
look here brother
Who you jiving with that cosmik debris? ...Look here brother, dont waste your time on me"

domingo, janeiro 25, 2009

São Paulo 455

455 anos e esta cidade ainda não aprendeu a ser mais justa. São Paulo, feliz aniversário, mas os meus pesares também...

terça-feira, janeiro 20, 2009

S.O.S. David S. Ware

O saxofonista David S. Ware infelizmente precisa urgentemente de um transplante de rim, após nove anos de tratamento. O doador precisa ter boa saúde, sangue tipo O, tanto positivo quanto negativo, ter menos de 60 anos, não ter diabetes e pressão alta.
Assim que possível, o transplante será realizado no Robert Wood Johnson University Hospital in New Brunswick, NJ.
Site oficial de David S. Ware: http://www.davidsware.com/

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Como se dizia antes, não está na hora de virar o lado do disco?

Já tem gente começando o ano de 2009 com o pé na cova... Mas isso é no sentido figurado em relação à música e em São Paulo particularmente. São sites, blogs, comunidades do orkut, etc., abordando o assunto Miles Davis. Como recentemente foi publicado o livro sobre a gravação do disco Kind Of Blue, o assunto voltou com mais frequência do que já é costume. Para os fãs de Miles e os que acham que ele é mais que um mero ser humano, já explico que não odeio ele, inclusive tenho uma boa parte de sua discografia, reconheço seu talento e realmente aprecio muitas de suas composições, mas não tenho uma imagem idealizada e romantizada de um Miles Davis is god, como muitos afirmam. Também já abordei o tema em sí e este não é o momento e nem a minha vontade retomar um assunto tão bem digerido, bem publicado, bem documentado, bem registrado, como é Miles Davis, desde fascículos de banca de jornal, dvd's e luxuosas box set's com gravações inéditas.
O que me levou a falar sobre isso foi ter visto justamente o que escreví no começo do post, nem começou o ano direito e já estão falando do ilustre de novo, só que sem nada que possa acrescentar algo realmente relevante e substancial. Tudo bem, é o livre arbítrio, pois cada um escolhe no que gasta seu curto espaço de tempo em carne e osso neste planeta. Tem pessoas que só ouvem a música de Johnny Mathis, outros só Beatles, etc e etc.
Só creio que seja um desperdício de oportunidade. Se privar de descobrir coisas novas e isso nem sempre quer dizer que se tenha obrigação de só ir atrás de no caso especificamente, trompetistas de Free Jazz ou Neo-Bop. Até o bem conhecido Lee Morgan desperta pouco interesse, talvez por ignorância e principalmente em sua melhor fase, no fim dos anos 60 e início dos 70. Mas também podemos descobrir trabalhos preciosos, como o realmente desconhecido trompetista Dupree Bolton, que gravou nos anos 50 e o blog Farofa Moderna colocou em pauta.
Nem sempre não se mexe em time que está "ganhando", pois pode ser que só não está perdendo...

sábado, janeiro 10, 2009

Trava Fist Planet


Diretores: Katsuhito Ishii e Takeshi Koike
OVA em 04 episódios
Studio Madhouse 2003.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Freddie Hubbard on the other side...

Freddie Hubbard deixou muita música para ser lembrado pelo seu grande talento. Ainda conseguiu celebrar seus 70 anos de idade com o disco On The Real Side gravado em 2008. Que agora esteja descansando em Deus, na santa paz.
Muitos apreciadores de Jazz e músicos ultimamente tem falado a mesma frase: "É... eles estão indo embora...". A morte chega para todos, estamos só de passagem por aqui, mas isso não quer dizer o fim, principalmente para quem ainda tem seus anos para viver em carne e osso na Terra. Realmente os grandes artístas de uma era estão encerrando seu ciclo de vida, mas o renovo acontece, novos talentos surgem e o Jazz continua. Sem dúvida não vão aparecer músicos iguais ao Freddie, mas também sem dúvida já existem os que são tão bons quanto. Aliás não se deve fazer comparações neste nível, pois a música é interessante justamente se ela expressa bem a personalidade do músico.
É impossível esquecer de Freddie e sua corneta no Jazz, na música, quando os Messengers incluíram um trombonista pela primeira vez, Freddie estava lá. Quando Dolphy criou sua obra prima, o Out To Lunch, Freddie também estava, assim como em Free Jazz de Ornette Coleman e Ascension de John Coltrane, fora suas próprias gravações, como Blue Spirits, Ready For Freddie, etc. Hubbard deixou sua rica herança para a música e agora seguimos em frente com Wynton Marsalis, Corey Wilkes, Robert Griffin, Magnus Broo, Lewis Barnes, etc.
Obrigado pela sua música, Freddie.
 
 
Studio Ghibli Brasil